DEBATE RAMALHETE # 07
COM RESPOSTAS DE
AZENILTO G BRITO

Segmento 6: Ponderação Finais

A Concepção de Igreja Segundo o Novo Testamento

Encontramos a verdade submetendo-nos à Igreja ou encontramos a Igreja submetendo-nos à verdade?

        A resposta protestante é a segunda opção enquanto os católicos favoreceriam a primeira. Enquanto Roma alega que a verdade se acha onde a igreja se encontra, os protestantes entendem que a igreja se acha onde se encontra a verdade. Essa é uma diferença básica entre católicos e protestantes no que diz respeito à concepção de igreja.
        O evangelho, ou a falta dele, é o que determina o tipo de comunidade religiosa que se formará. Quando o evangelho apostólico rompeu seus laços com o judaísmo, inevitavelmente revolucionou aquela comunidade da aliança. Deixou de ser uma seita fechada em si, exclusivista e retirada do mundo, para se tornar um movimento indo ao mundo. Não mais era uma hierarquia sacerdotal, mas uma fraternidade; não mais um estabelecimento religioso venerado, mas um vibrante movimento missionário.
        A palavra neotestamentária geralmente traduzida por “igreja” é assembléia. Como a maioria das grandes palavras neotestamentárias, ela tem uma conotação veterotestamentária. A assembléia da comunidade da aliança diante de Deus no Sinai constituía a igreja do Velho Testamento (Der. 4:10; 9:10; 10:4). No Novo Testamento, a igreja é a assembléia daqueles que foram reunidos pelo chamado do evangelho e pelo Espírito Santo numa comunidade embalada pela nova aliança.
        Muitas vezes se acham outros termos no Novo Testamento para descrever a realidade da igreja. Dez livros do Novo Testamento nem sequer fazem menção à palavra igreja. A assembléia dos cristãos é chamada os santos, os santificados, crentes, discípulos, servos, testemunhas, o povo de Deus, o templo, a família de Deus, a noiva de Cristo, a vinha, o rebanho e, talvez mais significativamente, o corpo de Cristo.
        O Novo Testamento vê a igreja em dois modos diferentes—como a companhia universal de todos os verdadeiros cristãos e como a assembléia local dos crentes. A companhia de todos os verdadeiros cristãos é freqüentemente chamada a igreja universal ou invisível. A igreja nesse sentido consiste de todos os que crêem em Cristo. É a assembléia universal de todos cujos pecados foram perdoados, ou, como declara o destacado teólogo Augustus Strong “a companhia integral de pessoas regeneradas em todos os tempos e eras, no céu e sobre a terra (Mat. 16:18; Efé. 1:22, 23; 3:10; 5:24, 25; Col. 1:18; Heb. 12:23)”.
        Nenhuma pessoa ímpia, não-regenerada, pertence a essa assembléia geral, conquanto freqüente assiduamente a igreja e participe de todos os seus ritos e programas. Quem quer que creia no evangelho não terá negada participação na igreja cristã. Em sua obra Christian Dogmatics Francis Pieper afirma corretamente: “Àquele que rejeita o evangelho, a condição de membro da igreja não é assegurada”. Em contraste com isso, prossegue ele, “A excomunhão pronunciada contra os verdadeiros crentes não os priva de serem membros da igreja” (Op. Cit., 3:399).
        O Novo Testamento também fala da igreja no sentido de assembléia local e conjunto local de crentes. A New English Bible corretamente substitui a palavra “igreja” por “congregação” em Mateus 18:17. É aqui que a igreja universal, invisível se torna visível. A existência de uma congregação local que elege oficiais, designa um ministério e disciplina seus membros é arranjo e mandato divino. Conquanto seja bíblico insistir em que não há salvação fora da igreja cristã, é antibíblico insistir em que não há salvação fora de uma igreja visível.
        O termo igreja pode, pois, aplicar-se tanto à assembléia universal invisível dos que foram regenerados pelo sangue do Cordeiro, como a uma assembléia local, visível, mas sempre tem o sentido de uma congregação ou comunidade. O termo nunca se aplica a qualquer aparato organizacional, instituição eclesiástica ou sínodo ou conferência governante. Tampouco o Novo Testamento jamais chama qualquer edifício de “igreja” ou “casa de Deus”, como se costuma fazer hoje.
        Quando o Novo Testamento fala do “edifício” ou “casa de Deus”, significa a congregação viva (Efé. 2:19-22; Heb. 3:6; 1 Ped. 2:4,5). Nenhuma denominação pode ser chamada a “igreja”, num sentido escriturístico. Um cristão deve ter sua posição de membro da igreja universal e normalmente participar de uma assembléia local de crentes. Não há ordenança bíblica de pertencer a denominação alguma. As igrejas locais podem por consenso comum unir-se num sínodo ou convenção de igrejas, mas não há ordem definida na Palavra de Deus quanto a isso. O poder e responsabilidade de disciplinar membros, estabelecer um ministro ordenado e eleger oficiais reside com a assembléia local.
        Diz ainda Pieper: “A Igreja Cristã não tem autoridade de ordenar qualquer artigo de fé, nunca ordenou e nunca ordenará um. A Igreja de Deus não tem poder para impor qualquer preceito. . . . Todos os artigos de fé são plenamente estabelecidos na Santa Escritura, de modo que não há necessidade de designar sequer um só” (Op. Cit., 3:430-31).
        Em cumprimento à profecia paulina em Atos 20:29 e 30, sobre os desvios da igreja após sua partida, a partir do segundo século o conceito de igreja tornou-se crescentemente associada com a instituição externa e o governo dos bispos. A instituição ou organização exterior tendeu a assumir todas as funções da igreja até que a organização cúltica se tornou identificada com a igreja. A igreja passou a ser concebida como a organização, em lugar de ser a comunidade.
        Essa identificação da igreja com a organização exterior teve seu paralelo no desenvolvimento de um governo eclesiástico hierárquico. A assembléia local perdeu o privilégio e responsabilidade de se auto-governar. O ministério passou a ser ordenado e designado pela hierarquia superior, antes que pela assembléia local. Todas as questões de fé vieram a ser decididas pela elite eclesiástica, e o governo eclesiástico central assumiu o direito de decretar leis impondo-se sobre as assembléias locais e sobre a consciência dos cristãos individuais. O ministério pertencia à casta hierárquica que passou a governar a congregação, perdendo-se de vista o conceito restaurado depois pela Reforma de “sacerdócio universal de todos os crentes”.
        O conceito católico romano de igreja consiste da ecclesia docens (os que governam e ensinam) e  a ecclesia audiens (os que ouvem e obedecem). Mas a ecclesia audiens é somente considerada como parte da igreja na medida em que se submeta à  hierarquia governante.
        Estabeleceu-se um grande abismo entre clero e leigos. O clero governa, os leigos não têm voz no governo da igreja ou em julgar artigos de fé. O ministério não se acha mais na congregação, mas acima desta. Isso logicamente conduziu a uma instituição arrogante, triunfalística, intolerante e até brutal, como se  viu nos episódios registrados historicamente da inquisição e cruzadas e mais recentemente nos problemas do catolicismo americano, quando leigos tentaram debater as questões junto ao clero e propor mudanças, mas não tiveram chance. Alguns de fato foram ouvidos, mas como vítimas de situações de abuso. Suas reivindicações de tolerância zero não encontraram eco entre os bispos, que são os que decidem tudo numa organização que nada tem de democrática.

O Real Sentido de Evangelho

        A mensagem do evangelho, que os apóstolos proclamavam com o poder do Espírito Santo, é assim sintetizado por Paulo em 1 Cor. 15:1-4: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.
        Simples, cristocêntrica, objetiva deve ser a mensagem cristã. As tantas práticas, teorias, tradições que se adicionaram a essa mensagem, com elementos a ela estranhos, exaltando uma estrutura hierárquica ou organizacional sobre essa simplicidade original, devem ser desprezadas e rejeitadas pelo genuíno seguidor de Cristo. Afinal, evangelho significa boas novas, não de que haja uma organização detentora dos meios de salvação, pois esta está disponível a todos pela fé no que significa essa crucifixão sob Pôncio Pilatos—a morte expiatória de Cristo.
        A ênfase dos apóstolos era: “Tudo nos provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Cor. 5:19).
        Essa ênfase cristocêntrica da mensagem cristã perdeu o lugar para um enfoque eclesiocêntrico  no catolicismo. Infelizmente, como diz o erudito Samuele Bacchiocchi, “o Cristo que a maioria dos católicos conhece é o Cristo que engolem durante a missa”. E como evidência adicional disso, ele apresenta o fato inegável de como a comunidade católica perdeu de vista o centro da religião cristã na própria prática idolátrica de culto às imagens: “Poucas famílias de católicos devotos exibem um quadro de Cristo em suas casas. Eu ousaria dizer que de 100 católicos devotos das famílias italianas, talvez 4 ou 5 delas tenham um quadro de Cristo dependurado em alguma parede. Sua devoção é basicamente a Maria e aos santos que podem interceder por eles diretamente. No que concerne a Cristo, pouco sabem a Seu respeito. Conhecem sobretudo que ‘o ministério salvífico de Cristo’ lhes está disponível mediante a Eucaristia”.
        Neste contexto, lembro-me da Vera Lúcia, amiga de Minas Gerais, fiel católica que não perdia uma só missa aos sábados à noite (significativamente, já valendo como o domingo). Em conversa com ela, comentávamos problemas humanos e conseqüências de atos condenáveis da parte de alguns. “Tudo quanto se faz de errado nesta vida tem de ser pago aqui mesmo”, comentou-me ela. Estranhei sua linguagem, tipicamente espírita, e indaguei-lhe o que realmente queria dizer. Foi quando me revelou opiniões particulares exatamente nessa linha do raciocínio espírita, falando em reencarnação, retorno à vida noutra ocasião para compensar os malfeitos e aprimorar-se para vidas futuras.
        “Como pode pensar assim sendo uma cristã católica?”, indaguei-lhe.
        “Ora, minha mãe e meus irmãos, praticamente todos em minha família tradicionalmente católica, sempre creram assim!”, explicou-me ela.
        Aí está uma séria constatação. Alguém dizia que o Brasil, tido como “o maior país católico do mundo” na verdade não pode mais ser assim caracterizado. Seria, isto sim, o maior país espírita do mundo! Que se observem a multiplicação de centros de baixo espiritismo, a difusão de literatura e adeptos do kardecismo por todo o país, o crescente prestígio de líderes do “baixo” e “alto” espiritismo por toda a nação e o quase completo silêncio das autoridades católicas ante tais avanços.
        Lembro-me até de ter visto pela TV uns anos atrás uma “missa aculturada” em que o som de atabaques e mulheres de longas saias trazendo jarros de barro com água serviam de pano de fundo para o ritual católico administrado pelo arcebispo de São Paulo, Dom Evaristo Arns, num dos maiores templos católicos da capital paulista, em sincretismo extremamente revelador de como o catolicismo se ajusta e se adapta à religiosidade popular segundo suas conveniências, uma evidência contemporânea de outros ajustes semelhantes ocorridos ao longo de sua história.
        Retornando à Vera Lúcia, lembro-me de ter-lhe ponderado seriamente sobre as idéias que me expunha e como contradiziam o pensamento cristão e bíblico:
        “Vera, veja bem. Não temos que pagar pelos erros nesta vida. Tal teoria é anticristã. Não precisamos pagar nada, porque já foi pago!”
        “Como assim?” indagou ela intrigada.
        “Sim, para quem tem conhecimento da verdade do evangelho e a aceita, já foi tudo pago. Nossos pecados e erros foram pagos por Cristo. O que significa a cruz para você? Pense bem, o que foi operado naquela cruz? Não foi o pagamento pelas dívidas humanas? Não é esse o sentido do evangelho?”
        Vera ficou pensativa, e demonstrando real surpresa confessou: “Eu nunca havia pensado nisso!” A fiel católica de anos e anos de assistência regular à missa nunca havia pensado no real sentido do evangelho, as boas novas de salvação! Não admira ter acatado a visão espírita, aparentemente tão lógica e justa.
        E assim pensam multidões de católicos romanos, ignorando o plano de salvação por ignorarem a Bíblia e sua mensagem básica. A Igreja Católica não oferece o incentivo para tal, exaltando suas tradições, convencendo os seus membros a confiarem cegamente no magistério da Igreja para a correta interpretação da mensagem da Palavra de Deus, conquanto Paulo haja instado a seu discípulo Timóteo: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Antes, Paulo o havia elogiado porque “desde a infância sabes as sagradas letras” (1 Tim. 2:15 e 3: 15).  O exemplo dos bereanos, que fielmente conferiam os ensinos que aprendiam dos apóstolos nas Escrituras foi elogiado em Atos 17:11, numa maravilhosa evidência de que o “livre exame” da Bíblia está em perfeita harmonia com a vontade de Deus.

Os Frutos da Ignorância Cultivada

        Sabe-se, porém, como a Igreja jamais se empenhou em fazer da Bíblia um livro popular. Ao contrário, quanta perseguição, quanta objeção, quanta desinformação não prevaleceram ao longo de séculos da parte dessa poderosa instituição, que pretende ser o meio de iluminação da verdade aos homens.
        Os frutos disso são por demais conhecidos ao longo da história. A era de trevas medievais, quando os homens viviam sob a opressão da igreja dominante, acatando as mais estranhas idéias supersticiosas por desconhecerem a mensagem libertadora do evangelho. Contudo, o Prof. Ramalhete deplora a eclosão do Iluminismo, a libertação de tantas criaturas das amarras da escravidão ideológica. É claro que houve desacertos, pensadores movidos por motivos não santificados, livre expressão e  mesmo promoção da descrença, mas foi o preço a pagar pela liberdade e tolerância conquistados. Em todos os movimentos revolucionários sempre se pode contar com vantagens e desvantagens, mas as inegáveis conquistas no campo ideológico, com o livre direito de todos pensarem e agirem segundo os ditames de sua consciência, o próprio progresso científico indiscutível a partir dessa nova era de liberdade, a indiscutível conquista dos Direitos Humanos, a libertação dos escravos, a valorização dos nativos colocam um peso maior para o lado positivo do que negativo.
        O Dr. James Kennedy, que mantém um bem sucedido ministério evangelístico, com sede em Fort Lauderdale, Flórida, além de uma apreciada programação pela TV, apresentou um estudo em que compara países de formação protestante, católica e não-cristãs na virada do século XIX para o XX em termos de alfabetização.
Diz ele a certa altura:

        “Se examinarmos os vários países do mundo descobrimos que caem em três categorias: as nações pagãs, as nações predominantemente católicas, e as nações predominantemente protestantes. Qual é a diferença no que tange a alfabetização e falta dela? Permitam-me apresentar-lhes alguns dados sobre índices de alfabetização nas nações na virada do século [XX] em países dessas três categorias.
“Nações pagãs:

China  80% de analfabetismo
Egito   92% de analfabetismo
Índia   93% de analfabetismo

“Se prosseguíssemos veríamos que a maiorias das nações pagãs caem num índice de 80 a 90 por cento de analfabetismo. As igrejas católicas começaram a levar a luz do evangelho a países abaixo alistados, mas não deram a ênfase peculiar de leitura da Palavra de Deus tão distintiva do protestantismo. Não obstante, algumas mudanças foram feitas.

“Analfabetismo em países predominantemente católicos:

Espanha 46%
Portugal 69%
México 70%
Argentina 54%
Romênia 61%
Grécia 57%
Itália 38%

        “Basicamente, o índice de analfabetismo nos países católico se estendem de 40 a 70 por cento.
        “Há países predominantemente protestantes com seus hábitos distintivos de leitura da Palavra de Deus.         Lembrem-se que os Peregrinos no Mayflower declararam, ao atingirem a costa americana naquela pequena embarcação, antes de pisarem terra firme, que ensinariam seus filhos a ler. Por quê? A fim de que lessem a Palavra de Deus! O resultado:
“Índices de analfabetismo em países protestantes na virada do século XX:

Estados Unidos 6%
Canadá 6%
Inglaterra 6%
Holanda 4%
Suíça  0,3%
Alemanha 0,1%

        “Com base na alfabetização e educação que fluíram disso, ocorreram todos os tremendos progressos tecnológicos e científicos que elevaram o padrão de vida no mundo hoje. É por isso que enquanto a renda média de uma pessoa nos Estados Unidos atinge dezenas de milhares de dólares, na China a renda pessoal anual é de U$ 44,00 por ano [dados do princípio dos anos 80, talvez não mais válidos hoje em dia]. A diferença é Cristo! . . .
        “No que concerne a educação, é bem sabido que os primeiros 120 faculdades e universidades estabelecidas nos EUA tiveram o objetivo de promover o avanço do Evangelho de Jesus Cristo para a glória de Deus”.

        Lembro-me de uma comparação entre dois países que na década de 50 tinham aproximadamente  a mesma população e a mesma renda per capita: as Filipinas e a Coréia do Sul. Enquanto o último recebeu grande influxo de missionários protestantes, inclusive possuindo a maior igreja evangélica do mundo, liderada pelo Rev. Paul Cho, as Filipinas confirmaram-se como o maior país católico da Ásia.
        O que se deu após essas cinco décadas? Enquanto a Coréia, grandemente protestante, tornou-se um dos “tigres” asiáticos, fabricando e exportando equipamentos eletrônicos sofisticados e automóveis, e obtendo um tal prestígio entre a comunidade mundial de nações a ponto de qualificar-se como uma das sedes da última Copa do Mundo de Futebol, as Filipinas enfrentam os mesmos problemas socio-econômicos que bem conhecemos na América Latina! Teria a formação religiosa a ver com isso?
        Lembro-me de meus tempos de Ginásio (que atualmente corresponde aos 4 anos de estudo, da 5a. à 8a. séries) quando um professor de História, analisando alguns problemas contemporâneos à luz de fatos passados, comentou em classe: “Eu sou católico de família inteiramente católica, mas digo-lhes uma coisa: os países protestantes desenvolveram-se muito mais do que os católicos, e a razão disso é a preocupação dos pais protestantes com a alfabetização dos filhos logo cedo para que aprendam a ler, a fim de lerem a Bíblia. E com essa alfabetização, logicamente as perspectivas de progresso em todos os campos se desenvolverão. . .”
         Parece indubitável. Comparando-se os frutos de culturas com forte ênfase sobre a leitura da Bíblia, com aquelas que, embora apresentando-se como cristãs, preferem as tradições e a autoridade eclesiástica como fonte de luz e verdade, podem-se perceber os resultados. Jesus falou de como “pelos frutos” se conhece a árvore, se é boa ou má.

Fé Válida Mesmo Na Falta de Unidade

        Lutero e os Reformadores diziam que o seu movimento tinha em vista uma “ecclesia reformata semper reformanda”. Infelizmente, de movimento reformatório, passaram a constituir novas instituições estanques, repetindo o modelo estrutural da instituição que abandonavam em busca de caminhos mais autênticos segundo o sentido real do evangelho. Então, deviam ter prosseguido pesquisando unidamente, reformando, buscando crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”  (2 Pedro 3:18). Por deixar de ser um “movimento” e acomodar-se institucionalmente, o protestantismo terminou desperdiçando oportunidades de avançar unidamente dando um testemunho conjunto do evangelho da justificação pela fé somente.
        De qualquer forma, a sã doutrina, de que tanto fala o Prof. Ramalhete, é o evangelho de Jesus Cristo. Agora, há divergências entre as diversas corporações cristãs em pontos doutrinários e interpretações, é verdade, como as há no seio do catolicismo, e o próprio Prof. Ramalhete admite e até acrescenta suas próprias divergências pessoais ao tratar sobre missa em latim, fazer objeções à teologia da libertação e carismatismo católico, etc. Certamente os adeptos dessas correntes julgam-se com a correta interpretação da doutrina católica, ou, pelo menos, não vêem por que não podem ajustar-se à mesma com suas idéias.
        Afinal, por que o catolicismo segundo o seu entender, com retorno da missa  em latim, por exemplo, é que constitui a única correta interpretação dos ensinos católicos? Os outros também têm seus argumentos e suas razões para defenderem as posições que defendem. E em alguns aspectos, podem contar até com o respaldo do Concílio Vaticano II, como no próprio caso da missa em latim, superada pela missa nas línguas nativas por determinação da Igreja e esmagadora preferência do povo e líderes católicos. Nisso estão até seguindo o parâmetro bíblico, pois a Palavra de Deus foi escrita em linguagem fácil de ser entendida por aqueles às quais se dirigia, tanto no caso do Velho quanto do Novo Testamento.
        Enfim, simplesmente lançar o título de “herético” a alguém só porque não pertence a sua confissão religiosa, preconceituosamente, sem examinar os fatos e dados oferecidos, é atitude anticristã condenada em Mateus 7:1, pois preconceito equivale a pré-julgamento. Por outro lado, seria interessante recordar o episódio registrado pelo evangelista Marcos, cap. 9, quando um discípulo disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que em teu nome expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco. Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e logo a seguir possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é por nós” (vs. 38-40). Portanto, mesmo no tempo do Cristo, nem todos que faziam parte de sua corporação de seguidores estavam excluídos. Quem sabe, tinham até alguma divergência quanto ao pensamento dos discípulos e mantinham alguns conceitos errôneos.
        A verdade é que nem todas as divergências no meio protestante representam uma negação do evangelho, a mensagem básica sobre Cristo e a salvação. Recebi, por exemplo, uma mensagem de um irmão evangélico contestando nossa visão adventista da imortalidade condicional, alegando que isso não é relevante para o tema da salvação em Cristo. Tivemos que concordar que realmente este não é um “ponto de salvação”, como se costuma dizer nos círculos evangélicos. Ou seja, tanto faz a pessoa crer que ao morrer vai diretamente para o céu ou que ficará inconsciente na morte até a ressurreição que isso não afeta sua condição espiritual diante de Deus. E assim é, de fato.
        Reconhecemos isto ao mesmo tempo em que acentuamos a beleza da noção cristocêntrica de que somente em Cristo temos a imortalidade. O apóstolo Paulo pormenoriza a questão do destino final dos mortos no capítulo 15 de Coríntios. É ali que iremos buscar informações mais completas e precisas sobre esse tema da morte e retorno à vida, no final da história humana.
        Eu me recordo de ter visto num almanaque católico, produzido em São Leopoldo, RS., uma interessante discussão sobre o tema da volta de Cristo que o católico reza regularmente cada domingo ao pronunciar o tradicional Credo dos Apóstolos: “[Cristo] há de vir para julgar os vivos e os mortos”. Mas quando se dará tal vinda? O material católico, redigido por um sacerdote, dizia algo como—“isso será ainda daqui a milhares de anos”. . .

O Tema Cristocêntrico da Imortalidade

        Daí se percebe a diferença de concepção entre a posição adventista e a católica quanto à importância do tema da volta de Cristo, o Advento. Para o adventista, este retorno glorioso de Cristo é a grande motivação de sua fé pois representará a concessão da imortalidade aos que “perseveraram até o fim”. Só quando Cristo vier é que o galardão de vida eterna será concedido a todos, juntos, os que já morreram e os que estiverem vivos quando dessa parusia.  Foi o testemunho que Paulo nos deixou por escrito em sua epístola a Timóteo, já no final de sua carreira de missionário e fundador de igrejas: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda” -- 2 Tim. 4:6-8.
        Assim, ele também explica em 1 Cor. 15:16-18 que a ressurreição é a nossa grande esperança de uma nova vida, e eterna. Se não fosse a prometida ressurreição, confirmada pela do próprio Cristo, “os que dormiram em Cristo pereceram”. Assim, os que “dormiram em Cristo”, ou seja, os que inconscientes na morte aguardam a Sua vinda, não estariam já na glória celestial. Não fosse pela ressurreição, e não haveria eternidade.  Pedro confirma que a nossa “esperança viva” deve-se à Ressurreição de Cristo para conceder-nos a herança que se revelará quando do “aparecimento de Jesus Cristo” (não na morte e ida da alma para o céu, mas por ocasião do Advento): 1 Pedro 1:3-7.
        A mensagem de todo este capítulo é bem clara quanto a isso e, interessante, num capítulo dedicado exatamente a expor todas essas questões de morte e retorno à vida, não é estranho que Paulo em parte alguma fale de “almas imortais” recebendo de voltar os seus corpos? Não seria este um detalhe importantíssimo para quem crê na imortalidade da alma? E Paulo simplesmente ignora tal ensino. Como Cristo também ignorou ao consolar as irmãs de Lázaro, ressaltando o tema da ressurreição dos mortos. Ele nada disse sobre Lázaro estar no céu, mas apontou ao dia em que todos viriam das sepulturas para reencetarem a existência interrompida com a morte. Basta ler todo o capítulo 11 de João, especialmente versos 11 (Lázaro está “dormindo”), 23 a 27.
Talvez poucos se lembrem dos bispos holandeses que produziram o então famoso “Novo Catecismo dos Bispos Holandeses”, em meados da década de 60 (promovido logo após o Concílio Vaticano II). Creio que a Igreja Católica teria tudo para avançar extraordinariamente “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” caso acatasse o que propunham aqueles seus eruditos líderes. Mas hoje há ainda eruditos católicos, bem como protestantes em grande número, que propõe esse entendimento bíblico da questão da imortalidade, como o Dr. Bacchiocchi enumera e cita em sua magnífica obra Imortalidade ou Ressurreição?, cuja síntese temos em forma de arquivo eletrônico e disponibilizamos a qualquer interessado que nos solicite, gratuitamente.
        Agora nessa obra o Dr. Bacchiocchi levanta muito competentemente tal questão que destaca a centralidade de Cristo como esperança para a pós-vida. Em vista do grande crescimento do espiritismo, Nova Era, mormonismo e outras filosofias que se fundamentam em concepções procedentes do dualismo grego, e não na concepção holística hebraica, o pensamento de que “quem tem o Filho tem a vida” ressalta-se como grande antídoto a todas essas tendências perigosas e desviadoras da verdade que se promovem em nosso mundo moderno.
        É de causar assombro ver como idéias espíritas, como da reencarnação, comunicação com os mortos, psicografia e “carma” estão arraigadas na mentalidade de muitos católicos romanos, vistos normalmente nas missas dominicais. Durante a semana, porém, serão encontrados seja lendo Allan Kardec e seu Evangelho Segundo o Espiritismo, ou mesmo freqüentando seções tanto do chamado baixo quanto do alto espiritismo. E a Igreja que se pronuncia tão insistentemente contra o “proselitismo” protestante, silencia quanto aos progressos sutis do espiritismo em seu meio. Por que será? Eu tenho a impressão de que o motivo é o seguinte: sendo que quem acata as posições evangélicas basicamente rompe com a Igreja, enquanto os que mantêm essa conduta ambígua prosseguem como “clientes” da Igreja (batizam os seus filhos, têm seus casamentos e funerais na Igreja), esta não quer aliená-los e perdê-los de vez. Assim, ocorre uma “tolerância”, que pode ser perigosa. Sem falar em conhecidos sacerdotes e freiras da Igreja Católica que se confessam “paranormais”
        Todavia, quem crer erradamente na imortalidade não será só por isso descartado da salvação. Ele pertencerá à igreja de Cristo, dentro da concepção bíblica de igreja, a comunidade de crentes em Jesus Cristo, salvos por Sua graça. Essa concepção bíblica certamente contrasta-se com a concepção católica de igreja, como uma entidade hierárquica fundamentada sobre Pedro. Já vimos em estudo anterior que isso não corresponde ao ensino bíblico, a não ser que tomemos Mateus 16:18 isoladamente e desconsideremos todo o restante do que o Novo Testamento ensina sobre a fundação da igreja, seu desenvolvimento e o papel dos apóstolos todos nesse aspecto.
        Por evidências bíblicas e extrabíblicas torna-se evidente que o próprio fundamento do catolicismo cai por terra--a igreja nunca jamais teve Pedro como seu fundamento, chefe, cabeça, papa ou o que seja que lhe atribuam como líder máximo dos cristãos. É pura tradição fantasiosa, sem base, sem escoras no testemunho bíblico, sem lógica, pois Cristo não seria tão irresponsável em fundar Sua igreja sobre um homem falível ao qual até chamou de “pedra de tropeço” e “Satanás”(Mat. 16:23) e que mereceu severa repreensão de um colega de ministério por agir errado (Gál.  2:11-14). Claro que este não foi o fim de sua carreira, pois converteu-se genuinamente e tornou-se uma das colunas da igreja (não a única): Gál. 2:9.

Fé em Quê, Graça de Quem?

        Mas o Prof. Ramalhete, referindo-se jocosamente aos evangélicos crentes na Bíblia como autorizada e única Palava de Deus, desafia a certa altura: “[o protestante crê] que só a fé salva (sem dizer fé em quê), que só pela graça (de quem, não se sabe) salva, e que Jesus (qual? O que deixa posar nua, o que proíbe adultério, o que o celebra...? Quel?!) é o Senhor”.
        Sobre o Jesus deixar alguém posar nua logicamente isso não é o que ensina a Bíblia, assim os evangélicos que realmente ensinam a “sã doutrina” bíblica rejeitam tal interpretação, que é uma indiscutível aberração. Mas como não devemos ter esse péssimo costume de tomar a parte para julgar o todo, analisemos se, afinal, sabemos em que a fé se deve firmar. Todos os evangélicos recorrem à Bíblia para saber que é fé em Jesus Cristo, pois é o que esta ensina, não fé em uma Igreja e seus dogmas. Basta examinar os seguintes textos, entre muitos: Romanos 10:9; Atos 4:12; 16:16-34; Efé. 2:8,9. Portanto, sua alegação de que quem prega a salvação pela fé, se esquece de dizer em que essa fé se firma pode proceder de um de dois fatores: ignorância da doutrina dos evangélicos sobre a salvação pela fé ou má-vontade em reconhecer a verdade do que transmite tal ensino.
        O que consta do parágrafo acima também se aplica a sua declaração—“só pela graça (de quem, não se sabe)”. Será quem não sabe? Ele não sabe quem concede a graça do perdão e reconciliação? Está atribuindo aos evangélicos essa clara ignorância que caracteriza a grande maioria dos católicos romanos? O caso que contei da Vera Lúcia tipifica o problema e por ele se pode saber que não estou exagerando.

Doutrina Imutável?

        Diz Ramalhete: “qualquer católico de hoje pode ler e aprender com textos eclesiais de qualquer época, o que prova que a Doutrina pregada pela Igreja é imutável e não sofreu alterações”.
        Será mesmo? Mas o que ele me diz do celibato sacerdotal? O amigo Y.P. comentou comigo que os primeiros papas e bispos eram casados e que só mais tarde a igreja adotou o celibato. Claro que quem ler os textos referentes aos antigos líderes da igreja cristã, como o próprio Pedro, saberá que alguma coisa mudou
Vi no site do Prof. Ramalhete alguns artigos criticando a teoria evolucionista. É possível que o católico encontre antigos textos realmente definindo a criação da Terra por ato divino, trazendo à existência os nossos bem conhecidos personagens originais, Adão e Eva, e em período relativo curto, de poucos milênios.
        Pois bem, o próprio Papa recentemente emitiu um documento reconhecendo a validade do evolucionismo! Assim, haverá clara diferença entre os textos atuais que discutem a Criação especial, celebrada semanalmente pelo mandamento do sábado, que era um de seus objetivos.
        A teoria da evolução surgiu no seio da intelectualidade ocidental para negar esse Criador e Sua obra de criação com desígnio, sem dúvida, um dos maus frutos do Iluminismo. O quarto mandamento da divina lei, a observância do sábado, serve como uma refutação às idéias de evolução das espécies, de suposta comprovação científica, o que não é verdade como inúmeros pesquisadores sérios, que não venderam a alma para o 'sistema', o têm demonstrado. Contudo, além de desprezar o mandamento que constitui uma contrafação a esse engano sutil, o líder máximo da Igreja Católica em ano recente fez declaração oficial de reconhecimento da teoria da evolução como fato comprovado!
        Sendo assim, a Igreja Católica associa-se aos que defendem a patética idéia de que o homem não foi criado especialmente por Deus para tê-lo como um ser feito “à sua imagem e semelhança”, como descrito no Gênesis (1:26), mas derivou de uma evolução de milhões de anos em múltiplas eras, a partir de uma ameba numa poça d’água barrenta, passando por estágios de bestas irracionais, matando e morrendo em carnificinas colossais até destacar-se como um ser superior que, após outras tantas eras de vida sub-humana, desenvolveu-se tardiamente como homo sapiens, chegando, enfim, à crença num Ser divino originador de tudo.
        Em lugar do quadro bíblico de que “Deus fez  o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ecl. 7:29), crê agora oficialmente a Igreja Católica o contrário disso, como advogam intelectuais e cientistas de vários campos de pesquisa quanto ao evolucionismo, fonte de descrença, agnosticismo e todo tipo de visão materialista que se possa imaginar. Destarte, a Igreja Católica preferiu acatar as teorias dos negadores da criação especial com desígnio, preferindo adotar as teses discutíveis e disputadas dos pregadores da mentira de não ser o homem senão mero animal que por algum feliz acidente desenvolveu-se mentalmente para poder aspirar ao domínio dos demais seres que não tiveram idêntica sorte.
        Paulo bem profetizou que “haverá  tempo em que não suportarão  a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas primeiras cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tim. 4:3, 4).  Isso ele disse após recomendar a seu discípulo Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (vs. 2).
        Tivessem os cristãos sempre mantido o memorial da criação, honrando o mandamento do sábado que ressalta a figura desse Criador, não teríamos mergulhado na condição de generalizada descrença, indiferença às coisas do Alto e despreparo para a eternidade que se tem observado na maior parte do mundo ocidental.
        E os dogmas de infalibilidade papal de 1870, da assunção de Maria de 1950, as mudanças determinadas pelo Concílio Vaticano II? Dizer que isso já era crido pelos católicos há muito tempo pode até ser certo. O problema é provar que tais idéias eram compartilhadas pelos apóstolos de Jesus Cristo e pela igreja primitiva. Então, sem dúvida são novidades posteriores, coisas que foram acrescentadas à mensagem cristã desautorizadamente, por influência do paganismo, como a data do natal, o pinheiro de natal, o domingo em lugar do sábado, a imortalidade e todas as aberrações ligadas a tal erro: purgatório, limbo (parece que não se ensina mais isso), orações e culto em favor dos mortos, intercessão dos santos, culto a imagens, rezas repetidas, etc., etc.
        Muitas das questões das perguntas finais feitas ao Prof. Ramalhete foram cobertas nos vários segmentos que publicamos. Muito mais poderia ser dito e exposto a respeito dos vários temas levantados e objeções suscitadas, mas para concluirmos nossas ponderações aos pensamentos expostos pelo Prof. Ramalhete, damos por encerrado nossa participação até aqui, esperando ter contribuído para que se despertem em nossos amigos católicos, e também evangélicos que estejam acompanhando esta troca de estudos, um desejo de aprofundamento e crescimento na graça e conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo a recomendação do apóstolo Pedro no final de sua 2a. epístola (3:18). Este é um grande desafio para toda a comunidade dos que professam crer em Jesus Cristo, independentemente de linhas denominacionais. Todos só têm a ganhar se seguirem tal conselho apostólico, inspirado por Deus.
        Quanto a troca de opiniões, mesmo divergentes, lembremo-nos que o próprio Deus propôs: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor” (Isa. 1:18).

Segmento 6: Ponderação Finais

A Concepção de Igreja Segundo o Novo Testamento

Encontramos a verdade submetendo-nos à Igreja ou encontramos a Igreja submetendo-nos à verdade?

        A resposta protestante é a segunda opção enquanto os católicos favoreceriam a primeira. Enquanto Roma alega que a verdade se acha onde a igreja se encontra, os protestantes entendem que a igreja se acha onde se encontra a verdade. Essa é uma diferença básica entre católicos e protestantes no que diz respeito à concepção de igreja.
        O evangelho, ou a falta dele, é o que determina o tipo de comunidade religiosa que se formará. Quando o evangelho apostólico rompeu seus laços com o judaísmo, inevitavelmente revolucionou aquela comunidade da aliança. Deixou de ser uma seita fechada em si, exclusivista e retirada do mundo, para se tornar um movimento indo ao mundo. Não mais era uma hierarquia sacerdotal, mas uma fraternidade; não mais um estabelecimento religioso venerado, mas um vibrante movimento missionário.
        A palavra neotestamentária geralmente traduzida por “igreja” é assembléia. Como a maioria das grandes palavras neotestamentárias, ela tem uma conotação veterotestamentária. A assembléia da comunidade da aliança diante de Deus no Sinai constituía a igreja do Velho Testamento (Der. 4:10; 9:10; 10:4). No Novo Testamento, a igreja é a assembléia daqueles que foram reunidos pelo chamado do evangelho e pelo Espírito Santo numa comunidade embalada pela nova aliança.
        Muitas vezes se acham outros termos no Novo Testamento para descrever a realidade da igreja. Dez livros do Novo Testamento nem sequer fazem menção à palavra igreja. A assembléia dos cristãos é chamada os santos, os santificados, crentes, discípulos, servos, testemunhas, o povo de Deus, o templo, a família de Deus, a noiva de Cristo, a vinha, o rebanho e, talvez mais significativamente, o corpo de Cristo.
        O Novo Testamento vê a igreja em dois modos diferentes—como a companhia universal de todos os verdadeiros cristãos e como a assembléia local dos crentes. A companhia de todos os verdadeiros cristãos é freqüentemente chamada a igreja universal ou invisível. A igreja nesse sentido consiste de todos os que crêem em Cristo. É a assembléia universal de todos cujos pecados foram perdoados, ou, como declara o destacado teólogo Augustus Strong “a companhia integral de pessoas regeneradas em todos os tempos e eras, no céu e sobre a terra (Mat. 16:18; Efé. 1:22, 23; 3:10; 5:24, 25; Col. 1:18; Heb. 12:23)”.
        Nenhuma pessoa ímpia, não-regenerada, pertence a essa assembléia geral, conquanto freqüente assiduamente a igreja e participe de todos os seus ritos e programas. Quem quer que creia no evangelho não terá negada participação na igreja cristã. Em sua obra Christian Dogmatics Francis Pieper afirma corretamente: “Àquele que rejeita o evangelho, a condição de membro da igreja não é assegurada”. Em contraste com isso, prossegue ele, “A excomunhão pronunciada contra os verdadeiros crentes não os priva de serem membros da igreja” (Op. Cit., 3:399).
        O Novo Testamento também fala da igreja no sentido de assembléia local e conjunto local de crentes. A New English Bible corretamente substitui a palavra “igreja” por “congregação” em Mateus 18:17. É aqui que a igreja universal, invisível se torna visível. A existência de uma congregação local que elege oficiais, designa um ministério e disciplina seus membros é arranjo e mandato divino. Conquanto seja bíblico insistir em que não há salvação fora da igreja cristã, é antibíblico insistir em que não há salvação fora de uma igreja visível.
        O termo igreja pode, pois, aplicar-se tanto à assembléia universal invisível dos que foram regenerados pelo sangue do Cordeiro, como a uma assembléia local, visível, mas sempre tem o sentido de uma congregação ou comunidade. O termo nunca se aplica a qualquer aparato organizacional, instituição eclesiástica ou sínodo ou conferência governante. Tampouco o Novo Testamento jamais chama qualquer edifício de “igreja” ou “casa de Deus”, como se costuma fazer hoje.
        Quando o Novo Testamento fala do “edifício” ou “casa de Deus”, significa a congregação viva (Efé. 2:19-22; Heb. 3:6; 1 Ped. 2:4,5). Nenhuma denominação pode ser chamada a “igreja”, num sentido escriturístico. Um cristão deve ter sua posição de membro da igreja universal e normalmente participar de uma assembléia local de crentes. Não há ordenança bíblica de pertencer a denominação alguma. As igrejas locais podem por consenso comum unir-se num sínodo ou convenção de igrejas, mas não há ordem definida na Palavra de Deus quanto a isso. O poder e responsabilidade de disciplinar membros, estabelecer um ministro ordenado e eleger oficiais reside com a assembléia local.
        Diz ainda Pieper: “A Igreja Cristã não tem autoridade de ordenar qualquer artigo de fé, nunca ordenou e nunca ordenará um. A Igreja de Deus não tem poder para impor qualquer preceito. . . . Todos os artigos de fé são plenamente estabelecidos na Santa Escritura, de modo que não há necessidade de designar sequer um só” (Op. Cit., 3:430-31).
        Em cumprimento à profecia paulina em Atos 20:29 e 30, sobre os desvios da igreja após sua partida, a partir do segundo século o conceito de igreja tornou-se crescentemente associada com a instituição externa e o governo dos bispos. A instituição ou organização exterior tendeu a assumir todas as funções da igreja até que a organização cúltica se tornou identificada com a igreja. A igreja passou a ser concebida como a organização, em lugar de ser a comunidade.
        Essa identificação da igreja com a organização exterior teve seu paralelo no desenvolvimento de um governo eclesiástico hierárquico. A assembléia local perdeu o privilégio e responsabilidade de se auto-governar. O ministério passou a ser ordenado e designado pela hierarquia superior, antes que pela assembléia local. Todas as questões de fé vieram a ser decididas pela elite eclesiástica, e o governo eclesiástico central assumiu o direito de decretar leis impondo-se sobre as assembléias locais e sobre a consciência dos cristãos individuais. O ministério pertencia à casta hierárquica que passou a governar a congregação, perdendo-se de vista o conceito restaurado depois pela Reforma de “sacerdócio universal de todos os crentes”.
        O conceito católico romano de igreja consiste da ecclesia docens (os que governam e ensinam) e  a ecclesia audiens (os que ouvem e obedecem). Mas a ecclesia audiens é somente considerada como parte da igreja na medida em que se submeta à  hierarquia governante.
        Estabeleceu-se um grande abismo entre clero e leigos. O clero governa, os leigos não têm voz no governo da igreja ou em julgar artigos de fé. O ministério não se acha mais na congregação, mas acima desta. Isso logicamente conduziu a uma instituição arrogante, triunfalística, intolerante e até brutal, como se  viu nos episódios registrados historicamente da inquisição e cruzadas e mais recentemente nos problemas do catolicismo americano, quando leigos tentaram debater as questões junto ao clero e propor mudanças, mas não tiveram chance. Alguns de fato foram ouvidos, mas como vítimas de situações de abuso. Suas reivindicações de tolerância zero não encontraram eco entre os bispos, que são os que decidem tudo numa organização que nada tem de democrática.

O Real Sentido de Evangelho

        A mensagem do evangelho, que os apóstolos proclamavam com o poder do Espírito Santo, é assim sintetizado por Paulo em 1 Cor. 15:1-4: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.
        Simples, cristocêntrica, objetiva deve ser a mensagem cristã. As tantas práticas, teorias, tradições que se adicionaram a essa mensagem, com elementos a ela estranhos, exaltando uma estrutura hierárquica ou organizacional sobre essa simplicidade original, devem ser desprezadas e rejeitadas pelo genuíno seguidor de Cristo. Afinal, evangelho significa boas novas, não de que haja uma organização detentora dos meios de salvação, pois esta está disponível a todos pela fé no que significa essa crucifixão sob Pôncio Pilatos—a morte expiatória de Cristo.
        A ênfase dos apóstolos era: “Tudo nos provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Cor. 5:19).
        Essa ênfase cristocêntrica da mensagem cristã perdeu o lugar para um enfoque eclesiocêntrico  no catolicismo. Infelizmente, como diz o erudito Samuele Bacchiocchi, “o Cristo que a maioria dos católicos conhece é o Cristo que engolem durante a missa”. E como evidência adicional disso, ele apresenta o fato inegável de como a comunidade católica perdeu de vista o centro da religião cristã na própria prática idolátrica de culto às imagens: “Poucas famílias de católicos devotos exibem um quadro de Cristo em suas casas. Eu ousaria dizer que de 100 católicos devotos das famílias italianas, talvez 4 ou 5 delas tenham um quadro de Cristo dependurado em alguma parede. Sua devoção é basicamente a Maria e aos santos que podem interceder por eles diretamente. No que concerne a Cristo, pouco sabem a Seu respeito. Conhecem sobretudo que ‘o ministério salvífico de Cristo’ lhes está disponível mediante a Eucaristia”.
        Neste contexto, lembro-me da Vera Lúcia, amiga de Minas Gerais, fiel católica que não perdia uma só missa aos sábados à noite (significativamente, já valendo como o domingo). Em conversa com ela, comentávamos problemas humanos e conseqüências de atos condenáveis da parte de alguns. “Tudo quanto se faz de errado nesta vida tem de ser pago aqui mesmo”, comentou-me ela. Estranhei sua linguagem, tipicamente espírita, e indaguei-lhe o que realmente queria dizer. Foi quando me revelou opiniões particulares exatamente nessa linha do raciocínio espírita, falando em reencarnação, retorno à vida noutra ocasião para compensar os malfeitos e aprimorar-se para vidas futuras.
“Como pode pensar assim sendo uma cristã católica?”, indaguei-lhe.
“Ora, minha mãe e meus irmãos, praticamente todos em minha família tradicionalmente católica, sempre creram assim!”, explicou-me ela.
        Aí está uma séria constatação. Alguém dizia que o Brasil, tido como “o maior país católico do mundo” na verdade não pode mais ser assim caracterizado. Seria, isto sim, o maior país espírita do mundo! Que se observem a multiplicação de centros de baixo espiritismo, a difusão de literatura e adeptos do kardecismo por todo o país, o crescente prestígio de líderes do “baixo” e “alto” espiritismo por toda a nação e o quase completo silêncio das autoridades católicas ante tais avanços.
        Lembro-me até de ter visto pela TV uns anos atrás uma “missa aculturada” em que o som de atabaques e mulheres de longas saias trazendo jarros de barro com água serviam de pano de fundo para o ritual católico administrado pelo arcebispo de São Paulo, Dom Evaristo Arns, num dos maiores templos católicos da capital paulista, em sincretismo extremamente revelador de como o catolicismo se ajusta e se adapta à religiosidade popular segundo suas conveniências, uma evidência contemporânea de outros ajustes semelhantes ocorridos ao longo de sua história.
        Retornando à Vera Lúcia, lembro-me de ter-lhe ponderado seriamente sobre as idéias que me expunha e como contradiziam o pensamento cristão e bíblico:
        “Vera, veja bem. Não temos que pagar pelos erros nesta vida. Tal teoria é anticristã. Não precisamos pagar nada, porque já foi pago!”
“Como assim?” indagou ela intrigada.
        “Sim, para quem tem conhecimento da verdade do evangelho e a aceita, já foi tudo pago. Nossos pecados e erros foram pagos por Cristo. O que significa a cruz para você? Pense bem, o que foi operado naquela cruz? Não foi o pagamento pelas dívidas humanas? Não é esse o sentido do evangelho?”
Vera ficou pensativa, e demonstrando real surpresa confessou: “Eu nunca havia pensado nisso!” A fiel católica de anos e anos de assistência regular à missa nunca havia pensado no real sentido do evangelho, as boas novas de salvação! Não admira ter acatado a visão espírita, aparentemente tão lógica e justa.
        E assim pensam multidões de católicos romanos, ignorando o plano de salvação por ignorarem a Bíblia e sua mensagem básica. A Igreja Católica não oferece o incentivo para tal, exaltando suas tradições, convencendo os seus membros a confiarem cegamente no magistério da Igreja para a correta interpretação da mensagem da Palavra de Deus, conquanto Paulo haja instado a seu discípulo Timóteo: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Antes, Paulo o havia elogiado porque “desde a infância sabes as sagradas letras” (1 Tim. 2:15 e 3: 15).  O exemplo dos bereanos, que fielmente conferiam os ensinos que aprendiam dos apóstolos nas Escrituras foi elogiado em Atos 17:11, numa maravilhosa evidência de que o “livre exame” da Bíblia está em perfeita harmonia com a vontade de Deus.

Os Frutos da Ignorância Cultivada

        Sabe-se, porém, como a Igreja jamais se empenhou em fazer da Bíblia um livro popular. Ao contrário, quanta perseguição, quanta objeção, quanta desinformação não prevaleceram ao longo de séculos da parte dessa poderosa instituição, que pretende ser o meio de iluminação da verdade aos homens.
        Os frutos disso são por demais conhecidos ao longo da história. A era de trevas medievais, quando os homens viviam sob a opressão da igreja dominante, acatando as mais estranhas idéias supersticiosas por desconhecerem a mensagem libertadora do evangelho. Contudo, o Prof. Ramalhete deplora a eclosão do Iluminismo, a libertação de tantas criaturas das amarras da escravidão ideológica. É claro que houve desacertos, pensadores movidos por motivos não santificados, livre expressão e  mesmo promoção da descrença, mas foi o preço a pagar pela liberdade e tolerância conquistados. Em todos os movimentos revolucionários sempre se pode contar com vantagens e desvantagens, mas as inegáveis conquistas no campo ideológico, com o livre direito de todos pensarem e agirem segundo os ditames de sua consciência, o próprio progresso científico indiscutível a partir dessa nova era de liberdade, a indiscutível conquista dos Direitos Humanos, a libertação dos escravos, a valorização dos nativos colocam um peso maior para o lado positivo do que negativo.
        O Dr. James Kennedy, que mantém um bem sucedido ministério evangelístico, com sede em Fort Lauderdale, Flórida, além de uma apreciada programação pela TV, apresentou um estudo em que compara países de formação protestante, católica e não-cristãs na virada do século XIX para o XX em termos de alfabetização.
Diz ele a certa altura:

        “Se examinarmos os vários países do mundo descobrimos que caem em três categorias: as nações pagãs, as nações predominantemente católicas, e as nações predominantemente protestantes. Qual é a diferença no que tange a alfabetização e falta dela? Permitam-me apresentar-lhes alguns dados sobre índices de alfabetização nas nações na virada do século [XX] em países dessas três categorias.
“Nações pagãs:

China  80% de analfabetismo
Egito   92% de analfabetismo
Índia   93% de analfabetismo

        “Se prosseguíssemos veríamos que a maiorias das nações pagãs caem num índice de 80 a 90 por cento de analfabetismo. As igrejas católicas começaram a levar a luz do evangelho a países abaixo alistados, mas não deram a ênfase peculiar de leitura da Palavra de Deus tão distintiva do protestantismo. Não obstante, algumas mudanças foram feitas.

“Analfabetismo em países predominantemente católicos:

Espanha 46%
Portugal 69%
México 70%
Argentina 54%
Romênia 61%
Grécia 57%
Itália 38%

        “Basicamente, o índice de analfabetismo nos países católico se estendem de 40 a 70 por cento.
“Há países predominantemente protestantes com seus hábitos distintivos de leitura da Palavra de Deus. Lembrem-se que os Peregrinos no Mayflower declararam, ao atingirem a costa americana naquela pequena embarcação, antes de pisarem terra firme, que ensinariam seus filhos a ler. Por quê? A fim de que lessem a Palavra de Deus! O resultado:
“Índices de analfabetismo em países protestantes na virada do século XX:

Estados Unidos 6%
Canadá 6%
Inglaterra 6%
Holanda 4%
Suíça  0,3%
Alemanha 0,1%

        “Com base na alfabetização e educação que fluíram disso, ocorreram todos os tremendos progressos tecnológicos e científicos que elevaram o padrão de vida no mundo hoje. É por isso que enquanto a renda média de uma pessoa nos Estados Unidos atinge dezenas de milhares de dólares, na China a renda pessoal anual é de U$ 44,00 por ano [dados do princípio dos anos 80, talvez não mais válidos hoje em dia]. A diferença é Cristo! . . .
        “No que concerne a educação, é bem sabido que os primeiros 120 faculdades e universidades estabelecidas nos EUA tiveram o objetivo de promover o avanço do Evangelho de Jesus Cristo para a glória de Deus”.

        Lembro-me de uma comparação entre dois países que na década de 50 tinham aproximadamente  a mesma população e a mesma renda per capita: as Filipinas e a Coréia do Sul. Enquanto o último recebeu grande influxo de missionários protestantes, inclusive possuindo a maior igreja evangélica do mundo, liderada pelo Rev. Paul Cho, as Filipinas confirmaram-se como o maior país católico da Ásia.
        O que se deu após essas cinco décadas? Enquanto a Coréia, grandemente protestante, tornou-se um dos “tigres” asiáticos, fabricando e exportando equipamentos eletrônicos sofisticados e automóveis, e obtendo um tal prestígio entre a comunidade mundial de nações a ponto de qualificar-se como uma das sedes da última Copa do Mundo de Futebol, as Filipinas enfrentam os mesmos problemas socio-econômicos que bem conhecemos na América Latina! Teria a formação religiosa a ver com isso?
        Lembro-me de meus tempos de Ginásio (que atualmente corresponde aos 4 anos de estudo, da 5a. à 8a. séries) quando um professor de História, analisando alguns problemas contemporâneos à luz de fatos passados, comentou em classe: “Eu sou católico de família inteiramente católica, mas digo-lhes uma coisa: os países protestantes desenvolveram-se muito mais do que os católicos, e a razão disso é a preocupação dos pais protestantes com a alfabetização dos filhos logo cedo para que aprendam a ler, a fim de lerem a Bíblia. E com essa alfabetização, logicamente as perspectivas de progresso em todos os campos se desenvolverão. . .”
 Parece indubitável. Comparando-se os frutos de culturas com forte ênfase sobre a leitura da Bíblia, com aquelas que, embora apresentando-se como cristãs, preferem as tradições e a autoridade eclesiástica como fonte de luz e verdade, podem-se perceber os resultados. Jesus falou de como “pelos frutos” se conhece a árvore, se é boa ou má.

Fé Válida Mesmo Na Falta de Unidade

        Lutero e os Reformadores diziam que o seu movimento tinha em vista uma “ecclesia reformata semper reformanda”. Infelizmente, de movimento reformatório, passaram a constituir novas instituições estanques, repetindo o modelo estrutural da instituição que abandonavam em busca de caminhos mais autênticos segundo o sentido real do evangelho. Então, deviam ter prosseguido pesquisando unidamente, reformando, buscando crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”  (2 Pedro 3:18). Por deixar de ser um “movimento” e acomodar-se institucionalmente, o protestantismo terminou desperdiçando oportunidades de avançar unidamente dando um testemunho conjunto do evangelho da justificação pela fé somente.
        De qualquer forma, a sã doutrina, de que tanto fala o Prof. Ramalhete, é o evangelho de Jesus Cristo. Agora, há divergências entre as diversas corporações cristãs em pontos doutrinários e interpretações, é verdade, como as há no seio do catolicismo, e o próprio Prof. Ramalhete admite e até acrescenta suas próprias divergências pessoais ao tratar sobre missa em latim, fazer objeções à teologia da libertação e carismatismo católico, etc. Certamente os adeptos dessas correntes julgam-se com a correta interpretação da doutrina católica, ou, pelo menos, não vêem por que não podem ajustar-se à mesma com suas idéias.
        Afinal, por que o catolicismo segundo o seu entender, com retorno da missa  em latim, por exemplo, é que constitui a única correta interpretação dos ensinos católicos? Os outros também têm seus argumentos e suas razões para defenderem as posições que defendem. E em alguns aspectos, podem contar até com o respaldo do Concílio Vaticano II, como no próprio caso da missa em latim, superada pela missa nas línguas nativas por determinação da Igreja e esmagadora preferência do povo e líderes católicos. Nisso estão até seguindo o parâmetro bíblico, pois a Palavra de Deus foi escrita em linguagem fácil de ser entendida por aqueles às quais se dirigia, tanto no caso do Velho quanto do Novo Testamento.
        Enfim, simplesmente lançar o título de “herético” a alguém só porque não pertence a sua confissão religiosa, preconceituosamente, sem examinar os fatos e dados oferecidos, é atitude anticristã condenada em Mateus 7:1, pois preconceito equivale a pré-julgamento. Por outro lado, seria interessante recordar o episódio registrado pelo evangelista Marcos, cap. 9, quando um discípulo disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que em teu nome expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco. Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e logo a seguir possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é por nós” (vs. 38-40). Portanto, mesmo no tempo do Cristo, nem todos que faziam parte de sua corporação de seguidores estavam excluídos. Quem sabe, tinham até alguma divergência quanto ao pensamento dos discípulos e mantinham alguns conceitos errôneos.
        A verdade é que nem todas as divergências no meio protestante representam uma negação do evangelho, a mensagem básica sobre Cristo e a salvação. Recebi, por exemplo, uma mensagem de um irmão evangélico contestando nossa visão adventista da imortalidade condicional, alegando que isso não é relevante para o tema da salvação em Cristo. Tivemos que concordar que realmente este não é um “ponto de salvação”, como se costuma dizer nos círculos evangélicos. Ou seja, tanto faz a pessoa crer que ao morrer vai diretamente para o céu ou que ficará inconsciente na morte até a ressurreição que isso não afeta sua condição espiritual diante de Deus. E assim é, de fato.
        Reconhecemos isto ao mesmo tempo em que acentuamos a beleza da noção cristocêntrica de que somente em Cristo temos a imortalidade. O apóstolo Paulo pormenoriza a questão do destino final dos mortos no capítulo 15 de Coríntios. É ali que iremos buscar informações mais completas e precisas sobre esse tema da morte e retorno à vida, no final da história humana.
        Eu me recordo de ter visto num almanaque católico, produzido em São Leopoldo, RS., uma interessante discussão sobre o tema da volta de Cristo que o católico reza regularmente cada domingo ao pronunciar o tradicional Credo dos Apóstolos: “[Cristo] há de vir para julgar os vivos e os mortos”. Mas quando se dará tal vinda? O material católico, redigido por um sacerdote, dizia algo como—“isso será ainda daqui a milhares de anos”. . .

O Tema Cristocêntrico da Imortalidade

        Daí se percebe a diferença de concepção entre a posição adventista e a católica quanto à importância do tema da volta de Cristo, o Advento. Para o adventista, este retorno glorioso de Cristo é a grande motivação de sua fé pois representará a concessão da imortalidade aos que “perseveraram até o fim”. Só quando Cristo vier é que o galardão de vida eterna será concedido a todos, juntos, os que já morreram e os que estiverem vivos quando dessa parusia.  Foi o testemunho que Paulo nos deixou por escrito em sua epístola a Timóteo, já no final de sua carreira de missionário e fundador de igrejas: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda” -- 2 Tim. 4:6-8.
        Assim, ele também explica em 1 Cor. 15:16-18 que a ressurreição é a nossa grande esperança de uma nova vida, e eterna. Se não fosse a prometida ressurreição, confirmada pela do próprio Cristo, “os que dormiram em Cristo pereceram”. Assim, os que “dormiram em Cristo”, ou seja, os que inconscientes na morte aguardam a Sua vinda, não estariam já na glória celestial. Não fosse pela ressurreição, e não haveria eternidade.  Pedro confirma que a nossa “esperança viva” deve-se à Ressurreição de Cristo para conceder-nos a herança que se revelará quando do “aparecimento de Jesus Cristo” (não na morte e ida da alma para o céu, mas por ocasião do Advento): 1 Pedro 1:3-7.
        A mensagem de todo este capítulo é bem clara quanto a isso e, interessante, num capítulo dedicado exatamente a expor todas essas questões de morte e retorno à vida, não é estranho que Paulo em parte alguma fale de “almas imortais” recebendo de voltar os seus corpos? Não seria este um detalhe importantíssimo para quem crê na imortalidade da alma? E Paulo simplesmente ignora tal ensino. Como Cristo também ignorou ao consolar as irmãs de Lázaro, ressaltando o tema da ressurreição dos mortos. Ele nada disse sobre Lázaro estar no céu, mas apontou ao dia em que todos viriam das sepulturas para reencetarem a existência interrompida com a morte. Basta ler todo o capítulo 11 de João, especialmente versos 11 (Lázaro está “dormindo”), 23 a 27.
Talvez poucos se lembrem dos bispos holandeses que produziram o então famoso “Novo Catecismo dos Bispos Holandeses”, em meados da década de 60 (promovido logo após o Concílio Vaticano II). Creio que a Igreja Católica teria tudo para avançar extraordinariamente “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” caso acatasse o que propunham aqueles seus eruditos líderes. Mas hoje há ainda eruditos católicos, bem como protestantes em grande número, que propõe esse entendimento bíblico da questão da imortalidade, como o Dr. Bacchiocchi enumera e cita em sua magnífica obra Imortalidade ou Ressurreição?, cuja síntese temos em forma de arquivo eletrônico e disponibilizamos a qualquer interessado que nos solicite, gratuitamente.
        Agora nessa obra o Dr. Bacchiocchi levanta muito competentemente tal questão que destaca a centralidade de Cristo como esperança para a pós-vida. Em vista do grande crescimento do espiritismo, Nova Era, mormonismo e outras filosofias que se fundamentam em concepções procedentes do dualismo grego, e não na concepção holística hebraica, o pensamento de que “quem tem o Filho tem a vida” ressalta-se como grande antídoto a todas essas tendências perigosas e desviadoras da verdade que se promovem em nosso mundo moderno.
        É de causar assombro ver como idéias espíritas, como da reencarnação, comunicação com os mortos, psicografia e “carma” estão arraigadas na mentalidade de muitos católicos romanos, vistos normalmente nas missas dominicais. Durante a semana, porém, serão encontrados seja lendo Allan Kardec e seu Evangelho Segundo o Espiritismo, ou mesmo freqüentando seções tanto do chamado baixo quanto do alto espiritismo. E a Igreja que se pronuncia tão insistentemente contra o “proselitismo” protestante, silencia quanto aos progressos sutis do espiritismo em seu meio. Por que será? Eu tenho a impressão de que o motivo é o seguinte: sendo que quem acata as posições evangélicas basicamente rompe com a Igreja, enquanto os que mantêm essa conduta ambígua prosseguem como “clientes” da Igreja (batizam os seus filhos, têm seus casamentos e funerais na Igreja), esta não quer aliená-los e perdê-los de vez. Assim, ocorre uma “tolerância”, que pode ser perigosa. Sem falar em conhecidos sacerdotes e freiras da Igreja Católica que se confessam “paranormais”
        Todavia, quem crer erradamente na imortalidade não será só por isso descartado da salvação. Ele pertencerá à igreja de Cristo, dentro da concepção bíblica de igreja, a comunidade de crentes em Jesus Cristo, salvos por Sua graça. Essa concepção bíblica certamente contrasta-se com a concepção católica de igreja, como uma entidade hierárquica fundamentada sobre Pedro. Já vimos em estudo anterior que isso não corresponde ao ensino bíblico, a não ser que tomemos Mateus 16:18 isoladamente e desconsideremos todo o restante do que o   Novo Testamento ensina sobre a fundação da igreja, seu desenvolvimento e o papel dos apóstolos todos nesse aspecto.
        Por evidências bíblicas e extrabíblicas torna-se evidente que o próprio fundamento do catolicismo cai por terra--a igreja nunca jamais teve Pedro como seu fundamento, chefe, cabeça, papa ou o que seja que lhe atribuam como líder máximo dos cristãos. É pura tradição fantasiosa, sem base, sem escoras no testemunho bíblico, sem lógica, pois Cristo não seria tão irresponsável em fundar Sua igreja sobre um homem falível ao qual até chamou de “pedra de tropeço” e “Satanás”(Mat. 16:23) e que mereceu severa repreensão de um colega de ministério por agir errado (Gál.  2:11-14). Claro que este não foi o fim de sua carreira, pois converteu-se genuinamente e tornou-se uma das colunas da igreja (não a única): Gál. 2:9.

Fé em Quê, Graça de Quem?

        Mas o Prof. Ramalhete, referindo-se jocosamente aos evangélicos crentes na Bíblia como autorizada e única Palava de Deus, desafia a certa altura: “[o protestante crê] que só a fé salva (sem dizer fé em quê), que só pela graça (de quem, não se sabe) salva, e que Jesus (qual? O que deixa posar nua, o que proíbe adultério, o que o celebra...? Quel?!) é o Senhor”.
        Sobre o Jesus deixar alguém posar nua logicamente isso não é o que ensina a Bíblia, assim os evangélicos que realmente ensinam a “sã doutrina” bíblica rejeitam tal interpretação, que é uma indiscutível aberração. Mas como não devemos ter esse péssimo costume de tomar a parte para julgar o todo, analisemos se, afinal, sabemos em que a fé se deve firmar. Todos os evangélicos recorrem à Bíblia para saber que é fé em Jesus Cristo, pois é o que esta ensina, não fé em uma Igreja e seus dogmas. Basta examinar os seguintes textos, entre muitos: Romanos 10:9; Atos 4:12; 16:16-34; Efé. 2:8,9. Portanto, sua alegação de que quem prega a salvação pela fé, se esquece de dizer em que essa fé se firma pode proceder de um de dois fatores: ignorância da doutrina dos evangélicos sobre a salvação pela fé ou má-vontade em reconhecer a verdade do que transmite tal ensino.
        O que consta do parágrafo acima também se aplica a sua declaração—“só pela graça (de quem, não se sabe)”. Será quem não sabe? Ele não sabe quem concede a graça do perdão e reconciliação? Está atribuindo aos evangélicos essa clara ignorância que caracteriza a grande maioria dos católicos romanos? O caso que contei da Vera Lúcia tipifica o problema e por ele se pode saber que não estou exagerando.

Doutrina Imutável?

        Diz Ramalhete: “qualquer católico de hoje pode ler e aprender com textos eclesiais de qualquer época, o que prova que a Doutrina pregada pela Igreja é imutável e não sofreu alterações”.
        Será mesmo? Mas o que ele me diz do celibato sacerdotal? O amigo Y.P. comentou comigo que os primeiros papas e bispos eram casados e que só mais tarde a igreja adotou o celibato. Claro que quem ler os textos referentes aos antigos líderes da igreja cristã, como o próprio Pedro, saberá que alguma coisa mudou
Vi no site do Prof. Ramalhete alguns artigos criticando a teoria evolucionista. É possível que o católico encontre antigos textos realmente definindo a criação da Terra por ato divino, trazendo à existência os nossos bem conhecidos personagens originais, Adão e Eva, e em período relativo curto, de poucos milênios.
        Pois bem, o próprio Papa recentemente emitiu um documento reconhecendo a validade do evolucionismo! Assim, haverá clara diferença entre os textos atuais que discutem a Criação especial, celebrada semanalmente pelo mandamento do sábado, que era um de seus objetivos.
        A teoria da evolução surgiu no seio da intelectualidade ocidental para negar esse Criador e Sua obra de criação com desígnio, sem dúvida, um dos maus frutos do Iluminismo. O quarto mandamento da divina lei, a observância do sábado, serve como uma refutação às idéias de evolução das espécies, de suposta comprovação científica, o que não é verdade como inúmeros pesquisadores sérios, que não venderam a alma para o 'sistema', o têm demonstrado. Contudo, além de desprezar o mandamento que constitui uma contrafação a esse engano sutil, o líder máximo da Igreja Católica em ano recente fez declaração oficial de reconhecimento da teoria da evolução como fato comprovado!
        Sendo assim, a Igreja Católica associa-se aos que defendem a patética idéia de que o homem não foi criado especialmente por Deus para tê-lo como um ser feito “à sua imagem e semelhança”, como descrito no Gênesis (1:26), mas derivou de uma evolução de milhões de anos em múltiplas eras, a partir de uma ameba numa poça d’água barrenta, passando por estágios de bestas irracionais, matando e morrendo em carnificinas colossais até destacar-se como um ser superior que, após outras tantas eras de vida sub-humana, desenvolveu-se tardiamente como homo sapiens, chegando, enfim, à crença num Ser divino originador de tudo.
        Em lugar do quadro bíblico de que “Deus fez  o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ecl. 7:29), crê agora oficialmente a Igreja Católica o contrário disso, como advogam intelectuais e cientistas de vários campos de pesquisa quanto ao evolucionismo, fonte de descrença, agnosticismo e todo tipo de visão materialista que se possa imaginar. Destarte, a Igreja Católica preferiu acatar as teorias dos negadores da criação especial com desígnio, preferindo adotar as teses discutíveis e disputadas dos pregadores da mentira de não ser o homem senão mero animal que por algum feliz acidente desenvolveu-se mentalmente para poder aspirar ao domínio dos demais seres que não tiveram idêntica sorte.
        Paulo bem profetizou que “haverá  tempo em que não suportarão  a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas primeiras cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tim. 4:3, 4).  Isso ele disse após recomendar a seu discípulo Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (vs. 2).
        Tivessem os cristãos sempre mantido o memorial da criação, honrando o mandamento do sábado que ressalta a figura desse Criador, não teríamos mergulhado na condição de generalizada descrença, indiferença às coisas do Alto e despreparo para a eternidade que se tem observado na maior parte do mundo ocidental.
        E os dogmas de infalibilidade papal de 1870, da assunção de Maria de 1950, as mudanças determinadas pelo Concílio Vaticano II? Dizer que isso já era crido pelos católicos há muito tempo pode até ser certo. O problema é provar que tais idéias eram compartilhadas pelos apóstolos de Jesus Cristo e pela igreja primitiva. Então, sem dúvida são novidades posteriores, coisas que foram acrescentadas à mensagem cristã desautorizadamente, por influência do paganismo, como a data do natal, o pinheiro de natal, o domingo em lugar do sábado, a imortalidade e todas as aberrações ligadas a tal erro: purgatório, limbo (parece que não se ensina mais isso), orações e culto em favor dos mortos, intercessão dos santos, culto a imagens, rezas repetidas, etc., etc.
        Muitas das questões das perguntas finais feitas ao Prof. Ramalhete foram cobertas nos vários segmentos que publicamos. Muito mais poderia ser dito e exposto a respeito dos vários temas levantados e objeções suscitadas, mas para concluirmos nossas ponderações aos pensamentos expostos pelo Prof. Ramalhete, damos por encerrado nossa participação até aqui, esperando ter contribuído para que se despertem em nossos amigos católicos, e também evangélicos que estejam acompanhando esta troca de estudos, um desejo de aprofundamento e crescimento na graça e conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo a recomendação do apóstolo Pedro no final de sua 2a. epístola (3:18). Este é um grande desafio para toda a comunidade dos que professam crer em Jesus Cristo, independentemente de linhas denominacionais. Todos só têm a ganhar se seguirem tal conselho apostólico, inspirado por Deus.
        Quanto a troca de opiniões, mesmo divergentes, lembremo-nos que o próprio Deus propôs: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor” (Isa. 1:18).


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