Imortalidade: Concepções em Contraste



         (João 11:25 e 26).
        Disse Jesus: 25 “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá.
                         26  E quem vive e crê em Mim nunca morrerá”

        A morte sempre se apresentou ao homem como um fato chocante e um mistério perturbador. Sem poder explicar pela lógica e pela razão o que se passa no além-túmulo, idéias e teorias as mais diversas passaram a povoar a imaginação popular. Povos tanto cultos como selvagens têm criado, ao longo da história, rituais sofisticados e adotado crenças extravagantes diante da falta de contarem com a iluminação da Palavra de Deus sobre a questão do que se passa além das fronteiras da existência humana, ou em vista da rejeição dessa fonte de Luz e Verdade.

Vários Conceitos Sobre a Morte

        Os egípcios mumificavam os corpos de seus mortos importantes para não ficarem sem um “referencial” para o elemento imaterial que abrigaria durante a vida e de que se separaria na morte. Os hindus desenvolveram idéias de uma evolução constante do espírito, refinado por repetidas reencarnações através de vidas em vários estágios, passando pela forma de bactérias, insetos ou animais inferiores, chegando ao elemento humano, sempre num ideal de superação contínua das tendências malévolas. Ainda hoje não são poucos os que mantêm tais pontos de vista, mesmo fora do âmbito das religiões do subcontinente, tornando-se estes conceitos bem popularizados no hemisfério ocidental. Todavia, os que os adotam entre nós quase nunca se preocupam com um aprofundamento filosófico-teológico da questão. Apenas crêem assim por parecer-lhes uma explicação  razoável e justa do “mistério” do além. Não é incomum, em programas de entrevistas e outras ocasiões no rádio ou TV, alguém famoso ser indagado se crê na reencarnação, com respostas positivas expressas com freqüência.

Influência Grega

        Os gregos, sob influência de Platão, desenvolveram uma teologia dualística segundo a qual o homem se compõe de dois elementos—o material, representado pelo corpo, e o imaterial, pela alma, ou espírito. As idéias de Platão encontravam paralelo entre as crenças dos demais povos pagãos em geral, apenas sendo expressas em linguagem mais refinada e num contexto mais filosófico.
        Já ao tempo da formação da igreja cristã, nos primeiros séculos de nosso calendário, as idéias platônicas foram desenvolvidas pelos adeptos do gnosticismo—heresia filosófica-teológica dos primeiros séculos da Era Cristã—que atribuíam à matéria a origem da maldade. O corpo, portanto, representava a corrupção, enquanto o espírito, que devia ser aprimorado, era o elemento divino que habitava o homem e que um dia haveria de retornar ao seio da divindade, sua origem. O corpo, pois, era visto como inimigo do espírito e não importava tanto. Inspirado em tais conceitos, e para que se desse o refinamento espiritual, o indivíduo precisaria submeter o corpo a constante sujeição. Daí derivaram-se práticas muito comuns entre os pagãos, e mesmo entre alguns cristãos, como autoflagelação, penitência, ascetismo, etc.

A Revelação Divina

        Contudo, durante todo o tempo em que os gregos desenvolviam sua filosofia que tanta influência exerceu sobre o mundo culto, e mesmo sobre o cristianismo nos primeiros séculos, o povo hebreu dispunha da revelação divina sobre a real condição dos mortos e a natureza do homem.

        O israelita tinha uma visão holística (ou integral) do homem. Antes que ser uma massa de matéria perecível contendo um elemento imaterial e “não perecível”, o homem era, para o hebreu conhecedor da Palavra de Deus, um ser completo, uma “alma vivente”, pois assim foi como saiu das mãos do Criador (Gên. 2:7). Por outro lado, a matéria não era encarada como algo mau e perverso, pois Deus a criou para o benefício e desfrute do homem (Gên. 1:28 e 31). O mundo foi criado para a glória de Deus (Salmo 19:1) e o objetivo último da Criação é glorificar e louvar o Criador (Salmo 98:7-9).

Gên. 2:7
7 “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.”

Gên. 1:28 e 31
28 “Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.
31 E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”

Salmo 19:1
1 “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”

Salmo 98:7-9
7 “Brame o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam;
8 batam palmas os rios; à uma regozijem-se os montes
9 diante do Senhor, porque vem julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e os povos com eqüidade.”

        Contrariamente à concepção de gregos e outros de que na morte parte-se para o convívio de seres celestiais descartando a prisão corporal e alçando às alturas com alma refinada, os hebreus, firmados na revelação da Palavra, entendiam que o pecado humano foi exatamente motivado pelo desejo do homem de tornar-se igual ao Criador (Gên. 3:5). Em vez de a matéria má corromper o espírito, os hebreus entendiam que o pecado é que afetou toda a ordem criada (Gên. 3:17-19; Rom. 8:22,23).

Gên. 3:5
5“Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.”

Gên. 3:17-19
17 “E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.
18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo.
19 Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.”

Rom. 8:22,23
22“Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora;
23 e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoração, a saber, a redenção do nosso corpo.”
 

Restituição total

        Finalmente, na concepção bíblica, redenção não significa livrar-se o homem de sua condição física de ser criado por Deus, pois essa condição lhe é elemento permanente e essencial. O homem e a Criação pertencem à mesma ordem. Salvação não é o vôo da alma em direção à habitação da Divindade, num escape do corpo físico e mau. Antes, inclui todos os elementos que compõem o homem e seu ambiente no qual e para o qual Deus formou o par original. Dar-se-á a ressurreição dos corpos e a restauração do meio físico: Isaías 25:8; Daniel 12:2; Isaías 65:17, 66:13; Amós 9:13-15.

 Isaías 25:8
8 “Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo; porque o Senhor o disse.”

Daniel 12:2
2 “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.”

Isaías 65:17
17 “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão:”

Isaías 66:13
13 “Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados.”

Amós 9:13-15.
13 “Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que o que lavra alcançará ao que sega, e o que pisa as uvas ao que lança a semente; :e os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se derreterão.
14 Também trarei do cativeiro o meu povo Israel; e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão; plantarão vinhas, e beberão o seu vinho; e farão pomares, e lhes comerão o fruto.
15 Assim os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o senhor teu Deus.”
 


A visão  cristã do além-túmulo

        Ao contrário dos gregos, para os hebreus a realidade máxima é encontrada em Deus que se faz conhecido no fluxo e refluxo da história humana por Seus atos e palavras—um Deus que se comunica com o homem e lhe expressa Sua vontade e planos.

        Se o hebreu já tinha tão elevada visão do além-túmulo, com a esperança de viver eternamente focalizada sobre a promessa da ressurreição dos mortos, o cristão tem razões de sobra para firmar-se em tal perspectiva. A afirmação do Mestre, acima transcrita, somar-se-á à clara instrução do apóstolo Paulo sobre a restauração final à vida daquele que conhece a verdade de que “Cristo ressuscitou”, servindo tal fato de “garantia de que os que estão mortos também vão ressuscitar” (1 Cor. 15:20; ver todo o capítulo).

1 Cor. 15:20
20 “Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.”

        Destarte, tanto para o hebreu quanto para o cristão, a salvação consiste em comunhão com Deus, não pelo abandono da matéria, e sim em meio a essa matéria reestruturada. Significará, finalmente, a redenção do homem integral (corpo, alma e espírito) e a constante presença divina nos “novos céus e nova Terra” (Apoc. 21:1-4).

Apoc. 21:1-4
1 “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.
2 E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo.
3 E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
4 Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”


Estudo Bíblico

Nesta tabela, como entender os significados dos termos “alma” e “espírito” na Bíblia:

A palavra "espírito" (em hebraico, neshamah ou ruach; em grego pneuma) é empregada na Bíblia em diversos sentidos, como sejam:

* Faculdades morais, índole, caráter, pensamento, sentimento, etc.: Salmo 51:10; Isaías 19:14; Lucas 1:17; 1 Coríntios 4:21; Filipenses 1;27; Tiago 3:16, etc.
* Ânimo, energia: Gênesis 45:27; Juízes 15;19; Jó 17:1; Salmo 143:7.
* Fôlego, respiração: Gênesis 7:15, 22; Jó 14:10; 27:3; Eclesiastes 12:7; Lucas 8:55; Apocalipse 11:11.
* Vida: Jó 12:10; Apocalipse 13:15.
* Poder Divino: Gênesis 1:2; Isaías 44:3; 61;1; 1 Coríntios 6:19.
* Anjo: 2 Crônicas 18:18 a 20; Atos 8:26 e 29; Hebreus 1:13 e 14 (comp. com Salmo 8:5).

A palavra "alma" (em hebraico nephesh; em grego psychê) pode ser traduzida por:

        * Vida: Gênesis 9:4; 1 Reis 19:14; Jó 6:11; Marcos 3:4; Atos 20:10.
        * Pessoa: Gênesis 46:27; Levítico 17:12; Atos 7;14; 27:37.
        * Coração: Êxodo 23:9; Provérbios 23:7; Efésios 6:6.
        * Corpo: Números 6:6; 9:6.
 

IMPORTANTE: Apesar de todas estas diferentes formas em que alma e espírito são empregadas, em nenhuma ocasião é dito que signifiquem “entidade abstrata e imortal que sobrevive à matéria”. A palavra imortal só se encontra uma vez em toda a Bíblia e isto em referência à Divindade, em 1 Timóteo 1:17: “Ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos”. Não há passagem alguma em toda a Bíblia que fale de uma alma ou espírito imortal.

1 Timóteo 1:17:
 

Também podem ver os licks em baixo:

 Significados dos termos “alma” e “espírito” na Bíblia:

 Sheol, Hades e Tartaros


 





Artigos Relacionados ou de Especial Interesse:

[13a] - O ESTRANHO ENVOLVIMENTO DA TORRE DE VIGIA COM O ESPIRITISMO – 4 páginas.

         Trata-se do “Apêndice VIII” do livro O Desafio da Torre de Vigia, 2a. (edição virtual) e mostra como as “testemunhas de Jeová”, a despeito de condenarem o espiritismo e a doutrina da imortalidade da alma, terminam ensinando algo muito semelhante ao interpretarem que os ungidos (da classe dos 144.000 que irão para o céu) ressuscitam espiritualmente logo ao morrer. Certos ensinos de que os que assim já foram para o céu têm meios de se comunicar com os seus líderes aqui sobre a terra dão margem a perceber-se uma clara contradição com o que a Bíblia ensina e revela uma forma de prática espírita que contradiz as próprias premissas anti-imortalistas dessa organização religiosa.

[17] - O ESPIRITISMO PERANTE A BÍBLIA (por Azenilto G. Brito) -- 3 páginas.

        Análise do crescente desafio que o espiritismo moderno representa para o mundo cristão nas suas diferentes nuances (“alto” e “baixo” espiritismo). Como encarar essa filosofia religiosa, supostamente científica, à luz das Escrituras Sagradas.

[43] PACOTE DE MATERIAIS SOBRE OS “SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS” (Mórmons).

        Trechos de livros com discussão erudita de dados históricos, informações recentes e exegese bíblica dos chamados mórmons, ou membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma das entidades religiosas de maior crescimento  nos dias atuais.

[44] PACOTE ADICIONAL DE MATERIAIS SOBRE AS “TESTEMUNHAS DE JEOVÁ”.

        Além do anunciado sob o no. 15, este pacote contém uma série de artigos traduzidos de folhetos de ministério específico em prol da iluminação dos membros da Sociedade Torre de Vigia, tratando de diversos temas, como a divindade de Cristo, a Sua volta gloriosa, a falta de respaldo para a versão bíblica Tradução do Novo Mundo, etc.

[61] O MOVIMENTO “NOVA ERA” - Por Matthew J. Slick,  8 páginas.

        O M.N.E. vem conquistando crescentes contingentes de simpatizantes por todo o mundo. Trata-se, segundo o autor, de uma “conglomeração de teologias, esperanças e expectativas mantidas juntas com um ensino eclético de salvação, “pensamento correto” e “conhecimento correto”. É uma teologia de “bem-sentir”, “tolerância universal” e “relativismo moral”, centralizado no homem. Mas o que nos importa como cristãos é saber – tem base bíblica? O autor apresenta um bom estudo respondendo a esta indagação.
 



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