10 DESCULPAS ANTI-SABÁTICAS E AS INSUPERÁVEIS
DIFICULDADES QUE REPRESENTAM
& Analisando Ensinos Bíblicos  &

Prof. Azenilto G. Brito

       Vejamos uma enumeração das mais freqüentes “desculpas esfarrapadas” que se apresentam para justificar a negligência do 4o. mandamento da lei divina com 4 “dificuldades” para cada argumento. Começaremos destacando os argumentos dos adeptos da filosofia mais “user friendly” de dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo (ou das teses de “lei totalmente abolida”, ou assemelhadas), com um argumento final dos que defendem que o domingo tomou o lugar do sábado a partir da ressurreição de Cristo:

1) - O “argumento do silêncio” sobre Adão, Noé, Abraão não terem observado o sábado porque a Bíblia não diz diretamente que o fizeram.

Obs.: Mas eles observaram o sábado sim, pois observaram os mandamentos ou seja a lei de Deus que inclui o sábado. Gen. 26:5
O propio mandamento mostra que era uma coisa já ordenada, pois nos outros mandamentos Dues somente disse não matarás, não isso, e não aquilo, mas no 4o. mandamento, Ele disse para se lembrarem, pois já estava dito. Você não pode se lembrar de uma  coisa que não tenha sido dito antes.

Gen. 26:3
5 “porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.”
Jer. 35:16
16  “Os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, guardaram o mandamento de seu pai que ele lhes ordenou, mas este povo não me obedeceu;

Êxpdo 20:8
8 “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.”

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  Este tipo de argumentação “do silêncio” é paupérrima em favor ou contra qualquer idéia. Na mesma base pode-se “provar” até que eles seriam batedores de carteira nas horas vagas, pois não consta em parte alguma que devessem respeitar os termos do mandamento “não furtarás”.

b) O sábado deriva do Éden pois Deus não só criou propositalmente o mundo em seis dias, cessando Sua atividade no sétimo para deixar um memorial da Sua obra criativa, como abençoou, e santificou o sétimo dia separando-o para uso sagrado.

c) No texto do mandamento do sábado há clara referência ao fato da Criação, confirmando essa “santificação” (separação) do sétimo dia por Deus (ver Êxodo 20:8-11). Como Deus é absolutamente santo, Ele não precisaria santificar o dia para Si, e se o fez foi para o homem, para seu benefício físico e espiritual.

d) Jesus Cristo confirma o dito acima ao dizer que “o sábado foi feito por causa do homem” [não só do judeu] (Mar. 2:27) e isso devia liquidar a questão. Para os teimosinhos que insistem em negar as palavras de Cristo, lembraria que Ele também referiu-se ao estabelecimento do casamento “no princípio”, e certamente não falava de casamento só para judeus pois o termo “homem” em Mateus 19:5 é anthropós, como também ocorre em Marcos 2:27 (cf. Mateus 19:4, 5 e Marcos 10:6) .

2) - O argumento da não divisão das leis bíblicas em morais, cerimoniais, civis, etc., formando todas um só “pacote” legislativo, findando tudo na cruz (alguns até dizem que findou com João por não entenderem Lucas 16:16, “A lei e os profetas duraram até João”).

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  A falta de terminologia “técnica” sobre isso pode parecer um fator determinante para alguns. Mas esses deviam, então, desistir de crer na Trindade. Em parte alguma a Bíblia traz tal palavra, ou expressões como Personalidade do Espírito Santo, teocracia,onisciência, onipresença, onipotência. Tampouco aparecem outros termos como milênio, ascensão, predestinação. . .

b) Paulo fala de mandamentos que valiam, mas não valem mais, e mandamentos que importam serem obedecidos: “A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é; o que importa é observar os mandamentos de Deus” (1 Cor. 7:19). Assim, ele está reconhecendo tal distinção.

c) Tanto confissões de fé históricas das Igrejas evangélicas protestantes quanto grandes eruditos e próceres (do passado e do presente) nesse meio admitem tal divisão didática das leis bíblicas, e isso muito antes de os adventistas terem surgido no horizonte religioso, como se pode constatar em obras instrucionais e declarações confessionais várias (como a Confissão de Fé de Westminster e a Confissão Batista de 1689).

d) Quando Deus pronunciou a lei aos ouvidos do povo no Sinai, ao concluir o Seu proferimento é dito que Ele “nada acrescentou” (Deu. 5:22). As regras cerimoniais foram ditadas a Moisés noutra ocasião, para serem escritas em rolos. Quem acrescentar regras de outro caráter a esta lei especialíssima, que Ele também escreveu em duas tábuas de pedra, está indo “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6).

3) - O argumento de que agora, após a “abolição” da lei veterotestamentária na cruz, resta apenas ao cristão o princípio da “lei do amor” ou a orientação do Espírito a determinar o certo e o errado, sem nada de mandamentos específicos de “fazer isso”, “não fazer aquilo”.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  Mas os mandamentos divinos SEMPRE tiveram por base o princípio de “amor a Deus” e “amor ao próximo”. Cristo na “lei áurea” apenas repete a Moisés (ver Mateus 22:36-40, cf. Lev. 19:18; Deu. 6:5).

b) Que esse princípio de amor inclui o 4o. mandamento está claro na evidente ABRANGÊNCIA a todos os mandamentos ao Cristo, Paulo e Tiago apresentarem, no contexto desse princípio, somente parte do código do qual o sábado faz parte, porém indicando que tal princípio de amor se refere a todos os mandamentos que dele constam: Mateus 19:17ss; Romanos 13:8-10; Tiago 2:8-12. Em Romanos 13:9 Paulo comenta retoricamente, após citar alguns dos mandamentos do Decálogo, “. . . e se há qualquer outro mandamento. . .”. Isso indica a abrangência de todos, pois certamente há outros mandamentos e ele sabia disso.

c) No Novo Testamento prossegue havendo muitos mandamentos de “fazer isso” e “não fazer aquilo”: Mat. 29:18, 19; Efé. 6:1-5, 9; 4:25-31; 1 Tes. 5:12-22, etc., etc.

d) Tanto a Confissão de Fé de Westminster, de 1647 como a Confissão de Fé Batista de 1689 explicam que os quatro primeiros mandamentos tratam de nossa responsabilidade para com Deus, e os seis últimos, o mesmo quanto aos semelhantes, portanto confirmando que a “lei áurea” é a síntese, não substituto, do Decálogo. E como Cristo disse que “desses dois mandamentos dependem TODA a lei e os profetas”, isso liqüida o assunto.

4) - O argumento de que o sábado era apenas prefigurativo do “repouso espiritual” que se acha em Cristo, cf. Hebreus 4, perdendo sua validade após Cristo conceder-nos o “repouso” da salvação.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  Isso não exclui o privilégio e benefício de observar o sábado para quem haja conquistado esse “repouso espiritual”. Caso Israel o houvesse alcançado, em vez de falhar nisso, teria ainda o mandamento do sábado, como prova o fato de que alguns dentro de Israel realmente alcançaram tal descanso, e nem por isso deixaram de observar esse mandamento—os heróis de Hebreus 11.

b) No vs. 9 de Hebreus 4 aparece pela única vez na Bíblia um termo especial para “descanso” (sabbatismos—repouso sabático), em contraste com katapausin, termo original para “descanso” usado ao longo do capítulo, o que indica que o autor quis lembrar à comunidade hebréia-cristã à qual se dirigia que sua exposição sobre esse “descanso espiritual” não significa negligência ao sábado semanal, literal.

c) Os que aceitaram a Cristo enquanto Ele estava sobre a Terra, como as santas mulheres que eram dedicadas pioneiras cristãs, tendo, pois, encontrado Nele o “descanso da salvação”, nem por isso deixaram de observar o sábado “segundo o mandamento” (Luc. 23:56), como relata Lucas 30 anos após o episódio.

Luc. 23:56
 56 “Então voltaram e prepararam especiarias e ungüentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.”

d) De certo modo o sábado é uma sombra do repouso final dos cristãos no Reino Eterno. Sendo princípio interpretativo que as sombras só se desfazem quando encontram a realidade, e sendo que ainda não alcançamos tal repouso definitivo, o sábado prossegue sendo símbolo do descanso eterno por vir, o que é confirmado pelos eruditos batistas Jamieson, Fausset e Brown em seu comentário de Hebreus 4:9.

5) - O argumento de que Cristo passou por cima do mandamento por Suas atitudes de curar nesse dia alguns enfermos e declarar que “os sacerdotes violam o sábado e ficam sem culpa” (Mateus 12:5).

Quatro dificuldades com tal desculpa:            

a) Ele Se defendia de Seus acusadores dizendo que fazia o que era “lícito” aos sábados, o que significa “em harmonia com a lei” (Mat. 12:12). Até desafiou Seus críticos: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8:46). Sua intenção não era desprestigiar o mandamento que estabeleceu “por causa do homem”, mas corrigir o modo de observá-lo, diante da corrupção ao mesmo pelos líderes judaicos, que também corrompiam o 5o. mandamento (Mar. 7:9-11) e o sentido do princípio do dizimar (Mat. 23:23).

b) Ele não iria contradizer-Se com o que disse em Mateus 5:19, promovendo a mais fiel obediência à lei divina que declarou não ter vindo abolir, mas cumprir. Se tivesse em qualquer medida transgredido “o mínimo” dentre os mandamentos, Ele próprio teria que ser considerado “o menor no Reino dos céus”, por Suas palavras. E o sábado era um dos preceitos mais importantes da lei.

c) Cristo também declarou, “Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também” (João 5:17). O sentido óbvio é de que Deus trabalha sempre PARA O BENEFÍCIO de Suas criaturas, uma atividade sagrada, dentro do mesmo espírito de como os sacerdotes agiam e o pastor moderno age no sábado. As curas de Cristo são comparáveis a essas atividades sagradas, como os trabalhos de caráter espiritual dos sacerdotes aos sábados no templo.

d) Se Cristo quisesse desqualificar o sábado não recomendaria aos Seus ouvintes quanto aos ensinos de seus líderes religiosos: “fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem”. Uma das coisas que eles diziam era que deviam respeitar o mandamento do sábado (Luc. 13:14), mas os seguidores de Cristo não seguiriam o mau exemplo deles corrompendo o sentido do mandamento, e sim o exemplo de Cristo, o “senhor do sábado”.

Luc. 13:14
 14 “Então o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curara no sábado, tomando a palavra disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, neles para serdes curados, e não no dia de sábado.”

6) - O argumento de agora estarmos sob o “Novo Concerto”, baseado em Hebreus 8:6-10, quando Deus escreve nos corações e mentes dos que aceitarem os seus termos as Suas leis, o que deixaria de fora o sábado.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  O texto de Hebreus 8:6-10 é reprodução da mesma promessa a Israel no passado em Jeremias 31:31-33, então as leis contidas na promessa daquele pacto, que Deus escreve nos corações e mentes dos Seus filhos, são as mesmas, pois o texto não indica alteração em seus termos. Logicamente os preceitos prefigurativos da morte de Cristo (lei cerimonial) estariam fora pois na própria epístola de Hebreus, capítulos 7 a 10, é explicado pormenorizadamente o sentido dos rituais antitípicos de Israel.

Hebreus 8:6-10
6  “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas.
7 Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.
8 Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá um novo pacto.
9 Não segundo o pacto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não permaneceram naquele meu pacto, e eu para eles não atentei, diz o Senhor.
10 Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;”

Jeremias 31:31-33
31 “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá,
32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.

b) Em 2 Coríntios 3:3-8 Paulo emprega a ilustração das “tábuas de pedra/tábuas de carne” da ministração da lei sob o Novo Concerto, o que reforça a noção de que o conteúdo INTEGRAL do que constava nas tábuas de pedra (o Decálogo) transfere-se para as tábuas de carne do coração (ver Eze. 36:26, 27; Sal. 40:8) aos que aceitam os termos do novo concerto [Novo Testamento]. Quando Deus cumpre a promessa da escrita de Suas leis nos corações aquecidos pela graça divina, não deixa de fora nenhum dos mandamentos da lei moral, o que inclui o sábado, das “tábuas de pedra”. Do contrário não faria sentido Paulo usar a ilustração das “tábuas de pedra/tábuas de carne” e teria que se explicar melhor.

Eze. 36:26, 27
 26 “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27 Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.”

Sal. 40:8
 8 “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.

c) Sob o Novo Concerto, Deus derrama o Seu amor sobre os corações dos remidos, assim esse concerto firma-se sobre “melhores promessas” (ver Rom. 5:5; Heb. 8:6), superior à base do Velho Concerto que foi a disposição do povo, “tudo quanto o Senhor falou, nós faremos” (Êxo. 19:8), fracassando porém quanto a cumprir sua parte do concerto. A falha estava, portanto, no povo, não na lei (cf. Êxo. 19:8).

Rom. 5:5
5 “e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Heb. 8:6
6 “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas.

Êxo. 19:8
8 “Ao que todo o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo.
 

d) Em Hebreus 9:15-17 lemos sobre como a morte de um testador impede que seja alterado o testamento que este deixa. Assim, a morte do divino Testador, Cristo, selou o Novo Testamento de modo que não há a mínima possibilidade de mudança na lei divina. Logo, não pôde ter havido mudança, seja do sábado pelo domingo, seja do sábado pelo dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo.

7) - O argumento de que Paulo indicou o fim do sábado com a morte de Cristo, em Romanos 14:5, 6, Gálatas 4:8-10 e Colossenses 2:16.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  João na parte introdutória de Apocalipse (1:10) indica haver um “dia do Senhor” que dedicava a Deus. Assim, ele nada sabia sobre essa abolição do sábado, ou do princípio de um dia de repouso a ser santificado.

b) Em Romanos e Gálatas a palavra “sábado” nem aparece, pois o tema são outros dias—no caso dos judeus, dias de jejum ou feriados religiosos de Israel que não mais os devia preocupar, sendo-lhes opcionais, sem serem impostos sobre outros; no caso de Gálatas, os dias festivos pagãos que, parece, ainda empolgavam alguns cristãos, deviam ser inteiramente descartados.

c) Em Colossenses, JAMAIS aparece a palavra “lei”, prova de que o tema discutido não é a vigência da lei, mas problemas com hereges colossenses que queriam impor ao povo costumes extremados quanto a observâncias religiosas (ver vs. 21-23). Ele não diz para “não observarem o sábado mas para não se preocuparem quanto a julgamento que fosse passado sobre eles por causa de sua maneira de observar o sábado. O vs. 18 declara: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum na sua mente carnal”.

Colossenses: 2:21-23
21 “tais como: não toques, não proves, não manuseies
22 (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens?
23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.”
 

d) Eruditos antigos e modernos reconhecem que esses “sábados” seriam cerimoniais, não o sábado semanal. Entre estes, podem ser citados: John Davis, Albert Barnes, Adam Clarke, Jamieson, Fausset e Brown, English E. Schuyler, David E. Garland, John Eadi, etc.

8) – O argumento de que Tiago inclui todas as regras cerimoniais do judaísmo ao dizer que “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás, também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém, matas, vens a ser um transgressor da lei” (Tiago 2:8-11), ainda acrescentando que o Apóstolo quer dizer que sendo impossível observar plenamente a lei, então fica-se livre da mesma como regra de conduta.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  Quando Tiago escreveu tais palavras já todo o cerimonialismo prefigurativo havia cumprido sua função e perdido a vigência. O véu do Templo já estava rasgado de alto a baixo. O texto claramente refere-se aos mandamentos da lei moral, do Decálogo, sem a mínima referência a questões cerimoniais.

b) Há alguns que até deixam implícito que Tiago estaria dizendo que se é impossível observar plenamente TODOS os mandamentos, então podemos relaxar “um pouquinho”, e sempre o sacrificado é o mandamento do sábado, por que será?

c) Jesus incentivou a obediência PERFEITA a todos os mandamentos em Mateus 5:19 e 20: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. E Ele ainda recomendou: “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mat. 5:48).

d) Não há possibilidade de se abrir uma “exceção” na perfeita obediência, que não conseguimos por nossos próprios esforços. Dependemos plenamente da graça divina e do Seu Espírito para que “a justiça da lei” se cumpra em nossa vida (ver Romanos 8:3, 4, 7 e 8).

Romanos 8:3, 4, 7 e 8).
3 “ Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado.
4 para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;
8 e os que estão na carne não podem agradar a Deus.”

9) - O argumento de que o primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém pelo ano 49 ou 50 AD, indicou regras para os cristãos gentios seguirem, deixando de lado a “lei de Moisés” (Atos 15:5), sem que o sábado seja indicado entre as regras do que foi decidido em dito concílio.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a) A expressão “lei de Moisés” não pode ser usada para discriminar contra o mandamento do sábado (e das leis dietéticas) pois a expressão é bem abrangente, incluindo regras tais como “não matarás”, “não furtarás”, “honra a teu pai e a tua mãe”.

b) A mera leitura do texto de Atos 15:28, 29 indica que o que se definiu foram práticas de que os cristãos gentios deviam abster-se, e não uma série de coisas a cumprir, como se recebessem uma espécie de tetrálogo que substituiria o Decálogo (como alguns dão a entender equivocadamente). E o sábado NÃO CONSTA daquelas coisas que não deviam praticar, o que demonstra que não foi tema que representasse dúvida entre os cristãos, algo de que deviam ser orientados contra sua prática.

c) Em Atos 21:20 lemos sobre a composição étnica dominante da igreja-mãe, de Jerusalém, e seus membros eram judeus “zelosos da lei”. Eles não aceitariam sem grandes polêmicas qualquer alteração num princípio tão arraigado na sua vida religiosa e mesmo secular como era o sábado, e não ocorre tal discussão entre aqueles crentes (como se deu com outro costume arraigado que se ensinava ter sido abolido, como a circuncisão), o que demonstra que não se alterou nada quanto a tal princípio.

d) Jesus predisse que duas coisas prosseguiriam após Sua partida: 1) o inverno; 2) a guarda do sábado por Seus seguidores (Mateus 24:16-20). Ele recomendou que os cristãos orassem para não terem que fugir no inverno (dadas as óbvias inconveniências disso) nem no sábado, pois poderiam estar nas suas congregações em tal dia e não perceberem os acontecimentos ameaçadores ao seu redor, ou mesmo para não terem perturbação na prática de um princípio bíblico estabelecido na própria criação do mundo.

10) - O argumento de que com a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana, o domingo passou a ser adotado para ser daí em diante o dia de repouso da comunidade cristã.

Quatro dificuldades com tal desculpa:

a)  Não há nada que justifique que o evento da Ressurreição opere mudanças na lei divina pois algo tão sagrado como a própria lei de Deus não poderia sofrer alteração tão radical sem uma clara exposição bíblica a respeito justificando o fato, e nada consta quanto a isso.

b)  Se o dia da Ressurreição foi importante que justificasse tal alteração, também o seria o dia de Sua morte (sem a qual não haveria ressurreição). Então, tanto a sexta-feira quanto o domingo poderiam ser determinados como dias memoriais, contudo não há a mínima informação bíblica de que os cristãos devam celebrar o domingo ou a sexta-feira, seja semanal ou anual, como memorial da experiência de Cristo de morte ou ressurreição.

c) Quando lemos no Novo Testamento sobre o “primeiro dia da semana”, a expressão no original grego, mía twn sabbatwn, significa literalmente, o primeiro com base no sábado, o que denota a contagem romana, e não judaica de tempo. Ademais, o próprio fato desse dia não merecer qualquer título especial já mostra a falta de fundamento para que tenha sido especialmente considerado pela Igreja apostólica em substituição da instituição do sábado que Cristo declarou ter sido estabelecido “por causa do homem”.

d) A própria causa de defesa de que o domingo passou a ser adotado pelos cristãos a partir dos tempos apostólicos é tão desmoralizada que os próprios evangélicos não a levam a sério, com a maioria preferindo mesmo o mais “user friendly” dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo, com muitos crentes dizendo abertamente que o domingo é mesmo uma instituição de origem católica, ou mesmo remontando suas origens ao festival ao sol dos mitraítas em Roma, com o seu dies solis—dia do sol.
 


       ALGUMAS REFLEXÕES FINAIS

        * A posição oficial das diferentes Igrejas e seus grandes próceres e instrutores, de que o domingo foi adotado pela Igreja Cristã desde o mais remoto período de sua existência em substituição ao sábado do sétimo dia, é em grande medida desprezada e passada por alto pelos seus modernos integrantes. Preferem apegar-se a argumentos que destroem o princípio de um dia de descanso divinamente determinado, mas não parecem capazes de oferecer nada melhor no lugar. São bons na obra de destruição de um conceito, mas nada eficientes na construção de uma teologia que justifique tal atitude revisionista quanto ao ensino oficial e tradicional de suas próprias denominações a respeito da questão do dia de repouso. Só há uma explicação para isso —o reconhecimento de falta de embasamento bíblico para a instituição dominical.

       Os adeptos do que eu chamo dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo (a idéia de que tanto faz observar um dia do Senhor ou não, ou que qualquer dia que se queira adotar é válido diante de Deus, ou que “todos os dias” é que Lhe devem ser dedicados) utilizam os textos de Romanos 14:5, 6 e Gál. 4:9, 10. Contudo, observa-se que há uma diferença notável entre o tratamento do problema dos “dias” em Romanos e Gálatas, o que geralmente se passa totalmente por alto.

Romanos 14:5, 6
5 “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.
6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.”

Gál. 4:9, 10
9 “ agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?
10 Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.”

 Em Romanos Paulo admite que “tanto faz um dia como outro” e não proíbe a observância radicalmente como ocorre em Gálatas. Por que será? Resposta: em Romanos ele se refere aos dias ainda significativos do calendário judaico que alguns queriam exigir aos cristãos como práticas obrigatórias (os dias feriados religiosos que tinham cunho de feriados nacionais para os judeus). Paulo não os considerou obrigatórios mas respeitava os escrúpulos dos judeus quanto a tais dias, bem como, possivelmente, também dias de jejum que eram muito importantes nos usos e costumes judaicos. Deve-se levar em conta que os primeiros conversos ao cristianismo eram de origem judaica e “zelosos da lei” (Atos 21:20).

Já em Gálatas ele condena inteiramente o apego a “dias, e meses, e tempos e anos” porque estava tratando sobre festas do calendário pagão, que alguns conversos do paganismo ainda queriam manter. Uma situação, portanto, bem diversa que merece ser levada em conta. No vs. 8 ele se refere a quando eles não conheciam a Deus, e fala de retornarem a “rudimentos fracos e pobres” (vs. 9), o que não seria linguagem apropriada para judeus.

Que não se tratava do sábado é óbvio, pois se Paulo tivesse se manifestado contra o sábado em qualquer sentido, não poderia ter dito em sua defesa de acusações dos líderes judeus: “Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César” (Atos 25:8). Também na agitação dos judaizantes, a decisão do Concílio de Jerusalém em Atos 15:28, 29 é significativa: não consta nada CONTRA a guarda do sábado entre as quatro regras de coisas de que os cristãos deviam ABSTER-SE, simplesmente porque não houve agitação de tal assunto. Todos o observavam normalmente, como documentos históricos posteriores demonstram.

       Que o sábado do sétimo dia não foi deixado “opcional” é evidente pois não há registro histórico de que os cristãos tenham adotado um novo critério quanto a sua adoração a Deus de:

a) ou não dedicar nenhum dia ao Senhor, ou:

b) escolher livremente o dia que mais conviesse a cada um. Aliás, seria muito estranho cada um ter o seu “dia do Senhor”, uns observando a quarta-feira, outros a sexta-feira, outros mais o sábado do sétimo dia, boa parte o domingo. . . Como combinariam com isso os encontros semanais na igreja? Afinal, a recomendação do autor de Hebreus é que não se deve “abandonar a congregação”. . .

       A Bíblia, porém, diz que “Deus não é de confusão” e sim de ordem (1 Cor. 14:33). Não haveria nenhum sentido de Paulo de repente lançar-se contra uma ordenança divina que procede do Éden, como reconhecem as mais representativas Confissões de Fé históricas da cristandade protestante (e católicas, especialmente o próprio documento papal recente Domini Dies), estabelecendo a confusão quanto à questão do dia de observância.

       Se a argumentação destes debatedores demonstra alguma coisa é a falta de convicção sobre a tradicional observância do domingo da parte de boa parcela dos evangélicos. Existe a tradição (herdada do catolicismo), mas carece do necessário embasamento bíblico. Daí, partem alguns para todo tipo de artimanhas e sofismas para justificar sua negligência desse mandamento bíblico.

       É pena que nossos irmãos batistas, que rejeitaram certas arraigadas tradições originárias do catolicismo romano ainda conservadas por outros protestantes (como o batismo infantil e por aspersão) não tenham avançado um pouco mais no rumo da restauração plena das verdades bíblicas e ainda se apeguem à tradição do domingo. Melhor dizendo, não todos os batistas, pois há os seus irmãos mais próximos, os batistas do sétimo dia, que certamente evoluíram mais nessa bendita direção desde princípios do século XVII.
 

         Agora, há uma seqüência de passagens onde a divisão de leis, criticada por alguns, é estabelecida pelo próprio apóstolo Paulo:
       “A circuncisão em si não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar os  mandamentos de Deus”
        — 1 Coríntios 7:19.
       “Pois nem a circuncisão é cousa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” — Gálatas 6:15.
        “Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão, tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor”. — Gálatas 5:6.
 Esta seqüência de textos torna claro que para Paulo as questões rituais da lei não são relevantes, mas o importante é observar os mandamentos que não pertencem a esse aspecto, da lei cerimonial. O “ser nova criatura”, equivale a demonstrar uma “fé que atua pelo amor”, o que se expressa em “guardar os mandamentos de Deus”. Há, pois, uma harmonia no entendimento dessas questões.
       A única coisa que fica “pendente”, pois, são dias especiais de celebração nacional, ou dias de jejuns, importantes para a cultura judaica (como discutido em Rom. 14:5, 6). O mandamento do sábado, porém, é de caráter inteiramente diferente NUNCA sendo apresentado nas Escrituras, seja como opcional, como desejariam os adeptos da teologia novidadeira do dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo, seja cerimonial.

Romanos 14:5, 6
5 “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.
6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.”
Prof. Azenilto G. Brito
 
 

Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura


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