NADA NO COMEÇO, MEIO OU FIM DA HISTÓRIA HUMANA
Imortalidade da alma:

Quando estudamos as Escrituras deixando que elas simplesmente nos transmitam sua simples mensagem sem tentar acrescentar-lhe conceitos popularizados e acatados por falsas razões apreendemos o fato de que no princípio da história humana não aparece nada sobre Deus ter colocado no homem uma “alma imortal”. Nada consta quanto a isso no relato da criação porque NÃO ERA NECESSÁRIO. O homem foi programado como um ser especial, criado à imagem e semelhança do Criador, para viver eternamente no jardim paradisíaco. Assim, ele já contava em si com o potencial de ser eterno, jamais morrer, e tinha pleno e amplo acesso à árvore da vida. Daí, os crentes na Bíblia que defendem a imortalidade da alma utilizam-se de passagens que NÃO DIZEM o que estas contêm, como a questão de Deus ter soprado nas narinas do homem um “fôlego de vida” e esse ser a suposta “alma imortal”. Contudo, no estudo “O Que a Bíblia Fala Sobre Nephesh, Ruach, Sheol e Hades” demonstramos como o fôlego de vida dos homens e dos animais é exatamente o mesmo.

Nada no relato da Criação

Nada, absolutamente nada, comprova a tese da imortalidade da alma pela simples leitura do relato objetivo e simples do Gênesis. E que o “fôlego de vida” de homens e animais é exatamente o mesmo, constatamos de passagens claras nas Escrituras que o indicam. Vejamos algumas:

“Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará”.—Gên. 6:17.

“E de toda a carne, em que havia espírito de vida, entraram de dois em dois para junto de Noé na arca”Gên. 7:15.

“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”Ecl. 3:19-21.

A posse do “fôlego de vida” não confere em si mesmo imortalidade, porque, por ocasião da morte, “o fôlego de vida” retorna para Deus. A vida deriva de Deus, é sustida por Deus, e volta para Deus. Essa verdade é expressa em Eclesiastes 12:7: “O pó volta à terra, como era, e o espírito ruach] volta para Deus que o deu”. O que retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras é igualada ao fôlego de Deus: “Se Deus. . . recolhesse o seu espírito [ruach] e o seu sopro [neshamah], toda carne pereceria juntamente, e o homem retornaria ao pó” (Jó 34:14-15). O paralelismo de linguagem indica que o fôlego de Deus é o Seu Espírito transmissor de vida. E observem que é o “espírito [fôlego]” de TODOS os homens, não somente dos salvos, que vai para Deus.

O fato de que a morte é caracterizada como a retirada do fôlego de vida (o Espírito divino que concede vida), demonstra que o “fôlego de vida” não é um espírito ou alma imortal que Deus confere a Suas criaturas, mas o dom da vida que os seres humanos possuem pela duração de sua existência terrena. Enquanto permanecer o “sopro de vida”, os seres humanos são “almas viventes”. Quando, porém, o sopro se vai, tornam-se almas mortas. Isso explica porque a Bíblia freqüentemente se refere à morte humana como a morte da alma (Lev. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Núm. 5:2; 6:6,11; 9:6, 7, 10; 19:11, 13; Ageu 2:13).

Nada Pelo Meio da História Humana

Já vimos como no início da história e formação do homem não aparece nenhuma “alma imortal” como elemento constitutivo da natureza do ser criado “à imagem e semelhança” de Deus. O que a Palavra de Deus nos revela é que Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o “fôlego de vida” e este tornou-se uma “alma vivente” (não que recebeu uma alma vivente).

Reforçando a verdade já exposta de que o fôlego de vida do homem e dos animais é igual temos mais este claro texto:

“E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda a erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez”.—Gênesis 1:30.

Também veremos como na descrição de um dos últimos atos do drama da história humana—a ressurreição dos mortos—nada se diz sobre almas imortais procedendo seja da parte que for do universo para reincorporarem. É estranho como na detalhada descrição do apóstolo Paulo, tanto em 1 Tessalonicenses 4:13ss e 1 Coríntios 15, bem como no próprio ensino de Cristo a respeito (em João 5:25-30) esse elemento não apareça e nenhuma menção ou mínimo indício de uma “alma imortal” ocorra.
 

1 Tessalonicenses 4:13
 13 “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança.”

João 5:25-30
25  “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.
26 Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmos;
27 e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem.
28 Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:
29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
30 Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”

Contudo, o que dizer sobre o que a Bíblia apresenta entre o início e o fim, com respeito ao tema da ressurreição? Vejamos um trecho muitíssimo significativo do profeta Ezequiel, que inspiradamente põe-se a descrever um evento de ressurreição—a famosa visão do vale de ossos secos. Embora tenha um sentido simbólico, relata algo bem concreto relativo à formação do homem:

Ezequiel 37
“Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu”.

É importante comparar diferentes traduções da passagem para desfazer qualquer dúvida de sentido de termos. A tradução judaica The Holy Scriptures According to the Masoretic Text [Escrituras Sagradas, Segundo o Texto Massorético], da The Jewish Publication Socitey of America (Sociedade Americana de Publicações Judaicas), de Philadelphia, EUA, bem como a King James e a New International Version falam de “fôlego”, em lugar de “espírito”, no que tange ao retorno do último componente para transmitir vida ao conjunto dos ossos “sequíssimos” que se unem a nervos, músculos, pele e, por fim, o recebimento desse “fôlego”, transforma aquela miraculosa reconstituição em seres humanos, pessoas viventes e bem ativas.

Também é digno de nota que na versão A Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil, encontramos as seguintes declarações nesse capítulo: “Porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo”; “porém não havia respiração nos corpos” e “Homem mortal, profetize para o vento . . . para soprar sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo”. Uma nota de rodapé explica: “Vento: a mesma palavra hebraica pode significar espírito, ou respiração, ou fôlego, ou vento”. Essa palavra hebraica é ruach, a mesma de Eclesiastes 12:7—”E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

Para reforçar ainda mais essa concepção da restauração dos que morreram à vida, temos estas palavras no texto transcrito do profeta Ezequiel: “Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu”.

Portanto, os elementos básicos que formam esse exército sob o comando do Senhor procedem das sepulturas, sem qualquer menção a almas oriundas seja do lugar que for no universo. O fôlego é adicionado aos componentes reconstituídos de carne e ossos, e a vida é restaurada. Mais uma vez percebam—nenhuma menção a qualquer alma imortal sendo reintegrada aos seres para que vivam.

Ora, se solicitássemos a uma pessoa que creia na imortalidade da alma que descrevesse como se daria uma ressurreição, sem dúvida o componente “alma imortal” seria até o mais importante de todos para transmitir vida a quem jazia morto. Contudo, em parte alguma das Escrituras, nem no começo, nem no fim, nem pelo meio do relato bíblico, consta tal coisa. Daí que quando Jesus conversava com as irmãs enlutadas, por ocasião da morte de Lázaro, não as consolou dizendo coisa alguma sobre ele estar na glória, como é a crença popular. A ênfase da conversação deles é a FUTURA ressurreição dos mortos por todo o capítulo 11 de João. Daí Jesus poder dizer sem deixar margem a dúvida:

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” — João 11:25, 26.

Mais uma vez percebemos a ênfase, não em que a vida eterna depende de um elemento imaterial, imortal, no homem, mas no crer em Cristo para poder ressuscitar, pois somente assim, “ainda que esteja morto, viverá”.

Nada No Fim da História Humana

Se nada consta das Escrituras indicando a introdução de uma “alma imortal” na criação do homem, o que dizer do seu fim? A Bíblia apresenta o reencontro final de Cristo com Seus remidos, e Paulo detalha como se dará a ressurreição dos mortos. Nem das palavras de Cristo, nem das detalhadas explicações de Paulo sobre como será o reencontro ao final entre Cristo e Seus remidos aparece o mínimo indício de almas imortais vindas seja de onde for no imenso universo para reincorporarem e retornarem à vida. Vejamos estas passagens:

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. . . . Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”.— João 5:25, 28 e 29.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. — João 14:1-3.

Claramente se percebe por tais palavras que os salvos “ouvirão a voz do Filho de Deus” e daí “viverão”. Eles estavam “nos sepulcros”, não no céu, ou qualquer outro local do universo. Dizer que eram os corpos que estavam nos sepulcros somente não faz sentido dentro do teor global do que é dito. Jesus fala de INDIVÍDUOS, não de corpos de indivíduos. E Ele prometeu que as moradas que foi preparar estariam disponíveis a esses salvos procedentes das sepulturas. Não diz que ocupariam essas “moradas” quando eles morressem e suas almas fossem para o céu, mas quando voltasse para Suas palavras terem cumprimento: “vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também”. Tudo indica que esse estar junto com Cristo passa-se, não quando almas vão para o céu na morte, e sim quando Cristo voltar e os anjos dos céus partirem para recolher os Seus escolhidos, como outro texto bíblico deixa por demais claro:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”. — Mateus 24:30, 31.

O apóstolo Paulo o confirma claramente, acentuando sua esperança de obter o galardão eterno “naquele dia” da volta de Cristo, e não quando sua alma supostamente fosse para o céu por ocasião da morte:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”. — Filipenses 3:20, 21.

Paulo confirma esta sua ardente expectativa em 2 Timóteo 4:6-8 ao falar do tempo de sua partida, que estava próximo:

“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.2 Timóteo 4:6-8

Na descrição detalhada que faz dos acontecimentos finalíssimos da história humana, com a ressurreição dos mortos e encontro com o Senhor, confirma-se a perspectiva de que somente então é que os indivíduos ressuscitados (não meramente seus corpos) encontrar-se-ão com o Salvador, e com toda a comunidade de demais remidos no Senhor:

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.—1 Tess. 4:13-18.

E em 1 Coríntios 15, praticamente todo o capítulo é dedicado a esse tema. Vejamos alguns textos do mesmo:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” — 1 Coríntios 15:51-55.

Fica por demais claro por tais palavras que não há qualquer noção de almas vindas do céu ou seja de onde for para reincorporarem. Ademais, a própria linguagem de toque de trombetas, voz do Senhor, para despertar “os que dormem em Cristo” não dá margem a imaginar almas vindo, já perfeitamente despertas, reunindo-se a seus corpos procedentes do pó da terra, para daí saírem dessa condição por tais convocações solenes.

E a ressurreição é quando a morte é derrotada, não quando as almas saem dos cadáveres, prevalecendo em existência eterna. Nesse caso, a doutrina da imortalidade da alma contradiz a declaração paulina de que “tragada foi a morte na vitória”. E essa vitória é a da ressurreição dos mortos, não o fator “imortalidade” contida na “alma” de um indivíduo.

Os versos 12-19 de 1 Coríntios 15 aplicam um golpe de morte sobre as teses de imortalidade da alma:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.

E reforçando o que é aí dito, temos o vs. 32:

“Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Observemos bem as implicações do que acima é exposto:

a) Haverá ressurreição dos mortos porque o próprio Cristo ressuscitou, como evidência de tal possibilidade.

b) Se não tivesse havido a ressurreição de Cristo, a pregação do evangelho e a fé dos crentes seria vã.

c) E se não fosse o fato da ressurreição, confirmada e garantida pela do próprio Cristo, “os que dormiram em Cristo pereceram”.

d) Se “pereceram”, é porque a ressurreição não se teria dado, e a pregação do evangelho fora “vã”, uma vez que os mortos em Cristo não estariam desfrutando a vida, e sim mortos no pó da terra. Também, segundo o vs. 32, a melhor opção seria aproveitar hedonisticamente esta vida: “comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Estas passagens claramente são uma refutação da tese de que os que “dormem em Cristo” estão em algum lugar, já garantidos pela eternidade. Qual nada, se não fosse o fato da ressurreição, ressaltado pelo contexto, teriam perecido. A ênfase de todo o contexto inegavelmente jaz no tema dominante do capítulo—a ressurreição dos mortos no dia da volta de Jesus.

Paulo claramente indica que o seu desejo de “partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fil. 1:23) se concretizará, não quando sua alma fosse para o céu, mas quando da ressurreição dos mortos. É estranho que se a expectativa dele refletida no princípio de Filipenses envolvesse a posse de uma “alma imortal”, isso não mereça mais elaboração na mesma epístola, pelo capítulo 3, vs. 20, e na detalhada descrição do encontro final dos remidos com o Salvador em 1 Tessalonicenses 4, vs 13 em diante, e todo o capítulo 15 de 1 Coríntios.

Assim, amigos, basta permitir que o texto das Escrituras flua normalmente, sem forçar o sentido com suposições extra-escriturísticas que tudo se torna claro. Não há “alma imortal” alguma retratada nas Escrituras nem no começo, nem no fim da existência humana. Esta é a verdade bíblica. O que passa disso é de origem suspeita, sobretudo quando temos declarada na Bíblia a primeira mentira de Satanás sobre este planeta aos nossos primeiros pais: “É certo que não morrereis”. Gên. 3:4.--
Estudo preparado pelo Prof. Azenilto G. Brito.
 
 

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