10 Pontos a Ponderar Sobre o Sábado Nos Tempos Apostólicos

Azenilto G Brito

1 – Jesus expressou preocupação sobre os cristãos de Jerusalém que deveriam orar para que a fuga deles, quando da invasão de sua terra (Jerusalém e Judéia) em 70 AD pelas tropas romanas, não tivesse que se dar “no inverno, nem no sábado” (Mat. 24:20). Cristo sabia da inconveniência e perigo se os inimigos cercassem a cidade no dia em que estavam na igreja ou dedicados à adoração particular a Deus, alheios ao que se passava fora. Por esta passagem se percebe que Cristo antecipa que duas coisas estariam existindo após Sua partida: a) o inverno com suas dificuldades para quem tivesse que fugir para os montes nessa estação; b) a observância do sábado pelos Seus seguidores.

2 – Em Atos 15:20 e 29 encontramos uma das maiores provas em favor do sábado nas Escrituras. Entre o que ficou decidido no Concílio de Jerusalém, ante o desafio dos judaizantes que pertubavam a comunidade cristã primitiva, quatro regras básicas de conduta foram definidas. E as quatro regras tratam daquilo de que os cristãos gentios deviam ABSTER-SE, sem que o sábado constasse de tal lista.

Se não está lá o sábado, como algo que os cristãos não deviam praticar, então é óbvio que não houve tal preocupação quanto ao sábado, já que prosseguia normalmente como um dos mandamentos da lei divina que Paulo disse que com a sua mente servia (Rom. 7:25), sendo a “lei de Deus” que trazia o mandamento “não cobiçarás” (vs. 7 e 8) e que ele considerava santa, justa, boa, espiritual, prazenteira (vs. 12, 14, 22, 23). Esta passagem mostra que Paulo nada sabia de nenhuma abolição dos 10 Mandamentos como normativos aos cristãos, tanto que recomenda os 5o., 6o., 7o., 8o., 9o. e 10o. tanto aos cristãos gentios de Éfeso quanto de Roma (ver Efé. 6:1-3, 4:25-31; Rom. 13:8-10).

3 – Em Atos 21:20 vemos que a composição étnica dos primeiros cristãos da igreja-mãe de Jerusalém era judaica, e eles eram “zelosos da lei”. Assim, se houvesse a mínima atitude de algum líder cristão de acabar com o sábado, isso provocaria um tremendo debate entre esses judeus cristãos, pois o sábado era algo muito arraigado na cultura secular e religiosa dos judeus. E não se sabe de debate nenhum a respeito, prova de que não houve alteração do que Israel sempre entendeu e praticou quanto ao princípio do dia de repouso.

Há tanto debate sobre a circuncisão, justamente porque era também algo arraigado na sua cultura. Como é que não há qualquer debate quanto ao sábado? É que certamente todos o guardavam naturalmente e não se precisava discutir sobre o assunto.

4 – Uma prova adicional disso encontramos em Atos 25:8 onde Paulo se defende dos seus acusadores dizendo que “não cometi nenhum pecado contra a lei”. Ora, se ele fosse um violador do sábado, sem dúvida essa acusação seria imediatamente assacada contra ele. Mas Paulo pôde dizer, sem susto, que não contrariou NADA da lei, inclusive do sábado que ele observava.

5 – E mais uma prova adicional achamos em Atos 15:21: “Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o preguem, e cada sábado é lido nas sinagogas”.

Sabe-se que os primeiros cristãos não dispunham de Bíblias do modo fácil e disponível como qualquer de nós. O preço de uma Bíblia, ou conjunto de rolos da Torah naquele tempo, alguém calculou como algo em torno do preço de um automóvel 0 km. Ora, só mesmo nas sinagogas é que se podia ter Bíblias, então os cristãos inicialmente freqüentavam as sinagogas para obter instrução bíblica, ouvir a leitura da Palavra de Deus, até serem expulsos mais tarde pelos judeus. Qualquer historiador eclesiástico de gabarito sabe desse detalhe na história do cristianismo primitivo. Em Atos 9:2 vemos como Paulo tinha ordem para perseguir cristãos encontrados nas sinagogas, o que é confirmado em Atos 22:19 e 26:10 e 11.

Agora, se eles fossem para a sinagoga em qualquer outro dia, ou dariam com a porta fechada ou não haveria leitura da Torah! Portanto, até neste aspecto temos uma prova adicional de que os cristãos primitivos nada sabiam da guarda do domingo. Eles eram sabatistas mesmo, e o ônus da prova fica com os que neguem tal realidade.

6 – Paulo em Atos 16:13 saiu para junto de um rio, em Filipos, um lugar onde não havia sinagoga, num sábado para orar. O fato de ser mencionado que era “sábado” quando foi orar é significativo pois ele certamente orava outros dias também. E ele passou um ano e meio discutindo com judeus e gentios em Corinto, e ao longo de todo esse tempo NUNCA se lembrou de dizer a eles que deviam passar a se reunir no domingo, mesmo quando os judeus abandonaram o local e ele ficou somente com os gentios (Atos 18:1-4 e 11).

7 – Paulo dedica os capítulos 7 a 10 de Hebreus para discutir o sentido dos cerimoniais judaicos e se o sábado fosse um dos tipos de Cristo, como tantos sacrifícios e ofertas, sem dúvida ele destacaria tal papel para algo tão importante e prática tão arraigada dos judeus, quanto era o sábado. Mas não se acha uma linha de referência ao sábado como algo simbólico, cerimonial, daí abolido, nesses referidos capítulos.

8 – Ainda em Hebreus, o sábado é mencionado mas não num sentido de desqualificá-lo ou indicar sua abolição, nos capítulos 3 e 4. Em certo sentido o sábado simboliza o “repouso” espiritual que se encontra em Cristo. Mas se Israel como uma nação falhou em encontrar tal repouso, dentro de Israel houve os que realmente o encontraram, como são os heróis alistados no capítulo 11. E nem por isso deixaram de lado o sábado. Pelo contrário, Davi pôde dizer: “Agrada-me fazer a Tua vontade; ó Deus meu; dentro em meu coração está a Tua lei” (Sa. 40:8). A experiência de Davi deveria ter sido a de toda a sua nação.

9 – E a declaração do autor de Hebreus (cap. 4, vs. 9) de que resta um descanso sabático para o povo de Deus (no grego, sabbatismós, em contraste com todas as demais referências a “descanso” no capítulo, para as quais usa o termo katapausín—vs. 3, 4, 5, 8) é significativa. O autor faz aplicação do repouso do sétimo dia no vs. 4:4: “Porque em certo lugar assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera”. Sendo que ocorre esse uso diferenciado do termo sabbatismos no vs. 9, um competente tradutor de origem aramaica, George Lamsa, verte isso como “o dever do povo de Deus observar o sábado”. Sem dúvida o autor de Hebreus deseja lembrar a seus leitores que esse dever da observância do sábado ilustra bem o repouso espiritual presente e futuro. Não se trata de nenhuma “ordem para guardarmos o sábado”, mas seria um lembrete de que ele não está tratando do sábado apenas como símbolo de algo que não se liga à celebração do próprio sábado semanal regular.

10 – Finalmente, em Hebreus é onde encontramos a mais clara explicação da razão de termos a Bíblia como um livro dividido em duas seções—Velho Testamento e Novo Testamento. Acha-se em Heb. 8:6-10 e 10:16. Ali é falado do novo concerto estabelecido entre Deus e o Seu povo, que se no passado era o Israel nacional, no presente é o Israel expandido, constituído por todos aqueles que são filhos de Abraão pela fé (Gál. 3:7, 29). E ao falar da passagem do velho para o novo concerto, é dito que Deus escreve nos corações e mentes dos que aceitarem os termos desse novo concerto o que é tratado como “minhas leis”, e estas são as mesmas que prevaleciam ao tempo de Jeremias, já que o texto é mera reprodução de Jer. 31:31-33. Claro que os aspectos cerimoniais da lei não entram nesse arranjo porque tanto o autor de Hebreus quanto seus leitores primários sabiam que àquelas alturas o véu do templo já se havia rasgado de alto a baixo e o sentido do fim de todo cerimonial da legislação israelita.

O mais significativo é que não ocorre a mínima pista de que nessa passagem do velho para o novo concerto, ao Deus escrever as Suas leis nos corações e mentes dos Seus fiéis filhos, nesse processo Ele, a) deixe de fora o mandamento do sábado; b) mantenha o mandamento do sábado, mas trocando o dia de repouso do sábado para o domingo; nem, c) deixa a questão do dia de repouso como uma prática vaga, voluntária e variável, podendo ajustar-se aos interesses ou conveniências do crente (ou do seu empregador).
 

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Professor Azenilto G. Brito
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