A Perigosa Vida dos Cristãos na Era “Intermediária”
dos Primórdios da Igreja

Reflexão séria e solene sobre as implicações lógicas de certos ensinos comuns entre cristãos contemporâneos (por incrível que pareça. . .)

Se non è vero, è bene trovato.

André era um dedicado cristão dos primeiros tempos do cristianismo, em Roma, mas um pouco nervoso. Com ele não havia brincadeira. Se alguém pisasse no seu calo, ele partia para a briga e enfiava sem dó a faca ponteaguda, que trazia presa na cintura, no ventre do adversário. Daí, fazia uma marca no cabo, assinalando mais uma vítima fatal de seu destemperamento de espírito. Já havia umas oito marcas na sua arma letal. Os outros membros da Igreja buscavam tratá-lo bem, quando em contato direto com ele, mas na maioria dos casos buscavam era manter distância. Afinal, quem gostaria de morrer assim tão ingloriamente? Aquela era a época intermediária entre a cruz de Cristo--quando os 10 Mandamentos foram inteiramente abolidos--até o mandamento “não matarás” ser restaurado pelo ano 56-58 AD, quando Paulo o menciona em sua epístola aos Romanos (13:8-10). . .

O clima naqueles tempos entre os cristãos era bem carregado, porque não só se matavam uns aos outros a três por dois, mas quem não cuidasse bem de suas propriedades, seria roubado impunemente até por seus irmãos da Igreja. E mesmo os líderes das congregações avançavam sobre dízimos e ofertas tranqüilamente, porque o mandamento “não furtarás” também só foi restaurado junto com o “não matarás”. Sem falar nos escândalos de adultérios e desenfreada cobiça pela mulher e coisas do próximo que prevalecia entre os crentes. Era um “salve-se quem puder” medonho, até Paulo escrever a epístola regulamentadora da ética cristã, primeiro aos romanos, e com o passar do tempo, atingindo as demais igrejas noutras cidades e províncias.

Levou tempo para que esses deslizes morais fossem eliminados, mas os blasfemadores, que falavam o nome de Deus em qualquer ocasião, não paravam com suas palavras desrespeitosas. Afinal, do Decálogo. E os filhos desrespeitavam livremente os pais, xingavam-nos, jogavam alimentos que não apreciavanem Paulo nem os demais apóstolos lembraram-se de referir tal mandamento objetivamente entre os demais “restaurados” ipsis literis do Decálogo. E os filhos desrespeitavam livremente os pais, xingavam-nos, jogavam alimentos que não apreciavam  na cara das mães que os prepararam. Afinal, só pelo ano 60, ao escrever aos efésios (Efé. 6:1-3) é que Paulo restaurou o “primeiro mandamento com promessa”, o que fora o quinto do Decálogo nos velhos tempos da “dispensação da lei”. Levou também algum tempo para ficar definida essa questão até a carta aos efésios circular entre todos. Até lá, pais e mães passaram grandes agonias nas mãos dos filhos. . .

Mas os crentes de Jerusalém tinham problemas maiores ainda. O concílio de Jerusalém, ocorrido alguns anos antes da escrita do livro de Atos (61 AD), definiu um Tetrálogo como únicas regras que deveriam reger a vida cristã. Esse Tetrálogo proibia só um mandamento “moral”--os pecados sexuais. Indiretamente tratava também dos ídolos ao condenar “carnes oferecidas a ídolos” dentre as demais três regras, que abrangiam ainda a proibição de comer sangue e carne sufocada (ver Atos 15:20 e 29). Estranhamente nada havia nesse Tetrálogo contra falar mal dos outros, desrespeitar os pais, não roubar, não cobiçar as coisas alheias, não profanar o nome de Deus em vão e, logicamente, nada sobre o sábado (ou domingo!).

Era uma bagunça total, pelo que se deduz dos ensinos de certos teólogos contemporâneos, adeptos do semi-antinomismo dispensacionalista. Segundo tais ensinos, quem busca respeitar os mandamentos do Decálogo, abstendo-se de matar, roubar, falar mal do próximo e guardar o sábado, estaria situando-se “debaixo da lei”, daí que aqueles cristãos primitivos faziam questão de atropelar e passar por cima de todas aquelas regras que Deus pronunciou solenemente ao povo sobre o monte Sinai. Ninguém queria ficar “debaixo” daquelas leis. . . Nada daquilo se aplicaria aos cristãos, já que TODA A LEI fora abolida na cruz, a não ser as regras do Tetrálogo, pelas quais buscavam reger suas vidas. E isso só desde o concílio de Jerusalém. . . E mesmo as normas da “lei áurea”, proferidas por Cristo, imaginava-se que somente valiam até Cristo morrer na cruz, pois ela era aplicável a todos os preceitos, desde que Moisés mesmo as havia primeiro declarado, em Levítico 19:18 e Deuteronômio 6:5. E a lei TODA fora abolida quando Cristo proferiu o “Está consumado”. Isso incluiria a sua síntese, a “lei áurea”, até Paulo também respaldá-la nas suas instruções quando restaurando normas do Decálogo.

As coisas hoje mudaram bastante, já que contamos com o Novo Testamento completo. Tudo que era estabelecido no Decálogo foi sendo restaurado pouco a pouco, até estar de novo valendo para os cristãos, ou seja, menos o princípio do sábado sobre que ainda há certa ambigüidade--há os que insistem em que se observe o domingo como “sábado cristão”, outros alegam que não há dia nenhum para observar, outros mais dizem que se deve dedicar ao Senhor TODOS os dias, e não um em particular. Só que, na prática, esses não dedicam dia nenhum, porque precisam trabalhar e ganhar a vida. Como vão dedicar, ou “santificar”, todos os dias a Deus?

Essas restaurações de mandamentos requereram certo prazo para conclusão, e mesmo hoje não está clara a obrigatoriedade do que proíbe falar o nome de Deus em vão, pois não consta claramente de qualquer dos escritos de Paulo ou dos demais apóstolos a respeito. Há somente uma referência bem indireta em Tiago 5:12.

E os cristãos também poderiam até participar de sessões espíritas livremente. Onde aparece qualquer proibição de consultar os mortos no Novo Testamento? Os pastores em geral condenam, porém, essas práticas ainda que não claramente estabelecidas no Novo Testamento como regras para os cristãos seguirem. Agora, se há uma regra jamais estabelecida no Novo Testamento que insistem em que seja fielmente cumprida é a da “lei do dízimo”. Sobre esta jamais abriram mão, mesmo quando não é mencionada como regra cristã em qualquer das epístolas paulinas, ou dos demais apóstolos.
Do sábado nada querem saber, pois a alegação é não ser normatizada para os cristãos. Ora, mas . . . e o dízimo?! Bem, esta já é outra história. . .

E assim caminha a cristandade.

Finalmente, outra historieta revela mais confusão que prevaleceria entre os crentes dos primeiros tempos, a se dar ouvidos aos ensinadores dessas teorias novidadeiraas surgidas por fins do século XIX:
 

Adão e Eva e o Sábado

  Conta-se que Eva um dia chegou para Adão e disse:
- Adão, eu acho que você está me traindo com outra. . .
- Como pode ser isso, querida, se só existe você de mulher no mundo?!. . .
- Pois então como explica que por três sábados, o dia que devemos dedicar ao Criador, você sai dizendo que vai trabalhar. Eu tenho para mim que isso é desculpa para encontrar a outra no fim de semana.

- Não, querida esposa, deixe-me explicar: ocorre que eu também sou profeta e vejo as coisas futuras. E numa de minhas visões aprendi com uns teólogos chamados 'dispensacionalistas' que o sábado é coisa só para os judeus. Então, como há tanta coisa para fazer no jardim, resolvi trabalhar também aos sétimos dias.

- Ah, então é por isso que quando você chega em casa, está tão esgotado que vai logo para nossa cama de folhas macias, pega no sono profundo e nem se dá conta de que tem uma esposa carente do lado. . .

É isso aí. . .
 
 

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