Um balanço de argumentos apresentados pelos adeptos do “liberou geral” quanto às regras alimentares:


 
Prof. Azenilto G. Brito

 * As palavras de Cristo em Marcos 7:1-9 quanto ao que entra pela boca não contaminar o homem, são interpretadas como se Ele estivesse liberando Seus seguidores das regras alimentares:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Se Jesus está “purificando” supostos alimentos imundos naquela refeição, Seu ato foi inútil porque tratava-se de uma refeição judaica, na qual não haveria carnes imundas.

B – Cristo estaria abolindo a lei de restrições alimentares ANTES DA HORA, pois as regras sobre alimentação não foram abolidas na cruz?

C – Cristo estaria ensinando algo contrário à lei divina “ainda” vigente, com o que teria que ser, Ele próprio, considerado “o mínimo no reino dos céus” à luz de Suas palavras em Mateus 5:19.
 

* O Concílio de Jerusalém, de Atos 15, é um episódio empregado por alguns para apresentarem a idéia de que os cristãos gentios estariam livres das limitações todas da “lei judaica”, interpretando isso especialmente como isentando-os da guarda do sábado e das leis alimentares.

Dificuldades de tal interpretação:

A – Querer limitar a expressão “lei de Moisés” (vs. 5) somente a alguns itens que não convenham ao investigador é desonesto (leis alimentares e sábado). Esta expressão é bem mais ampla e inclui os preceitos cerimoniais, como também os morais, como “não matarás”, “não furtarás”, “honra teu pai e a tua mãe”, “não dirás o nome de Deus em vão”. . . Esse uso discriminatório da expressão é inteiramente suspeita.

B – O que ficou determinado no Concílio é expresso em quatro itens de coisas de que os cristãos gentios deviam ABSTER-SE. Não se tratava de nenhuma listinha de coisas que deviam passar a praticar, em substituição à “lei mosaica”, como alguns pensam (um ‘Tetrálogo’ a substituir o Decálogo?).

C – Das quatro regras estabelecidas, TRËS tratam de. . . restrições alimentares! Então, em lugar de o Concílio de Jerusalém confirmar o “liberou geral” quanto às regras alimentares, instituiu foi algumas regras reiterando antigas restrições.
 

* A visão do lençol de Pedro, narrada em Atos 10, em que aparece um lençol com todo tipo de animais imundos, acompanhada da ordem, “mata e come” é utilizado por muitos como prova de que houve um “liberou geral” divino sobre as regras alimentares. Contudo, vejamos três dificuldades desse entendimento:

Dificuldades de tal interpretação:

A – A resistência de Pedro ante a ordem “mata e come” mostra que ele não aprendera com Jesus ou seus companheiros apostólicos que houve o “liberou geral” das leis de restrições alimentares.

B – Pedro não entendeu o sentido da visão de modo algum, pois manteve-se intrigado sobre a mesma (vs. 17).

C – Quando finalmente entendeu o sentido da visão, não a interpretou como tendo que ver com liberdade para comer de tudo. Inclusive no capítulo seguinte ele diz que não poderia resistir à visão (vs. 17), mas tal resistência não dizia respeito a não comer carnes imundas, e sim não resistir a relacionar-se pessoalmente com gentios, dos quais não era permitido “mesmo aproximar-se” (ver vs. 28).
 

* A noção de que as leis de restrições alimentares eram cerimoniais, simbolizando a separação entre judeus e gentios, tendo cessado com a morte expiatória de Cristo, enfrenta também três dificuldades:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Os adeptos do “liberou geral” das leis alimentares não sabem definir as razões de Deus as ter instituído, para começo de conversa. Se fosse para proteger a saúde do povo, por que tal preocupação desapareceria da noite para o dia com a morte de Cristo, sendo que as condições de higiene do homem e animais permaneceriam as mesmas de séculos, não só na Terra de Judá, como por todo o mundo onde o evangelho seria pregado?

B – Não se justificaria que da noite para o dia carnes tais como de rato, urubus, cobras e lagartos passassem a ser consumidas, quando o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo, nem ocorre a mínima evidência de que realmente essa passou a ser a prática dos seguidores de Cristo dos primitivos anos do cristianismo, seja na Terra de Judá ou pelo resto do mundo.

C – Deus não iria manter em Sua lei um aspecto tão negativo relativo a maus sentimentos humanos (preconceito racial, xenofobia), pois Ele “não faz acepção de pessoas”.
 

* Em Romanos 14 Paulo trata dos “fracos” em conflito com os “fortes” na fé, a respeito de certos artigos alimentares, e alguns interpretam imediatamente isso como sendo um debate em torno de se poder utilizar carnes outrora imundas. Mas há sérias dificuldades com tal interpretação:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Não há a mínima evidência de que os debates ali ultrapassassem a questão de alimentos sacrificados a ídolos, já que Paulo dissendia das decisões do Concílio de Jerusalém que proibiam tal consumo, enquanto dizia que “o ídolo em si nada é”, permitindo tal consumo, apenas recomendando respeito aos que tivessem escrúpulos delicados, para não melindrá-los com a licença de valerem-se de tais alimentos.

B – A ênfase de Paulo quanto a nosso corpo ser “o templo do Espírito Santo” (1 Cor. 3:16, 17; 6:15) não favorece a noção de que o crente pode alimentar-se de carnes de porco, rato, urubus, cobras e lagartos, já que o mesmo Paulo disse: “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor. 10:31).

C – O texto que fala em “abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça” (1 Tim. 4:3) no contexto também refere-se a quem até proibia o casamento, portanto numa referência a um grupo específico de pessoas, que os pesquisadores identificam como gnósticos de uma ala ascética. Logo, não se trata de uma regra geral, e de cara já temos que considerar que o “tudo o que Deus criou é bom” (vs. 4) exclui aqueles alimentos da “restrição alimentar” do Concílio de Jerusalém (Atos 15:20). Também é extremamente improvável que o apóstolo esteja dando “carta branca” para o consumo de baratas, urubus, cobras e lagartos como sendo criados por Deus para consumo humano.
 

* O texto escatológico de Isaías 66:17 claramente trata de acontecimentos finalíssimos da história da Terra, quando Deus reunirá todas as nações para a prestação de contas finais, e é dito que então destruirá os que praticam idolatria, comem carne de porco e de rato. Contudo, há os que alegam que tais palavras não se aplicam a todos os moradores da Terra, não sendo de uma escatologia geral, o que apresenta três dificuldades também:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Os capítulos 65 e 66 lidos na sua inteireza mostram o quadro de Deus apelando a Israel para ser-Lhe fiel diante da promessa de extermínio dos inimigos que os desviaram da verdade, e do novo céu e Nova Terra que se antecipam.

B – O contexto imediato da passagem fala de “fogo e espada” com que o Senhor entrará “em juízo COM TODA CARNE”, e que Ele vem para “ajuntar todas as nações e línguas” as quais “contemplarão a Minha glória”, numa claríssima indicação de tratar-se do mesmo fim descrito em Apocalipse.

C – Há descrições de nações contemporâneas do profeta (Társis, Pul, Lude, Tubal e Javã), mas são representativos das “todas as nações” mencionadas, bem como no Apocalipse o vidente de Patmos também trata de Babilônia, Egito, Gogue e Magogue representando TODOS os povos inimigos dos Filhos de Deus que encontrarão o seu castigo final.

AOS OBJETORES: Têm alguma solução para tais dificuldades na defesa de suas teses? Diante delas teriam algo novo (e convincente) a apresentar em defesa de suas posições? Se tiverem, apresentem-nas. Se não, calem-se para sempre.
 

Professor Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura


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