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A BÍBLIA SAGRADA: INSPIRAÇÃO E EXATIDÃO

Prof. Azenilto G. Brito


         Escrita há milênios, a Bíblia Sagrada, livro básico dos cristãos (e também judeus), é muitas vezes ignorada em sua essência, até por professos seguidores  de Cristo. Dúvidas sobre a precisão de seus dados históricos ou integridade de sua mensagem com respeito ao texto original, após trinta e cinco séculos,  são suscitadas por muitos que desconhecem alguns pormenores de suas origens e conservação. Para os que a adotam como princípio de vida, porém, a Bíblia  é, e continua sendo, o “Livro dos livros”, fonte de fé, conforto e instrução.

        Antes do desenvolvimento da imprensa de tipos móveis, por Johann Gutenberg, por volta de 1455, a tarefa de preparar livros e reproduzir o seu conteúdo em novos volumes ficava a cargo de escribas que cumpriam à mão a penosa tarefa. Dentre estes, os mais famosos eram os judeus que se encarregavam de copiar os textos bíblicos. Esta tarefa, tida como das mais sagradas pelos escribas hebreus, era alvo das mais severas recomendações.
       Entre as várias recomendações, exigia-se deles que quando estivessem realizando o trabalho de copiar o texto sagrado, deviam ter o corpo plenamente limpo e utilizar o vestuário judaico completo. Havia ainda a ordem de “não escrever o nome de Deus com uma pena recém-molhada em tinta” e esta devia ser de cor preta. Os pergaminhos empregados deviam ser preparados com peles de animais sem defeito.
       Além das preocupações meramente exteriores, o mais importante para o pesquisador moderno da Bíblia é que o processo ‘que poderíamos chamar de “revisão de texto” era rigorosíssimo: cotejava-se a cópia manuscrita com o original,  contando-se o número de letras. O escriba sabia quantas consoantes havia em cada livro bíblico e qual era a letra que correspondia exatamente à sua exata metade. Diante de tanto rigor, seria impossível ter havido interpolações ou omissões comprometedoras no texto bíblico.
       Há cerca de meio século, o manuscrito bíblico mais antigo que se conhecia era um fragmento de papiro (planta da família das Ciperáceas, nos folhetos de cuja haste se escrevia) contendo os Dez Mandamentos e as palavras do livro mosaico de Deuteronômio, cap. 6 e versículos 4 e 5. Esse documento, conhecido como “Papiro Nash”, era datado de cerca do ano 100 antes de Cristo.
         Com a sensacional descoberta dos pergaminhos nas cavernas de Qumrán, proximidades do Mar Morto, em 1947, manuscritos bíblicos mais antigos foram trazidos à luz. Estudiosos têm debatido o tempo de antiguidade desses vários manuscritos e as avaliações variam desde o 5o até o 2o e 1o séculos antes de Cristo. Através desses famosos manuscritos, constatou-se que o texto moderno da Bíblia  que hoje manuseamos é seguramente o mesmo texto preparado pelos copistas  hebreus séculos atrás. Eles faziam todo empenho para preservar inalteradas as palavras dos profetas e salmistas, na certeza de que eram palavras procedentes de Deus.
        Estudos científicos têm demonstrado fatos narrados pela Bíblia como ocorrências sobrenaturais. Sob o fundo do misterioso Mar Morto, ruínas de grandes cidades têm sido sondadas, trazendo à lembrança a devassidão e orgulho descritos na Bíblia como característicos de Sodoma e Gomorra. A Paleontologia (ciência  que estuda animais e vegetais fósseis) e a Geologia dão testemunho de que o planeta viu-se em algum tempo coberto pelas águas de um enorme dilúvio, o que é comprovado pela tradição de diversos povos que lembram o episódio de Noé e sua arca, incluindo lendas do folclore indígena brasileiro.
        À parte das repetidas comprovações de sua exatidão histórica, a própria preservação do texto bíblico é algo sobrenatural. Em 1976, o Dr. Paolo Matthias e seus colaboradores encontraram em Tell Mardikh, na Síria, na antiga cidade de Ebla, 14.000 tabletes de argila correspondentes ao ano 2.300 AC, que confirmam de forma assombrosa a historicidade das Escrituras Sagradas. Os tabletes incluíam narrações sobre o Dilúvio e a criação do mundo, ratificam a antigüidade das leis registradas no Antigo Testamento, mencionam nomes de deuses pagãos e de cidades que também constam nas páginas bíblicas, e demonstram que os personagens das Escrituras tinham nomes usados correntemente em sua cultura e época.
        Semelhantemente a outras descobertas, esses tabletes, desenterrados após  quatro milênios, contribuem para fortalecer a fé nas Escrituras e silenciar novamente as críticas  dos seus oponentes. Como dizia artigo da revista Time, em longa matéria dedicada à Bíblia:
     Após mais de dois séculos enfrentando as mais pesadas armas científicas que têm sido levada a defrontar, a Bíblia sobrevive e está, talvez, levando a melhor sobre o cerco. Mesmo nos próprios argumentos dos críticos – fato histórico  – as Escrituras parecem mais aceitáveis agora do que o foram quando os racionalistas iniciaram o ataque. Acentuando um exemplos dentre muitos, o especialista em Novo Testamento, Bruce Metzger, observa que o livro de Atos foi outrora acusado de erros históricos quanto a pormenores que desde então se demonstraram corretos por arqueólogos e historiadores.
        A Bíblia tem uma divisão principal em duas partes–Velho e Novo Testamento. A primeira parte abrange o período compreendido desde a Criação até a era pós-exílica, ou seja, posterior ao cativeiro de Israel sob o reinado de Babilônia.
       O Novo Testamento parte dos dias que antecederam o nascimento de Cristo e alcança até os tempos da pregação do Evangelho–a mensagem cristã–a todo o Império Romano.
      Outras divisões da Bíblia são seus vários livros (30 do Velho Testamento e 27 do Novo), os livros em capítulos e estes em versículos. Essa divisão em capítulos é atribuída tanto ao Cardeal Hugo de Santo Caro (1.240 AD) quanto ao Arcebispo de Canterbury, Stephen Langdon, falecido em 1.228 AD). A divisão em versículos é atribuída a Robert Stephens, um hábil tipógrafo de Lyon, França, em 1.551 AD. Essas divisões muito facilitaram o manejo e estudo do livro sagrado.
        Há cem anos a Bíblia estava disponível em 72 línguas. Hoje pode ser encontrada, de forma completa ou suas porções, em mais de 2.000 idiomas. As Sociedades Bíblicas, entidades voltadas à tradução, publicação e difusão da Bíblia, opera em dezenas de países e territórios por todo o mundo mediante centros nacionais, agora tendo o desafio de atender os milhões de indivíduos das nações outrora comunistas, com governos que promoviam o ateísmo e eram hostis às atividades e publicações religiosas. Hoje a Bíblia circula livremente  nos territórios da antiga União Soviética e tem crescente popularidade na Mongólia, China, Albânia, países do Leste Europeu e Cuba.
      A Bíblia é um livro sem par em termos de influência. Em 1975 estimou-se que haviam sido impressos 2,5 bilhões de exemplares da Bíblia e a produção anual está em torno de 44 milhões. A distribuição atual da Bíblia é mais do que 17 vezes a de qualquer competidor secular. Muitas vezes testamentos ou livros individuais da Bíblia são impressos separadamente, e isso incrementa o domínio da Bíblia.
       Por recente iniciativa das Sociedades Bíblicas em diversas nações, produziu-se um texto das Escrituras em linguagem popular, tornando o seu texto mais fácil de ser compreendido. O método utilizado na tradução dessas Bíblias em linguagem moderna leva em conta o sentido do texto original e a expressão do mesmo em formas e estruturas de linguagem que o leitor possa compreender sem maiores dificuldades. Leva-se em conta aspectos de formação educacional dos diversos  territórios onde circularão. O vocabulário e a estrutura gramatical empregados englobam a linguagem comum a pessoas mais ou menos cultas, como explica Werner Kashel, um dos membros da Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil. Dita entidade lançou há alguns anos a edição de sua Bíblia na Linguagem de Hoje, em português falado no Brasil, que atingiu tiragem de 210 mil exemplares nos seus dois primeiros anos de existência.
        Vista com preconceito por alguns, mais acostumados à linguagem clássica das Bíblias tradicionais, as novas traduções têm sido bem acolhidas por muitos, que por meio de seu texto mais acessível passam a entender melhor a mensagem de Deus para o homem, que se poderia sumariar em três “atos” do grande drama da história universal–Criação, Queda, Redenção.
        Convém recordar que o Novo Testamento foi produzido na língua grega koiné, que, diferentemente do grego clássico, empregado em obras literárias e de estrutura gramatical sofisticada, trazia um texto de linguagem comum aos leitores de diferentes regiões do mundo greco-romano dos primeiros séculos da Era Cristã.
       Seja nas versões clássicas e tradicionais ou nas modernas, o estudo da Bíblia deve ser empreendido com a assistência do Espírito Santo, buscando-se alcançar a mensagem inspirada de Deus e aplicá-la à vida do leitor. Somente assim se obterão os benefícios deste extraordinário livro que continua sendo um indiscutível best-seller em qualquer idioma por todo o mundo.
__________

* Azenilto G. Brito é formado em Teologia, Jornalismo, tendo ainda um Mestrado em Letras--Língua Inglesa. É autor dos livros Cigarro, ComoApagar Essa Idéia, de edição própria, O Desafio das Drogas e O Desafio daTorre de Vigia, pela Casa Publicadora Brasileira, onde trabalhou como redator por mais de sete anos.
 
 

  Estudo Biblico:
  Examinando as Credenciais Bíblicas

 
  J. G. Whittier


  1.  Valerá a pena despender tempo e esforço para considerar se a Bíblia é inspirada? (João 12:48; João 5:24; Hebreus 2:3)

  2.  Acaso Deus convida à investigação de Sua Palavra?

  3.  Que credenciais a Bíblia oferece quanto a sua divina origem?

  a.  Ela responde as nossas indagações com respeito à origem da raça humana e seu destino (Gênesis 1:2, 26; Isaías 45:18; Romanos 8:18-21, 28, 29; 1 João 3:2, Apocalipse 1:7 e capítulos 21 e 22).
   b.  Ela explica a existência do mal (João 8:44; Lucas 10:18; Tiago 1:13-16).
  c.  Ela preenche as necessidades do coração humano (Mateus 11:28-30; 1 João 1:9; Romanos 8: 24, 25; 1 Tessalonicenses 4:13-18).
  d.  Revela conhecimento sobrenatural a respeito do futuro. A Bíblia declarou: o futuro dos impérios da Assíria e Babilônia será de completa desolação para sempre  (Isaías 13:19-22; 14:22, 23; Jeremias 50:13, 39, 40; 51: 26, 37, 43; Naum 3:7; Sofonias 2:13-15).
   * O futuro do Egito não seria de desolação, mas de degradação. O Egito deixaria de dominar sobre nações a despeito de seus séculos anteriores de supremacia (Ezequiel 29:15; 30:7).
  * Quanto aos judeus, o seu destino não seria nem a destruição, nem a degradação, mas a dispersão e perseguição (Ezequiel 22:15; Oséias 9:17; Amós 9:9; Deuteronômio 28: 25, 64; Levítico 26:33; Jeremias 9:16; Deuteronômio 28: 37, 46, 48).
  * Mesmo a sorte de famosas cidades antigas foi predita com precisão. Tiro devia ser destruída e nunca mais reconstruída (Ezequiel 26). Sidom experimentaria terrível guerra, contudo permaneceria (Ezequiel 28:20-23). Jerusalém seria destituída de seus habitantes judaicos e posta às mãos dos gentios até o fim do mundo (Lucas 21:24).
   * Nosso próprio tempo é claramente retratado (Mateus 24:6, 7, 14, 37, 28; Lucas 21:25, 26; Tiago 5:1-6; 2 Timóteo 3:1-7; 4:3, 4; Daniel 12:4).

   e.  A Bíblia revela uma unidade sobrenatural. Conquanto seja escrita por cerca de quarenta autores ao longo de um período de dezesseis séculos, ela é uniforme em seus ensinos e estrutura literária. O primeiro capítulo do Velho Testamento fala sobre um homem feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26). O primeiro capítulo do Novo Testamento fala de Deus feito à imagem do homem (Mateus 1:1, 20).
      A primeira pergunta de Deus no Velho Testamento é proferida quando Deus está em busca de um homem  (Gênesis 3:9). A primeira pergunta da humanidade no Novo Testamento é apresentada por ocasião de um homem  em  busca de Deus.
     Com respeito aos primeiros irmãos no Velho Testamento, lemos que um matou o outro (Gênesis  4).  Com  respeito aos primeiros irmãos no Novo Testamento, lemos que um conduziu o outro à vida eterna  (Mateus 4:18; João 1:40-42).
      Nos três primeiros capítulos da Bíblia lemos sobre um novo céu e uma nova Terra, o casamento do  primeiro Adão, a árvore da vida no Éden, e a entrada de Satanás, do pecado e da morte. Nos últimos  três  capítulos das  Escrituras lemos sobre a destruição de Satanás, do  pecado,  e  da  morte,  a  criação  de  um  novo  céu  e  uma  nova Terra, o casamento do segundo Adão, e a habitação do povo de Deus junto à árvore da vida—no Éden restaurado.
      Do Gênesis ao Apocalipse, os leitores estão seguindo o perímetro de um círculo dourado, e  finalmente são  levados de volta ao ponto em que começaram.

   f.  O estudo de história e da ciência da arqueologia confirmam a Bíblia. O Dr. R. D. Wilson, ex-professor de filologia semítica na Universidade Princenton, declarou:

  Cheguei à conclusão de que nenhum homem conhece o suficiente para atacar a veracidade do Velho Testamento. Sempre que há evidência documental suficiente para realizar uma investigação, as declarações da Bíblia nos textos originais têm resistido ao teste. (R. D. Wilson, Is the Higher Criticism Scholarly, pág. 10).
 

    * Dr. W. F. Albright, a maior autoridade em arqueologia bíblica em nosso tempo, referindo-se a certos pontos de vista críticos de alguns eruditos descrentes, assegurou:

  Os pontos de vista desses estudiosos têm sido categoricamente desautorizadas  por descobertas arqueológicas nos vinte anos passados. . . . Essa redescoberta da Bíblia muitas vezes conduz a uma nova avaliação da fé bíblica, que se assemelha extraordinariamente  à ortodoxia de tempos anteriores. (W. F. Albright, “The Bible After Twenty Years of Archeology”, Religion in Life, vol. 21, no. 4, 1952).

  g.  A experiência de cristãos confirmam a veracidade da Bíblia. Temos somente que ler as biografias de cristãos tais como Carey,  Adoniram Judson, Livingstone, Hudson Taylor, Susannah Wesley, George Muller, T. J. Barnardo, C. T. Studd, Moody, Charles Spurgon, Dr. Peer Marshall, Madre Teresa e do Dr. Billy Graham para descobrir evidências do Deus vivo, e total confiabilidade das promessas escriturísticas de Deus.

  “Oh, provai, e vede que o Senhor é bom;  bem-aventurado o homem que nele se refugia“ (Salmo. 34:8).
  


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