10 Questões Sobre Justificação, Santificação e Perfeição

&Analisando Ensinos Bíblicos  &

Prof. Azenilto G. Brito

1 - Justificação é o veredito do divino Juiz nas cortes celestiais de que o perdão é nosso, nossa a vida eterna, nossa a celestial herança, nosso o Espírito Santo. Pela fé já fomos declarados perfeitos (Heb. 10:14), passamos escatologicamente da morte para a vida (João 5:24), já ressuscitamos e subimos para o céu para assentar-nos nos lugares celestiais (Efé. 2:5, 6).

Ponderando: O evangelho não aponta apenas para o passado--o Calvário--mas apresenta-nos as boas novas de que temos os nossos nomes registrados no livro da vida (Luc. 10:20; Fil. 4:3) e é um retrato que temos do futuro como fato presente e real para ser agora desfrutado. O Segundo Advento será o desdobramento concreto e empírico daquilo que já é nosso em Cristo Jesus porque “fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Heb. 11:1).

2 - Regeneração, ou “novo nascimento”, não é a causa de nossa salvação, mas sua conseqüência. Não somos salvos porque nascemos de novo, mas nascemos de novo por termos sido salvos. Em Romanos 5:1 vemos que desfrutamos “paz com Deus” por termos sido justificados pela fé. Na entrevista de Jesus com Nicodemos, Ele lhe fala de sua necessidade de nascer de novo, mas aponta à cruz como fonte da salvação: João 3:3, 14, 15.

Ponderando: Outra ênfase muito importante dos Reformadores é a do caráter extrínseco  da justificação pela fé. A frase “fora de nós” expressa bem essa noção da obra de Deus por nós no Calvário na justificação, enquanto Sua operação intrínseca para nos regenerar representa a santificação. A linguagem típica no meio evangélico contemporâneo de “deixar Cristo entrar no coração” se aplica a este segundo aspecto e está em harmonia com João 14:23. Contudo, a fonte da salvação não é esse habitar de Cristo (mediante o Espírito) no íntimo da pessoa, realizando a sua regeneração, pois não somos salvos por termos sido regenerados, e sim porque Cristo pagou na cruz o preço de nossa culpa (1 Cor. 6:20; 7:23).

3 - Alguém que se converte torna-se uma “nova criatura” (2 Cor. 5:17) mas tal pessoa não está ainda livre da presença do pecado. Poderá ainda tropeçar e cair vez ou outra, mas tem a promessa de constante perdão (1 João 1:9). Ele/ela não mais estará vivendo sob a escravidão do pecado (Rom. 6:14), porém se empenhará numa luta vitalícia contra o seu poder (Rom. 7; Gál. 5:17).

Ponderando: Lutero costumava dizer que o cristão é simul iustus et pecator (ao mesmo tempo justo e pecador). Este é um dos paradoxos na Bíblia. Os apóstolos ensinaram que quando o cristão nasce de novo, ele é feito participante da natureza divina, II Ped. 1:4. Todavia, eles tornaram claro que o pecado na carne, ou a natureza pecaminosa, não é erradicada pela regeneração,mas por ela as duas naturezas--carnal e espiritual--estariam em constante conflito. (Gál. 5:6-18; I Ped. 2:11).

4 - Paulo declara que “Cristo vive em mim” (Gál. 2:20), mas com isso não está promovendo nenhum conceito místico nem alegando ter alcançado perfeição ontológica. No próprio contexto ele explica que isso se dá “pela fé” no significado do sacrifício de Cristo, pois não despreza “a graça de Deus” (vs. 21). “Graça” significa “benignidade imerecida” e disso ele dependeu até o fim de sua carreira, e confessa então não ter alcançado a perfeição: Fil. 3:12, 13.

Ponderando: Pedro também certamente não foi perfeito, pois Paulo o repreendeu severamente (Gál. 2:11-14) dizendo que ele “se tornara repreensível”. E ainda influenciou o pobre Barnabé com sua atitude (vs. 13). Paulo e Barnabé tiveram uma séria desavença com respeito a João Marcos (Atos 15: 36-39). Assim, se tiveram uma discordância tão séria, um dos dois estava errado, havia cometido um erro. Eles nunca reivindicaram ser ontologicamente perfeitos.

5 - Não obstante a Bíblia ensine que os cristãos renascidos terão vitória sobre todo o pecado conhecido (I João 5:4; 3:9; 5:18; 3:6; Rom. 6: 1, 2; 11:14), em nenhum lugar no Novo Testamento há menção de que a vitória sobre todo o pecado conhecido incluía “vida sem pecado” no sentido da natureza pecaminosa ser completamente erradicada na santificação, de maneira a não existir pecado no cristão (I João 1:7 e 8). Tampouco há referência a qualquer servo de Deus que haja atingido essa condição de isenção total de pecado, ou perfeição ontológica.

Ponderando: Alguns citam Enoque como alguém que efetivamente foi tomado por Deus para os céus em vista de ter logrado uma condição de perfeição ontológica (Gen. 5:24; Heb. 11:5). Contudo, Moisés e Elias também foram para o céu, o primeiro por ressurreição (Jud. 9), o segundo por ser tomado por Deus dentre os viventes (2 Reis 2: 11, 12) e sobre nenhum desses é dito que atingiram uma posição de perfeição. Sobre Enoque, Hebreus declara que ele agradou a Deus devido a sua fé, não por suas “realizações espirituais”. João Batista é outro exemplo: Jesus disse que “dos nascidos de mulher, nenhum é maior do que João Batista” (Mat. 11:11), no que ele superaria Enoque, Elias e Moisés. Contudo, nada é dito quanto a ele ter atingido perfeição ontológica. Ele chegou  até  a abrigar dúvidas quanto à missão de Cristo (Mat. 11:2-6)!

6 - Nossos melhores esforços para cumprir a lei do Senhor, que é “perfeita” (Sal. 19:7; Rom. 7:12 e 14), são meros “trapos de imundície” (Isa. 64:6). Mesmo as orações dos santos são inadequadas e carecem da intercessão do Espírito para se fazerem aceitáveis (Rom. 8:26). Tal intercessão é comparada com a de Cristo no vs. 34.

7 - Somos salvos pelo viver e morrer de Cristo (Rom. 5:8-10). Pelo Seu “viver” queremos dizer: por Sua vida perfeita que foi justa, plenamente apta a propiciar a vida justa que não podemos produzir--a justiça que nos é creditada. Assim, a perfeita vida de Cristo e Sua morte expiatória são substituintes.

Ponderando: Se incluímos o novo nascimento, ou regeneração, como parte do artigo de justificação, estamos perdendo de vista a natureza judicial da justificação pela fé e realizando uma fusão de justificação e santificação que conduz à confusão. Daí, a salvação torna-se identificada, de uma maneira ou outra, com a própria experiência subjetiva do crente, o que contradiz Efésios 2:8, “isto não vem de vós, é dom de Deus”.

8 - A vida de Jesus foi pura e santa, totalmente isenta de pecado em qualquer proporção: Ele foi gerado pelo Espírito Santo, chamado “o ente santo” desde o ventre de Sua mãe (Luc. 1:35), “sem mancha ou defeito” (1 Ped. 1:19). É-nos dito que Jesus “não conheceu pecado” (2 Cor. 5:21), é “santo, imaculado, puro, separado dos pecadores, exaltado acima nos céus” (Heb. 7:26), e “Nele não há pecado” (I João 3:5).

Ponderando: Ele era verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus (João 1:1 e 14). Como totalmente homem foi criado como Deus tencionava que o homem fosse a princípio: perfeito. Em 1 Cor. 5:21 a sentença “ele foi feito pecado” mostra que não havia ainda sido assim feito, tendo uma natureza “pecaminosa”, pós-lapsariana. Ele foi feito pecado no Calvário (ver o contexto, vs. 18, 19), não na manjedoura ou no ventre de Maria. Isto é tornado muito claro em Hebreus 2:14: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum na carne e sangue, destes também Ele, igualmente participou, para que por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte. . .” Mais claro ainda se pode ver isto em Gálatas 3:13 onde é dito que Cristo nos resgatou da maldição da lei “fazendo-se Ele mesmo maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (ver também 1 Ped. 2:21-24).

9 - Ele foi perfeitamente justo porque foi “justificado em Espírito” (1 Tim. 3:16). Isto significa que Ele permanecia justificado perante a lei de Deus com base na obra do Espírito Nele, firmado no que fazia e em como vivia.

Ponderando: Ele não careceu de substituto, segurança, mediador, intercessor ou justiça imputada. Por Sua obediência no Espírito Ele cumpriu e satisfez a lei em preceito. Agora, essa declaração de 1 Tim. 3:16 nunca pode ser dita a nosso respeito, pela mera razão de que temos uma natureza pecaminosa. Somos santificados no Espírito, mas nunca “justificados em Espírito”.

10 - A missão precípua de Jesus não foi a de deixar um exemplo de modo a que pessoas alcançassem a perfeição em imitação de Sua vida perfeita. Ele não veio buscar salvar os perdidos, mas buscar e salvar o que se havia perdido (Luc. 19:10). Ele é primeiro de tudo nosso Salvador, depois o nosso Exemplo (Fil. 1:29; 2:1-8).

Ponderando: A alegação de que se Jesus não tivesse a natureza de Adão após a queda (interpretação pós-lapsariana) não se identificaria totalmente com o homem deixa de perceber a real missão de Jesus. Além disso, dizer que Ele não conheceria por experiência o que significa defrontar a tentação com uma “tendência” para o pecado poderia ser igualada a um médico ginecologista que sabe tudo sobre maternidade, é um especialista no assunto, sem ter jamais dado à luz a uma criança. Ele não precisa ter a experiência a fim de saber como assistir uma mulher na sala de parto. Finalmente, lembremo-nos que Jesus era Deus, o Onisciente que sabe todas as coisas.
 
 


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