A Cruz Mágica de Uma Trave Só, e na Horizontal! . . .

Prof. Azenilto G. Brito

       Há certos religiosos que têm como ensino sobre o instrumento de tortura de Cristo o ter sido uma cruz de uma trave só. Aliás, seria uma “estaca de tortura”, na referida teoria.

       Historicamente, os cristãos concebem e desenham a cruz de Cristo como um instrumento com duas traves, uma no sentido vertical, com uma extremidade plantada sobre o solo e a outra apontando para o céu, cruzando-a o segundo pau em sentido horizontal acima da metade do poste vertical, e nele fixo. Pregadores e autores cristãos muitas vezes têm ilustrado essas traves da cruz como representando a ligação criatura-Criador (a trave vertical), e criatura-criatura (a trave horizontal). Por sinal, a Confissão de Fé de Westminster, documento adotado há séculos por presbiterianos, congregacionais e outros cristãos, define mesmo que os primeiros quatro mandamentos do Decálogo têm que ver com nossa responsabilidade para com Deus, e os últimos seis, nossa responsabilidade para com os semelhantes.

Contudo, alguns parecem esquecer-se das belas lições que tais ilustrações nos propiciam e preferem uma cruz de uma trave só, mas, por incrível que possa parecer, é a trave HORIZONTAL. Agora, como a trave horizontal da cruz pode ficar no lugar sem a vertical para lhe dar sustentação, é realmente algo “mind boggling”, como diriam os americanos (de fundir a cuca). . . Mas nestes tempos de exaltação de coisas mágicas e sensacionais, com a avalanche dos livros e filmes da linha Harry Potter, uma cruz com somente a trave horizontal suspensa no ar talvez possa até parecer plausível para alguns.

Por que dizemos isso? É que alguns apresentam o tema dos mandamentos divinos como aplicando-se no Novo Testamento somente à parte do “amor ao próximo”, sem mais qualquer ênfase ao aspecto do “amor a Deus sobre todas as coisas”. Portanto, somente a “trave horizontal”, o relacionamento criatura-criatura, é que constitui a norma de conduta cristã.

       Será que o apóstolo Paulo em Romanos 13:8-10 estaria querendo inaugurar uma nova religião com ênfase somente em “relações humanas”, puramente a nível horizontal, destituída de qualquer conceito vertical—ou seja, a relação com o Criador? Não parece ser este o Paulo que fala tanto no devido relacionamento do cristão com o seu Deus. “Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus”, afirmou ele eloqüentemente sobre sua própria experiência cristã, escrevendo aos coríntios (2 Cor. 2:17).

Por outro lado, como poderia Paulo recomendar: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”, sendo que Jesus ensinou os dois tipos de relacionamento ao tratar do tema da lei divina, sintetizando-a em “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a nós mesmos”? Eis Suas palavras textuais: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Mateus 22:37-40.

Aliás, Cristo deu a entender até que o mandamento do amor a Deus é prioritário em Mateus 10:37, pois disse que quem amasse mais pai, mãe, irmão, amigo do que a Ele, Dele não seria digno. Ademais, os promotores desse verdadeiro 'samba do mandamento só' simplesmente não sabem explicar como e por que teria desaparecido o mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas. Será que, a exemplo do ato das vacas magras do sonho do Faraó, foi engolido pelo de amor ao próximo?

É claro que o fato de Paulo somente ressaltar alguns mandamentos do Decálogo em Romanos 13:8-10 NÃO EXCLUI os princípios desse mesmo código a que ele se refere parcialmente, citando os mandamentos “não adulterarás”, “não furtarás”, “não darás falso testemunho” e “não cobiçarás”, e a seguir declara: “e se há algum outro mandamento. . .”. Bem, para os intérpretes desse ‘samba do mandamento só’ parece que Paulo estaria preocupado somente com “algum outro mandamento”, desde que não seja um que trate do relacionamento criatura-Criador, isto é, seriam somente aqueles da “segunda tábua”, como se costuma dizer—os mandamentos do “amor ao próximo”.

       Mas seria interessante recordar que o mesmo Paulo comenta em 1 Coríntios 7:19: “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas o que importa é observar os MANDAMENTOS DE DEUS”. Ele aí não se preocupa em que setor da lei divina está concentrando sua atenção. É verdade que a expressão “mandamentos de Deus” não se restringe aos Dez Mandamentos, como alguns fazem questão de acentuar. O que essas pessoas se esquecem é que, se não se limita ao Decálogo, também não o exclui!

Também João deixa claro que sem o amor a Deus, não há possibilidade de genuíno amor ao próximo “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. I João 5:2.
 


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