Examinando o que a Bíblia diz sobre a
Lei e a Graça-I:

Prof. Azenilto G. Brito
1 -  PODE ALGUÉM QUE FOI SALVO PELA GRAÇA VIR A PERDER A SALVAÇÃO?
2 - COMO EXPLICAR AS CONFLITANTES DECLARAÇÕES DE PAULO E TIAGO SOBRE
LEI E GRAÇA, FÉ E OBRAS?

        Vamos começar por dar resposta à segunda pergunta, nesta seqüência de 10 itens onde o tema proposto é bem analisado: O apóstolo Paulo claramente diz que a salvação é tão-só pela fé, sem qualquer mérito humano (Efés. 2: 8 e 9). O profeta Isaías já dissera que até nossas obras de justiça são meros “trapos de imundície” (Isa. 64:6). Nenhuma obra realizada pelo homem é aceitável a Deus, cuja lei é “perfeita” (Sal. 19:7), em termos de obter méritos para a salvação. Até nossas orações, um ato tão santo de fervor religioso, só conseguem ser ouvidas pela intercessão do Espírito Santo (Rom. 8:26).
 Mas após falar da salvação em nada dever-se às obras em Efésios 2:8 e 9, Paulo acrescenta no verso 10: “Somos feituras dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Jesus também declarou: “Se me amais, guardareis os Meus mandamentos” (João 14:15).
       Enfim, para um maior aprofundamento desta questão, veja a exposição abaixo e perceberá inseridas no texto as respostas a ambas as perguntas acima:

Introdução
       O tema da lei divina em confronto com o da graça não poderia deixar de surgir em matérias teológicas, páginas de ministérios de “apologia cristã” e confronto de idéias em fóruns evangélicos. Todavia, já que prometemos tratar do assunto, temos que primeiramente levantar esta indagação pertinente:
As leis do Velho Testamento são, de fato, caducas e não mais aplicáveis aos cristãos sob o novo concerto?
       A resposta é: Sim e não. Há leis que caducaram por cumprirem sua função prefigurativa, como as regras sobre ofertas de cordeiros e manjares, os sacrifícios e normas várias para sacerdotes e povo. Quando João Batista apontou a Cristo como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29) lembrava aos ouvintes o sentido dos muitos cordeiros sacrificados pelos israelitas como expiação dos pecados. Eram o antitipo do grande Tipo, Jesus Cristo.
       Contudo, se há leis de caráter temporário, também as há de caráter perene, que se caducassem trariam somente o caos a nível público e privado: “Honra o teu pai e a tua mãe”, “não matarás”, “não furtarás”, “não adulterarás”. . . Esses preceitos são lembrados pelos vários autores neotestamentários como normativos aos cristãos (ver Efés. 6:1 e 2; Tia. 2:8-10). Paulo deixa isso claro ao mostrar a validade de algumas regras e nulidade de outras para os cristãos em 1 Cor. 7:19: “A circuncisão em si nada é, e a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças [no grego entolon-???????-mandamentos, o mesmo termo básico empregado em Mat. 19:17 e 22:36] de Deus”.
       Em vista de alguns desses debates sobre o tema da lei e graça, fé e obras, sábado e domingo que temos examinado na Internet, e para expor mais didaticamente esta questão, abaixo a dividimos em dez tópicos expositivos, dez pontos que merecem séria ponderação dos que prezam a verdade acima de teorias humanas:
        1) Faz-se necessário que os cristãos entendam melhor os conceitos de justificação e santificação. A justificação é inteiramente pela fé e por ela é que se estabelece “paz com Deus” (Rom. 5:1). Significa a obra de Deus por nós para a salvação, centralizada na cruz de Cristo. Em conseqüência da aceitação desse fato, dá-se a regeneração, ou novo nascimento, iniciando-se daí o processo de santificação, que representa a obra de Deus em nós por conceder-nos o Seu  Espírito e derramar o Seu amor em nossos corações (Rom. 5:5). Trata-se de uma obra  vitalícia  de crescimento gradual e contínuo na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Ped. 3:18)—conseqüência, não base, da experiência de salvação.
       Conclusão: A obediência aos mandamentos da lei situa-se no campo da santificação, e não da justificação. Significa a aceitação de Cristo como Senhor após tê-Lo aceito como Salvador.

       2) O princípio da genuína obediência, que resume o teor de todos dos mandamentos divinos, é o amor. Assim Jesus resumiu (não substituiu) os mandamentos em a) amar a Deus sobre todas as coisas e b) amar ao próximo como a nós mesmos. Ele está citando declarações do Velho Testamento (Mat. 22: 34-36, cf. Deut. 6:5; Levt. 19:18).  O mesmo princípio básico de amor é também o do Seu “novo” mandamento: João 13:24.
       Conclusão: Sobre esse princípio moral do amor é que se constroem os concertos, tanto o novo quanto o velho (ver também Rom. 13:8-10). As leis divinas sempre, em todos os tempos, se basearam no amor.

       3) Eruditos evangélicos modernos e antigos, bem como confissões de fé históricas (inclusive alguns dentre os principais Reformadores) têm o Decálogo na conta de norma válida de conduta cristã. Em suas confissões de fé eles jamais alegam que a lei divina foi abolida, substituída por uma “lei de Cristo” (supostamente menos rigorosa) nem levantam a tese de que observar esses mandamentos seria estar apegando-se à “letra da lei” em lugar de inspirar-se apenas em seu “espírito”. Antes, definem as leis divinas como tendo preceitos cerimoniais, civis e morais.
       Entre as declarações eruditas e credos da cristandade com essas claras posições citamos o popular Dicionário da Bíblia de John Davis, a Segunda Confissão Helvética da Igreja Reformada, de 1566; os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra (de 1571) em seu Artigo VII; os Artigos de Religião Irlandeses (1615); a Confissão de Fé de Westminster (1647); a Declaração de Savóia das Igrejas Congregacionais (1658); a Confissão Batista de 1688 (Filadélfia) com base na confissão de 1677 de Londres; os Artigos Metodistas de Religião (1784); o Pequeno Catecismo presbiteriano, etc.
       Em hinários de batistas, presbiterianos, congregacionais, metodistas, etc., como o Salmos e Hinos, Cantor Cristão, Harpa Cristã, acham-se hinos de louvor a Deus falando da lei de Deus como norma vigente para todos. Um desses hinos chega a dizer: “Salvação por homens dada, paz fingida, paz comprada, lei de Deus falsificada, tudo rejeitai! Lei de Deus não muda, o Senhor ajuda a quem cumprir sem desistir. . .”
       Conclusão: Grandes eruditos cristãos e credos da cristandade sempre reconheceram os diferentes tipos e objetivos das leis divinas segundo seus aspectos civis, cerimoniais, higiênicos. São códigos diversos regidos pela lei moral básica, tal como a Constituição é a “Carta Magna”, base de toda a legislação civil com seus muitos códigos (Código Criminal, Código Comercial, Código Trabalhista, etc.). Os códigos podem ser abolidos e mudados, o que não interferirá na Constituição, enquanto se esta for alterada, afetará tudo o mais.    4) Certos expositores bíblicos fazem grande confusão em púlpitos, prelos e processadores de texto quanto ao tema da lei nas epístolas paulinas. Essa incompreensão é perigosa, à luz de 2  Ped. 3: 15 e 16. Não percebem o sentido das palavras do apóstolo Paulo quando fala negativamente sobre a lei em alguns textos, tratando, porém, dela noutros lugares em termos positivos e citando seus mandamentos como válidos. Isso se deve entender à luz dos conceitos de justificação pela fé e santificação. Vejamos estes paradoxos bíblicos:

       a) Textos em que Paulo trata “negativamente” da lei: Rom. 3: 20-24; 5:20; 6:14, 15; 7:6; 8:3; Gál. 2:16-19; 3:10-13; 5:4; Efé. 2:7, 8; 15.

       b) Textos em que Paulo confirma a validade da lei como norma de conduta para os cristãos e a exalta, dizendo que tem “prazer” na mesma: Rom. 3:31; 7: 7, 14, 22; 8: 4; 13:9-10; 7:19; Gál. 5:14; Efé. 6:1, 2.

       Como entender isso? A explicação é simples—aqueles que têm a lei como fonte ou meio de salvação, colocando-a na área da justificação, só podem estar sob a sua maldição pois “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rom. 7:7). Estes podem até vir a perder a salvação se antes estivessem firmados na graça: “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos  na lei, da graça decaístes” (Gál. 5:4). Deixando de confiar nos méritos de Cristo por incluir suas obras como meio de salvação, negam sua experiência de genuína fé na obra completa, perfeita e meritória de Cristo para a salvação de todo aquele que crê. Não responderia este texto a uma das perguntas que encabeçam este estudo?

       5) Dois episódios ilustram a harmonia entre a lei e a graça tanto no Velho quanto no Novo Testamento:

       a) No Velho Testamento: Ao proclamar solenemente a lei dos Dez Mandamentos no Sinai Deus declarou, antes mesmo de pronunciar o primeiro mandamento: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito” (Êxo. 20:2). Esta é uma revelação de Sua graça. Segue-se a enunciação da lei nos vs. 3 a 17.
       b) No Novo Testamento: Ante a mulher pecadora Cristo primeiro apresentou-lhe Sua graça perdoadora—“Nem eu tão pouco te condeno”. A seguir, apresenta-lhe a lei: “vai e não peques mais” (João 8:10, 11).

       Assim, a obediência aos mandamentos de Deus (obras) não contraria o princípio de justificação pela fé somente, antes é sua conseqüência, situando-se no campo da santificação. Daí a declaração do apóstolo Tiago: “A fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tia. 2:17, cf. Efé. 2:10).
       Conclusão: Como dois trilhos de uma ferrovia correm paralelamente e dão o equilíbrio necessário para o avanço da composição, assim se dá com a graça e a lei, a fé e as obras, a ação de Deus e a resposta do homem no processo de justificação, santificação até a glorificação final.     6) Longe de ensinar que o Novo Testamento representa um novo concerto sem a lei moral divina básica expressa no Velho Testamento, o autor de Hebreus mostra que aos que aceitarem  os termos do Novo Concerto (ou Novo Testamento) o próprio Deus escreveria a Sua lei em seus corações e a imprimiria em suas mentes (Heb. 8:6-10; 10:16). Paulo compara o cristão sob o novo concerto com uma “carta, escrita em nossos corações, conhecida por todos os homens  . . .   escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2 Cor. 3:1-11).
       No novo concerto, firmado sobre “melhores promessas”, Deus escreve a Sua lei nos corações dos que aceitarem os seus termos, tirando-a das frias tábuas de pedra para gravá-la nos corações aquecidos pela graça divina (ver Heb. 8:6). Note-se que essa “lei de Deus” é a mesma que constava da promessa original dirigida aos filhos de Israel em Jeremias 31:31-33 e não outra. O ônus da prova fica com quem negue este fato, claramente estabelecido nestes textos, além de Heb. 10:16, que confirma: Deus escreve a Sua lei nos corações de Seus filhos sob a nova aliança. Os leitores hebreus da epístola entenderiam isto perfeitamente.
       Conclusão: O contexto destas passagens (todo o capítulo de Hebreus 8 e 10) claramente define que se aplicam ao novo “Israel” de Deus, aqueles da dispensação cristã. Afinal, o novo concerto é agora disponível a todos, judeus e gentios, pois o muro de separação foi desfeito com a abolição da “lei cerimonial”—não da “lei moral” (Efé. 2:11 a 22). Portanto, o tema da lei divina não é coisa do Velho Testamento. Pelo contrário, é componente fundamental do próprio Novo Testamento, por certo em seus aspectos morais, não cerimoniais.

       7) Ocorre às vezes um claro equívoco sobre o sentido dos debates de Cristo com os líderes judaicos quanto à validade de suas curas no sábado. Jesus SE DEFENDE da acusação assacada contra Ele por fariseus, saduceus (e certos religiosos contemporâneos da cristandade) de que violava o sábado esclarecendo ser LÍCITO (em harmonia com a lei) curar no sábado (Mat. 12:12). O que Cristo condenava não era a prática do sábado por eles, pois Ele próprio era um observador desse mandamento (Luc. 4:16), mas o espírito errado em que o praticavam. Por   isso disse que “o sábado foi feito por causa do homem [não do judeu] e não o homem por causa do sábado” (Mar. 2:27), além de declarar-Se “Senhor do sábado” (Mat. 12:8).
       Conclusão: Os líderes religiosos judaicos não pervertiam o sentido só do mandamento do sábado, mas também do 5º. mandamento, por exemplo (Mar. 7:8-10), e a prática do dizimar  (Mat. 23:23) sobre que Jesus também os criticou. Cristo, porém, disse ao povo de Seu tempo que era para praticar o que eles diziam, embora sem seguir o mau exemplo deles de “faça o que eu digo, mas não o que faço” (ver Mat. 23:2 e 3).

       8) Há quem ensine que a “lei de Cristo”, ou Seus mandamentos (como em João 14:15), nada tem a ver com o Decálogo, ou Dez Mandamentos, sendo tal “lei de Cristo” a nova norma para os cristãos (como se Cristo tivesse rompido com o Pai estabelecendo lei diferente) que traz somente nove dos 10 mandamentos da lei “antiga”, “caduca”, etc.  Embora fale repetidamente da “lei de Cristo”, Paulo também fala da “lei de Deus” com igual força de validade (comparar Rom. 7:22, 25; 13:8-10; com Gál. 6:2 e 1 Cor. 9:21).
       Tiago fala da mesma lei como baseada no amor, e a chama de “lei da liberdade” (Tia. 2:8-12). João fala da lei de Deus e de Cristo como se fossem uma só e a mesma, sem distinção, ao longo de suas epístolas, 1 e 2 João (ver, por exemplo, 1 Jo. 4:19 e 2 Jo. vs. 5 e 6).
       No Apocalipse, o povo remanescente de Deus é caracterizado como os que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 12:17 e 14:12). João descreve uma visão que teve do Templo de Deus, dentro do qual contemplou “a arca da aliança” (Apo. 11:19). Aqueles que conhecem sua Bíblia sabem que nessa arca foram guardados os Dez Mandamentos (Deut. 10:1-5). Por que a João foi mostrada essa “arca da aliança” num contexto claramente escatológico? É que ela representa o trono de Deus que se assenta sobre a justiça (a lei) e a misericórdia (o propiciatório).
       Conclusão: A lei de Cristo e a lei de Deus são uma só e a mesma. Jesus declarou: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Ele acentuou o princípio do amor a Deus e amor ao próximo como base de Seus mandamentos segundo os mesmos princípios básicos da lei de Deus desde o princípio (Deut. 6:5; Lev. 19:18, cf. Mat. 22:37-40). Para Paulo, estar “sob a lei de Cristo” é comparável a estar em harmonia com a lei de Deus (1 Cor. 9:21).

       9) Também se ensina equivocadamente que na dispensação cristã, além de não mais serem os cristãos regidos pela “lei de Deus”, mas pela supostamente diversa “lei de Cristo”, há um novo conceito de observância do dia de repouso com a adoção de um novo “dia do Senhor”. Contudo, os que assim alegam só conseguem oferecer uma pobre argumentação sobre as justificativas bíblicas para observância do domingo, diante das origens pagãs desse dia espúrio e da falta de embasamento bíblico para tal prática.
       Os textos geralmente citados em defesa da observância do domingo (segundo enumeração de material do CACP—Centro Apologético Cristão de Pesquisas) são:

- “Ora, havendo Jesus ressurgido cedo no primeiro dia da semana (no Domingo)” (Mar.16:9).
- No Domingo Jesus apareceu para os seus discípulos (Mar.16:14).
- No Domingo, Ele os encontrou em diferentes lugares e em repetidas vezes (Mar.16:1-11; Mat.28:8-10; Luc.24:34; Mar.16:12-13; João 20:19-23).
- No Domingo Jesus os abençoou (João 20:19).
- No Domingo Jesus repartiu sobre eles o Espírito Santo (João 20:22).
- Ele primeiro comissionou para pregarem o evangelho a todo o mundo (João 20:21 e Mar.16:9-15).
- O Domingo tornou-se o dia de alegria e regozijo para os discípulos (João 20:20).

[Adicionalmente, há o argumento de que o Pentecoste ocorreu num domingo (Atos 2:1ss)].


       Vamos analisar rapidamente estas passagens:

A Ressurreição no Primeiro Dia da Semana:

       Os evangelhos falam apenas que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana e apareceu aos discípulos que nem sabiam do evento. Estavam “reunidos, com medo dos judeus” (João 20:19) naquele dia, e não celebrando o dia da Ressurreição. Em João 20:26 a cláusula “passados oito dias” poderia muito bem significar um período de exatos oito dias, o que daria uma segunda-feira como o próximo dia do encontro de Cristo com os discípulos. Não obstante, mesmo que tal dia fosse outro domingo, isso nada prova em favor da guarda de tal dia pois nada indica ser esta a razão de o dia ser mencionado, sobretudo quando nenhuma menção se faz de que houve alguma reunião comemorativa da Ressurreição em ligação com tal dia.
       O encontro entre Cristo e Seus apóstolos noutra ocasião ocorreu em dia não identificado, quando estavam pescando (João 21:4-7). Assim, não há nenhuma ênfase especial quanto aos dias em que Cristo aparecia, nem padrão de que tais aparecimentos ocorressem sempre no domingo por tal dia ter sido memorializado ou posto à parte como dia de santificado.
É bastante significativo que Lucas, 30 anos depois, relata que as mulheres que preparavam especiarias para o corpo de Cristo “no sábado descansaram, SEGUNDO O MANDAMENTO” (Luc. 23:56). Nada é dito de ser “o velho mandamento”, “o sábado da lei ultrapassada” ou coisa que o valha. Assim, para Lucas, três décadas depois da Ressurreição, o sábado do sétimo dia era o dia a ser observado “segundo o mandamento”, não o dia ao qual simplesmente chama “primeiro dia da semana”.
       Também é significativo que em Apo. 1:10, João se refere ao “dia do Senhor”, que alguns dizem tratar-se do domingo. Todavia, ao escrever o seu evangelho, na mesma época, refere-se ao dia da Ressurreição como simplesmente “primeiro dia da semana”, sem qualquer designação especial (ver textos citados acima).
       Tampouco o critério para estabelecer os princípios da lei divina quanto ao dia de observância é alguma “série de acontecimentos” em determinado dia. Não há a mínima indicação de que tais acontecimentos fizeram com que a lei de Deus fosse por isso alterada por um claro “assim diz o Senhor”.
       O único dia que nas Escrituras tem a designação especial de “Dia do Senhor” é o sábado do sétimo dia: Êxo. 20:11; Isa. 58:13; Eze. 20:12, 20. No Novo Testamento, o dia de que Jesus declarou-Se ser o “Senhor” é o sábado, não o domingo: Mat. 12:8 cf. Luc. 4:16.
 

Atos 20:7—A reunião no “sábado à noite”:
        Em Atos 20:7 é relatado que Paulo teve uma reunião de despedida “no primeiro dia da semana” que, porém, era o que consideramos “sábado à noite”. O dia dos judeus se inicia no pôr do sol. Por sinal, a tradução bíblica A Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil, refere-se ao episódio como tendo ocorrido num “sábado à noite”. A edição equivalente em inglês, Good News for Modern Man, o confirma chamando aquele dia “Saturday evening” [sábado à noitinha], o que também é afirmado em nota de rodapé no Contemporary English Version, da American Bible Society [Sociedade Bíblica Americana]. No contexto percebe-se que o “partir do pão” era apenas uma refeição regular (Atos 2:46) e não o rito da Santa Ceia (referência também indicada na mesma nota de rodapé acima mencionada da CEV). Ademais, Paulo passou a manhã de domingo seguinte viajando, em lugar de ficar para a  “escola dominical”. . .

1 Coríntios 16:2—As coletas a serem feitas em casa, não na igreja:

       Em 1 Cor. 16:2 há referência a uma instrução de Paulo de que os cristãos reunissem recursos para ajudar os pobres de Jerusalém, no primeiro dia da semana. Pelo original grego isso devia ser feito “em casa” (par hauto), não na igreja. Também é significativo que isso foi escrito pelo ano 55 a 57 AD. Não se dá ao dia nenhum título especial de “dia do Senhor”, sendo chamado meramente de “primeiro dia da semana”.

       10) No que tange às questões históricas relativas à observância do domingo, é verdade que há documentos dos Pais da Igreja que falam da adoção do domingo em lugar do sábado pelos cristãos. Eusébio, por exemplo, contemporâneo, amigo e apologista do Imperador Romano Constantino, declarou: “Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos para o dia do Senhor”—Commentary on the Psalms. Como, entretanto, não há registro bíblico de tal fato, sendo esta a tese da “tradição” católica, é de se lamentar que os evangélicos não se apercebam do engano e não atentem às palavras de Paulo profetizando o desvio dos ensinos bíblicos logo cedo pela igreja devido a alguns de seus líderes que corromperiam a fé original. Disse ele em Atos 20:29, 30: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles”. Vê-se que a apostasia da religião cristã começou bem cedo. Mais tarde Paulo indica que “o mistério da iniqüidade já opera” (2 Tess. 2:7).
       João, por seu turno, se queixa que os cristãos de Éfeso haviam abandonado o “primeiro  amor” e a “prática das primeiras obras” (Apo. 2:4, 5). Aos crentes de Esmirna ele menciona os que são “da sinagoga de Satanás” atuando em seu meio (vs. 9), para Pérgamo menciona “os que sustentam a doutrina de Balaão” (vs. 14), e a Tiatira condena o tolerarem  que  uma  “Jezabel . . . falsa profetisa” seduzisse a muitos com doutrinas pervertidas (vs. 20), e assim por diante.
       Todavia, sempre houve os que preservaram a verdade a despeito de toda essa corrupção da fé original. Uma reportagem da revista secular National Geographic Magazine, citando palavras de Edward Gibbon  em sua clássica obra O Declínio e Queda do Império Romano, expõe que “os etíopes dormiram quase mil anos, alheios ao mundo pelo qual foram esquecidos”. Daí, prossegue a reportagem historiando que “Duzentos anos se passaram para o cristianismo tomar pé em Aksum, mas hoje mais da metade de todos os etíopes são cristãos, cerca de 30 milhões de pessoas. Sua fé, por ter sobrevivido aqui por mil anos, é uma singular fusão de ensinos do Velho e Novo Testamento. Grande devoção é revelada pela Virgem Maria, por exemplo, contudo, até hoje os costumes dos ortodoxos etíopes fazem eco à lei judaica, requerendo que as igrejas circuncidem suas crianças do sexo masculino no oitavo dia, descansem no sábado, e se abstenham de carne de porco”.  Artigo: “Keepers of the Faith-The Living Legacy of Aksum”, por Candice S. Millard, Op. Cit., julho de 2001, pp. 115 e 122
       O erudito adventista, Dr. Samuele Bacchiocchi, fez profunda pesquisa sobre o tema das razões da mudança da observância do sábado para o domingo ao ser o primeiro (e aparentemente único) não-católico a seguir um programa de doutoramento na Pontifícia Universidade Gregoriana, do Vaticano. Ele produziu sua tese doutoral sobre o tema intitulada Do Sábado Para o Domingo que chegou a ser publicada pela gráfica da instituição, com o devido Imprimatur da Igreja Católica. Tal livro está traduzido ao português e o temos completo, em sua versão eletrônica.
       No seu livro o Dr. Bacchiocchi demonstra como, dada a influência do anti-semitismo, sobretudo sob o imperador romano Adriano pelo ano 135 AD, os cristãos foram adotando o “venerabili dies solis” do paganismo romano para substituir o sábado. Não queriam ser confundidos com os judeus e por isso foram trocando o dia gradualmente, sendo esta a verdadeira origem da observância do domingo. O mesmo se passou com a data da Páscoa judaica, em 14 de Nisã, trocado pelo “domingo de Páscoa”, na famosa controvérsia Quatrodecimana registrada pela História e que provocou a excomunhão de milhões de cristãos orientais pelo Papa Vítor (ca. de 191 AD).
       Ninguém fez pesquisa melhor, mais completa, mais realista, dentro do próprio ambiente de documentação indesmentível e inédita da biblioteca vaticana. Vale a pena conhecer os resultados de sua pesquisa, que fez com que até merecesse uma medalha de ouro da parte do Papa Paulo VI pela qualidade de seu trabalho acadêmico. Trata-se da medalha que todos os alunos que se destacam recebem. Bacchiocchi conseguiu a distinção acadêmica suma cum laude e por isso fez jus à  medalha papal, mesmo que provando o erro da Igreja Católica em adotar a guarda do domingo, em lugar do sábado do sétimo dia, costume seguido pela maioria da igrejas protestantes, infelizmente.
       Por que um erudito adventista do sétimo dia foi enfiar-se por cinco anos dentro da mais importante universidade católica do mundo? Só há uma explicação: o anseio pela verdade e uma porta que Deus lhe abriu para esse mister. À semelhança de Mardoqueu, José no Egito, Daniel, Neemias e tantos outros heróis bíblicos que atuaram dentro do sistema do erro para fazer refulgir a verdade e defender os melhores interesses do povo de Deus, Bacchiocchi, o primeiro e único não-católico a valer-se do privilégio, demonstra pela Bíblia e pela história o fato bíblico de que o sábado do sétimo dia é o “dia do Senhor” e não há outro.
       Os que desejarem mais material a respeito da pesquisa do Dr. Bacchiocchi basta manifestar o interesse e mandamos vários artigos onde isso é exposto em maiores detalhes. Por outro lado, quem desejar mais algum esclarecimento sobre o exposto acima pode enviar-nos sua pergunta ou comentários, mesmo que seja discordando de algum ponto. Toda correspondência merecerá nossa maior atenção. Afinal, o próprio Deus convida: “Vinde, pois, arrazoemos, diz o Senhor” (Isa. 1:18). Podemos aprender uns com os outros para juntos crescermos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Ped. 3:18).
 Prof. Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
Bessemer, Ala. EUA


Artigo Relacionado:
 “Tiros” Interpretativos Que Saem Pela Culatra

 Certas passagens bíblicas, utilizadas para defesa de algumas teses, na verdade ensinam exatamente o contrário de como alguns apologistas as interpretam. Este artigo apresenta vários exemplos disso.

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Testemunhos de eruditos católicos sobre os livros do Dr. Bacchiocchi a respeito da questão sábado/domingo:
       “Pode dar-se o caso de que uma das formas mais poderosas de antijudaísmo na igreja hoje seja a própria estrutura de sua liturgia. Daí Do Sábado Para o Domingo deve ser bem acolhido como uma nova e bem fundamentada pesquisa para levantar discussão nesta área vital. É um campo de estudo que merece nossa atenção. E não se poderia encontrar um melhor ponto de início para tal exploração do que o último volume do Dr. Bacchiocchi. Eu grandemente o recomendo.

John T. Pawlikowski, OSM, Ph. D.,
Chefe do Departamento de Estudos Religiosos
União Teológica Católica, Chicago
 “Em Do Sábado Para o Domingo o Dr. Bacchiocchi tenta assegurar a gênese histórica da observância do domingo mediante uma investigação exaustiva de fatores judaicos, pagãos e do cristianismo primitivo que para isso contribuíram. As suas descobertas são significativas e merecem a cuidadosa consideração de todos”.

Thomas A. Krosnicky, S. V. D. DSLit.,
Diretor Executivo da Comissão Sobre Liturgia dos Bispos Católicos

“A advertência foi lançada, o domingo está em dificuldade. . . . A fim de obter uma perspectiva muito necessária sobre esta questão, uma leitura prática e que vale a pena de Do Sábado Para o Domingo é muito necessária”.

Thomas G. Simmons, Diretor de “Catholic Divine Worship”
Análise Crítica, Modern Liturgy Magazine
 

Divine Rest for Human Restlessness [Divino Repouso Para Uma Humanidade Sem Descanso-outro dos livros do Dr. Bacchiocchi sobre o sábado (ainda não traduzido ao português)] convida todo leitor a uma análise penetrante e sugestiva da tradição e significado da observância sabática”.

Reverendo Cardinal Joseph L. Bernardin
Arcebispo de Chicago
 

Testemunhos de eruditos evangélicos sobre os livros do Dr Bacchiocchi a respeito da questão sábado/domingo:

“Do Sábado Para o Domingo é uma peça de pesquisa integral e exaustiva que todo investigador no futuro levará em consideração”.

Bruce M. Metzger, Professor de Novo Testamento
Seminário Teológico de Princenton

“Do Sábado Para o Domingo é notável realização ecumênica. Após ler esta sólida peça de pesquisa qualquer pessoa razoável deve questionar a aceitação fácil e acrítica do domingo como o Dia do Senhor”.

Marcus Ward,
The Expository Times, Inglaterra

 “Do Sábado Para o Domingo remonta ao cristianismo primitivo de modo bastante sério e demonstra como e por que os cristãos mudaram o seu dia de adoração do sábado para o domingo. . . . As pessoas que se consideram muito distanciadas desses assuntos descobrirão algo aqui ou ali neste livro que as conduzirão a um novo entendimento da adoração”.

Martin E. Marty, Ph. D., Prof. História Eclesiástica, Divinity School, de Chicago
Análise Crítica, The Christian Century
 

“A destacada erudição de Do Sábado Para o Domingo é, logicamente, evidente de imediato. Eu admiro a clareza de pensamento e a maestria na utilização de material relevante. Revela verdadeiramente uma metodologia científica.  O livro estimulará um reexame de tradições há muito estabelecidas. Representa uma contribuição muito criativa para o cristão que em toda parte tem necessidade dos valores espirituais inerentes ao sábado. Todos somos devedores ao Dr. Bacchiocchi por sua verdadeiramente importante e, creio, oportuna obra”.

Norman Vincent Peale
Autor do best seller, O Poder do Pensamento Positivo
 

“Do Sábado Para o Domingo é um tratado bem pesquisado e bem escrito que combina erudição, devoção e um espírito irênico. . . . As implicações são chocantes, não só quanto à questão sábado/domingo em si, mas também dada a questão mais ampla das relações entre os Velho e Novo Testamentos”.

Don A. Carson, Ph. D.
Editor do simpósio “From Sabbath to the Lord’s Day”
 

“Independentemente da orientação eclesiástica de qualquer pessoa, esta encontrará em Do Sábado Para o Domingo do Dr. Bacchiocchi uma obra muito impressionante e de auxílio, de erudição de primeira ordem. Ele pôs o mundo inteiro a seu débito. . .”

Vernon C. Grounds, President,
Seminário Teológico Batista Conservador de Denver, Col. EUA.
 

Análises críticas de Divino Repouso Para Uma Humanidade Sem Descanso—outro dos livros do Dr. Bacchiocchi sobre o sábado (ainda não traduzido ao português):

“Divine Rest for Human Restlessness é um tratamento definitivo do mandamento mais negligenciado da cristandade”.

Análise Crítica, Christianity Today
 

“Uma leitura detida de Divine Rest for Human Restlessness pode mudar sua vida para melhor.”

Robert T. Fauth, President
Seminário Teológico Eden
 

Obs.: Para informação sobre como adquirir o livro do Dr. Bacchiocchi Do Sábado Para o Domingo em português podem consultar-nos no e-mail .

Se desejar se comunicar com o autor, mande um e-mail para o link em baixo:

Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
otabrito@aol.com

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