Movimento Nova Era. A crença na vida consciente após a morte é popularizado hoje especialmente pelo Movimento Nova Era

&Analisando Ensinos Bíblicos  &

Prof. Azenilto G. Brito

 26  Não é fácil definir esse novo movimento popular porque representa um complexo de organizações e indivíduos que compartilham valores comuns e uma visão comum. Esses valores derivam do misticismo e ocultismo orientais e uma cosmovisão panteísta segundo a qual todos compartilham Daquele que é Deus. Eles prevêem uma “nova era” vindoura de paz e iluminação maciça, conhecida como Era de Aquário”.

Os adeptos da Nova Era podem divergir sobre quando ou como começa a Nova Era, mas todos concordam que podem apressar a nova ordem envolvendo-se na vida política, econômica, social e espiritual. De acordo com alguns analistas sociais, o Movimento Nova Era tornou-se uma destacada tendência cultural de nosso tempo. Elliot Miller o define como “uma terceira proeminente força social competindo com a religião judaica-cristã e o humanismo secular por domínio cultural.

27 Para os seguidores da Nova Era, a realidade última é um Deus panteístico manifestado com uma consciência e força infinitas, impessoais. Os seres humanos são parte da consciência divina e são separados de Deus somente em sua própria consciência. Mediante técnicas específicas, como a meditação, o canto, dança e privações sensoriais, os adeptos da Nova Era buscam experimentar a Unidade com Deus. Assim, a salvação para os adeptos é igualada a auto-realização mediante técnicas espirituais especiais.

A Loucura da canalização. Um aspecto importante do Movimento da Nova Era é a alegação de comunicação com inteligências humanas e extra-humanas que se foram. Este fenômeno é chamado de “canalização”, mas tem corretamente sido chamado de “Espiritismo ao Estilo da Nova Era”.

28 Miller acertadamente faz notar que “o espiritismo desempenhou uma parte importante historicamente em virtualmente todas as formas de paganismo. Os que permitiram que espíritos empregassem seus corpos dessa foram têm sido chamados por uma variedade de nomes, inclusive ‘vidente’, ‘feiticeiro’, ‘curandeiro’, ‘oráculo’. Em nossa cultura, o termo comum tem sido ‘médium’, mas em anos recentes tem sido abandonado em grande medida em favor de ‘canal’ou ‘canalizador’, refletindo em parte, um desejo de romper com estereótipos negativos que se têm associado com médiuns ao longo dos anos”.

29 Um “canalizador” é essencialmente uma pessoa que alega ser recebedora dos ensinos e sabedoria dos grandes espíritos do passado. O negócio de canalizar expande-se em todas as principais cidades americanas. Segundo o Los Angeles Times, numa década, o número de conhecidos canalizadores profissionais aumentou de dois para mais de mil numa década.

30 Isso está obrigando os canalizadores a usar psicologia da Ave. Madison [N.R. centro de publicidade] para vender seus serviços. . . Uma propaganda de Taryn Krive, popular canalizador, dá boa idéia dos serviços oferecidos: “Mediante Taryin um número de espíritos-guia traz seus ensinos e mensagens. Eles responderão a suas perguntas sobre esta vida ou outras vidas e ajudarão você a identificar as lições de sua vida e desbloquear seus mais elevados potenciais para viver e amar. . .  . Conheça seus espíritos-guia. Aprenda a relembrar suas vidas passadas e liberar a influência delas de seu presente. Desenvolva suas habilidade de canalização (canalização consciente, escrita automática, canalização com transe)”.

31 A pessoa que tem desempenhado um papel destacado na promoção do Movimento Nova Era, especialmente quanto a canalização, é a famosa artista Shirley MacLaine. Seus livros venderam mais de cinco milhões de exemplares. A mini-série “Out on a Limb” despertou interesses sem precedentes em canalização. MacLaine leva bastante a sério o seu papel como principal evangelista da Nova Era. Seguindo-se a sua mini-série para a TV, ela conduziu seminários de dois dias por toda a nação, intitulados “Ligando-se Com o Eu Superior”. Depois, empregou a receita dos seminários para estabelecer um centro espiritual de 120 hectares perto de Pueblo, Colorado. O objetivo do centro é propiciar um lugar confiável para as pessoas se comunicarem com Espíritos superiores.

32 Um fator importante que tem contribuído para o êxito da Nova Era é sua alegação de ligar as pessoas não só com os seus queridos que morreram, mas também com os Grandes Espíritos do passado. Como destaca o parapsicólogo e canalizador Alan Vaughan: “A emoção, o imediatismo desse contato com outra consciência pode ser a força impulsora por detrás do fenomenal crescimento da prática de canalização”.

33 Morte Como Transição Para Uma Existência Superior. A comunicação com o espírito dos mortos tem por base a crença de que a morte não é o fim da vida, mas meramente uma transição para uma plano de existência superior que torna possível no devido tempo reencarnar-se, seja sobre a terra ou outra parte. Virginia Essene, que reivindica estar falando como um canal para Jesus, declara: “A morte é uma entrada automática e quase imediata na grande esfera do crescimento de aprendizagem e serviço a que já está bem acostumado. Você simplesmente vive nesse nível superior de propósito, gozo e entendimento”.

34 Em muitas maneiras, o ponto de vista da Nova Era como entrada imediata numa esfera mais elevada de viver reflete a crença tradicional cristã na sobrevivência consciente da alma por ocasião da morte. Ambas as crenças podem remontar à primeira mentira proferida pela serpente no Jardim do Éden: “É certo que não morrereis” (Gên 3:4). Essa mentira tem atravessado os séculos com efeitos tão devastadores sobre as religiões tanto cristãs quanto não cristãs.

Nesta análise penetrante do Movimento da Nova Era, Elliot Miller observa com perspicácia: “Tem sido feito notar corretamente por muitos observadores cristãos que o cerne das doutrinas de Nova Era/canalização, ‘Podeis ser como Deus’ e ‘Não morrereis’ foram as primeiras proferidas pela serpente no Jardim do Éden. (Gên 3:4-5). Acatado, então, esse ‘evangelho’, produziu toda a miséria do mundo. Acatado agora, tornará sem efeito tudo quanto Deus realizou em Cristo para remediar a situação do indivíduo em questão”.

35 Miller está certo em destacar que a crença na imortalidade inerente promovida pela Nova Era hoje torna de nenhum efeito a provisão de salvação em Cristo, uma vez que as pessoas pensam que já dispõem dos recursos para entrar num nível mais elevado de existência após a morte. Desafortunadamente, Miller deixa de reconhecer que o êxito da Nova Era em promover tal crença deve-se em grande medida à crença tradicional cristã  dualística quanto à natureza humana. Os cristãos que crêem que o corpo é mortal e a alma imortal não têm maiores dificuldades em aceitar o ponto de vista da Nova Era quanto à transição para uma esfera superior de existência das almas dos santos nos páramos da glória paradisíaca.

Conclusão. A pesquisa precedente mostra como a mentira de Satanás tem prevalecido em diferentes formas ao longo da história humana até nossos dias. Enquanto durante a Idade Média a crença no pós-vida era promovida mediante representações literárias e artísticas da bem-aventurança dos santos e o tormento dos pecadores, hoje tal crença é propagada numa forma mais sofisticada por médiuns, paranomrias, pesquisa “científica” em experiências de quase-morte e pela Nova Era com sua canalização com espíritos do passado. Os métodos satânicos mudaram, mas seus objetivos são ainda os mesmos: fazer as pessoas crerem na mentira, de que não importa o que façam, não morrerão, mas se tornarão como deuses por viverem para sempre. Nossa única proteção contra tal engano é mediante um claro entendimento do que a Bíblia  ensina a respeito da natureza da morte e o estado dos mortos.
 

Referências

   1.  Ray S. Anderson, Theology, Death and Dying (New York, 1986), p. 104.
   2.  Ver Hans Schwarz, “Luther’s Understanding of Heaven and Hell,” Interpreting Luther’s Legacy, ed. F. W. Meuser and S. D. Schneider (Minneapolis, 1969), PP. 83-94.
   3. O texto dessa obra é encontrado em Tracts and Treatises of the Reformed Faith, de Calvino, trad. H. Beveridge (Grand Rapids, 1958), Vol. 3, pp. 413-490.
   4. Ver, por exemplo, Charles Hodge, Systematic Theology (Grand Rapids, 1940), Vol. 3, pp. 713-30; W. G. T. Shedd, Dogmatic Theology (Grand Rapids, n.d.), Vol. 2, pp. 591-640. G. C. Berkouwer, The Return of Christ (Grand Rapids, 1972), pp. 32-64.
   5. Westminster Confession, cap. 32, como citado por John H. Leith, ed., Creeds of the Churches (Atlanta, 1977), p. 228.
   6. Ver David Hume, A Treatise of Human Nature (Publicado em 1739). Para uma breve mas informativa pesquisa daqueles que atacavam a crença na vida do além túmulo, bem como os que reviveram tal crença, ver Robert A. Morey, Death and the Afterlife (Minneapolis, 1984), pp. 173-184.
   7. K. Osis e E. Haraldsson, At the Hour of Death (Avon, 1977), p. 13.
   8. Ibid., pp. 13-14. Ver também W. D. Rees, “The Hallucinations of Widowhood,” BMJ 4 (1971), pp. 37-41; G. N. M. Tyrrell, Apparitions (Duckworth, 1953), pp. 76-77.
   9. Paul Badham e Linda Badham, Immortality or Extinction? (Totatwa, New Jersey, 1982), pp. 93-94.
10. Ibid., p. 94.
11. Ibid., p. 98.
12. Ibid., pp. 95-98.
13. Estas características são tomadas do relatório do psiquiatra americano Raymond A. Moody, que escreveu dois livros seminais sobre este assunto, Life after Life (1976) e Reflections on Lifeafter Life (1977). O relatório de Moody é citado por Hans Schwarz (nota 14), pp. 40-41.
14. Para uma discussão de experiências de quase-morte ao longo da história, ver Hans Schwarz, Beyond the Gates of Death: A Biblical Examination of Evidence for Life After Death (Minneapolis, 1981), pp. 37-48.
15. Platão, Republic, 10, 614, 621, em Edith Hamilton e Huntington Cairns, eds., The Collected Dialogues of Plato Including the Letters (Nova York, 1964), pp. 839, 844.
16. Ibid., p. 844.
17. Ver C. S. King, Psychic and Religious Phenomena (Nova York, 1978). Para literatura adicional sobre o assunto, ver Stanislav Grof e Christina Grof,Beyond Death:The Gates of Consciousness (Nova York, 1989); Maurice Rawlings, Beyond Death’s Door (Nova York, 1981); John J. Heaney, The Sacred and the Psychic: Parapsychology and the Christian Theology (Nova York, 1984); Hans Schwarz, Beyond the Gates of Death: A Biblical Examination of Evidence for Life After Death (Minneapolis, 1981).
18. Paul Badham e Linda Badham (nota 9), p. 88.
19. Sobre a capa de R. A. Moody, Life after Life (New York, 1975).
20. Ibid., p. 182.
21. Editorial, Lancet (24 de junho de 1978).
22. Paul Kurtz, “Is There Life After Death?” uma dissertação submetida à Oitava Conferência Internacional Sobre a Unidade das Ciências, Los Angeles, novembro de 1979.
23. Paul Badham e Linda Badham (nota 9), p. 81.
24. Ray S. Anderson (nota 1), p. 109.
25. K. Osis e E. Haraldsson (nota 7), p. 197.
26. Alguns dos estudos significativos sobre o Movimento Nova Era são: Vishal Mangalwadi, When the New Age Gets Old: Looking for a Greater Spirituality (Downers Grove, Illinois, 1992); Ted Peters, The Cosmic Self. A Penetrating Look at Today’s New Age Movements (New York, 1991); Michael Perry, Gods Within: A Critical Guide to the New Age (London, 1992); Robert Basil, ed., Not Necessarily the New Age (New York, 1988).
27. Elliot Miller,A Crash Course on the New Age Movement (Grand Rapids, 1989), p. 183.
28. Ibid., p. 141.
29. Ibid., p. 144.
30. Lynn Smith, “The New, Chic Metaphysical Fad of Channeling,” Los Angeles Times (5/12/1986), Parte V.
31. Anúncio publicitário, The Whole Person, julho de 1987, p. 1.
32. Ver Nina Easton, “Shirley MacLane’s Mysticism for the Masses,” Los Angeles Times Magazine (6 de septembro de 1987), p. 8.
33. Alan Vaughan, “Channels-Historic Cycle Begins Again,” Mobius Reports (Primavera/Verão 1987), p. 4.
34. “Jesus” (ao longo de Virginia Essene, “Secret Truths-What Is Life?”. Life Times, 1, p. 3, como citado em Elliot Miller (nota 27), p. 172.
35. Elliot Miller (nota 27), p. 178.


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