Cristãos Primitivos Divergem Sobre
Tempo a Dedicar a Deus

Prof. Azenilto G. Brito

Relato fictício, de conteúdo bem instrutivo, em homenagem aos amigos dos novos tempos do dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo e do 'samba do mandamento só'

Filipe era um veterano pescador no Mar da Galiléia, lá pelos idos do ano 60 AD. Ele possuía um barco de pesca em sociedade com dois outros amigos de infância, Daniel e Mordecai.

Eles iam juntos à sinagoga todo sábado, com suas esposas e filhos. Eram zelosos e dedicados israelitas, mas quando ouviram a pregação do evangelho, de um famoso ex-fariseu que se convertera à fé cristã, chamado Paulo, logo aceitaram a mensagem do Messias.

Eles decidiram tornar-se cristãos, e dedicaram suas vidas a servirem ao Mestre. Mas Daniel julgou que a Ressurreição de Cristo era um evento essencial e tão marcante na história sagrada que, em sua consciência, convencera-se de que tinha que dedicar o dia em que Cristo ressuscitou como o tempo de adoração especial ao Criador. Assim, ele decidiu que iria daí em diante observar o primeiro dia da semana, e nesse dia não iria sair para pescaria com seus companheiros. Mas os demais tomaram posições diversas. Mordecai insistia em que o dia a ser observado continuava sendo o mesmo, o sábado, de pôr-de-sol a pôr-de-sol. Nada mudou no texto da lei divina com respeito aos 10 Mandamentos com a vinda do Messias.

Afinal, não ensinara Ele que não veio abolir a lei, e sim cumpri-la, e não recomendou o seu fiel cumprimento da parte daqueles aos quais denominou “sal da terra”, “luz do mundo”, e aos quais ensinou a oração do Pai Nosso? Já Filipe sentia que em sua consciência, a melhor maneira de honrar a Deus era não guardando dia nenhum! Assim, ele se dispunha a trabalhar todos os sete dias para ganhar o pão de cada dia mediante a atividade de pesca.

Problemas começaram a surgir entre os amigos tão unidos de outrora. Mordecai não trabalharia no sábado, como desejava Daniel, que, por seu turno, não iria atuar na atividade de pesca no dia que sua consciência determinava dever ser dedicado ao Senhor, que era o primeiro dia da semana. E adotara a variante de contagem de tempo romana, de meia-noite a meia-noite, contrariando o pensamento tanto de Mordecai quanto de Filipe. Aliás, Mordecai indagou-lhe por que acatara a contagem de tempo dos seus inimigos romanos, considerando o início do dia à meia-noite, e não segundo a tradição milenar de Israel. Daniel não soube explicar isso, com o que os demais começaram a considerá-lo um “traidor”, que estava pendendo para o lado dos odiados dominadores de sua terra, seguindo esse costume a eles estranho.

A atividade de pesca requeria os três atuando juntos. Só um ou dois não dariam conta de todo o trabalho de conduzir o barco, observar os cardumes de peixe, lançar e recolher a rede, preparar os peixes para venda ao público, consertar as redes com rompimentos. . .  A equipe de três já estava formada há anos, e sempre funcionou bem, com todos parando as atividades antes do pôr-do-sol da sexta-feira, para dedicar ao Senhor o Seu santo dia. Agora as coisas se complicaram para o ativo trio de pescadores.

O pior é que entre os familiares também divisões sérias começaram a se manifestar. Os filhos de Filipe acharam ótima a idéia de não ter que dedicar dia nenhum ao Senhor. Assim, podiam brincar à vontade todos os dias, sem terem que ir a reuniões religiosas. E influenciaram os filhos dos demais na mesma linha de pensamento. Afinal, se Filipe, que era o mais velho deles, tinha na sua consciência essa convicção de dianenhumismo como a melhor atitude de um cristão, por que não seguir sua “sábia” direção?

Mas suas mães não julgavam ser uma boa idéia que os filhos ficassem sem atividade religiosa regular cada semana. Não viam que isso iria ajudá-los a se tornarem bons cidadãos e úteis à Igreja. A esposa de Daniel queria que os filhos a acompanhassem à Escola Dominical. Ela julgava ter que seguir a liderança do marido, embora intimamente não estivesse convencida da validade de adotar um dia de culto diverso do que estabelecia a lei, e que sempre observara fielmente com o marido e filhos antes de aceitarem a fé cristã. Ademais, ela sabia que aquele dia era dedicado por muitos pagãos ao deus falso que adoravam--o sol. Como adotar algo assim do paganismo, conhecedora também que era dos tantos problemas da nação de Israel ao longo da história por tais envolvimentos?

Por sua vez, a esposa de Mordecai queria que os filhos fossem com ela à Escola Sabatina, pois o dia de observância na sua convicção não havia sofrido qualquer alteração na passagem do Velho para o Novo Concerto. Contudo, os filhos não queriam saber nem de Escola Dominical ou Escola Sabatina. Eles estavam mesmo convencidos das virtudes do dianenhumismo, segundo o pensamento do veterano pescador Filipe. Este, por seu turno, não sabia o que fazer, pois julgava que suas convicções de dianenhumismo não precisavam necessariamente serem seguidas pelos mais jovens.

Parecia muita coincidência que todos os menores queriam modelar a vida religiosa segundo o seu exemplo, não dedicando dia nenhum às coisas de Deus.

No campo profissional, não conseguiam também chegar a um acordo. Como era necessário que todos os três atuassem juntos, pensaram em desfazer a sociedade e encontrar substitutos para comporem novos trios. Daí Mordecai consultou Bartolomeu e Elias, velhos amigos da sinagoga que também haviam aderido ao cristianismo, sob influência das prédicas de Paulo. Mas o primeiro decidiu na sua consciência que o dia que dedicaria a Deus seria sexta-feira, julgando que talvez o dia da morte de Cristo é que merecia ser lembrado semanalmente. Quanto ao segundo, defendia a guarda da terça-feira, e quando lhe pediam para justificar tal decisão, ele não tinha meios de explicar: “É uma questão de que eu sinto assim. Minha consciência estabeleceu isso, então sigo tal sentimento. . . Terça-feira é o meu dia de dedicação a Deus”. E quando lhe perguntavam onde ia à Igreja ele explicou que naquela cidade não havia ainda nenhum grupo estabelecido de terça-feiristas. Ele era o primeiro adepto de tal corrente, e estava esperando ver quem mais fosse assim “tocado” em sua consciência, para juntos se reunirem no dia que decidiram ser o ideal para dedicar ao Senhor. . .

Destarte, no pequeno vilarejo de pescadores, junto ao Mar da Galiléia, a recém-estabelecida comunidade cristã não conseguia chegar a um consenso quanto à forma de dedicar tempo ao Senhor. E o pior eram as discordâncias envolvendo as esposas e filhos desses também. . .

E o dia de ir à Igreja era uma confusão. Onde estavam reunidos os crentes da 4a. feira como “dia do Senhor”? O pastor do grupo de quinta-feiristas estava sendo disputado pelos adeptos da segunda-feira para pastoreá-los também enquanto os dianenhumistas não iam a Igreja nenhuma.

Trabalhavam direto todos os dias, terminavam esgotados física e mentalmente ao fim de poucos meses . . . Isso perturbava o seu sistema nervoso, o que provocava atritos com esposas e vizinhos, ociosidade dos mais jovens, falta de motivação pela comunhão com os demais crentes, já que não iam à Igreja, a não ser em breves reuniões no dia que lhes desse na veneta. . .

Finalmente, alguém resolveu confrontar os muitos dianenhumistas, que constituíam a esmagadora maioria dos moradores daquela região, principalmente jovens, adolescentes e crianças. Encontraram um que se dizia pastor do grupo, mas não era assalariado porque nunca se reuniam para levantarem ofertas e dízimos com que sustentar o trabalho. Aliás, não havia trabalho religioso organizado entre tais. Afinal, dianenhumismo não envolve dia nenhum mesmo!

O pastor dianenhumista tentou justificar sua atitude de não dedicarem nenhum dia ao Senhor alegando que agora só os regia o mandamento único da fé cristã, segundo Jesus e Paulo teriam ensinado: amar o próximo como a si mesmos. Então, essa questão de 4o. mandamento era do tempo em que a lei do “amor a Deus sobre todas as coisas” ainda vigorava. Como agora viviam sob o Novo Concerto do mandamento único do amor ao próximo, não precisavam de observar dia nenhum, princípio que se ligava a esse aspecto de uma lei ultrapassada, e até desnecessária nesses novos tempos de tanta “iluminação”.

E nessa “iluminação”, eles foram evoluindo, cada vez buscando maior solidariedade entre os vários integrantes da comunidade dianenhumista, a ponto de concluírem que nem precisavam de Deus nenhum. Tornaram-se ateus, incentivando, porém, o princípio da solidariedade humana como um novo alvorecer da humanidade. Assim, nessa visão da “alba”, ou seja, do nascer da luz pela manhã, eles ficaram conhecidos como albaneses, e, de fato, a primeira nação oficialmente atéia do mundo se chamou Albânia, onde era proibido escrever o nome de Deus, ou fazer a mínima menção a Sua Pessoa.

         Está aí a história pouco conhecida de como surgiu essa nação sobre a face da Terra. O seu grande líder, Enver Hoxha, já morreu. Os albaneses o idolatravam e consideravam o genuíno Cristo que traria a luz da alba, ou alvorecer, a todos os moradores do planeta. O único problema é que o tal morreu, mas passaram-se mais de três dias, e ele não saiu da sepultura! Com isso a própria Albânia terminou abolindo as rígidas leis anti-religiosas, e lá existem hoje muitos cristãos que adoram a Deus e crêem na validade do mandamento de amá-Lo de toda alma, força e entendimento. Aleluia!
 

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