O Concerto Eterno

A cada estágio de desenvolvimento, o concerto eterno é reafirmado.
A cada estágio alguma coisa expira e algo novo acontece.


Dr. Smuts Van Rooyen, Ph.D.


        Durante séculos, os protestantes têm alimentado uma contínua discordância em relação aos concertos bíblicos, e particularmente com suas implicações com a lei. Jonathan Edwards, por exemplo, observou que “talvez não haja uma parte da divindade cercada por tão grande complexidade, e na qual a ortodoxia teológica faça tanta diferença como estabelecer uma precisa concordância ou diferença entre as duas dispensações de Moisés e Cristo”.

1.  Que esse ainda é o caso, está evidente em uma pesquisa realizada por Brice L. Martin, na qual ele analisou a posição de alguns eruditos a respeito da lei.

2.  O resultado do estudo indica que, para muitos deles, entre os quais se encontram alguns “pesos pesados” como Albert Schweitzer, H. J. Schoeps, Ernst Kasemann, F. F. Bruce e Walter Gutbrod, a lei já não é válida para os crentes.  Mas há outros estudiosos que assumem uma posição oposta, aceitando a vigência da lei para os cristãos. Entre esses, podemos citar “pesos” não menos “pesados” como C. E. B. Cranfield, George E. Hoard, Hans Conzelmann, George Eldon Ladd e Richard Longenecker. Essa divergência verificada entre estudiosos de tão elevado quilate possibilitou a um “erudito do jardim da infância” como eu a oportunidade de reestudar o assunto. E sobre um tema considerado “pedra angular” como este, um pastor não pode deixar de dar sua opinião. Aqui neste artigo encontra-se a minha.

Os papéis de um concerto

       Primeiramente, o objetivo de um concerto é produzir segurança a um projeto ou relacionamento com o qual duas partes se comprometem. Por exemplo, um casal que não é casado legalmente não possui a mesma segurança, em seu relacionamento, que possui um casal que esteja unido de acordo com as leis matrimoniais. No primeiro caso, algumas vezes a paixão poderá ser abalada e as promessas correm o risco de ser esquecidas.
       Que Deus desejasse ter qualquer relacionamento conosco, indignos como somos, já seria algo muito surpreendente. Mas que Ele desejasse comprometer-Se num relacionamento de aliança conosco, é verdadeiramente extraordinário.

       Podemos definir um concerto como uma concordância formal, solene e aglutinadora entre duas partes ou duas pessoas, tendo em vista o desenvolvimento de alguma ação inter-relacional mútua e específica. Em outras palavras, é um acordo para iniciar-se um projeto e vê-lo desenrolar-se até o fim. Para que isso seja consumado, devemos querer construir essa ponte, formar essa companhia, querer permanecer unidos por toda a vida.

       Um concerto tenta cumprir alguma coisa. É uma concordância mútua que torna provável o sucesso desse cumprimento. Ter isso em mente é importante para compreendermos a razão pela qual a discussão sobre concertos nas Escrituras degenera em uma discussão sobre condições e mandamentos, como se essas coisas fossem um concerto em si mesmas. Na verdade, um concerto está emoldurado por condições que precisam ser honradas, mas elas existem com o objetivo de proteger o projeto.

       Aperto de mãos, circuncisão, emblemas de comunhão, um arco-íris cruzando o céu (no caso de Deus com Noé) e outros tipos de sinais aparecem na Bíblia como indicadores que expressam ou confirmam as resoluções mútuas que as partes envolvidas tomaram, na formulação de um concerto. Ao manifestar qualquer um desses sinais, uma das partes está dizendo à outra: “Estou levando muito a sério este compromisso. Cumpra você também a sua parte.”

A grande promessa

       Qual é precisamente a grande promessa que Deus tem Se comprometido a realizar em relação a nós?

Nada menos que o estabelecimento de um reino, a criação de um espaço relacional onde Ele possa estabelecer raízes com Seu povo e nós possamos nos unir como Sua família. Uma leitura da história de Abraão (Gên. 12; 15 e 17) confirma essa realidade. Abraão foi chamado por Deus a fim de deixar suas origens e seus familiares, e aventurar-se a uma terra estranha na qual ele deveria fundar um reino.

 Deus disse ao patriarca:

Gên. 17:4-8
4 “Quanto a Mim, será contigo a Minha aliança; serás pai de numerosas nações.
5 não mais serás chamado Abrão, mas Abraão será o teu nome; pois por pai de muitas nações te hei posto;
6 far-te-ei frutificar sobremaneira, e de ti farei nações, e reis sairão de ti;
7 estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti.
8 Dar-te-ei a ti e à tua descendência depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em perpétua possessão; e serei o seu Deus.”

       Que saga! Deus determina abrir uma nova fronteira, na qual o coração de Abraão pode se ligar com o Seu coração e estar em paz. Na realidade, o termo técnico “reino de Deus”não é usado aqui nem em qualquer lugar no Antigo Testamento, mas a idéia é clara. John Bright estava correto quando disse que “é aparente que a idéia [do reino] é mais visível que o termo, e devemos procurar a idéia onde o termo está ausente”.
 

3. O fabuloso sonho de um reino, um lugar de unidade familiar, dirige todas as fases do concerto eterno. Isso foi verdade por ocasião do concerto feito com Abraão em meio às instalações de adobe de Ur (Gên. 12), assim como foi verdade no antigo concerto feito com Israel à margem das rochas do Sinai (Êxo. 23:20 e 32; 25:8; 33; 34; Deut. 7). Também foi verdade quando Jesus falou da nova aliança com os discípulos ao redor da rústica mesa (Mat. 26:27-29; João 14:1-3), tal como é verdade para as doze tribos de Israel, os redimidos de todas as eras que permanecem maravilhados enquanto a Nova Jerusalém suavemente desce do Céu (Apoc. 21:1-5, 9 e 10).
       Tais experiências de concerto são nada menos que um desdobramento progressivo, em estágios, do concerto eterno feito com Abraão.

Êxo. 23:20,32
20 “Eis que eu envio um anjo adiante de ti, para guardar-te pelo caminho, e conduzir-te ao lugar que te tenho preparado.
32 Não farás pacto algum com eles, nem com os seus deuses..”

Êxo. 25:8,33, 34
8 “E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles.
33 Em um braço haverá três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e corola; também no outro braço três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e corola; assim se farão os seis braços que saem do candelabro.
34 Mas na haste central haverá quatro copos a modo de flores de amêndoa, com os seus cálices e as suas corolas,”

Mat. 26:27-29
27 “E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
28 pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.
29 Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai.”

João 14:1-3
1 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar.
3 E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Apoc. 21:1-5, 9 e 10
1 “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.
2 E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo.
3 E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
4 Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
5 E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
9 E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
10 E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus,”

Mudanças no concerto

       Tudo isso nos leva a uma questão: Qual é o paradigma utilizado na Bíblia para descrever a mudança no concerto? Trata-se, por acaso, de um paradigma revolucionário de mudança que desfaz o status quo e estabelece uma ordem completamente nova, como se fosse uma revolução na qual os insurgentes assumem o poder, ignoram as regras antigas e estabelecem suas próprias ordens? Ou se trata de um paradigma evolucionário, no qual o novo emerge progressivamente do velho? Lembra-se de um ovo se transformando em uma larva, a larva numa crisálida e esta numa borboleta? As Escrituras ensinam que o reino se desdobra progressivamente; primeiro o pedúnculo, depois a árvore, então o fruto (Mar. 4:26-29).

Mar. 4:26-29
26 “Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra,
27 e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como.
28 A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga.
29 Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.”

       A lei e o concerto andam juntos. Jesus Cristo uniu o reino e a lei (Luc. 16:16 e 17). Posteriormente, a prenunciada mudança evolucionária foi construída na própria origem do concerto feito com Abraão (Gál. 3:8). A bênção prometida devia evolver, da família de Abraão à nação, a uma comunidade internacional, e então alcançar sua fruição completa no Céu, na cidade aguardada pelo patriarca (Heb. 11:10).

Luc. 16:16 e 17
16 “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.
17 É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.”

Gál. 3:8
8 “Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações.”

Heb. 11:10
10 “porque esperava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus.”

Continuidade e descontinuidade

       A cada estágio de desenvolvimento, o concerto eterno é reafirmado, e o processo avança. A cada estágio alguma coisa expira e algo novo acontece. O processo envolve tanto continuidade como descontinuidade. O carvalho está na bolota e a bolota está no carvalho, ainda que a árvore não seja a bolota.

       Se o paradigma progressivo da mudança do concerto é correto, seguem-se algumas observações importantes. Primeira, não podemos colocar um estágio de desenvolvimento contra outro, como se eles fossem inerentemente antagônicos. O fato é que os estágios mais baixos produzem os estágios mais altos, e passam adiante sua dinâmica, seu DNA.

       Portanto, não podemos opor o concerto sinaítico, feito com Moisés, contra o concerto eterno feito com Abraão, ou o novo concerto feito com os discípulos. Todos os concertos prosperam sobre promessa e graça. Os indivíduos não eram salvos por graça nos dias de Abraão, e pela lei nos dias de Moisés. Também não foram salvos pela graça nos dias de Paulo e pela lei nos dias de Moisés, como alguns afirmam. Que os tempos de Moisés também eram tempos de graça, está claro a partir dos seguintes fatos:

1. Deus não escolheu Israel como Sua propriedade exclusiva por causa de algum mérito que a nação tivesse. Ele a escolheu porque a amou e pelo juramento feito aos seus antepassados. Moisés refere-se ao concerto sinaítico como uma aliança fundamentada no amor (Deut. 7:7-9; 4:32-39).

Deut. 7:7-9
7 “O Senhor não tomou prazer em vós nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menos em número do que qualquer povo;
8 mas, porque o Senhor vos amou, e porque quis guardar o juramento que fizera a vossos pais, foi que vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito.
9 Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos;”

Deut. 4:32-39
32 “Agora, pois, pergunta aos tempos passados que te precederam desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até a outra, se aconteceu jamais coisa tão grande como esta, ou se jamais se ouviu coisa semelhante?
33 Ou se algum povo ouviu a voz de Deus falar do meio do fogo, como tu a ouviste, e ainda ficou vivo?
34 Ou se Deus intentou ir tomar para si uma nação do meio de outra nação, por meio de provas, de sinais, de maravilhas, de peleja, de mão poderosa, de braço estendido, bem como de grandes espantos, segundo tudo quanto fez a teu favor o Senhor teu Deus, no Egito, diante dos teus olhos?
35 A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há senão ele.
36 Do céu te fez ouvir a sua voz, para te instruir, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo, do meio do qual ouviste as suas palavras.
37 E, porquanto amou a teus pais, não somente escolheu a sua descendência depois deles, mas também te tirou do Egito com a sua presença e com a sua grande força;
38 para desapossar de diante de ti nações maiores e mais poderosas do que tu, para te introduzir na sua terra e te dar por herança, como neste dia se vê.
39 Pelo que hoje deves saber e considerar no teu coração que só o Senhor é Deus, em cima no céu e embaixo na terra; não há nenhum outro.”
 

2. O prólogo dos Dez Mandamentos lembra os israelitas de que o único doador da lei é o Deus que os redimiu pelo significado da Páscoa (Êxo. 20). Israel foi salvo pela graça antes que tivesse recebido a lei (Gál. 3:15-18). Até mesmo as condições do concerto eram para Israel uma graciosa lembrança de sua redenção (Deut. 6:20-25).

Gál. 3:15-18
15 “Irmãos, como homem falo. Um testamento, embora de homem, uma vez confirmado, ninguém o anula, nem lhe acrescenta coisa alguma.
16 Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo.
17 E digo isto: Ao testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não invalida, de forma a tornar inoperante a promessa.
18 Pois se da lei provém a herança, já não provém mais da promessa; mas Deus, pela promessa, a deu gratuitamente a Abraão.”

Deut. 6:20-25
20 “Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, estatutos e preceitos que o Senhor nosso Deus vos ordenou?
21 responderás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito, porém o Senhor, com mão forte, nos tirou de lá;
22 e, aos nossos olhos, o Senhor fez sinais e maravilhas grandes e penosas contra o Egito, contra Faraó
e contra toda a sua casa;
23 mas nos tirou de lá, para nos introduzir e nos dar a terra que com juramento prometera a nossos pais.
24 Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê.
25 E será justiça para nós, se tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o Senhor nosso Deus, como ele nos ordenou.”

3. A relação entre a lei e a graça estava representada pelo significado da arca do concerto. Ali, as tábuas da lei estavam colocadas sob a cobertura dourada do propiciatório (Êxo. 31:7).

Êxo. 31:7
7 “a saber: a tenda da revelação, a arca do testemunho, o propiciatório que estará sobre ela, e todos os móveis da tenda;”

4. É nada menos que a ceia pascal que Jesus transforma no símbolo do novo concerto (Mat. 26:17-30). A graça expande-se cada vez mais plenamente, enquanto o concerto vai adquirindo maturidade.

Mat. 26:17-30
17 “Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, vieram os discípulos a Jesus, e perguntaram: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?
18 Respondeu ele: Ide à cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos.
19 E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa.
20 Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos;
21 e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.
22 E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
23 Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.
24 Em verdade o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traido! bom seria para esse homem se não houvera nascido.
25 Também Judas, que o traía, perguntou: Porventura sou eu, Rabí? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.
26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.
27 E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
28 pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.
29 Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai.
30 E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras.”

5. De acordo com o livro aos hebreus, Israel não entrou no repouso de Deus porque optou pelas obras e recusou viver pela fé (Heb. 4:1-11). Os israelitas eram salvos pela fé, como nós o somos; viveriam pela fé, tal como acontece conosco (Heb. 11; Rom.9:31 e 32; Isa. 45:25).

Heb. 4:1-11
1 “Portanto, tendo-nos sido deixada a promessa de entrarmos no seu descanso, temamos não haja algum de vós que pareça ter falhado.
2 Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram.
3 Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo;
4 pois em certo lugar disse ele assim do sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as suas obras;
5 e outra vez, neste lugar: Não entrarão no meu descanso.
6 Visto, pois, restar que alguns entrem nele, e que aqueles a quem anteriormente foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência,
7 determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, depois de tanto tempo, como antes fora dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.
8 Porque, se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria falado depois disso de outro dia.
9 Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus.
10 Pois aquele que entrou no descanso de Deus, esse também descansou de suas obras, assim como Deus das suas.
11 Ora, à vista disso, procuremos diligentemente entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.”

Rom.9:31 e 32
31 “Mas Israel, buscando a lei da justiça, não atingiu esta lei.
32 Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras; e tropeçaram na pedra de tropeço;”

Isa. 45:25
25 “Mas no Senhor será justificada e se gloriará toda a descendência de Israel.”

6. Moisés não é a antítese de Jesus Cristo. As Escrituras dizem que ele foi fiel como um servo “em toda a casa de Deus” e testemunhou “das coisas que haviam de ser anunciadas” (Heb. 3:1-6). O próprio Cristo disse: “Porque, se de fato crêsseis em Moisés, também creríeis em Mim; porquanto ele escreveu a Meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como creríeis nas Minhas palavras?” (João 5:46 e 47).

7. Paulo exaltou a experiência de concerto vivida por Israel como essencial à história da salvação. Foi através de Israel, ele disse, que a encarnação de Jesus ocorreu. O apóstolo encontrou esplendor na história israelita sob o velho concerto. “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: que tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne. São israelitas. Pertence-lhes a adoção, e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Rom. 9:1-5). A salvação é dos judeus. Eles não apenas nos levam a Cristo (Gál. 3:24), mas no-Lo deram.

Gál. 3:24
24 “De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.”

8. A aliança do Sinai não foi de salvação pela lei, ou seja, de legalismo. Deus jamais estabeleceria um concerto fundamentado em salvação pelas obras. O legalismo é sempre como trapos de imundícia. Mas Paulo classifica o antigo concerto como glorioso. Quando Moisés recebeu a lei, sua face brilhou com a glória de Deus (II Cor. 3:7-11; Êxo. 34:29-35). Apenas em comparação à glória de Cristo a glória de Moisés foi menos impressiva; mas ainda assim permanecia impressiva.

II Cor. 3:7-11
7 “Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo,
8 como não será de maior glória o ministério do espírito?
9 Porque, se o ministério da condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça.
10 Pois na verdade, o que foi feito glorioso, não o é em comparação com a glória inexcedível.
11 Porque, se aquilo que se desvanecia era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece.”

Êxo. 34:29-35)
29 “Quando Moisés desceu do monte Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas do testemunho, sim, quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, por haver Deus falado com ele.
30 Quando, pois, Arão e todos os filhos de Israel olharam para Moisés, eis que a pele do seu rosto resplandecia, pelo que tiveram medo de aproximar-se dele.
31 Então Moisés os chamou, e Arão e todos os príncipes da congregação tornaram a ele; e Moisés lhes falou.
32 Depois chegaram também todos os filhos de Israel, e ele lhes ordenou tudo o que o Senhor lhe falara no monte Sinai.
33 Assim que Moisés acabou de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto.
34 Mas, entrando Moisés perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até sair; e saindo, dizia aos filhos de Israel o que lhe era ordenado.
35 Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, e que a pele do seu rosto resplandecia; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar para falar com Deus.”

9. A vida vitoriosa dos heróis do Antigo Testamento testifica da salvação unicamente pela graça. Podemos nos lembrar de Jacó, Davi, Mefibosete e Gômer, para citar apenas uns poucos. É interessante ler a procissão de fiéis que desfila em Hebreus 11.
 
 

Dificuldades no conceito progressivo

       A marcha progressiva do concerto, entretanto, não está necessariamente livre de problemas. Sempre existe o perigo de uma interrupção nesse processo. Quando isso acontece, um estágio progressivo inicial, normal, pode sabotar um estágio posterior com trágicas conseqüências. Essa era claramente a situação em muitas antigas igrejas cristãs, quando Paulo escreveu sua carta aos gálatas.

       O que aconteceu foi que judeus cristãos tentaram congelar o reino dentro de uma estrutura de judaísmo e aliança legalista. Ergueram uma barreira que obstou o avanço da era escatológica do Espírito. Dessa maneira, criaram uma tensão antinatural entre a era de Moisés e a era do Espírito, entre a graça e a lei, entre lei e Cristo. Mas é preciso lembrar em que essa tensão foi criada; não é que exista inerentemente. Os cristãos judeus insistiam que os gentios somente poderiam ser justificados se primeiramente se tornassem judeus, submetendo-se ao rito da circuncisão, adotando restrições dietéticas e observando os dias santos judaicos. A preservação de uma identidade nacional é a questão central nas lutas dos gálatas.

       Paulo busca desmontar essa barreira. É crucial entender que ele não está escrevendo um tratado teológico sobre a relação entre a lei e a graça, nesta epístola. Ao contrário disso, seus argumentos abordam uma interrupção progressiva incomum. Portanto, ele fala aos gálatas que eles escolheram sair da era escatológica do Espírito e regressar ao legalismo e nacionalismo judaico (Gál. 3:1-5). E lembra que Deus sempre planejou que os gentios fossem parte do Seu reino, ao dizer a Abraão que nele seriam abençoados todosos povos da Terra (Gál. 3:6-9). Além disso, o apóstolo adverte que se os gálatas insistirem em permanecer onde estão, ficarão assim sob a maldição da lei, pois Israel não obedeceu a Deus (Gál. 3:10-14).
 
 
 

Gál. 3:1-14
1 “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado?
2 Só isto quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé?
3 Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis?
4 Será que padecestes tantas coisas em vão? Se é que isso foi em vão.”

       E mais: a lei não anula ou invalida as promessas feitas a Abraão, o que significa que a promessa ainda está presente no concerto feito com Moisés (Gál. 3:15-18). A bolota ainda é um broto, mas deve se tornar uma árvore. Paulo argumenta que a lei nunca foi um meio de justificação. Se fosse possível à lei salvar a humanidade, Deus a teria feito com essa característica. Mas não o fez, porque não era Seu propósito que fosse assim (Gál. 3:21).

Gál. 3:15-18
15 “Irmãos, como homem falo. Um testamento, embora de homem, uma vez confirmado, ninguém o anula, nem lhe acrescenta coisa alguma.
16 Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo.
17 E digo isto: Ao testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não invalida, de forma a tornar inoperante a promessa.
18 Pois se da lei provém a herança, já não provém mais da promessa; mas Deus, pela promessa, a deu gratuitamente a Abraão.
21 É a lei, então, contra as promessas de Deus? De modo nenhum; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei.”

       A era da lei, do concerto legalista, tinha o propósito de levar-nos à era de Cristo (Gál. 3:24); não era um ponto final, mas uma fase do progresso histórico. Permitia que a promessa a Moisés e Abraão nos conduzisse a Cristo.

Gál. 3:24
24 “De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.”
 
 

O status da lei

       A esta altura devemos nos perguntar o que é realmente extinto enquanto o concerto do Sinai progride em direção à era cristã?

O propósito básico de Paulo em sua carta aos gálatas é declarar que o Israel nacional já não permanece como o único povo especial de Deus. A era de sua identidade exclusiva passou, sendo substituída por uma identidade espiritual internacional,multiétnica. A bênção da exclusão (Êxo. 19:5 e 6) tornou-se a bênção da inclusão (Gál. 3:26-29).

Êxo. 19:5 e 6
5 “Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é toda a terra;
6 e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.”

Gál. 3:26-29
26 “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.
27 Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.
28 Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque TODOS vós sois UM em Cristo Jesus.
29 E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.”

       Todos os que têm fé, incluindo os gentios (o que parece um escândalo), são agora fervorosos candidatos a um relacionamento de aliança com Deus. Além disso, a vida espiritual dos crentes já não é expressada através de um gracioso sistema de lei, mas através do relacionamento com Jesus (Gál. 5:1-6). O amor legítimo da lei no coração do israelita (Deut. 6:4-9) já não inspira a vida espiritual do crente (Gál. 5:1-6) Jesus veio, e agora Ele é o inspirador da aliança com Seu povo.

Gál. 5:1-6
1 “Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão.
2 Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.
3 E de novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei.
4 Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes.
5 Nós, entretanto, pelo Espírito aguardamos a esperança da justiça que provém da fé.
6 Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.”

Deut. 6:4-9
4 “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
5 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
6 E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
7 e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
8 Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos;
9 e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.”
 
 

Os Dez Mandamentos

       Mas se o tempo de um concerto legalista passou, quais são as implicações para os dez mandamentos hoje? Ainda têm eles autoridade moral? Evidentemente sim, pois também abrangem a era espiritual. No tempo do novo concerto a lei é universalizada; aplicada a Cristo e ao Espírito; resumida como amor e preservada até que o reino de Deus seja inaugurado. Vamos analisar um pouco mais esta questão.

       Que a lei é universalizada e desnacionalizada pode ser visto na maneira como Paulo adapta o quinto mandamento, que requer honra aos pais, de modo a caber na nova situação de uma igreja multinacional. Em Efésios 6:1-3, o apóstolo cita o mandamento, mas não textualmente. Ele modifica uma frase; a que contém a promessa de longevidade. Aí, o mandamento já não promete longevidade “na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Êxo. 20:12), mas promete longevidade na Terra ou no mundo. O mandamento é universalizado para incluir filhos gentios obedientes vivendo além dos limites de Israel. O benefício da longevidade é para todos em todo lugar.

Êxo. 20:12
12 “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.”

       Thielman nos mostra um dramático exemplo da lei continuando a funcionar durante a era escatológica do Espírito.4 Ele viu isso na injunção de Paulo aos tessalonicenses, para que rompessem com o seu passado. Aqueles crentes deveriam manter-se completamente distantes da idolatria e da impureza sexual (I Tess. 1:1-10; 4:1-8). Se não o fizessem, estariam nada menos que rejeitando o Espírito. Paulo aplicou a profecia da nova aliança de Ezequiel àquela situação. Ezequiel previu um tempo quando o povo de Deus seria limpo da impureza (akatharsia), não mais serviria a ídolos, teria o coração de pedra transformado em coração de carne e guardaria os decretos divinos (Ezeq. 36:24-27).

I Tess. 1:1-10
1 “Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam dadas.
2 Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações,
3 lembrando-nos sem cessar da vossa obra de fé, do vosso trabalho de amor e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,
4 conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição;
5 porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.
6 E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.
7 De sorte que vos tornastes modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia.
8 Porque, partindo de vós fez-se ouvir a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e na Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se divulgou, de tal maneira que não temos necessidade de falar coisa alguma;
9 porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro,
10 e esperardes dos céus a seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira vindoura.”

I Tess  4:1-8
1 “Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim como estais fazendo, nisso mesmo abundeis cada vez mais.
2 Pois vós sabeis que preceitos vos temos dado pelo Senhor Jesus.
3 Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição,
4 que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra,
5 não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus;
6 ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também
antes vo-lo dissemos e testificamos.
7 Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação.
8 Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que vos dá o seu Espírito Santo.”

       Essa profecia é similar às profecias sobre o novo concerto de Jeremias e Isaías (Jer. 31:31-34; Isa. 59:20 e 21). Dessa forma, Paulo mostra claramente que os mandamentos ainda vigoram para os gentios na era da nova aliança, sob a qual os mandamentos são despidos de sua limitada jurisdição nacional. Isso era necessário porque, no Antigo Testamento, os mandamentos também funcionavam como leis governamentais para uma nação, como a lei do país. Desobedecê-los, portanto, não era apenas imoral mas também ilegal.

Jer. 31:31-34
31 “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá,
32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
34 E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.”

Isa. 59:20 e 21
20 “Porque o opressor é reduzido a nada, e não existe mais o escarnecedor, e todos os que se dão à iniqüidade são desarraigados;
21 os que fazem por culpado o homem numa causa, os que armam laços ao que repreende na porta, e os que por um nada desviam o justo.”
 
 

       Flagrantes infrações da lei eram punidas com pena de morte. Uma criança incorrigível, uma mulher apanhada em adultério e um transgressor do sábado poderiam ser apedrejados até à morte.

       Sendo que Israel, como nação exclusiva de Deus, passou, o aspecto penal e jurisdicional da lei ganha uma roupagem cristocêntrica. Quando os fariseus levaram a Cristo uma mulher flagrada em adultério, o Mestre não contestou os argumentos fundamentados na lei mosaica para apedrejá-la. Ele reconheceu a infração moral da mulher, mas rejeitou a pena de morte (João 8:3-11). Ademais, o Novo Testamento adapta os mandamentos ao novo tempo resumindo-os em um princípio simples, a saber, o amor ao próximo como a si mesmo (Rom. 13:9 e 10). O efeito disso é uma obediência remotivada, da obediência como dever para a obediência como um desejo positivo. Esse resumo não abole os mandamentos, simplesmente porque um resumo não anula o que foi resumido.

João 8:3-11
3 “Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio,
4 disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.
5 Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?
6 Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo.
7 Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.
8 E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.
9 Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé.
10 Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”

Rom. 13:9 e 10
9 “Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
10 O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.”
 

Assim a lei é preservada. Nem um j ou til será omitido da lei sem que tudo seja cumprido(Luc. 16:16 e 17).

Luc. 16:16 e 17
16 “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.
17 É, porém, mais fácil passar o céu e a terrado que cair um til da lei.”
 
 

Quando tudo será cumprido?
 

Não até que o reino seja inaugurado por ocasião da vinda de Jesus.

Luc. 16:16 e 17
16 “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.
17 É, porém, mais fácil passar o céu e a terrado que cair um til da lei.”
 
 

À imagem de Cristo

    Finalmente, o Novo Testamento remodela os mandamentos segundo a imagem de Jesus Cristo. Eles perdem a intimidação dos trovões e relâmpagos do Sinai e se tornam princípios de relacionamento que revelam onde nós estamos com Cristo. Nosso corpo, por exemplo, é uma extensão do corpo de Cristo e, portanto, não deve ser unido ao de uma prostituta (I Cor. 6:12-19). A imoralidade sexual, desse modo, se torna mais que uma infração legal; passa a ser um pecado contra nosso relacionamento com Jesus.

I Cor. 6:12-19
12 “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
13 Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.
14 Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
15 Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum.
16 Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne.
17 Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele.
18 Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.
19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”

       O mandamento do sábado também é “cristianizado”. Seu repouso focaliza a entrada no santuário celestial com Jesus, onde encontramos o trono da graça e então descansamos na obra completada por nosso Salvador (Heb. 4; 6:16-20). O repouso sabático é “entrar em”; não apenas “abster-se de”. Jesus torna-Se o centro de obediência cristã. Ele é o primeiro, o último e o melhor em todas as coisas; mesmo, ou especialmente, na questão da lei.

Heb. 6:16-20
16 “Pois os homens juram por quem é maior do que eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de
toda contenda.
17 assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento;
18 para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta;
19 a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu;
20 aonde Jesus, como precursor, entrou por nós, feito sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”

       Como deveríamos então viver? Embora a lei ainda seja moralmente autoritativa e necessária, não devemos viver por ela, mas por Jesus. Sabemos que não podemos observá-la a menos que vivamos na graça de Deus, sejamos constrangidos pelo amor de Jesus e recebamos a capacitação do Espírito Santo.

       Os mandamentos podem funcionar como marcos indicadores de que fomos separados para Deus. Mas os marcos são apenas a cerca; eles não são a propriedade. A terra é a propriedade. Jesus é nossa terra. Nossa alma floresce nEle, com Ele e para Ele. Crescemos nEle. Sabemos que não podemos esperar que alguma coisa cresça por causa de uma cerca. No âmago do nosso ser, sabemos que a lei, por mais valiosa que seja, não é a nossa glória. “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá luz, Ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (II Cor. 4:6). Isso é nossa glória.

II Cor. 4:6
6 “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.”

Referências:

     1 W. A. VanGemeren, citado em Greg L. Bahnsen, Five Views on Law and Gospel (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1993), pág. 14.
     2 Brice L. Martin, Christ and the Law in Paul (Leiden: Brill, 1989), págs. 21-68.
     3 John Bright, The Kingdon of God (Nova York: Abingdon Press, 1953), pág. 18.
     4 Frank Thielman, Paul and the Law (Douners Grove, Ill: Intervarsity Press, 1994), cap. 3.
     5 G. E. Ladd, The Theology of the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1974), págs. 495-510.
    (c) Copyright 2002, Portal Adventista,
 
 


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