Os 12 Trabalhos Anti-Sabáticos de ‘Hércules’-I
& Analisando Ensinos Bíblicos  &

Prof. Azenilto G. Brito
      Na mitologia grega, Zeus, o principal deus do vasto panteão de divindades do Olimpo, gerou um filho com uma habitante da Terra, o qual se chamava Hércules. Entre várias peripécias de sua agitada vida, o semideus Hércules recebeu uma incumbência desafiadora na forma de 12 tarefas dificílimas de cumprir, o que ficou conhecido no mundo da mitologia como Os 12 Trabalhos de Hércules. Mas ele se saiu muito bem, cumprindo devidamente suas desafiadoras tarefas.

     Na luta por destruir o princípio bíblico do sábado do 4º. mandamento da lei divina há quem levante sofismas e mais sofismas, mas se as tarefas de Hércules foram extremamente difíceis de executar, a de refutar tais sofismas de pretensos apologistas cristãos é até bem fácil.
     A despeito do contraste entre ambas as situações, um ponto de identidade é que assim como Hércules foi plenamente vitorioso em sua missão, também a vitória é certa para quem, firmado nas Escrituras, enfrenta os sofismas anti-sabáticos do neo-antinomismo dispensacionalista para dar-lhes solução.

     Abaixo são refutados 12 sofismas de certo apologista cristão, que comparamos com os famosos 12 Trabalhos de Hércules. A diferença é que não tratamos de mitologia ou lendas, mas de uma importante verdade bíblica—de que o mandamento bíblico do sábado é preceito moral, válido e vigente para o povo de Deus em todos os tempos da história, não um mero preceito cerimonial abolido na cruz. Aliás, como sempre foi entendido pela cristandade protestante [e católica] até  surgirem os ensinadores dessa teologia novidadeira do neo-antinomismo dispensacionalista pelo fim do século XIX e início do século XX. O fato de o reinterpretarem equivocadamente como agora aplicando-se ao domingo não invalida as bases ideológicas do princípio do 4o. mandamento do Decálogo divino.

1o. TRABALHO

Pergunta: 1. Seria a guarda do sábado um preceito moral quando o próprio Deus declarou ser a sua guarda abominável aos seus olhos?

  Base bíblica:
“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene” (Isaias 1.13).

    Vejamos nossa resposta ao 1º. sofisma desse objetor das verdades que defendemos:

      O que temos aí é a evidente DESONESTIDADE desse apologista cristão, pois a passagem completa mostra que não só o sábado, mas também as ofertas e sacrifícios todos, as orações e jejuns dos filhos de Israel foram postos ao desprezo. Mas por quê? O verso 4 esclarece:

“Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás”.

      Basta ver que o povo estava em pecado, suas orações não eram ouvidas (vs. 15), inclusive os seus jejuns eram rejeitados (cap. 58, vs. 3-7). Agora, por que esse indivíduo discrimina contra somente o sábado, quando TODAS essas práticas desprezadas por Deus (cerimônias, sacrifícios, sábados, luas novas, orações, jejuns) depois foram INTEIRAMENTE RESTAURADAS após o retorno do cativeiro da nação judaica? Basta ler o livro de Neemias inteiro, especialmente o capítulo 13, vs. 15 em diante.

      No próprio livro de Isaías cap. 56, vs. 6 e 7 o sábado é, inclusive, RECOMENDADO aos filhos dos estrangeiros, e em 58: 13 e 14 é reiterado a todo o povo de Deus, mostrando a maneira correta de observá-lo. Aliás, estes textos de Isa. 56 são muito interessantes pois representam um golpe mortal sobre a premissa básica dos anti-sabatistas ao alegarem que o sábado foi intencionado para o povo de Israel. Qual nada, Deus recomenda aos estrangeiros a guarda do sábado como primeiro passo na aceitação do concerto que estabeleceu com o Seu povo, a fim de que se cumpra o divino propósito expresso no vs. 7: a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.

Isa. 56:6,7
6 “E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto,
7 sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.

Isa. 58:13,14
13 “Se desviares do sábado o teu pé, e deixares de prosseguir nas tuas empresas no meu santo dia; se ao sábado chamares deleitoso, ao santo dia do Senhor, digno de honra; se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem te ocupando nas tuas empresas, nem falando palavras vãs;
14 então te deleitarás no Senhor, e eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”

      E em Isaías 66:22, 23 o sábado é profetizado como PROSSEGUINDO no regime da Nova Terra! Eis como diz a abalizada tradução francesa de Louis Segond: “E a cada sábado toda carne virá prostrar-se perante Mim, diz o Eterno”.

      DEPOIS do tempo de Isaías Deus confirma o sábado como sinal entre Ele e Seu povo (ver Eze. 20:12, 20). Então, como Deus escolhe como sinal entre Ele e Seu povo um princípio que havia sido DESPREZADO? Faz sentido isso?
      E Jesus observava o sábado (Lucas 4:16) e declarou que foi estabelecido por causa do homem (Mar. 2:27). Iria Jesus tratar assim um mandamento lançado ao desprezo?

      Então, somente nesse primeiro tópico percebe-se desonestidade e incompetência da parte do sofista referido. Desonestidade em isolar o sábado como único elemento desprezado por Deus esquecendo-se dos sacrifícios, ofertas, dias cerimoniais todos, orações e jejuns; incompetência em não entender a seqüência cronológica, de que Neemias mostra a RESTAURAÇÃO do sábado e todas as demais cerimônias, e, logicamente, as orações e jejuns do povo de Deus voltaram a ter o maior valor APÓS o seu cativeiro.

PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: Como pode Deus ser tão contraditório, que no início do livro de Isaías estaria desprezando o sábado, mas nos capítulos 56 e 58 o incentiva, inclusive convidando os ‘estrangeiros’ para acatarem o concerto com Israel a partir da guarda do sábado?

2o. TRABALHO

2. Seria a guarda do sábado um preceito moral quando a sua guarda ficava subordinada à circuncisão? A lei de Moisés estabelecia que a circuncisão ocorresse no oitavo dia do nascimento da criança do sexo masculino (Lv 12.3). Se esse oitavo dia caísse num sábado, o sábado podia ser violado, para que a circuncisão fosse realizada.   Como podia um preceito moral, segundo os sabatistas, ficar subordinado a um preceito cerimonial ou ritual?

Base bíblica:
“Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?” (João  7.22-23).

Consideremos a 2ª. das tarefas de Hércules, rebatendo a falsa interpretação anti-sábado:

Aí temos nova demonstração de INCOMPETÊNCIA como exegeta bíblico desse indivíduo que gosta de passar a imagem de grande apologista e defensor das verdades bíblicas, mas não sabe interpretar corretamente  a Palavra de Deus.

Não existe nenhuma subordinação do sábado à circuncisão, nem o objetivo do que Cristo está tratando é reduzir a importância do sábado perante a liderança judaica. Ele está justificando os Seus atos de cura que tinham o mesmo valor de um ato sagrado realizado no sábado. É o caso do pastor que batiza no sábado. O batismo é uma cerimônia até trabalhosa, mas é um ato sagrado perfeitamente compatível com o espírito do sábado.

      Era isso que Cristo estava acentuando—que curar no sábado tem tanta significação quanto realizar um rito sagrado e religioso nesse dia.

      O sofista em análise não consegue entender o motivo das discussões de Cristo com a liderança judaica. Mas uma perguntinha seria suficiente para ajudar a entender isso: qual era o teor de tais discussões? Seria SE deviam guardar, o sábado, QUANDO deviam guardar o sábado, ou COMO observar o dia, em que espírito? Quem souber responder devidamente tal pergunta já terá meio caminho andado no entendimento pleno da questão.
       Claramente, a preocupação de Cristo é CORRIGIR o sentido do sábado, não diminuir ou insinuar sua perda de importância. Do contrário, Ele estaria entrando em choque com o que disse em Mateus 5:19:

“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”.

       Ou seja, iria Cristo ensinar ou insinuar algo contra o mandamento do sábado sem incorrer na própria condenação que indicou? Se Cristo quis realmente diminuir a importância do sábado, não há saída—Ele teria que ser considerado o menor no reino dos céus!

       Ou se Cristo guardou o sábado, mas quis apenas deixar uma pista contra o sábado (estranho, pois se disse que o sábado foi feito por causa do homem . . . ) Ele não conseguiu convencer Sua própria mãe e as santas mulheres que O serviam, pois após o preparo de ungüentos e especiarias na sexta-feira, elas repousaram no sábado segundo o mandamento (Lucas 23:56). E Lucas escreveu isso 30 anos após o acontecimento, o que demonstra que o evangelista Lucas nessa ocasião não tinha dúvida de qual era o dia dedicado ao Senhor segundo o mandamento.

      Agora, se esse indivíduo for um pouco só humilde, poderá aprender algo importante com gente do meio evangélico de muito mais competência do que ele, que nem formação tem em Teologia.

Contra o Quê Jesus Se Levantou Com Relação ao Sábado?

A Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) publicou um livro, comentando, brevemente, toda a Bíblia. Nele nós encontramos o ensino seguinte:

“O zelo dos fariseus não era pela Lei de Deus, mas das suas próprias tradições. Tinham tornado o dia de descanso em um dia cheio de preceitos e exigências absurdas. Jesus deliberadamente pisou-as, e estabeleceu o princípio de que ‘é lícito fazer bem no sábado’”(v.9).—S. E. McNair, A Bíblia Explicada,  pág. 355.

Comentando sobre Mateus, capítulo 12, o Pr. Myer Pearlman escreveu isto:

“O capítulo 12 registra a oposição dos fariseus a Jesus. Seus motivos para opor-se a Ele eram os seguintes: Sua origem humilde; Sua associação com os pecadores; e a Sua oposição às tradições. O capítulo 12 descreve a oposição vinda pela última razão mencionada”.Através da Bíblia,  pág. 193.

Convidemos agora o escritor batista, Pr. Enéas Tognini para responder. Ele diz:

“Contra os acréscimos Jesus Se levantou e os combateu, ressuscitando do ‘sábado’ o mais importante, o mais sagrado, que era o amor que se devia a Deus e ao próximo”.— Jesus e os Dez Mandamentos,  Pr. Enéas Tognini, batista, pág. 39.

Também de O Novo Dicionário da Bíblia, pág. 1422, nós lemos estas esclarecedoras palavras:

“Durante o período entre os dois Testamentos, entretanto, foi surgindo gradualmente uma alteração no que diz respeito à compreensão acerca do propósito do sábado. . . . Paulatinamente a tradição oral foi se desenvolvendo entre os judeus, e a atenção passou a focalizar-se na observância de minúcias. . . . Foi contra essa sobrecarga aos mandamentos de Deus, pelas tradições humanas, que nosso Senhor se insurgiu. Suas observações não eram dirigidas contra a instituição do sábado como tal, nem contra o ensinamento do Antigo Testamento. Mas Ele Se opunha aos fariseus, que deixavam a Palavra de Deus sem efeito por causa de suas pesadíssimas tradições orais”.

Que Tipo de Trabalho Jesus e Seu Pai Fazem no Sábado?  

       Outra vez, o  Pr. Myer Pearlman! Ele escreveu um comentário do Evangelho de João. Vejamos o que disse sobre João 5:15-20 (que é o texto preferido de que muitos crentes usam para tentar provar que Jesus trabalhou no sábado):
ou
“‘Mas Ele [Jesus] lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também’. Noutras palavras, Deus trabalha no sábado, sustentando o universo, comunicando vida, abençoando os homens, respondendo as orações”.— João—Ouro Para Te Enriquecer,  pág. 59.

“No tempo de Cristo, os fariseus aplicavam a lei do descanso aos atos mais triviais da vida, proibindo muitas obras de necessidade e misericórdia. Acusaram a Jesus por fazer curas em dia de Sábado, ao mesmo tempo em que achavam lícito retirar o boi, o animal, ou a ovelha que tivesse caído dentro de um poço. Também julgavam necessário levar os animais a beber, como em qualquer outro dia da semana, Mat. 12:9-13; Luc. 13:10-17. E não eram somente as curas feitas em dia de Sábado que eles condenavam. Quando os discípulos de Jesus passavam pelas searas e colhiam espigas, e machucando-as nas mãos as comiam, porque tinham fome, os fariseus os censuraram, como se fosse essencialmente o mesmo trabalho de fazer colheitas e moer o trigo. A isto nosso Senhor deu uma notável resposta”.— Dicionário da Bíblia, pág. 520.

       Num livreto, intitulado ABC Doutrinário do Candidato à Publica Profissão de Fé, de autoria do insigne hebraísta Guilherme Kerr, encontramos o seguinte:

“Jesus condenou a tradição que os judeus acrescentaram à Lei de Deus”.—pág. 19.

       Existem cristãos, mesmo sinceros, que acreditam que Jesus não guardou os Dez Mandamentos, ou o sábado. Até onde vai o conhecimento deles?  O que diz a Bíblia? O que dizem líderes batistas sobre esse assunto? Vamos ver!

Jesus Guardou o Mandamento do Sábado?

“O quarto mandamento proíbe as atividades materiais, seculares. Por outro lado, ordena na palavra ‘santificar’ um trabalho espiritual, um serviço dedicado ao Senhor. Jesus cumpriu à risca as duas partes da prescrição legal. Ele não violou o mandamento divino como foi acusado pelos Judeus; o que Ele fez foi não ajustar-Se às fórmulas estereotipadas dos acréscimos engendrados pelas tradições humanas em torno de um mandamento tão simples e tão claro. . . . Jesus, portanto estava certo, e mais do que certo quanto à guarda do sábado e não os seus gratuitos opositores.

“Sobre o oceano de confusão agitado pela celeuma farisaica sobre o quarto mandamento, uma coisa paira mais alto e de modo inconfundível: é como Jesus guardou o sábado. Pelo menos três coisas vitais, importantes Jesus fez no sábado: 1) Nem Jesus, nem Seus discípulos fizeram no sábado qualquer trabalho secular; 2) foi regular, sistemática e costumeiramente à sinagoga, onde Se entregava às atividades divinas; 3) Gastou sempre as horas do sábado pregando o Evangelho, como se pode verificar de Lucas 4:16 e Marcos 1:21-39; a curar os enfermos, os coxos, os aleijados, os endemoninhados. . .”—Jesus e os Dez Mandamentos, Pr. E. Tognini, págs. 42 e 43.

PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: Como poderia Jesus violar o sábado à luz do que declarou em Mateus 5:19, que era para Seus ouvintes não só respeitarem un dos mandamentos “e assim ensinar aos homens”, do contrário seriam considerados “o mínimo” no reino dos céus? Não teria o próprio Cristo daí que ser considerado “o mínimo no reino dos céus”?

3o. TRABALHO

      3. Seria a guarda do sábado um preceito moral considerando que os sacerdotes no templo violavam o sábado para celebrar holocaustos e sacrifícios exigidos pela lei, ficando sem culpa?

Base bíblica:    “Ou não tendes  lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?” (Mateus 12.5).
 
Mas, prossigamos em nossa análise dos 12 Trabalhos Anti-Sabáticos de ‘Hércules’:

      Creio que para confrontar esse 3º. sofisma basta a transcrição de um trecho do meu artigo “A Caótica Teologia Dispensacionalista” que poderá ser solicitado pelo e-mail azenilto@yahoo.com.br:

      Cristo [pelo raciocínio dos neo-antinomistas dispensacionalistas] ainda atribui ao Pai a incoerência das incoerências, agora colocando o próprio Deus em situação também complicadíssima, sempre segundo essa visão neo-antinomista. Além de, como já vimos, Ele ter misturado preceitos morais com um cerimonial [na hipótese de ser o sábado cerimonial—ver Deu. 5:7-22], ainda cria uma lei que, na prática, não funciona um dia por semana. Eis que os sacerdotes violam o sábado e ficam sem culpa (Mat. 12:5), o que, nessa incrível teologia, significa simplesmente que eles não cumpriam o preceito divino porque atuavam no Templo, sacrificando até em dobro aos sétimos dias. Ou seja, a lei religiosa criada para elevar espiritualmente o povo era violada cada sábado pelos próprios líderes espirituais que tinham o dever de dar o melhor exemplo àquela boa gente, mas o Legislador Se esqueceu do detalhe que aos sábados a lei não era respeitada justamente por aqueles que a deviam promover entre o povo! Um Legislador assaz incompetente. . .

PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: Sendo que os sacerdotes SEMPRE agiram assim no sábado [por ser a circuncisão um ato religioso compatível com o espírito do sábado], iria Deus ser esse tão incompetente Legislador que determina uma lei que era violada cada sábado pelos próprios líderes espirituais que tinham o dever de dar o melhor exemplo àquela boa gente, mas o Legislador Se esqueceu do detalhe que aos sábados a lei não era respeitada justamente por aqueles que a deviam promover entre o povo!?

4o. TRABALHO

 
4. Seria a guarda do sábado um preceito moral  quando sua guarda era comparada à violação de um preceito ritual como o caso de Davi que comeu os pães da proposição reservados exclusivamente aos sacerdotes?

Base bíblica: “Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele os que com ele estavam?  Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes” (Mateus 12.4-5).

       Vejamos agora como esse sofista do anti-sabatismo se sai no seu 4º. sofisma:

     Aí fica o sofista sob análise devendo a explicação de como Jesus pôde dizer o que disse em Mateus 5:19 e defender discípulos transgressores do sábado. Pois se Ele fosse conivente com o pecado, realmente estaria Se chocando com suas palavras nessa passagem que para o anti-sabatista sofista, sob análise, é um problema insolúvel. Ele simplesmente não sabe como justificar o que Cristo ali diz, pois quer de toda forma transformar Jesus Cristo num de seus agentes do anti-sabatismo (tenta fazer o mesmo com o apóstolo Paulo), transferindo-lhes seus pressupostos e preconceitos anti-sabáticos.

      Claro que os discípulos não violaram a lei, pois tinham todo o direito de colher espigas para matar a fome, segundo Deu. 23:24, 25.  Aliás, pelo modo como muitos desses sofistas do santi-sabatismo apresentam o episódio, alegando que essa regras não se aplicava ao sábado, Jesus estaria endossando não só a violação do sábado, mas o puro e simples ROUBO DE SAFRA! Imaginemos 12 homens invadindo uma plantação para fazer colheitas, seja no dia que fosse. . . Seria isso algo lógico, aceitável e normal, a merecer a aprovação do Salvador?

       O fato é que Cristo está mostrando, não que eles podiam quebrantar o sábado (não era essa a intenção de Sua discussão), e sim revelando quão sem misericórdia eram eles, desprezando o atendimento a uma necessidade normal de alimentar-se por causa de um preceito que interpretavam de modo extremado.

      PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: No mesmo capítulo onde ocorre o relato da coleta de espigas, vs. 12, Jesus esclarece que fazer o bem no sábado é “lícito”. Qual o sentido do termo lícito mesmo? (Pode consultar dicionários para responder).

5o. TRABALHO

5. Seria a guarda do sábado um preceito moral quando os judeus, para quem o sábado foi dado, não retrucaram a Jesus quando estabeleceu o paralelo entre a acusação dos judeus de que os discípulos de Jesus estavam colhendo espigas e comendo-as o que, segundo eles, não era lícito  fazer no sábado, com o exemplo de Davi que comeu os pães da proposição? Poderia um preceito moral ficar subordinado a um preceito cerimonial ou ritual (comer os pães da proposição)?

Base bíblica: “Naquele tempo passou Jesus pelas searas, em um Sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer. E os fariseus, vendo disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado?” (Mateus 12.1-3).

  Mas, vejamos o 5o. sofisma desses trabalhos anti-sabáticos de ‘Hércules’:

      O que explicamos acima quanto ao 4º. sofisma é suficiente para desmontar mais esse sofisma típico de quem não consegue mesmo entender o simples texto bíblico, dedicado que é à inglória causa de negar o sábado bíblico. Somente diríamos que a sentença—os judeus, para quem o sábado foi dado—não tem fundamento nos fatos bíblicos, pois o sábado foi feito por causa do homem (Mar. 2:27), não do judeu. Que isso não se refere ao homem judaico fica claro em Mateus 19:5, 6 onde o mesmo termo ‘homem’-anthropós, usado por Cristo em Marcos 2:27, é empregado com relação a toda a raça humana. Isso se harmoniza com a clara informação bíblica de que o sábado foi estabelecido por ocasião da Criação, fato confirmado por grandes autoridades evangélicas e diferentes Confissões de Fé da cristandade protestante.

  PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: Sendo que o sábado foi feito “por causa do homem” que é o mesmo homem-antrhopós que deixa pai e mãe e une-se a sua mulher, seria o caso de perguntar—por acaso casamento foi estabelecido só para os judeus?

6o. TRABALHO

6. Seria a guarda do sábado um preceito moral considerando que Jesus curou o paralítico postado à beira do tanque de Betesda e ordenou que ele carregasse a sua cama num dia de sábado?

Base bíblica: “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e  anda. Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado. Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito. Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda” (João 5.8-11).

 Vejamos a 6a. alegação sofismática desse inimigo do mandamento divino:

      Sempre tenhamos em mente o problema de Mateus 5:19—se Cristo induziu um homem a violar o sábado, terá o Cristo que ser considerado o menor no reino dos céus. Não há saída!

      O leito na verdade era uma mera esteira e não constituía nenhum grande fardo, e o fato de Cristo ordenar ao homem que a transportasse era para que não perdesse sua humilde possessão, até por misericórdia ao pobre homem, e para chamar a atenção dos fariseus à cura realizada a fim de transmitir-lhes a lição que desejava—condenar, não a observância do sábado por eles, mas a estreiteza deles em impedi-Lo de realizar curas no sábado. Ele declarou: “meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho também” (João 5:18). Só que esse trabalho não era de caráter secular, e sim no sentido de preservar a vida e fazer o bem aos homens, pois é lícito fazer o bem aos sábados (Mat. 12:12). Lícito significa, em consonância  com a lei.

      Assim, vemos como Cristo Se defende dos Seus acusadores e Se justifica dizendo não fazer nada ILÍCITO nas suas curas sabáticas, mas sim a prática do bem. O que Ele claramente está criticando não é a guarda do sábado por eles, mas sua estreiteza de visão, pois não tinham consideração para com a bênção obtida por um indivíduo curado num sábado, embora salvassem de pronto um animal caído num poço (por interesse pecuniário). Como no caso de Sua crítica relativa ao dizimarem (Mateus 23:23), o que Cristo condenava não era a prática do dízimo, e sim o perderem de vista o espírito da norma envolvida.

      Cristo, antes que desestimular a guarda do sábado, a recomendou ao dizer à multidão e a Seus discípulos: “Fazei e guardai, pois, TUDO quanto eles [os líderes religiosos judaicos] vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mat. 23:3). Esta passagem é uma refutação aos que alegam que Jesus jamais recomendou a guarda do sábado. Quem pode provar que Ele ao dizer isso excluía de Suas instruções o sábado?

      Uma das coisas que eles diziam era lembrar ao povo sua obrigação de fiel observância do sábado (ver Lucas 13:14). Assim, os ouvintes de Cristo deviam acatar as instruções dos seus líderes religiosos, mas não dentro da visão estreita e extremada deles. Aqueles dirigentes judaicos estavam certos em recomendar ao povo a guarda do sábado, mas errados em acrescentar ao mandamento regras e mais regras injustificáveis e sem base escriturística.

Lucas 13:14
 14 “Então o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curara no sábado, tomando a palavra disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, neles para serdes curados, e não no dia de sábado.”
 

    Assim, chegamos à sétima das hercúleas tarefas em defesa da verdade:

PERGUNTA DE RETRIBUIÇÃO: Que tipo de leito seria aquele do paralítico? Seria mesmo um desses móveis pesadões como os temos hoje ou uma mera capa, que o pobre homem teria como única possessão terrena? Não se pode ver a própria misericórdia de Cristo nesse ato, pois se o homem deixasse ali sua manta, ou esteira, outro a tomaria, com o que ele ficaria mais pobre?
 

Prof. Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
 
 

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