SOFISMA OU FALÁCIA? -- Devolvendo a Pergunta-II
Uma vez que já deixamos claro não haver fundamento para a falsa concepção teológica de que a cruz constitui uma linha de marcada ruptura entre o judaísmo e o cristianismo em todos os sentidos, inclusive no que se refere aos aspectos morais e éticos da lei divina (o que, por sinal, não é também a posição dos inúmeros documentos históricos cristãos e grandes eruditos e próceres evangélicos do passado e do presente que repetidamente citamos), a premissa básica de toda a argumentação do Presb. da Silva em torno do texto de Colossenses 2:16 perde sua força. É a verdadeira "fortaleza do anti-sabatismo" montada sobre um texto isolado, explorando palavrinhas soltas, detalhes secundários, perdendo de vista a floresta por causa das árvores, um verdadeiro "samba anti-sabático de uma nota só".

Mas ao dedicar-se à tarefa de destruir um princípio bíblico derivado da Criação, ele nada de melhor apresenta no lugar, o que revela ser eficiente na obra de destruir, mas realmente incompetente para a tarefa de construir. É incrível imaginar que o apóstolo Paulo iria de repente insurgir-se contra um princípio estabelecido por Deus para o melhor bem do homem assim, sem mais nem menos, pois Jesus declarou que "o sábado foi feito por causa do homem" (Marcos 2:27). E demonstramos de modo irrebatível que Ele se referia ao homem-anthropós, toda a raça humana, não ao "homem judaico", como ridiculamente o Presb. da Silva tenta defender. Para ele é fundamental negar que o sábado derive da Criação ou se aplique a todos os homens. Para azar dele, essa não é uma posição exclusiva dos adventistas ou outros cristãos observadores do sábado, mas de muitos dos mais gabaritados autores cristãos do passado e do presente, e dos mais representativos documentos confessionais históricos da cristandade protestante. E ultimamente até da Igreja Católica, com a proclamação do documento Dies Domini  pelo Papa João Paulo II.

Destarte, ao fazer tanto juízo negativo e lançar tanta ridicularia sobre os adventistas por defenderem as origens edênicas e universais do mandamento do sábado, da Silva está também maltratando muita gente boa de outras confissões religiosas, possivelmente até de sua própria denominação que ele nunca revelou qual seria (talvez temendo que descobríssemos documentos históricos ou autores da mesma que põem por terra seus contraditórios conceitos semi-antinomistas).

Já que ele ao final retorna ao tema da lei numa pequena preleção, vamos analisar inicialmente esta parte final, que tem que ver com o que já tratamos longamente antes, mas ressaltemos mais alguns pontos interessantes: Ele faz uma pergunta que põe por título de uma seção de seu arrazoado: "A lei é norma de santificação para o crente?" Procura daí argumentar que não, pois a lei somente "suscita a ira". Então, a santificação seria "Cristo", e não a "lei mosaica".

Claro que ele faz questão de atribuir esse qualificativo de "lei mosaica" à lei divina, conquanto o apóstolo Paulo tenha dito que "a circuncisão é nada e a circuncisão nada é, mas o que importa é observar os mandamentos de Deus" (1 Cor. 7:19) e que é "escravo da lei de Deus" (Rom. 7:25), ainda chamando essa lei de "santa, justa, boa, espiritual, prazerosa" (Rom. 7:12, 14, 22), que o próprio da Silva menciona admitindo nesse caso não ser a "mosaica".

Então, que lei é essa que se deve acatar, que se baseia no princípio do amor, e que "é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo" (1 Tim. 1:8)? E o que é utilizar-se da lei de modo legítimo? A discussão de Paulo que ele cita longamente, em Romanos 3, 7, 8, na epístola de Gálatas, Efésios, etc. é exatamente nesse sentido: ensinar o uso da lei "de modo legítimo".

Esse é o segredo para entender-se a questão toda dos debates de Paulo quanto à lei. Se a obediência à lei (de modo legítimo) não fosse incentivada, então por que Paulo a recomenda aos filhos dos efésios em Efés. 6:1-3? Por que ele reitera vez após vez os mesmos princípios do Decálogo, como em Col. 3:20; I Tess. 4:3-7; Heb. 13:5; Efés. 4:25? E que dizer do famoso texto de Tiago 2:10: "Pois, qualquer que guardar toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos" num contexto em que trata de mandamentos específicos do Decálogo?

Esta última passagem é complicada para os negadores da validade do Decálogo, que o lançam na lata de lixo do cerimonialismo judaico. E a argumentação desses é que se Tiago está destacando o dever de guardar toda a lei, isso incluiria também a cerimonial. Só que quem levanta tal argumento se esquece que a essas alturas, quando Tiago escreve a sua epístola dirigida aos cristãos, o véu do Templo já tinha sido rasgado de alto a baixo e não há mais nada daqueles ritos cerimoniais para a Igreja. A exortação de Tiago diz respeito a obrigações cristãs, não judaicas. Ele lembra preceitos do decálogo, não todos, é verdade, mas no sentido de abrangê-los todos, como Paulo faz em Romanos 13:8-10, já amplamente discutido.

O que os semi-antinomistas não querem entender é que o falar da lei como norma de conduta cristã não significa nenhuma busca de obter justiça por esse código. Paulo mesmo, ainda que tratando de outro assunto, lembra na sua discussão da ressurreição: "o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei" (1 Cor. 15:56). Daí nos lembramos de uma passagem bíblica importante que esses semi-antinomistas NUNCA citam. Simplesmente a evitam de todo jeito: 1 João 3:4: "Todo aquele que pratica o pecado, também transgride a lei; porque o pecado é a transgressão da lei".

Os leitores das epístolas, tanto de Paulo, quanto de João e Tiago, sabiam a que "lei" e a que "mandamentos" estavam os seus autores se referindo. Em parte alguma qualquer deles passa a mínima noção de que os mandamentos da lei moral foram reformulados por perderem "roupagens judaicas". Isso é noção inteiramente alheia ao texto bíblico. O que eles apresentam é a lei divina como norma de conduta moral na forma de seus Dez Mandamentos, com os aspectos prefigurativos cerimoniais, estando já no passado. O que expõem é que qualquer tentativa, seja de a) valer-se da lei moral como fonte de salvação; b) valer-se de aspectos cerimoniais prefigurativos e abolidos como ainda requeridos dos cristãos, seria recorrer a um uso ilegítimo da lei.

Se ele fala de que "a lei é boa", claro que não está se referindo à lei dos medos e persas, mas à lei de Deus. Que eles entendem essa "lei de Deus" como tendo mandamentos específicos, que são os que os seus leitores conheciam como os do Decálogo, fica patentemente claro ao citarem exatamente vários de tais mandamentos (Romanos 7:7; 13:8-10; Efés. 6:1-3; Tiago 2:8-12; 2 João 5:21).

A certa altura, em seu teor de menosprezo a um ponto que eu levantei, diz o Presb. da Silva, que pretende ser melhor exegeta mas certamente não melhor usuário da língua portuguesa:

Antes de qualquer coisa, urgi relembrar que o senhor Brito, nos dá prova mais uma vez de ser um péssimo exegeta; suas interpretações tende ao ridículo, digna de risos até. Coloca seus postulados numa dialética construída sobre ilógicas interpretações.

Não pretendo ser prolixo nesta questão como fui com Cl. 2:16. Apenas pretendo dar uma pincelada nesta questão. Todavia, aos seus argumentos, se é que posso chamar isto de argumentos, falta-lhes a necessária força de prova ...vis probandi.
Tomo a liberdade de reproduzir aqui apenas o comentário de Donald A.Hagner em seu "Novo Comentário Bíblico Contemporâneo" do livro de Hebreus. Assim define Hagner sobre a palavra sabbatismos:

"A palavra grega rara para repouso (sabbath no hebraico) neste versículo é sabbatismos. É usada deliberadamente pelo autor em lugar da palavra para "descanso" usada previamente em sua discussão (katapausis), a fim de enfatizar que o descanso de que tem falado é de natureza escatológica, isto é, tem a natureza do descanso do próprio Deus. Assim é que o sabbath de Deus torna símbolo do nosso descanso" (pág. 92) Portanto, a questão é simples, não adianta procurar chifres em cabeça de cavalos! Aqui não é uma ordem para guardarmos sábado algum, mas uma promessa de um descanso eterno. É assim que Agostinho interpretava este descanso em sua obra "A Cidade de Deus - XXII, 30, 5".
Já que ele tem tanto senso de humor e lhe dá vontade de rir com possíveis tropeços de um oponente, eu lembraria a ele que poderia dar minhas risotas com o "urgi" que ele inventou (também o seu uso de "gentil" em vez de "gentio", a falta do pronome reflexivo nesse próprio texto mal traduzido ['torna(-se) símbolo do nosso descanso'], termos que alguns poderão até nem saber identificar, mas o que nos importa aqui é a tal péssima exegese (sem falar nas "unhas de diamante" de Moisés, como veremos mais adiante. . .).

O que eu havia dito é que o autor de Hebreus, para ilustrar o repouso espiritual prometido por Deus a Seu povo utilizou-se no capítulo 4 da figura do sábado (não do domingo, o que seria de esperar pelo ano 64-70 se a igreja já estivesse adotado tal dia de "repouso") e a palavra que emprega para "repouso" por todo o capitulo é katapausin. Quando, porém, chega ao verso 9 ele se vale de um termo especial, e a única vez aparece em toda a Bíblia--sabbatismos.

A solução que ele encontra é citar um obscuro autor de algum comentário bíblico. Mas prefiro recorrer a um reconhecidamente competente tradutor bíblico, George Lamsa, de origem aramaica e muito qualificado para realizar tal tradução. Pois bem, ao verter dessa forma particular do Novo Testamento, o aramaico, ele diz que Hebreus 4:9 assim seria: "Portanto, é o dever do povo de Deus observar o sábado". -- The New Testament From the Aramaic. The Translation of Eastern Sources of the New Testament.

Uma leitura atenta dos capítulos 3 e 4 indica que o autor fala do "repouso" espiritual para o povo de Deus em três perspectivas: passado, presente e futuro. Ele repetidamente exorta os seus contemporâneos: "tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado" (3:12, 13); "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado" (4:1). Mais adiante, após o vs. 9 ("portanto, resta um repouso sabático [rodapé] para o povo de Deus") a exortação repete-se no tempo presente: "Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência" (4:11).

O autor faz aplicação do repouso do sétimo dia no vs. 4:4: "Porque em certo lugar assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera". Sendo que ocorre esse uso diferenciado do termo sabbatismos no vs. 9, que esse competente tradutor verte como "o dever do povo de Deus observar o sábado", sem dúvida o autor de Hebreus deseja lembrar a seus leitores que esse dever da observância do sábado ilustra bem o repouso espiritual presente e futuro. Não se trata de nenhuma "ordem para guardarmos o sábado", mas seria um lembrete de que ele não está tratando do sábado apenas como símbolo de algo que não se liga à celebração do próprio sábado semanal regular.

Há quem goste de citar Hebreus 4 para indicar que o sábado é símbolo do repouso em Cristo, portanto sendo este o seu objetivo "cerimonial". Contudo, ainda que podendo ter tal simbolismo em parte, na verdade uma coisa não exclui a outra. Se Israel houvesse entrado no "repouso" pela fé, isso não isentaria a nação de continuar observando o mandamento do sábado. Prova disso é que de fato houve dentro de Israel os que acataram tal repouso, como os heróis alistados em Hebreus 11, e nem por isso deixaram de observar o sábado. É o caso de Davi que declarou: "Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a Tua lei" (Salmo 40:8). Esta seria a experiência que idealmente deveria ter sido a de toda a nação. Assim, fica resolvida a questão.

Por aí vemos que quem escreveu a epístola foi possivelmente Paulo, pois ele costumava valer-se de certos recursos de linguagem para realçar pontos que poderiam ser mal compreendidos. Por isso, em Romanos 7:7 ele pergunta: "Que diremos, pois, é a lei pecado?" E passa a explicar que não era sua intenção dizer isso ilustrando como a lei aponta o pecado através de um mandamento da lei. Busca, assim, desfazer qualquer noção de ser um antinomista, de condenar a lei não só como meio de salvação, mas como norma de conduta.

Na discussão que intitula "Círculo Vicioso em Torno da Lei" ele me atribui pensamentos que jamais expressei--de que buscamos na lei a fonte, se não da justificação, mas a fórmula legal para desenvolver a santificação (ufa, pelo menos já mudaram de conceito, pois não se cansavam de valer-se do "trunfo" da justificação pelas obras da lei que seria o pensamento dos cristãos observadores do sábado). Contudo, no próprio texto em que cita minhas palavras eu falo da ilustração da lei como espelho, empregado pelos cristãos de todas as confissões, não para transmitir justiça, seja para justificação ou santificação, mas para apontar o pecado. Daí, como também acentuei, o pecador reconhecendo sua falha obtém o perdão em Cristo.

Ora, é isto exatamente o que Paulo transmite em Romanos 7:7: "Então o que vamos dizer? Que a própria Lei é pecado? Claro que não! Mas foi a Lei que me fez saber o que é o pecado". -- A Bíblia na Linguagem de Hoje. Sendo que "pecado é transgressão da lei", segundo aquele célebre versículo que os antinomistas parecem não ter em suas Bíblias (nunca o citam. . .), então tudo se esclarece.

Que o cristão deve ter na lei sua norma de conduta é fato declarado e reconhecido por praticamente todas as confissões de fé e autoridades cristãs que tantas vezes tenho citado, além dos textos todos que já mencionei onde os autores bíblicos do Novo Testamento são específicos, não genéricos. Eles não dizem simplesmente: "Contemplem a Cristo e isso é tudo quanto precisam fazer. Não se preocupem com regras nenhumas, de fazer isto ou não fazer aquilo". De modo algum, o contemplar a Cristo deve motivar o crente e buscar saber como melhor servi-Lo, e quantas instruções específicas se acham nas páginas neotestamentárias a respeito do que fazer e não fazer. Só para dar alguns exemplos tomados ao acaso:

"compartilhai as necessidades dos santos"; "praticai a hospitalidade"; "não sejais sábios aos vossos próprios olhos"; "apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus"; "lançai fora o velho fermento"; "não vos associeis com os impuros"; "fugi da impureza"; "se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo"; "não havendo intérprete, fique calado na igreja"; "tornai-vos à sobriedade"; "orai sem cessar".

Então, se o caminho da santificação é apenas pensar em Cristo subjetivamente, sem nada de objetivo para se seguir, tais admoestações se tornam inteiramente sem sentido e desnecessárias. Claro que devemos cumprir o que o próprio Cristo recomendou: "Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos" (João 14:15).

De todas as declarações em Confissões de Fé oficiais tratando do relacionamento entre lei e graça, fé e obras, justificação e santificação, a que mais aprecio é o artigo 21 dos "Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo" de minha ex-Igreja Congregacional. Parece-me uma maravilhosa síntese da questão, bem ao ponto, muito clara e objetiva:

Da Obediência dos Crentes - Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei, senão pelos merecimentos de Jesus Cristo, recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se acharem salvos de graça. Ef 2:8,9; I Jo 5:2,3; Tt 3:4-8.

A seguir o Presb. da Silva responde a sua própria pergunta se o cristão deve obrigação ao que chama "lei de Moisés": "Pela Palavra de Deus podemos afirmar que o crente não tem mais uma obrigação à Lei de Moisés. A Lei de Moisés era à nação de Israel e não ao gentil [sic]".

Deixando de lado a insinuação de que os da nação de Israel eram todos descorteses, na sua confusão entre gentil/gentio, logicamente ele se esquece que o cristão deve obedecer a lei de Deus, não de Moisés. E essa lei de Deus é a que Ele próprio escreve no coração e mente dos que acatam os termos de Seu novo concerto, naquele célebre verso de Hebreus 8:6-10 e 10:16 que já analisamos à saciedade demonstrando que nessas "minhas leis" que Deus escreve, nada indica que o mandamento do sábado fique de fora ou haja experimentado uma alteração do 7o. para o 1o. dia da semana.

Talvez seja interessante assinalar que na repetição dessa declaração sobre o Novo Concerto em 10:16, o contexto mostra que este é firmado para aqueles que experimentaram o perdão de seus pecados. "Ora, onde há remissão destes [pecados], já não há oferta pelo pecado" (10:18), o que significa que no Novo Concerto ocorre o perdão e aceitação mediante o sacrifício do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo.

A exposição toda no trecho de 8:13-10:24 explica o sentido e fim do cerimonialismo judaico, pelo que a aplicação de Jeremias 31:31-33 e Ezequiel 36:26, 27 aos cristãos indica que tudo que constava da lei conhecida ao tempo em que a mesma promessa foi proferida ao Israel nacional, ao sair do cativeiro babilônico, transfere-se para os corações e mentes dos que aceitam os termos desse novo concerto, com as cerimônias prefigurativas e normas várias aplicadas ao povo como nação, tendo cessado com o fim do Israel nacional e com o rasgar do véu do Templo de alto a baixo. Assim, as "minhas leis" transcritas nos corações e mentes dos cristãos trazem todos os preceitos morais, nada dos cerimoniais e civis. Daí que o sábado NÃO fica de fora.

O Presb. da Silva admite:

"Há uma boa lógica de bom senso que afirma que na presença da lei há uma racionalidade de amor que ensina o nosso dever espiritual (Rom 8:12-16;12:1-3;6:17,18; Col. 3:1-25). A importância desta 'lei de Cristo' (I Cor 9:21) não é que ela é a nossa justificação diante de Deus, mas, que por ela, os Cristãos, andem em santificação diante dos homens para serem testemunhas para glória de Deus (Rom 6:22; 8:4; Mat. 5:13-16; Atos 1:8)".

Essa "racionalidade de amor" na verdade é o fundamento da legislação divina, como Cristo acentuou em Mateus 22:36-40, declarando que "destes dois mandamentos [amor a Deus e ao próximo] DEPENDEM toda a lei e os profetas". Só que o Presb. da Silva, no seu empenho de diminuir ao máximo a importância e valor do Decálogo não quer admitir que tais princípios tenham algo a ver com o Decálogo pois não constavam das "tábuas". É incrível!

Que a "lei de Cristo" não é nossa justificação diante de Deus nem precisa de lembrar, mas com isso logicamente quer 'ensinar Padre Nosso para o vigário'. Logicamente o objetivo desse "sermão" que quer passar é insinuar a falsa concepção, que já foi corrigida com documentação clara demonstrativa e indiscutível que os cristãos observadores do sábado não têm a lei de Cristo, ou lei de Deus (que são uma só e a mesma), na conta de fonte de justificação, nem mesmo de santificação, como acima exposto. Creio que não há necessidade de repetir aqui o que já foi tantas vezes explicado, mas no endereço abaixo pode-se ver onde estão documentadas as posições oficiais de três igrejas sabatistas sobre o tema da lei e justificação:

http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?topico=1223072&nrpag=1

Depois de um tremendo malabarismo exegético para tentar falar de como "a fé estabelece a lei" (Rom. 3:31) sem querer admitir que o Decálogo, expressão dessa lei divina aos homens, é ainda válido como norma de conduta cristã (tal como admitem as mais representativas Confissões de Fé da cristandade protestante e os mais gabaritados autores que confirmam o teor de tais documentos históricos, ainda válidos e vigentes para as igrejas batista, metodista, presbiteriana, congregacional, episcopal, luterana, etc.) ele sai-se com essa:

"O mandamento do amor é nossa nova lei, vivemos agora por este princípio de vida. Quando Paulo cita alguns dos mandamentos do Decálogo ele o faz, mas não nos moldes do AT, mas debaixo da Nova Aliança. Ele apresenta o real espírito da lei eterna de Deus."

Já vimos que essa conversa de "moldes do AT" não tem o mínimo fundamento nos fatos. Paulo cita naturalmente os mandamentos do Decálogo e seus leitores entenderiam perfeitamente que estes eram tão vigentes e importantes quanto sempre foram. O "real espírito da lei eterna de Deus" é o de sempre também, pois Cristo resumiu (não substituiu) os princípios da lei como "amar a Deus" e "amar ao próximo" citando Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18. Assim, o conceito de que o princípio do amor é algo revolucionário do Novo Testamento, inteiramente diverso das "roupagens judaicas" da lei moral do Velho Testamento, é um conceito totalmente infundado. A lei de Deus SEMPRE se inspirou no amor a Deus e ao próximo. Do contrário, qual seria a sua base nos tempos do velho concerto? O desamor? Esta é uma pergunta que gostaria de ter respondida.

Voltando a nossa pergunta-desafio, o problema crucial do longo arrazoado do Presb. da Silva na sua "Resposta Apologética" sobre o teor da promessa do novo concerto em Hebreus 8:6-10 é que ele deseja que os autores neotestamentários, sobretudo o autor de Hebreus, tenham os mesmos pressupostos dele. Eis onde jaz o defeito maior de sua exposição:

"É claro que os escritores neotestamentarios (principalmente o de Hebreus) entenderam a nova aliança não mais nos moldes da dispensação judaica. Não faziam mais menção das promessas do Sinai, agora seu ponto de referência histórico era Cristo, sua obra e seus mandamentos".

Ninguém está negando que Cristo é o centro da vida cristã sob o Novo Concerto, sendo Ele o seu ponto de referência. Aliás, Ele também é o ponto de referência do velho concerto, pois as cerimônias e todo o ritual levítico eram o antitipo do grande Tipo. Ademais, uma coisa não exclui a outra--a escrita das leis divinas no coração não afasta ninguém de Cristo, pelo contrário. O texto diz que Deus escreveria "as Minhas leis", agora, ao tempo de Jeremias essas leis divinas eram as de Israel, incluindo os Dez Mandamentos e todo o cerimonialismo prefigurativo de Cristo. Quanto a isso não resta dúvida. Prossegue ele:

"Não podemos entender o termo 'minhas leis nos seus corações' como as leis mosaicas, pois o escritor aos Hebreus, como já vimos, parte duma perspectiva totalmente diferente".

Ele fala depreciativamente das "leis mosaicas", mas estamos tratando aqui das "Minhas leis", ou seja, de Deus. Então, que tal deixar Moisés em paz e concentrar-nos no que se refere ao que Deus prometeu? E a promessa divina é de que escreveria as "Minhas leis", nada de "lei mosaica". Aliás, nem mesmo é dito "lei de Cristo", embora as leis de Deus sejam também as leis de Cristo, pois Ele e o Pai são um.

Ainda diz o Presbítero na sua análise da importante passagem: "Ele não entende mais a promessa de Jeremias nos moldes judaicos, mas sob uma perspectiva cristológica". É claro que os "moldes judaicos", no que se refere ao cerimonialismo, cessaram desde que o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo e o "ponto culminante" recai sobre Cristo. Mas o que isso tem a ver com as "Minhas leis" que Deus escreve nos corações daqueles que se tornam seguidores de Cristo? Eles aceitam as "Minhas leis", de Deus, que são as mesmas leis de Cristo, qual é a dúvida?

Mas, e a parte cerimonial? Esta não conta, porque o próprio autor de Hebreus faz exatamente a aplicação devida de que, como bem acentua o Presbítero da Silva,

"O sacerdócio, o sangue, o tabernáculo, o mediador, a aliança, as promessas e a lei. Sua perspectiva agora é totalmente neotestamentaria, debaixo da nova dispensação. Conseqüentemente, esta lei tem de ser a lei de Cristo e não a lei do antigo pacto".

Ninguém está negando que o pacto foi abolido, e Hebreus 8:13 e a seqüência dos capítulos 9 e 10 tratam exatamente disso--o contraste do velho e novo concertos, com aplicação do sentido do cerimonial judaico, do sacerdócio e tudo o mais, ao sacrifício de Cristo. Então, o problema está em querer insinuar que a mudança do pacto alterou os termos da lei que Deus escreve nos corações de Seus filhos nos seus aspecto morais. O que cessou era óbvio aos cristãos hebreus desde o rasgar do véu do Templo. Mas com o rasgar do véu acaso os mandamentos morais findaram? Poderiam doravante matar, roubar, adulterar, adorar ídolos, proferir o nome de Deus em vão? Claro que não. Pois essa é a perspectiva cristocêntrica: o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" era o tipo dos antitipos do velho pacto.

Os mandamentos de caráter moral das "Minhas leis" que Deus escreve nos corações e imprime nas mentes dos que aceitam tal novo pacto não têm por que mudar. Já vimos que essa história de "strip tease" de roupagens judaicas, no que se refere aos princípios da lei moral, simplesmente não condiz com a realidade. Não há a mínima referência a isso pelos apóstolos ao citarem os mandamentos da lei moral. Antes, eles o fazem com a maior naturalidade como cientes de que são preceitos válidos, permanentes, cuja prática é tão legítima e necessária sob o novo pacto quanto o foram sob o antigo (Rom. 7:7, 13:8-10; Efés. 6:1-3; Tiago 2:8-10). E essa é também a interpretação das famosas "Confissões de Fé" e do que afirmaram e afirmam grandes pesquisadores, autores, fundadores denominacionais já tantas vezes referidos.

Diz ainda da Silva:

"Se seguirmos o pensamento dos adventistas nesse ponto como esposado por nosso amigo Brito quando diz: 'Note-se que essa "lei de Deus" é a mesma que constava da promessa original dirigida aos filhos de Israel em Jeremias 31:31-33 e não outra. . . Os leitores cristãos-hebreus da epístola entenderiam isto perfeitamente' teremos forçosamente de admitir que eles teriam que guardar toda a lei, pois o profeta não entendia a lei dividida em duas, uma moral e a outra cerimonial. Por isso mesmo, foi a promessa adaptada, e em Jesus e na sua lei, encontrou novo significado e cumprimento cabal. Por causa disso, o apostolo Paulo dizia que não estava mais debaixo da lei de Moises, mas, no entanto, não estava sem lei, pois estava debaixo de outra lei a qual ele chama de "lei de Cristo" (I Co. 9:21).

Também é óbvio que ao tempo de Jeremias a lei incluía todos os seus aspectos. Assim, persiste o problema de da Silva e todos os semi-antinomistas ao sustentarem essa "teologia herodiana" (pois buscam livrar-se de toda a lei, mas só atentam contra o mandamento do sábado como não incluído no Novo Concerto): como provar por esta passagem que o sábado fica de fora, ou o domingo toma o seu lugar, quando Deus escreve as suas leis nos corações e mentes dos que aceitam os termos de Seu novo concerto? O texto não diz isso. Claro que a parte cerimonial cessa, mas onde cabem nove mandamentos do decálogo nesse novo pacto, caberão dez, pois o sábado não fica de fora de jeito nenhum. É um mandamento moral, derivado da criação, feito "por causa do homem" (Mar. 2:27) e como tal reconhecido pelas mais representativas Confissões de Fé da cristandade protestante.

Assim, o Presb. da Silva realmente não resolveu a "charada teológica" de Hebreus 8:6-10 à luz do texto da própria passagem, pois os hebreus-cristãos entenderiam as "Minhas leis" como todos os preceitos divinos do tempo de Jeremias, menos os que fossem prefigurativos de Cristo. Com isso, persiste a indagação--onde está escrito que quando Deus escreve as Suas leis nos corações e mentes dos que aceitam os termos do Novo Concerto (Novo Testamento), o 4o. mandamento fica de fora ou o domingo toma o lugar do sábado? (Hebreus 8:6-10; 10:16, cf. Jer. 31:31-33).

Ele prossegue em sua argumentação:

"Enquanto a lei mosaica não podia ajudar em nada, pois estava enferma pela carne, a lei do espírito de vida por outro lado consegue vence-la. Daí se percebe que a lei do Sinai não é a mesma lei do espírito de vida (segundo acredita nosso amigo adventista dizendo que ela é apenas renovada no coração)".

Mais uma vez ressalto--o problema é ele interpretar que a dificuldade para Israel estava com a lei, quando na verdade, o problema estava com o coração do povo. A lei divina não é "apenas renovada no coração" assim, sem mais nem menos. Ele se esquece da promessa de Ezequiel 36:26 e 27:

"Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observeis".

Quando Paulo fala que a lei estava "enferma pela carne" (Rom. 8:3), nos versos anteriores ele explica que "a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte". No primeiro verso ele havia deixado claro que o problema não era a lei em si, mas a sua transgressão (o pecado, cf. 1 João 3:4). Ele não diz, "Agora, pois, já nenhuma lei há para os que estão em Cristo", e sim, "já nenhuma condenação há. . ." Não porque a lei foi abolida, mas porque o princípio do pecado na vida de quem tem a Cristo foi superado. A "lei do pecado e da morte" NÃO é o Decálogo, como o nosso caro oponente parece entender, pois se "a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma", sendo ainda "santa, justa, boa, prazenteira e digna de se ter na mente" (Salmo 19:7, Rom. 7:12, 14, 22, 25) como poderia transformar-se, de repente, numa lei tão terrível?

Repito: o grande problema dos semi-antinomistas é que não conseguem identificar onde estava o problema do fracasso espiritual de Israel. O vs. 4 liqüida de vez a falsa noção que mantêm pois "a justiça da lei", ou, como diz outra versão, "o preceito da lei", se cumpre na vida de quem tem a Cristo e não anda segundo a carne (ou seja, na prática do pecado, que é "transgressão da lei"--1 João 3:4), mas segundo o Espírito. Ora, como a "justiça" ou "preceito" de uma lei do pecado e da morte, inteiramente abolida, poderia se cumprir na vida de um cristão? Por aí se vê como essa gente está desviada da rota da correta exegese bíblica.

Os versos 7 e 8 lançam ainda maior luz sobre isto: "O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus". O verso 10 complementa maravilhosamente: "Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça".

E o que é justiça? Esta é uma excelente pergunta a ser feita neste contexto. Justiça é harmonia com os princípios divinos expressos na lei de Deus. A diferença que Paulo apresenta não é velha lei/nova lei, mas velho homem/novo homem. É tão fácil de entender isso quando se lê estas passagem sem os óculos semi-antinomistas e anti-sabáticos que da Silva parece ter permanentemente sobre o nariz.

Então, tudo se torna claro e patente: Deus escreve a Sua lei moral àqueles que experimentaram renovação de vida, receberam o Seu Espírito, pois é mediante o Espírito que se tem forças para fazer com que "a justiça da lei" (a vida justa que a lei requer) se cumpra na vida da pessoa. Os leitores primários de Romanos entenderiam perfeitamente a linguagem de Paulo ao falar em "lei" como sendo o Decálogo, que é a lei de Cristo, e de Deus, e da fé, e do Espírito de vida, e da graça. Tanto que ele faz referência direta a um dos seus mandamentos, aplicando tal "mandamento" ao tema da lei de que está tratando em todo o capítulo (ver Rom 7:7). É tudo uma coisa só e o ônus da prova fica com quem negue tal fato. Toda essa história de lei superior, sentido mais lato, etc., não se justifica à luz da clara exposição que Paulo faz em Romanos 6-8.

E vale a pena reiterar: Jesus deu um sentido mais lato aos mandamentos, não para indicar que seriam substituídos por outra lei, mas, ao contrário, valorizando-os pois foram dados por Deus! Como iria Deus dar ao povo uma "lei de segunda" no Velho Testamento e reservar a "lei de primeira" no Novo? Seria um Deus discriminador e injusto.

Agora, entrando nos méritos da questão de Colossenses 2:14-17 percebemos que a primeira preocupação do Presb. da Silva é tentar diminuir a força das autoridades evangélicas citadas por Christianini e por mim próprio, buscando encontrar alguma pista que desfaça o peso do que disseram, confirmando a posição adventista tradicional de que "os sábados" de Col. 2:16 são os cerimoniais, que se distinguem do sábado da lei moral claramente em Levítico 23:37, 38: "São estas as festas fixas do Senhor . . . além dos sábados do Senhor". Ou, como diz a New International Version, "em adição àqueles para os sábados do Senhor".

Além disso, ele busca desqualificar Christianini como alguém que se vale de falsidade por não indicar sempre que os autores que cita admitiam o domingo como o dia em cumprimento do 4o. mandamento. Só que essa maldosa alegação revela-se da maior inconseqüência quando se percebe que Christianini claramente identifica tais autores como "metodista", "presbiteriano", "batista", e todo mundo sabe que todos esses religiosos são observadores do domingo. É inteiramente desnecessário para efeito da discussão específica dar esse detalhe, pois no livro inteiro Christianini cita variadas vezes tais autores identificando-os como ligados a igrejas observadoras do domingo.

Mas, claro, serve-lhe ao propósito caluniador e de denegrir a imagem de um opositor lançar todo tipo de insinuação negativa, que é aparentemente a "metodologia científica" com que inicia o seu estudo. Só que devia preocupar-se com as falsas alegações de seu amigo Natanael Rinaldi, que num artigo procura dizer que Christianini ensina que a lei de Deus são só os Dez Mandamentos, e nada mais na Bíblia, citando o seu livro Subtilezas do Erro no qual, como demonstrei-lhes claramente, repetidas vezes este autor fala de como a lei de Deus é consubstanciada, resumida, sintetizada na forma dos Dez Mandamentos, e que a lei divina se esparrama por toda a Bíblia. Cientes desse fato, numa matéria que até intitulei "Distração ou Cinismo Mesmo?", deviam corrigir a falsa concepção, mas como serve aos seus propósitos caluniatórios, não modificam e prosseguem distribuindo o artigo com a falsa informação. Isso, amigo Presb. da Silva, é que representa patente DESONESTIDADE.

Ele resolveu "liqüidar a fatura" do adventismo juntando todas as acusações e problemas reais ou imaginários que pôde reunir a respeito da IASD para lançar lama sobre o conceito e caráter desses cristãos observadores do sábado numa triste litania de vale-tudo acusatório, atitude em nada condizente com quem tão pretensiosamente fala em seu estudo: "Para entendermos a epístola aos Colossenses--e de modo geral toda a Bíblia--devemos nos ater não somente na investigação textual, mas de modo global, atentar mais para uma pesquisa abrangente, levando em conta os princípios da metodologia científica". Daí passa a reproduzir o que encontrou em algum comentário bíblico e outras obras teológicas, buscando passar a imagem de estar aplicando essa "metodologia científica", colando o pensamento alheio.

Contudo, que ele não revela nenhuma "metodologia científica", mesmo copiando abundantemente de outros e nem sempre indicando a fonte, evidencia-se de sua argumentação fantasiosa. Agarra-se a um texto bíblico como se fosse a única e última esperança para encontrar motivos na Bíblia para livrar-se de um mandamento que simplesmente não deseja respeitar e, para justificar sua negligência, vai em busca de qualquer pretexto possível para eliminá-lo. Contudo, essa "fortaleza do anti-sabatismo" de Colossenses 2:16 desaba ante uma serena análise do texto à luz de sua moldura contextual, do estudo do real problema que motivou essas palavras paulinas.

Primeiramente, vejamos algo mais do que Jamieson, Fausset & Brown dizem, que nem aparece na obra de Christianini:

14. Tendo cancelado --No grego, "Tendo eliminado"; coincidindo no tempo [verbal] com "perdoando" (Col 2:13); portanto tendo cancelado a acusação da lei contra vós. A lei (incluindo especialmente a lei moral, onde repousa a maior dificuldade de obediência) é abrogada para o crente na medida em que se tratava de um código compulsório, acusador, e na medida em que a "justiça" (justificação) e "vida" foram buscada por isso. Ela pode somente produzir obras exteriores, não obediência interior da vontade, que no crente flui do Espírito Santo nEle (Rom. 3:21 7:2,4 Gál. 2:19). . . .

16. portanto--em vista de que sois completos em Cristo, e Deus Nele tornou dispensáveis todos os meios subordinados como essenciais à aceitação por parte Dele.

comida e bebidas--No grego, "comer . . . beber" (Rom. 14:1-17). Não deis atenção a quem quer que se ponha em julgamento sobre vós quanto a observâncias legais concernentes a alimentos.

dia de festa--uma festa anual. Compare as três, 1Crô. 23:31.

lua nova--mensal.

o sábado--Omite "O", que não está no grego (comparar com Nota, ver sobre Gál. 4:10). "SÁBADOS" (não "os sábados") do dia de expiação e festa dos tabernáculos chegaram a um fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam (Lev. 23:32,37-39). O sábado semanal repousa sobre um fundamento mais permanente, tendo sido instituído no Paraíso para celebrar a conclusão da criação em seis Deias. Lev. 23:38 expressamente distingue "o sábado do Senhor" dos outros sábados.

Um preceito positivo é correto porque é ordenado, e cessa de ser obrigatório quando abrogado; um preceito moral é ordenado eternamente, porque é eternamente correto. Se pudéssemos observar um sábado perpétuo, como o faremos no além, o preceito positivo do sábado, uma em cada semana, não se faria necessário. Heb. 4:9, "respousa", em grego, "observância do sábado (Isa. 66:23). Mas não podemos, uma vez que mesmo Adão, em inocência, precisou de um em meio a suas atividades terrenas; portanto, o sábado é ainda necessário e é, portanto, ainda ligado aos demais nove mandamentos, tão obrigatório no espírito, conquanto a letra da lei haja sido superada pelo espírito mais elevado do amor que é a essência tanto da lei quanto do evangelho (Rom. 13:8-10).

Dessas mesmas importantes autoridades do maior reconhecimento entre eruditos cristãos encontramos o seguinte:

Da obra Comentario Exegético y Explicativo de la Biblia, (em espanhol) Tomo 2, pág. 520, de autoria de Roberto Jamieson, A R. Fausset e David Brown, comentando Colossenses 2:16:

" ‘SÁBADOS’ do dia da expiação e da festa dos tabernáculos chegaram a seu fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam (Levítico 23:32, 37-39). O sábado semanal se apóia em uma base mais permanente, havendo sido instituído no Éden para comemorar a terminação da criação em seis dias. Levítico 23:38 expressamente distingue entre ‘o sábado de Jeová’ e outros sábados." (grifos nossos)

E os mesmos pesquisadores comentam a respeito da origem do sábado no Éden:

" . . .e repousou no dia sétimo--não para repousar de esgotamento pelo trabalho (veja Isaías 40:28), mas cessou de trabalhar, dando um exemplo, que equivale a um mandamento, para que nós também suspendamos toda classe de trabalho.

3. Abençoou Deus o dia sétimo e o santificou.-- fazendo uma distinção própria sobre os outros seis dias, demonstra que foi dedicado para fins sagrados. . . .É uma lei sábia e benéfica, pois proporciona aquele intervalo regular de descanso que requer a natureza física do homem e dos animais empregados em seu serviço, e a não observância do mesmo traz em ambos os casos uma decadência prematura."--Jamieson, Fausset a Brown, Op. Cit., pág. 21.

E temos mais um pesquisador insuspeito, por ser observador do domingo, que esclarece:

"Apela-se a passagens tais como Colossenses 2:16: ‘Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados". E Romanos 14:5: ‘Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente". Cada um de nós, contudo, sabe que as igrejas apostólicas viviam grandemente atribuladas pelos judaizantes, os quais insistiam em que a lei mosaica continuava em vigor, e que os cristãos eram obrigados a conformar-se às suas prescrições acerca da distinção entre alimentos limpos e impuros, bem como a seus numerosos dias de festa, nos quais todo trabalho tinha de ser interrrompido. Esses eram os falso mestres e essa era a falsa doutrina contra a qual muitas das epístolas de Paulo se dirigiam. É uma óbvia referência a tais homens e suas doutrinas que passagens como as supracitadas foram escritas. Elas não fazem nenhuma referência ao Sábado semanal, o qual fora observado desde a criação, e o qual os próprios Apóstolos introduziram e perpetuaram na Igreja Cristã."--Teologia Sistemática, Charles Hodge, pág. 1269.

O Dr. Albert Barnes, conhecida autoridades presbiteriana, assim se expressou sobre o texto de Colossenses 2:16:

"‘Ou dos sábados’. A palavra ‘sábado’, no Velho Testamento, é aplicada não somente ao sétimo dia, mas a todos os outros dias de repouso sagrado que eram observados pelos hebreus, e particularmente ao começo e encerramento de suas grandes festividades. Há, certamente, referência a esses dias nesse lugar, visto que a palavra é usada no plural e o apóstolo não se refere particularmente ao assim chamado sábado, propriamente.

"Não há nada que indique tivesse ele ensinado não haver nenhuma obrigação de observar qualquer dia santificado, pois não há a menor razão para crer que ele tencionasse ensinar que um dos Dez Mandamentos tivesse deixado de ser obrigatório para a humanidade.

"Se houvesse usado a palavra no singular, ‘o sábado’, teria ficado claro, naturalmente, que ele pretendia ensinar que esse mandamento havia deixado de ser obrigatório, e que o sábado não mais devia ser observado. Mas o uso do termo no plural e o contexto, mostram que tinha sua atenção voltada para o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festas, como parte de sua lei típica e cerimonial, e não para a lei moral ou os Dez Mandamentos.

"De nenhuma parte da lei moral - pode dizer-se ser ‘uma sombra das coisas futuras.’ Estes mandamentos são, em virtude da natureza da lei moral, de perpétua e universal obrigatoriedade".--Notes on Colossians edição de 1850, págs. 306 e 307.

Da Silva busca desqualificar esta citação de A. Barnes alegando que ele era observador do domingo e que entendia o sábado como o princípio do mandamento sem as famigeradas "roupagens judaicas" na Nova Aliança, e que "o princípio moral do mandamento do sábado não foi abrogado (cremos também assim)".

Contudo, é estranho o Presb. da Silva dizer que crê assim, quando busca diminuir totalmente a importância do próprio "princípio moral do sábado" mediante dois artifícios: a) dizer que o sábado nem deriva do Éden e não tem caráter moral; b) dizer que os Dez Mandamentos foram inteiramente abolidos e a guarda do domingo não é a continuidade do sábado. Assim, vem ele agora passar-se como aliado dos presbiterianos, com os quais entra em choque, pois sua posição conflita inteiramente com a deles e de todos os demais autores cristãos que têm a mesma posição dos adventistas quanto à vigência e validade do Decálogo para a era cristã, incluindo o seu 4o. mandamento com um dia de 24 horas dedicado a Deus. Não é absolutamente esta a visão de da Silva noutros pontos. Como vem agora dizer, "cremos também assim"? E ainda diz:

"Se ele [Albert Barnes] estivesse defendendo o sábado, cairia numa flagrante contradição, pois estaria defendendo a vigência de um dia e guardando outro. Novamente salta aos olhos a hipocrisia de Christianini ao dizer, "Até parece um adventista falando. . . É forte a força da evidência. Perguntamos: que evidência?!"

A evidência é de que ele está REALMENTE defendendo o sábado, tal como o catecismo oficial prebiteriano defende: o dia de descanso originário do Éden, de 24 horas, a ser dedicado integralmente a Deus. O fato de interpretar que as obrigações do sétimo dia transferiram-se para o primeiro não desfaz a força de sua aceitação do mandamento do sábado (descanso) tal como estipulado no 4o. mandamento. Não se trata de desvestir-se de roupagens judaicas, apenas de modificar o memorial da Criação, para o da Ressurreição. Essa é a evidência, como se acha nas mais representativas Confissões de Fé que já divulgamos tantas vezes, bem como no pensamento de grandes mestres da cristandade protestante que também repetidamente citamos, documentos e declarações essas que está às avessas com a posição de da Silva em todo o seu longo arrazoado que tem por fito:

a) Desqualificar o Decálogo para apresentá-lo como uma regra temporária, inferior, imperfeita, tendo até sua cópia das tábuas de pedra (após Moisés ter quebrado as primeiras) escritas pelo próprio dedo . . . de Moisés! Este devia ter unhas de diamante para conseguir gravar em pedra todas as palavras da lei divina, expressa a Seu povo na forma desses dez mandamentos.

b) Negar que o sábado proceda da criação do mundo, reunindo pobres argumentos para "provar" que Jesus quando disse que "o sábado foi feito por causa do homem-anthropós" limitava-se ao homem judeu, ou até dando força ao evolucionismo ao insinuar que os dias da Criação não seriam de 24 horas.

c) Dizer que a "lei de Cristo" nada têm a ver com o Decálogo, e que este nem se baseia no princípio do amor, sendo apenas um "ministério de morte", por não entender a aplicação que Paulo faz em 2 Coríntio 3:6, 7 e pelo fato de que os textos que falam em "amor a Deus" e "amor ao próximo" no Velho Testamento estão fora do Decálogo.

Albert Barnes jamais endossaria tão obtusas noções sobre o Decálogo divino ou o sábado. Assim, não adianta da Silva querer identificar-se com o pensamento dele e dos demais cristãos não-semi-antinomistas como ele. Isso, sim, é hipocrisia da parte dele. Quem concorda com tais pensadores em sua ortodoxia quanto ao ensino sobre a lei e o sábado da comunidade protestante-evangélica histórica são os adventistas, não os semi-antinomistas, com exceção do detalhe de o domingo ter tomado o lugar do sábado do sétimo dia, obviamente.

E o que dizer de Adam Clarke? Está ou não entendendo que os sábados de Colossenses 2:16 seriam cerimoniais, como os autores acima citados? É interessante ele dizer que "O autor de 'Subtilezas', em sua miopia, não percebeu que dentro do pacote das cerimônias Clarke parece jogar o sábado semanal junto". Só que nem tudo que "parece" é. . .

"‘Ninguém vos julgue pelo comer ou beber’ . . . O apóstolo aqui se refere a algumas particularidades do escrito de ordenanças, que foram abolidas, a saber, a distinção de carnes e bebidas . . . e a necessidade da observância de certos feriados e festivais, tais como as Luas novas e sábados particulares ou aqueles que deviam ser observados com incomum solenidade; todos eles foram abolidos e cravos na cruz, e não mais eram de obrigação". (larke’s Commentary).

Para maior clareza sobre o que ele pensava do sábado, que tal recorrer ao seu comentário noutro ponto? Vejamos como comentou a lei dos Dez Mandamentos em Êxodo 20:

"É digno de nota que nenhum destes mandamentos, OU PARTE DELES, pode . . . ser considerado cerimonial. Todos são morais e, conseqüentemente, de eterna obrigação". (Clarke’s Commentary, Vol. 1, (sobre Êxo. 20).

Sobre Col. 2:16:

"Pelo escrito de dívidas o apóstolo muito evidentemente significava a lei cerimonial".--Dr. Adam Clarke. -- Destaque acrescentado.

Vejamos agora o pensamento de outro erudito, o Metodista Episcopal Amos Binney, em heological Compend:
"É verdade que não há ordem positiva para o batismo infantil . . . Nem há qualquer ordem para observar o primeiro dia como dia santificado". Págs. 180, 181.

"2. O sábado é indispensável ao homem, sendo propiciador do seu mais elevado bem, física, intelectual, social, espiritual e eternamente. Daí sua observância liga-se às melhores promessas, e sua violação com as mais severas penalidades. Êxo. xxiii, 12; xxxi, 12-18; Neem. xiii, 15-22; Isa. lvi, 2-7; lviii 13, 14; Jer. xvii, 21-27; Eze. xx, 12, 13; xxii, 26-31. Sua santidade era muito distintamente assinalada no ajuntamento do maná. Êxo. xvi, 22-30.

"3. A lei original do sábado foi renovada e tornada uma parte destacada da lei moral, ou dez mandamentos, dado mediante Moisés no Sinai. Êxo. xx, 8-11".--Amos Binney e Daniel Steele, Binney's Theological Compend Improved (ed. 1902), pág. 170.
Este último foi retirado de minhas próprias referências:

“O autor English E. Schuyler em Studies in the Epistle to the Colossians até diz:

'Note-se que Paulo não declara: "Que nenhum homem observe qualquer restrição"--em absoluto. Ele diz: "Ninguém vos julgue. . ." O que ele está ensinando é que ritual e cerimônia não têm qualquer parte em nossa salvação, está tudo em Cristo. Temos liberdade no Senhor, mas essa liberdade somente nos torna mais cuidadosos a fim de não levarmos um irmão mais fraco a tropeçar. Não deve haver temor de que sob essa nova provisão haverá um padrão inferior de santidade-não, pois aquele que deseja revelar a Cristo em sua vida levará uma existência de maior santidade e aceitação do que o que está se empenhado em apegar-se a ritual e cerimônia. . . . Resta a cada um julgar se está caminhando em obediência à lei da liberdade em Cristo, submetendo-se inteiramente Àquele a Quem pertence' (pág. 80)”

É engraçado como ele procura até adivinhar as intenções do autor buscando negar a força de suas palavras, sem ter sequer examinado o material (apenas o colou de minha própria citação, pois este foi um dos livros que pesquisei na biblioteca do Instituto Moody de Chicago). Na verdade, Schuyler mais adiante declara que os cristãos primitivos observavam o sábado juntamente com os judeus, até mais tarde se desvincularem das influências (e presença) judaica para adotar o domingo em homenagem à Ressurreição.

O ponto principal é que todos esses autores percebem o dilema de desfazer o princípio do sábado, ou dia de repouso, levando Paulo a anular o que Cristo declarou sobre ter sido feito "por causa do homem". Isso afetaria o próprio domingo, pois se o dia de repouso era mero cerimonial, sombra de Cristo, então com o findar de toda a "cédula de ordenanças" iria de embrulho esse princípio de dedicar ao Senhor todo um dia de adoração. Esta certamente é a mesma preocupação de Albert Barnes, Adam Clarke e os demais todos que adotam esta visão de que "os sábados" em Col. 2:16 seriam os cerimoniais, do contrário estariam destruindo algo que serve de base para a própria observância dominical, pois Paulo nada fala sobre substituição de um dia por outro.

Seja como for, se o sábado teria de ser abolido por tratar-se apenas de um símbolo, o que realmente simbolizaria? A resposta mais comum dos semi-antinomistas é de que seria símbolo do repouso que o pecador encontra em Cristo, tendo Hebreus 4 como fundamento de tal raciocínio.

Mas já vimos como isso não se justifica porque em Hebreus 11 encontramos os tantos heróis da fé que encontraram esse repouso em Cristo e nem por isso isentaram-se da observância do sábado. Sobre o próprio Moisés, o grande legislador de Israel em nome de Deus, é dito que "considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão" (Heb. 11:26).

Davi foi outro desses heróis da fé que encontraram esse repouso espiritual em Cristo. E ele declara: "Agrada-me fazer a Tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a Tua lei" (Salmo 40:8). Alguém negará que nessa lei que ele tinha no coração, prefigurando até a própria experiência de Cristo (ver Heb. 10:5-7 cf. Salmo 40:6-8) o sábado estaria de fora? Claro que não. Então, o principal argumento de o sábado ser mero símbolo desse repouso em Cristo pelo perdão dos pecados perde totalmente o sentido.

O Dr. Samuele Bacchiocchi discute este texto de Col. 2:16 e não sei por que essa atitude infantil de festejar tanto o fato de que um erudito adventista apresenta uma interpretação diferenciada de um texto bíblico, o que vem trazer maior luz para esclarecer, não para confundir. No meio evangélico isso ocorre de monte, pelo que se vê a hipocrisia e maldade da crítica.

Há, por exemplo, três interpretações diferentes entre os evangélicos para a passagem de Mateus 16:18, "Tu és Pedro, sobre esta pedra edificarei Minha igreja". Alguns teólogos dizem que esta "pedra" seria a confissão de Pedro da messianidade de Cristo. Assim, Cristo estaria gesticulando e apontando para Pedro ("tu és Pedro"), depois apontando para Si ("sobre esta pedra. . ."). O problema é que até hoje os arqueólogos e pesquisadores não encontraram nenhum vídeo mostrando o Cristo falando e gesticulando dessa maneira. Quem sabe ainda descobrem. . .

Outra interpretação é de contrastar os termos gregos petros e petra para assinalar que Cristo usa a expressão que se refere a uma rocha firme e grande, com o outro termo que é apenas referência a um seixo. Mas essa interpretação também apresenta dificuldades, pois Cristo falava em aramaico (onde tal distinção não existe), e não em grego.

Finalmente, temos a interpretação de que Pedro é de fato a pedra, no sentido de ser ele o primeiro dos apóstolos sobre os quais a Igreja seria edificada. Cristo estaria prestando-lhe uma homenagem por ter sido o primeiro a fazer confissão da Sua messianidade, mas depois Paulo esclarece em Efés. 2:20 que a Igreja foi edificada sobre o fundamento dos profetas e apóstolos, dentre os quais estava Pedro, não exclusivamente sobre ele. Creio que esta explicação é a melhor das três.

Enfim, se há diferentes interpretações, cada uma apresenta virtudes e defeitos. O problema é que o Presb. da Silva e outros parecem não entender o exato papel de um erudito e da erudição na Igreja. O texto abaixo transcrito, escrito por um editor adventista, esclarece bem esta questão e mostra o equilíbrio que deve prevalecer entre "teologia" e "doutrina":

Pessoas que pensam e estudam não podem ser simplesmente confinadas numa caixa. Sempre assim tem sido. Logo, qual é a validade da denominação e suas declarações doutrinárias? Simplesmente isto: ela nos dá um centro pelo qual podemos ligar-nos uns aos outros a despeito de nossa diversidade. A igreja carece de um cerne formal de doutrina que defina o adventismo normativo. Vinte e sete cláusulas podem ser demais, contudo deve haver mais do que um "creio na Bíblia" ou "creio em Jesus".

Jaroslav Pelikan, em sua obra de cinco volumes The Christian Tradition: A History of the Development of Doctrine [A Tradição Cristã: Uma História do Desenvolvimento da Doutrina] distingue entre teologia, que é o pensamento de indivíduos, e doutrina, que é o pensamento da igreja. Os dois sempre vivem em tensão. A doutrina geralmente é a reação da igreja à teologia. Ou seja, um indivíduo articula novas idéias e a igreja reage. A doutrina é sempre conservadora. Ela expressa o que a igreja já chegou a crer. No mínimo, a doutrina deve ser apoiada por uma maioria daqueles presentes e votantes, estejamos falando sobre o Concílio de Nicéia em 325 ou da Assembléia da Associação Geral de Utrecht de 1995.

A teologia, por outro lado, devido a ser obra de indivíduos, é inevitavelmente idiossincrática. Descreve o entendimento de uma pessoa sobre Deus. Certamente, teologia é feita em diálogo com outros teólogos, doutrina, cultura, etc. Todavia, ainda é o produto final que expressa a mente e coração dessa pessoa. A doutrina expressa a mentalidade e sentimentos de uma comunidade.

Assim, como relacionamos teologia e doutrina? Qual devia ser a relação entre a igreja e os teólogos? Por um lado, os teólogos devem reconhecer que a validade e o valor da doutrina não depende das convicções pessoais dos teólogos. A doutrina é a herança de sua comunidade, não o fruto de sua busca pessoal. Por sua própria natureza, os teólogos são levados a proclamar suas conclusões. Mas as suas conclusões não são doutrina. Suas conclusões podem levar à formação ou reformulação doutrinária. Quando isso ocorre, contudo, não mais representa a obra do teólogo; torna-se a obra da comunidade.

Por seu turno, a igreja deve reconhecer que quanto mais detalhada for sua declaração doutrinária, menos requererá que os teólogos afirmem estarem pessoalmente persuadidos sobre cada ponto. Os dirigentes que insistem tanto em declarações doutrinárias altamente específicas ALÉM do compromisso pessoal dos teólogos a cada ponto na declaração estão definindo uma igreja muito diminuta, demasiado pequena para muitos de seus filhos.

A denominação Adventista do Sétimo Dia propicia um centro ideológico, social, espiritual e, isso mesmo, até institucional do qual pensadores criativos podem divergir e divergirão. Propicia um centro galvanizador mediante o qual todos os "vanguardistas", "excêntricos", "fanáticos" e "dissidentes" podem ligar-se uns com os outros, seus pais, filhos e colegas da escola e faculdade.

Se tivermos de ter teólogos, ou seja, pessoas (amadoras ou profissionais) que dedicam suas vidas à exploração de palavras sobre Deus, devemos esperar diversidade de pontos de vista. É uma negação da criatividade que faz parte da imagem de Deus insistir em que todos os teólogos concordem com todos os outros ou com todo ponto de uma pormenorizada declaração doutrinária. Ao mesmo tempo, se devemos ter uma comunidade (e isso é indispensável para a vida espiritual saudável), devemos insistir em que nem todas as asserções dos teólogos merecem o rótulo de "doutrina". De fato, a comunidade deve estar livre de rotular explicitamente alguma teologia de "vanguardista", "excêntrica", "aberrante".

A teologia nos divide porque não há dois teólogos que concordem em tudo. A doutrina pode nos unir, mesmo quando estamos dela discordando. O cerne doutrinário que a denominação transmite duma geração à outra forma o canteiro em que uma infinita variedade de nossos pensamentos emergem. Propicia um terreno comum para debates entre nós, o elo comum que nos protege de degenerar num agregado solto de indivíduos inteligentes e solitários.

Há um delicioso senso de aventura em sair a rondar além dos limites da doutrina. As próprias descobertas de uma pessoa são muito mais excitantes do que o que já lhe é dado pronto. Se silenciarmos os nossos teólogos, a igreja perderá a centelha e vitalidade que interessa aos nossos filhos em questões espirituais.

Por outro lado, a doutrina é uma parte essencial da solda que mantém juntas as instituições na qual a maioria de nós adquire os talentos necessários para empenhar-nos na aventura da teologia. Neutralize-se essa solda e as instituições se desprenderão. E se as instituições desaparecerem, a igreja perderá uma parte destacada da interligação entre as gerações. Se descartarmos nossa doutrina, a igreja perderá a estrutura de que nossos filhos carecerão quando chegar a vez deles de transmitir a fé a seus filhos.

Lutero assinalou que tanto papas quanto concílios se contradisseram entre si. Ele poderia ter acrescentado os teólogos a essa lista. Se "a igreja em assembléia" é infalível, então devemos todos retornar a Roma, historicamente a igreja-mãe do Protestantismo. E se os teólogos têm a última palavra, que diremos, então, sobre os brilhantes teólogos alemães que advogavam o nazismo? O que diremos dos teólogos amadores David Koresh e Jim Jones? De algum modo, a maneira correta deve sustentar a igreja e os teólogos em união.

A história eclesiástica nos diz que a interação entre a igreja com sua doutrina estabelecida e os teólogos com suas visões pessoais de Deus e da verdade não pode ser reduzida a uma fórmula simples. Nem uma nem outra é sempre certa; nem sempre digna de confiança. Mas nenhuma das duas posições é supérflua.

Uma igreja viva e eficiente precisa tanto da teologia quanto da doutrina. O relacionamento entre ambas sempre experimentará uma dinâmica. Se tentarmos simplificar as coisas suprimindo qualquer das duas, diminuiremos nossa habilidade de realizar a tarefa que por Deus nos foi designada.-- John McLarty, "Doctrine and Theology: What’s the Difference?", Adventist Today, janeiro-fevereiro de 1998.

Sobre a interpretação "tradicional" de Colossenses 2:16-17, já vimos em detalhes que NÃO SÃO SÓ OS ADVENTISTAS que têm tal interpretação. Adam Clarke, Jamieson, Fausset and Brown, Albert Barnes, Charles Hodge e outros eruditos evangélicos entendiam que o texto não se refere ao sábado semanal, e sim aos cerimoniais. Não há também nenhum problema em haver uma "exceção à regra" na questão do uso de palavras bíblicas. No próprio texto de Col. 2:16, 17 o termo cheirografon aparece como única vez na Bíblia, e o sabbatismos, de Hebreus 4:9 também é uma exceção de uso.

Quanto à interpretação de Oséias 2:11, já levantei esta questão abundantemente demonstrando que o texto não tem nada a ver com o sentido simbólico do sábado e não localizei, em dezenas de obras consultadas, nenhum teólogo do passado ou do presente que dê à passagem a fantasiosa interpretação de tratar-se de uma profecia de sua abolição. O profeta está se referindo aos pecados de Israel e ao futuro cativeiro, quando todas as festividades e reuniões solenes cessariam. O fato é que o sábado prosseguiu para o povo que voltou do cativeiro, e Jesus o observou e profetizou sua continuação após Sua morte (Mateus 24:20). Também será observado na Nova Terra dentro de um novo contexto de promessa do Novo Concerto, (Isa. 66:22, 23; Hebreus 8:6-10). Por que, então, haveria uma profecia de seu fim, quando a Bíblia fala é de seu prosseguimento por toda a eternidade?

Ademais, num sentido secundário o sábado também simboliza o descanso final dos remidos, na Nova Terra. Como ainda não ocorreu isso, a instituição do sábado prossegue tendo esse valor--representando o descanso a ser alcançado ao final pelos remidos. Em Hebreus 4 temos a dupla significação do repouso sabático: tanto o descanso espiritual agora, quanto a promessa do descanso final no Reino de Glória.

Então, a interpretação clássica de Col. 2:16, 17, segundo teólogos adventistas e outros, não está fora de propósito quando se percebe que o princípio do sábado é uma sombra da salvação em Cristo. Paulo não diz para não guardá-lo, apenas para que ninguém julgasse o seu semelhante pela forma de observá-lo, sem as restrições dos hereges colossenses. É importante observar, como faz Bacchiocchi em toda a discussão do problema, em parte nenhuma da epístola aos Colossenses há qualquer menção da lei. O tema não é a vigência ou não da lei, ou do sábado, mas os problemas acarretados pelos heréticos colossenses que tinham uma concepção errônea do modo de observância das festas de Israel, alimentos, etc.
É mais ou menos o que ocorria quando Cristo debatia com os fariseus e saduceus, o que alguns "teólogos" não entendem e fazem uma confusão incrível também.

Assim, uma interpretação alternativa de um texto de contextuação não muito clara (pois o próprio da Silva admite que não há muita clareza sobre o que seria a heresia colossense) não devia ser motivo de toda essa tola festança que da Silva faz, por não entender como as coisas ocorrem no campo da erudição dentro de sua limitação de apenas colar coisas "inteligentes" ditas por outros buscando sempre passar a imagem de seu próprio grande saber, num exercício de pura fanfarronice.

Voltando ao texto de Colossenses 2:14, reiteramos que em toda a epístola a lei sequer é mencionada, bem como o significado global de lei, que parece inevitável quando Paulo apresenta o evangelho em seu contraste com o regime da lei. Ademais, o tema que Paulo vem discorrendo visa a provar a plenitude do perdão de Deus. Como diz o Dr. Bacchiocchi com toda razão:

". . . a eliminação de lei moral ou cerimonial dificilmente propiciaria aos cristãos divina garantia de perdão. A culpa não é removida pela destruição de códigos de lei".

De fato, esta última condição deixaria a humanidade sem princípios morais, prossegue ele.

"O que foi pregado na cruz não foi a "lei-nomos", mas o cheirographon, um escrito de dívida que ocorre somente em Colossenses 2:14. Seu significado tem sido esclarecido por sua ocorrência em literatura apocalíptica onde cheirographon é utilizada no sentido de 'livro de registro de pecado' ou certificado de débito pelo pecado, mas não a lei moral ou cerimonial.

Prosseguiria citando do trabalho do Dr. Bacchiocchi numa tradução meio livre, entremeando suas palavras com outros de meus pensamentos:

Numa ousada metáfora Paulo afirma que mediante Cristo Deus "cancelou", "pôs de lado", "pregou na cruz" "o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial". A base legal do registro de pecados eram as ordenanças, mas o que Deus destruiu na cruz não era a base legal (lei) para nosso envolvimento no pecado, mas o registro escrito de nossos pecados.

Os que interpretam o escrito de dívidas "que era contra nós" como o velho concerto têm certamente dificuldade em explicar como Deus estabeleceria um concerto contrário ao Seu povo. O que era contra nós seria o pecado, constante desse registro de dívidas, não a lei do Senhor "que é perfeita". Os versos imediatamente anteriores a esta passagem confirmam isto.

Assim, o documento pregado na cruz, segundo o contexto imediato da passagem, não é a lei em geral, nem o sábado em particular, mas o registro de nossos pecados. A discussão de elementos judaicos na heresia colossense faz parte do contexto mais amplo e não determina o sentido de cheirographon-escrito de dívidas.

Ainda referindo-me a diferentes exposições do Dr. Bacciocchi:

Circuncisão e incircuncisão de fato são mencionados no contexto imediato (vv.11-13), mas metaforicamente, para ilustrar a obra de Cristo na vida dos colossenses, e não literalmente para negar a validade da lei. A discussão não diz respeito à lei em geral, ou à circuncisão em particular, mas trata do que Cristo realizou pelos crentes ao perdoar e purificar os seus pecados. Para ilustrar a extensão do perdão de Deus, Paulo emprega duas metáforas. Primeiro, a metáfora da circuncisão e depois a do livro de registro dos pecados. Mediante a metáfora da circuncisão ele ilustra a experiência de "despojamento do corpo da carne" por ser sepultado com Cristo no batismo, e com Ele ressuscitado para uma nova vida (vs. 11, 12). Ele menciona também a "incircuncisão" como uma metáfora de sua prévia condição pecaminosa, ou seja, "mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne" (vs. 13). Esse uso alegórico da circuncisão/incircuncisão pode parecer para alguns como referente à lei de Moisés, mas se há algo na metáfora a ser condenado, não é a circuncisão, e sim a incircuncisão.

O que muitos perdem de vista é a ligação íntima entre os vs. 13 e 14. Observe-se que o vs. 13 encerra com a afirmação de perdão de "todos os vossos delitos". O vs. 14 é construído sobre o 13 com a explicação e expansão da medida do perdão divino. O verso se inicia com o aoristo particípio exaleithas-"tendo cancelado," que objetiva dizer-nos o que significa o perdão de Cristo de nossos pecados. Isso Cristo executou pregando na cruz, não um código de leis, mas o cheirographon, esse relatório de débito devido ao pecado, então desfeito pelo perdão, não pela abolição da lei.

O Prof. D. R. De Lacey foi um dos sete participantes do simpósioFrom Sabbath to The Lord's Day [Do Sábado Para o Dia do Senhor], produzido por sete eruditos americanos e britânicos numa resposta à pesquisa do Dr. Bacchiocchi sobre as origens do domingo, num projeto da Universidade Cambridge, da Inglaterra, publicado pela editora Zondervan em 1982.

O referido simpósio produziu o que se considera a defesa mais erudita da observância do domingo em tempos recentes. Bacchiocchi recomenda a um oponente:

"Se tomar tempo para ler esta pesquisa de 440 páginas, se surpreenderá em descobrir, entre outras coisas, que, ao contrário do que pensa . . . esses eruditos concluem que a observância do domingo não pode ser facilmente entendida como um fenômeno da época apostólica ou da autoridade apostólica em absoluto" (págs. 135, 136).

E prossegue o erudito adventista em seu debate com esse objetor mostrando que o argumento de que a referência de Paulo a "dias de festa", "luas novas" e "sábados" (2:16), que são "sombra das coisas que haviam de vir" (vs. 17) . . . não indica que Paulo está discutindo a lei de Moisés pregada na cruz. Paulo não está falando nada contra as observâncias dessas práticas, e sim contra quem quer que passe julgamento sobre o comer, beber e observar os tempos sagrados.

Deve-se notar o fato de que o juiz que passa julgamento não é Paulo, mas os falsos mestres colossenses que impõem "ordenanças" (2:20) sobre como observar essas práticas a fim de se atingir "rigor ascético". No verso 22 ele fala que tais ordenanças são "preceitos e doutrinas dos homens" que "com o uso se destroem". Portanto, dificilmente ele iria referir-se às leis dadas por intermédio de Moisés como "doutrinas dos homens".

Ainda referindo-se ao simpósio From Sabbath To The Lord's Day, Bacchiocchi faz novamente referência ao erudito dele participante, Prof. De Lacey, que corretamente comenta sobre Col. 2:16:

o juiz provavelmente seria um homem de tendências ascéticas que objeta ao comer e beber dos colossenses. O modo mais natural de entender-se o restante da passagem não é que ele também imponha um ritual de dias festivos, mas que faz objeção a cetos elementos de tal observância" (p. 182). Presumivelmente o "juiz" desejava que a comunidade observasse essas práticas numa forma mais ascética ("rigor ascético"--2:23, 21), ou, para deixar em termos mais claros: menos festa e mais jejum.

Por advertir contra o direito dos falsos mestes "passarem julgamento" sobre como observar os festivais, Paulo está desafiando não a validade dos festivais como tais, mas a autoridades dos falsos mestres de "julgar", ou seja, legislar a respeito da modalidade de suas mencionadas práticas, que incluem a guarda do sábado. Para expressar doutro modo, o que Paulo está condenando não são as práticas em si, mas a perversão promovidas pelos falsos mestres. Isso vem ao encontro da citação que fizemos de English E. Schuyler, objeto de especulações do Presb. da Silva quanto ao real sentido do que disse, na tentativa de desqualificar a fonte ou o real sentido de suas palavras.

É digno de nota, como assinala Bacchiocchi, que o Prof. De Lacey chega a semelhante conclusão, conquanto não acolha o ponto de vista de que Paulo não esperaria que os conversos gentios observassem o sábado. Diz ele:

"Aqui novamente (Col. 2:16), então, parece que PAULO PODERIA ADMITIR ALEGREMENTE A OBSERVÂNCIA DO SÁBADO. . . . Aqui novamente temos um reflexo da atitude de Paulo para com a lei em seus momentos mais positivos. . . . Seja como interpretamos a situação, a declaração de Paulo, 'Ninguém, pois, vos julgue', indica que nenhuns regulamentos rígidos devem ser impostos quanto ao emprego dos festivais" (pp.182-183, versais acrescentados).

E o Dr. Bacchiocchi pergunta até ironicamente:

"Não é surpreendente . . . que este texto, tradicionalmente citado como o golpe de morte da observância sabática no Novo Testamento, agora seja considerado por eruditos observadores do domingo como refletindo uma aprovação paulina à guarda do sábado?"
Daí ele acrescenta a esse oponente:

"É por isso que aceitei dialogar com você . . . esperando que também revelasse a mesma abertura mental. Tenho visto eruditos abandonarem interpretações particulares quando confrontados com fatos que haviam sido ignorados ou passados por alto".

À luz dessas observações, as referências de Paulo aos festivais, luas novas e sábados dificilmente podem ser interpretadas como o pregar a lei de Moisés na cruz, porque Paulo não está condenando essas práticas, mas as ordenanças a respeito de sua observância imposta pelos heréticos colossenses. Um preceito não é anulado pela condenação a sua perversão.

Finalmente, a questão das "sombra" é assim discutido por Bacchiocchi:

Col 2:17 declara que "tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo". Isto tem sido interpretado à luz de Heb 8:5 e 10:1 numa conclusão de que em ambos os casos a referência é à lei de Moises. Esta interpretação, contudo, ignora os respectivos contextos de ditas passagens. Em Hebreus o termo "sombra-skia" é empregado para estabelecer uma correspondência vertical entre o santuário celeste e o terrestre, sendo o terestre uma "sombra" ou "tipo" do celeste. Em Col. 2:17, contudo, o que antecede a "sombra" não parece absolutamente claro. O texto declara "tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo" (Col 2:17). A que o pronome relativo "tudo isso" (ha em grego) se refere? Acaso faz referência às cinco práticas mencionadas no verso anterior, ou às "ordenanças (dogmata) concernentes a essas práticas promovidas pelos falsos mestres?

Bacchiocchi depois diz concordar com o Prof. E. Lohse de que o pronome relativo "tudo isso" refere-se não às cinco práticas mencionadas como tais, mas às "ordenanças" concernentes a tais práticas promovidas pelos falsos mestres (A Commentary on the Epistles to the Colossians and to Philemon Philadelphia, 1971, p. 116), e prossegue:

Esta conclusão apóia-se em duas considerações. Primeiro, no vs. 16 Paulo não está advertindo contra os méritos ou deméritos da lei mosaica concernente a alimentos e festivais, mas contra as "ordenanças" a respeito dessas práticas, advogadas pelos falsos mestres. Destarte, é mais plausível admitir que as "ordenanças", antes que as práticas mesmas, sejam o que antecede "tudo isso".

Em segundo lugar, nos versos que se seguem imediatamente, Paulo prossegue sua advertência contra os ensinos enganosos, declarando, por exemplo, "Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade. . ." (2:18). "Por que . . . vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro" (2:20-21)?

Uma vez que o que precede e o que se segue a esse pronome relativo "isto tudo" trata com as "ordenanças" da filosofia colossense, concluímos que é o último item que Paulo descreve como "sombra das coisas que haviam de vir" (2:17).

Presumivelmente, os proponentes da "filosofia" colossense mantinham que suas "ordenanças" representavam uma cópia que capacitasse o crente a ter acesso à realidade ("plenitude"). Em tal caso, Paulo está fazendo o argumento deles voltar contra eles ao declarar que suas ordenanças "têm sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo" (2:17). Ao dar ênfase ao fato de que Cristo é o "corpo" e "cabeça" (2:17, 19), Paulo indica que qualquer "sombra" lançada pelas ordenanças não tem valor significativo.

À luz das indicações acima, conclui-se que o que Paulo designa como "sombra" não é a lei mosaica ou o sábado, mas os ensinos enganosos da "filosofia" colossense que promovia práticas dietéticas e observância de tempos sagrados como meios auxiliares para a salvação.

Então, parece que há duas "palavras-chave" nessa discussão: a) o sentido de cheirographon-escrito de dívidas, e b) de "sombra". Sobre o primeiro termo, já se discutiu o suficiente acima para demonstrar que o sentido não é nenhum código de leis, pois estas não são CONTRA os filhos de Deus, mas os pecados registrados no escrito de dívidas. Aí, sim, faz sentido ser CONTRA nós.

Quanto às sombras, inicialmente deve-se notar que o verbo no original grego está no tempo presente-"são (estin) sombra", NÃO no passado. Muitos evangélicos alteram o verbo para o passado como sendo "eram sombras", ou, como consta de certas versões bíblicas, "têm sido sombra", a fim de apoiarem sua alegação de que sua função havia cessado inteiramente com a vinda de Cristo. Todavia, esse verbo no tempo presente significa que, refira-se o "tudo isso" às cinco práticas mencionadas no verso anterior ou às "ordenanças" (dogmata) concernentes a essas práticas promovidas pelos falsos mestres, Paulo não está pondo em disputa sua legitimidade, mas situando-as em sua apropriada perspectiva com Cristo, por meio do contraste "sombra-realidade".

O problema é a dogmatização, a teimosia irracional em torno de uma palavra, desconsiderando o contexto imediato e global. Paulo tem um estilo de repetir dinamicamente palavras dando-lhes sentidos variados. Ele, por exemplo, fala na "loucura de Deus", e também "sabedoria de Deus (1 Cor. caps. 1 e 2) ou discute o tema da lei e da graça em Romanos 7, onde a apresenta variadamente como "lei da minha mente", "lei do Espírito de vida", "lei do pecado e da morte", "lei santa, justa, boa, prazerosa", "lei de Deus", "lei de Cristo". Ele fala em ser "livre" mas também confessa-se "escravo da lei de Deus", fala sobre "debaixo da lei" numa variedade de sentidos (cf. 1 Cor. 9:21; Rom. 6:14; Gál. 5:16-21).

Então, nada impede que o uso do termo "sombra" nesse contexto não tenha a conotação que se imagina, de um tipo a ser suplantado pelo antitipo. O contraste é entre algo irreal, ou sem sentido concreto, uma sombra, e algo real, o corpo de Cristo.
Portanto, longe de negar a validade do mandamento do sábado ao discutir Colossenses 2:16, o seu estudo devido, levando-se em conta a contextuação próxima e mais ampla, confirma a validade do mandamento.

O Dr. Bacchiocchi revela como eruditos evangélicos apóiam o seu ponto de vista e faz um levantamento histórico da problemática enfrentada pelos colossenses numa discussão de um tema reconhecidamente difícil, pois não há muita informação sobre essa heresia colossense, fato também reconhecido pelo Presb. da Silva. Então, se não é fácil entender o que está sendo discutido em todos os seus pormenores, o que se diga de um lado ou de outro carrega muitos elementos de especulação.
De qualquer modo, a estas alturas creio que alguns fatos ficaram bem claros:

* Jesus declarou não ter vindo para abolir a lei, e sim cumpri-la, ou expor o seu verdadeiro sentido (Mateus 5:17-18), com todo o contexto desta passagem--que está no início de seu Sermão da Montanha--nada revelando que apresente alguma nova lei. Pelo contrário, Ele exalta e destaca o sentido espiritual e mais profundo da lei conhecida pelos Seus ouvintes (caps. 5 a 7). Assim, não faz sentido entender Col. 2:14-17 como negando essas palavras de Cristo indicando a abolição do "código legal" divino.

* Se o sábado é sombra de Cristo, em que sentido seria essa sombra? Já vimos que a salvação em Cristo--o encontrar "repouso" Nele--não exclui a guarda do sábado pois não é esta a lição que extraímos de um estudo de Hebreus 4. Se Israel houvesse entrado no "repouso" da salvação, isso não excluiria a observância do sábado, como os que em Israel o lograram (os heróis de Hebreus 11) e nem por isso deixaram de observá-lo (ver o exemplo de Davi, Salmo 40:8).

* A interpretação de fim do sábado em Col. 2:17 também compromete os fundamentos do domingo. Então, não é coerente dar tal interpretação e defender a observância de qualquer dia de repouso, pois, no caso, se Paulo está ensinando o fim do sábado, ele está eliminando o princípio de um dia dedicado a Deus, o que contraria todo o restante do que a Bíblia ensina (ver o exemplo de João, Apoc. 1:10).

* As históricas Confissões de Fé das igrejas cristãs protestantes de tempos bem posteriores ao período da Reforma, bem como grandes próceres, autores, instrutores e até compositores de hinos ligados às igrejas regidas por tais Confissões de Fé, ensinam a validade e vigência do Decálogo como regra de fé e de seu 4o. mandamento como necessário de se observar, dedicando integralmente a Deus um dia de 24 horas. Portanto, tais confissões e autoridades negam a interpretação semi-antinomista de Col. 2:14-17.

A honestidade e demonstração de verdadeiro espírito de pesquisa profunda devia levar o Presb. da Silva e seus companheiros de seu ministério a refazer imediatamente toda e qualquer alusão parcial ao trabalho de Bacchiocchi em sua discussão de Col. 2:14-17 evitando passar uma imagem distorcida de seu pensamento. Caso não o façam, estão apenas agindo exatamente como os falsos ensinadores da Torre de Vigia que costumam citar autoridades e eruditos apenas parcialmente, eliminando o contexto de sua palavras segundo se ajustem a seus pressupostos e interesses.

Quanto aos pontos levantados em defesa do domingo, é significativo como o Presb. da Silva repete algumas das mesmas noções sincretistas de certos 'pais da igreja', falando de Cristo como "sol da justiça", para justificarem a adoção do "dia do sol". As coisas pareciam encaixar-se como uma luva, pois o 1o. dia da semana da Criação também foi quando surgiu a luz, e Cristo não é a luz do mundo?

Sobre Romanos 14:5, 6 e Gál. 4:9, 10, bem como as leis higiênicas, seria encompridar muito este estudo tratar detalhamente das questões, mas apenas lembraria que há uma diferença notável entre o tratamento do problema dos "dias" em Romanos e Gálatas, o que da Silva passa totalmente por alto.

Em Romanos ele admite que "tanto faz um dia como outro" e não proíbe a observância radicalmente como ocorre em Gálatas. Por que será? Seria interessante saber o que da Silva diria a respeito. Resposta: em Romanos ele se refere aos dias ainda significativos do calendário judaico que alguns queriam exigir aos cristãos como práticas obrigatórias (os dias feriados religiosos que tinham cunho de feriados nacionais para os judeus). Paulo não os considerou obrigatórios mas respeitava os escrúpulos dos judeus quanto a tais dias, bem como, possivelmente, também dias de jejum que eram muito importantes nos usos e costumos judaicos. Deve-se levar em conta que os primeiros conversos ao cristianismo eram de origem judaica e "zelosos da lei" (Atos 21:20).

Já em Gálatas ele condena inteiramente o apego a "dias, e meses, e tempos e anos" porque estava tratando sobre festas do calendário pagão, que alguns conversos do paganismo ainda queriam manter. Uma situação, portanto, bem diversa que merece ser levada em conta.

Que não se tratava do sábado é óbvio, pois se Paulo tivesse se manifestado contra o sábado em qualquer sentido, não poderia ter dito em sua defesa de acusações dos líderes judeus: "Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César" (Atos 25:8). Também na agitação dos judaizantes, a decisão do Concílio de Jerusalém em Atos 15:20 é significativa: não consta nada CONTRA a guarda do sábado, simplesmente porque não houve agitação de tal assunto. Todos o observavam normalmente, como documentos históricos posteriores demonstram.

A respeito das leis alimentares, supostamente abolidas também na cruz, num debate sobre o tema no Fórum Evangélico perguntei o que simbolizaria a proibição de comer porco ou rato em relação à cruz de Cristo, e um participante apresentou uma explicação realmente incrível: os alimentos imundos seriam símbolos dos gentios, pois na visão do lençol em Atos 10 tal foi o sentido transmitido a Pedro. Só que nesse caso Deus estaria criando uma lei para fomentar o preconceito racial! Que estranha atitude de um Deus que "não faz acepção de pessoas". . .

É claro que não há nada de prefigurativo nem ritual nas leis higiênicas, criadas para o bem-estar e melhor saúde dos filhos de Deus que são "templos do Espírito Santo", simplesmente isso. Certamente essas leis estão incluídas naquelas "minhas leis" que Deus escreve nos corações e mentes dos que aceitam os termos de Seu novo concerto (Novo Testamento), como se acha naquele tremendo texto de Hebreus 8:6-10 e 10:16, o golpe de morte contra as idéias semi-antinomistas do Presb. da Silva e outros mais, no que contrariam o pensamento de gente muito mais competente do passado e do presente, autores de magníficos documentos de confissão de fé e prática cristã, e comentaristas posteriores acentuando tais princípios que reafirmam a validade do Decálogo divino como regra de conduta cristã, para desconsolo dos que os contradizem com suas teses infundadas de "abolição da lei".

Através de expedientes e comparações totalmente baseadas em conceitos de aparente lógica, mas nenhum fundamento bíblico, o Presb. da Silva encerra seu estudo apresentando mais uma vez uma pobre defesa do domingo. Como no final de ele me apresentou quatro ou cinco perguntas para que eu as respondesse, o que fiz serenamente, seria o momento agora para também desafiá-lo a responder a nossos pontos sobre as razões que desautorizam a observância dominical.

Ele escapou-se disso no passado alegando minhas não-respostas a suas perguntas. Mas e agora que elas foram devidamente respondidas, que desculpas terá para escapar a tal desafio? Vamos, porém, insistir mais um pouco e repetir o "incômodo" texto a seguir:
 

10 Principais Razões Que Desautorizam a Observância Dominical*
 
(1) Nenhuma Ordem de Cristo ou dos Apóstolos. Não há mandamento de Cristo ou dos apóstolos concernente a uma celebração semanal ou anual da ressurreição de Cristo. Temos as ordens no Novo Testamento que dizem respeito ao batismo (Mat. 28:19-20), à Ceia do Senhor (Mar. 14:24-25; 1 Cor. 11:23-26) e lavapés (João 13:14-15), mas não há ordenança ou mesmo qualquer sugestão para celebrar a Ressurreição de Cristo num domingo semanal ou num domingo de Páscoa anual.

Sendo que o domingo seria uma “novidade”, um novo princípio de adoração, sobretudo ao substituir uma tradição tão arraigada na cultura nacional e religiosa dos judeus, como o sábado, sem dúvida qualquer alteração nesse sentido daria margem a comentários, explicações, instruções específicas justificando a alteração, sobretudo quando os primeiros conversos à religião cristã eram originários do judaísmo e “zelosos da lei” (Atos 21:20). Nada, porém, consta das páginas neotestamentárias a respeito de tal mudança ou de debates a respeito.

O sábado permaneceu válido e vigente como todos os demais mandamentos do Decálogo após a cruz. Prova disso é o testemunho de Lucas, escrevendo 30 anos após o evento da Ressurreição, que descreve a ação das santas mulheres seguidoras de Cristo preparando ungüentos e especiarias para embalsamar o seu corpo. Elas trabalharam ativamente nisso até que, ao aproximarem-se as horas do sábado, cessaram suas atividades e “no sábado descansaram segundo o mandamento” (Luc. 23:56).

Para Lucas, portanto, que declara ter buscado informar-se pormenorizadamente de tudo quanto se relacionava com a experiência do Cristo (Luc. 1:1-4), o dia de repouso “segundo o mandamento” era o sábado. Ele se refere ao domingo simplesmente como “o primeiro dia da semana”, sem atribuir-lhe qualquer título especial (ver Luc. 24:1).

O mesmo Lucas relata nos Atos dos Apóstolos como nas decisões do Concílio de Jerusalém de Atos 15, ao ser tratado o problema dos judaizantes, não se traça nenhuma norma contra a observância do sábado (Atos 15:20), uma demonstração de que tal instrução se fazia desnecessária. Todos o observavam regularmente e não havia necessidade de dar instruções a respeito. Paulo num sábado, quando não havia sinagoga em certa localidade, foi para junto de um rio cultuar a Deus (Atos 16:13). Em Corinto passou um ano e meio pregando todos os sábados e jamais se lembrou de dizer aos que ali se reuniam para mudaram o dia de culto para o domingo (Atos 18:1-4, 11) mesmo ao permaneceram os gentios, com o afastamento dos judeus.

(2) Jesus Não Fez Qualquer Tentativa de Instituir um Memorial de Sua Ressurreição. Se Jesus desejasse que o dia de Sua ressurreição se tornasse um dia memorial e de culto, Ele teria Se aproveitado do daquele evento para estabelecer tal memorial. É importante observar que as instituições divinas como o sábado, batismo, Santa Ceia, todas remontam sua origem a um ato divino que os estabeleceu. Sobre o dia de Sua ressurreição, contudo, Cristo não realizou qualquer ato para instituir um memorial relativo ao excepcional evento.

Pensando bem, tanto a Ressurreição como a Morte de Cristo são eventos igualmente importantes, fundamentais para a fé cristã. Ambos poderiam merecer um dia especial comemorativo. Se a Ressurreição devesse ser celebrada regularmente num dia especial dada a sua importância, por que não a morte do Salvador? Então, temos dois acontecimentos exponenciais para o cristão—a morte e a ressurreição de Cristo. Qual mereceria um dia memorial?
Possivelmente ambos, mas as Escrituras não estabelecem isto, nada fica implícito que houve alteração no texto da lei divina por causa de qualquer desses eventos.

Se Jesus desejasse memorializar o dia de Sua ressurreição, muito provavelmente teria dito às mulheres e discípulos naquele dia: “vinde à parte e celebremos Minha Ressurreição!” Em vez disso Ele disse às mulheres:  “Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia” (Mat. 28:10) e aos discípulos: “Ide . . . fazei discípulos . . . batizando-os” (Mat. 28:19). Nenhuma dessas declarações do Salvador ressurreto revela intenção de memorializar Sua Ressurreição por tornar o domingo o novo dia de descanso e culto para a comunidade cristã.

A razão é que nosso Salvador desejava que Seus seguidores vissem Sua ressurreição como uma realidade existencial a ser experimentada diariamente pelo viver vitorioso mediante o poder de Sua ressurreição, antes que por um evento litúrgico/religioso a ser celebrado no domingo. Paulo expressa a esperança de “conhecê-lo e o poder de Sua ressurreição” (Fil. 3:10), mas ele nunca menciona o seu desejo de celebrar a Ressurreição no domingo semanal ou no domingo de Páscoa.

(3) O Domingo Nunca é Chamado de “Dia da Ressurreição”. O domingo nunca é chamado no Novo Testamento de “Dia da Ressurreição”. É repetidamente designado de “primeiro dia da semana”. As referências ao domingo como dia da ressurreição primeiro aparecem na primeira parte do quarto século, especificamente nos escritos de Eusébio da Cesaréia. Por esse tempo o domingo havia se tornado associado com a Ressurreição e conseqüentemente foi referido como “Dia da Ressurreição”. Mas este fato histórico ocorreu vários séculos após o começo do cristianismo.

(4) O Domingo-Ressurreição Pressupõe Trabalho, Não Repouso ou Adoração. O domingo-Ressurreição pressupõe trabalho, antes que descanso e culto, porque não assinala o término do ministério terreno de Cristo, que findou numa sexta-feira à tarde quando o Salvador declarou: “Está consumado” (João 19:30), e daí descansou na tumba segundo o mandamento. Em vez disso, a Ressurreição assinala o início do novo ministério intercessório de Cristo (Atos 1:8; 2:33), o qual, à semelhança do primeiro dia da criação, pressupõe trabalho, e não descanso.

(5) A Ceia do Senhor Não Foi Celebrada no Domingo em Honra da Ressurreição. Historicamente sabemos que os cristãos não podiam celebrar a Ceia do Senhor numa base regular aos domingos à noite porque tais reuniões eram proibidas pela lei romana da hetariae—uma lei que proibia todos os tipos de refeições comunitárias à noite. O governo romano temia que tais reuniões noturnas se tornassem ocasiões para tramas políticas.

A fim de evitar as batidas da polícia romana, os cristãos alteravam regularmente o tempo e lugar da celebração da Ceia do Senhor. Finalmente, mudaram o serviço sagrado da noite para a manhã. Isso explica por que Paulo é tão específico quanto ao modo de celebrar a Santa Ceia, mas vago quanto à questão do tempo da assembléia. Notem que quatro vezes ele repete a mesma frase: “Quando vos reunis” (1 Cor. 11:18, 20, 33, 34). Esta linguagem deixa implícito tempo indefinido, mais provavelmente porque não havia um dia instituído para a celebração da Santa Ceia.

Se, como alguns eruditos pretendem, a Ceia do Senhor era celebrada no domingo à noite, como parte do culto do Dia do Senhor, Paulo não teria deixado de mencionar o caráter sagrado do tempo em que se reuniam. Isso teria fortalecido o seu apelo para uma atitude de mais reverência durante a participação na Ceia do Senhor. A falha de Paulo em mencionar o “domingo” como o tempo da reunião ou o uso do adjetivo “do Senhor-kuriakê” para caracterizar o dia como “dia do Senhor” (como ele fez com referência à Ceia do Senhor), demonstra que o apóstolo não atribuía qualquer significação religiosa ao domingo.

(6) A Ceia do Senhor Comemora o Sacrifício de Cristo, Não Sua Ressurreição. Muitos cristãos hoje consideram a Santa Ceia como o centro de seu culto dominical em honra à Ressurreição. Mas na igreja apostólica, a Santa Ceia não era celebrada no domingo, como acabamos de ver, e não se relacionava com a Ressurreição. Paulo, por exemplo, que alega transmitir o que “recebeu do Senhor” (1 Cor. 11:23), explicitamente declara que o rito comemorava, não a ressurreição de Cristo, mas Seu sacrifício e Segunda Vinda (”anunciais a morte do Senhor até que Ele venha”—1 Cor. 11:26).

Semelhantemente, a Páscoa, celebrada hoje por muitos cristãos no Domingo de Páscoa, era observada durante os tempos apostólicos, não no domingo para comemorar a Ressurreição, mas segundo a data bíblica de 14 de Nisã, primariamente como um memorial do sofrimento e morte de Cristo. Contrariamente ao que muita gente pensa, o Domingo de Páscoa era desconhecido da igreja apostólica. Foi introduzido e promovido pela Igreja de Roma no segundo século a fim de mostrar separação e diferenciação da Páscoa judaica. O resultado foi a bem-conhecida controvérsia sobre a data da Páscoa que finalmente levou o bispo Vítor de Roma a excomungar os cristãos asiáticos (cerca de 191 AD) por recusarem adotar o Domingo de Páscoa. Essas indicações mostram que a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana não influenciou a igreja apostólica a adotar o domingo semanal e a Páscoa anual para celebrar tal evento.

(7) A Ressurreição Não é a Razão Dominante Para a Observância do Domingo nos Documentos Mais Antigos. As mais antigas referências explícitas à observância do domingo se encontram nos escritos de Barnabé (cerca de 135 AD ) e Justino Mártir (cerca de 150 AD). Ambos esses autores de fato mencionam a Ressurreição, mas somente como a segunda de duas razões, importante, mas não predominante. A primeira motivação teológica de Barnabé para a guarda do domingo é escatológica, ou seja, o fato de que o domingo é o “oitavo dia” e representaria “o início de outro mundo”. A noção de que o domingo era o “oitavo dia” foi mais tarde abandonada porque não faz sentido falar em “oitavo dia” numa semana de sete dias. A primeira razão de Justino para a assembléia dos cristãos no Dies Solis—o dia do sol, é a inauguração da Criação: “Domingo é o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas em matéria prima, criou o mundo”.  Essas razões foram finalmente abandonadas em favor da Ressurreição que se tornou a razão primária para a observância do domingo.

(8) Nada Indica que no Estabelecimento do Novo Concerto Houve Alteração Nos Termos do Mandamento do Dia de Repouso Bíblico. Nada é dito de que na escrita da lei divina nos corações e mentes dos que aceitam os termos do Novo Concerto (Novo Testamento) dá-se alguma alteração nos termos dessa lei no sentido de que o domingo toma o lugar do sábado (Heb. 8:6-10). Sendo que esta passagem é uma reprodução de Jeremias 31:31-33, quando a promessa de um novo concerto foi feita primeiramente a Israel, em função do cativeiro que defrontava em vista de seu pecado (e uma das razões da punição era exatamente a negligência quanto ao mandamento do sábado—ver Jer. 17:19-27), entende-se que as “Minhas leis” referidas em Hebreus mantêm-se as mesmas, logicamente no que tange a seus aspectos não-prefigurativos.

A parte cerimonial dessa lei cessou na cruz, e os leitores primários da epístola aos hebreus (os cristãos judeus) sabiam disso, pois quando tal epístola foi por eles recebida já sabiam que o véu do Templo se rasgara de alto a baixo, findando o cerimonial que apontava a Cristo e Seu sacrifício. E se pairassem ainda dúvidas a respeito, o próprio teor da epístola resolveria o problema, pois seus capítulos 7-10 definem exatamente o fim dessas cerimônias, enquanto ressaltam que a lei divina é escrita nos corações dos verdadeiros filhos de Deus—em seus aspectos morais e outras normas de caráter ético, higiênico, etc., sem mais as cerimônias prefigurativas (ver também Efé. 2:15).

(9) A Igreja Católica Apresenta-se Como Autora da Mudança do Dia de Repouso do Sábado Para o Domingo. Documentos vários da Igreja Católica dão conta de que foi ela que realizou tal alteração, como se pode exemplificar por algumas declarações oficiais dessa igreja, como: “Foi a Igreja Católica que, pela autoridade de Jesus Cristo, transferiu este repouso para o domingo em lembrança da ressurreição de nosso Senhor. Assim, a observância do domingo pelos protestantes é uma homenagem que prestam, malgrado seu, à autoridade da Igreja [Católica]”.—Louis Gaston de Ségur, Plain Talk About the Protestantism of To-day  [Conversa Franca Sobre o Protestantismo de Hoje] (Boston; Patrick Donahoe, 1868), p. 225.

Também outro documento católico confirma isto:

“P. Como provamos que a Igreja tem poder de ordenar as Festas e Dias Santos?

“R. Pelo ato mesmo de mudar o sábado para o domingo, que é admitido pelos protestantes, e, portanto, contradizem-se por observarem tão estritamente o domingo, enquanto violam a maioria das outras festas ordenadas pela mesma igreja.

“P. Como se prova isto?

“R. Porque por observar o domingo eles reconhecem o poder da Igreja para ordenar festas e exigi-las sob pena de transgressão, e por não observar as demais, igualmente por ela ordenadas, negam de fato o mesmo poder”. — Manual of Christian Doctrine [Manual da Doutrina Cristã] , ou Catholic Belief and Practice [Crença e Prática Católicas] (Dublin: M. H. Gill & Son Ltd., 1916) pp. 67, 68.

(10) O Sábado Será Restaurado na Nova Terra Quando o Pecado For Eliminado do Universo. Se tivesse havido alteração nos termos do dia de repouso divino, isso se refletiria em profecias do mundo futuro, quando o profeta declara que “nos novos céus e a nova terra” todos os moradores virão “adorar perante mim diz o Senhor” no dia de sábado. A profecia de Isaías diz respeito especificamente ao regime da Nova Terra, como indica o contexto. Quando não houver mais pecado e pecadores, nesse novo ambiente “em que habita a justiça” (2 Ped. 3:13) TODOS os mandamentos da lei divina serão respeitados, e sendo que “o sábado foi feito por causa do homem” (Mar. 2:27), prosseguirá no regime santo da Nova Terra, não o domingo, o que seria de se esperar caso tivesse havido tal mudança.

A bem conceituada versão francesa de Louis de Segond assim verte a passagem: “. . . à chaque sabbat, toute chair viendra se prosterner devant moi, dit l‘Éternel” [a cada sábado toda carne virá se prostrar perante mim, diz o Eterno]. Isso também é comunicado pela nossa Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil: “. . . em todos os sábados pessoas de todas as nações virão me adorar no Templo”.

CONCLUSÃO: As 10 razões dadas acima são suficientes para desacreditar a alegação de que a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana causou o abandono do sábado e a adoção do domingo. A verdade é que inicialmente a Ressurreição era celebrada existencialmente, antes que liturgicamente, ou seja, por uma maneira vitoriosa de vida, não mediante um dia especial de adoração.
__________

Obs.: Este artigo é uma adaptação do texto “Sete Principais Razões Que Desautorizam a Observância Dominical”, do Dr. Samuele Bacchiocchi, com adição de mais três razões e vários parágrafos adicionais às 7 razões apresentadas no texto original, pelo Prof. Azenilto G. Brito.

* Posteriormente o Presb. da Silva preparou um texto tentando refutar-nos nestes 10 tópicos. Contudo, a tréplica à sua réplica está  disponível no Fórum Adventista, pelo seguinte link:

http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=108421&grupo=226773&topico=2708939&nrpag=1
 

ADENDO:

O Que Disseram e Dizem Grandes Próceres Cristãos Evangélicos e as Confissões de Fé das Diferentes Igrejas Cristãs Sobre o Tema da Lei de Deus e do Seu Quarto Mandamento

As Confissões de Fé oficiais das diferentes igrejas evangélicas-protestantes sempre ensinaram a vigência do Decálogo como norma de conduta cristã, bem como próceres do mais elevado conceito e gabarito no meio cristão. A enumeração abaixo dessas autoridades demonstra que:

a) A lei de Deus é expressão de Seu caráter de santidade, justiça e amor e antecede a própria criação do universo, sendo revelada aos homens em linguagem a eles adaptada, segundo suas condições de vida sobre este planeta, nos Dez Mandamentos, síntese dessa lei divina.

b) Os Dez Mandamentos sempre foram e serão a regra de conduta válida para o povo de Deus do passado e do presente, a comunidade de cristãos regenerados  (não para promover salvação, logicamente, mas porque temos a Jesus como Salvador e Senhor de nossa vida--ver João 14:15; 1 Cor. 7:19).

c) O Decálogo divino é reconhecido pelas clássicas Confissões de Fé das várias igrejas evangélicas-protestantes e por doutíssimas autoridades em Teologia do passado e do presente, pertencentes às diferentes igrejas, como vigente para os cristãos, entendendo que as leis definiam-se como moral, cerimonial, civil, etc.

d) Os que ensinam que tal norma de conduta caducou ou é inferior é um mau cristão, indigno de confiança (ver também Mateus 5:19).

e) O 4o. mandamento prossegue em vigor tanto quanto qualquer dos demais nove do Decálogo. O sábado teve sua origem no Éden, quando da criação do mundo (Gên. 2:2,3) e foi estabelecido para o benefício físico e espiritual do homem (Marcos 2:27), devendo ser dedicado a Deus e observado em suas 24 horas.

 1.  Pensamento Oficial das Várias Igrejas Cristãs Evangélicas:

Igreja Batista: “Cremos que a Lei de Deus é a eterna e imutável regra de seu governo moral; que é santa, justa e boa; e que a incapacidade que as Escrituras atribuem ao homem caído para cumprir seus preceitos deriva inteiramente de seu amor pelo pecado;  sendo um dos grandes objetivos do Evangelho e dos meios de graça ligados ao estabelecimento da igreja visível livrá-lo e restaurá-lo mediante um Mediador à genuína obediência à santa Lei.- Artigo 12 da “Confissão de New Hampshire”.

“Todos nós temos a obrigação de cumprir a lei moral. . . . que é a que nos prescreve as obrigações para com Deus e o próximo.  . . . A lei se acha expressa com maior minuciosidade nos dez mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai”.- Catecismo da Doutrina Batista, do Pastor W. D. T. MacDonald, págs. 28 e 29.

Igreja Metodista:  “O Velho Testamento não é contrário ao Novo: pois tanto no Velho quanto no Novo Testamento a vida eterna é oferecida à humanidade por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem, sendo tanto Deus quanto homem. . . . Conquanto a lei dada por Deus mediante Moisés, no que tange a cerimônias e ritos, não seja vigente para os cristãos, nem os seus preceitos civis . . . não obstante nenhum cristão de modo algum está livre da obediência aos mandamentos que são denominados Morais”.--Artigo 7 dos “Trinta e Nove Artigos de Religião”.

Obs.: Esta mesma confissão é adotada pela Igreja Episcopal.

Igreja Luterana:  “Conquanto aqueles que verdadeiramente crêem em Cristo, e são sinceramente convertidos a Deus, estão mediante Cristo libertos da maldição e restrições da Lei, não obstante não estão, nesse sentido, sem Lei, uma vez que o Filho de Deus os redimiu para a razão mesma de que possam meditar sobre a Lei de Deus dia e noite, e continuamente exercitar-se em sua observância”.--“Fórmula de Concórdia”, Artigo 6.

Igreja Presbiteriana: “A lei moral para sempre obriga a todos, tanto as pessoas justificadas quanto as demais, à sua obediência; e isso não só com respeito a seu conteúdo, mas também com respeito à autoridade de Deus o Criador que a concedeu. Nem Cristo no evangelho de modo algum desfez, mas fortaleceu essa obrigação. . .”

“O Espírito de Cristo subjuga e capacita a vontade do homem para . . .  cumprir o que a vontade de Deus, revelada na Lei, requer que seja feito. . . .

“A liberdade que Cristo adquiriu para os crentes sob o evangelho consiste em sua liberdade da culpa do pecado, da condenatória ira de Deus, da maldição da lei moral . . .  Sob o Novo Testamento a liberdade do cristão é mais ampliada na liberdade do jugo da lei cerimonial, à qual a igreja judaica estava sujeita”.--Seções V, VII e XX  do Capitulo XIX da “Confissão de Fé de Westminster”.

No capítulo XIX, da Confissão de Fé (da Igreja Presbiteriana), nós encontramos a seguinte afirmação:

“I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la. . . .

“II. Essa lei, depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justiça. Como tal foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas”--pág. 35.

Igreja Congregacional: “Declaração de Savóia”, contendo a mesma “Confissão de Fé de Westminster” relativa à Igreja Presbiteriana (ver citação acima).  Também Art. 21 dentre os Vinte e oito artigos da BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO, declaração oficial de fé da denominação, afirma, sob o título "Da Obediência dos Crentes:

“Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei, senão pelos merecimentos de Jesus Cristo, recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se acharem salvos de graça. Ef 2:8,9; I Jo 5:2,3; Tt 3:4-8”.

Adicionalmente, ensina a Lição da Escola Dominical da UIECB de 15-8-71:  “A transmissão da Lei em Monte Sinai constitui-se em um dos acontecimentos mais destacados, e mais universal. . .  Como as rochas . . . da montanha em que foram transmitidos, estes preceitos formam a base imóvel da vida moral de homens e de nações, o fundamento duradouro de toda civilização digna e firme”.

Trecho do hino no. 519 do Hinário Salmos e Hinos, utilizado pela denominação Congregacional:  “Salvação por homens dada, paz fingida, paz comprada, lei de Deus falsificada, tudo rejeitai! Lei de Deus não muda, o Senhor ajuda a quem cumprir sem desistir”.

2. O Que Disseram Grandes Próceres Cristãos do Passado Sobre o Tema da Lei Divina:

Declarou João Wesley [Works of Wesley--Obras de Wesley (New York: Waugh & Mason, 1833)], fundador do metodismo e o grande evangelista e reavivalista do século XVIII em um dos seus famosos sermões:

“Na mais alta categoria dos inimigos do evangelho de Cristo, estão aqueles que, aberta e explicitamente, ‘julgam a lei’, e ‘falam mal da lei’; aqueles que ensinam os homens a quebrar . . . não somente um . . .  mas todos os mandamentos de um só golpe. . .  Isto é, na verdade, demolir enunciados com muita violência. . . ; isto é resistir na cara a nosso Senhor”.

“A lei moral firma-se sobre um fundamento inteiramente diverso da lei cerimonial ou ritual, que tinha o desígnio de servir para uma restrição temporária sobre um povo desobediente e de dura cerviz; enquanto esta [a lei moral] procede do princípio do mundo, sendo ‘escrita, não em tábuas de pedra’, mas nos corações de todos os filhos dos homens, quando saíram das mãos do Criador”. -- João Wesley, “Upon Our Lord’s Sermon on the Mount”, Discurso 5, em Works of Wesley, Vol. 5, (edição de 1829), p. 311.

Por seu turno, o fervoroso evangelista Moody acrescenta estes valiosos pensamentos:

“Jamais encontrei um homem honesto que achasse falta nos Dez Mandamentos. A lei dada no Sinai nada perdeu de sua solenidade. . . . O povo precisa ser levado a compreender que os Dez Mandamentos estão ainda em vigor, e que há uma penalidade ligada  a  cada  violação. . . . O sermão do monte não cancelou os Dez Mandamentos”.--Weighed and Wanting, págs. 11 e 16.

E eis o que Lutero falou sobre os Dez Mandamentos num escrito “contra os antinomistas”:

“Eu muito me admiro como chegou a ser-me imputado que eu rejeitaria a lei dos dez mandamentos. . . . pode alguém pensar que o pecado existe onde não há lei? Quem quer que ab-rogue a lei, deve necessariamente abrograr também o pecado.--Martinho Lutero, “Wider die Antinomer” (contra os antinomistas), secs. 6, 8, in seus Sämsmtliche Schriften ed. Por Johann George Walck, Vol. 20 (St. Louis, Concordia, 1890), cols. 1613, 1614.

3. O Que Disseram Grandes Próceres Cristãos do Presente Sobre o Tema da Lei Divina:

Vejamos o que pensam autores cristãos-evangélicos mais modernos.   O Pr. Carlo Johansson, da Igreja Assembléia de Deus, faz a seguinte afirmativa:

“A lei é a vontade de Deus, no Decálogo”.--Síntese Bíblica do Velho Testamento,  pág. 48.

Já o Pr. Harold J. Brokke, também pentecostal, declara:

“A lei é uma parte vital do governo divino no mundo em nossos dias. . . a santa lei de Deus é um pré-requisito divino para uma experiência mais profunda da graça”.--Prosperidade Pela Obediência,  pág. 10.

Por sua vez, o Pr. Myer Pearlman, pentecostal, professor de muitos pastores, inclusive do Pr. N. Lawrence Olson, por muitos anos o orador do Programa de Rádio “A Voz das Assembléias de Deus”, assim se expressou:

“Os mandamentos representam e expressão décupla da vontade de Jeová e a norma pela qual  governa os Seus súditos”.--Através da Bíblia,  pág. 27.

Já citado, o Pr. Harold J. Brokke, dá várias respostas a essa pergunta. Ele diz:

“Nós não podemos compreender a salvação sem entender a lei de Deus. . . . Deus revela Sua vontade, no tocante ao procedimento do homem, por meio dos mandamentos que lhe apresenta. . . . O propósito da lei é fazer com que os homens sintam sua necessidade de Jesus Cristo e do Seu evangelho de perdão. . . . Pela lei vem o conhecimento do pecado. Os homens precisam de buscar a Deus, reconhecendo-se pecadores, ou seja, criaturas que sabem ter desobedecido a lei e o governo de Deus, reconhecendo-se verdadeiros inimigos do próprios Deus pelo desrespeito às Suas leis”.--Op. Cit.,  págs. 14, 15, 16 e 17.

Concordando de que a lei de Deus é para o benefício do homem, o Pr. Carlo Johansson declarou o seguinte:

“O decálogo--fundamento do pacto e o mais essencial da lei, como também a condição para vida e felicidade”.--Op. Cit., pág. 116.

Mais uma vez o Pr. Boyer nos apresenta aquilo que tem aprendido de Deus, em anos de estudo da Palavra:

“Algumas pessoas dão ênfase à distinção entre mandamentos ‘morais’ e mandamentos ‘cerimoniais’.  As exigências ‘morais’ são aquelas que em si mesmas são justas e nunca podem ser revogadas. Ao contrário, as leis ‘cerimoniais’ são aquelas sobre observâncias, sobre o cumprimento de certos ritos, por exemplo: os mandamentos acerca dos holocaustos e o incenso. . . . As leis ‘cerimoniais’ podem ser abrogadas na mudança de dispensação, mas não as leis ‘morais’.  É certo que existe tal distinção”.--Marcos: O Evangelho do Senhor,  págs. 38 e 39.

E  o Pr. Antonio Gilberto, também da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, confirma:

“A parte moral da lei é eterna e universal”.--Manual da Escola Dominical, pág. 86.

Por seu turno, o Pastor Nilson do Amaral Fanini, pregador do programa de televisão “Reencontro”, escreveu o seguinte no seu livro Dez Passos Para Uma Vida Melhor, págs.18 e 19:

“Se quisermos viver em paz com Deus e com o nosso próximo devemos, então, observar o Decálogo. . . . Devemos obedecer não por medo mas por amor. Precisamos observar as leis divinas tais quais elas são e não acomodá-las de acordo com as tendências da época, esquecendo ou comprometendo as leis divinas que regem a conduta moral”.

Para o Dr. George Eldon Ladd, teólogo de renome, batista, a resposta é a seguinte:

“Está claro que a Lei continua a ser a expressão da vontade de Deus para a conduta, mesmo para aqueles que não estão mais sujeitos à lei”.--Teologia do Novo Testamento,  pág. 473.

* Desde Quando Existem os Dez Mandamentos, a Lei de Deus?

Quem responde a isto é o Pastor Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários batistas de grande projeção. No seu livro Estudo no Livro de Êxodo, pág. 133, ele registrou estas palavras:

“Tomemos em consideração que antes de serem dadas as dez proposições, comumente chamadas Lei, já todos os ensinos nelas codificados estavam em vigor. Podemos mesmo dizer que desde que apareceu o homem sobre a terra os princípios do Decálogo tinham força de lei. E, se quisermos recuar mais ao passado, podemos afirmar que nunca houve tempo nem eternidade em que tais princípios não existissem. . . . Quando o homem foi criado, não lhe foi dada esta lei em forma catalogada, mas lhe foi posta no coração, dentro da consciência, dentro de sua íntima natureza, para que por ela se governasse”. (Grifos nossos)

Aí está o testemunho de alguém que estudou bastante o Livro de Deus, e os ensinamentos dos grandes mestres da Igreja Batista. O Dr. Antonio Neves de Mesquita é autoridade muito responsável, e que pode muito bem responder pela Igreja Batista!

* Existe uma Divisão de Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Da obra A Interpretação da Bíblia,  de Weldon E. Viertel, autor batista, na pág. 194, nós transcrevemos este texto:

“A Lei pode ser dividida em três tipos: cerimonial, civil e moral. . . . De acordo com o livro de Hebreus, as leis cerimoniais eram sombras de Cristo.  A sombra foi substituída pela realidade de Cristo e Seu ato redentor. As leis cerimoniais foram cumpridas; portanto, a Igreja não observa as leis sacrificiais e os festivais. As leis cerimoniais foram aplicadas a Cristo, em grande parte pelo uso da tipologia.

“. . . A lei moral continua efetiva; todavia, Cristo deu-lhe outro nível de sentido e aplicação. Lidou com a raiz das atividades éticas, incluindo atividades e motivos (o coração do homem)”. (grifos nossos)

Ainda, Antonio Neves de Mesquita ajuda na resposta, quando diz:

“O concerto divide-se em três partes: lei moral ou os Dez Mandamentos (20:1-17); lei do altar ou cerimonial, meio de aproximação a Deus (20:22-26 e o livro de Levítico); e lei civil (21:1-23:19)”.--Op. Cit., pág. 131. (negritos nossos)

E temos Billy Graham citando Wesley sobre os Dez Mandamentos:

“A exemplo de Wesley, sinto que deva pregar a lei e o juízo antes de pregar a graça e o amor. . . .  Os dez mandamentos . . . são as leis morais de Deus para a conduta das pessoas. Alguns pensam que eles foram revogados. Isso não é verdade. Cristo ensinou a lei. Eles ainda estão em vigor hoje. Deus não mudou. As pessoas é que têm mudado. . . . A Bíblia diz que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Os Dez Mandamentos são um espelho para nos mostrar como ficamos aquém ficamos em preencher os requisitos de Deus”.--Sermão em Times Square, citado em George Burnham e Lee Fisher, Billy Graham and the New York Crusade (Zondervan Publ. House, Grand Rapids, Mich.), pp. 108 e 109.

Noutro sermão o grande evangelista prossegue:

“Eu vos advirto esta noite, não pode haver paz até que a Lei seja observada e não há poder em nós para observar a Lei. A natureza humana é corrupta. É por isso que Cristo veio para dar-nos uma nova natureza e pôr em operação forças que nos possam trazer à existência uma nova ordem mundial”.--Sermão em Times Square, citado em George Burnham e Lee Fisher, Billy Graham and the New York Crusade (Zondervan Publ. House, Grand Rapids, Mich.), p. 191.

* Existe a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Quem vai responder a esta pergunta é o erudito bíblico John Davis, autor de um dos mais famosos dicionários bíblicos, que já alcançou várias edições. Ele assegura que:

“Os DEZ MANDAMENTOS, sendo a lei fundamental e sumária de toda MORAL, permanecem firmes; baseiam-se na imutável natureza de Deus e nas relações permanentes do homem sobre a terra. . . . A LEI CERIMONIAL a que se refere a carta aos Hebreus 8:7, como o primeiro pacto, ela a declara como antiquada e prestes a perecer. . . . O Apóstolo não julgou necessário obrigar a ela os gentios, Atos 15:23-28.

“Tinha função transitória, apontando para Cristo, nosso sumo pontífice por meio de seu sacerdócio, de seus sacrifícios, de suas cerimônias e de seus símbolos”.--John D. Davis, Dicionário da Bíblia, págs. 356 e 357 (versais acrescentados).

Também da Confissão de Fé (da Igreja Presbiteriana), extraímos essas informações valiosas:

“III. Além dessa lei [dos dez mandamentos], geralmente chamada LEI MORAL, foi Deus servido dar ao Seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a Sua tutela, LEIS CERIMONIAIS que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as Suas graças, os Seus atos, os Seus sofrimentos e os Seus benefícios. . . estão todas abrogadas sob o Novo Testamento”.-págs. 35 e 36 (versais acrescentados).

Dr. Albert Barnes, notável comentarista presbiteriano, em comentário sobre Mateus 5:18, disse:

“As leis dos judeus estavam geralmente divididas em morais, cerimoniais e judiciais. As leis morais são aquelas que emanam da natureza das coisas - tais como o dever de amar a Deus e Suas criaturas. Estas não podem ser abolidas, pois jamais poderá ser correto odiar a Deus ou aos nossos semelhantes. Dessa natureza são os Dez Mandamentos; e estes nosso Salvador não aboliu nem suprimiu”.--Notes, Explanatory and Practical, on the Gospel, Volume 1, pág. 65.

De tudo que está registrado, fica mais do que claro que os mestres presbiterianos admitem que existam pelo menos duas leis das quais fala a Escritura Sagrada: (a) Lei Moral--sumarizada nos Dez Mandamentos; e (b) Lei Cerimonial--representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.

4. O Que Disseram Grandes Próceres Cristãos do Passado e do Presente Sobre o Tema do Mandamento do Sábado:

* Qual a Origem do Sábado do Quarto Mandamento?

O Dr. Archibald A. Hodge, membro da Junta Presbiteriana de Publicações, e antigo Professor no Seminário Princeton (Presbiteriano), nos Estados Unidos, escreveu um folheto, no qual apresenta uma defesa da perpetuidade do sábado como dia santificado por Deus. Dele extraímos o seguinte:

“Deus instituiu o sábado na criação do homem, separou o sétimo dia para esse fim e ordenou sua observância como uma obrigação universal e perpétua à raça”.--Folheto N° 175.

Conforme o Dr. Hodge, o sábado teve sua ORIGEM NA CRIAÇÃO, antes, portanto, da queda do homem. Antes de ter havido necessidade de um sistema de sacrifícios e rituais típicos.

Recorremos, novamente ao Professor John D. Davis, a fim de reforçar aquilo que já foi assegurado.

“SÁBADO, Descanso. Dia de descanso instituído por Deus, para ser observado por todos os homens. Tendo completado a obra da criação em seis dias, cessou de trabalhar no dia sétimo. ‘E abençoou o dia sétimo e o santificou; porque nele mesmo cessara de toda a sua obra que Deus criou para fazer’, Gên. 2:1-3”.--Dicionário da Bíblia, pág. 519.

Pelo que lemos acima, não há nenhuma dúvida, entre os mentores presbiterianos, de que os Dez Mandamentos foram dados a Adão, ANTES DA QUEDA.

* Há Razões Para Observarmos o Sábado do Sétimo Dia?

Ainda o Professor Davis, com sua autoridade:

“A doutrina ensina claramente que este dia foi ordenado por Deus, para repouso do corpo, e bem-estar do homem; que o deviam observar, imitando o exemplo que Deus dá, e por causa das bênçãos por Ele conferidas”.--Dicionário da Bíblia, pág. 520.

Agora, do Breve Catecismo, editada pela Casa Editora Presbiteriana:

“O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. . . . proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade, ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossos negócios e recreações temporais. . . . Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais: o reclamar Ele para Si a propriedade especial do dia sétimo, o Seu próprio exemplo, e a bênção que Ele conferiu ao dia de descanso”.--Breve Catecismo de Doutrina Cristã, págs. 17 e 18.

* Por Quanto Tempo Deve Durar o Mandamento do Sábado?

Recorremos, ainda desta vez, ao que disse o erudito John Davis:

“O sábado foi instituído para benefício do gênero humano; as suas obrigações duram enquanto o homem viver e enquanto subsistirem as suas necessidades”.--Dicionário da Bíblia, pág. 520.

“A respeito do quarto mandamento, disse Jesus: ‘O sábado foi feito para o homem’; segue-se, pois, que a lei permanece em toda a sua força enquanto o homem existir sobre a terra”.--Dicionário da Bíblia, pág. 356.

* A Que Tipo de Lei, Dentre as Referidas Acima, o Apóstolo Paulo Apresenta em Colossenses 2:16?

Diz um destacado teólogo evangélico:

“Apela-se a passagens tais como Colossenses 2:16: ‘Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. E Romanos 14:5: ‘Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. Cada um de nós, contudo, sabe que as igrejas apostólicas viviam grandemente atribuladas pelos judaizantes, os quais insistiam em que a lei mosaica continuava em vigor, e que os cristãos eram obrigados a conformar-se às suas prescrições acerca da distinção entre alimentos limpos e impuros, bem como a seus numerosos dias de festa, nos quais todo trabalho tinha de ser interrrompido. Esses eram os falso mestres e essa era a falsa doutrina contra a qual muitas das epístolas de Paulo se dirigiam. É uma óbvia referência a tais homens e suas doutrinas que passagens como as supracitadas foram escritas. Elas não fazem nenhuma referência ao Sábado semanal, o qual fora observado desde a criação, e o qual os próprios Apóstolos introduziram e perpetuaram na Igreja Cristã.”--Teologia Sistemática, Charles Hodge, pág. 1269

O Dr. Albert Barnes, acima referido, e conhecido autoridades presbiteriana, assim se expressou sobre o texto de Colossenses 2:16:

“‘Ou dos sábados’. A palavra ‘sábado’, no Velho Testamento, é aplicada não somente ao sétimo dia, mas a todos os outros dias de repouso sagrado que eram observados pelos hebreus, e particularmente ao começo e encerramento de suas grandes festividades. Há, certamente, referência a esses dias nesse lugar, visto que a palavra é usada no plural e o apóstolo não se refere particularmente a o assim chamado sábado, propriamente.

“Não há nada que indique tivesse ele ensinado não haver nenhuma obrigação de observar qualquer dia santificado, pois não há a menor razão para crer que ele tencionasse ensinar que um dos Dez Mandamentos tivesse deixado de ser obrigatório para a humanidade.

“Se houvesse usado a palavra no singular, ‘o sábado’, teria ficado claro, naturalmente, que ele pretendia ensinar que esse mandamento havia deixado de ser obrigatório, e que o sábado não mais devia ser observado. Mas o uso do termo no plural e o contexto, mostram que tinha sua atenção voltada para o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festas, como parte de sua lei típica e cerimonial, e não para a lei moral ou os Dez Mandamentos.

“De nenhuma parte da lei moral--pode dizer-se ser ‘uma sombra das coisas futuras.’ Estes mandamentos são, em virtude da natureza da lei moral, de perpétua e universal obrigatoriedade”.--Notes on Colossians, edição de 1850, págs. 306 e 307.

Mais uma questão devidamente esclarecida. E muito bem esclarecida, pelo ilustre Dr. Albert Barnes, comentador de reconhecido valor no meio presbiteriano.

Assim essas autoridades presbiterianas, além das que já fizemos notar entre batistas, congregacionais, metodistas, luteranos, assembleianos, concordam com os adventistas e demais cristãos observadores do sábado quanto à validade deste e de TODOS os mandamentos do decálogo.

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