REFLEXÕES SOBRE TERRORISMO E TOLERÂNCIA

Samuele Bacchiocchi, Ph. D.
Professor de Teologia jubilado,
Universidade Andrews
        O infame ato terrorista de 11 de setembro último, que causou o colapso das duas torres majestosas do World Trade Center, de Nova York, e a  morte de mais de 3.000 inocentes, além de provocar uma situação de incerteza econômica internacional, tem suscitado sérias indagações quanto à origem, natureza e objetivos do terrorismo. Mentes inquiridoras estão perguntando, “o que esses terroristas muçulmanos estavam tentando realizar? Que motivos têm para decidirem sacrificar suas próprias vidas a fim de atacar o centro financeiro dos Estados Unidos e destruir tantas vidas inocentes? Eram estes terroristas muçulmanos indivíduos mentalmente desequilibrados, controlados por poderes demoníacos? Ou, eram muçulmanos altamente inteligentes, fundamentalistas inteiramente comprometidos em fazer avançar a causa do Islã?”
        As questões das raízes e objetivos ideológicos de terroristas muçulmanos são ignoradas pela maior parte da imprensa. O enfoque de rádio, TV, jornais e revistas está primeiramente nas atividades das organizações terroristas de Osama bin Laden e similares. A suposição prevalecente é de que estas organizações estão compostas de fanáticos religiosos que “interpretam incorretamente textos religiosos e encontram argumentos para justificar a guerra santa contra qualquer um ou todo país que se crê esteja a promover “uma agenda voltada a combater o Islã”.  (USA Today, 1o. de outubro de 2001).
        Esta suposição popular é falha porque os terroristas muçulmanos não lêem errado o Corão. Ao contrário, como demonstraremos, lêem corretamente o que o Corão ensina sobre o extermínio de indivíduos e de nações anti-Islã. Estudam os ensinos do Corão seriamente e se dispõem a sacrificar suas vidas para obedecer suas diretrizes orientadoras. Isto significa que a guerra contra o terrorismo não pode ser vencida unicamente atacando organizações terroristas selecionadas, porque os que apóiam uma guerra santa (Jihad) especial contra a América são encontrados por todo o mundo muçulmano. Em toda parte há os extremistas muçulmanos que aceitam literalmente os ensinos do Corão sobre a supressão daqueles que se opõem ao Islã. São conhecidos como “fundamentalistas muçulmanos”. Isto significa que o problema do terrorismo muçulmano não pode ser resolvido sem primeiramente atacá-lo em suas raízes expondo a imoralidade, hipocrisia e insensibilidade de seus ensinos sobre extermínio dos infiéis.

A Importância das Convicções Religiosas

        Os americanos não devem subestimar a importância das convicções religiosas profundas que motivam os terroristas muçulmanos. A história ensina-nos que os fanáticos religiosos cometeram muitos massacres inomináveis de pessoas inocentes. Logo iremos fazer referência a alguns exemplos. Veremos que os atos de terrorismo muçulmanos recentes não diferem muito daqueles cometidos por cruzados cristãos contra os muçulmanos, judeus e movimentos reformatórios. Os fundamentalistas muçulmanos estão dispostos e ansiosos a dar a vida para o que acreditam ser “uma guerra santa” contra o inimigo máximo do Islã, os EUA, porque recebem entrada garantida no Paraíso.
        Porque esses terroristas odeiam os EUA mais do que qualquer outro país, apesar da generosidade dos EUA para com todos os países muçulmanos, incluindo o Afeganistão? O Afeganistão recebeu milhões de dólares em ajuda financeira e vem recebendo suprimentos de alimentos lançados por aviões, mesmo durante os bombardeios. A resposta deve ser encontrada em sua visão dos EUA como o inimigo número um do Islã, especialmente devido a seu apoio aberto a Israel. Capturar e matar alguns terroristas dificilmente eliminará a ameaça contra os americanos, porque suas fileiras serão reabastecidas imediatamente por milhares de muçulmanos que querem sacrificar suas vidas pela mesma causa.
        Outro fato a se ter em mente é que a guerra contra o terrorismo não é uma clara guerra linear. Não há claros “pontos quentes” a atacar com as armas da alta tecnologia. A superioridade tecnológica americana será útil, mas não é decisiva em eliminar o terrorismo, porque seus líderes compreendem os fundamentos da guerra moderna, a saber, a simplicidade, a segurança, e a surpresa. Atacam em maneiras surpreendentemente inesperadas. Ninguém imaginaria que usariam os aviões carregados com passageiros inocentes como armas letais para atacar os centros financeiros e militares dos EUA.

A Necessidade de Expor a Intolerância Religiosa

        Para resolver o problema do terrorismo, que está causando um medo paralisante à sociedade americana, além de custar bilhões de dólares à comunidade internacional de nações, é vitalmente importante compreender a intolerância religiosa que alimenta tais atos de terrorismo sem sentido, imoral. A intolerância religiosa desenvolve-se não só a partir do preconceito e fanatismo, mas também de um zelo equivocado pela verdade manifestado em intensas convicções religiosas quanto à necessidade de eliminar “infiéis” e “heréticos”.
        No caso dos terroristas muçulmanos, a inspiração para seu comportamento destrutivo deriva de seu zelo equivocado pelos ensinos do Corão a respeito do extermínio dos infiéis. Assim, para tratar do problema do terrorismo muçulmano, é imperativo embarcar num programa educacional a nível global projetado para expor a imoralidade daqueles ensinos que apelam à supressão e extermínio dos que praticam uma religião diferente. Tais ensinos são encontrados não somente no Islã, mas também, como veremos, em igrejas cristãs.
        Esta estratégia de expor a imoralidade da intolerância religiosa não pode ser política correta porque pode alienar os muçulmanos moderados que vivem nos EUA e no exterior. Para evitar tal perigo é importante distinguir entre os ensinos do Islã sobre o extermínio dos “infiéis” e dos próprios muçulmanos que não podem compreender e/ou aceitar tais ensinos. O mesmo princípio aplica-se a toda religião. Por exemplo, é injusto responsabilizar os católicos pelos ensinos históricos de sua igreja a respeito da supressão dos heréticos, porque a maioria de católicos hoje ignora e/ou rejeita tais ensinos.
        Os políticos americanos, inclusive o Presidente Bush, foram induzidos erradamente a acreditar que o Islã é fundamentalmente uma religião tolerante e pacífica. Os atos terroristas de 11 de setembro foram supostamente cometidos por um grupo de fanáticos mentalmente desequilibrados, que entenderam mal os ensinos do Islã. Este ponto de vista é totalmente inverídico.
        Contudo, para defender esta opinião sanitizada do Islã, os políticos americanos alistaram a ajuda de líderes muçulmanos moderados que acataram posições democráticas ocidentais. Os muçulmanos moderados, porém, dificilmente representarão os ensinos históricos do Islã, acatados ainda por milhões de muçulmanos devotos. Os muçulmanos moderados podem ser comparados àqueles cristãos liberais que tentam justificar como condicionados ao tempo e à cultura aqueles ensinos da Bíblia  que são impopulares hoje. Um exemplo é o ensino bíblico da exclusão das mulheres do papel de liderança sacerdotal no Velho Testamento e de servirem na liderança pastoral no Novo Testamento. Os cristãos liberais rejeitam este ensino como condicionado culturalmente, e assim, não aplicável a nossa época. Se os políticos convidassem cristãos liberais para explicar à imprensa que o cristianismo não exclui as mulheres de servir no papel de liderança dos pastores, estes estariam deturpando a posição de muitos cristãos evangélicos que aceitam a natureza permanente dos ensinos bíblicos referentes a distinções no desempenho desses papéis.

Uma Perspectiva Histórica do Terrorismo

        Como historiador da igreja por formação e profissão, eu gostaria de refletir sobre o terrorismo muçulmano, primeiro historicamente, depois, escatologicamente. Historicamente, os atos terroristas muçulmanos de hoje podem ser ligados aos ensinos de seu fundador, o próprio Maomé. Um estudo da vida de Maomé indica que esteve determinado a eliminar idólatras, judeus e cristãos, tratados geralmente como “infiéis”. Em 627 com um exército de 305 seguidores entusiásticos, Maomé conquistou diversas tribos de judeus e cristãos, ordenando e assistindo ao massacre de 600 judeus em um dia. Em 630 Maomé entrou triunfantemente na cidade de Meca, destruindo os 360 ídolos da Caaba e massacrando muitos idólatras.
        Bem no fim de  sua vida Maomé acreditava fortemente em eliminar os infiéis, isto é, os idólatras, os cristãos, e os judeus que não acatassem o Islã. Entre suas últimas declarações consta esta: “O Senhor destrói os judeus e os cristãos! Deixe sua raiva acesa contra aquelas que transformam os túmulos de seus profetas em lugares de adoração! Que não reste nenhuma fé, mas a do Islã”. (Philip Schaff, A História da Igreja Cristã, vol. 4, p. 166).
        A raiz do fanatismo religioso muçulmano deve ser achada nos ensinos do próprio Maomé: “A espada é a chave do céu e do inferno; uma gota de sangue derramado na causa de Alá, uma noite gasta em armas, é de maior proveito do que dois meses de jejum e oração; quem quer que caia em batalha, seus pecados serão perdoados, e no dia do julgamento seus membros serão fornecidos pelas asas dos anjos e querubins”. (Ibid., p. 171)
        Esta noção de que morrer para a causa do Islã é o caminho direto ao céu motiva muçulmanos sinceros a sacrificar suas vidas em luta contra os que são percebidos como inimigos de sua religião. Este ensino apela especialmente aos milhões de muçulmanos que vivem em abjeta pobreza. Sacrificar a vida para o triunfo do Islã transforma-se para eles numa maneira certa de trazer a um fim sua vida miserável atual na esperança de participar imediatamente dos gozos do Paraíso. O brado de guerra dos sucessores de Maomé, conhecidos como califas, era: “diante de vós está o Paraíso, atrás estão a morte e o inferno”.
        Esse fanatismo religioso intenso foi inspirado pelo livro santo islâmico, o Corão, que ensina claramente o extermínio daqueles que se opõem ao Islã. Por exemplo, na Surata 9:5 lemos: “Lutai e matai os pagãos [aqueles que não acatam o Islã] onde quer que os encontreis, e dominai-os, cercai-os, e ficai à espreita deles em todo estratagema de guerra”. De acordo com o Corão, aqueles que resistem ao Islã: “serão postos à morte ou crucificados ou terão mãos e pés cortados  em lados alternados. . .” (Surata 5:51).  Os muçulmanos são instruídos a não se associarem com os cristãos: “Crentes, não façais nem judeus nem cristãos vossos amigos. Eles são amigos entre si. Quem quer dentre vós que buscar amizade com eles se tornará um deles. Alá não guia os malfeitores”. (Surata 5:51).
        Ao longo dos séculos os muçulmanos devotos seguiram as ordens do Corão, sistematicamente eliminando a presença dos pagãos, dos judeus e dos cristãos dos territórios que conquistaram. Aqueles que negam este fato histórico somente necessitam olhar, por exemplo, o mapa do norte da África. Durante os primeiros seis séculos, o norte da África era habitado predominantemente por comunidades cristãs florescentes, que produziram líderes cristãos influentes como Tertuliano, Cipriano e Agostinho. Mas, começando com a conquista muçulmana do século VII, o cristianismo foi suprimido sistematicamente. Hoje, a presença de cristãos é praticamente inexistente nos países norte-africanos muçulmanos como a Líbia, a Tunísia, a Argélia, e o Marrocos. Nesses países os muçulmanos tiveram êxito em erradicar sistematicamente o cristianismo e as outras religiões.
        A política muçulmana histórica de erradicar religiões competidoras ajuda-nos a compreender os atos de terrorismo recentes. No exemplo dos EUA, o objetivo desses extremistas muçulmanos não é eliminar a população cristã e judaica. Estão inteiramente cientes de que esta é uma tarefa impossível. Afinal, os muçulmanos nos EUA são somente uma pequena minoria. Sua política, em vez disso, é punir os EUA por suas supostas políticas anti-Islã, batendo americanos em sua “zona de conforto”. Isto envolve forçar os americanos “a pagar mais e jogar menos”, sobrecarregando-os a gastarem bilhões de dólares para lutar contra o terrorismo doméstico e do exterior. Consiste também em afligir os americanos com o medo constante de ataques de surpresa. Ao manterem os americanos na defensiva, solapando, assim, seu tradicional senso de segurança, muitos muçulmanos devotos acreditam que estão obtendo importantes vitórias para a causa do Islã. Pensam que estão mostrando ao mundo que seu Deus, Alá, lhes deu poder para humilhar a nação mais poderosa, os Estados Unidos. Para eles isto representa o triunfo do Islã sobre o cristandade.

O Monoteísmo e a Intolerância Religiosa

        Por que é o Islã uma religião tão intolerante que promove a supressão de todas as demais religiões? A resposta deve ser encontrada sobretudo na natureza monoteística do Islã. Como o cristianismo, o Islã ensina que há somente um deus verdadeiro, que para os muçulmanos é Alá.
        As religiões monoteístas tendem a ser mais intolerantes, porque acreditam que o seu deus é o único deus verdadeiro e sua religião é a única religião verdadeira que tem o direito de existir. Em certa extensão, esta cosmovisão é compartilhada pelos movimentos da direita religiosa americana que querem impor seus pontos de vista sobre a nação inteira. As religiões politeístas de Roma antiga não tiveram nenhum problema em aceitar outros deuses e religiões, desde que não desestabilizassem a ordem social e política. De fato, no panteão romano havia um nicho vazio reservado para deuses desconhecidos. Inicialmente o judaísmo era uma religio licita—religião legal, e assim permaneceu por muito tempo porque os judeus eram submissos às autoridades romanas. Transformou-se numa religio illecita—religião ilegal, quando os judeus começaram a rebelar-se contra o governo romano em conseqüência de suas expectativas messiânicas reavivadas.
        O mesmo é verdade quanto aos cristãos. Os imperadores romanos toleravam os cristãos na medida em que estes não eram percebidos como uma ameaça à estabilidade da ordem sócio-política. Eles perseguiram os cristãos quando viram nos seus ensinos e estilo de vida—especialmente a recusa cristã de adorar o imperador como Dominus et Deus—(Senhor e Deus)—uma ameaça à estabilidade social e política do império. A triste realidade é que após ter obtido a liberdade religiosa em 313 A.D. pelo famoso Edito de Milão, emitido pelos imperadores Constantino e Licínio, a igreja cristã tornou-se tão intolerante para com as religiões pagãs e movimentos  “heréticos” cristãos, quanto as autoridades romanas tinham sido para com os cristãos. Como exemplo, o imperador Teodósio I em 380 e em 381, emitiu os editos que proibiam religiões pagãs e tornavam o cristianismo a religião exclusiva do império. Gradual e sistematicamente líderes cristãos fanáticos desmontaram e destruíram templos, escolas, e práticas religiosas pagãs.
        Os líderes cristãos transformaram-se em arrogantes perseguidores do paganismo tal como as autoridades romanas tinham sido para com o cristianismo. É importante recordar que os cristãos no passado cometeram as mesmas atrocidades contra os dissidentes muçulmanos e cristãos, como esses fundamentalistas muçulmanos fazem hoje. Os perpetradores “cristãos” dessas atrocidades não eram chamados “terroristas”, mas “cruzados”, porque traziam em suas roupas o emblema da “cruz”. Na realidade, porém, os cruzados na maioria dos casos eram declarados criminosos que se deleitavam em matar pessoas inocentes sem misericórdia.
        Por mais de dois séculos, a partir de 1095, papas, imperadores, reis, e líderes da igreja convidaram cristãos para participarem em peregrinações armadas a Jerusalém sob a bandeira da cruz. O objetivo dessas cruzadas não era muito diferente do objetivo dos fanáticos muçulmanos hoje. O reconhecimento deste fato pode ajudar-nos a colocar o terrorismo muçulmano dentro da perspectiva histórica mais ampla de intolerância religiosa.
Os cruzados eram chamados “soldados de Jesus Cristo”, sendo comissionados pelo papa para eliminar os muçulmanos infiéis e para capturar os lugares santos em Jerusalém. Para tais façanhas assassinas, os cruzados tinham a promessa de absolvição de seus pecados passados e uma entrada garantida no Paraíso. O Abade Guibert, um cronista da primeira cruzada, declarava que Deus inventou as cruzadas “como uma maneira nova para o laicado expiar os seus pecados, e merecer a salvação”. É evidente que “as guerras santas” conduzidas pelos cruzados cristãos do passado não eram muito diferentes da Jihad realizada por extremistas muçulmanos hoje.

As Cruzadas Contra Movimentos Reformatórios

        As cruzadas contra os infiéis muçulmanos foram somente um prelúdio das cruzadas posteriores contra os movimentos reformatórios dos cristãos como os albigenses, valdenses, huguenotes, etc. O poderoso papa Inocêncio III organizou quatro cruzadas distintas contra os albigenses, um rigoroso movimento cristão reformatório situado especialmente no sul da França. O papa prometeu “com toda certeza . . . o reino celestial”, a todos os que participassem na destruição dos albigenses.
        Ler o relato do massacre dos cristãos inocentes que ousaram rejeitar as ordens de um papado corrupto é para mim muito mais revoltante do que ouvir os relatórios sobre o ataque muçulmano contra as torres do WTC e o Pentágono. Afinal de contas, o ataque muçulmano durou somente poucos minutos e afetou um número relativamente menor de pessoas, quando comparado com os incontáveis milhares mortos pelos cruzados e pela Inquisição. As cruzadas contra os movimentos reformatórios duraram séculos e resultaram no extermínio de centenas de milhares de cristãos crentes na Bíblia.
        Por exemplo, Beziers, uma cidade do sul da França com um grande número de albigenses, foi tomada de assalto em 1209 por um exército conduzido pelo legado papal, Arnold de Citeaux. Uma horrível carnificina passou-se ali. “A selvagem soldadesca atendeu bem o comando dos legados: 'Derrubem todos ao chão. O Senhor conhece os que são seus'. Não se poupou idade nem sexo. As paredes das igrejas não interpunham proteção alguma e sete mil foram postos à morte somente na igreja de Santa Madalena. Quase vinte mil foram mortos à espada. De acordo com os relatórios dos legados papais, Milo e Arnold, 'a divina vingança rugiu maravilhosamente contra a cidade. Nossos  soldados não pouparam nem sexo nem condição. A cidade inteira foi saqueada e o morticínio foi muito grande”.(Schaff, vol 5, p. 511).
        Os anais da história cristã estão repletos de “relatos gloriosos dos massacres de cristãos inocentes que ousaram adorar o seu Deus de acordo com os ditames de sua consciência, antes que seguir as diretrizes de líderes religiosos corruptos. Pense, por exemplo, no massacre dos cristãos calvinistas na França, chamados huguenotes, que ocorreu na noite de 23-24 de agosto de 1572. Estima-se que entre 10.000 a 100.000 foram mortos em Paris e cidades vizinhas.
        Outro exemplo, é o massacre em 1655 dos valdenses inocentes que ocorreu nos vales de Piemonte. Seu crime consistia em verter e distribuir partes da Bíblia  e apelar às pessoas para viverem de modo sóbrio, segundo os ensinos da Palavra de Deus. Os horrores desse massacre chocaram o mundo protestante do tempo e inspiraram Milton a compor este soneto: “Vinga, Senhor, teus santos assassinados sobre os elevados e gélidos montes dos Alpes, aqueles que mantiveram a Tua verdade do passado tão pura, quando todos os nossos pais adoravam as pedras e tábuas”.
        Estes poucos exemplos de “guerra santa” empreendida no passado por líderes cristãos contra os muçulmanos e, mais tarde, cristãos ajudam-nos a colocar o fanatismo religioso de terroristas muçulmanos na perspectiva histórica. Fazem-nos lembrar que os cristãos também no passado estiveram cegados pelo mesmo ódio e fanatismo religioso revelado pelos terroristas muçulmanos hoje. A exemplo de alguns extremistas muçulmanos em nosso tempo, os cristãos cometeram massacres horríveis e atrozes que desafiam a consciência cristã.

A Lição da História

        A lição da história é clara. Para eliminar a ameaça de terrorismo religioso, é imperativo erradicar do Islã, do catolicismo, do protestantismo, e de todas as demais religiões aqueles ensinos e crenças que fomentam a intolerância religiosa para com os que crêem de modo diferente. Isto pode parecer uma tarefa impossível, mas é uma tarefa que deve ser empreendida, se quisermos resolver o problema básico do terrorismo religioso. Essa tarefa envolve não somente desculpar-se pelos pecados cometidos por nossos antepassados, como também repudiar aqueles textos e ensinos históricos que incentivam o ódio, hostilidade, e destruição dos dissidentes.
Exemplo adequado é o recente pedido de desculpas do papa João Paulo II pelas atrocidades—que se chamariam corretamente “atos terroristas”—cometidas pela Igreja Católica por séculos contra os judeus, muçulmanos, ortodoxos gregos, e protestantes, primeiramente durante as cruzadas, depois, durante a Inquisição.
        O papa deve ser elogiado pela coragem de desculpar-se por essas atrocidades, mas uma confissão sozinha não é bastante. O papa necessita ter a coragem de rejeitar publicamente ensinos católicos em incontáveis documentos originais oficiais da Igreja que justificam extermínio dos “heréticos”. Por exemplo, Tomás de Aquino, tido como o teólogo católico mais influente que já viveu, indica claramente em sua Summa Theologica que o heréticos não devem ser tolerados, mas eliminados. Disse ele: “No que diz respeito aos heréticos dois pontos devem ser observados: um, em seu próprio lado, o outro, no lado da igreja. Em seu próprio lado há um pecado, por meio de que merecem ser separados não somente da igreja pelo excomunhão, mas serem também desligados do mundo pela morte. Pois é questão muito mais grave para a corrupção da fé que anima a alma, do que forjar dinheiro, que sustenta a vida temporal. Portanto, se os falsificadores de dinheiro e outros malfeitores são por isso condenados à morte pela autoridade secular, muito mais razão há para o heréticos, convictos de heresia, serem não somente excomungados, mas postos mesmo à morte”. (Pergunta 11, Artigo 3).
        Este ensino católico fundamental de que os “heréticos”, se não reconsiderarem sua posição, devem ser não só excomungados, mas eliminados também, é encontrado em numerosos originais da Inquisição. A história da Inquisição é provavelmente o capítulo mais revoltante da história cristã. Os líderes da igreja assentavam-se como árbitros do destino humano e em nome da religião aplicavam torturas atrozes às incontáveis vítimas, pronunciando-lhes sentenças de morte realizadas geralmente pelo Estado. É duro acreditar que os líderes da igreja, que devem ser representantes do amor e compaixão de Cristo, preferissem revelar sua fria insensibilidade, infligindo sem misericórdia penalidades sobre pessoas inocentes, cuja única culpa era seguirem os ditames de sua consciência, antes que as diretrizes orientadoras de uma igreja apostatada. A fria indiferença com que os líderes da igreja suprimiam dissidentes pode ser vista também em algumas das pinturas e esculturas da época. Um bom exemplo é a estatuária encontrada na Igreja de Jesus em Roma, que é a igreja da matriz dos jesuítas.
        Eu sou muito familiarizado com essa igreja, porque passei cinco anos estudando na Pontifícia Universidade Gregoriana, que é a principal universidade dos jesuítas, fundada por Inácio de Loyola. A Igreja de Jesus situa-se próximo à Universidade Gregoriana, e ambas são dedicadas a seu fundador, Inácio. Na fachada da Igreja de Jesus, acima de sua entrada principal, há um nicho com uma estátua de tamanho real de Inácio de Loyola, a quem a igreja é dedicada. Inácio espezinha a garganta de um “herético” sufocando-o à morte. Dentro da igreja há um estatuário semelhante ao lado do altar de São Inácio. Retrata uma mulher, representando a Igreja Católica, pisando sob o pé Lutero e Huss. A estátua representa a missão dos jesuítas de suprimir o protestantismo. Se o papa e a Igreja Católica verdadeiramente estiverem pesarosos quanto às atrocidades (atos terroristas) que cometeram no passado em nome de Cristo, deveriam cobrir tais monumentos embaraçosos, que são uma testemunha viva da sua intolerância religiosa. O mínimo que poderia fazer seria colocar uma nota explicativa junto a esses monumentos, que poderia dizer algo como:
        “Este monumento aqui jaz como uma triste lembrança do pecado da intolerância religiosa cometida pela Igreja Católica. Pedimos que Deus e os cristãos em geral perdoem nossos pecados passados. Podemos todos aprender com nossos terríveis pecados passados ser tolerantes e respeitosos para com as pessoas de todas as religiões”. Uma nota explicativa dessa natureza mostraria a boa fé da parte da Igreja Católica em condenar e renunciar a sua intolerância religiosa passada. Infelizmente, não há nenhuma indicação que tal providência esteja planejada.

Intolerância Religiosa Protestante

        A discussão antecedente pode dar a impressão de que a intolerância religiosa é um problema primeiramente muçulmano e católico. Mas este não é o caso. Protestantes, da tradição luterana e calvinista, foram igualmente culpados de intolerância religiosa. Acreditaram ser seu dever a Deus e a eles mesmos suprimir e punir a heresia, bem como os crimes civis. Reformadores perseguiram católicos em seus territórios, confiscando suas propriedades eclesiásticas, proibindo os seus serviços religiosos, e freqüentemente os exilando.
        Calvino destaca-se entre os Reformadores como o exemplo mais embaraçoso de intolerância religiosa. O papel que Calvino desempenhou no julgamento, condenação  e  execução do brilhante  cientista de Serveto—que na época esposava uma visão unitariana de Deus—macula a imagem de Calvino até nosso tempo. Serveto foi preso pela polícia de Genebra uma noite quando estava viajando através da cidade de modo disfarçado a caminho da Itália para praticar medicina. Por Serveto recusar-se a renunciar a sua opinião unitariana de Deus para acatar o ponto de vista trinitariano, foi queimado à morte em Champel no dia 27 de outubro de 1553, com madeira verde e enxofre para melhor representar a fumaça e fogo destrutivos do inferno. Calvino foi primeiramente responsável por essa execução, porque presidiu sobre todo o julgamento. Os fogos acesos pela atrocidade dessa execução estão ainda queimando e moldando suas terríveis faíscas sobre a intolerância religiosa de Calvino. É duro para mim acreditar que um homem como Calvino, que quis fazer de Genebra um abrigo para os oprimidos pela religião, pudesse ser tão intolerante contra o renomado cientista que descobriu a circulação pulmonar do sangue, permitindo que fosse executado de maneira tão cruel.

A Necessidade de Proibir a Intolerância Religiosa

        Os exemplos antecedentes de atrocidades cometidas por muçulmanos, católicos, e protestantes, inspirados por um zelo equivocado pela verdade, serve para destacar a necessidade de lançar-se um programa educacional internacional, designado a expor a imoralidade e vergonha de todas as formas de intolerância religiosa. Após 6.000 anos de derramamento de sangue, causado freqüentemente pela intolerância religiosa, é chegada a hora para muçulmanos, judeus, católicos, protestantes, e todos os demais religiosos, desculparem-se publicamente pelas atrocidades cometidas no passado em nome de sua religião contra as vítimas inocentes. Chegou o tempo de rejeitarem como imoral, escandaloso, vergonhoso e deplorável todos aqueles escritos e ensinos que promovem a supressão e extermínio dos que crêem e vivem diferentemente de nós.
        É chegado o tempo para  ajudar pessoas de cada nação a compreender que somos todos  membros de uma família, a família humana—composta de raças, culturas e religiões diferentes. Qualquer religião que ensinar a supressão e extermínio dos membros de outras religiões deve ser condenada pelo que é: uma religião baseada no preconceito e superstição que viola os direitos humanos fundamentais de adorar livremente a Deus de acordo com os ditames da consciência individual.
        Os cristãos devem estabelecer o exemplo proclamando e praticando a paternidade de Deus e a fraternidade do homem. Para que nossa proclamação seja crível, precisamos mostrar ao mundo que aceitamos muçulmanos, judeus, budistas, hinduístas e pessoas de todas as religiões como filhos do mesmo Deus, igualmente importantes à Sua vista. É um desafio formidável embarcar num programa educacional mundial visando a atacar as raízes do terrorismo, expondo a imoralidade da intolerância religiosa e promovendo o direito de todas as pessoas de praticar sua própria religião. Ademais, é um desafio que deve ser empreendido, se o problema do terrorismo religioso deve ser resolvido de vez. Este é um desafio que requer o compromisso e recursos de pessoas de boa vontade por toda parte. Seria desejável que parte dos 40 bilhões de dólares votados recentemente pelo congresso para combater o terrorismo, pudessem ser gastos em educar a família humana quanto às raízes e perigos da intolerância religiosa.

Terrorismo Numa Perspectiva Escatológica

        Muitos pediram que eu comentasse o significado profético dos atos terroristas de 11 de setembro de 2001. Alguns querem saber se tal ato poderia ser o cumprimento específico de profecias do tempo do fim. A tentativa de ligar a tragédia de 11 de setembro com uma profecia específica da Bíblia reflete os esforços que os cristãos têm feito ao longo dos séculos para encontrar o cumprimento dos sinais do fim nos acontecimentos de seu tempo. Antes de comentar o significado profético dos eventos recentes, é importante recordar que a função das profecias do fim é apontar para a proximidade do fim, sem localizar seu tempo exato. Para usar uma analogia, nós poderíamos comparar as profecias do tempo do fim aos sinalizadores da estrada que dão o número ou o nome da estrada, mas não a distância exata da cidade mais próxima. Quando eu dirijo de Chicago a Detroit, sei que necessito permanecer na Rodovia Interestadual 94 para alcançar o meu destino. Cada vez que aparece a placa indicando a Rodovia Interestadual 94 fico tranqüilo em saber estar na estrada certa, rumo a meu destino.
        Do mesmo modo, o freqüente aparecimento de sinais do fim durante a história serve para tranqüilizar os cristãos de estarem viajando no rumo certo para “a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Heb 11:10). Os sinais do fim oferecem ao crente a garantia, não somente de viajar no caminho certo para o Reino, mas também de aproximar-se do fim da viagem. Nunca, porém, é definido em termos de meses ou anos, porque os sinais dados na Bíblia são como marcadores da rodovia e não como os sinais de quilômetros na estrada.
        Ao crente que vê o surgimento dos sinais do fim é assegurado constantemente achar-se mais próximo do fim da viagem, embora nunca possa medir a distância exata do fim. Este é segredo que Deus reserva para Si (Mar 13:32). Os sinais do fim permitem aos crentes experimentar um sentido de certeza e da iminência, isto é, a garantia de viajarem pelo caminho certo e de avançarem para o fim da viagem quando se dará  a reunião com o Senhor.

O Reconhecimento Contemporâneos dos Sinais do Fim

        O fato de que os sinais proféticos do fim são de natureza genérica que encontraram um grau de cumprimento em cada era não significa ser errado procurar seu cumprimento contemporâneo nos eventos de nosso tempo, tais como os atos de terrorismo recentes. Pode-se achar no Novo Testamento a justificativa para contemporizar as profecias do fim. Paulo, por exemplo, via em sinais como a proclamação do evangelho ao mundo conhecido (Rom. 15:19-24) e à rebelião e iniqüidade que “já opera” (2 Tess 2:3, 7; 2 Tim 3:1-5) indicações de que “o tempo se abrevia”, “vai alta a noite e vem chegando o dia” (1 Cor. 7:29, 31; Rom. 13:12).
Pedro fala sobre “o fogo ardente que surge no meio de vós” (1 Ped 4:12)—presumivelmente uma alusão ao sinal da perseguição de Nero de que “o fim de todas as coisas está próximo” (1 Ped 4:7).
        João percebeu no surgimento de anticristos contemporâneos, falsos mestres que negavam a messianidade e encarnação de Cristo (1 João 4:2-3), o sinal de que “é a última hora” (1 João 2:18). Ele chega a esta conclusão explicitamente, quando diz: “ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos anticristo têm surgido, pelo que conhecemos que é a última hora” (1 João 2:18).
        Tiago, considerou como um sinal do fim a injustiça social experimentada pelos trabalhadores cujos salários eram pagos injustamente, ou às vezes nem pagos em absoluto, por latifundiários ricos e ambiciosos (Tiago 5:1-9). Ele incita os cristãos a serem pacientes porque “a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 4:8). Durante todos os séculos houve cristãos que, como Paulo, Pedro, João e Tiago, viram em sinais precursores de determinados acontecimentos contemporâneos anúncios do retorno de Cristo. Lutero, por exemplo, trabalhava apressadamente em 1530 para terminar sua tradução alemã da Bíblia  porque temia que Cristo retornaria antes da conclusão de seu trabalho. “Pois é certo pelas Sagradas Escrituras”, escreveu ele, “que não temos mais coisas temporais a esperar. Tudo está feito e cumprido: o Império Romano está no fim; os turcos atingiram o ponto mais alto; a pompa do papado está desabando e se despedaçando inteiramente”.
        O fato de que os cristãos no passado viam o cumprimento do fim assinalado em determinados eventos significativos de seu tempo sugere que nenhuma regra rígida pode ser formulada a respeito de que sinais específicos estão sendo cumpridos em qualquer dado tempo ou em diferentes períodos históricos. O que Paulo percebeu como sendo sinal dos tempos pode não ter sido o mesmo evento que impressionou a João ou, mais tarde, a Lutero, você ou eu.

Intensificação dos Sinais do Fim

        Reconhecer o cumprimento dos sinais do fim durante toda a história cristã não significa negar sua intensificação antes do retorno de Cristo. As Escrituras ensinam que o conflito entre as forças de Deus e as forças de Satã se intensificará ao nos aproximarmos do segundo advento. Apostasia, ilegalidade, terrorismo, e a rebelião aumentarão; o sofrimento e a perseguição culminarão “na grande tribulação”; o evangelho pregado como um testemunho a todas as nações. A intensificação dos sinais do fim é sugerida pela declaração de Cristo de que a manifestação das guerras, impiedade, terremotos, fomes e pestilências é “o início das dores “ (Mat 24:8; Mar 13:8). O termos “início” pressupõe que haverá  desastres piores a virem ainda. Estes causarão uma “grande tribulação” que, Jesus disse, “não tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém seria salvo” (Mat 24:22; cf. Mar 13:20).
        A predição de Cristo da intensificação das calamidades antes do Fim acha apoio nos livros proféticos do Velho e Novo Testamentos. Por exemplo, Daniel fala de um “tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo” (Dan 12:1; cf. Dan 8:23-24).
        Semelhantemente, no Apocalipse a intensificação das calamidades é dramaticamente retratada em diversas visões. Na visão dos quatro cavaleiros, cada um dos quatro cavalos que aparece na abertura dos primeiros quatro selos descreve num crescendo a intensificação das calamidades e suas conseqüências. A extensão e intensificação da guerra antes da vinda de Cristo está descrita no Apocalipse também juntamente com a sexta praga, que descreve a preparação para uma batalha escatológica final, conhecida  como a batalha do “Armagedom” (Apoc. 16:14-16). “Espíritos de demônios” são apresentados como dirigindo-se “aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso” (Apo 16:14).
Comenta Henry B. Swete: “Tem havido ocasiões em que as nações estiveram dominadas por uma paixão por guerra que o historiador mal consegue explicar. É uma tal ocasião que o Vidente prevê, mas uma em que, diferentemente do que se passou antes, envolverá o mundo todo em guerra”. (Henry B. Swete, The Apocalypse of St. John [Londres, 1951], p. 208).
        A preparação para esta guerra mundial ocorre pouco antes da vinda de Cristo, que é descrita claramente no verso seguinte pela metáfora familiar do “ladrão”: “Eis que venho como vem o ladrão!” (Apo 16:15). Essa predição de um conflito mundial de forças armadas antes do fim pode ser traçada desde os profetas do Velho Testamento. Joel prediz a vinda de um grande e terrível do dia do Senhor (Joel 2:11) quando Deus reuniria todas as nações no vale de Josafá e executaria o juízo sobre elas (Joel 3:2). A descrição semelhante de um conflito final que envolve a reunião das nações contra a Israel é encontrada em Zacarias 14:1-5 e Ezequiel 38, 39. Deus intervem nesse conflito global, executando o juízo sobre as nações ímpias do mundo. O aspecto étnico e geográfico dessas profecias do Velho Testamento é transformada por João no Apocalipse em uma perspectiva cristocêntrica.
        Para sumariar, a previsão pelos profetas de Israel de um conflito final de nações, que são destruídas pelo Senhor quando Ele vier para estabelecer o Seu reino messiânico, torna-se na Revelação de João o conflito global final (Armagedom), que é trazido a um fim pela vinda do “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, que destrói todos os malfeitores (Apo 19: 14-21) e inaugura “novos céus e uma nova terra” (Apo. 21:1).

Terrorismo Muçulmano e Armagedom

        À luz do cenário profético de um conflito global do fim (Armagedom) que nos conduz à vinda gloriosa de Cristo, podemos perguntar se as atividades terroristas muçulmanas dos anos recentes, que culminaram no massacre terrível de 11 de setembro, foram um prelúdio do conflito final global profetizado, conhecido como a batalha de Armagedom. Nenhuma resposta dogmática pode ser dada porque o futuro nos é desconhecido. Tudo o que podemos dizer é que os atos terroristas muçulmanos que testemunhamos durante os poucos anos passados poderiam facilmente arrastar muitas nações a um conflito global. Esse bem pode ser o objetivo de bin Laden. Tal possibilidade é reconhecida por analistas sociais bem atentos.
        Um amigo pessoal, Prof. Jarrod Williamson, que leciona na Califórnia, mandou-me uma equilibrada crônica por Tamin Ansary, brilhante autor afegão-americano. Em sua crônica Ansary argumenta que o conflito entre os Estados Unidos e os terroristas muçulmanos bem poderia tornar-se um conflito global entre o Islã e o Ocidente. Se isso vier a ocorrer, a batalha final do Armagedom poderia ter lugar mais cedo do que antecipamos.
        Ansary escreveu: “Estamos em vias de uma guerra mundial entre o Islã e o Ocidente. E, adivinhem: essa é a agenda de bin Laden. É exatamente o que ele deseja. Por isso ele fez o que fez. Leiam seus discursos e declarações. Está tudo bem ali. Ele realmente acredita que o Islã venceria o Ocidente. Pode parecer ridículo, mas ele imagina que se puder polarizar o mundo entre Islã e Ocidente, conseguirá um bilhão de soldados. Se o         Ocidente aplicar um holocausto nessas terras, são um bilhão de pessoas que não têm nada mais a perder, o que é ainda melhor do ponto de vista de bin Laden. Ele provavelmente está equivocado, no final o Ocidente poderia vencer, seja lá o que isso signifique, mas a guerra duraria anos e milhões morreriam, não apenas dos deles, mas também dos nossos. Quem tem estômago para isso? Bin Laden tem. Quem mais?”
        É tranqüilizador saber que não temos que ter estômago para testemunhar a destruição de milhões de vidas porque a Escritura nos diz que Deus terá a palavra final. Não permitirá que bin Laden, o Islã, ou o Ocidente arraste a humanidade para  um conflito global prolongado que dizime a população deste planeta. Cristo tranqüiliza-nos ao dizer que “por causa dos eleitos aqueles dias serão abreviados” (24:22).
        Os atos de terrorismo sem precedentes e indescritíveis que se deram recentemente representam um cumprimento claro da intensificação da iniqüidade do fim dos tempos. Jesus predisse que “por aumentar a iniqüidade, o amor esfriará de quase todos” (Mateus 24:12).
        Como crentes na Palavra de Deus não temos nenhuma razão de desespero, porque a palavra profética de Cristo nos tranqüiliza: “Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei vossas cabeças porque a vossa redenção está próxima” (Lucas 22:28).

Um Apelo ao Arrependimento

        Um significado mais imediato da tragédia de 11 de setembro é seu efeito de algo grave sobre a mente humana. As imagens chocantes das torres do WTC queimando-se e desmoronando como caixas de papelão, desafiaram muitos americanos complacentes, egocêntricos e auto-suficientes a reconhecer sua finitude e desamparo, levando muitos a buscar a Deus após aquela malfadada data. Subitamente, Deus passou a estar em toda parte, tão percebido quanto as bandeiras americanas. Parece que os ateus desapareceram após 11 de setembro! Nos Estados Unidos estão agora todos voltados para Deus e a nação. O comparecimento às igrejas e sinagogas quase dobrou do dia para a noite. Intrigas políticas e maritais cessaram.
        Li um relatório de que na semana seguinte a 11 de setembro, 400 casais na área de Boston retiraram seus papéis de divórcio e decidiram continuar juntos. Parece haver uma nova unidade de propósito nos Estados Unidos, que experimentou uma ressurreição mediante uma tragédia infame. Temos repetidamente testemunhado os dirigentes americanos orando, cantando, fazendo juramentos patrióticos e convidando as pessoas a unirem-se a eles. Estes acontecimentos positivos sugerem que a tragédia de 11 de setembro serviu para um necessário chamado a um despertar. Desafiou as pessoas a reexaminarem suas vidas, humilharem seus corações, e arrependerem-se de seus pecados. As tragédias, entretanto, são usadas por Deus para chamar não somente as pessoas ao arrependimento, mas anunciar também seu julgamento final associado ao dia do Senhor no Velho Testamento, e com o dia de Cristo no Novo Testamento. Por exemplo, Joel viu na seca e no fogo desastres que destruíram a colheita, um sinal de que “o dia do senhor está perto, e vem como assolação do Todo-poderoso “ (Joel 1:15). [N.T.: Dados mais recentes indicam que após algum tempo, quando tudo voltou a relativa normalidade no campo político-militar, também a atitude mais “fervorosa” dos americanos perdeu o vigor inicial e não segue mais a direção como sugerida pelo autor].
        De uma perspectiva profética, as tragédias semelhantes à daquela de 11 de setembro, são tomadas como anunciadores do julgamento final. Jesus levantou esta importante questão quando explicou que as dezoito pessoas que morreram pelo colapso da torre de Silo é não eram piores pecadores do que o restante das pessoas em Jerusalém (Luc 13:4). Essa tragédia, entretanto, devia trazer-lhes  uma lição importante que “a menos que vós também vos arrependais, do mesmo modo perecereis” (Luc 13:5). Em muitas maneiras o colapso e a desintegração repentinos pelo fogo das torres mais imponentes do comércio mundial ofereceram uma visão prévia mais realística e mais dramática dos fogos destrutivos que serão inflamados pela vinda de Cristo. Nós lemos que “os céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão” (2 Ped 3:12).
        Em vista do fato que tudo o que vemos será destruído como as torres do WTC, necessitamos atentar à exortação de Pedro: “Visto que todas as coisas serão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como sos que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus” (2 Ped 3:11-12).
ADENDO:

A Real Agenda do Islã—Guerra Entre as Civilizações



        O que me fez decidir apresentar esta conferência do Prof. Moshe Sharon, é simplesmente o fato de que ela nos ajuda a entender o que, em última instância, está em jogo no atual conflito entre Israel e os palestinos. Somos diariamente bombardeados por notícias descrevendo o conflito no Oriente Médio. Lamentavelmente, os repórteres não oferecem quaisquer lampejos de quais são as forças ideológicas em ação por trás desse conflito.
Essa conferência do Prof. Sharon nos desafia a entender um dogma fundamental da fé islamita, qual seja—“O Islã divide o mundo em duas partes: uma parte que já está sob o domínio do Islã, e outra parte que é não-islâmico, mas que deve futuramente integrar esse sistema. Essa divisão do mundo se reflete numa recente declaração divulgada de bin Laden, quando este disse: ‘Esses eventos dividiram o mundo inteiro em dois lados. O lado dos crentes e o lado dos infiéis’”.
        Um fato que se percebe viajando pelo mundo é que enquanto o cristianismo está em declínio, a fé muçulmana está crescendo. Enquanto os muçulmanos se infiltram e com êxito propagam sua fé no mundo ocidental, nenhum proselitismo cristão é permitido nos países estritamente muçulmanos. De fato, os muçulmanos tiveram êxito em desarraigar a presença cristã em países como a Líbia, Marrocos, Tunísia, Algéria, Arábia Saudita, etc. Em tempos passados esses países tinham comunidades cristãs florescentes. Alguns dos grandes pensadores cristãos, como Agostinho e Tertuliano, viveram e trabalharam em países do norte africano, que eram predominantemente cristãos. Hoje o número de cristãos nesses países pode ser contado com os dedos de nossas mãos e não há meio possível em mudar essa tendência, pois a fé islâmica é exclusivística. Sua cosmovisão é de molde a ver todo o mundo não-islâmico como hostil a sua fé e como um campo a ser conquistado, ou reconquistado, para a comunidade de terras já dominadas política e ideologicamente pelos seguidores de Maomé.
        Para dar uma palavra sobre Prof. Moshe Sharon, ele recebeu o seu doutorado em História Islâmica Medieval da Universidade Hebraica de Jerusalém e serviu como Consultor em Assuntos Árabes para o ex-Primeiro Ministro de Israel Menachem Begin, bem como para o Ministério da Defesa de Israel. Atualmente ele faz conferências como especialista em História Islâmica na Universidade Hebraica. – Dr. Samuele Bacchiocchi, adaptado de seu Boletim “End Time Issues”, no. 84.
 


A AGENDA DO ISLÃ

Prof. Moshe Sharon
Professor de Histórica Islâmica da
Universidade Hebraica, Jerusalém
        A guerra já teve início há muito tempo entre duas civilizações—a civilização baseada na Bíblia e a civilização baseada no Corão. E isto deve ficar claro.
        Não existe fundamentalismo islâmico. “Fundamentalismo” é uma palavra surgida do seio da religião cristã. Significa fé que toma por base a palavra da Bíblia. O cristianismo fundamentalista, ou de seguir o texto da Bíblia, não significa sair por aí matando gente. Não existe fundamentalismo islâmico. Há somente Islã, e ponto final. A questão   é como o Corão é interpretado.
        De repente vemos que os maiores intérpretes do Islã são políticos no mundo ocidental. Eles conhecem melhor do que todos os oradores nas mesquitas, todos quantos proferem terríveis sermões contra qualquer coisa que seja cristã ou judaica. Esses políticos ocidentais sabem que existem o bom Islã e o mau Islã. Sabem até como diferenciar entre ambos, exceto que nenhum deles sabe ler uma palavra em árabe.

A Linguagem do Islã

        Vejam bem, tanto é coberto por linguagem politicamente correta que, de fato, a verdade fica perdida. Porém, quando falamos a respeito do Islã no ocidente, tentamos empregar nossa própria linguagem e terminologia. Falamos sobre o Islã em termos de democracia e fundamentalismo, em termos de parlamentarismo e todos os tipos de termos, que extraímos de nosso próprio dicionário. Um de meus professores e um dos maiores orientalistas do mundo diz que empregar a cultura ocidental para explicar o Islã é como um repórter querer descrever um jogo de críquete com a terminologia do beisebol. Não podemos empregar para uma cultura ou civilização a linguagem de outra. Para o Islã, tem-se que empregar a linguagem do Islã.

Princípios Motivadores do Islã

        Permitam-me explicar os princípios que motivam a religião do Islã. Logicamente, todo muçulmano tem de reconhecer o fato de que só há um único Deus. Mas não é suficiente dizer que somente existe um Deus. Um muçulmano tem de reconhecer o fato de que há um Deus e Maomé é o seu profeta. Estes são os fundamentos da religião, sem os quais  uma pessoa não pode ser mulçumana.
        Mas além disso, o Islã é uma civilização. É uma religião que concedeu primeiro e mais destacadamente um amplo e singular sistema legal que abrange o indivíduo, a sociedade e as nações com regras de comportamento. Se você é um muçulmano, terá que comportar-se segundo as regras do Islã que são estabelecidas no Corão e que são bastante diferentes dos ensinos da Bíblia.

A Bíblia

        Deixem-me explicar a diferença. A Bíblia é criação do espírito de uma nação ao longo de um período bastante prolongado, se falarmos segundo o ponto de vista de um erudito, e permitam-me permanecer nessa linha de erudição. Há, contudo, algo importante na Bíblia—ela conduz à salvação. E conduz à salvação em duas maneiras.
        No judaísmo, conduz à salvação nacional—não apenas uma nação que deseja ter um estado, mas uma nação que deseja servir a Deus. Esta é a idéia implícita no texto da Bíblia hebraica.
        O Novo Testamento, que assumiu a Bíblia hebraica, nos conduz à salvação pessoal. Assim, temos estes dois tipos de salvação que, de tempos em tempos, se encontram. Mas a palavra-chave é salvação. Salvação pessoal significa que cada indivíduo é procurado pelo próprio Deus, que conduz a pessoa mediante Sua palavra à salvação. Esta é a idéia que se acha na Bíblia, estejamos falando do Velho ou Novo Testamento. Todas as leis na Bíblia, mesmo as de menor destaque, na realidade estão dirigidas a este fato da salvação.
        Em segundo lugar, há outro ponto na Bíblia que é altamente importante. Trata-se da idéia de que o homem foi criado à imagem de Deus. Portanto, você não simplesmente sai por aí e oblitera a imagem de Deus. Muitas pessoas, logicamente, empregavam regras bíblicas e as puseram de cabeça para baixo. A História, tem visto muitos massacres em nome de Deus e no de Jesus . Mas como religiões, tanto o judaísmo quanto o cristianismo em seus princípios fundamentais falam sobre honrar a imagem de Deus e a esperança da salvação. Esses são os dois fundamentos básicos.

A Essência do Islã

        Agora, permitam que me volva à essência do Islã. O Islã nasceu com a idéia de que deveria dominar o mundo. Consideremos, então, a diferença entre essas três religiões. O judaísmo fala sobre salvação nacional—ou seja, que ao final da história, quando o mundo tornar-se um melhor lugar, Israel estará em sua própria terra, governada por seu próprio rei e servindo a Deus. O cristianismo fala sobre a idéia de que cada indivíduo no mundo pode salvar-se de seus pecados, enquanto o Islã fala sobre governar o mundo. Posso citar aqui em árabe, mas não faz sentido citar o árabe, então permitam-me citar um verso em inglês [N.T.: que traduzimos para o português]: “Alá enviou a Maomé com a verdadeira religião de modo a que possa governar todas as religiões”.
        A idéia, portanto, não é que o mundo inteiro se tornará um mundo islâmico neste tempo, mas que o mundo inteiro será subjugado sob o governo do Islã. Quando o império islâmico foi estabelecido em 634 AD, dentro de sete anos (640 AD) o cerne do império estava criado. As regras extraídas do Corão e da tradição atribuída ao profeta Maomé, foram traduzidas num sistema legal real. Os judeus e os cristãos podiam viver sob o Islã, desde que pagassem tributos e aceitassem a superioridade islâmica. Logicamente, eles tinham que ser humilhados. E os judeus e cristãos que vivem sob o Islã são humilhados até nossos dias.
        Maomé mantinha que todos os profetas bíblicos eram muçulmanos. Ele aceitava a existência de todos os profetas bíblicos anteriores a ele. Contudo, também dizia que todos esses profetas eram muçulmanos. Abraão era um muçulmano. De fato, o próprio Adão foi o primeiro muçulmano. Isaque e Jacó, e Davi e Salomão, e Moisés e Jesus  foram todos muçulmanos, e todos eles possuíam escritos semelhantes ao Corão. Portanto, a história humana é a história islâmica porque todos os heróis da história foram muçulmanos.
        Ademais, os muçulmanos aceitam o fato de que cada um desses profetas trazia consigo algum tipo de revelação. Moisés trouxe o Taurat, que e a Torá, e Jesus trouxe o ingeel, que é o evangelho—em outras palavras, o Novo Testamento.

Bíblia Versus Corão

        Por que, então, a Bíblia não se assemelha ao Corão? Maomé explica que os judeus e cristãos forjaram seus livros. Caso não tivessem sido forjados e alterados, poderiam ser idênticos ao Corão. Sendo, porém, que os cristãos e judeus têm alguma verdade, o Islã concede que eles não podem ser completamente destruídos pela guerra [por enquanto].
        Contudo, as leis são bem claras—os judeus e cristãos não têm quaisquer direitos à existência independente. Eles podem viver sob o domínio islâmico, desde que observem as regras que o Islã promulga para eles.

O Domínio Islâmico e a Jihad

        O que acontece se os judeus e cristãos não desejarem viver sob as regras do Islã? Então o Islã tem que combatê-los e essa luta se chama Jihad. Esta palavra denota guerra contra aquelas pessoas que não desejam aceitar a regra islâmica superior. Isso é Jihad. Podem ser judeus; podem ser cristãos; podem ser politeístas. Mas sendo que não temos muitos politeístas deixados, pelo menos não no Oriente Médio—a guerra deles é contra os judeus e cristãos.
        Poucos dias atrás recebi um panfleto distribuído pelo mundo por bin Laden. Ele convoca uma jihad contra os Estados Unidos como o líder do mundo cristão, não porque os EUA apóiem Israel, mas porque os americanos estão contaminando a Arábia com  seus pés imundos. Há americanos na Arábia onde nenhum cristão devia ser encontrado. Nesse panfleto não se encontra uma só palavra sobre Israel,  apenas que os americanos estão profanando a terra do profeta.

Duas Casas

        O Corão vê o mundo como dividido em dois—uma parte que já está sob o regime islâmico, e uma parte que deve supostamente vir sob o regime islâmico no futuro. Há uma divisão do mundo que é mt clara. Toda pessoa que começa a estudar o Islã sabe disso.
        O mundo é descrito como Dar al-Islam (a casa do Islã)—que corresponde à parte em que o Islã governa—e a outra parte se chama Dar al-Harb—a casa da guerra. Não a “casa dos não-muçulmanos”, mas a “casa da guerra”. É essa casa da guerra que deve ser, ao final dos tempos, conquistada. O mundo continuará a ser a casa da guerra até que venha a estar sob o domínio islâmico.
        Esta é a norma. Por quê? Porque Alá diz que assim é no Corão. Deus enviou Maomé com  a verdadeira religião a fim de que a verdade vença todas as demais religiões.

Lei Islâmica

        Dentro da visão islâmica do mundo, há regras que governam a vida dos próprios muçulmanos, e essas regras são muito estritas. No que é fundamental, não há diferença entre escolas de lei. Contudo, há quatro correntes dentro do Islã, com diferenças entre elas concernente a minúcias das leis. Por todo o mundo islâmico, países têm dado preferência a uma ou outra dessas escolas de lei.
        A escola mais estrita de lei chama-se Hanbali, originária sobretudo da Arábia Saudita. Não há jogo de palavras aqui. Se o Corão fala sobre guerra, então quer dizer guerra.
Há várias perspectivas no Islã com diferentes interpretações ao longo dos séculos. Houve boa gente que bem ilustrada sobre o Islã, pessoas que tentaram entender as coisas de modo diferente. Até trouxeram tradições da boca do profeta de que as mulheres e crianças não deviam ser mortas na guerra.
        Essas correntes mais liberais de fato existem, mas há um fato que é muito importante recordar.  A escola de lei Hanbali é extremamente estrita, e hoje esta é a escola que está por trás da maiorias das potências terroristas. Mesmo que tratemos da existência de outras escolas de legislação islâmica, quando falamos sobre a luta contra os judeus, ou contra os mundo cristão liderado pelos EUA, é a escola Hanbali que está sendo seguida.

Islã e Território

        Esta civilização criou uma regra muito importante, fundamental, sobre território. Qualquer território que chega a estar sob o regime islâmico não pode ser desislamizado. Mesmo que numa ocasião ou outra, o inimigo [não-muçulmano] assuma o território que esteve sob a regra islâmica, é considerado como sendo perpetuamente islâmico. É por isso que toda vez que ouvir sobre conflito árabe-israelense, o que ouve é: território, território, território. Há outros aspectos para o conflito, mas território é altamente importante.
        A civilização cristã não tem somente sido vista como um oponente religioso, mas como uma barreira que impede o Islã de realizar sua meta final para o qual foi criado. Todo muçulmano que morre na luta para expandir o Islã é um shaheed (mártir) não importa como morra, porque—e isto é muito importante—esta é uma guerra contínua entre as duas civilizações. Não se trata de uma guerra que pare. Esta guerra existe porque foi criada por Alá. O Islã deve ser o poder dominante. Esta é uma guerra que não cessará.

Islã e Paz

        Paz no Islã só pode existir dentro do mundo islâmico; paz pode somente ocorrer entre muçulmano e muçulmano. Com o mundo não-muçulmano ou oponentes não-muçulmanos, somente resta uma solução—um cessar-fogo até que os muçulmanos possam conseguir mais poder. É uma eterna guerra até o fim dos tempos. Paz somente pode advir quando o lado islâmico vencer.
        As duas civilizações só podem ter períodos de cessar-fogo. E essa idéia de cessar-fogo baseia-se num precedente histórico muito importante, ao qual, incidentemente, Yasser Arafat se referiu ao falar em Joanesburgo após ter assinado o Acordo de Oslo com  Israel. Permitam-me lembrá-los que o documento fala de paz—mas vocês não acreditariam no que estão lendo! Pensariam que estará lendo um texto de ficção científica. Quero dizer, quando lê isso você não pode crer que isso foi assinado por israelitas que estão de fato familiarizados com a política e civilização islâmicas.
        Poucas semanas após a assinatura do Acordo de Oslo, Arafat foi a Joanesburgo, e numa mesquita ali fez um discurso no qual se desculpava, dizendo: “Acreditam que eu assinei algo com  os judeus que seja contrário às regras do Islã?” (Eu consegui uma cópia do discurso gravado de Arafat, assim, ouvi isto de sua própria boca). Arafat prossegue: “Isto não é assim. Estou fazendo exatamente o que o profeta Maomé fez”.
        Qualquer coisa que o profeta supostamente fez ou disse torna-se um precedente. O que Arafat estava dizendo era: “Lembrem-se da história de Hodaybiya”. O profeta havia feito um acordo ali com a tribo Kuraish por 10 anos. Mas daí ele treinou 10.000 soldados e dentro de dois anos marchou sobre a cidade deles, Meca. Ele, logicamente, encontrou algum tipo de pretexto.
        Destarte, na jurisprudência islâmica, tornou-se um precedente legal, que declara que você só tem permissão de fazer paz por um máximo de 10 anos. Em segundo lugar, na primeira oportunidade que surgir, deve renovar a jihad [quebrando o acordo de “paz”].
        Em Israel, levou mais de 50 anos neste país para nosso povo entender que não podem falar sobre paz [permanente] com os muçulmanos. Levará outros 50 anos para o mundo ocidental entender que está num estado de guerra com a civilização islâmica que é viril e forte. Isso deve ser compreendido: Quando falamos sobre guerra e paz, não estamos tratando em termos belgas, nem franceses, nem ingleses ou alemães. Estamos falando sobre guerra e paz em termos islâmicos.

Cessar-fogo Como Opção Tática

        O que faz o Islã aceitar o cessar-fogo? Somente uma coisa: quando o inimigo é por demais forte. É uma opção tática. Às vezes, ele pode ter que concordar com  um cessar-fogo nas condições mais humilhantes. É permitido porque Maomé aceitou um cessar-fogo sob condições humilhantes. Foi isso o que Arafat declarou em Joanesburgo.
        Quando os elaboradores de política do Ocidente ouvem sobre tais coisas, respondem: “Sobre o que está falando? Você está na Idade Média. Você não entende os mecanismos da política”. que mecanismos da política?
        Não existem mecanismos da política onde prevalece o poder. E desejo dizer-lhes uma coisa: vocês não viram o fim disso, porque no minuto em que uma potência muçulmana radical tiver armas atômicas, químicas e biológicas, eles a empregarão. Não tenho dúvida quanto a isso.
        Agora, uma vez defrontemos guerra e saibamos que nada mais podemos obter senão um cessar-fogo temporário, a pessoa tem que se indagar qual é o principal componente de um cessar-fogo árabe-israelita. É que o lado islâmico seja fraco e o lado israelita seja forte. As relações entre Israel e o mundo árabe nos últimos 50 anos desde o estabelecimento de nosso Estado têm-se baseado somente nessa idéia, o poder dissuasório.

Onde Quer Que Haja Islã, Haverá Guerra

        A razão de termos o que temos na Iugoslávia e outros lugares é porque o Islã teve êxito em penetrar nesses países. Onde quer que se tenha o Islã, se terá guerra. Isso se desenvolve a partir da atitude da civilização islâmica. Por que os pobres nas Filipinas estão sendo mortos? O que se passa entre o Paquistão e a Índia?

Guerra Islâmica Por Infiltração

        Por outro lado, existe outro fato que precisa se ter em mente. O mundo islâmico não só tem uma atitude de guerra aberta, como também o método de guerra por infiltração. Uma das coisas que o mundo ocidental não está prestando atenção suficientemente é o tremendo crescimento do poder islâmico no mundo ocidental. O que se passou nos Estados Unidos e as Torres Gêmeas de Nova York não é algo que veio de fora. E se os Estados Unidos não despertarem, um dia os americanos se verão em meio a uma guerra química e mais provavelmente numa guerra atômica—fora dos EUA.

O Fim dos Tempos

        É altamente importante entender como a civilização muçulmana encara o fim dos tempos. No cristianismo e judaísmo, bem sabemos qual é a visão do fim dos tempos.
        No judaísmo, será como em Isaías—paz entre as nações, não apenas uma nação, mas entre todas as nações. As pessoas não precisarão mais de armas e a natureza será modificada—um belo fim dos dias e o reino de Deus sobre a Terra.
        O cristianismo vai até onde o Apocalipse revela para testemunhar o próprio Satanás sendo destruído. Não haverá mais poderes da maldade. Esta é a visão.
        Estou falando agora como um historiador. Tento entender como o Islã vê os dias finais. Nos fim dos tempos, o Islã vê um mundo totalmente muçulmano, completamente muçulmano sob o domínio do Islã. Vitória completa e final. Os cristãos não existirão porque, de acordo com muitas tradições muçulmanas, os muçulmanos que estão no inferno terão que ser substituídos por alguém e esses serão os cristãos.
        Os judeus não mais existirão, porque antes da vinda dos dias finais, haverá uma guerra contra os judeus em que todos os judeus serão mortos. Estou citando o agora do próprio cerne da tradição islâmica, de livros que são lidos por toda criança nas escolas muçulmanas. Os judeus serão todos mortos. Estarão em fuga e se esconderão atrás  de árvores e rochas, e nesse dia Alá dará boca às rochas e árvores e dirão: “Oh, muçulmano, venha aqui pois há um judeu atrás de mim, mate-o”. Sem isto, o fim dos tempos não pode ocorrer. Este é um ensino fundamental do Islã.

Há Possibilidade do Fim Desta Dança de Guerra?

        A questão que nós em Israel estamos nos indagando é o que acontecerá com  o nosso país? Há alguma possibilidade do fim desta dança de guerra? A resposta é, “Não num futuro previsível”. O que podemos fazer é atingir uma condição em que podemos ter relativa tranqüilidade por alguns anos.
        Quanto ao Islã, o estabelecimento do estado de Israel foi uma reversão da história   islâmica. Primeiro, o território islâmico foi tomado do Islã por judeus. Por estas alturas já sabem que isso nunca pode ser aceito, nem mesmo para um metro. Assim, todos que pensam que Tel Aviv está segura está cometendo um sério erro.
          Território, que alguma vez foi dominado pelo regime islâmico, agora tornou-se não-islâmico.
          Os não-muçulmanos são independentes do regime islâmico; os judeus criaram seu próprio estado independente. Isto é anátema.
        E, o que é pior, Israel, um estado não-muçulmano, está governando sobre muçulmanos. É impensável que não-muçulmanos governem sobre muçulmanos.
        Creio que a civilização ocidental deve manter-se unida e em mútuo apoio. Se isso ocorrerá ou não, ignoro. Israel encontra-se nas linhas de frente dessa guerra. Precisa da ajuda de sua civilização irmã. Precisa do auxílio dos EUA e Europa. Precisa de ajuda do mundo cristão. De uma coisa estou certo, essa ajuda pode ser concedida por cristãos individuais que vêem isto como um caminho para a salvação.
 


Comentário Final do Dr. Samuele Bacchiocchi

        A conferência do Prof. Moshe Sharon revela sua preocupação como judeu, especialmente em vista da contínua ameaça imposta pela visão muçulmana do fim para a sobrevivência de Israel. O que achei de auxílio em sua conferência é a maneira simples e clara em que Sharon explica a diferença entre a visão muçulmana do fim em comparação com a do judaísmo e cristianismo.
        Conquanto tanto o judaísmo quanto o cristianismo vejam o Fim como um novo mundo em que prevalece a paz entre as nações e quando o mal será erradicado, o Islã vê o Fim como um mundo totalmente dominado e governado pelos muçulmanos. Estes últimos crêem que finalmente terão êxito em erradicar a presença de cristãos, judeus, e todos os outros tipos de “infiéis” da face da terra.
        Francamente, creio ser assustadora esta visão escatológica muçulmana, exclusivista, intolerante e arrogante, para dizer o mínimo. Tal visão pode levar nações muçulmanas que estão desenvolvendo armas biológicas, químicas ou nucleares, como a Líbia ou o Iraque, a usá-las a fim de fazer avançar a causa islamita e apressar o estabelecimento do Reino Muçulmano sobre a Terra. O que tudo isso significa é que aquilo por que os muçulmanos estão lutando, no final de contas, não é meramente mais território na Palestina, no Oriente Médio, mas por um controle total do território deste planeta.
        É imperativo que os líderes políticos e cristãos entendam que a agenda do Islã se estende além da Palestina, para abarcar o mundo inteiro. A resposta cristã à agenda muçulmana é encontrar maneiras criativas de alcançar os muçulmanos com as Boas Novas do Evangelho. Precisamos ajudar nossos amigos muçulmanos a entender e experimentar o Poder do Evangelho, que é paz pessoal com Deus na vida presente, e paz eterna global no mundo por vir. Essa paz é alcançada, não por domínio de qualquer nação em particular, mas pelo estabelecimento do Reino de Deus após a erradicação de todas as formas de  malignidade.
 

        Declarou o falecido aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã: “O mundo será dominado pelo Islã. A República Iraniana será apenas o começo. Depois, trataremos de avançar em direção aos demais povos islâmicos do mundo. E, por fim, lutaremos pela evangelização e conversão que consagrarão a ressurreição da humanidade”-- Citado no Artigo 48a de nosso Catálogo de Temas, “O Islamismo e o Mundo Ocidental” (disponibilizado a quem o solicitar pelo e-mail azenilto@yahoo.com.br).
 


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