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                                 Destaques em Romanos

                     Richard Martin

 
ROMANOS 1 -- EVANGELHO E PECADO

             Rom. 1:1-4, 16: "Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, o qual foi por Deus outrora prometido para intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi, e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos. . . pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. . ."

     Nesses versos, Paulo torna claro duas coisas a respeito do evangelho:

     1. O que vem a ser o evangelho.
     2. Para que é o evangelho.

             O evangelho diz respeito a Jesus Cristo. Não diz respeito ao Espírito Santo; não diz respeito a Deus, o Pai; não diz respeito à virgem Maria; não diz respeito a você; e não diz respeito a mim. O evangelho não diz respeito nem sequer a Jesus antes de ter vindo à terra e não diz respeito a Jesus após Sua ascensão. Diz respeito a Jesus, a semente de Davi e o Filho de Deus--o Cristo encarnado que viveu 33 anos e meio sobre a terra como homem. Em 1 Coríntios 15:1-5 o apóstolo assinala esta verdade quando recapitula o evangelho, mostrando que é uma obra acabada de Cristo--"Cristo morreu" (passado); "foi sepultado" (passado); "ressuscitou" (passado); "foi visto" (passado). O evangelho diz respeito a Jesus Cristo e o que Ele realizou sobre a terra no primeiro século.
     Não diz respeito a você e o que está realizando hoje.
             A segunda coisa que Paulo torna claro nesses versos é o propósito do evangelho. O evangelho é para a salvação "a todo que crê em Jesus". É aí onde eu e você nos enquadramos. Recebemos os benefícios do evangelho. A vida terrena e morte de Cristo foi o evangelho--recebemos os frutos do que Ele realizou. Nós que cremos em Jesus recebemos a salvação.
             Com esta declaração do evangelho Paulo inicia sua epístola aos Romanos e sem esse fundamento o resto é confusão.

             Romanos 1:8, 12: "Primeiramente dou graças a meu Deus mediante Jesus Cristo, no tocante a  todos vós, porque em todo o mundo é proclamada a vossa fé. . . . para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos, por intermédio da fé mútua, vossa e minha".

             Aqui a fé é algo pessoal. Paulo a tinha. Os crentes em Roma a tinham. Você e eu podemos tê-la. A fé que se apropria do evangelho não é a fé de Jesus--é a nossa fé. Os eternos decretos de Deus não eliminam a necessidade de fé por um homem. Paulo não ensina que o homem não se envolve em receber o dom da salvação.
     Não! O homem deve aceitar a salvação--deve crer. Aos romanos, Paulo escreve que "é proclamada a vossa fé". Ele fala da fé dele e da fé deles. A fé que lança mão da salvação é do crente. Não é alguma crença substitucionária de Cristo no lugar da deles, nem é a força da fé de Cristo agora formada neles. A fé é simplesmente crer que a vida perfeita e morte expiatória de Cristo trazem a salvação.

             Romanos 1:18: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça".

             Deus tem todo direito de exercer a ira contra todos quantos rejeitam a Sua salvação. Ele revelou-Se na Criação e na Redenção, portanto, todos os homens estão sem desculpas se se desviarem Dele para deuses menores. Os seus atos pecaminosos não têm desculpas. São dignos de morte porque não creram no evangelho.
     Devemos recordar três coisas do primeiro capítulo de Romanos: 1) o que é o evangelho; 2) quem exerce fé; 3) por que Deus tem todo direito de exercer ira contra o pecado.

ROMANOS 2 -- JUÍZO
             Romanos 2:2, 6, 13: "Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que praticam tais cousas. . . . que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. . . . Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados".

             Todas as pessoas serão julgadas com justiça pelo imutável padrão divino do que é direito. Os que fazem o bem serão aceitos para a vida eterna; os que não obedecem à verdade sofrerão a ira de Deus. A perfeita obediência a Sua lei sempre tem sido e sempre será a base da aceitação junto a Deus (ver também Sal. 15; Gál. 3:10). O evangelho de Paulo requer um julgamento final em que todos os homens serão julgados (v. 16). Os versos 17-29 mostram que os Dez Mandamentos são o padrão divino do direito.

ROMANOS 3 -- LEI
             Romanos 3:10-12: "Como está escrito: Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer".

             Paulo aqui volve-se a nós e à nossa obediência. Ele mostra pelas Escrituras que nenhum de nós pode praticar a lei suficientemente bem para ser aceito por Deus. quando consideramos a lei perfeita de Deus, que requer pureza de pensamento, palavra e ação, devemos todos fechar a boca pois não temos resposta que satisfaça a justiça divina. Todos ficamos devendo à salvação. Portanto, concluímos que "ninguém será justificado diante Dele pelas obras da lei" (v. 20). Encontramos o mundo todo perdido--culpado diante de Deus. É aí que o apóstolo teve que nos conduzir para que apreciássemos o evangelho.

             Romanos 3:21-26: "Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; . . . a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem. . . sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus: . . . a quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. . . . para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus".

             Estes versos ensinam que Deus nos mostrou a obediência perfeita que o Seu governo requer. Ele nos mostrou isto na vida de Cristo. Ele não só nos mostrou, mas oferece-na como um dom que todos quantos crerem podem receber. Quando cremos, Deus conta a obediência perfeita de Cristo como nossa e somos declarados "justificados". Isso significa que Deus nos creditaa pefeita vida e caráter de Cristo. "Creditar" e "justificar" não significa derramar algo dentro de nós. A obediência justa que justifica o crente permanece "em Cristo Jesus", como o vs. 24 declara. Aprenderemos mais sobre o sentido de justificação no capítulo 4.

             Romanos 3:28, 31: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. . . .  Anulamos, pois, a lei, pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei".

         Agora podemos entender como Paulo pode dizer que "os que praticam a lei hão de ser justificados; (Rom. 2:13) e também dizer que "o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei"
(Rom. 3:28). Quando você crê em Jesus, é considerado como se fosse um "praticante da lei" mesmo que ainda não a tenha cumprido. Essa doutrina não põe os Dez Mandamento de lado; antes, estabelece-os em sua exaltada posição pelo oferecimento do perfeito cumprimento deles a Deus por Cristo.

ROMANOS 4 --JUSTIFICAÇÃO
     Romanos 4:3: "Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça".

     O ponto básico de Paulo aqui é que a fé é contada por justiça. Fé é tomar a Deus por Sua palavra. Justiça é obediência à lei. Por crer em Jesus o pecador é contado como um justo praticante da lei. A promessa de Romanos 2:13 é de que "os que praticam a " serão justificados. Assim, a justificação é pela fé.
     No capítulo 4 o apóstolo ilustra o seu ponto de vista recordando incidentes na vida de Abraão e citando os Salmos. Dois conceitos devem ser claramente vistos: 1) como ser justificado, e 2) o que significa "justificação".

     1. Como Ser Justificado
     Se Abraão tivesse cumprido alguma obra a fim de ser contado por justo, então a justificação não haveria de ter sido um dom de graça (vs. 1-5). Justificação não ocorre por algo feito por nós.
     Justificação não veio a Abraão após o rito da circuncisão, mas antes (vs. 9-12). Portanto, a justificação não deriva de algo feito para nós.
     A promessa de que Abraão seria herdeiro do mundo não foi por algo que Abraão tivesse feito. Deus o chamou de pai de muitas nações antes de ele ter sequer tido um filho (vs. 13-22). Justificação não deriva de algo feito em nós.
     A justificação deriva de algo que Jesus realizou sobre a terra e a recebemos por crer Nele e por nenhuma outra forma.
2. O que significa "justificação"
     O capítulo 4 mostra que "justificação" significa: "ser considerado, atribuído" (vs. 4, 5); "ter a justiça imputada" (vs. 6, 11, 22, 23, 24);
     "perdão dos pecados" (v. 7);
     "pecados cobertos" (v. 7);
     "a não imputção do pecado" (v. 8);
     "ser considerados justos" (vs. 9, 10);
     "chama à existência coisas que não existem" (v. 17).

     A justificação é a declaração de Deus de que uma pessoa é justa à Sua vista. A justiça que nos justifica é
imputada ou creditada, não comunicada ou infusa.
     A verdade de que a justiça é imputada não foi registrada somente por causa de Abraão "mas também por  nossa cuasam posto que a nós igualmente nos será imputada, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus nosso Senhor". Vs. 23, 24.

ROMANOS 5 --EXPIAÇÃO
     Romanos 5: 1, 2: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na al estamos firmes; e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus".

     Paulo agora vai além do "como" e "o que" da justificação para os frutos que ela produz. O justificado tem paz com Deus. Mediante a vida perfeita de Cristo que é aceita em lugar de sua vida de pecado, permanecem na graça da justificação e podem olhar adiante, confiantemente, rumo à glorificação.
     Estando justificados, iniciam a experiência cristã que inclui tribulações. Nunca devemos confundir a experiência cristã com "o meio de obter justificação" com o "significado da justificação".
     "Justificação" é a declaração no céu; a experiência cristã é a diária cooperação de Deus e homem nas atividades do crente sobre a terra.

     Romanos 5:10, 11: "Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não isto apenas, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos agora de receber a reconciliação".

     A morte de Cristo reconciliou o homem com Deus. Sua vida terrena salva todos quantos crêem. Quando diz "Sua vida", não está apontando à experiência cristã nem à vida de Cristo vivendo a Sua vida novamente em nós. aponta à justiça da vida humana de Cristo. Assim como Cristo "uma vez por todas" sofreu, também "uma vez por todas" viveu. Sua vida perfeita e morte expiatória foram completas e quando foram apresentadas a Seu Pai no céu, foram aceitas. A expiação feita por todos os homens na cruz é recebida (contada como sua) por todos quantos crêem em Jesus.
     Como se dá que recebemos a expiação quando cremos? Ocorreu da seguinte forma:

     Romanos 5:12, 18: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram. . . . Pois assim como por ums só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida".

     Adão, o pai ou cabeça, ou representante da raça humana, escolheu a morte e a condenação. Uma vez que ele representava todos os homens, sua escolha trouxe condenação e morte a todos os homens. A raça foi sentenciada ao inferno por causa daquele pecado daquele homem, Adão. Cristo veio como um homem a esta terra como um novo representante e "pai da eternidade" da raça. Por sua perfeita vida e morte expiatória ele escolheu a vida e a justificação. Nessa escolha todos os homens foram tirados de sob a condenação do inferno e considerados dignos do céu. A reconciliação ou expiação que Jesus realizou por todos os homens é aplicada a nossa conta individualmente quando cremos. A expiação feita  por todos os homens na cruz é agora recebida pela fé. Não realizamos a expiação, mas nela entramos. Como Paulo declara no vs. 11:
     "acabamos agora de receber a reconciliação". Em 2 Coríntios 5:19, 20 ele escreveu: ". . . Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo. . . . Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos
     reconcilieis com Deus".

 ROMANOS 6 --EXPERIÊNCIA (NOVO MESTRE)
     O capítulo 6 assinala que os justificados estão livres de serem escravos de suas naturezas pecaminosas. Agora devem servir à justiça. O velho homem que é cruificado  é essa vida de escravidão a nossas naturezas pecaminosas que antes vivíamos (v. 6). Quando éramos escravos de nossos desejos pecaminosos não produzimos qualquer justiça (v. 20). Agora não somos escravos de nossas naturezas pecaminosas mas somos escravos da obediência (v. 16), e assim deveríamos caminhar em novidade de vida (v. 4).

     Romanos 6:22: "Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna".

     Estando livres da escravidão  à natureza pecaminosa, o cristão produz frutos para a glória de Deus enchendo sua vida de boas obras (ver Efé. 2:10; Tito 2:14).

ROMANOS 7 --EXPERIÊNCIA (NOVO MARIDO)
     O capítulo 7 ilustra a nova escravidão do crente com uma analogia diferente--"A mulher casada está ligada pea lei ao marido, enquanto ele vive; mas se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal". Antes da conversão nós, à semelhança da esposa, tínhamos que ser fiéis a nossa natureza corrupta, pecaminosa e fazer tudo quanto esta desejava que fizéssemos. Quando fomos justificados, esse casamento com nossa natureza pecaminosa findou. Nosso novo marido é Jesus, a Quem devemos ser fiéis em tudo quanto fazemos.
     Paulo também mostra de sua própria experiência que a velha escravidão ou matrimônio à natureza pecaminosa é tornada horrível pelos Dez Mandamentos que aponta e destaca o pecado. Os Dez Mandamentos, contudo, não são a fonte do problema. Eles são "santos, justos e bons". Mas quando colocados ao lado do pecado e das naturezas pecaminosas, os Dez Mandamentos apenas apelam à morte. Em O Peregrino, João Bunyan compara-os a uma vassoura usada para varrer um cômodo empoeirado. Quanto mais a lei é utilizada para varrer, mais alto as nuvens de poeira tornam a sala mais insuportável. Desse modo a lei suscita todo tipo de animosidade nos descrentes.
     Na última parte do capítulo, Paulo lamenta que, conquanto tenha sido libertado da escravidão de sua natureza
     pecaminosa, ainda não foi livrado de sua presença. Esta ainda tenta impeli-lo ao pecado. A vida cristã é caracterizada pela luta--há ferimentos, machucados e dor. O cristão que agora está casado com Cristo (ou é Dele escravo) deseja servir o seu novo Mestre em completa obediência, mas descobre em sua natureza outro princípio impelindo-o para a queda e impedindo-o de uma obediência imaculada à lei de Deus. Ele clama pelo dia quando essa natureza corrupta será removida:

     Romanos 7:24, 25: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado".

ROMANOS 8 --EXPERIÊNCIA (NOVO ESPÍRITO)
     Não há, contudo, condenação aos que são justificados. Conquanto a natureza corrupta interfira com a obediência cristã, ele permanece sob o regime de novo concerto com Cristo. Ele é aceito em Jesus (Efé. 1:6) e não entrará em condenação no juízo final (João 5:24).

     Romanos 8:1: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

     Os cristãos (crentes em Jesus justificados) seguem os princípios do Espírito de Deus e não o desejo de suas naturezas pecaminosas. Os Dez Mandamentos jamais poderiam tornar homens caídos em santos; sua natureza pecaminosa herdada de Adão o impediria. Mas Cristo veio e condenou a natureza pecaminosa de modo que ela não poderia ter poder sobre os justificados. Assim, a justiça da lei poderia ser cumprida "em nós"; e destarte poderíamos ser santificados (v. 4).
     No oitavo capítulo de Romanos Paulo se refere à experiência cristã como sendo de "guiado pelo Espírito" (v. 14). Isso ele contrasta com o viver "segundo a carne" (vs. 12, 13). Os cristãos não vivem segundo a carne (a natureza pecaminosa) pois todos os crentes receberam o Espírito Santo.
     Na velha mentalidade de natureza carnal de servir à carne jamais se poderia agradar a Deus. Na nova mentalidade espiritual o meio de agradar a Deus é propiciado--o Espírito de Cristo. Ele não é concedido como um substituto para o esforço humano, mesmo dado para inspirar (v. 11); fortalecer (v. 26); e guiar (v. 14) os cristãos.
     A experiência cristã envolve muito esforço humano: "Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal" (Rom. 6:12); "se mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Rom. 8:13); "crescei em graça" (2 Ped. 3:18); "fortalecei os vossos corações" (Tiago 5:8); "resisti ao diabo" (Tiago 4:7); "purificai as mãos" (Tiago 4:8); "fazei caminhos retos" (Heb. 12:13); "cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios" (1 Ped. 1:13); "amai-vos de coração uns aos outros" (1 Ped. 1:22; João 15:12); "exorto-vos . . . a absterdes das paixões carnais" (1 Ped. 2:11).
     A experiência cristã também envolve muita submissão: "oferecei-vos a Deus" (Rom. 6:13); "havemos de estar em maior submissão ao Pai" (Heb. 12:9); "sujeitai-vos, portanto, a Deus" (Tiago 4:7). A parte de "submissão" não é o quadro total. A experiência cristã não se equivale a "deixar que Deus realize tudo na minha vida por mim". Fé e obras seguem de mãos dadas no que tange à vida cristã. Na santificação o Espírito Santo é um participante ativo, enchendo-nos com a justiça da lei (v. 4).
     Se uma pessoa não tem o Espírito Santo não é um cristão (v. 9). Não existe tal coisa como  "cristãos não cheios do Espírito Santo". Mas os cristãos cheios do Espírito Santo sofrem; aguardam a glorificação; esperam ser libertos da corrupção da natureza pecaminosa; e gemem interiormente por ficarem aquém da justiça de Deus enquanto aguardam a redenção de seus corpos (vs. 17-23).
     Conquanto os cristãos nem sempre façam as coisas que desejam para Jesus e conquanto lutem diariamente contra o pecado de sua natureza, e conquanto sofram e gemam esperando pela segunda vinda de Cristo, não irão, diante dessa realidade, perder a esperança da vida eterna. Paulo conclui o oitavo capítulo com estas palavras encorajadoras:

     Romanos 8:28-31: "Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou . . . e aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?"

     Saber que a vida cristã é cheia de lutas, sofrimentos e desapontamentos é importante. Também é importante que enquanto experimentamos essas coisas saber que Deus não deixou o plano de salvação meio acabado esperando que fosse completado. Sua obra é certa desde o "chamado" até a "glorificação".
     Não permita que as provas da vida cristã o desencorajem (vs. 38, 39).

ROMANOS 9 --ELEIÇÃO
     O capítulo 9 pode ser entendido como um diálogo:

     Paulo: "É possível que os israelitas se percam (amaldiçoados para Cristo)". Vs. 1-3.

     Antagonista: "Então as promessas de Deus são falíveis". V. 6.

     Paulo: "Em absoluto. Deves entender que nem todos os israelitas são parte de Israel. Nem mesmo todos
     os descendentes de Abraão são filhos de Abraão. A promessa e eleição de Deus não tem por base na raça ou obras de uma pessoa, mas no chamado de Deus". vs. 6-11.

     Antagonista: "Então Deus não é justo". V. 14.

     Paulo: "Oh, sim, Ele é. Eis o que Ele disse a Moisés: 'Terei misericórdia de quem tiver misericórdia'. Não vês que Deus salva pessoas não por causa de suas escolhas, nem por causa de seu comportamento, mas por causa de Sua misericórdia?" vs. 14-16.

     Antagonista: "Se for assim, então como pode Ele punir alguém que esteja perdido?" Vs. 19.

     Paulo: "Deus tem todo o direito de fazer o que deseja com o que Ele criou. A verdade é que todos merecemos ser punidos e a coisa extraordinária é que Deus ainda salve alguns. Deus salva o inesperado. Deus salva um remanescente. Deus salva os que crêem. A justiça é contada aos que crêem em Cristo e nela tropeçam os que a buscam por outros meios". Vs. 20-33.

ROMANOS 10 --FÉ
     Nos primeiros oito versos de Romanos 10 dois tipos de justiça são descritos: 1) a justiça da lei; e 2) a justiça da fé. A primeira é a nossa justiça, a segunda é a justiça de Cristo. Somente a segunda é boa o suficiente para merecer a salvação.

     Romanos 10:6-9: "Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes eu teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é; para trazer do alto a Cristo); ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, para levantar a Cristo dentre os mortos). Porém, que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se com a tua boca onfessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo".

     Essa justiça da fé não representa o trazer Cristo para o coração. O que há no coração é fé. A fé em Jesus traz salvação, e a fé vem de "ouvir a palavra de Deus" (v. 17).

ROMANOS 11 --QUEDA
     Descartou Deus a Israel?
     Paulo responde: "Não, eu sou israelita e não fui descartado".
     Deus cumpre Suas promessas mesmo que somente para um remanescente. Como nos dias de Elias, "também agora , no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça" (v. 5). Aqueles que foram eleitos pela graça são os que confiam nas obras de Cristo e não nas suas próprias para a salvação. O eleito é Cristo. Ele foi o gracioso dom de Deus a Israel, Aquele em quem todas as nações são abençoadas. A "eleição" é formada por aqueles encontrados no Eleito. Qualquer ramo ligado a Cristo, a Raiz, tem vida. Mas nenhum ramo, judaico ou gentio, deve gloriar-se a respeito de si próprio; pois a vida está somente em Cristo. Onde ocorre descrença Nele há um quebrar do ramo. Os ramos permanecem em Cristo pela fé somente (v. 20).

     A conclusão deve ser uma das seguintes:

     "Assim, todo Israel [todo judeu desejoso de salvação] será salvo".

     "Assim, todo Israel [o conjunto de todos os crentes em Jesus] será salvo".

     A conclusão não é:

     "Assim, todo Israel [todo judeu] será salvo [no final]".

     Deus não muda Seu pensamento a respeito de Seus "dons e chamado". Ele chamou a Israel. Em Cristo Israel cumpriu suas obrigações. E a Cristo (o verdadeiro israelita) Deus cumpriu Suas promessas (2 Cor. 1:20). Quem quer que se salve será salvo por causa da misericórdia de Deus e não por causa de sua nacionalidade ou seu cumprimento pessoal das obrigações para a salvação.
 

ROMANOS 12 --O VIVER SANTO
     Romanos 12:1: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional".

     Por que devemos servir a Deus em tudo quanto fazemos? Por causa de Sua grande misericórdia em nos salvar, sem merecermos salvação.
     No verso 2 deste capítulo Paulo finalmente chega à idéia de "transformação". Aqui está uma obra que tem lugar sobre a terra em nós. Mas essa obra não se assemelha à da nossa salvação. Nossa salvação foiinteiramente a obra de Deus sem esforço nosso. A renovação de nossa mente é uma obra em que estamos vitalmente envolvidos. É-nos solicitado a cooperar--empenhar esforços, para exercer nosso dom.
     Nos vs. 10-21 Paulo alista mais de 20 coisas que devemos ser ou fazer. Essas são formas de serviço aceitável a Deus. Todos quantos são justificados pela fé somente estarão trabalhando ativamente para cumprir a perfeita vontade de Deus nessas áreas.

ROMANOS 13 --AMOR
     O serviço cristão não termina aqui. O capítulo 13 prossegue mostrando que nosso "serviço aceitável" envolve o ser sujeitos às "autoridades superiores" (Deus e os que estão em autoridade). A anarquia não tem lugar na existência do cristão. Após referir-se assim à própria metade dos Dez Mandamentos (respeito à autoridade) Paulo avança para a segunda metade no vs. 9. Ele sumaria essa metade com as palavras: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo". Essa conclusão geral é: "o amor é o cumprimento da " (v. 10). O viver cristão significa uma vida de amor. Isso representa observar os Dez Mandamentos.
ROMANOS 14 --UNIDADE COM MATURIDADE
     Neste capítulo nos é mostrado que aquele que verdadeiramente ama, sacrifica sua liberdade pessoal pelo bem dos crentes cujas consciências os proíbem de desfrutar semelhantes liberdades. A verdadeira religião (o reino de Deus) não se centraliza no que comemos ou bebemos, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo (v. 17).
     Sendo assim, devemos honrar a consciência dos outros. Violar a consciência é pecado.

     Romanos 14:14: ". . .  nenhuma cousa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura".

     Além de confirmar o que acabamos de dizer, este texto também revela o significa de uma palavra empregada freqüentemente por Paulo no capítulo 4. Aqui a palavra "estima" obviamente significa considerar algo como impuro e não transformar ou tornar algo impuro. Este é o mesmo termo traduzido como "considerado" em Romanos 4:4, 9 e 10. Na "justificação" Deus considera uma pessoa justa. "Justificação" não inclui a idéia de transformação ou tornar uma pessoa justa (assim como "considerar" algo como impuro não significa "torná-la" impura).

ROMANOS 15 --UNIDADE DE AÇÃO
     Romanos 15:1-3: "Ora, nós que somos fortes, devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a Si mesmo, antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam, caíram sobre mim".

     Cristãos fortes têm o dever de levar mais do que suas parcela na igreja. Devem trabalhar especialmente para educar os fracos na fé, protegendo-os de influências externas que buscam desencorajá-los. O resultado será que juntos, os fortes e os fracos glorificarão a Deus em seu pensamento e ações (v. 6).
     Não só é dever dos cristãos fortes ajudarem os fracos, mas é dever dos que são ensinados a verdade a sustentar financeiramente a fonte de sua educação espiritual (v. 27). A unidade de ação domina a proclamação da verdade para a glória de Deus. Reter instrução ou reter fundos somente silencia os louvores devidos ao nome de Deus.
     Como prometido aos patriarcas, Cristo trouxe os gentios à Sua família para que também glorificassem a Deus (vs. 7-12). Se trazer glória a Deus é a paixão do povo de Deus, tanto em lidar uns com os outros e em seu alcance, a unidade será o fruto.

    Romanos 15:19: ". . . tenho divulgado o evangelho de Cristo".

     O evangelho que Paulo pregou não é incompleto. Não lhe faltam alguns acréscimos dos últimos dias. Como poderia? Diz respeito a Jesus Cristo e o que Ele realizou sobre a terra no primeiro século. É isso, gente, sem nenhuma nova teologia! O evangelho estava completo e Paulo o pregou plenamente. Podemos pregá-lo plenamente também se entendermos devidamente do que trata e para que serve (ver comentários sobre Romanos 1).

ROMANOS 16 --PESSOAS (BOAS E MÁS)
     O capítulo 16 fala de dois tipos de pess na igreja: as que devemos saudar (vs. 1-16) e as que devemos evitar (vs. 17-20). O primeiro grupo são os servos do Senhor Jesus Cristo, o segundo serve a "seu próprio ventre"--sua natureza pecaminosa. Esse segundo grupo emprega "suaves palavras e lisonjas" para ludibriar os que não estão firmados na verdade. Causam divisões na igreja por ensinarem falsas doutrinas (outro evangelho). Não são somente membros da igreja descrentes, mas ensinadores--falsos mestres que se introduziram sutilmente, falsos profetas, lobos devoradores na igreja (Judas 4; Mat. 7;15; Atos 20:29, 30). Qual deveria ser nossa atitude para com eles? Não devemos saudá-los ou incentivá-los, mas evitá-los.
     Os do primeiro grupo, que são saudados, são referidos 10 vezes como "no Senhor" ou expressões semelhantes. São crentes em Jesus--estão "em Cristo" pela fé. Seus nomes estão registrados no céu (Luc. 10:20).
     A fé desses verdadeiros crentes é evidenciada por suas obras. Sua obediência pessoal é "conhecida por todos" (v. 19). A obediência é deles. Conquanto a obediência cristã seja sempre inspirada, ajudada, e guiada pelo Espírito Santo, não é a obediência do Espírito Santo; é do cristão. A noção quietista de que o crente é somente a "roupagem em que o Espírito se move" não tem lugar aqui.

     Romanos 16:25-27: "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que agora se tornou manifesto, e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém".

     Deus é capaz de selar os crentes eternamente. O evangelho não só requer um juízo futuro (Rom. 2:16) mas também um futuro "selamento" do povo de Deus. quem permanecer "em Cristo" pela fé até o fim será selado eternamente e estará seguro Nele. Deus decretará: ". . . aquele que é justo à minha vista, que permaneça assim eternamente" (Apoc. 22:11). É isso o que significa ser     "estabelecido".
     Glória a Deus por ter realizado a nossa salvação mediante Jesus Cristo e por ter-nos revelado o mistério da salvação: que uma justiça agora no céu poderia justificar-me um pecador sobre a terra se eu crer. Este é o  evangelho que pregamos a todas as nações.
 
 
 

     QUESTIONÁRIO DE RECAPITULAÇÃO
     Os números das perguntas correspondem ao capítulo em Romanos onde a resposta pode ser encontrada:

     1. Do que se trata o evangelho?

     2. Qual é a base da justificação?

     3. Quantas pessoas serão justificadas por sua obediência?

     4. O que significa justificação?

     5. Que duas coisas recebemos de Adão?

     6. A quem os não convertidos estão escravizados?

     7. Por que nem sempre os cristãos podem fazer o bem que desejam?

     8. Quando os cristãos estarão lvres da natureza pecaminosa?

     9. Que evidência Paulo oferece no capítulo 9 de que nem todos os descendentes físicos de Abraão serão salvos?

     10. De onde procede a fé?

     11. O que torna uma pessoa parte de Israel?

     12. Por que devemos viver vidas santas?

     13. Que definição para o amor Paulo oferece no capítulo 13?

     14. Qual não é a preocupação central no Reino de Deus?

     15. Acaso o evangelho que Paulo pregava estava em falta de alguma coisa?

     16. Qual deve ser a atitude para com aqueles que causam divisão na igreja por ensinar falsa doutrina?

     De "Thinking Aloud on Biblical Subjects", no. 5, s/d --Lifemark Press, Temecula, Cal.,
     EUA.

                                                              para ver o artigo 20b clique aqui

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