A Geração Final e Perfeição

Michael Marsh
Nesta geração final duas classes de pessoas estão se desenvolvendo; dois tipos de religião estão sendo praticadas. Uma religião aponta às vidas do povo de Deus sobre a Terra como sendo o cumprimento da “justiça de Deus”. A outra aponta à vida de Jesus Cristo como sendo esse cumprimento. Com qual nos identificaremos? Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.
 
 

A justiça de Deus não é a obediência dos santos. Observem:

Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus mediante a lei e os profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Rom. 3:20-23.

Nestes versos é declarado diretamente que a “justiça de Deus” não é e não pode nesta vida ser manifesta adequadamente pela obediência dos santos, pois nós carecemos “da glória de Deus” (tempo presente contínuo no original grego). Em vez disso, diz que essa justiça é agora revelada “sem lei”, ou seja, à parte de nossa obediência à lei. É revelada no justo caráter de Jesus Cristo.
Mesmo o testemunho dessa justiça não é a obediência dos santos. O pleno e completo testemunho da justiça de Deus não é a vida do povo de Deus; o testemunho é “a lei e os profetas”. A “lei e os profetas”é a mensagem que o povo de Deus proclama. A justiça de Jesus Cristo proclamada na Bíblia é sua mensagem. A obediência dos santos não é sua mensagem.
A promessa de vida eterna feita a Abraão não é para ser obtida pela observância santificada da lei.

Não por intermédio da lei que a Abraão, ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo; e, sim, mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa. Rom. 4:13, 14.

Em vista de que continuamente todos “carecem da glória de Deus”, é diretamente declarado que a promessa a Abraão ou sua semente não foi “mediante a lei”. Ou seja, a promessa não é para ser obtida pela observância santificada da lei, mas “pela justiça da fé”. Até que Abraão herde o mundo, o crente continua “sendo [tempo presente contínuo em grego] justificado livremente pela graça [de Cristo] “mediante a fé somente”. (Rom. 3:24).
A “justiça da lei”e a “justiça da fé”são postas em contraste. Uma é a forma de tornar nula a promessa. A outra, o caminho de obter a promessa. A “justiça da lei”é cumprida em nós para nossa santificação (Rom. 8:4). A “justiça da fé”, foi cumprida por Cristo e somos por ela justificados (Rom. 4:11; 24-25; 9:30-33; 10:5-11).
Conquanto seja necessário que as vidas dos que pregam o evangelho devam exemplificar os princípios da lei de Deus—que suas vidas reflitam a imagem de Jesus tão plenamente quanto possível que os pecadores consigam—não obstante, seus caracteres são somente um pálido reflexo de Sua imagem (MDC 49; Ed 73; 7BC 904). Mediante a bênção da justificação pela fé na justiça de Cristo, o crente é livrado do domínio da lei e assim liberto da tirania do domínio do pecado (Rom. 7:1-6; 6:14). Instantaneamente recebe como bênção conseqüente de justificação, mas não como um pré-requisito precedente à mesma,  o “dom do Espírito Santo”. Por esse dom ele experimenta regeneração (Rom. 5:17; 5:1-5; Atos 2:38; Efé. 1:13, 14; Gál. 3:13, 14; Tito 3:5-7). O “dom do Espírito”é sempre ligado ao “dom da justiça”. A regeneração sempre está ligada à justificação e não pode ser dela separada. Ocorre união, porém não fusão.
Permanecendo em Cristo o crente deve avançar em santificação: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões”(Rom. 6:12). Pois “da cruz à coroa, há um combate com o pecado inerente, uma guerra contra o erro exterior” RH  29/11//1887. “Ele deve lutar diariamente contra o mal exterior e o pecado interior”. RH 30/5/1882. Em virtude desse pecado interior o crente nunca é digno de si mesmo, mas sempre “considerado digno” mediante a justiça imputada de Cristo. (Rom. 3:21; 4:25; Luc. 20:35; 21:36; 2 Tess. 1:5). “Pois em nós mesmos somos pecadores; mas em Cristo somos justos”.1 ME, 394.
Os que imaginam que podem permanecer justificados e aceitos perante Deus pela obra do Espírito, desenvolvimento de caráter ou perfeição, seja antes ou depois do tempo de angústia, estão sob uma grande maldição. Nesta vida, devido à pecaminosidade de nossa natureza, a obra do Espírito em nossas vidas é sempre imperfeita e incompleta. Somente em Cristo somos perfeitos e completos (Col. 1:28; 2:9). Nesta vida é somente através da justiça imputada da fé que prestamos perfeita e completa obediência à lei.

Aquilo que Deus requereu de Adão no Paraíso antes da queda Ele requer agora. Perfeita obediência a Sua lei. Mas a justiça sem mácula pode ser obtida somente mediante a justiça imputada de Cristo. Através das provisões que Deus fez para o perdão e restauração dos pecadores, os mesmos requisitos que foram dados a Adão no Éden podem ser cumpridos pelos homens hoje.” RH 3/9/1901 (cf. ST 5/9/1897; CC 62, 63).

Interiormente Justos

Mas as Escrituras não dão ao crente a esperança de que num tempo futuro permanecerá justo e aceitável a Deus por uma justiça interior, a “justiça da lei”? Sim, ela o faz! Não nesta vida, porém. Notem o ensino de Paulo quanto à impossibilidade de tal condição nesta vida:

      De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes. Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Gál. 5:4, 5.

Aquilo que não podemos experimentar nesta vida—ser interiormente justos—experimentaremos na vida futura. Até então esperamos pela esperança de que a “justificação pela fé” nos concede. Quando “este corpo corruptível” se revestir “da incorruptibilidade” (1 Cor. 15:53, 54) tornar-nos-emos justos por natureza (1 Cor. 15: 53, 54). O que agora possuímos pela fé, possuiremos então visivelmente. A víbora do “pecado interior”, o “pecado que habita em mim” não é erradicado até que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade. Então, e somente então, a vitória final nos é concedida. Até então reina “a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rom. 5:21).
Como um padrão de conduta cristã, a lei está em vigor; e buscaremos cumpri-la ao caminharmos, não após a carne, mas segundo o Espírito (Gál. 5:16-18). Assim, durante o tempo de angústia, o povo de Deus está plenamente justificado; e cumpre cabalmente a lei pela graça (na misericordiosa consideração de Deus) e pelo sangue (com base no que Cristo realizou e sofreu). Em Atos 13:39 e Romanos 3 e 4, “crer” e “justificar”estão no tempo presente contínuo em grego. Isto quer dizer que ao crente prosseguir crendo, Deus prossegue justificando. Isso se aplica ao tempo de angústia, bem como por todo o tempo até a segunda vinda.

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-lo como Ele é. 1 João 3:2.

Não devemos tentar trazer o “ainda não” para o “agora”. Nesta vida devemos estar satisfeitos em descansar na verdade de que:

(1) a justiça pela qual somos justificados é perfeita e não interior.
(2) A justiça pela qual somos santificados é interior, mas não perfeita;
(3) A justiça que possuiremos na glorificação será tanto perfeita quanto interior.

Devemos contentar-nos com o fato de que no plano de salvação Deus preferiu justificar-nos por meio de um justo Substituto. A justiça justificadora e redentora reside Nele somente e Ele está no céu à direita de Deus.
Se a fé “é contada por justiça” do princípio ao fim (Rom. 1:17), então devemos concluir que o desenvolvimento de caráter e a perfeição não são contados por justiça, nem agora, nem em qualquer ocasião subseqüente nesta vida.
Deus não nos traz à glória para tornar-nos a perfeição que a lei requer, mas para fazer com que o Capitão de nossa salvação seja a perfeição que a lei requer (Heb. 2:10).
Observem:

Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Rom. 7:19.

Todo o homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade. Sal. 39:5.

Alguns têm sugerido que a obra de Cristo no santuário celestial adiciona algo à expiação realizada na cruz. Sugere-se que no juízo investigativo nossa perfeição de caráter mais a expiação de Cristo no Calvário nos concedem a aceitação final junto a Deus.  O ministério de Jesus no lugar santíssimo não adiciona algo ao Calvário. Nada pode ser acrescentado a uma obra completa. O santuário coloca a cruz em destaque. Não acrescenta nenhum novo alto salvífico para a salvação do homem, mas aplica ao crente individual a obra redentora universal que Cristo cumpriu sobre a terra. O santuário celestial reflete a luz da cruz do Calvário (Apoc. 5:5; CS, 489).

Recebendo a Chuva Serôdia

Recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da fé? Gál. 3:2.

Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé? Gál. 3:5

Aqui o Espírito torna bastante claro que os crentes nunca recebem o Espírito em resultado de regeneração, santificação ou perfeição (Gál. 3:1-5). O fato é que Ele é concedido para realizar essas coisas em nós. O Espírito é concedido continuamente segundo a fé na justiça de Deus fora de nós é exercida constantemente (Fil. 3:9).
É mediante a agência do Espírito que nossas vidas devem ser transformadas à semelhança com Cristo. Mas Deus não pode conceder o Seu Espírito àqueles a quem a lei condena. Quando aceitamos a substituição de Cristo em nosso benefício, então a lei não mais pode nos condenar. Quando cremos que Sua justiça é verdadeiramente nossa justiça, Sua perfeição a nossa perfeição, Sua plenitude nossa plenitude, e Sua morte a nossa morte—de que por essas coisas a justiça foi satisfeita em nossa favor—então o Espírito é enviado para habitar em nós e restaurar-nos à imagem de Deus.
O Espírito pode somente ser derramado sob a condição de perfeita obediência à lei de Deus—de fato, o cumprimento absoluto dela (Atos 5:32). Mas a mensagem do evangelho é de que Cristo cumpriu a lei por nós, atendeu a todos os seus reclamos. Nessa base o Espírito é derramado (Rom. 10:4; Gál. 3:1-5; 14).
O Espírito é dado inicialmente e continuamente com base na expiação de Cristo, não nas realizações do crente. Cristo nos concedeu o dom do Espírito. Toda barreira foi removida. Para os que “estão em Cristo” a lei é perfeitamente cumprida e estão plenamente justificados, santificados, e mesmo tornados perfeitos para sempre à vista de Deus (Heb. 10:14). Então, se estamos em Cristo pela fé, estamos prontos para a chuva serôdia. De fato, a bênção já é nossa Nele, pois temos sido abençoados “com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”.  Efé. 1:3. Também “Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”. Col. 2:9, 10. A chuva serôdia já é nossa em Cristo e sua bênção se realizará em nossa experiência quando mais precisarmos dela (DTN, 200).
Tantos ensinam que o recebimento da chuva serôdia depende de adquirirmos santificação suficiente. Uma vez que santificação é a observância dos mandamentos de Deus, esse ensino de fato transmite a idéia de que o Espírito é dado àqueles que observaram a lei suficientemente bem. Conquanto seja abundantemente claro que a chuva serôdia não cairá sobre pessoas desobedientes, nem sobre aqueles que não estão lutando na força de Cristo para vencer, contudo nossa observância da lei, com ou sem o auxílio capacitador de Deus, não pode trazer a chuva serôdia mesmo num milhar de anos de tentativa. Os 150 anos passados deveriam ter-nos ensinado algo.
Ninguém deseja admitir que não temos assimilado a verdade da justificação pela “justiça imputada da fé”, contudo, todos admitimos que bem poderíamos conseguir um pouco mais de santificação. Talvez devamos nos concentrar mais na justiça imputada de Cristo que, por seu turno, trará Seu Espírito santificador a nós.

A Natureza de Cristo

Cristo rompeu a corrente de hereditariedade comum a todos, pois está escrito: “corpo Me preparaste”. Heb. 10:5. Foi em Seu corpo “pelo Espírito eterno” que Ele “a Si mesmo Se ofereceu sem mácula a Deus”. (Heb. 9:14). Alguns crêem que “natureza de pecado” não poderia estar separada da natureza biológica de Maria. É verdade, o homem não poderia fazê-lo, mas Deus o fez como Hebreus 10:5 ensina em seu contexto. Mediante Sua concepção pelo Espírito, num corpo para Ele preparado, Cristo rompeu a corrente de nossa hereditariedade pecaminosa. Não havia esperança para a raça a menos que alguém viesse e rompesse essa linha e estabelecesse uma nova herança de isenção de pecado.  Os que ensinam a depravação da natureza humana de Cristo desejam fazer com que a corrente de hereditariedade pecaminosa seja mantida. Eles parecem tão dominados com sua idéia de serem salvos pelo exemplo de Cristo e a esperança de duplicarem Sua vida que julgam que a salvação depende de torná-Lo um participante de sua depravação.
Atribuir a Cristo nossa pecaminosidade de natureza não só destrói Sua capacidade representativa mas também Sua capacidade substitucionária.
A fim de ser o representante sumo-sacerdotal do homem, Jesus não podia ter possuído nossa natureza pecaminosa. Deus nunca fez o homem com uma natureza pecaminosa. O pecado é um intruso desnatural na natureza do homem. Se Jesus tivesse possuído nossa natureza pecaminosa teria que primeiro oferecer um sacrifício por Sua própria natureza pecaminosa, e depois pela do povo. A lei requer uma natureza santa, bem como ações santas.
Como uma expressão da santa natureza de Deus, a lei requer que nossas naturezas sejam santas. “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Mat. 5:48. Para ser nosso substituto foi necessário que Jesus possuísse uma natureza humana santa. Se a natureza humana de Jesus fosse carnal, pecaminosa, e depravada como a do restante dos homens que são concebidos em pecado, então não temos substituto para satisfazer a lei divina em nosso favor. Propor, como alguns têm feito, que a natureza de Jesus era pecaminosa como a dos outros homens e que somente os Seus atos eram santos é pressupor que a lei somente tem a profundeza dos atos; que o pecado é somente um ato, antes que um estado de ser. Então teria que se argumentar que as crianças quando nascem não são pecadoras em absoluto, uma vez que nada fizeram de bom ou de mal. Mas eis o que dizem as Escrituras:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram. Rom. 5:12.

       Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Rom. 7:14.

Ora, sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz, para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus. Rom. 3:19.

              Porque Deus a todos encerrou na desobediência. Rom. 11:32.

      Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado. Gál. 3:22.

Estes textos revelam um problema maior do que atos de pecado. Eles nos falam que “todos” pecaram no único pecado de Adão, e todos foram vendidos sob um só pecado. Portanto, todos estão debaixo da lei, culpados em descrença sob o pecado, e isso mesmo antes de termos cometido qualquer ato pecaminoso.

A queda de Adão foi uma coisa terrível—por sua desobediência o mundo foi lançado em desordem e rebelião. Devido a sua desobediência o homem ficou sob a penalidade de quebrar a lei, condenado à morte” - BE, 16-7-1894.

Adão desobedeceu e acarretou o pecado sobre sua posteridade. - Carta 143, 1900.

Por que somos transgressores da lei? É por causa de nossa desobediência? Não!  Nossa desobediência é a conseqüência de sermos transgressores da lei: “Porque como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores”. Rom. 5:19.
Nosso envolvimento em culpa e pecado pelo pecado de outro é, de fato, uma doutrina muito difícil para alguns aceitarem. Mas seria mais difícil do que nosso envolvimento na isenção de culpa e de pecado mediante a isenção de pecado de Outro? Se rejeitarmos uma, devemos rejeitar a outra, pois, ou se mantêm ou caem juntas.

Adão pecou, e os filhos de Adão compartilham de sua culpa e suas conseqüências. FO, 88, 89.

No que tange ao primeiro Adão, os homens nda recebem dele, a não ser culpa e morte. 6BC, 1074.

Os filhos recebem de Adão uma herança de desobediência, de culpa e morte. Carta 8, 1895.

Precisamos entender que se a lei de Deus não condena uma natureza pecaminosa, por que chamá-la então de “pecaminosa”? Chamar algo de “pecaminoso” que não seja contrário à lei de Deus é um qualificativo sem nexo.
Como Igreja devemos sempre confessar duas coisas a respeito da natureza de Cristo: 1) Ele foi concebido pelo Espírito Santo; 2) Ele foi nascido da virgem Maria. Ambas essas verdades e suas conseqüências devem ser ensinadas. Doutro modo, caímos numa séria distorção da verdade. Que a humanidade de Cristo foi concebida do Espírito Santo significa que Sua natureza humana era santa e sem qualquer contaminação do pecado. Que Sua natureza humana foi nascida de uma mulher significa que em realidade Ele possuía a substância e todas as propriedades essenciais da natureza humana como se deram depois da Queda, com os efeitos do pecado sobre ela.

Justificado em Espírito

Jesus foi “justificado em Espírito” (1 Tim. 3:16). Isso significa que Ele permaneceu justificado perante a lei de Deus, com base no que fez e de como viveu. Ele não precisou (e de fato não teve) nenhum substituto, garantia mediador, intercessor ou justiça imputada. Por Sua obediência no Espírito cumpriu e satisfez os preceitos da lei. Por Sua morte na cruz Ele a satisfez em penalidade. Assim, Ele cumpriu santidade e justiça, propiciação, a perfeição para todos quantos crêem Nele (Heb. 5:5-9; 10:14; 6T, pág. 60). Isso, nada menos do que isso, nada mais do que isso, e nada além disso, é a “justificação pela fé” bíblica ou a “justiça que é de Deus pela fé”. Isso teria sido impossível caso Cristo tivesse uma natureza pecaminosa.
Cristo era justo perante Deus e Sua própria Pessoa. Nele estava toda a plenitude da perfeição. Sua vida se media com os mais amplos requisitos da lei. Deus pode olhar diretamente para Ele e dizer: “Este é o Meu Filho amado em Quem me comprazo”. Jesus era justo, aceitável e agradável a Deus em Sua própria Pessoa. Isso jamais poderá se dito a nosso respeito. Somos “aceitos no Amado”. Podemos sentir que comprazemos porque Outro compraz. Vivemos sob o conceito da graça. Cristo viveu sobre o velho concerto de “obedecei e vivei” (Gál. 4:4 e 5).
A declaração de 1 Tim. 3:16, “justificado em Espírito” nunca poderá ser pronunciada a nosso respeito pela razão mesma de termos uma natureza pecaminosa. Somos santificados no Espírito, mas nunca “justificados no Espírito”. É claramente estipulado que somos “justificados pela graça”, e somos “justificados pela fé”. Portanto, “provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência”. Rom. 4:16, cf. 3:24, 28. Pois nesta vida temos somente as “primícias” ou “pagamento inicial” do Espírito de Deus (Rom. 8:23; Efé. 1;14).

A Acusação de Satanás

Quando o pecado se originou no céu, Lúcifer acusou a Deus de injustiça. Ele declarou que a lei não poderia ser observada por seres sem pecado. Como prova, ele apontou para si mesmo e para um terço dos anjos que, segundo ele, acharam impossível observar a lei de Deus. Não havia controvérsia então se seres caídos podiam observá-la. A questão era se seres não caídos podiam observar a lei.
Quando o homem pecou, o grande rebelde apontou para ele como prova adicional de que a lei não podia ser observada. Satanás não desafiou a Deus com a idéia de que o homem caído, pecador, não pudesse observar a lei para satisfazer a justiça. Tanto Deus quanto o diabo sabem que o homem em sua condição pecaminosa “não pode preencher os requisitos da santa lei de Deus” (DTN, 762—ver também 1 ME, págs. 344, 367). Em vez disso, ele declarou que o homem, tal como Deus o criou, sem pecado e santo, não podia cumprir a lei.

Quando o homem quebrantou a lei de Deus e desafiou a Sua vontade, Satanás exultou; ficou provado, declarou ele, que a lei não podia ser obedecida”. DTN,  761.

   Quando Cristo veio a este mundo não foi somente para propiciar justiça pela qual pudéssemos ser restaurados ao favor de Deus, mas para vindicar o caráter e a lei de Seu Pai, para provar que as acusações de Satanás eram falsas.
Cristo veio à terra, assumindo a humanidade e pondo-se como representante do homem para demonstrar no conflito com Satanás que o homem, tal como Deus o criou, ligado ao Pai e ao Filho, podia obedecer todo requisito divino”. 1 ME, 253, ênfase acrescentada.

Cristo veio para dar ao mundo um exemplo do que a perfeita humanidade poderia ser quando unida à Divindade. 1 ME, 260, ênfase acrescentada.

Por Sua vida e morte, Cristo provou que a lei é justa e pode ser perfeitamente obedecida. As acusações de Satanás foram refutadas”. DTN, 762, ênfase acrescentada.

Com que intenso interesse foi esta controvérsia observada pelos anjos celestiais e os mundos não caídos, quando a honra da lei estava sendo vindicada. Não meramente por este mundo, mas para o universo do céu, foi a controvérsia para sempre estabelecida. A confederação das trevas estava também observando pela aparência de uma oportunidade de triunfo sobre o Substituto divino e humano da raça humana. . . .
Mas Satanás atingiu apenas o calcanhar; ele não pôde tocar a cabeça. Por ocasião da morte de Cristo, Satanás viu que estava derrotado. . . . A humanidade de Cristo demonstraria para as eras eternas que questão que resolveria a controvérsia. 1 ME, 255, ênfase acrescentada; cf. DTN, 758.

Observem as fortes expressões concernentes à vindicação da lei por Cristo: A controvérsia está “para sempre resolvida”, “a humanidade de Cristo demonstraria para as eras eternas que questão resolveria a controvérsia”. Jesus veio para “magnificar a lei e torná-la gloriosa” (Isa. 42:21). Ele disse: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer”. João 17:4.
O diabo e seus anjos sabem que a questão está resolvida: os habitantes de outros mundos e do céu sabem que está resolvida; e qualquer um neste mundo que tomar tempo para examinar o registro sagrado se convencerá de que está resolvido. É então obra da última geração provar algo que já está provado “além de controvérsia”?

A Geração Final

Deus não está esperando por uma demonstração pela última geração de seres pecadores que vindique Sua lei e prove que ela pode ser obedecida. Essa controvérsia já foi para sempre resolvida, demonstrada para as eras da eternidade na humanidade de Cristo. Dizer que essa demonstração deve ser repetida é, na realidade, negar a plenitude da obra de Cristo. Sua obra é uma obra completa, e todo o viver santo da última geração (e não há dúvida de que os dessa geração devem e viverão vidas santas e puras) nada pode acrescentar a essa perfeição.
Cristo realizou a demonstração que derrotou a Satanás. Ele o fez por nós como nosso Substituto porque não somos capazes de fazê-lo por nós mesmos. Se fôssemos, Ele não o teria feito por nós.
Se atribuirmos a correta estimativa sobre a grandeza, majestade e santidade da lei de Deus, perceberemos que podemos demonstrar nossa lealdade a ela mais clara e efetivamente por uma humilde aceitação da obra completada e infinitamente perfeita de Cristo. Por essa demonstração de lealdade Deus verdadeiramente espera.
Tornar a doutrina da “justificação pela fé” em algo que tem lugar sobre a terra no crente, é perverter as Escrituras e “lançar a verdade por terra”. Trata-se da “transgressão assoladora”. É profanar “o santuário, a fortaleza nossa”, tirar “o sacrifício costumado, estabelecendo a abominação desoladora” (Dan. 11:31). Onde tal doutrina é aceita hoje produz os mesmos frutos que produziu na Igreja primitiva e na Idade Média.
A doutrina de que a “justificação pela fé” é uma justiça em nós torna nula a lei de Deus porque a rebaixa ao nível de nossos débeis esforços de cumprir suas justas demandas. Os melhores esforços dos santos em qualquer era são poluídos e contaminados e carecem da glória de Deus. pois, “Não há homem justo sobre a terra, que não peque fazendo o bem”. Ecl. 7:20 [este texto pode ser lido assim sem causar-lhe nenhum dano]. Se nosso nível de realização é tudo quanto a lei requer, então em algum lugar a lei perdeu seu significado, foi tornada nula.

A Glória de Deus

É no evangelho, não nas vidas daqueles que o pregam, que a infinita beleza e perfeição do caráter de Deus é revelado. “Deus é amor”. I João 4:16. Sua glória é o Seu amor, e em nenhuma outra parte foi esse amor mais plenamente revelado do que sobre a cruz do Calvário. É da cruz levantada de Cristo que a glória advirá a qual encherá toda a Terra sob a proclamação do alto clamor. Jesus disse: “E Eu quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo”. João 12:32.
Duas classes de pessoas estão sendo desenvolvidas; dois tipos de religião estão sendo praticados. Uma religião aponta às vidas do povo de Deus sobre a terra como sendo o cumprimento da “justiça de Deus”. A outra aponta à vida de Jesus Cristo como sendo esse cumprimento. É entre os adeptos desses dois pontos de vista que o conflito final se estabelecerá. Queira Deus que estejamos todos unidos sobre a sólida plataforma do verdadeiro evangelho (Apoc. 14:6-12).
__________

*Referencias feitas a livros outros que não a Bíblia são de escritos de Ellen G. White, segundo tabela abaixo. A paginação corresponde aos livros da edição original em inglês.

BE - Bible Echo
CC - Caminho a Cristo
CS - O Conflito dos Séculos
Ed - Educação
FO - Fé e Obras
DTN - O Desejado de Todas as Nações.
MDC - O Maior Discurso de Cristo
ME - Mensagens Escolhidas
ST - Special Testimony
RH - Review and Herald
xCB - Comentário Bíblico Adventista (x= no. do volume)
xT - Testimonies to the Church (x= no. do volume)

Se desejar se comunicar com o autor, mande um e-mail para o link em baixo:

Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura profazenilto@hotmail.com

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