Leis Dietéticas das Escrituras—O Que Dizem Pesquisadores Sérios a Respeito-1

Dois trabalhos de pesquisa, um de caráter bíblico exegético, outro de caráter mais na linha de evidências científicas no campo da saúde, serão considerados em parte. Trata-se de artigo do Dr. Gerhard F. Hasel, Ph. D., já falecido, que chegou a dirigir o Seminário Teológico da Universidade Andrews, de Berrien Springs, Mich., e uma dissertação da aluna universitária Vanessa Silva, da Universidade York, de Toronto, ON, Canadá. Talvez o mais importante para alguns seja a rica bibliografia nas notas de rodapé propiciadas por ambos os investigadores onde as fontes em que firmam suas pesquisas são reveladas. A metodologia de referenciamento difere entre ambos os autores.

E para tornar mais leve a leitura apresentamos ambos os estudos (condensados) na forma de entrevista, com dez perguntas direcionadas “simbolicamente” a ambos:

1a. pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Como se pode provar que as leis dietéticas dadas a Israel tinham aplicação a todos, não só aos israelitas?

RESPOSTA: Em Levítico 17-18 há vários regulamentos que se aplicam tanto a israelitas quanto a não-israelitas. A sentença “Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros [gerîm] que entre vós peregrinam” (Lev. 17:8, 10, 12, 13) acentua isso. Essas leis pertencem aos israelitas e aos “estrangeiros” ou “peregrinos”[32] e, portanto, não podem restringir-se aos israelitas. Em outras palavras, certas leis têm aplicação universal; ultrapassam o limitado enfoque da lei cerimonial, ritual, *palavra proibida*ltica. Essas leis são universais em natureza.

Lev. 17:8, 10, 12, 13
8 “Dir-lhes-ás pois: Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que entre vós peregrinam, que oferecer holocausto ou sacrifício,
10 Também, qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei o meu rosto, e a extirparei do seu povo.
12 Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum de vós comerá sangue; nem o estrangeiro que peregrina entre vós comerá sangue.
13 Também, qualquer homem dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que apanhar caça de fera ou de ave que se pode comer, derramará o sangue dela e o cobrirá com pó”.
 

As leis de sacrifícios de Levítico 1-7 não mencionam especificamente “estrangeiro” ou “peregrino”. Não se aplicam universalmente a todos os não-israelitas, a menos que os últimos sejam membros plenos da comunidade do concerto.[33] Mas a lei universal conhecida desde Gênesis 9:4, antes da existência de uma entidade conhecida como Israel, que proíbe o comer sangue, prossegue com aplicação universal ao israelita e ao “estrangeiro” em Levítico 17:10-12. A lei de caça em Levítico 17:13 é assim vista como pertencendo à lei universal também, tão em desígnio quanto em aplicação, porque tanto se refere ao israelita quanto ao “estrangeiro” (ger).

Gênesis 9:4,
“A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”.
 

Nessa lei, é feita distinção com respeito a aves limpas que “podereis comer” (Deu. 14:11) e aves abomináveis que “não se comerão” (Lev. 11:13). A razão, embora não diretamente estipulada, mas subentendida, é que são “limpas”. Por implicação, há outros animais e aves de caça que não podem ser comidos porque são imundos. A distinção entre limpos e imundos é aqui aplicada a animais de caça e serve tanto a israelitas quanto a “estrangeiros”. Uma vez que tanto israelitas quanto não-israelitas são abrangidos, parece-nos haver indicação de que a distinção de animais que podem ser comidos e os que não podem sê-lo é universalmente válido e não podem ser restritos somente ao israelita ou judeu.

Deu. 14:11
11 “De todas as aves limpas podereis comer”.

Lev. 11:13
13 “Dentre as aves, a estas abominareis; não se comerão, serão abomináveis: a águia, o quebrantosso, o xofrango”.

As leis não-cerimoniais e universais de Lev. 18 aplicam-se novamente tanto ao israelita quanto ao “estrangeiro” (ger). Essas leis incluem casamentos probidos (Lev. 18:6-17), pecados contra a castidade (Lev. 18:18-21), homossexualismo (Lev. 18:22), e bestialidade (Lev. 18:23). Essas leis universais têm feito com que nações pagãs fossem expulsas (Lev 18:24) de modo que “a terra vomita os seus habitantes”(vs. 25). O vs. 26 sintetiza: “Nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós” praticará essas “abominações” (tô’ebôth).

Lev. 18:6-17,22-25
6  “Nenhum de vós se chegará àquela que lhe é próxima por sangue, para descobrir a sua nudez. Eu sou o Senhor.
7 Não descobrirás a nudez de teu pai, nem tampouco a de tua mãe; ela é tua mãe, não descobrirás a sua nudez.
8 Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai.
9 A nudez de tua irmã por parte de pai ou por parte de mãe, quer nascida em casa ou fora de casa, não a descobrirás.
10 Nem tampouco descobrirás a nudez da filha de teu filho, ou da filha de tua filha; porque é tua nudez.
11 A nudez da filha da mulher de teu pai, gerada de teu pai, a qual é tua irmã, não a descobrirás.
12 Não descobrirás a nudez da irmã de teu pai; ela é parenta chegada de teu pai.
13 Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, pois ela é parenta chegada de tua mãe.
14 Não descobrirás a nudez do irmão de teu pai; não te chegarás à sua mulher; ela é tua tia.
15 Não descobrirás a nudez de tua nora; ,ela é mulher de teu filho; não descobrirás a sua nudez.
16 Não descobrirás a nudez da mulher de teu irmão; é a nudez de teu irmão.
17 Não descobrirás a nudez duma mulher e de sua filha. Não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez; são parentas chegadas; é maldade”.
22 Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.
23 Nem te deitarás com animal algum, contaminando-te com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão.
24 Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque com todas elas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós;
25 e, porquanto a terra está contaminada, eu visito sobre ela a sua iniqüidade, e a terra vomita os seus habitantes”.
 

É particularmente digno de nota que os animais imundos fazem parte das “abominações” (tô’ebôth). O termo “abominável” (tô’ebôth) é empregado na declaração introdutória de Deuteronômio 14:3-21. A palavra “abominação” tem várias conotações, mas significa essencialmente algo que, por sua natureza, é definido em oposição ao que é aceitável e/ou permissível por Deus.[34]

 Deuteronômio 14:3-21
3  “Nenhuma coisa abominável comereis.
4 Estes são os animais que comereis: o boi, a ovelha, a cabra,
5 o veado, a gazela, o cabrito montês, a cabra montesa, o antílope, o órix e a ovelha montesa.
6 Dentre os animais, todo o que tem a unha fendida, dividida em duas, e que rumina, esse podereis comer.
7 Porém, dos que ruminam, ou que têm a unha fendida, não podereis comer os seguintes: o camelo, a lebre e o querogrilo, porque ruminam, mas não têm a unha fendida; imundos vos serão;
8 nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será. Não comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres.
9 Isto podereis comer de tudo o que há nas águas: tudo o que tem barbatanas e escamas podereis comer;
10 mas tudo o que não tem barbatanas nem escamas não comereis; imundo vos será.
11 De todas as aves limpas podereis comer.
12 Mas estas são as de que não comereis: a águia, o quebrantosso, o xofrango,
13 o açor, o falcão, o milhafre segundo a sua espécie,
14 todo corvo segundo a sua espécie,
15 o avestruz, o mocho, a gaivota, o gavião segundo a sua espécie,
16 o bufo, a coruja, o porfirião,
17 o pelicano, o abutre, o corvo marinho,
18 a cegonha, a garça segundo a sua espécie, a poupa e o morcego.
19 Também todos os insetos alados vos serão imundos; não se comerão.
20 De todas as aves limpas podereis comer.
21 Não comerás nenhum animal que tenha morrido por si; ao peregrino que está dentro das tuas portas o darás a comer, ou o venderás ao estrangeiro; porquanto és povo santo ao Senhor teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe”.
 

Neste ponto há uma consideração lingüística adicional de que a lei de animais puros e imundos é uma lei não-cerimonial universal. As “nações” pagãs de Canaã envolviam-se em “abominações” (tô’ebôth) que eram proibidas nas leis universais e sofreram as conseqüências de tais atividades em juízo divino por atacado (Lev. 18:24-30). Exatamente nessa linha, comer animais imundos é algo “abominável”, envolvendo outra lei universal que é válida para toda a humanidade (ver também Isa. 66:16-18).[35]

Isa. 66:16-18
16 “Porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne; e os que forem mortos pelo Senhor serão muitos.
17 Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor.
18 Pois eu conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e elas virão, e verão a minha glória”.
 

2a. pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Quando aparece inicialmente a distinção entre carnes limpas e imundas?

RESPOSTA: A distinção entre animais limpos e imundos é conhecida antes de os israelita sequer terem vindo à existência. De fato, é uma distinção conhecida no mundo antediluviano, o que nos remonta aos tempos anteriores ao dilúvio, num texto e contexto que têm ênfase universal. Pode-se, portanto, manter que a distinção de animais limpos/imundos é aplicável à humanidade em geral. É ilimitada em escopo e desígnio e fora da legislação cerimonial propiciada ao Israel antigo em tempos posteriores.

Intérpretes prontamente reconhecem que a distinção entre animais limpos e imundos não aparece pela primeira vez em Levítico 11. A primeira distinção é encontrada em Gênesis 7:2-8. . .

Gênesis 7:2-8. .
2  “De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea;
3 também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para se conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra.
4 Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da face da terra todas as criaturas que fiz.
5 E Noé fez segundo tudo o que o Senhor lhe ordenara.
6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando o dilúvio veio sobre a terra.
7 Noé entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio.
8 Dos animais limpos e dos que não são limpos, das aves, e de todo réptil sobre a terra”.
 
 
 

É importante reconhecer que a passagem de Gênesis 7 precede a de Levítico 11 e Deuteronômio 14 em tempo e ambientação. O ambiente de Gênesis 1-11 é de caráter universal.[38] Assinala-se que não se pode “imaginar uma ocasião em que tenha havido seres humanos que não entendessem a distinção entre [animais] limpos e imundos”[39] Noé sacrificou após o dilúvio “de todo animal limpo e de toda ave limpa” (Gên. 8:20).

Gênesis 1-11
11 “E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra. E assim foi”
 

A distinção de limpo/imundo é importante nesse contexto de primeiros tempos e universalidade. Não só eram os animais e pássaros limpos usados para sacrifício, como após o dilúvio, os seres humanos tiveram permissão de alimentar-se de animais (Gên. 9:3-5). O que fica implícito é que tinham permissão de se alimentar somente de animais limpos. Nesta passagem pré-israelita de Gênesis 9 há também a declaração de que o homem não comeria carne com o sangue (vs. 4). Esta é uma lei universal que ainda é válida para todos os cristãos, segundo o Decreto Apostólico de Atos 15:20 indica.

Gên. 9:3-5
3  “Tudo quanto se move e vive vos servirá de mantimento, bem como a erva verde; tudo vos tenho dado.
4 A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; de todo animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem”.

Atos 15:20
20“ mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue”.
 

Esses fatos afirmam que a distinção de animais limpos e imundos não é produto de legislação *palavra proibida* ltica hebraica, mas precede-a desde tempos antediluvianos. Tem sido declarado que “a distinção entre animais limpos e imundos não se originou com Moisés, mas foi confirmada por ele como um costume há muito establecido, . . “.[42] Certamente a distinção entre animais limpos/imundos não tem o seu início na legislação mosaica.[43] Tal distinção une-se a outras instituições fundamentais que antedatam os tempos israelitas e remontam à história dos próprios inícios de tudo, partilhando de tais verdades eternas como o casamento (Gen 2:18-15), o sábado (Gen 2:1-3), e semelhantes.[44]

Gen 2:18-15
18 “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.
19 Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome.
20 Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea”.

Gen 2:1-3
1 “Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército.
2 Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera.
3 Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera”.

3a. pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: Há respaldo entre eruditos para a classificação de animais impuros no sentido de higiene-saúde?

RESPOSTA: Deus apresentou a Moisés muitas regras de saúde reveladas dentro do código levítico que nos protegeria de doenças. A interpretação da linha higiene/saúde tem firme suporte de eruditos do passado bem como do presente. Vigoroso respaldo para o entendimento higiene/saúde inclui W. F. Albright, R. K. Harrison, R. L. Harris, E. S. Kalland, e Roland E. Clements, além de Isidor Grunfeld, Hayim Halevy Donin, e Walter C. Kaiser. Jr., que discute o significado das leis da saúde encontradas no código. Tais eruditos discutem que as leis promovem a saúde pública e a vida saudável. Daí, Levítico11 pode ser ilustrado como um código que pertence à saúde e ao bem-estar.
 

4a. pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: Moisés não teria aprendido essas regras nas escolas egípcias, onde estudou, segundo conceitos daquele povo, discriminatórios a certos animais?

RESPOSTA: McMillen e Stern descrevem a vida de Moisés ao tempo em que vivia no Egito quando os doutores egípcios escreviam um texto médico descrito hoje como o Papiro Ebers, que é sabido ter sido redigido inteiramente em 1500 A.C. Tal documento é um exemplo de remédios e de curas egípcias antigas para aqueles povos que adoeciam durante aquele período. O papiro empregava muitos animais imundo para tratar doenças. Por exemplo, o calvicie era curada criando uma mistura de gorduras obtidas do cavalo, do hipopótamo, do crocodilo, do gato, da serpente, e da cabra selvagem. Felizmente, Moisés não empregava nenhum dos remédios egípcios porque Deus indicou o padrão para a vida saudável. Não havia qualquer relação nas diretrizes dietéticas de Moisés apresentadas por Deus no Monte Sinai com as e encontradas entre os egípcios. “Sobre ti não enviarei nenhuma das enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).

McMillen e Stern apontam as epidemias que tinham matado milhares dos egípcios e hebreus e aqui nesta cita Deus promete liberdade das doenças se Suas leis fossem seguidas. O mais importante, podemos ver que Moisés recebeu muitas regras de saúde orientadas por Deus que se opunham aos princípios de saúde encontrados no Papiro Ebers, que empregavam animais imundos para eliminar as doenças encontradas entre os egípcios
 

5a. pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Que justificativas se dão entre os pesquisadores bíblicos para a adoção dessas regras dietéticas como expostas por Moisés?

RESPOSTA: De vez em quando se levanta a pergunta, que até se justifica, sobre o porquê de os animais impuros serem proscritos para o consumo humano e como fonte de alimentos. Há mais de uma dúzia de tentativas de explicação.[53] Iremos fazer menção brevemente às mais significativas.

Uma explicação, levantada alguns anos atrás, sustenta que os animais eram vistos como impuros dado a sua associação com religiões pagãs.[54] Essa explicação religio-*palavra proibida*ltica tem em seu favor que há um número de animais impuros (particularmente o porco,[55] mas também o cachorro, etc.) que eram usados nos cultos pagãos de egípcios, cananitas e outros povos.[56] Contra tal idéia há o fato de que nem todos os animais impuros eram usados em cultos pagãos57] e também o fato de que alguns animais limpos (como o touro, a vaca, o carneiro, a cabra e alguns peixes limpos) também eram utilizados em cultos pagãos.[58] E não há indicação em parte alguma de que tais cultos pagãos desempenhassem algum papel nessas proibições.

W. Robertson Smith assumiu uma idéia anterior[59] e desenvolveu o conceito de que a distinção entre animais limpos/imundoso é um remanescente do totemismo.[60] Ele tem sido seguido particularmente por Bernhard Stade.[61] O totemismo é a crença no parentesco entre homem, animais e plantas. “O caráter sagrado do totem exclui as espécies como alimento comum, mas o animal do totem é a vítima da refeição ritual do clã”.[62] A interpretação totemista foi abandonada por causa de sua inadequação[63] e a falta de evidência do totemismo no Velho Testamento.[64]

Empregando a metodologia da fenomenologia da religião W. Kornfeld mais recentemente sugeriu que a idéia de animais impuros foi desenvolvida de carnívoros e criaturas conhecidas que comiam carniça, e animais que vivem no deserto ou lugares desolados e ruínas. . .[65]. Em outras palavras, os animais impuros seriam ameçadores à vida. A razão primária por terem sido desqualificados é por ter sido descoberto em suas “práticas ameaçadoras à vida e esferas de existência”.[66] É difícil encontrar apoio suficiente para essas alegações com base no Velho Testamento por si. “Esta teoria”, foi observado, “não pode explicar a exclusão de tais animais domesticados, herbívoros como o camelo, o burro, o coelho ou o cavalo”.[67] Esta hipótese insatisfatória não atraiu muitos adeptos.

Uma abordagem sócio-antropológica foi levantada e tem sido adotada por um crescente número de eruditos em tempos recentes. Merece detida atenção. Mary Douglas, uma antropóloga social, utilizando a hipótese de Durkheimian de que a classificação animal reflete valores societários, assinalou que “qualquer interpretação falhará se não levar em conta os não-faças do Velho Testamento em forma parcelada”.[68] Ela chega aos dados bíblicos sobre animais via-tribo Lele da África que tem complexas regras dietéticas.

Douglas sugere que as espécies declaradas impuras em Levítico 11 são aquelas “que são imperfeitas em sua categoria, ou cuja classe por si mesma confunda o esquema geral do mundo”.[69] Esta ela liga com o conceito de santidade que envolve “manter distintas as categorias de criação”[70] Afirma ela: “Para avaliar esse esquema precisamos remontar ao Gênesis e à criação. Aqui uma classificação tríplice surge, dividida entre a terra, as águas e o firmamento. Levítico toma esse esquema e atribui a cada elemento seu apropriado tipo de vida animal”.[71]

Na consideração de Douglas os animais terrestres têm quatro pernas e cascos sobre os quais andar. Ela, contudo, passa por alto o dado de que somente os quadrúpedes de casco fendido são limpos. No ar os pássaros precisam de duas asas para voar e duas pernas para andar. Na água os peixes têm barbatanas e escamas com os quais nadar. Uma vez mais Douglas passa por alto o fato de que as escamas não são usadas para nadar. Em seu ponto de vista, quaisquer criaturas que cruzem essas fronteiras são anomalias e declarados imundos. Os animais que não se enquadrem na ordem apropriada são inadequados, ou “sujos”, em sua opinião. Seu conceito de “sujo” tem sido severamente criticado.[72]

Sumariando sua posição citamos H Eilberg-Schwartz: “Douglas alega que o mito da criação (Gên. 1:1-2:4) propicia um modelo conceitual para entender o universo. Na visão de Douglas, esse relato da criação propicia um esquema cognitivo no qual a realidade é demarcada e definida. Qualquer coisa que viole as classificações da criação são consideradas como uma falha na criação e, daí, é considerado anormal e impuro”.[73] Os animais que se conformam com a classificação da criação seriam considerados puros e santos.

A hipótese de Douglas tem sido adotada por uma variedade de eruditos,[74] mas também tem sido objeto de incisivas críticas de outros. Robert Alter fez notar que a sugestão de Douglas (e J. Soler) não explica por que as galinhas e os patos são considerados limpos uma vez que são anômalos e não se enquadram na classificação estabelecida.[75] A galinha tem asas mas não voa e o pato tem asas mas vive principalmente na água. Esta objeção é considerada “de peso”,[76] porque mostra que o método de classificação empregado não explica coerentemente a variedade de animais designados como impuros. Jacob Milgrom tem que fazer ajustes de monta na hipótese de Douglas para fazê-la aproximar-se do texto de Levítico 11 e tornar sua explicação de anomalia mais válida.[77]
[Continua no próximo quadro]
Prof. Azenilto G Brito

Professor Azenilto G. Brito
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