Azenilto G. Brito
 

O Sábado
Bom dia,

Gostaria de fazer algumas perguntas, se for possível que você mas responda, seria-lhe muito grato:

1) Onde, na Bíblia, é feita uma distinção (separação) entre o que você chama de "Lei Moral e a Lei Cerimonial"? Ao que parece, "lei" em hebraico é "Torah" e diz respeito a:
1) Pentateuco e não meramente(ou unicamente nem especificamente) aos "10 mandamentos", 2) Todo o Antigo Testamente (TENACH).
Podemos ver que em Êxodo 19:3 até Êxodo 31:18  É D´US QUEM FALA COM MOISÉS QUE TRANSMITE OS MANDAMENTOS, ESTATUTOS E JUÍZOS (Dt 30:10) AO POVO DE ISRAEL COM QUEM O SENHOR ESTAVA FAZENDO ALIANÇA (Ex 19:5-6). Se tudo foi dito pela boca do SENHOR, AONDE ESTÁ NA BÍBLIA a exclusão de uma e a permanência da outra? ACHO QUE AQUELE QUE PROPÕE NO CORAÇÃO OBERDECER À LEI (TORAH) DEVE OBEDECE-LA TODA E NÃO APENAS AOS 10 MANDAMENTOS. ACHO QUE FOI O QUE TIAGO DISSE EM TIAGO 2:8-13. Observe que o SENHOR, ao propor a vida e a morte ao povo em Deuteronômio 30:16 não cita meramente "10 mandamentos", mas "Porquanto te ordeno hoje que ames ao SENHOR teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o SENHOR teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir".
Quem fez, onde e quando, NA BÍBLIA, temos a ordem de abrir mão dos "estatutos, e os seus juízos" em favor dos "mandamentos"? Todos não formam a "Torah" (LEI)?

2) Como você analisa Tiago 1:25 e Tiago 2:12 à luz da "teologia adventista" ?

3) Uma pessoa que não guardar o sábado irá para o inferno?

4) Como vocâ analisa Atos 15:1-32 sob a ótica adventista?

5) A salvação é pela graça e mantida pela observância dos "10 mandamentos" ou obtida através dos dois?

Ficaria sinceramente grato se recebesse suas respostas, sabendo, contudo, que você não se obriga a tal.

Sinceramente em Cristo

G. M. N.


As parte em marrom e azul, serão as respostas de Azenilto

     Na Bíblia realmente não existe a linguagem técnica que define certos aspectos de seu conteúdo. Não se encontram palavras tais como "trindade", "teocracia", nem mesmo "milênio", "ascensão". . .  Então, os teólogos é que, buscando ser didáticos, definem as leis bíblicas como sendo morais, cerimoniais, civis, higiênicas, mas é uma terminologia de auxílio à compreensão dos diferentes papéis que essas leis cumpriam.
     Os dez mandamentos sempre foram considerados o padrão ético universal, e foram estabelecidos por Deus de modo diferenciado. Queiram ou não os que rejeitam esse padrão como norma válida para os cristãos, hão de convir que foram pronunciados solenemente sobre o Sinai e escrito em tábuas de pedra pelo dedo de Deus (ver Deut. 5:22ss). Mesmo levando-se em conta que esses mandamentos faziam parte do mesmo "pacote" legislativo e do concerto entre Deus e o povo de Israel, permanece essa diferença de tratamento. Deus não pronunciou nem escreveu sobre as tábuas de pedra as demais normas. . .
     Os cristãos de diferentes persuasões sempre ensinaram a diferença entre as leis, portanto tal classificação não é uma "invenção de adventistas", como alguns dos opositores dos adventistas gostam de alegar, com o que demonstram não só preconceito, como ignorância do que seus próprios credos denominacionais e grandes personalidades da história protestante/evangélica ensinaram. No estudo que a esta anexo enumeramos vários desses autores e credos religiosos que confirmam a divisão didática das leis em morais, cerimoniais, civis, higiênicas, etc.
     Veja que Paulo fala em normais legais que não mais precisam ser cumpridas pelos cristãos, mas refere-se aos mandamentos "de Deus" que precisam sê-lo (2 Cor. 7:19).

Agora, como retribuição, explique-me, por favor, como define o pecado. Ou seja, o que é "pecado" do ponto de vista bíblico?

2) Como você analisa Tiago 1:25 e Tiago 2:12 à luz da "teologia adventista"?

     O exame deste texto à luz de seu contexto revela que para Tiago, a lei era um espelho que aponta à culpa e leva o pecador a reconhecê-la e buscar a solução em Cristo, o que Paulo também ensina em Rom. 7:7ss. Que Tiago não entende que a lei divina dos dez mandamentos foi tirada e substituída para alguma nova "lei de Cristo" tomar o seu lugar fica claro ao enumerar os próprios mandamentos do decálogo como válidos (vs. 8-11). A "lei régia" é aquela que leva em conta os princípios básicos de "amar a Deus sobre todas as coisas" e "amar ao próximo como a nós mesmos" (Mateus 22:36-42). Esta é a base da lei divina em todos os tempos, como Paulo também confirma em Romanos 13:8-10.
     Agora, os que, diante de tal conhecimento, recusam obedecer a Deus integralmente terão que enfrentar o Supremo Juiz, e a base do julgamento só pode ser a Sua lei, não outra. Somos salvos pela graça, mas julgados pelas obras, é um dito clássico no meio cristão.
     O que alguns buscam é demonstrar que agora o cristão vive sob uma suposta "lei de Cristo", mas fácil de cumprir em relação ao Decálogo, que só serviu para o pacto com Israel. A dificuldade desse raciocínio é explicar a linguagem bíblica clara de Hebreus 8:6-10 onde é dito que Deus escreve a mesma lei do antigo concerto nos corações e mentes dos que aceitam os termos do novo.

Agora, permita-me também uma indagação: com base em que norma Deus haverá de julgar os homens, quando todos tivermos que "comparecer perante o tribunal de Cristo?" (2 Cor. 5:10).

3) Uma pessoa que não guardar o sábado irá para o inferno?

     Uma pessoa que adorar imagens de escultura irá para o inferno? O que determina a salvação ou não de alguém? Não é aceitar a Cristo como Salvador?! Mas quem aceita a Cristo como Salvador pessoal não deve aceitá-Lo também como Senhor de sua vida? Não disse Jesus, "Se me amais, guardareis os Meus mandamentos"?  Que estes mandamentos de Cristo e os mandamentos de Deus são um só e o mesmo não há o que duvidar. O ônus da prova em contrário fica para quem negar tal afirmativa.

4) Como você analisa Atos 15:1-32 sob a ótica adventista?

     Que tal, sob a ótica bíblica? Esta passagem é importantíssima para os adventistas e demonstra claramente a veracidade de que os cristãos primitivos NÃO tinham qualquer problema com o sábado, pois isso não foi agitado entre os judaizantes. Por quê?   Ora, os pontos em que havia dúvidas e que requereram instrução especial estão definidos no vs. 20 e O SÁBADO NÃO ESTÁ INCLUÍDO! Era porque não havia dúvidas sobre a questão do sábado, um mandamento muito importante para os judeus. Todos os observavam tranqüila e unanimemente.
     Lembre-se que os crentes de Jerusalém eram de formação judaica, "zelosos pela lei", e se houvesse a mínima intenção de alterar um mandamento tão importante quanto o sábado, isso causaria grandes debates (ver Atos 21:20).
     Sobre isso há um importante documento que o Dr. Bacchiocchi descobriu no Vaticano que demonstra que quando os cristãos de Jerusalém fugiram para Pella, no norte da Judéia, onde eram conhecidos como "nazarenos", guardavam ainda o sábado até meados do 4o. século. Um historiador chamado Epifânio dá testemunho disso. Veja anexo um estudo onde Bacchiocchi conta de sua emoção quando deparou com tal documento.

Agora, permita-me uma pergunta: Como entender o fato de que Lucas, 30 anos após o episódio, registrou que as santas mulheres seguidoras de Cristo guardaram o sábado "segundo o mandamento" (Luc. 23:56)? Veja bem, para Lucas, três décadas após a morte de Cristo, o mandamento do sábado ainda era válido, pois ele não diz, "guardaram o sábado segundo a lei antiga", ou algo semelhante. . .  Então, para Lucas não havia dúvida de que elas estavam cumprindo normalmente uma obrigação cristã! Este texto foi um dos que me ajudaram a aceitar a verdade do sábado quando jovem, ligado desde o nascimento à igreja em que meus pais me criaram-a Congregacional. Assim, eu conheço bem os dois lados do debate.

5) A salvação é pela graça e mantida pela observância dos "10 mandamentos" ou obtida através dos dois?

No meu estudo anexo de 10 pontos eu mostro que a obediência aos mandamentos se enquadra no campo da "santificação", não no da "justificação". Há muita ignorância no meio cristão sobre a diferenciação entre "justificação" e "santificação", o que leva muitos a terem um entendimento teológico mais católico do que protestante sobre este aspecto.
 

Ficaria sinceramente grato se recebesse suas respostas, sabendo, contudo, que você não se obriga a tal.

Não tem do que. Aqui estamos a suas ordens. Damos acolhida com satisfação a quantos nos dirigirem indagações bem educadas e sem expressar preconceito e condenação prévia, como infelizmente às vezes defrontamos. Muito obrigado pelo modo cortês como se dirigiu a nós.
 

Sinceramente em Cristo

G M. N.
Teresina-PI
 

Abraços

Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura



Subj: Resposta da resposta sobre sábado
Date: 16/8/2002 11:10:05 Central Daylight Time
From: Azeniltogb
To: contato2001@

Caro irmão

        Mui grato também pela prontidão da resposta. Mas ao dizer que eu não citei versículo nenhum, noto que se esqueceu que eu apresento 2 Cor. 7:19 que diz que há questões que não importam mais ao cristão quanto ao cerimonialismo judaico e "o que importa é guardar os mandamentos de Deus", como Paulo completa o pensamento. O irmão não falou nada dessa parte. Então, que mandamentos de Deus são esses que importa guardar? Também Paulo fala da lei de modo contrastante, em parte sendo crítico da mesma, noutras parte exaltando-a. Para Paulo há aspectos dispensáveis e aspectos indispensáveis nessa lei. Por quê? Explicamos isso em nosso estudo de 10 pontos que lhe mandei.

        Também faz uma longa definição de pecado, muito boa e correta, porém não cita exatamente os termos bíblicos: "Pecado é transgressão da lei" (1 João 3:4).  A palavra "iniqüidade" procede do grego antinomian e significa exatamente isso: ir contra o que está na lei. Daí, quando Jesus diz que no final nem todo o que o chama de "Senhor, Senhor", ou mesmo declarem ter "certeza da salvação" irão se perder. Por quê? Disse Jesus: "Apartai-vos de Mim, vós os que praticais o que é contra a lei!"  Mat. 7:23. O sentido desta parte final do texto é o mesmo de 1 João 3:4.

        Assim, vejo que evitou tratar objetivamente dessa questão preferindo valer-se de argumentos para provar que a lei divina significa tudo a mesma coisa, sendo do mesmo pacote.

        Agora, ao defender este posicionamento, o irmão não percebe que vai de encontro ao pensamento de grandes eruditos batistas tradicionais e dos próprio credos confessionais batistas. Cito-lhe alguns exemplos:

        Igreja Batista: "Cremos que a Lei de Deus é a eterna e imutável regra de seu governo moral; que é santa, justa e boa; e que a incapacidade que as Escrituras atribuem ao homem caído para cumprir seus preceitos deriva inteiramente de seu amor pelo pecado;  sendo um dos grandes objetivos do Evangelho e dos meios de graça ligados ao estabelecimento da igreja visível livrá-lo e restaurá-lo mediante um Mediador à genuína obediência à santa Lei, "- Artigo 12 da "Confissão de New Hampshire".

        "Todos nós temos a obrigação de cumprir a lei moral. . . . que é a que nos prescreve as obrigações para com Deus e o próximo.  . . . A lei se acha expressa com maior minuciosidade nos dez mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai". - Catecismo da Doutrina Batista, do Pastor W. D. T. MacDonald, págs. 28 e 29.

    Veja o que o grande pregador batista Moody declarou:

        "Jamais encontrei um homem honesto que achasse falta nos Dez Mandamentos. A lei dada no Sinai nada perdeu de sua solenidade. . . . O povo precisa ser levado a compreender que os Dez Mandamentos estão ainda em vigor, e que há uma penalidade ligada  a  cada  violação. . . . O sermão do monte não cancelou os Dez Mandamentos. - Weighed and Wanting, págs. 11 e 16.
 

        Façamos o seguinte. O irmão recebeu o estudo em 10 pontos onde eu analiso toda esta questão de lei e concerto. Se desejar aprofundar estudo nessa área, valha-se desse estudo, ponto por ponto, organizadamente, que é melhor do que "atirar no ar" com questões aqui e acolá. Vejo que não respondeu a todas as minhas perguntas. Assim, não é justo. Algumas pessoas fazem exatamente isso--me apresentam perguntas e mais perguntas, mas não parecem dispostas a responder às perguntas que eu lhes dirijo.

        Eu fui nascido e criado na Igreja Congregacional e tornei-me adventista quando jovem. Assim, compreendo sua posição de alguém que "mudou" de  igreja por ter julgado encontrar algo mais legitimamente bíblico. É o meu caso também. Mas assim eu conheço bem os dois lados da questão.

Aqui ponho-me a seu inteiro dispor.

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