10 PONTOS PARA UM POSSÍVEL CONSENSO
NO DEBATE SOBRE A LEI DIVINA

      O debate sobre o sábado X domingo na verdade deve ser antecedido por outro debate fundamental: a vigência/validade do Decálogo como expressão da lei de Deus para o cristão. Este é um ponto muito necessário de ser estabelecido de uma vez por todas.

No meio evangélico há uma tremenda confusão sobre esse assunto. Embora todas as mais representativas Confissões de Fé da cristandade protestante (das igrejas metodista, presbiteriana, batista, congregacional, episcopal, luterana, etc.*) estabeleçam que a lei dos Dez Mandamentos ainda é válida e vigente  para os cristãos, no momento de enfrentar o seu 4o. mandamento (sobre o dia de repouso), muitos instrutores religiosos dessas igrejas levantam teses e mais teses tentando contornar sua evidente negligência a tal regra divina e partem para um ataque sutil à própria lei como de algum modo “inferior”, superada e substituída pela “lei de Cristo”.
      Alguns arranjam uma argumentação bastante vigorosa anti-lei, dando a entender que quem se propõe a obedecê-la é porque está desejando salvar-se pelas obras da lei, sendo, portanto, um legalista, e postando-se “debaixo da lei” em vez de manter-se “debaixo da graça”. Contudo, esses argumentadores admitem que dos 10 mandamentos, 9 ainda vigoram e devem ser respeitados--no que estariam também “debaixo da lei” em 9/10 ou 90%. . .
      Procurando desqualificar os Dez Mandamentos como uma lei “inferior”, superada por uma “lei de Cristo” mais “user friendly” (que, no fundo, só altera o princípio de não se ter mais que observar um dia de repouso, ou fica-se com um domingo meio voluntário, vagamente memorializando a Ressurreição de Cristo), esses instrutores criam uma argumentação cheia de sutilezas e contradições. Algumas passagens revelam-se, porém, dificílimas para sua interpretação, como Mateus 5:17-20 onde Jesus declara não ter vindo abolir a lei, e sim cumpri-la. Em todo o Sermão da Montanha em parte alguma Cristo ensina: a) que a lei moral divina foi ou será abolida ou substituída por outra; b) que essa lei moral divina experimentou ou iria experimentar qualquer alteração em seu texto, como o domingo tomando o lugar do sábado.
      Recentemente um autor da Assembléia de Deus escreveu-me dizendo que aceitava a lei divina com sua norma do dia de repouso e até incentivava seus irmãos a observarem o domingo mais cuidadosamente. Contudo, mesmo assim buscou argumentar que estamos numa nova “dispensação da graça”, sob a “lei de Cristo”. Como prova disso apresentou-me o seguinte argumento: Cristo disse que os antigos tinham uma concepção parcial da lei, mas aos cristãos apresentou normas superiores, como ilustradas em suas comparações--“ouvistes o que foi dito aos antigos . . . Eu, porém, vos digo. . .”. Assim, olhar para uma mulher com intenções impuras, ou odiar um semelhante passaram a equivaler respectivamente ao próprio adultério ou assassinato (ver Mateus 5:21ss).
      Esse raciocínio, no sentido de termos uma “lei superior” determinada por Cristo, é inteiramente equivocado, pois o olhar para uma mulher com sentimentos impuros ou odiar um semelhante SEMPRE foi errado. O que Cristo expressava eram princípios perdidos de vista pelos judeus, que Ele então ressaltava (ver o próprio verso anterior, Mat. 5:20). Ou seja, Ele não está SUBSTITUINDO as normas divinas sobre a obediência à lei, mas destacando o seu caráter mais profundo e espiritual que os Seus ouvintes precisavam levar em conta, já que seus líderes religiosos preocupavam-se mais com a letra do que com o espírito da lei. Destarte, também para os judeus, desde o princípio, olhar para uma mulher com intenções impuras ou odiar um irmão JÁ ERA equivalente a adulterar ou assassinar (ver Jó 31:1 e Lev. 19:17, 18). Cristo não estava inaugurando novas regras, mas mostrando o sentido real, espiritual, da letra da mesma lei.
      Outro que se especializou numa argumentação anti-lei, ligado ao Instituto Cristão de Pesquisas, um “teólogo” sem sequer formação em Teologia chamado Natanael Rinaldi, contraria a orientação da instituição-sede, o Christian Research Institute, fundado pelo teólogo batista Walter Martin, lançando ataques ferozes contra a Igreja Adventista em particular e sua observância do Decálogo. O argumento de Rinaldi é de que se temos de levar a sério as palavras de Cristo em Mateus 5:17-19 (de que não veio abolir a lei, e sim cumpri-la), então temos que também respeitar todas as 613 regras legais dos judeus, incluindo suas cerimônias e sacrifícios.
      Essa argumentação é fragilíssima, pois não leva em conta que no Sermão da Montanha Cristo também lembrou a Seus ouvintes que eles eram “sal da terra” e “luz do mundo”, além de ensinar-lhes a oração do Pai Nosso, e falar sobre o que acima tratamos--do olhar uma mulher com intenções impuras ou odiar um semelhante como transgressões das regras ético-morais estabelecidas pela lei.
      Assim, o Sr. Rinaldi não sabe se explicar diante de sua argumentação antinomista, pois quem quer que acate qualquer dos princípios exarados no Sermão do Monte teria que igualmente ver-se forçado a cumprir as 613 regras legais judaicas! Ou seja, quem levar também a sério as declarações de Cristo de sermos “sal da terra” e “luz do mundo”, ou não dever olhar para uma mulher com sentimentos impuros ou odiar um semelhante, ou mesmo proferir a oração do Pai Nosso, teria que obrigatoriamente cumprir as 613 regras do judaísmo. . . Faz sentido isso?
      Creio que nem é necessário demorar-se neste ponto para se perceber de pronto a falta de fundamento de tal argumentação que contraria a postura de Walter Martin, que não só admitia a validade do Decálogo como norma cristã, como declarou que os adventistas, cuja doutrinas examinou a fundo, não deviam ser considerados legalistas ou heréticos por suas posições quanto à lei e a guarda do sábado, conquanto discordasse das interpretações oficiais da IASD.
Mas enfim, depois de uma longa discussão no Fórum Evangelho no tópico “A Eterna Lei de Deus” com o participante R.G., que seguiu uma linha de raciocínio semi-antinomista mais ou menos nas linhas do que acima expusemos, tentamos apresentar uma série de pontos buscando encontrar elementos de consenso. Infelizmente, apesar de nossa insistência, o irmão R.G. não quis manifestar-se, esnobou nosso apelo para considerar estes pontos abaixo. Resolvi, então submetê-los a nossos irmãos deste grupo esperando que sirva para alguma reflexão proveitosa.
Na introdução de tal estudo eu disse: “De tudo quanto foi discutido creio que poderíamos ressaltar 10 pontos muito importantes, sobre os quais gostaria de indagar objetivamente ao R.G. se estaria disposto a admitir e com eles concordar. Seria uma bênção se pelo menos nestes pontos pudéssemos ter um consenso. Ou poderemos trabalhar as diferenças sobre cada um desses 10 itens que impediriam dito consenso, com ele também apresentando, se necessário, itens de proposta de pontos de consenso”:

 1) A questão da obediência aos mandamentos divinos, ou tudo quanto Deus ordena, não visará à salvação, pois entra no campo da santificação, e não da justificação. Entender o papel da lei como meio de salvação seria um uso “ilegítimo” da mesma (1 Timóteo 1:8).

 2) O fracasso espiritual de Israel, que motivou sua rejeição como “nação teocrática”, não estava na lei, que é “perfeita”, “santa, justa, boa, espiritual, prazerosa” (Salmo 19:7; Romanos 7:12, 14, 22) e sim na atitude de auto-confiança do povo (“tudo que o Senhor falou, nós faremos”) quanto às suas possibilidades de obedecê-la plenamente.

 3) Jesus Cristo ressaltou os princípios básicos da lei divina como sendo “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22:36-40). Paulo o confirma em Romanos 13:8-10 e ambos estes princípios sempre foram reconhecidos pelos cristãos como a síntese da lei divina tanto na linha “horizontal” [criatura-criatura] quanto “vertical” [criatura-Criador] de relacionamento.

 4) Há preceitos de caráter cerimonial, civil e moral na lei divina independentemente de ocorrer tal linguagem “técnica” nas páginas bíblicas, fato reconhecido por Confissões de Fé e autoridades cristãs de diferentes confissões do passado e do presente (como a “Confissão de Fé de Westminster” ou os “39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra”, por exemplo).

 5) No sermão da montanha (Mateus 5 a 7), bem como no diálogo com o jovem rico (Mateus 19:16ss), ao Cristo tratar do verdadeiro espírito da lei Ele lembra que Deus leva em conta não só a mera obediência ao seu texto, mas as reais e íntimas intenções do indivíduo quanto a tal obediência.

 6) Nenhum dos mandamentos do Decálogo tem aplicação limitada a Israel. O próprio princípio do sábado foi estendido aos “filhos dos estrangeiros” (Isaías 56:2-8), e todas as pessoas de todas as nacionalidades têm necessidade de um dia regular de repouso, daí porque “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2:27). As mais representativas Confissões de Fé históricas da cristandade protestante remontam o princípio do dia de repouso à criação no Éden.

 7) No novo concerto os princípios básicos da lei divina são escritos por Deus nos corações e mentes dos Seus filhos, judeus ou gentios, nos moldes do que havia sido prometido ao antigo Israel em Ezequiel 36:26, 27 e Jeremias 31:31-33 (cf. Hebreus 8:6-10 10:16).

 8) Nos debates de Cristo com os escribas e fariseus sobre o sábado Ele está corrigindo a prática extremada e insensível deles do mandamento, e não combatendo uma norma estabelecida por Ele próprio como Criador e Legislador (ver Mateus 12:1-12; Heb. 1:2).

 9) João na introdução do Apocalipse (1:10) refere-se ao “dia do Senhor” como sendo um dia especial que dedicava a Deus, pois fala sobre isso na introdução de seu livro, ao situar-se no espaço (ilha de Patmos--vs. 9) e no tempo (“no dia do Senhor”). Portanto, ele mantinha um dia especial de observância, como estabelecido no 4o. mandamento da lei divina e é fato reconhecido pelas mais representativas “Confissões de Fé” históricas da cristandade protestante, reiterado por importantes próceres, autores e mestres desse meio.

10) A igreja primitiva sofreu influências negativas e acatou práticas e ensinos condenáveis após a passagem dos apóstolos, segundo profetizado por Paulo em Atos 20:29, 30, 2 Tessalonicenses 2:7, processo que já se manifestava ao tempo em que João descreve algumas das sete igrejas às quais ele se dirige no Apocalipse, capítulos 2 e 3.
 
 

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