O EVANGELHO A TODO O MUNDO:
UMA VISÃO OTIMISTA DA CONCLUSÃO
DA TAREFA EVANGELIZADORA
Reflexão Sobre Mateus 24:14

Certo pastor uma vez declarou que a passagem bíblica que mais preocupa os adventistas é Mateus 24:14:

Mateus 24:14:
“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”.

E assim realmente deve ser.
A pregação a toda nação, tribo, língua, povo e raça é ainda destacada na descrição do símbolo do primeiro anjo dentre os três que saem a proclamar a mensagem final de advertência, em antecipação à ceifa e à vindima. Tal cena de proclamação global completa a imagem apocalíptica dos tempos finais da história humana no capítulo 14 do último livro da Bíblia

(vs. 6 a 20).
5 “Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão.
6 E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim”.
 

Desafios e Barreiras

Grande é o desafio do cumprimento dessa missão evangelizadora diante do crescimento populacional explosivo, das imensas barreiras políticas, culturais, além da escassez de recursos e outros fatores de limitação dos proclamadores. Afinal, somos apenas 8 milhões de crentes adventistas diante de bilhões de criaturas a serem alcançadas com o anúncio do evangelho que as levem a tomar uma decisão pessoal e crucial de aceitá-lo ou rejeitá-lo. Antecipam as Escrituras que antes do clímax da história, ninguém ficará neutro. Soleníssima, pois, é a tarefa.

Há neste aspecto uma reflexão que se faz necessária: como entendemos o cumprimento de Mateus 24:14? Acaso a idéia é que somente os adventistas do sétimo dia, com seus 27 pontos doutrinários específicos, estarão dando cumprimento à profecia do Senhor quanto ao preparo do mundo para o Seu Advento? Ou também outros proclamadores que não mantêm conosco todos os pontos de vista doutrinários, mas que apresentam a mensagem básica de um Salvador crucificado e ressurreto, terão somados os seus esforços evangelísticos no mesmo intento? Em outras palavras, será que o mundo todo precisa cientificar-se de todos os pontos de doutrina como defendidos por nós historicamente, que seriam 27 princípios básicos, para então estar apto a defrontar o Senhor em Sua vinda, ou outros cristãos evangélicos, embora conservando diferenças doutrinárias profundas em relação aos nossos ensinos, terão contudo a mensagem suficiente para advertir os homens e levá-los a uma decisão quanto a aceitar ou rejeitar o Senhor próximo a vir? Creio ser importante definirmos bem esta questão.

Particularmente prefiro ter uma visão que chamaria de otimista e que inclui outras corporações cristãs nessa proclamação final em cumprimento a Mateus 24:14. É otimista porque reduz o peso de nossa própria tarefa nessa preparação dos bilhões de criaturas por toda a terra habitada, reduzindo também o tempo para que todos ouçam a mensagem do evangelho--as boas novas de salvação em Cristo. Afinal, há outros crentes em Cristo que se preocupam também em apresentar aos homens e mulheres de todo o mundo o Salvador que há de vir para julgar os vivos e os mortos e que se empenham em proclamá-lo com fervor e convicção, conquanto talvez de modo não tão completo e profundo quanto o faríamos.

Missionário Entre os Canibais Revela Seu Otimismo

Tempos atrás tive o privilégio de entrevistar um missionário evangélico que teve magnífica experiência entre os “caçadores de cabeça” da região ocidental da Nova Guiné com os quais conviveu por vários anos deixando um trabalho evangelístico bem firmado, e a própria tradução do Novo Testamento na língua nativa. Sua presença ali representou transformação maravilhosa de vidas, e muitos antigos canibais, que só pensavam em guerrear e trair uns aos outros, hoje falam de salvação em Cristo, paz e amor ao próximo. Este pastor, chamado Don Richardson, é autor do livro que em português teve o título de O Totem da Paz onde descreve o seu trabalho evangelístico entre os habitantes daquelas remotas paragens do Pacífico Sul. A experiência de Richardson é tão bela e extraordinária que sua obra foi condensada na seção de livros da revista Seleções do Reader's Digest, de grande circulação por todo o mundo.

A certa altura da entrevista com esse missionário, publicada na revista Missão (nº 4), dirigi-lhe uma pergunta sobre o cumprimento de Mateus 24:14, e sua resposta foi de caráter bem otimista. Eis suas palavras textuais:

“Mateus 24:14 refere-se à pregação do Evangelho a toda nação, a todo ethnos (povo), o que é muito mais fácil do que alcançar cada pessoa, porque você pode alcançar algumas dessas milhões de pessoas num ethnos na Índia, por exemplo, e estabelecer uma igreja para aqueles poucos que se tornam cristãos, e pode ensiná-las para que possam compartilhar o Evangelho por todo o seu ethnos. Assim, já alcançamos cerca de oito ou nove mil idiomas em todo o mundo. Somente três ou quatro mil não foram alcançados. Temos mais cristãos agora do que no passado, mais cristãos firmados na Palavra do que todos os cristãos em todas as gerações antes de 1900. Mais pessoas vieram a Cristo neste século, até agora, do que nos 19 séculos anteriores juntos.

“Graças ao rádio, à televisão, à literatura e a meios mais rápidos de transporte, a melhores técnicas lingüísticas, é possível, para os 350 milhões de cristãos agora existentes no mundo, alcançarem outros três ou quatro mil grupos lingüísticos facilmente, de modo que Mateus 24:14 possa em breve ser cumprido e Jesus venha”. (Op. Cit., pág. 12).

Outros Proclamadores Preocupados com a Evangelização Mundial

Fiz-me presente a um dos eventos da “Casa Aberta” e fiquei feliz em ver sendo ali impressa a Bíblia, numa encomenda contratada pela Sociedade Bíblica do Brasil à nossa editora denominacional, a Casa Publicadora Brasileira. Graças àquela entidade interconfessional, o evangelho está sendo levado na sua própria fonte bíblica a criaturas por todos os rincões da nossa pátria e de outras nações que falam o português. Por todo o mundo, entidades congêneres realizam idêntico mister. Não são maiormente adventistas que o fazem, mas sem dúvida o papel dessas sociedades bíblicas é fundamental para que Mateus 24:14 tenha cumprimento.

Sob o título “Evangelização do mundo exige pressa, unidade e sacrifício” o jornal Transformação, editado pela entidade filantrópica interconfessional “Visão Mundial”, publicou matéria que expõe o encontro de mais de quatro mil líderes mundiais procedentes de 190 nações preocupados com o tema que dá título à reportagem. Trata-se da assembléia que ocorreu no mês de julho de 1989 em Manila, capital das Filipinas, e que é conhecida como Lausanne-II, num sentido de continuidade ao primeiro grande encontro de Lausanne, cidade da Suíça, anos atrás, quando líderes evangélicos, sob a direção de grupos ligados ao evangelista Billy Graham, propuseram-se a desenvolver estratégias e planos para alcançar o mundo com o evangelho. “Deus está chamando a igreja toda para levar o evangelho todo a todo o mundo”, dizia a declaração do encontro de Manila. E continuava com o compromisso de “proclamá-lo fielmrgente, uentemente e sacrificialmente até que Ele venha”.
Dentre os 21 pontos do “manifesto” de Manila, alguns merecem destaque para confirmar o ponto de vista acima salientado de que temos maravilhosos aliados no cumprimento da tarefa evangelizadora:
§ 3 - Afirmamos que o evangelho bíblico é a mensagem duradoura de Deus ao mundo e nos comprometemos a defendê-la, proclamá-la e encaminhá-la.
§ 4 - Afirmamos que os seres humanos criados à imagem de Deus são pecadores, culpados e perdidos sem Cristo, e que esta verdade é uma preliminar necessária para o evangelho.
§ 5 - Afirmamos que o Jesus da história e o Cristo da glória são a mesma pessoa e que Jesus Cristo é absolutamente único, por ser Ele mesmo Deus encarnado, que leva os nossos pecados, conquista a morte e há de vir para julgar.
§ 6 - Afirmamos que na cruz, Jesus Cristo tomou nosso lugar, portou nossos pecados e morreu nossa morte e que por esta razão Deus livremente perdoa aqueles que são levados ao arrependimento e à fé.
§ 15 - Afirmamos que nós que proclamamos o evangelho, devemos exemplificá-lo numa vida de santidade e amor; do contrário, nosso testemunho perde a credibilidade.
§ 20 - Afirmamos nossa solidariedade para com aqueles que sofrem pelo evangelho e procuramos nos preparar para a mesma possibilidade. De igual modo, trabalharemos pela liberdade religiosa e política.

E para que não pairem dúvidas sobre a mente de alguns quanto a alguma malévola intenção “ecumênica” desses líderes cristãos, convém acrescentar o sétimo ponto: “Afirmamos que outras religiões e ideologias não são caminhos alternativos para Deus e que a espiritualidade humana, se não for redimida por Cristo, leva, não a Deus, mas ao juízo, pois Cristo é o único caminho”.

Mais recentemente, ocorreu a chamada “Consulta de Seul”, na capital da Coréia do Sul, de 17 a 25 de maio de 1995, com o objetivo de “chamar a atenção de toda a igreja cristã para os povos ainda não alcançados, especialmente aqueles que se concentram na chamada Janela 10/40, uma área localizada logo acima da linha do Equador, ao norte da África, ao sul da Europa e numa vasta região da Ásia, onde predominam o islamismo, o hinduísmo e o budismo”, segundo a reportagem de Ultimato, de julho de 1995. A essa assembléia afluíram “quatro mil pessoas de 195 diferentes países reunidas para a Consulta Global sobre Evangelização Mundial, por convocação do Movimento AD 2000” (Op. Cit.).

A ambiciosa meta desses cristãos de diferentes denominações cristãs conservadoras seria propiciar “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa . . . até o ano 2000”, declaração que serve de título à matéria da referida publicação, na sua página 13. O ano 2000 chegou e passou, mas o ideal elevado de proclamar o evangelho a todo o mundo continua empolgando os adventistas com sua Missão Global, e evangélicos conservadores com seus respectivos projetos missionários. Alelua!

Sem dúvida, anima-nos saber que milhões de cristãos estarão empenhados, juntamente conosco, na proclamação do Cristo que morreu, ressuscitou, foi assunto aos céus e glorificado para preparar lugar para os Seus, e que há de voltar em breve para reunir os que O aceitaram como Senhor e Salvador. Juntamente com estes que se propõem a proclamar o evangelho todo ao mundo todo no mais breve tempo possível, superando o que é chamado entre cristãos conservadores “a vergonha da tarefa inacabada”, só temos que, além de revelar idêntica disposição, exclamar: “Ora vem, Senhor Jesus”. Prof. Azenilto G. Brito
 


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Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura profazenilto@hotmail.com

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