MISSÃO DE MARTE À TERRA CONFUNDE ET ESPIÃO


 
Prof. Azenilto G. Brito

 A grande e luminosa esfera azul, vista tão detalhadamente em todo o seu esplendor de equilíbrio de água e terra, certamente despertaria o interesse dos cientistas de Marte, que discutiam em painéis de estudos científicos as magníficas visões desse planeta não tão distante. Como seria a existência sobre a Terra? Haveria vida inteligente? Em caso positivo, propiciaria isto condições para um relacionamento interplanetário favorável entre os possíveis seres de ambos os mundos? Poderia fornecer elementos materiais que contribuíssem para melhorias na vida marciana?

As autoridades do nosso vizinho orbital decidiram que a melhor metodologia para se conseguir respostas positivas a estas e tantas outras indagações seria mandar um representante investigador que descesse à Terra de modo disfarçado, como um verdadeiro espião interplanetário. Do modo mais discreto possível, vivendo entre os terráqueos fossem com fossem, tal enviado colheria informações pormenorizadas sobre os usos e costumes dos habitantes do globo que nos serve de moradia. Os responsáveis pela secreta missão reuniriam as informações colhidas para estudo mais detido das implicações de tal levantamento.

Planos delineados e postos em execução, um simpático ET marciano surgiu um dia de meados de dezembro sobre o hemisfério ocidental, num disco voador que escondeu numa caverna localizada antes por técnicos marcianos mediante poderosos telescópios.

Sua primeira constatação foi descobrir vida “evoluída” por aqui. Disfarçando-se de humano, circulou por vilas e cidades, ruas e avenidas, bairros e distritos a tudo observando e anotando. Percebeu que havia grande movimentação em lojas, igrejas e residências. “Parece que há um grande festival em andamento”, indicou ele no primeiro FAX que mandou para seus superiores do planeta vermelho. “Há um velhinho gordo, de roupagem vermelha, que aparece por todo lado e é muito popular. Deve ser a festa do velhinho”.

A ordem que recebeu lá de cima foi: “Investigue mais sobre isso. Que velhinho é esse e que festa é essa?”
Acatando a instrução, nosso curioso ET mutante, disfarçado de gente, teve logo que refazer o relatório com mais alguns dados: “Bem, devo acrescentar que há também uma árvore nessa comemoração. As pessoas carregam essa árvore para dentro de suas casas, escritórios, lojas, igrejas e as enchem de bolas ou luzes coloridas. Parece mesmo ser a festa do velhinho e da árvore”.

“Por favor, agente 001, explique melhor que relação há entre a árvore e o velhinho . . .”, foi a nova incumbência.

“Vou ver o que posso descobrir a respeito”, respondeu com prontidão o obediente ET. E busca observar melhor os fatos, percebendo mais e mais árvores e velhinhos de roupas vermelhas e longas barbas brancas por todo lado. Teve, porém, que enviar mais um relatório não muito animador: “Desculpem, concidadãos de Marte, mas até agora não consegui determinar que relação há entre a árvore e o velhinho. Vou continuar pesquisando”.

Ele percebeu que além da árvore e do velhinho, também a presença de neve parecia fator indispensável para a ocasião, e mesmo nas terras tropicais viam-se desenhos de neve cobrindo tudo. Observou como curiosamente produzia-se até neve artificial em saguões de shopping centers de países onde o povo nem tem idéia de como é tal fenômeno climático.
Agora é que o nosso caro pesquisador marciano mais confuso parecia: velhinho de barba branca, árvore enfeitada, neve cobrindo toda a paisagem. . . Nada parecia encaixar.

Mais adiante, 001 percebeu que havia um elemento adicional, não tão destacado, mas relevante à festa do período—figuras de um bebê nascido em condições humildes, deitado sobre uma estranha cama rústica de capim. Presépios reproduziam por muitos lugares a cena, também retratada em cartões festivos, mas não tão numerosos e populares quanto a árvore, o velhinho e a constante presença da neve.

“Também devo mencionar certo bebê nascido sobre um comedouro em que vacas, bezerros e jumentos, animais muito apreciados pelos terráqueos, se alimentam, mas não sei ainda o que tal cenário, recordativo de alguma antiga ocorrência, tem a ver com o velhinho, a árvore e a neve”, era o conteúdo de seu próximo FAX. Este incluía uma foto colorida de um presépio, com a virgem e o menino, além dos pastores e os reis magos em atitude reverente, e até umas cabeças dos animais que ali costumavam ter o seu repasto.

Os dias iam se passando, e nada do nosso ET saber relacionar esses diferentes elementos tão realçados por toda parte. Finalmente conseguiu saber que a atitude dos pastores e reis magos era de especial respeito ao bebê, que seria mais do que humano, um ser realmente especial que veio do céu. Isso lhe pareceu um item importante para informar a seus superiores. Foi o que fez na sua próxima comunicação.

O pessoal do centro de controle da viagem interplanetária não parecia muito satisfeito com os subsídios informativos até ali. “Afinal, o que tem um velhinho tão querido a ver com um bebê nascido num comedouro de bois e jumentos? E essa árvore, como entra na história? E o porquê da neve, mesmo em terras onde não faz frio?”

O marcianinho parecia ainda mais perplexo do que os seus mentores. “Tenham paciência, camaradas marcianos. Estou ainda pesquisando o assunto. Não é fácil determinar isso, mas há uma nova variante que tenho observado—a adoração ao menino parece perder terreno para a adoração a sua mãe por parte de muitas pessoas religiosas. Então, o menino parece importante, mas sua mãe ganha dele em veneração da parte de grandes parcelas da população. A razão disso ainda não consegui estabelecer”.

“O que nos diz?! Velhinho de longa barba branca, árvores enfeitadas de luzes e bolas coloridas, neve obrigatória, bebê procedente do céu sendo venerado, mas que perde terreno nisso para a sua mãe?!. . . Que seqüência mais desconexa de fatos e dados é essa?!”
Alguns dos monitores das informações do ET espião lá em Marte já revelavam sinais de exasperação.

E o pobre do visitante secreto extraterrestre não conseguia mesmo achar sentido em tudo quanto via, ouvia ou sentia em sua estada entre nós naqueles agitados dias de fim de ano. Contudo foi pacientemente checando tudo, tentando descobrir o real significado das coisas. Quando menos esperava, um novo ano se iniciou, outras festas mobilizaram a humanidade, e logo o mundo ocidental parecia novamente empolgado com um festival diferente. Agora, viam-se coelhinhos por todo lado, mas também havia ovos grandes, pequenos, médios, e de chocolate. . .” Era o que chamavam “Páscoa” e o nosso caro ET mandou um fluxo de informações lá para cima.

“O que é isso?! Mais novidades confusas?! O que tem coelhos, ovos e chocolate em comum? Que nova festa é essa?!” queriam saber os comandantes marcianos do agente 001.

Ele procura ser ainda mais atento para não perder nenhum pormenor, preocupado em não parecer por demais enigmático em suas informações e não deixar seus monitores tão intrigados como se dera com seus relatórios de dezembro. “Bem, há igualmente uma menção freqüente à morte de um homem que fora aquela criança que nasceu no abrigo de animais.

E fala-se muito de um instrumento de tortura em que perdeu a vida, chamado cruz. Não sei se isso explicaria o uso da árvore no outro festival, pois tal instrumento de tortura é formado por duas traves de madeira, mas há alguns que dizem que na verdade seria uma trave só . . .”

“Que loucura é essa?! Afinal, o que tem cruz de madeira, de uma trave ou duas, a ver com coelhos, ovos e chocolate?!” insistiam os coletadores de informações em suas constantes inquirições ao ET marciano. Este, coitado, já temia até mandar novos informes. Nada parecia ter a mínima lógica: quanto mais dados colhia, mais contraditórios pareciam!

Por fim, resignado, remeteu o que esperava ser a sua última comunicação: “Alô, comando de Marte. Aqui ET. Peço desistência da missão e retorno imediato para casa”.

“O que aconteceu?!” perguntam admirados os seus superiores. “Temos ainda tantas indagações sobre esse planeta. . .”

“É que, respondendo à indagação básica que motivou esta missão—cheguei à seguinte constatação: não vale a pena dedicar-nos a toda essa pesquisa.

“Mas por quê?! A que conclusão chegou?!”

“Concluí que não há vida inteligente sobre a Terra!
 

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