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COMO OS JOVENS E JOVENS ADULTOS
ASD ENCARAM SUA IGREJA

René Dupertuis*
Neste artigo um jovem adulto adventista analisa os sentimentos de grande parcela da geração mais jovem no seio do adventismo contemporâneo—como esta encara a sua igreja na atualidade e que perspectivas sobre a vida religiosa têm desenvolvido nestes tempos de exigências maiores por autenticidade e relevância.  O tema foi submetido a um pastor de jovens (Doug Mace, pastor-associado da Igreja da Universidade Loma Linda) e a uma jovem pastora (Tami McGrew, pastora-associada da Igreja Azure Hills, em Grand Terrace, CA.) que cuida do Ministério de Jovens Adultos de sua igreja. Ambos oferecem a sua reação e ponto de vista a respeito.
 

Por algum tempo tenho ouvido rumores de que os jovens e  jovens adultos na Igreja Adventista estão deixando a igreja aos bandos. A falta de participação entusiástica deles é geralmente atribuída a algum tipo de secularização. Em resultado disso, líderes de jovens gastam muita energia tentando criar programas e atividades que atraiam as pessoas mais jovens. Esses programas inevitavelmente consistem em muita movimentação, mais pouco de substancial, ou, talvez, de substância errada.
Estou começando a pensar que a razão básica por que a maioria dos jovens adultos não está se apressando em marcar passo com o adventismo tradicional pode não ser por estarem eles sucumbindo às sedutoras atrações do “mundo”. Antes, uma mudança fundamental está tendo lugar nas necessidades religiosas e teológicas dos membros mais jovens da igreja. Vejo uma necessidade de interpretar as crenças básicas e pressupostos da teologia adventista tradicional a fim de torná-las significativas, aplicáveis e relevantes à situação social e cultural da atualidade.
Parece natural que o entendimento teológico e as práticas religiosas que faziam sentido em meados do século XIX não mais falem tão diretamente aos jovens após mais de cento e cinqüenta anos. Tal mudança em perspectiva não deixa de ter precedente na história das religiões. Na Grécia, durante os séculos sexto e quinto A.E.C.**, a compreensão tradicional dos papéis de Zeus e do resto do panteão grego não mais lhes fazia sentido. A religião filosófica grega desenvolveu-se segundo as pessoas reinterpretaram suas antigas tradições religiosas e as tornaram significativas para o seu tempo e cultura.
Desenvolvimento semelhante ocorreu no judaísmo. Durante os primeiros quatro séculos da E.C.**, a lei oral desenvolveu-se como resultado de um problema simples: o povo hebreu descobriu que tinha um punhado de leis escritas das Idades de Bronze e Ferro sobre as quais não havia problemas, e uma porção de problemas para os quais não havia nenhuma lei. A lei oral, portanto, desenvolveu-se da necessidade de relevância.
Eu opino que algo semelhante está ocorrendo na Igreja Adventista hoje, particularmente entre os jovens adultos. Parte do problema é que isso não tem recebido a devida atenção no seio da igreja. Admitindo-se que os jovens adultos não têm estado exatamente reivindicando um papel ativo em suas comunidades eclesiásticas, o fato é que não se revelam interessados no “espaço religioso” que lhes é oferecido.
Como a teologia ideal jovem se apresentaria? É a mesma de sempre, porém diferente.
O que significa isso? Há mudanças sutis de ênfase que fazem toda a diferença.
De minhas observações como um ativo membro jovem adulto da Igreja Adventista e pela observação de muitos outros com quem atuo, sugiro os seguintes pontos como exemplos de mudanças no pensamento teológico em geral:
         Autenticidade. Para os jovens adultos, hipocrisia é quase um palavrão. Sinceridade e autenticidade são extremamente importantes. Como resultado, os jovens adultos estão mais preocupados com princípio, e não com a letra da lei. Por exemplo, eu me aventuraria a dizer  que  a  maioria  dos  jovens  adultos  considera
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* René Dupertuis é estudante a nível de pós-graduação, formado pela Universidade do Michigan e redator-chefe de Scanner, uma nova publicação dedicada aos jovens adultos, publicada pela Igreja de Glendale, Califórnia, E.U.A.
** A.E.C e E.C, ou seja, Antes da Era Comum e Era Comum (calendário comum a judeus e cristãos).

comunidade e comunhão como o principal princípio e função do sábado. O que exatamente alguém faz não é tão importante quanto como e por que o faz. Há menos preocupação com a noção de “quebrantar” o sábado do que em tirar vantagem do que a observância do sábado pode oferecer.
         Verdade Atual. Os jovens adultos em geral pouco se preocupam com o trabalho missionário e a busca por converter outros a alguma noção de verdade absoluta. Preocupam-se, contudo, com o alcance social e em fazer diferença àqueles que lhes cercam. Desejam compartilhar seus pontos de vista pessoais sobre a religião, mas esse desejo não é acompanhado pela noção de que uma verdade é “mais verdadeira” do que outras. Antes, têm consciência de que diferentes aspectos da verdade operam melhor em alguns contextos do que em outros. Talvez como um reflexo do sentimento pós-moderno da sociedade, o subjetivismo seja importante. É importante, não por não existirem verdades absolutas, mas porque temos visto vez após vez que reinvindicações à verdade absoluta têm causado muita dor ao longo da história da humanidade.  Os jovens adultos, então, tendem a preocupar-se menos com verdades universais e mais com realidades tangíveis e menores do dia a dia.
          Ênfase no presente. A maioria dos jovens adultos que eu conheço gasta pouco tempo pensando sobre o entendimento adventista tradicional do iminente fim do mundo. Não  que descartem tais ensinos, mas simplesmente não lhes dão ênfase. Os cenários apocalípticos não são de muito auxílio para construir caminhos positivos pelos quais tratar com as pessoas numa base diária. Os jovens adultos têm necessidade de uma teologia que afete ativamente este mundo e os relacionamentos do dia a dia, na mesma medida, ou até mais, do que afeta o mundo por vir.
Muitas avenidas para Deus. Finalmente, os jovens adultos estão mais preocupados em encontrar cumprimento espiritual do que em fazer parte das atividades eclesiásticas tradicionais. Em lugar de verem a igreja como um veículo mediante o qual crescer espiritualmente, consideram a igreja como uma das muitas avenidas para Deus, e nem sempre a mais fácil de percorrer. Francamente, para muitos jovens adultos, se o ficarem sentados todo sábado num programa de culto não lhes propiciar o nutrimento espiritual que desejam, preferirão buscar isso noutra parte—e é o que têm feito.
Esses itens todos são reinterpretações sutis—e às vezes nem tanto—de entendimentos do adventismo. A maioria das mudanças decorre de uma busca por relevância.
É importante destacar que o que pode estar  ocorrendo é uma mudança de ênfase, não um abandono da tradição adventista. Nenhum grupo geracional pode existir independentemente de seus predecessores. A Igreja Adventista tem uma bela história e tradição, certos momentos que despertam mais orgulho em nós do que outros.
Muitos dos jovens adultos com quem eu converso e trabalho são tão comprometidos com a tradição adventista como quaisquer outros na igreja, mas as maneiras em que buscam encontrar sentido de seu mundo e tradição, e, na verdade, os meios em que empregam sua tradição adventista para desenvolver sua cosmovisão são um pouco diferentes dos modos em que seus pais e professores achavam sentido das mesmas coisas.
Na medida em que os jovens adultos se empenham por encontrar sentido no adventismo que lhes deu sua identidade, sua teologia estará enraizada na tradição de seus antepassados, mas é articulada e posta em prática numa forma que faz mais sentido para o seu tempo.
 

Opiniões:

1)  Pastor Doug Mace, atualmente cursando um programa de mestrado em religião na Universidade La Sierra (ele atua como pastor de jovens da Igreja da Universidade Loma Linda, Califórnia, E.UA.), assim reage ao artigo acima:

Rene Dupertuis adentra um limbo eclesiástico para descrever alguns problemas por suas raízes mais profundas. Estou tentando imaginar como a Igreja Adventista se apresentará daqui a dez anos se o que ele diz a respeito dos jovens adultos adventistas da atualidade for certo. Fazemos uma poda, ou chamamos um cirurgião de árvores?
Consistirá nossa igreja de cristãos que pensam e reinterpretam sua experiência de fé num esforço para mantê-la viva para descartar o efeito entorpecente de viver a religião de outrem?
Será uma congregação de assim-chamados “autênticos e sinceros” cristãos menos preocupados com detalhes de sua religião, e mais com os princípios nascidos do caráter e temas de um Deus amorável?
Ousaria a igreja dedicar esforços sem alarde para melhorar a vida dos que nos rodeiam em serviço comunitário—e se preocupar menos em forjar novos e “modelares” adventistas?
Aceitaria a igreja uma nova reputação que esse tipo de pensamento e ação promoveria?
Estaria a igreja disposta a se preocupar menos com o que uma família pode ou não fazer no sábado, e se entusiasmar mais em passar juntos o sábado nos contextos do dia do Senhor—portanto, tornando o sábado uma tradição especial?
Permitiria ela esta reinterpretação do sábado para a geração seguinte?
Permitiria ela que um “cara” de vinte e poucos anos, como Dupertuis, que na realidade atua com jovens, escreva um artigo que desafie as idéias da igreja num esforço para refiná-las ou defini-las quanto ao aspecto de relevância? (Ou a velha geração se manifestará para tentar eliminar novos conceitos temendo diluir a verdade?)
Recusará a igreja negar a outros a amizade, comunhão e diálogo porque suas “verdades” não se parecem com as tradicionais “verdades” da igreja?
Falará menos sobre eventos dos tempos finais e promessas escatológicas e mais sobre o Deus que propicia a graça salvadora e a paz que transcende os eventos do tempo do fim?
Concluirá ela que se o que estamos fazendo para reter uma alegre comunhão com jovens crentes em Jesus não está funcionando, então é tempo de mudar a nossa ênfase? Se isso é como a igreja se parecerá nas décadas vindouras, baseada em atitudes dos seus jovens adultos com respeito à igreja, digo que por seus frutos se conhecerão.
E para mim, na verdade, o futuro se apresenta bastante radiante!

2)  Pastora Tami McGrew, que atua na Igreja Adventista de Azure Hills em Grand Terrace, Califórnia, E.U.A., tendo como campo de trabalho os Ministérios de Jovens Adultos de sua igreja, assim se manifesta em reação ao artigo supra:

 Essencialmente, creio que Dupertuis está certíssimo. Particularmente concordo com os seguintes pontos:
1.  A maioria dos jovens adultos não está se identificando com o adventismo tradicional porque uma mudança fundamental está tendo lugar em suas necessidades religiosas.
2.  Os jovens adultos não têm tido suficiente espaço na igreja, mesmo que exatamente não estejam reivindicando oportunidades nesse sentido.
3.  Hipocrisia é absolutamente—e não “quase”—um palavrão. Os jovens adultos sentem o cheiro disso a um quilômetro de distância, e fede! A autenticidade é positivamente vital.
4.  Comunidade e comunhão são o principal princípio e função do sábado.
5.  Convencer outros de verdade absoluta não é uma prioridade. Os jovens adultos adventistas não estão convencidos de que a verdade absoluta exista.

 Mantenho, porém, uma pequena diferença de opinião com Dupertuis. Vejo o meu grupo de jovens adultos muito interessado na interpretação dos eventos finais. Eles não estão necessariamente desinteressados pela opinião do adventismo tradicional, pois a maioria não parece conhecê-la. Vejo jovens adultos intensamente interessados nas coisas espirituais e mais leais à nossa denominação do que a minha própria geração.
[Traduzido de Adventist Today, março-abril de 1997, pp. 20-22.]
 

O Que é Adventist Today? No seu expediente é explicado que tal publicação independente “se reporta a questões contemporâneas de importância para os membros da Igreja Adventista” segundo “princípios básicos de ética e cânones de jornalismo”. Dessa forma, prossegue, “esta publicação se bate por exatidão, franqueza e bom gosto”. É mantida por uma entidade chamada Adventist Today Foundation, uma organização “sem fins lucrativos dedicada a fomentar o diálogo aberto na comunidade adventista”. É editada por Raymond Cottrell, que por muitos anos atuou como teólogo, autor e professor de nosso principal seminário teológico dos E.U.A., sendo um dos responsáveis pela edição do Seventh-day Adventist Bible Commentary [Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia].


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