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Revolução no Evangelismo Entre Muçulmanos

Colleen Moore Tinker*

        Os cristãos em geral nunca tiveram muito êxito em penetrar as terras do Islã. O evangelismo tradicional não parece funcionar com os muçulmanos, e tem havido um senso de desesperança em círculos adventistas a respeito de conseguir-se alcançar as populações muçulmanas.
        Em outubro de 1995, Jerry Whitehouse foi convidado para ser diretor do The Global Center for Adventist Muslim Relations [Centro Global para Relações Adventistas com Muçulmanos] pela Comissão de Evangelismo Global da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Ele assumiu o trabalho com o entendimento de ter permissão de experimentar uma metodologia evangelística totalmente diferente. A Associação Geral também desejava ver o que ocorreria se novos métodos fossem tentados, assim houve um acordo.
        Este artigo mostra como os primeiros resultados do modelo evangelístico de Whitehouse tem revelado grande promessa de êxito e qual, afinal de contas, é o segredo desse novo enfoque no trabalho com os seguidores de Maomé.

        “Os adventistas (como a maioria dos cristãos) têm, em grande medida, compreendido mal o Islã”, declara Jerry Whitehouse, diretor do Centro Global para Relações Adventistas com Muçulmanos, presentemente localizado em Loma Linda, Califórnia, EUA. “Conseqüentemente, temos tentado evangelizar os muçulmanos do mesmo modo como evangelizamos cristãos não adventistas. Temos-lhes ensinado nossas doutrinas adventistas e assinalado como precisam mudar seu estilo de vida a fim de viverem como adventistas. Essa metodologia não tem dado certo”.
        Não dá certo, explica ele, porque os muçulmanos consideram a cultura ocidental como má. Vêem o cristianismo como parte da cultura maligna que não respeita suas tradições e convicções religiosas, e crêem que o cristianismo busca destruir o que consideram como Verdade.
        A desconfiança cultural não tem sido uma estrada de via única. Os cristãos têm desconfiado dos muçulmanos também. “Algumas de nossas publicações [adventistas] caracterizam o Islã como satânico e Maomé como um falso profeta”, diz Whitehouse.

Insultos Inspiram Ataques
        Essas crenças estão profundamente enraizadas em nossas convicções. Durante os últimos dois anos, um pastor adventista americano foi morto e três outros foram atacados e feridos pelos muçulmanos, ataques esses provocados por insultos diretos ao Islã e por desconsideração para com os costumes muçulmanos. Um dos desafortunados pastores precipitou o seu ataque por declarar que as visões de Maomé resultaram de epilepsia.
        “Não podemos continuar a enfiar o dedo nos seus olhos e esperar que nos acolham”, declara Whitehouse. “Não podemos insultar o Islã e deixarmos isso assim. Se o fizermos, não somente falharemos em influenciá-los mas seremos atacados.
        “Não creio que o Islã seja satânico ou inerentemente maligno. Os muçulmanos adoram o único Deus verdadeiro, o Deus de Abraão, e acreditam num juízo final”, assevera Whitehouse.
Maomé Ensinava o Monoteísmo
        Maomé, explica ele, teve suas visões durante a “Era da Ignorância” (conhecida no mundo cristão como a “Idade Escura”), e como resultado chamou o seu povo para fora do hinduísmo politeísta e cristianismo politeísta que se estavam desenvolvendo em ambas as suas extremidades geográficas. (Durante os primeiros séculos posteriores a Cristo, alguns teólogos cristãos ensinavam que a Trindade era composta de três deuses e advogavam a inclusão de Maria na Divindade).
        “Creio que Maomé foi enviado para chamar o seu povo ao monoteísmo, para fazê-lo retornar às suas origens, num tempo em que o politeísmo estava florescendo por  todo o seu redor”, declara Whitehouse. “Ele não estabeleceu o Islã como uma reação contra qualquer movimento ou crença em particular. Antes, estabeleceu-o para chamar o povo ao único Deus verdadeiro”.
        Whitehouse crê ainda que desde que sua herança religiosa não é má, os muçulmanos não devem ter de renunciar a ela a fim de se tornarem adventistas. Tal crença é a pedra angular sobre que ele edifica o seu método evangelístico. Essa crença é também o ponto que se destaca e que causa controvérsia com os que acreditam que o evangelismo deve chamar as pessoas não só para Cristo, mas também para fora de culturas “pagãs”.
Verdadeiro Sucesso
        Duas comunidades em dois países muçulmanos separados servem para ilustrar as convicções de Whitehouse. Nessas comunidades, missionários americanos foram às cidades e assimilaram a cultura. Eles não entraram ali para viver em conjuntos habitacionais para missionários onde continuaram a parecer e a viver  como  americanos.  Uma vez que os muçulmanos não confiam nos americanos, esses missionários assumiram o estilo de vida muçulmano. Eles se vestem como muçulmanos (as mulheres até usam véu); comem como muçulmanos; observam os chamados dos muçulmanos para oração; freqüentam as mesquitas; participam em muitas das principais festividades e celebrações, tal como o jejum do Ramadã; revelam respeito pelo Alcorão e por Maomé; observam os costumes sociais muçulmanos.
        Sendo que  esses americanos vivem lado a lado com o Islã nos termos muçulmanos, atraíram a confiança. Os resultados têm sido sem precedentes. Na medida em que os nativos começaram a confiar nos estrangeiros, têm-lhes solicitado para ensinarem suas mulheres a ler. Sheiks têm começado a pedir a homens adventistas para lhes ensinarem a Torah. (O Alcorão ensina que as pessoas devem estudar a Torah. Também cita e reverencia todos os profetas do Velho Testamento e ensina que Jesus foi, talvez, o maior profeta de todos).
        Os adventistas têm sido capazes de utilizar o Alcorão para edificar uma ponte às Escrituras. Ao respeitarem as tradições culturais e religiosas do Islã, eles têm sido capazes de apresentar Jesus às pessoas como o Senhor e Deus. Todavia, essa introdução têm sido no contexto do Islã, não no contexto do cristianismo convencional. De fato, centenas de muçulmanos que ouviram Cristo sendo apresentado em seu próprio contexto têm crido e têm também aceito o sábado. Mas ainda vivem e agem e se parecem como muçulmanos. Em resumo, são adventistas muçulmanos, não conversos adventistas típicos.
Metodologia Criativa para o Batismo
        Os costumes sociais islâmicos têm carecido de meios criativos para lidar com ritos tais como o batismo. As mulheres muçulmanas não podem tocar nenhum outro homem, exceto seus próprios maridos. Conseqüentemente, os pastores não podem batizar mulheres islamitas. Em lugar disso, batizam os maridos, os quais, sendo cabeças espirituais de suas casas, batizam as mulheres em seus lares.
        “Não lhes ensinamos direitos humanos e a igualdade das mulheres do modo como percebemos essas coisas na América”, declara Whitehouse. “Eles descartariam as idéias. O evangelho alcança as pessoas em sua cultura, e precisamos aprender a ensiná-lo na cultura delas. Temos de levar a Cristo, não o cristianismo, aos muçulmanos”.
        De fato, famílias muçulmanas que têm aceito a Cristo começaram a apresentar atitudes diferentes uns para com os outros. Whitehouse vê o Espírito Santo como sendo responsável pela mudança de corações e atitudes desses novos crentes.
        “Ninguém jamais tentou criar uma teologia adventista dentro de um ambiente muçulmano antes”, observa Whitehouse. “Mas esta não é uma idéia humana; é o que Deus tem estado fazendo ao longo dos anos. Precisamos levar a Cristo para dentro das culturas existentes, caso o cristianismo deva exercer qualquer efeito”.
Adventistas ou Não?
        Devido à volatilidade de atitudes políticas, não é sempre possível para os missionários organizarem os novos crentes em grupos ou igrejas, muito menos relatarem batismos. Adicionalmente, alguns questionam se esses novos adventistas se ajustam realmente ao nome “adventistas do sétimo dia”.
        “A igreja está lutando quanto a como denominar esses conversos muçulmanos”, admite Whitehouse. Há, porém, crescente aceitação de tal diversidade como parte do processo de reunir pessoas em contexto e conduzi-las a crescimento espiritual e ao estabelecimento do Reino da graça em seus corações.
        Não é fácil determinar que práticas são estritamente culturais e quais são espirituais. Mas Whitehouse é firme em sua crença de que ninguém pode tomar decisões centrais arbitrárias que se apliquem a toda situação.
“Precisamos confiar no corpo de crentes em outros ambientes culturais”, declara ele. “Precisamos apoiar aqueles que estão ensinando os muçulmanos a respeito de Cristo”.
        O evangelismo dentro de uma cultura não é uma nova idéia. Whitehouse acredita que as palavras de Paulo aos coríntios são tão verdadeiras hoje como o foram em 55 AD, quando escreveu: “Cada um deve continuar como era quando aceitou o chamado de Deus. Você era escravo quando Deus o chamou? Não se preocupe com isso. Mas se você pode se tornar livre, então aproveite a oportunidade. Porque o escravo que foi chamado pelo Senhor é agora homem livre que pertence ao Senhor. Assim também, o homem livre que foi chamado por Cristo é escravo  de  Cristo. . . . Irmãos, cada um deve continuar diante de Deus assim como era quando Deus o chamou”. (1 Cor. 7:20-22, 24, A Bíblia na Linguagem de Hoje).
        Tal como os gregos não foram obrigados a adotar os costumes judaicos quando se tornaram cristãos, assim os muçulmanos não devem ter de deixar de ser muçulmanos, mantém Whitehouse.
        O êxito que essas duas comunidades de missionários expatriados está experimentando por apresentarem a Cristo dentro do contexto do Islã confirma a convicção de Whitehouse: o poder do evangelho é o de poder ir a toda nação, tribo, língua e povo sem remover as pessoas dos valores e culturas em que vivem.

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* Colleen Moore Tinker é editora executiva de Adventist Today e seu artigo foi extraído da edição de dita publicação, Vol. 5, no. 6, novembro/dezembro de 1997, págs. 10 e 11.




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