O PRIMEIRO DIA NO CÉU

Prof. Azenilto G. Brito

Em nosso primeiro dia no céu, como diz aquele bem conhecido “Negro Spiritual”, defrontaremos muitas surpresas. Imaginemos dois recém-chegados que se empenham numa animada conversação, ainda emocionados com o inusitado ambiente cheio de novidades por toda parte: ruas de ouro, portais de pérola, bosques verdejantes, lagos cristalinos.  . .

Ao conversarem, descobrem que procedem da mesma cidade, digamos, Belo Horizonte, MG.

O primeiro santo dirige-se ao segundo: “Então você era de Belo Horizonte como eu? Certamente os horizontes aqui são muito mais belos, não é verdade? Mas que coincidência de nos termos encontrado no primeiro dia aqui neste bendito lugar. . .”

“É verdade, meu concidadão desta maravilhosa e gloriosa pátria celeste. Mas, conte-me como foi sua experiência na vida que o trouxe até aqui. . .
“Bem, sabe, eu era um grande pecador e cometi muitos erros na vida. Mas um dia, aceitei o evangelho, arrependi-me de meus pecados e os confessei, e pela graça do Todo-Poderoso aceitei a meu Salvador, e agora estou aqui desfrutando as glórias deste Paraíso inigualável. Não fosse exclusivamente pelo favor imerecido do Alto eu não estaria aqui, mas seria cinzas,(1) como as que estão sob os nossos pés. Agora, conte-me como foi a sua experiência. .

“Oh, eu também dependi da graça divina, mas não tanto como no seu caso pois contei com ela apenas para o perdão de meus pecados passados. A partir disso obtive assistência celestial em desenvolver um caráter perfeito e assim alcancei a perfeição ontológica, ao ponto de até orar o Pai Nosso numa versão mais curta: eu não precisava dizer—‘perdoa as nossas dívidas’—uma vez que não tinha mais dívidas a serem perdoadas. . . .
“Sem dúvida fazer a oração do Pai Nosso mais curta economizava bastante tempo, dependendo de quantas vezes a proferia, não é mesmo? Mas fale mais dessa sua bela experiência. . .”

“Oh, sim, eu economizei muito tempo pois orava muito. E não me inibia de parar nas praças e esquinas e orar em voz alta, dando a outros o testemunho do que é uma vida de oração de quem está se santificando mais e mais. E sendo que eu nada mais tinha a fazer naquele ambiente cheio de pecadores e cristãos imperfeitos, não me restava senão ter assegurado um lugar aqui. . . .

“Ademais, comparando nossas experiências, eu diria que, sendo que você dependeu totalmente da misericórdia divina e nunca atingiu a perfeição, sinto-me inclinado a pronunciar as palavras de Isaías: ‘Não te achegues a mim, porque sou mais santo do que tu’. Agora, com a
sua permissão . . .”(2)

 Isso, porém, ocorreu na divisão celestial dos salvos ao tempo da “dispensação da graça”. Uma alta montanha dividia a seção dos que viviam na “dispensação da lei”—os que foram salvos ao tempo do Antigo Testamento.

Lá também dois dos santos conversam: “Então, meu irmão, quer dizer que você era do tempo de Davi? Pois eu fui da época de Jeroboão, e tive a tristeza de ver a nação de Israel dividindo-se em dois reinos—do norte e do sul”.

“Pois é, foi uma lástima ter acontecido aquilo, mas o importante é que, a despeito de sermos de povos que se confrontaram nesse conflito, estamos agora aqui unidos, não é verdade?”

“Bem, temos essa divisão dos salvos pela graça e dos salvos pelo regime da lei, o que também me parece estranho. Eu esperava que não houvesse tais divisões aqui no céu”.

“É mesmo, e entre os que viveram na ‘dispensação da graça’ há ainda os que foram salvos pela misericórdia divina, lá do Distrito dos Humildes, e os que conseguiram a perfeição ontológica por seus próprios esforços. . .

“Deveras, mas conte-me quantos sacrifícios teve que fazer para ganhar o seu lugar aqui no céu. Eu gastei uma fortuna com sacrifício de bois, e vacas, e touros, e bezerros, e bodes, e cordeiros. . .”
“Bem, eu era pobre e não tinha meios de adquirir tantos animais assim. Mas havia os sacrifícios para os pobres, de pombas e rolinhas, contudo, eu muitas vezes nem tinha dinheiro para sequer comprar esses animaizinhos mais baratos”.

“Então, como fazia, meu irmão?”

“Eu saía em caça dessas aves, e o que armei de arapuca para apanhar pombas e rolinhas, nem imagina. . .”

“Puxa, ainda bem que havia essa provisão para os pobres, e até os pais de Jesus, que eram pobres, puderam oferecer no Templo esses animaizinhos mais em conta. . .”(3)

“É mesmo! E que sorte dos cristãos, depois, já que o sistema de sacrifícios de animais cessou. Principalmente mais tarde na história, quando o preço desses animais subiu tanto”.

“Pois é, além de ser difícil conseguir animais perfeitos. E a certa altura ficou até perigoso lidar com esses bichos”.

“Perigoso por quê?”

“Ora, não ouviu falar das pragas de febre aftosa, doença da vaca louca e da gripe das aves que afetou o planeta nos tempos finais da história? Ficou cada vez mais difícil encontrar animais perfeitos para sacrifícios”.

“Oh, de fato! Foi muita sorte que o sistema de salvação por prática das leis cerimoniais terminou. Decerto, pertencer à era cristã saía bem mais em conta para se conseguir a salvação. . .”

“Bem, não sei não. . . E o dinheiro todo que alguns cristãos investiam em missas do 7o. dia, 1 mês, 1 ano para apressar a saída de seus parentes do Purgatório?”

“Mas essa teoria é discutível. . . Você conheceu aqui alguém que veio do Purgatório depois de tanto pagamento em intenção de suas almas?”

“Para dizer a verdade, ainda não. Todavia, a gente chegou há pouco aqui, hoje é nosso primeiro dia. . . Quem sabe vamos ficar conhecendo com o passar do tempo”.

“É mesmo, afinal temos toda a eternidade para nos conhecer uns aos outros. . .”

“Até mais, compadre, pois hoje temos a reunião mensal da lua nova (4) e vamos ouvir o coral dos salvos do paganismo. Esse é um grupo muito especial, dos que não conheceram nada sobre Jesus pois viviam fora do círculo religioso de cristãos e judeus”.

“Ah, sim, é verdade. . . Eu ouvi falar que eles têm um belíssimo hino de louvor onde fazem a pergunta: “Que feridas são estas nas Tuas mãos?”

“Pois um anjo me contou que no sermão do próximo sábado Jesus vai dar a resposta à pergunta deles e dizer: (5)
‘Estas são feridas com que fui ferido na casa dos meus irmãos’”.(6)
“Muito lindo pensar em tantos que, por pura misericórdia divina, sem conhecerem plenamente o evangelho, foram salvos porque tinham a lei da consciência que lhes apontava ao Criador e Seu amor. Soube que o Apóstolo Paulo discutiu isso em uma epístola que escreveu aos romanos”.(7)
“Isso mesmo. . . Bem, meu irmão, até mais. A gente se vê outra vez por aí, junto a algum dos parques floridos às margens do rio da água da vida,(8) quando houver um piquenique de junta-panelas num sábado à tarde”.

“Está bem, vamos ver se até lá encontramos alguém que veio do Purgatório para nos contar como foi a vida deles por lá. Acho que se for verdade essa teoria, deve haver os que sofreram mais e os que sofreram menos para pagar suas culpas”.

“Pois é, tudo dependeu de quanto seus parentes investiram neles, Para muitos as coisas puderam ser bem mais fáceis do que para outros. . .”
“Sem dúvida. Bem, um abraço, e até mais. . .”

________________

1 Malaquias 4:1-3
2 Isaías 65:5
3 Lucas 2:23
4 Isaías 66:22, 23
5 Isaías 66:22, 23
6 Zacarias 13:6
7 Romanos 2:14-16
8 Apocalipse 22:1
 
 

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