NOSSA RÉPLICA AO ARRAZOADO DO VICE-DIRETOR DO CACP SOBRE AS

“10 PRINCIPAIS RAZÕES QUE DESAUTORIZAM A OBSERVÂNCIA DOMINICAL”
Prof. Azenilto G. Brito

Esclarecimento Inicial
       Ao participarmos do Fórum I-Jesus, onde foi estabelecido um tópico “fixo” especialmente sobre o 4o. mandamento, com o subtítulo, “Uma Proposta de Debate Sério” (o que reflete uma boa intenção do moderador proponente, embora nem sempre assim haja ocorrido), demos com um texto que um participante católico postou, de autoria do Sr. Paulo Cristiano da Silva, ligado ao ministério “anti-seitas” chamado CACP [Centro Apologético Cristão de Pesquisas], onde tenta responder a cada um dos dez tópicos do material que lhe apresentamos há algum tempo, “10 Principais Razões Que Desautorizam a Observância Dominical” [ver:  http://www.ministeriosolascriptura.com./dezdominical.html].

       Um esclarecimento inicial se faz necessário diante de declarações injustas e malévolas do referido cavalheiro: não sabíamos em absoluto que ele havia apresentado tais respostas porque ELE NUNCA SE DEU AO TRABALHO DE DAR-NOS QUALQUER SATISFAÇÃO A RESPEITO. Como poderíamos saber que tinha dado tais respostas se isso nunca nos foi comunicado?

       Seja como for, o seu material de réplica é longo e repetitivo, mas pelo menos parece destituído das frases latinas com que costumava “enfeitar” alguns de seus arrazoados, aparentemente para passar uma imagem de grande cultura, que não parecia confirmar-se no material redigido. Só que num de seus textos, de debate por ele próprio provocado, ao discutirmos num despretensioso pequeno artigo a incrível “santificação” da segunda-feira pelos evangélicos que mantêm seus cultos principais no domingo à noite (depois do pôr do sol, portanto no dia seguinte ao domingo, pelos critérios bíblicos sobre o início e fim do dia), esse apologista tece um longo comentário exagerando nessas frases latinas, mas cometendo erros crassos de língua portuguesa. Ou seja, ele parece ter caprichado tanto no latim que se esqueceu de aprimorar o domínio do seu idioma nativo. Só que terminamos descobrindo erros no seu uso do latim também!

       Então, ele vem aqui com conversas de sermos “arrogante” em nosso texto, quando a arrogância maior é evidente da parte dele em certas expressões provocativas de que se vale, tentando não só denegrir a nossa imagem, como a do grande erudito, reconhecido internacional e confessionalmente, Dr. Samuele Bacchiocchi, cujo nome ele grafa errado o tempo todo.
       Seria também interessante saber que já tivemos com esse cidadão um debate sobre o tema da lei e do sábado no qual ele encerra seus arrazoados indicando-nos algumas perguntas, às quais respondemos plenamente, e como “retribuição” apresentamos-lhe a matéria indicada que agora sabemos ter merecido dele tal consideração. E eis os links que conduzem aos debates, com nossas ponderações, que ele publicou no seu site sem JAMAIS apresentar a nossa parte, só a dele:

http://www.ministeriosolascriptura.com./Pergunta-I-X.html

http://www.ministeriosolascriptura.com./2-cacp-2.html
 

A Verdade Sobre as Confissões de Fé Denominacionais
        Também é importante lembrar que ele, que pretende falar em nome dos evangélicos, tem uma postura semi-antinomista/dispensacionalista, no que CONTRADIZ o que os cristãos batistas, luteranos, metodistas, presbiterianos, congregacionais, anglicanos SEMPRE ensinaram quanto à validade e vigência do Decálogo TODO como norma de conduta cristã, e sempre entenderam a “divisão das leis” tal como os adventistas.        Ao lhe mencionarmos esse aspecto, no debate acima indicado, ele saiu-se com a explicação de que o que consta desses supostamente superados documentos confessionais cristãos “são frutos do pensamento dos reformadores que foram de certo modo produto do seu meio e de sua época, moldados pelas experiências de vida de cada um”, e até chega a falar em “nova linguagem teológica” que prevaleceria agora na Cristandade protestante, superando a antiga linguagem de suas Confissões de Fé históricas.

       Isso chega a ser chocante para quem devia saber melhor essas coisas, como instrutor religioso e líder de um ministério de esclarecimento cristão, pois a verdade é que a “nova linguagem teológica” de que se tem conhecimento é a da “inclusão”, não algo que supere o que os crentes protestantes (e mesmo católicos) SEMPRE ensinaram sobre a lei divina. Essa linguagem de “inclusão” significa que lésbicas e homossexuais deviam ser “incluídos” na comunhão evangélica, com direitos iguais a todos, inclusive o de pertencer ao ministério!

       Portanto, essa alegação simplesmente NÃO É VERDADEIRA porque a Confissão de Fé de Westminster, os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra, o Pequeno Catecismo de Lutero e até uma recentíssima “Declaração Doutrinária” dos batistas, no seu website da Convenção Batista Brasileira claramente indicam que AINDA TËM POR VÁLIDOS E VIGENTES todos os mandamentos do Decálogo, com a única diferença de adotarem o domingo no lugar do sábado, valendo pelo 4o. mandamento www.batistas.org.br—“Declaração Doutrinária”). Ademais, muitas dessas confissões de fé foram publicadas muito tempo DEPOIS da época dos Reformadores.

       Isso faz lembrar o episódio de um aliado de seu ministério, Sr. Natanael Rinaldi, que proclamava aos quatro ventos que o entendimento de “divisão” das leis era um “artifício” inventado pelos adventistas para justificar suas doutrinas. Só que basta consultar as referidas Confissões de Fé para perceber que HÁ SÉCULOS os seus redatores haviam tratado disso nos mesmos termos que os adventistas. E quando um jovenzinho, que nem é adventista, discutiu a questão no grupo “Seitas e Heresias”, mostrando essa realidade histórica e refutando a alegação do “teólogo” Rinaldi (um homem que nem tem formação em Teologia, embora busque passar a imagem de grande entendido na matéria) este reagiu violentamente chamando o jovem, então com apenas 16 anos, de “infante metido a sabichão” e outras expressões humilhantes do tipo.

       Mas o Presbítero Paulo Cristiano da Silva, que chamaremos para facilitar Presb. Silva, na verdade representa uma classe de “apologistas evangélicos” bastante rara em nossos dias, como detalharemos mais adiante. Ele adota a cosmovisão que chamamos de semi-antinomista/dispensacionalista por refletir melhor as concepções de certos intérpretes da Bíblia, surgidos pelo final do século XIX e início do século XX, com idéias estranhas à tradição protestante. Sim, porque, como já dissemos, há séculos os crentes batistas, metodistas, presbiterianos, congregacionais, luteranos, anglicanos ensinam basicamente O MESMO que os adventistas do sétimo dia a respeito da validade e vigência do Decálogo, a “divisão” das leis (como “moral”, “cerimonial”, “civil”, etc.), inclusive considerando o 4o. mandamento do Decálogo, que trata do “Dia do Senhor”, como devendo ser observado fielmente, sem atividades recreativas ou seculares no sétimo dia, princípio este derivado do Éden. A única diferença é que entendem que o domingo tomou o lugar do sábado do Decálogo, tendo, porém, o mesmo teor e regras que a ele se aplicavam.
       Ao contrário disso, os dispensacionalistas passaram a difundir a teoria de haver certas divisões estanques ao longo da história sagrada, ou “dispensações”, sendo de nosso particular interesse as supostas “dispensação da graça”, que teria supostamente suplantado a obsoleta “dispensação da lei”.

Dilemas do Semi-Antinomismo Dispensacionalista


        O fato é que os que adotam tal corrente interpretativa revelam grande dificuldade em responder à pergunta simples: “Como se salvavam os pecadores ao tempo do Antigo Testamento?” Ao apresentar tal pergunta em grupos de discussão ou entre nossos “clientes” internéticos de Igrejas evangélicas, encontramos os que responderam candidamente “Salvavam-se pela lei; agora somos salvos pela graça”.

        Vejam o absurdo do raciocínio! Quem jamais pôde reunir méritos próprios para obsevar a lei do Senhor que “é perfeita” (Sal. 19:7) para daí chegar a ter direito de reivindicar junto a Deus um lugar no céu? Contudo, admitir então que eram salvos pela graça constitui um dilema, pois isso destrói a lógica dispensacionalista de que a “dispensação da graça” prevalece só de Cristo para cá. Como resolver?

        Foi interessante e altamente informativo tratar disso com certo colaborador do Sr. Natanael Rinaldi, aliado do pessoal do CACP e um dos principais corifeus da cosmovisão dispensacionalista entre evangélicos brasileiros. Ao alcançarmos esse ponto, e percebendo a clara dificuldade de solução do dilema, esse participante do grupo mencionado inicialmente não respondeu a pergunta a despeito de nossa insistência em obter uma resposta.

        Após repetidas tentativas por obter resposta, ele finalmente declarou que aqueles pecadores do Velho Testamento não tinham ainda sido julgados. Logicamente isso gerou nova indagação—“E quando forem julgados, por que critério o serão?”
        Ele não respondeu.

        Perguntamos uma vez mais. Nenhuma resposta.

        Nova pergunta nos mesmos termos pouco tempo depois. Nada de resposta ainda.

      E em outra oportunidade inquirimos—“Como serão julgados então, tais pecadores quando o forem? Por que critérios?” Silêncio total a respeito.
     Após novo intervalo de tempo, mais uma vez expressamos interesse em esclarecer tal ponto. Daí finalmente ele resolveu dar alguma satisfação, e eis como finalmente respondeu: telefonou para um amigo que trabalha no Depto. de Imigração do governo dos EUA, em Fort Lauderdale, Fla., para investigar se estaríamos ilegalmente no país. E o tal indivíduo, que gosta de usar o título de “reverendo”, gabava-se aos outros participantes do grupo que se descobrisse que nossa condição era ilegal, iria empenhar-se para que sofrêssemos a deportação! Essa foi a sua resposta, sem exageros!
       Parece que o tema é realmente explosivo para esse pessoal. Mas eis como o Pr. Arnaldo Christiani aborda competentemente o “dilema” dispensacionalista em seu livro Subtilezas do Erro, que nem é uma obra erudita e profunda, mas uma reunião de série de artigos apologéticos do autor, que até o Presb. Da Silva conhece bem, pois o cita várias vezes:

       O autor do livro [O Sabatismo à Luz da Palavra de Deus, do batista Ricardo Pitrowski, que Christianini refuta inapelavelmente em sua obra] . . . defende o dispensacionalismo e crê que, depois de Cristo a graça suplantou a lei, substituiu-a, anulou-a, destruiu-a. Afirma que, com a morte de Cristo, findou-se a jurisdição da lei, iniciando-se a da graça. . . . Se isso fosse verdade, gostaríamos de perguntar como se arrumaram os pecadores dos tempos do Velho Testamento? Como se teriam salvo? Este ponto não pode ser passado por alto porquanto as Escrituras ensinam clarissimamente que a salvação é obtida unicamente pela graça. E se a graça não existia antes da cruz, segue-se que os pecadores que viveram no tempo patriarcal e posterior não se salvaram. Viveram antes da graça, para sua perdição. Ou—se como querem alguns—os pecadores do Velho Testamento se teriam salvo pelas obras da lei, forçoso é convir que o Céu estará dividido em dois grupos: um grupo a proclamar altissonantemente ter-se salvo pelos seus méritos e esforços, por terem guardado a lei (e isto seria um insulto a Jesus, um ultraje ao Seu sacrifício e ao Seu sangue), ao passo que o povo que viveu depois da cruz lá estaria a proclamar humildemente os louvores de Cristo, que lhes deu a vida eterna. . . . Seria concebível?

       Não, não há na Bíblia tal coisa: uma jurisdição da lei e outra da graça, separadas pela cruz. Isto é danosa invencionice humana, ofensa ao plano de Deus. . . . Diz a Bíblia que a graça vem de “tempos eternos” (Rom. 16:25), que o “Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo” (Apoc. 13:8), e que “a graça nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” (II Tim. 1:9). Portanto, os pecadores sob o Velho Testamento também se salvaram pela graça. . . .

       Abraão foi salvo pela graça, Gál. 3:8; Rom. 4:3. Davi não se salvou pelos próprios méritos, mas pela fé em Cristo. Rom. 4:6. A graça está estendida a TODOS os homens. Tito 2:11; Rom. 5:18. Estava planejada antes mesmo da queda e começou a vigorar desde Gên. 3:15. . .— Subtilezas do Erro, 1a. edição, págs. 84 e 85.

Entusiasmo Um Tanto Inédito Pelo Domingo
       Essa nova teologia semi-antinomista/dispensacionalista terminou deixando certa ambigüidade entre os evangélicos quanto à questão da validade e vigência do Decálogo como expressão da lei moral de Deus. Todavia, em termos práticos isso só afeta o detalhe do dia de repouso, que se tornou algo superado, não obrigatório, prevalecendo uma noção de dianenhumismo/diaqualquerismo em que o domingo é vagamente ressaltado, tido mais como o dia de ir às principais reuniões da Igreja do que como “dia do Senhor”, memorial da Ressurreição.

       Assim, o domingo se transformou numa “norma cristã” mais “user friendly”,  não ocorrendo regras quanto à forma de sua observância ou limites do que realizar ou não em tal dia, diferentemente do que consta das já mencionadas Confissões de Fé no que estabelece quanto ao “dia do Senhor”.
       Seja como for, o Presb. Silva revela um inusitado entusiasmo pela guarda do domingo que realmente não se percebe entre outros líderes religiosos de sua corrente interpretativa. Ele faz pouco caso do Decálogo como norma de conduta cristã, como SEMPRE foi entendido pela Cristandade protestante (e católica), duvidando da validade da “divisão das leis” como diferenciando-se em “moral”, “cerimonial”, “civil”, etc., assim identificando-se inteiramente com os seguidores do semi-antinomismo/dispensacionalismo. Mas esse seu entusiasmo e advocacia do domingo é, de fato, algo muito especial.

    Em contraste com suas opiniões tão favoráveis à observância do domingo, como tendo fundamento entre os apóstolos, eis o que um seu irmão na fé, da mesma denominação, expõe numa lição da Escola Dominical, como encontramos num site da Igreja Assembléia de Deus:

Observações Importantes segundo meu entendimento (Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva):

Sobre dia de descanso: Nós os cristãos verdadeiros não temos um dia especial de descanso ou de separação para DEUS, pois todos os dias e todo o momento estamos em comunhão com DEUS através do ESPÍRITO SANTO que habita em nós (1 Co 3.16). Não guardamos nem o sábado (judaico) e nem o domingo (católico romano). Apenas aproveitamos o domingo para estudarmos mais a palavra de DEUS e trabalharmos para DEUS porque neste dia é costume brasileiro não trabalharmos e as empresas estão fechadas para descanso geral de seus funcionários, previsto em leis vigentes no país.— LIÇÃO 2 – A ÉTICA CRISTÃ E OS DEZ MANDAMENTOS -- 14/07/2002.

       Este raciocínio é falho em vários aspectos, mas é interessante que o autor de tais reflexões não revela o mesmo entusiasmo que o Presb. Silva abriga quanto ao domingo, e embora pretenda pertencer à classe dos “cristãos verdadeiros”, julga ser o domingo um dia de origem católica! E ele até que não está errado, só que deixa de ir um pouco mais a fundo na história para perceber que é, antes disso, de origem pagã, que via-catolicismo introduziu-se na doutrina cristã tal como muitos outros elementos do paganismo, em cumprimento de Atos 20:29, 30 e 2a. Pedro 2:1-3.
       Também alegar que não guarda o sábado por ser “judaico” chega a ser infantil. Nessa base não deveria igualmente respeitar os princípios de “não matarás”, “não furtarás”, “honra a teu pai e a tua mãe”, todos eles do mesmo código “judaico”! E se esquece que as tais “leis vigentes no país” que justificaria o seu respeito, ao menos parcial, pelo domingo, estabelecem tal dia como de descanso geral DADA A TRADIÇÃO CATÓLICA DO PAÍS! Com isso vemos como  esse outro Sr. Silva cai em contradição.

       E o Presb. Silva, outra vez, não parece representar muitos evangélicos que não devotam tanto zelo pela instituição dominical. Temos interagido interneticamente com muitos evangélicos, das mais diferentes Igrejas, inclusive da própria denominação dele, e não percebemos essa mesma preocupação com o domingo. Pelo contrário, já os encontramos até debatendo com alguns que ainda aceitam a tradição dominical clássica, expressa nas tais Confissões de Fé (como a de Westminster), que negam haver na Bíblia provas que indiquem ter o domingo se transformado realmente num dia oficial de observância em substituição do sábado. Esses preferem o bem mais cômodo dianenhumismo/diaqualquerismo, promovido pelo semi-antinomismo dispensacionalista.

Não ocorre o propalado silêncio


       Entrando agora nos méritos de sua defesa do domingo um tanto quanto solitária, ele alega que somos contraditórios ao recorrermos ao “argumento do silêncio” quanto ao sábado entre a Criação e o Sinai, valendo então isso para o evidente silêncio quanto à  adoção do domingo pelos cristãos primitivos.

        O fato, porém, é que não existe silêncio sobre o sábado ser válido e vigente, junto com os demais preceitos da lei divina para o homem, no período indicado. O mesmo autor de Êxodo, Moisés, que tão vividamente retrata a Deus entregando Sua lei ao povo, fazendo questão de SEPARAR os Dez Mandamentos das demais regras, pois somente tais é que pronunciou solenemente aos ouvidos do povo, “e nada acrescentou” (Deu. 5:22), relata a semana da criação notificando que Deus, “descansou, abençoou e SANTIFICOU” aquele primeiro sétimo dia.

        O Presb. Silva deve saber o sentido de “santificar”, que é separar algo para uso dedicado a Deus. Pois bem, Deus já é inteiramente santo e não precisa santificar nada para Si. Então, para quem separou o sétimo dia? Moisés inspiradamente mostra na transcrição da lei do sábado a conexão clara e indiscutível entre o mandamento e a criação: “. . . porque em seis dias fez o Senhor o céu e a Terra, o mar e tudo quanto neles há, e ao sétimo dia descansou: POR ISSO  o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santificou” (Êxo. 20:11).

        As expressões, “porque” e “por isso”, são muito significativas pois temos aí dada A RAZÃO EXATA por que o sétimo dia foi “separado” como memorial da Criação. E seria realmente estranho que só a partir de milênios após o fato é que Deus resolvesse estabelecer tal memorial. . .
Entrando agora nos méritos de sua defesa do domingo um tanto quanto solitária, ele alega que somos contraditórios ao recorrermos ao “argumento do silêncio” quanto ao sábado entre a Criação e o Sinai, valendo então isso para o evidente silêncio quanto à  adoção do domingo pelos cristãos primitivos.

        Mas temos ainda as palavras de Cristo de que “o sábado foi feito por causa do homem” (Mar. 2:27), um texto que notamos representar tremenda dificuldade  para os anti-sabatistas. Simplesmente não sabem o que fazer com tais dizeres do Salvador.

       O Presb. Silva ilustra o problema justamente no debate referido que já tivemos, tentando argumentar com uma ginástica eisegética e exegética tremenda para convencer-nos de que Jesus apenas tratava do “homem judaico”! Seu argumento é de que os judeus seriam ciumentos quanto ao sábado, como instituição inteiramente judaica, e não aceitariam que outros “homens” o acatassem, o que não faz o mínimo sentido à luz de Isaías 56:2-8, outra passagem biblica que se os anti-sabatistas pudessem arrancavam da Bíblia, pois destrói a sua premissa básica de que o sábado foi intencionado só e unicamente para o povo de Israel. A passagem em lide fala que os estrangeiros são convidados a se unirem no concerto de Israel com Deus mediante exatamente a guarda do sábado, e o vs. 8 complementa que isso teria por objetivo final, segundo as palavras divinas, que “a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”.

       Alguns tentam citar a segunda parte do verso, “e não o homem por causa do sábado”, querendo com isso anular o que Ele disse na primeira. Mas tal afirmativa de Cristo vem é reforçar a Sua intenção de CORRIGIR os erros dos judeus na observância do sábado, e não desqualificar o princípio, mesmo por que isso seria uma contradição do Mestre.

       Ademais, se seguirmos o raciocíonio de que Cristo pensava em termos do "homem judaico", analisando o texto na sua inteireza encontramos mais uma enorme dificuldade para os que assim o interpretam, pois não faria sentido ter a segunda parte do verso dizer, ". . . e não o homem judaico [feito] por causa do sábado". Deus criou o "homem", e o fato de mais tarde ter-se tornado judaico, babilônio, egípcio, fenício é outra história. . .
       Agora, deveras não aparece qualquer menção à observância do sábado antes do Sinai, não é mesmo? Como também não ocorre nenhuma menção a mandamentos tais como “não furtarás”, “não dirás o nome do Senhor teu Deus em vão”, “não farás para ti imagens de escultura”. . . E daí? Significa que tais princípios não eram claros à mente dos patriarcas e os poderiam violar livremente?
       Eis como um competente estudioso bíblico evangélico, do famoso Instituto Moody, discorre a respeito:

       Não deveríamos supor que os Dez Mandamentos eram disposições inteiramente novas quando foram proclamados no Sinai, pois a palavra hebraica torah é empregada em tais passagens anteriores do Velho Testamento como Gênesis 26:5; Êxodo 12:49; Gênesis 35:2  13:9; 16:4, 28; 18:16, 20. [Gênesis 4:26; 14:22; 31:53 são citados para o princípio do terceiro; Gênesis 2:3 e Êxodo 16:22-30 para o quarto; Gênesis 9:6, para o sexto; e Gênesis 2:25 para o sétimo]. O decálogo pode, destarte, ser considerado a plena e solene declaração dos deveres que haviam sido mais ou menos revelados previamente, e essa enunciação pública teve lugar sob circunstâncias absolutamente singulares. É-nos dito que ‘as dez palavras’ foram pronunciadas pela própria voz de Deus (Êxo. 20:1; Deut. 5:4, 22-26); e duas vezes após escritas sobre tábuas de pedra com o dedo de Deus’ (Êxo. 2:12; 31:18; 32:16; 34:1, 28; Deut. 4:13; 5:22; 9:10; 10:1-4), assim apelando igualmente aos ouvidos, aos olhos, e realçando tanto sua suprema importância e permanente obrigação. — William C. Procter, Moody Bible Institute Monthly, outubro de 1933.
       E não há tão evidente silêncio também quanto ao fato de os cristãos nunca terem abandonado o sábado por outra instituição que fosse. Apenas enumeraremos alguns dados sobre isso, como consta de nosso artigo “10 Dilemas dos Que Negam a Validade dos 10 Mandamentos Como Norma Cristã”:
       Seja como for, se esses “apologistas cristãos” se sentem no direito de fazer “referências indiretas” a  mandamentos do Decálogo, nada mais justo do que mostrar referências mais do que indiretas do 4º. mandamento no Novo Testamento:

 * O testemunho de Lucas 30 anos após a crucifixão, de que as santas mulheres seguidoras de Cristo “no sábado descansaram, segundo o mandamento” (Luc. 23:56). Após três décadas, para Lucas a guarda do sábado do sétimo dia era “segundo o mandamento”. Ele nada diz de que fosse mandamento de alguma “lei antiga”, “abolida”, ou coisa tal. Nem sabiam coisa alguma de qualquer intenção de Cristo ao longo de Seu ministério de desqualificar o sábado em qualquer medida.

* A declaração do autor de Hebreus (cap. 4, vs. 9) de que resta um descanso sabático para o povo de Deus (no grego, sabbatismós, em contraste com todas as demais referências a “descanso” no capítulo, para as quais usa o termo katapausín-vs. 3, 4, 5, 8). Esta diferenciação de termos é muito significativa. Sem falar no fato de que o autor bíblico, escrevendo a cristãos hebreus, não ilustra o descanso espiritual que o povo de Deus deixou de obter, ou poderia ainda obter, com o descanso dominical (pelo ano 64 a 70 AD). Se o domingo já fosse uma instituição cristã, o dia de descanso da Igreja, sem dúvida ele faria sua ilustração mencionando o domingo. Contudo, ignora inteiramente este dia, e vale-se do sábado do sétimo dia para ilustrar o seu ponto.

* A preocupação expressa por Cristo sobre os cristãos de Jerusalém que deveriam orar para que a fuga deles, quando da invasão de sua terra (Jerusalém e Judéia) em 70 AD pelas tropas romanas não tivesse que se dar “no inverno, nem no sábado” (Mat. 24:20). Cristo sabia da inconveniência e perigo se os inimigos cercassem a cidade no dia em que estavam na igreja ou dedicados à adoração particular a Deus, alheios ao que se passava fora. . .

* Jesus também recomendou: “fazei e guardai tudo quanto eles [os líderes religiosos dos judeus, seus contemporâneos] vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mat. 23:2).  Uma das coisas que eles diziam era que observassem o sábado (Lucas 13:14). Deviam, pois, ouvi-los no que estavam certos e “fazer”, mas não agir do modo errado como eles agiam para com o mandamento do sábado e todos os outros.

* Paulo passou um ano e meio discutindo com os judeus em Corinto, e ao longo de todo esse tempo NUNCA se lembrou de dizer a eles que deviam passar a se reunir no domingo, mesmo quando os judeus abandonaram o local e ele ficou somente com os gentios  (Atos 18:1-4 e 11). Em  Filipos, onde não havia sinagoga, os apóstolos e Paulo escolheram um lugar tranqüilo para passarem um sábado: Atos 16: 12, 13.

* Os cristãos de origem judaica, eram zelosos na observância da lei (At. 21:20) e não seriam promotores do abandono de um dos principais preceitos da lei—o 4º. mandamento. Documentação histórica posterior corrobora esta conclusão. O historiador palestino Epifânio viveu ao redor de 350 AD e narra a história da igreja de Jerusalém. Ele conta de como deixaram a cidade antes da sua destruição em 70 AD, foram para o norte, a um lugar chamado Pela, fixaram-se no lugar, onde passaram a ser conhecidos como “nazarenos”. Epifânio declara que esses nazarenos, ou seja, os diretos descendentes da igreja-mãe de Jerusalém, viveram ali no seu próprio tempo e, diz ele, diferiam do resto dos cristãos por insistirem até aquele tempo na observância do sábado do sétimo dia!

* No Concílio de Jerusalém, dentre as coisas que não se requeria dos gentios nenhuma regra contra o sábado é determinada (Atos 15:20), prova de que não foi objeto de debate naquela igreja—todos o observavam sem problemas. Paulo declara quando sob julgamento: “Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo. . .” Caso ele tivesse desrespeitado o preceito do sábado não teria condições de fazer tal alegação pois seria imediatamente acusado de ser um violador do sábado, um princípio muito arraigado na religião e cultura dos judeus.
 

Malabarismos Incríveis Para a Fracassada Defesa do Domingo


        A questão do “silêncio” de informações bíblicas diretas sobre certo ponto não se aplicaria também à provável mudança do dia de observância do sábado para o domingo? Não ocorre também ausência de referência à guarda do sábado pelos cristãos primitivos? Sobre este último ponto a parte final do tópico anterior mostra que tal objeção não tem qualquer força, sobretudo quando em Hebreus 8:6-10 não há a mínima informação de que na passagem do Velho para o Novo Concerto, ao Deus escrever o que é chamado de “Minhas leis” nos corações e mentes dos que aceitam os termos desse Novo Concerto, Ele deixa de fora o 4o. mandamento de Sua lei, ou troca a santidade do dia do sábado para o domingo (ou deixa o princípio do dia de repouso como algo vago, voluntário e variável, podendo ser cumprido segundo a conveniência do crente ou de seu empregador).
        Agora, se houve os tremendos malabarismos do Presb. Silva tentando “provar” que o sábado foi feito só por causa do homem judaico, mais espetacular é a sua proeza de tentar defender o domingo como tendo sido adotado pela Igreja dos tempos apostólicos, verdadeira caminhada na corda bamba. E nem com “rede de proteção” ele conta, pois não há respaldo comunitário, já que a maioria esmagadora dos seus irmãos evangélicos simplemente o abandona, deixando-o entregue à própria sorte nessa tarefa um tanto inusitada de advogar tão entusiasticamente a causa do antigo feriado solar do paganismo romano, o dies solis tranformado em domingo pela tradição católica.

       A diferença de situação é imensa (no que se refere ao silêncio do registro bíblico quanto ao sábado entre Criação e Sinai), e os argumentos dele sobre a importância da Ressurreição (o que ninguém está negando) não oferecem nenhum real suporte para sua causa pró-dominical.

Por exemplo, ele tenta explorar o que dissemos sobre o dia da morte de Cristo ter igual importância para o cristão, merecendo um “memorial”, com a alegação que sem a Ressurreição essa morte de nada valeria. É verdade, só que o mesmo se aplica à Ascensão. De que adiantaria Cristo ter ressuscitado se ficasse sobre a Terra perpetuamente? O processo da salvação não se complementaria! E se ascendesse ao céu, mas não Se empenhasse na obra de intercessão dos pecadores? E se intercedesse, mas não retornasse para complementar a Obra redentora levando os remidos para ocupar as moradas que lhes foi preparar? Como vêem, esse tipo de raciocínio é inteiramente ineficaz para a intenção petendida.

       Logo, não há como justificar a mudança na lei divina por causa do evento da Ressurreição, e o silêncio bíblico a respeito é simplesmente colossal. Já quanto ao sábado antes do Sinai temos Gênesis 2:2, 3 (o ato de “santificar” divino), a claríssima ligação do 4o. mandamento com o sábado da semana da criação (Êxo. 20:11), a declaração específica de que Abraão obedeceu mandamentos, leis, estatutos, normas (Gên. 26:5), a declaração de Jesus de que “o sábado foi feito por causa do homem”, o que NÃO PODE deixar de incluir Adão (e o ônus da prova fica com quem o queira excluir) além de um dado extrabíblico, mas também relevante: as históricas confissões de fé da cristandade católica e protestante sempre mostrando o princípio do sábado como originário do Éden, sendo, portanto, o consenso do pensamento dos cristãos conservadores até nossos dias.
       Mas, e o domingo? As “provas” que o Presb. Silva apresenta não superam o “silêncio” neotestamentário a respeito da adoção pelos crentes primitivos desse novo princípio de adoração a Deus?

       Vejamos o material abaixo que também temos divulgado e ele possivelmente já conhece, mas não consegue refutar (acrescentamos alguns novos pensamentos ao material já conhecido, indicados ou não):

Novo Concerto = Novo Dia de Observância?


        Também se ensina equivocadamente que na dispensação cristã, além de não mais serem os cristãos regidos pela “lei de Deus”, mas pela supostamente diversa “lei de Cristo”, há um novo conceito de observância do dia de repouso com a adoção de um novo “dia do Senhor”. Contudo, os que assim alegam só conseguem oferecer uma pobre argumentação sobre as justificativas bíblicas para observância do domingo, diante das origens pagãs desse dia espúrio e da falta de embasamento bíblico para tal prática.
        Os textos geralmente citados em defesa da observância do domingo (segundo enumeração de material do CACP-Centro Apologético Cristão de Pesquisa) são:

- “Ora, havendo Jesus ressurgido cedo no primeiro dia da semana (no Domingo)” (Mar.16:9).
- No Domingo Jesus apareceu para os seus discípulos (Mar.16:14).
- No Domingo, Ele os encontrou em diferentes lugares e em repetidas vezes (Mar.16:1-11; Mat.28:8-10; Luc.24:34; Mar.16:12-13; João 20:19-23).
- No Domingo Jesus os abençoou (João 20:19).
- No Domingo Jesus repartiu sobre eles o Espírito Santo (João 20:22).
- Ele primeiro comissionou para pregarem o evangelho a todo o mundo (João 20:21 e Mar.16:9-15).
- O Domingo tornou-se o dia de alegria e regozijo para os discípulos (João 20:20).
[Adicionalmente, há o argumento de que o Pentecoste ocorreu num domingo (Atos 2:1ss)].

Vamos analisar rapidamente estas passagens:
 

A Ressurreição no Primeiro Dia da Semana:


        Os evangelhos falam apenas que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana e apareceu aos discípulos que nem sabiam do evento. Estavam “reunidos, com medo dos judeus” (João 20:19) naquele dia, e não celebrando o dia da Ressurreição. Em João 20:26 a cláusula “passados oito dias” poderia muito bem significar um período de exatos oito dias, o que daria uma segunda-feira como o próximo dia do encontro de Cristo com os discípulos. Não obstante, mesmo que tal dia fosse outro domingo, isso nada prova em favor da guarda de tal dia pois nada indica ser esta a razão de o dia ser mencionado, sobretudo quando nenhuma menção se faz de alguma reunião comemorativa da Ressurreição em ligação com tal dia.
        [Vejamos como Sidney Cleveland reforça o dito no parágrafo acima: “. . . a versão NIV (New International Version) emprega o termo geral ‘uma semana mais tarde’ para indicar quando a reunião ocorreu. Contudo, outras versões declaram precisamente que aquilo se deu ‘oito dias depois’. O que muitos observadores do domingo não sabem é que no grego literalmente é dito: ‘depois de oito dias’. Oito dias após o primeiro domingo à noite mencionado em João 20:19 é segunda-feira à noite! Faça o favor, confira em seu calendário—aquela reunião oito dias depois caiu numa segunda-feira à noite!

        “Agora, o fato de os discípulos estarem reunidos novamente no cenáculo—nessa oportunidade numa segunda-feira à noite—permite-nos saber que eles não estavam estabelecendo um precedente por se reunirem ali no domingo anterior. Eles apenas disseram entre si: ‘Vamos nos reunir novamente na segunda-feira à noite!’ Reunir-se numa segunda-feira à noite acaso altera o dia de observância? Evidentemente que não.
        “Os modernos observadores do domingo que lêem cuidadosamente a evidência bíblica terão um tempo difícil com a lógica incoerente reivindicando que uma reunião na noite de domingo tenha alterado o dia de culto de Deus do sábado para o domingo, enquanto uma reunião na segunda-feira à noite não altera o ‘novo’ dia de culto do sábado para a segunda-feira!  A Bíblia é clara de que o sábado nunca mudou; sempre foi o sétimo dia da semana”—De nosso material, “20 Falsas alegações Sobre a Questão Sábado/Domingo”.]
 

Nenhuma ênfase Especial ao Dia do Evento da Ressurreição


        O encontro entre Cristo e Seus apóstolos noutra ocasião ocorreu em dia não identificado, quando estavam pescando (João 21:4-7). E onde é indicado que o “novo” dia de observância entre os crentes primitivos permitiria as atividades profissionais regulares dos apóstolos, que voltavam a suas antigas profissões por falta de maiores informações sobre sua missão, mais tarde esclarecida pelo Cristo?

        Assim, não há da parte dos autores bíblicos nenhuma ênfase especial quanto aos dias em que Cristo aparecia, nem padrão de que tais aparecimentos ocorressem sempre no domingo por tal dia ter sido memorializado ou posto à parte como dia santificado. Aliás, a própria linguagem referente ao dia mostra o tratamento comum de mía twn sabbatwn, o primeiro em relação ao sábado, como se consideravam os dias de semana, ou “primeiro dia da semana”, como se traduz em português. Isso revela que era um mero DIA COMUM, na consideração, coincidentemente, de TODOS os autores dos evangelhos e dos Atos dos Apóstolos e epístola aos coríntios. Isso complica tremendamente a causa dos defensores do domingo, pois os autores bíblicos estão tratando do dia não só segundo a contagem judaica (não a romana) e não lhe aplicando qualquer título especial, a despeito de escreverem após pelo menos três décadas do evento da Ressurreição.

        É bastante significativo que Lucas, 30 anos depois, relata que as mulheres que preparavam especiarias para o corpo de Cristo “no sábado descansaram, SEGUNDO O MANDAMENTO” (Luc. 23:56). Nada é dito de ser “o velho mandamento”, “o sábado da lei ultrapassada” ou coisa que o valha. Assim, para Lucas, três décadas depois da Ressurreição, o sábado do sétimo dia era o dia a ser observado “segundo o mandamento”, não o dia ao qual simplesmente chama “primeiro dia da semana”. E ele diz isso sobre as mulheres no que se refere à guarda por parte delas do sábado semanal, não qualquer outro evento festivo, como fica claro pela mera leitura do texto.

        Também é significativo que em Apo. 1:10, João se refere ao “dia do Senhor” que observou. Há quem diga tratar-se do domingo, segundo o Sr. Rinaldi argumenta, recorrendo insistente e “ecumenicamente” a traduções católicas da Bíblia. Todavia, ao escrever o seu evangelho, na mesma época, João refere-se ao dia da Ressurreição como simplesmente “primeiro dia da semana”, sem qualquer designação especial (ver textos citados acima).
        Tampouco o critério para estabelecer os princípios da lei divina quanto ao dia de observância é alguma “série de acontecimentos” em determinado dia. Não há a mínima indicação de que tais acontecimentos fizeram com que a lei de Deus fosse por isso alterada por um claro “assim diz o Senhor”.
        O único dia que nas Escrituras tem a designação especial de “Dia do Senhor” é o sábado do sétimo dia: Êxo. 20:11; Isa. 58:13; Eze. 20:12, 20. No Novo Testamento, o dia de que Jesus declarou-Se ser o “Senhor” é o sábado, não o domingo: Mat. 12:8 cf. Luc. 4:16.
 

Atos 20:7—A reunião no “sábado à noite”:
       Em Atos 20:7 é relatado que Paulo teve uma reunião de despedida “no primeiro dia da semana” que, porém, era o que consideramos “sábado à noite”. O dia dos judeus se inicia no pôr do sol. Por sinal, a tradução bíblica A Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil, refere-se ao episódio como tendo ocorrido num “sábado à noite”. A edição equivalente em inglês, Good News for Modern Man, o confirma chamando aquele dia “Saturday evening” [sábado à noitinha], o que também é afirmado em nota de rodapé no Contemporary English Version, da American Bible Society [Sociedade Bíblica Americana]. No contexto percebe-se que o “partir do pão” era apenas uma refeição regular (Atos 2:46) e não o rito da Santa Ceia (referência também indicada na mesma nota de rodapé acima mencionada da CEV). Ademais, Paulo passou a manhã de domingo seguinte viajando, em lugar de ficar para a  “escola dominical”. . .

       [Obs.: Note-se adicionalmente que o propósito específico da reunião era o “partir o pão”, não para instituir um novo dia de culto. A terminologia grega para “partir o pão” é klasai arton—uma linguagem genérica aplicada a qualquer refeição em qualquer dia da semana (Atos 2:46). Contudo, o que não é mencionado aqui em Atos 20:7 é a linguagem específica em grego que os cristãos empregavam para a Santa Ceia: “Kuriakon Deipnon” (ver 1 Coríntios 11:20). Nem ocorre qualquer menção a “vinho” que é requerido na celebração da Santa Ceia. Assim, não pode ser dito que os discípulos haviam se reunido para celebrar a Santa Ceia naquele domingo à noite quando Paulo falou até meia-noite. Também sabemos que era noite porque Atos 20:8 refere-se às “muitas luzes” no salão—Explicação de Sidney Cleveland].

1 Coríntios 16:2—As coletas a serem feitas em casa, não na igreja:
       Em 1 Cor. 16:2 há referência a uma instrução de Paulo de que os cristãos reunissem recursos para ajudar os pobres de Jerusalém, no primeiro dia da semana. Pelo original grego isso seria feito “em casa” (par hauto), não na igreja. Também é significativo que isso foi escrito pelo ano 55 a 57 AD. Não se dá ao dia nenhum título especial de “dia do Senhor”, sendo chamado meramente de “primeiro dia da semana”.
      Mas é incrível a “novidade” no campo da interpretação biblica que o Presb. Silva tenta promover, argumentando que o domingo foi até “profetizado” no Salmo 118:24. Esse dado ele obteve possivelmente com o Sr. Natanael Rinaldi, que contraditoriamente alegava, com base em Romanos 14:5 e 6, que não é mais relevante dedicar-se a Deus nenhum dia específico, mas outra hora citava Gálatas 4:9, 10 para alegar que não há nem dia sequer para se observar, em evidente contradição com o que dizia antes, para, finalmente, vir com essa tremenda novidade teológica da “profecia” do domingo no Salmo 118:24. Ora, para começo de conversa, por que o salmista iria fazer profecia quanto a um dia que tanto faz ser observado ou não, já que é irrelevante a questão de que dia dedicar ao Senhor? Ou mesmo diante da sua interpretação confusa de Gálatas 4:9, 10 onde Paulo não abre mão de observância de dia nenhum (a questão em foco ali eram os feriados de origem pagã, e em Romanos 14:5 e 6 Paulo deixa opcional aos crentes judeus considerarem ainda os dias feriados nacionais de Israel).

       Bem, mas esse já é outro debate, com outro “apologista”. Seja como for, sendo que ele se vale do mesmo argumento, pediríamos ao Presb. Silva para nos explicar por que nenhuma autoridade realmente gabaritada em Teologia vale-se do Salmo 118:24 como “profecia” do domingo, como nenhuma das edições bíblicas mais utilizadas pelos evangélicos traz qualquer referência de rodapé ligando tal texto com qualquer dos que falem do 1o. dia da semana no Novo Testamento.

Sábado/Domingo: O Que a História Registra
 
 
        Quanto às questões históricas relativas à observância do domingo, é verdade que há documentos dos Pais da Igreja que falam da adoção do domingo em lugar do sábado pelos cristãos. Eusébio, por exemplo, contemporâneo, amigo e apologista do Imperador Romano Constantino, declarou: “Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos para o dia do Senhor”—Commentary on the Psalms. Como, entretanto, não há registro bíblico de tal fato, sendo esta a tese da “tradição” católica, é de se lamentar que os evangélicos não se apercebam do engano e não atentem às palavras de Paulo profetizando o desvio dos ensinos bíblicos logo cedo pela igreja devido a alguns de seus líderes que corromperiam a fé original. Disse ele em Atos 20:29, 30: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles”.

       Pedro também fala dessa futura apostasia em sua segunda epístola, cap. 2, vs. 1-3. Vê-se que a apostasia da religião cristã começou bem cedo. Mais tarde Paulo indica que “o mistério da iniqüidade já opera” (2 Tess. 2:7).

       João, por seu turno, se queixa que os cristãos de Éfeso haviam abandonado o “primeiro  amor” e a “prática das primeiras obras” (Apo. 2:4, 5). Aos crentes de Esmirna ele menciona os que são “da sinagoga de Satanás” atuando em seu meio (vs. 9), para Pérgamo menciona “os que sustentam a doutrina de Balaão” (vs. 14), e a Tiatira condena o tolerarem que uma “Jezabel . . . falsa profetisa” seduzisse a muitos com doutrinas pervertidas (vs. 20), e assim por diante.
       Todavia, sempre houve os que preservaram a verdade a despeito de toda essa corrupção da fé original. Uma reportagem da revista secular National Geographic Magazine, citando palavras de Edward Gibbon  em sua clássica obra O Declínio e Queda do Império Romano, expõe que “os etíopes dormiram quase mil anos, alheios ao mundo pelo qual foram esquecidos”. Daí, prossegue a reportagem historiando que “Duzentos anos se passaram para o cristianismo tomar pé em Aksum, mas hoje mais da metade de todos os etíopes são cristãos, cerca de 30 milhões de pessoas. Sua fé, por ter sobrevivido aqui por mil anos, é uma singular fusão de ensinos do Velho e Novo Testamento. Grande devoção é revelada pela Virgem Maria, por exemplo, contudo, até hoje os costumes dos ortodoxos etíopes fazem eco à lei judaica, requerendo que as igrejas circuncidem suas crianças do sexo masculino no oitavo dia, descansem no sábado, e se abstenham de carne de porco”.  Artigo: “Keepers of the Faith—The Living Legacy of Aksum”, por Candice S. Millard, Op. Cit., julho de 2001, pp. 115 e 122

      O erudito adventista, Dr. Samuele Bacchiocchi, fez profunda pesquisa sobre o as razões da mudança da observância do sábado para o domingo, sendo o único não-católico a seguir um programa de doutoramento na Pontifícia Universidade Gregoriana, do Vaticano. Sua tese doutoral sobre o tema é intitulada Do Sábado Para o Domingo que foi até publicada pela gráfica da instituição, com o devido Imprimatur da Igreja Católica.
       No seu livro o Dr. Bacchiocchi demonstra como, dada a influência do anti-semitismo, sobretudo sob o imperador romano Adriano pelo ano 135 AD, os cristãos foram adotando o dies solis do paganismo romano para substituir o sábado. Para não serem confundidos com os judeus foram trocando o dia gradualmente, sendo esta a verdadeira origem da observância do domingo. O mesmo se passou com a data da Páscoa judaica, em 14 de Nisã, trocado pelo “domingo de Páscoa”, na famosa controvérsia Quatrodecimana registrada pela História e que provocou a excomunhão de milhões de cristãos orientais pelo Papa Vitor (ca. de 191 AD).

Ignorar a Obra de um Grande e Reconhecido Erudito Não Desfaz o Seu Valor

       Eruditos têm igualmente estado divididos quanto à questão da origem do domingo. Dois exemplos serão suficientes para demonstrá-lo. O primeiro é a dissertação doutoral do Prof. Willy Rordorf, um erudito calvinista . . . da Universidade de Basel, na Suíça. Sua dissertação "Sunday: The History of the Day of Rest and Worship in the Earliest Centuries of the Christian Church" [Domingo: A História do Dia de Repouso e Adoração nos Primeiros Séculos da Igreja Cristã] é considerado pelos eruditos como um clássico em seu campo.

       Em sua dissertação, Rordorf defende a origem apostólica do domingo, mas após ler minha dissertação onde eu examino os seus argumentos, ele reconsiderou seus pontos de vista. Na introdução da edição italiana de seu livro, Rordorf escreveu que minha dissertação ofereceu um “corretivo necessário” a suas conclusões. É animador ver como eruditos maduros estão dispostos a reconsiderar seus pontos de vista.

       O segundo exemplo é o simpósio erudito produzido por sete estudiosos britânicos e americanos intitulado "From Sabbath to the Lord’s Day" [Do Sábado Para o Dia do Senhor]. A pesquisa foi patrocinada pela Tyndale Fellowship for Biblical Research, de Cambridge, Inglaterra, e foi publicada pela editora Zondervan. Vários dos participantes solicitaram exemplares de minha dissertação e artigos. Após lerem minha pesquisa informaram-me por carta que haviam mudado o seu modo de pensar sobre certas questões e teriam que reescrever seções de seus capítulos.

       É significativo que esses eruditos protestantes que contribuíram para o simpósio "From Sabbath to the Lord’s Day", remontem a origem do domingo, não à ressurreição/aparecimentos de Cristo como o irmão, mas ao período pós-apostólico. Por exemplo, o Prof. Max B. Turner escreve:  “Temos de concluir que é difícil imaginar que a observância do dia de repouso no primeiro dia da semana começou antes do Concílio de Jerusalém (em 49 AD). Nem podemos nos deter aí; devemos seguir adiante para manter que a observância do dia de repouso no primeiro dia não pode ser entendida como um fenômeno da era apostólica ou da autoridade apostólica em absoluto” (pp. 135-136).

        Finalmente, por que um erudito adventista do sétimo dia foi enfiar-se por cinco anos dentro da mais importante universidade católica do mundo? Só há uma explicação: o anseio pela verdade e uma porta que Deus lhe abriu para isso. À semelhança de Mardoqueu, José no Egito, Daniel, Neemias e tantos outros heróis bíblicos que atuaram dentro do sistema do erro para fazer refulgir a verdade e defender os melhores interesses do povo de Deus, Bacchiocchi, o primeiro e único não-católico a valer-se do privilégio, demonstra pela Bíblia e pela história o fato bíblico de que o sábado do sétimo dia é o “dia do Senhor” e não há outro.

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