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O Islamismo E O Mundo Ocidental

prof. Azenilto G. Brito

 
        A partir de Maomé, com seu punhado de seguidores iniciais, o islamismo alcançou um total de adeptos que ultrapassa os 800 milhões. Distribuídos especialmente pela Ásia, África e Oriente Médio, os líderes do Islã, financiados pelos exportadores de petróleo, falam de conquistar o mundo para sua fé.

        Separar a política da religião nalguns países situados em locais estratégicos do mundo parece tarefa impossível. São as nações muçulmanas, muitas das quais mantêm um governo teocrático, impondo sobre seus cidadãos um regime de férrea disciplina moral, proibindo o jogo, as bebidas alcoólicas, a prostituição e até as músicas ocidentais.
        Embora no passado considerada uma religião de indivíduos e nações pobres, restrita aos beduínos do deserto ou povos do terceiro mundo, o maometanismo está a abrir novas mesquitas nas capitais européias para atender aos trabalhadores de nações muçulmanas que para lá imigram em busca de melhores oportunidades profissionais e econômicas.
        Na América, por outro lado, os muçulmanos negros dedicam-se a uma constante campanha de propagação de suas idéias e proselitismo entre indivíduos de cor, e seus discursos retumbantes e vendedores de literatura e incenso constituem cenas comuns aos que percorrem ruas centrais de Nova York e Washington.

Início e Difusão
        Tudo começou no dia 16 de julho de 622 da era cristã, quando o mercador árabe Maomé, fugindo dos que combatiam suas idéias em Meca, grande centro religioso e político dos árabes, refugiou-se em Medina, onde teve pronta acolhida de seus moradores. Era a chamada hégira (fuga) e desde então a fé muçulmana passou a ser progressivamente aceita e propagada entre as tribos do deserto árabe e os outros povos do Oriente e África.
        Após a morte de Maomé, mediante muitas guerras de conquista, os maometanismo tornou-se poderosa força política e mesmo econômica, logrando dominar vastas regiões, inclusive quase toda a Península Ibérica.
Maomé dizia-se mensageiro de Deus e demonstra em seus pronunciamentos que tivera contato com judeus e cristãos, dos quais extraiu vários conceitos refletidos no credo religioso de sua inspiração. Julgava-se o último de uma sucessão de profetas inspirados a começar com Adão e chega a dizer que ninguém poderá jamais apresentar princípios mais elevados do que os que constam de seu livro, o Corão, onde estão seus ensinos e representa uma espécie de “Bíblia muçulmana”. Logicamente, com isso não concordariam cristãos e judeus que em contestação logo apresentariam alguns dos sublimes pensamentos dos Salmos, Provérbios ou as máximas inigualáveis de Eclesiastes ou do Sermão da Montanha, bem como as exortações e profundidade teológica do apóstolo Paulo.
Seja como for, os princípios da religião muçulmana são simples, apresentando poucas exigências dos fiéis. Tem como princípio básico um monoteísmo sem reserva. Isso provavelmente deriva do combate de Maomé à prevalecente idolatria de seus concidadãos de Meca, então grande centro religioso árabe.
        Em Meca fica a Caaba, edifício que abrigava uma pedra de basalto negro tida por sagrada que constituía o ponto de atração religiosa máxima para os árabes. Em torno da Caaba os peregrinos davam sete voltas em antigo culto de características pagãs.
        A verdade é que Maomé sentiu dificuldade em tornar sua reforma religiosa tão efetiva a ponto de levar seu povo a abandonar tal prática arraigada. Em resultado, preferiu adaptar o ritual da pedra sagrada numa prática muçulmana que ainda leva milhares de peregrinos a circundá-la em busca das graças celestes.
Princípios e Costumes
        A abstenção total de bebidas alcoólicas, jejuns, abluções rituais e orações constantes estão entre os princípios morais mais destacados da teologia muçulmana. A absoluta submissão feminina é também requisito fundamental, ao ponto de, em alguns países muçulmanos, as mulheres serem obrigadas a só sair em público vestindo pesada túnica que lhes cobre todo o rosto, com exceção duma pequena abertura para apenas um olho. Isso tudo, somado a uma força política e econômica extraordinária, sobretudo após o acúmulo de riquezas dos países muçulmanos com os repetidos aumentos nos preços do petróleo, fazem do islamismo uma poderosa força religiosa, política e social a prevalecer sobre povos e terra em várias nações por todo o mundo.
        E que o pensamento muçulmano é expandir-se para novos territórios está claro dos pronunciamentos do líder dos muçulmanos shiitas do Irã, o aiatolá Khomeini: “O mundo será dominado pelo Islã. A República Iraniana será apenas o começo. Depois, trataremos de avançar em direção aos demais povos islâmicos do mundo. E, por fim, lutaremos pela evangelização e conversão que consagrarão a ressurreição da humanidade”.
Causas da Expansão
        Os estudiosos não chegaram a uma conclusão definitiva sobre as causas do grande avanço do islamismo em terras outrora cristãs. O norte da Áfica, donde procedeu, entre outros destacados pensadores cristãos, Santo Agostinho, era região de total domínio cristão. De lá partiram missionários para evangelizar outras terras pagãs. Contudo, hoje dificilmente um missionário cristão consegue autorização para percorrer aquela parte do mundo, outrora sob a influência da cruz.
        Segundo um estudioso do problema, “a doutrina de Maomé veio preencher os vazios deixados pelo judaísmo e cristianismo” na medida direta em que tais filosofias religiosas deixaram de desempenhar seu papel, recuando à idolatria, superstição e exclusivismo que os caracterizavam ao tempo do surgimento da nova fé oriental.
        Na verdade, a idolatria e animismo dos contemporâneos de Maomé, em sua Meca natal, não eram piores do que as práticas idolátricas e o tradicionalismo da Igreja na Idade Média. Atualmente, também o zelo religioso dos países islâmicos constrasta-se com o materialismo e imoralidade de muitas terras de tradição cristã. Com efeito, muitos muçulmanos se ressentem com a preocupação de entidades cristãs em enviar-lhes missionários, apontando aos problemas de corrupção moral prevalecentes no ocidente. “Por que não convertem seus próprios povos que vivem mergulhados no pecado, materialismo e crime?”perguntam aos que lhes tentam transmitir a mensagem do Salvador.
        Conquanto toda generalização seja injusta, a avaliação muçulmana do professo cristianismo hodierno não deixa de ter seu peso e deveria levar os cristãos ocidentais a refletir profundamente sobre o testemunho que dão ao mundo da fé que dizem professar.
Justiça Implacável
        Mas a justiça dos muçulmanos é implacável. A despeito de não contarem com um código de leis claro e objetivo, como os Dez Mandamentos bíblicos, os tribunais muçulmanos aplicam chibatadas em público aos adúlteros, cortam a mão a ladrões, fuzilam exploradores do lenocínio e apedrejam vítimas do alcoolismo, numa campanha de moralizaçao social a todo custo.
        O sistema governamental teocrático (com os religiosos como líderes máximos) é muitas vezes imposto em países muçulmanos, embora nenhum deles tenha demonstrado até agora as vantagens de tal sistema em termos de progresso e desenvolvimento econômico sobre os Estados seculares.
        Enfim, se há pontos positivos no maometanismo, carecem os seus adeptos de uma visão mais clara do plano divino para a salvação dos pecadores. O maometanismo é basicamente uma religião predestinista e que inspira a salvação pelas obras, impossibilidade a qualquer mortal sobre a Terra. Na falta de um conceito da graça divina e da expiação, como provida pela Bíblia que aponta a Cristo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o maometano busca obter paz com Deus e a eterna herança mediante seus freqüentes jejuns e orações, peregrinações e férreo apego às normas legais de sua fé.
        As obras não podem conceder a ninguém crédito perante Deus, pois as boas ações atuais não poderão jamais apagar as más ações anteriores. Somente um Substituto imaculado, isento de pecado, poderia pagar o preço da transgressão humana, e esse Substituto foi provido pelo próprio Deus na Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo. Esclarece o apóstolo Paulo que “Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a Seu tempo pelos ímpios. Dificilmente alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Romanos 5:6-8.
        “Todos pecaram—declara o mesmo apóstolo—e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23). E pelo fato de sermos pecadores estamos todos condenados à morte, já que “o salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23). A solução para este problema, o maior que todo ser humano enfrenta, não é tentar obter o perdão mediante boas obras, mas aceitar humilde e crente a oferta de amor que Deus nos faz, a saber, a dádiva de Seu Filho para que vivesse, morresse e ressuscitasse em nosso favor. Bem especifica o Evangelho: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
        Esta é a mensagem que deve ser transmitida ao mundo. Como cristãos, devemos crer nessas boas novas de salvação e compartilhá-las com outros. Sobretudo devemos praticar os princípios do cristianismo. Esta será a melhor maneira de contrarrestar ideologias que, por mais bem intencionadas que sejam, jamais poderão oferecer a solução ao problema do pecado e da morte, nem satisfazer o anelo de vida eterna.
        O mundo inteiro há de ser conquistado não mediante a força e com a prédica de princípios implacáveis de justiça, mas mediante o amor, que é a essência do cristianismo e do caráter perfeito de Deus.

[Transcrito de Sinais, (Pacific Press Publ. Assn), de julho de 1981, pags. 3 a 5.]

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Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura profazenilto@hotmail.com

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