Os Princípios Bíblicos de Saúde e as Bênçãos Que Acarretam
Mente Sã em Corpo São:

Prof. Azenilto G. Brito

      A definição de nossa posição como cristãos sobre o viver saudável começa por primeiro ouvirmos o que Deus tem a dizer a respeito em Sua Palavra, e então ao que a pesquisa científica nos fala com respeito aos efeitos danosos de produtos que devemos evitar, e do sábio discernimento na escolha daqueles que melhor nos servirão à saúde e ao desenvolvimento físico e mental.
      Na Bíblia encontramos princípios de saúde e temperança que visam ao melhor para o povo de Deus. Veja as razões das proibições de certos alimentos e as claras vantagens de atentar às instruções divinas no comer e beber.

A Busca Pela Saúde Ideal

      Nestes últimos tempos, a preocupação com a saúde tem despertado milhões a buscarem meios de aprimorar o físico, para o que muito dinheiro e tempo é devotado. Na perseguição da perfeição corpórea as pessoas procuram infindavelmente os últimos segredos da boa saúde. Isso inclui injeções, tratamentos, dietas, suplementos, pílulas, aparelhos especiais. Estima-se que no próximo ano os americanos gastarão mais de um trilhão de dólares em produtos de saúde e bilhões em suplementos e tratamentos médicos alternativos.
      A despeito de toda essa ênfase e preocupação com saúde, dificilmente se pode considerar o americano médio uma pessoa saudável. Mais de 60 por cento da população dos EUA tem peso superior ao normal e mais de 30 por cento são obesos. Milhões sofrem de problemas cardíacos, câncer, derrames, diabetes e outros males. Outros milhões usam regularmente drogas para desordens mentais.
      O fato é que em meio a toda essa frenética e dispendiosa busca por saúde ideal por tanta gente, não se constata que saúde e paz mental caracterizem nossa sociedade moderna, especialmente nos países desenvolvidos. Por que se dá isso?

O Empenho Educativo

      Programas educativos para informar as pessoas, inclusive de igrejas cristãs, quanto aos efeitos deletérios de bebidas alcoólicas para sua saúde, auto-imagem, família e sociedade são urgentemente necessários. Mas esses programas por si sós acaso propiciarão motivação suficiente para convencer as pessoas a serem abstêmias? Isso certamente não é suficiente. Mais do que ética biológica se faz necessário. De fato, ética bíblica é o de que os crentes em Jesus Cristo carecem em todos os aspectos da vida.
      Somente quando um cristão reconhece que o beber não é somente um mau hábito que prejudica a saúde, mas também uma transgressão de um princípio concedido por Deus para assegurar nossa saúde e santidade, é que essa pessoa se sentirá inspirada a abster-se de substâncias intoxicantes. O tremendo esforço de tantos governos para convencer o público quanto aos males do cigarro não tem reduzido substancialmente o número de fumantes. Só nos EUA calcula-se que 40 milhões de pessoas preferem destruir a saúde com o cigarro a abandonarem o hábito. Isso demonstra que ética biológica somente não é o suficiente.
      De igual modo, educar as pessoas com respeito aos efeitos físico-sociais do álcool não reduzirá substancialmente o problema da bebida, seja nas igrejas ou na sociedade em geral. A razão disso é a decaída natureza humana, descrita por Paulo nestes termos: “Pois não faço o que prefiro, e, sim, o que detesto . . . Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rom 7:15, 24).
      A longa e triste experiência da raça humana nos ensina que por causa do prazer imediato, os seres humanos persistirão em fazer o que sabem que, por fim, destruirá não só seu bem-estar, mas também o da sociedade.

O CAMINHO DA LIBERDADE CRISTÃ

      O cristão encontra liberdade em seu empenho de servir a Deus, não buscando servir-se, mas procurando saber qual é a vontade de Deus para cumpri-la, antes que pelo satisfazer e conservar o seu estilo de vida. Nossa existência presente é sem sentido e sem objetivo até que encontremos o seu significado e cumprimento em Deus. As boas novas das Escrituras são de que Deus propiciou-nos um meio para encontrar o sentido em cumprimento Nele, por aceitar o Seu perdão por nossos pecados passados, e por vivermos no presente segundo os princípios de Sua Palavra, por Seu poder. Este foi, como Paulo explica, o propósito da vinda de Cristo a este mundo “em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado . . . a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rom 8:3, 4). Isso tudo significa que nossa posição cristã sobre o viver saudável deve ser formulada não meramente com base em ética biológica, mas basicamente com base na ética bíblica.
      Nossa convicção deve estar firmada não só nos efeitos negativos de um estilo de vida intemperante nos aspectos físico-sociais, mas também nos princípios positivos e admoestações concernentes ao viver saudável, como oferecidos nas Escrituras. A definição de nossa posição cristã sobre o viver saudável começa por primeiro ouvirmos o que Deus tem a dizer a respeito em Sua Palavra, e então ao que a pesquisa científica nos fala com respeito aos efeitos danosos da bebida, fumo, drogas e outros hábitos alimentares e comportamentais malsãos.
      “O mundo ocidental desenvolveu uma perspectiva distorcida sobre saúde porque perdemos a bússola destinada a nos dar equilíbrio nesta área vital”, afirma o Dr. Douglas S. Winnail, escrevendo para Tomorrow’s World. E prossegue: “Precipitamo-nos de um extremo a outro--de drogas a ervas, de cirurgia a massagens de fluxos de energia-porque perdemos o rumo das diretrizes básicas propiciadas por nosso Criador no manual de operações para os seres humanos--a Bíblia. Enquanto o falso deus da saúde toma o lugar do Deus da Bíblia, a maioria das pessoas hoje não percebe que o Deus real--o Criador do Universo e planejador do corpo humano--tem grande preocupação pela saúde humana. Dezenas de versos na Bíblia dedicam-se ao assunto”. E ele lembra que “conquanto alguns combinem saúde com religião e se tornem fanáticos, os princípios bíblicos de saúde são importantes--notavelmente equilibrados--e práticos!”
      A seguir, o Dr. Winnail dedica-se a expor alguns desses princípios bíblicos e seu estudo é de interesse para todos aqueles cristãos que entendem que a mensagem bíblica diz respeito a seu ser integral. Afinal, o apóstolo João, introduz sua 3a. epístola com a saudação, “Amado, acima de tudo faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3a. João vs. 2).Por seu turno, o apóstolo Paulo recorda: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo e que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? . . . Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Cor. 6:19).
      Eis a reprodução da parte mais importante do artigo “Bible Principles of Health” [Princípios Bíblicos de Saúde], do especialista em saúde pública, Dr. Douglas S. Winnail:

Uma dimensão que falta na vida e religião

      A Bíblia não é um compêndio didático sobre saúde ou nutrição. Contudo, nas Escrituras Deus propicia princípios fundamentais para direcionar nossas escolhas pessoais por caminhos que promovem a saúde e previnem doenças. No antigo Israel, era tarefa dos sacerdotes e levitas--não de médicos, gurus de saúde ou legisladores--propiciar instrução sanitária básica e estabelecer diretrizes para as políticas sanitárias nacionais. Ao passarmos em revista alguns dos princípios bíblicos de saúde descobriremos quão simples, contudo atuais, são essas informações--embora hajam sido registradas milhares de anos atrás! Deus revelou verdades fundamentais na Bíblia que a ciência médica tem levado milhares de anos para confirmar. Lamentavelmente, muitos teólogos não entendem o valor dos princípios de saúde registrados nas Escrituras--e como resultado têm falhado em cumprir importante função designada por Deus.

Carnes Limpas e Imundas

      Provavelmente as leis sanitárias da Bíblia mais conhecidas e menos compreendidas tratem de carnes limpas e imundas (ver Levítico 11 e Deuteronômio 14). Estas são freqüentemente referidas como leis alimentícias “judaicas” porque são ainda seguidas pelos judeus ortodoxos; contudo, muçulmanos e outros também observam restrições alimentícias semelhantes.
      Muitos teólogos asseguram que essas diretrizes bíblicas não foram dadas por razões sanitárias, mas eram meras práticas cúlticas destinadas a separar os antigos israelitas dos outros povos. Outros ensinam que essas instruções eram para pessoas que viviam sob o Velho Concerto e que os cristãos, que estão sob um Novo Concerto, estão livres para comer o que desejarem. Alguns alegam que as restrições dietéticas na Bíblia são tolas, fora de moda e meramente limitam a liberdade e prazeres humanos!
      Essas idéias amplamente acatadas têm por base a ignorância. A maioria dos teólogos não tem qualquer instrução sobre biologia, ecologia, microbiologia, parasitologia, epidemiologia ou saúde pública, contudo o conhecimento dessas áreas revela a sabedoria por detrás das leis que dizem respeito aos alimentos limpos e imundos.
      Muitos animais imundos são lixeiros (ex.: lesmas, caranguejos, camarões, lagostas e gaivotas)--a sua função ecológica é devorar plantas ou animais mortos. Outros animais imundos são filtradores naturais (ex.: ostras e conchas)--seu papel ecológico é purificar a água em lagos, córregos e estuários. Outros animais impuros são predadores (e.g.: leões, cobras e crocodilos)-sua participação ecológica é administrar o tamanho e saúde das outras populações animais.
      Há razões ecológicas muito importantes pelas quais os animais imundos que Deus criou não devem servir de alimento para os seres humanos. Deus os designou para outro propósito!
      Contudo, há também importantes razões sanitárias por detrás dessas restrições dietéticas. Muitos animais imundos são portadores de parasitos que causam sérias doenças nos seres humanos. Porcos, ursos, esquilos e racoons são carregados de triquinose e outras enfermidades. “Lixeiros” como os caranguejos e camarões podem transmitir infecções de pulmão e fígado.
      Populações humanas que consomem essas criaturas numa base regular muitas vezes apresentam elevados índices de infecção parasítica. Organismos filtradores, como as conchas e ostras, podem conter elevadas concentrações de metais pesados tóxicos, bactérias patogênicas e vírus, tornando-os perigosos para o consumo humano. Quando se comem essas criaturas, os que o fazem estão consumindo organismos criados por Deus para ser a “equipe de limpeza” da natureza. Você se alimentaria com o conteúdo do saco de seu aspirador de pó ou de sua lata de lixo? É difícil, não é mesmo?! Não obstante, muitos pratos especiais são servidos sobre a inocente ignorância quanto aos riscos envolvidos.
      Longe serem práticas do Velho Concerto fora de moda, as leis bíblicas concernentes a carnes limpas e imundas foram inspiradas por um Deus que criou todas as coisas para um propósito-um Deus preocupado em promover a saúde e prevenir doenças! Evitar carnes impuras é um passo fundamental para prevenir doenças parasitárias de maior peso que afligem a milhões de pessoas por todo o mundo. Quando violamos esses princípios básicos, nós o fazemos em detrimento de nossa própria saúde! Lamentavelmente, os teólogos modernos não compreendem o valor desses poderosos princípios de saúde pública-como não os entendem muitos professos cristãos.

Leis Dietéticas da Bíblia

      A Bíblia contém outras importantes instruções que a ciência médica apenas há pouco veio a entender. Moisés foi inspirado a registrar que o sangue e a gordura, mesmo de animais limpos, não deviam ser consumidos como alimento humano (Lev. 3:17; 7:23-26; Gên. 9:4). Entretanto, em algumas culturas comer salsichas de sangue, banha de vários animais e misturar sangue com leite são práticas comuns. O sangue de animais pode conter bactérias e vírus que transmitem doença. Esta importante proibição bíblica foi destinada a impedir a difusão de doenças.
      A proibição contra consumir gordura visível é igualmente importante, especialmente no que se relaciona com nosso moderno regime alimentar. Uma das descobertas mais significativas de estudos epidemiológicos conduzidos nos últimos 50 anos tem sido o elo de ligação entre alimentação rica em gordura e as doenças cardíacas, derrames e vários tipos de câncer. Essas são causas principais de morte em países onde grandes quantidades de alimentos gordurosos--tais como hamburguers, batatinhas fritas, milkshakes triplos, sorvetes e molhos espessos de saladas-são consumidos.
      Muitos alimentos comuns--presunto, cachorros quentes, queijo, etc.--podem ter mais do que 50 por cento de gorduras. Alimentação gordurosa também tem elevadas calorias que contribuem para problemas de peso em nossa sociedade moderna. A ciência médica tem aprendido que o consumo de gorduras é perigoso, contudo Deus revelou isto a Moisés milhares de anos atrás! É uma tragédia que essa informação bíblica tenha sido ignorada por tanto tempo.
      Em Gênesis lemos que Deus deu à humanidade frutas, verduras e grãos por alimento, além de carnes limpas (Gên. 1:29; 2:16; 9:3). Frutas, verduras e grãos integrais contêm fibra e outros carboidratos complexos. O valor dessas substâncias nutricionais somente foi percebida em décadas recentes. As fibras, que outrora eram julgadas sem importância, acrescentam volume ao conteúdo intestinal e desempenham um papel vital em proteger o corpo do câncer de cólon e outras doenças crônicas.
      Os carboidratos complexos são também parte importante de um regime alimentar saudável. Reduzem os níveis de colesterol que ajudam a prevenir doenças cardíacas e derrames.
      Outro sério problema com os regimes alimentares ocidentais é o elevado consumo de carboidratos refinados. O trigo e o açúcar refinados são privados de nutrientes vitais. As populações que consomem grandes montantes de carboidratos refinados experimentam índices mais elevados de diabetes e outros problemas relacionados. Contudo, a Bíblia adverte contra esse tipo de alimentação. Salomão foi inspirado a escrever: “Achaste mel? Come apenas o que te basta; para que não te fartes dele, e venhas a vomitá-lo” (Prov. 25:16 e 27). Conquanto o mel seja uma substância “natural”, é “refinado” em certo sentido pelas abelhas que o produzem. O pólen colhido de muitas flores é concentrado para formar o mel. O princípio bíblico é usar os carboidratos refinados sem exageros, contudo dado o assustador consumo de refrigerantes (mais de 50 galões por pessoa cada ano nos EUA), doces, tortas e alimentos pré-açucarados, muitas pessoas ingerem mais de 45 quilos de açúcares refinados por ano--novamente para seu prejuízo.
      Quando essas instruções bíblicas são consideradas objetivamente, concordam com o conselho nutricional baseado nas últimas pesquisas: reduza o consumo de gorduras, aumente o uso de carboidratos complexos (frutas, verduras e grãos integrais), limite o consumo de carne e carboidratos refinados. Isto não é de surpreender porque a verdade não muda! Deus revelou verdades fundamentais sobre a nutrição humana milhares de anos atrás para o benefício da humanidade. E Ele confiou essas informações para líderes religiosos que deviam ensiná-las a outros. Dá o que pensar quando se percebe que a maior parte do sofrimento humano poderia ser prevenida se simplesmente seguíssemos as instruções divinas.

Abuso de Álcool e Drogas

      A Bíblia condena a embriaguez e o abuso do álcool (Prov. 20:1; 1 Cor. 5:11), mas há permissão para o seu uso para uma variedade de propósitos (Deut. 14:26). Paulo recomendou o uso de álcool para promover a saúde. Ele disse a Timóteo, “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1 Tim. 5:23). A chave é moderação (Fil. 4:5). Quantidades moderadas de álcool produzem relaxamento, aumenta os níveis do chamado “bom colesterol”, reduzem o risco de doença cardiovascular e aumenta os ácidos estomacais, assim auxiliando na digestão em pessoas idosas. A Bíblia propicia importantes diretrizes para o uso do álcool, requerendo decisões pessoais que desenvolve o caráter individual!
      [N.T.: Em razão do que se sabe hoje sobre a força das tendências herdadas, indutoras a vícios, como no caso de descendentes de alcoólicos que revelam maior tendência a prender-se a hábitos escravizantes, e diante de informações de que o suco de uva não-alcoólico pode produzir os mesmos efeitos benéficos acima descritos, é preferível não recorrer ao vinho alcoólico nem a qualquer forma de bebida alcoólica, mesmo em vista de seus supostos benefícios sanitários].
      Conquanto o fumo e as drogas recreacionais não sejam mencionadas nas Escrituras, princípios que governam o uso de tais substâncias são claramente expostos na Bíblia. Paulo escreve, “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Cor. 3:17).
      As Escrituras de forma patente afirmam que não devemos danificar nosso corpo--o que se dá com o abuso de drogas (sejam legais ou ilegais). Esses princípios bíblicos são preventivos em natureza, e qualquer pessoa que tenha bom senso pode ver isto. Entregar-se a anseio por álcool, fumo ou drogas é uma forma de idolatria, o que viola vários dos dez mandamentos. Os princípios sanitários bíblicos não têm a intenção de limitar o prazer humano, antes, visam a assegurar que esses prazeres sejam experiências positivas.

Exercício Também!

      Ao longo da história, muitos têm sido levados a crer que os cristãos devem idealmente levar uma vida tranqüila, sedentária, monástica, dedicada à oração, estudo e meditação. Contudo, Jesus Cristo veio a este mundo não como um monge enclausurado, mas como um carpinteiro numa época em que não havia ferramentas elétricas! Ele escolheu a pescadores como Pedro, André, Tiago e João que não contavam com motores a diesel para seus barcos, nem equipamentos mecânicos para puxar as redes. Quando Jesus chamou os discípulos para segui-Lo (Mat. 4:19), isso incluía caminhar centenas de quilômetros por ano. Esses exemplos são importantes porque esse estilo de vida fisicamente ativo os manteve saudáveis e propiciou-lhes vigor para completarem sua missão.
      O apóstolo Paulo recomenda que nosso enfoque primário deve estar nas coisas espirituais: “O exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa” (1 Tim. 4:8). Isto é exatamente o que a pesquisa moderna está demonstrando. O exercício deve ocorrer numa base regular porque os seus benefícios são apenas temporários! Contudo, tais benefícios são vitais--reduzem os níveis de colesterol, pressão arterial e estresse, e previnem diabetes, doenças cardíacas e uma porção de outros problemas.

Uma Dimensão Espiritual

      Uma das descobertas mais interessantes na educação sanitária tem sido o reconhecimento do que é chamado “saúde espiritual”. Esta área de estudo reconhece o papel vital que crenças e valores desempenham em influenciar o comportamento e a saúde. Indivíduos que crêem em Deus, assistem à igreja regularmente e conservam convicções morais vigorosas são menos inclinados a recorrerem ao fumo, abuso do álcool ou drogas ou a atividades sexuais promíscuas.
        Embora nossa sociedade liberal chame a essas coisas “liberdades humanas normais”, os profissionais de saúde as denominam comportamentos de alto risco. A Bíblia chama a essas coisas pecados--a serem evitados! As proibições bíblicas contra a glutonaria, letargia, embriaguez e promiscuidade sexual, bem como as diretrizes alimentares, são importantes e enquadram-se em diretrizes sanitárias de saúde pública que promovem o viver saudável.
      Os princípios bíblicos de saúde oferecem notável contraste com os valores desvirtuados--”se lhe parece bom, faça-o”--de nossa sociedade liberal! Quando esses valores são ensinados pela família, e reforçados pelas igrejas e escolas, os indivíduos mais provavelmente desenvolverão comportamentos positivos que promovem a saúde e previnem a doença. As crenças religiosas individuais são uma poderosa influência sobre o comportamento. Por isso Deus incluiu na Bíblia importantes instruções sobre saúde--para que os líderes religiosos as ensinassem!
      Contudo, há mais na Bíblia do que uma lista de “faça isto” ou “não faça aquilo” quanto a saúde. Não obstante muitos hoje terem perdido de vista as instruções de Deus, e tornado a saúde um fim em si mesma, a Bíblia provê razões mais profundas para nossas decisões na vida. Das Escrituras aprendemos que fomos feitos à imagem de Deus (Gênesis 1:26), que seremos responsabilizados por nossos atos e que devemos “glorificar a Deus com nossos corpos” (1 Cor. 6:20). Nossos corpos, porém, não foram feitos para durar para sempre (Sal. 39:5; Tia. 4:14). Nosso real desafio é aprender a pensar como Deus, desenvolver caracteres santificados (Fil. 2:5) e demonstrar amor pelos semelhantes (João 15:17). Esta vida é apenas um campo de treinamento para um incrível futuro (1 Cor 9:24-27). Se aprendermos a seguir as instruções de Deus, e cuidar apropriadamente do que Deus nos concedeu, receberemos uma recompensa que inclui reinar com Cristo quando Ele retornar para estabelecer o Seu Reino sobre a terra (Apoc. 5:10). Este é o evangelho (Mar. 1:14, 15)!

Descanso Divino Para a Inquietude Humana

      O Dr. Samuele Bacchiocchi fala agora de suas pesquisas sobre a questão do dia de repouso, sua especialidade, com relação ao tema da saúde. Haveria alguma relação? O que se segue é parte de uma exposição sua discutindo a questão:

      Há hoje um interesse sem precedentes por uma redescoberta do dia de descanso semanal para a renovação física, mental e social de nossas vidas sobrecarregadas de tensão e estresse. É incrível ver quantos artigos e livros promovendo os benefícios do dia de descanso têm aparecido recentemente. Mas um exame dessa literatura revela a falta de uma dimensão espiritual. As pessoas são encorajadas a descansar no dia de repouso por causa dos benefícios físicos, mentais, sociais, econômicos e ecológicos. Esses são benefícios importantes propiciados pelo dia de descanso semanal, mas de uma perspectiva bíblica, o repouso sabático é teocêntrico, não egocêntrico. Em outras palavras, a Bíblia nos convoca a “descansar para o Senhor”, não para nós mesmos. É a dimensão espiritual que torna o descanso sabático tão singular.
        Como explicado em Hebreus 4:10, cessamos nosso trabalho no sétimo dia a fim de entrar no descanso de Deus. Nossa teologia da observância do sábado está intimamente relacionada com nossa teologia de saúde. Afinal de contas, a guarda do sábado é parte do viver saudável. Jesus declarou que “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2:27), para seu benefício em todos os sentidos--físico, mental e espiritual.
      Tanto o princípio do descanso no sétimo dia quanto a preocupação com saúde têm um denominador comum: ambos nos instam a honrar ao Senhor mediante o emprego de nosso tempo e corpo. Descansamos no sábado e vivemos um estilo de vida puro e saudável porque servimos a um Deus santo que nos chama para sermos um povo santo, não só em Seu dia santo, mas todos os dias. Um dia santo para um povo santo.
Um número crescente de cristãos das mais diferentes tradições confessionais estão expressando um interesse sem precedentes pelo sábado. Líderes eclesiásticos, organizações religiosas e pessoas de todos as áreas de atividade estão redescobrindo a validade e valor do sábado para a sua existência.  O recém lançado Catálogo de 400 Igrejas e Grupos Sabatarianos na América, a maioria dos quais veio à existência nos últimos trinta anos, o comprova.
      Surpreendentemente, mesmo dentro de denominações tradicionais (batista, metodista, menonita, e pentecostal), há igrejas que estão transferindo seus cultos do domingo para o sábado. Um breve relatório dessas ocorrências consta de meu livro The Sabbath Under Crossfire [O sábado sob fogo cruzado]. O capítulo tem por título "Redescobrindo o Sábado". Para efeito de brevidade mencionarei somente alguns episódios, especialmente o de uma igreja batista do sul que conheço pessoalmente.
      Em 11-12 de fevereiro de 1999, fui convidado a apresentar meu Seminário de Enriquecimento do Sábado na Universidade La Sierra, em Riverside, Califórnia. Na sexta-feira à noite, ao final de meu testemunho, o pastor da Universidade, Dan Smith, alertou-me que o Pr. Allan Stanfield, da Primeira Igreja Batista de Lucerne Valley, estava assentado no último banco com alguns dos membros de sua igreja.
Conversamos com o Pr. Stanfield por meia hora e eu lhe dei de presente um exemplar do mencionado livro. O Pr. Stanfield retornou no sábado pela manhã e à tarde. Ao terminar o programa, no sábado à noite, ele me disse que estava ansioso por redescobrir o sábado para si próprio e sua congregação.
       Uma semana depois ele encomendou uma caixa de The Sabbath Under Crossfire, que entregou às famílias de liderança de sua congregação. Durante as seis semanas seguintes os membros de sua igreja reuniram-se às quartas-feiras à noite para estudar o sábado, empregando o livro como guia de estudo.
       Então na noite de quarta-feira, 21 de abril de 1999, a igreja reuniu-se para tratar do assunto e votou-se quase unanimemente transferir os seus serviços religiosos do domingo para o sábado. No sábado seguinte, 24 de abril, a igreja reuniu-se pela primeira vez no sábado do sétimo dia. Desde então, outras igrejas batistas do sul seguiram o mesmo exemplo. Um fato notável é que puderam permanecer como membros da Convenção Batista do Sul.

Obs.: Também há relatos de uma congregação do Exército de Salvação que aderiu à observância do sábado, sem com isso ter-se desligado de sua corporação.

Reconhecimento de Um Princípio Bíblico Sem Ligação Religiosa

       Uma clara indicação do interesse sem precedentes para o redescobrimento do sábado pode ser visto também no súbito surgimento de livros e artigos promovendo o sábado do sétimo dia. Exemplo bem adequado é o livro Catch Your Breath: God's Invitation to Sabbath Rest [Respire fundo: O Convite Divino Para o Repouso do Sábado] (1997), de autoria de Don Postema que serve como capelão da Universidade do Michigan, em Ann Arbor, Mich.
      Em sua busca espiritual por paz e descanso, Postema tentou vários recursos, inclusive meditação oriental. Um dia ele deu-se conta de que "os judeus e os cristãos têm uma prática que está tão próxima quanto nossa Bíblia, tão junto a nós quanto nossa tradição, tão disponível quanto os próximos dez minutos ou o fim de semana: o sábado". O livro oferece diretrizes práticas e criativas para uma observância significativa do sábado. Sua meta não é argumentar quanto à validade do sábado, mas convidar as pessoas a praticá-lo.
      Escreve Postema: "O benefício do sábado não está simplesmente no estudo dele, porém mais certamente na sua prática--em viver o sábado. Ler e pensar sobre o sábado é como ler brochuras de viagem e sonhar sobre grandes locais de veraneio, mas nunca poder tirar férias lá. É interessante. Você pode aprender bastante. Mas não pode ter a experiência, a menos que faça a viagem".
      O livro oferece sugestões práticas sobre como tornar a observância do sábado uma experiência de renovação espiritual, física e mental.
      Um lugar inesperado para encontrar-se um artigo promovendo o sábado seria a edição de fim de semana do periódico USA Today [Estados Unidos Hoje] de (2-4 de abril de 1999). O artigo de duas páginas tem por título "Lembra-te do sábado?" e é adaptado do livro do Prof. Wayne Muller, The Sabbath: Remembering the Sacred Rhythm of Rest and Delight [O Sábado: Lembrando o Ritmo Sagrado de Descanso e Deleite].
Muller oferece 10 sugestões para tornar o sábado uma experiência deleitosa. Ele encerra com um apelo para uma renovada observância sabática nos Estados Unidos de hoje. "Respiremos fundo coletivamente, descansemos, oremos, meditemos, caminhemos, cantemos, comamos e tiremos tempo para compartilhar a companhia sem pressa com aqueles que amamos. . . . Deus não deseja que nos esgotemos; Deus deseja que sejamos felizes. Assim, lembremo-nos do sábado."
      Outro lugar inesperado onde encontrar um artigo promovendo a redescoberta do sábado é a revista da empresa aérea United Airlines, Hemisphere [Hemisfério]. Num vôo para a Costa Oeste surpreendi-me ao ler na edição de julho de 1997 de dita revista um artigo excelente que tinha por título "Sabedoria Antiga", escrito por Nan Chase, uma colaboradora constante para o jornal The Washington Post.
      Chase narra a história de como descobriu o sábado lendo sobre ele num livro que encontrou na sala de espera de um consultório médico. Ela ficou admirada ao saber que a observância do sábado pode fortalecer o relacionamento conjugal por aproximar mais marido e esposa.
      Os exemplos precedentes de pessoas de diferentes posições que estão redescobrindo a observância do sábado "do pôr do sol da sexta-feira ao pôr do sol do sábado" sem "cozinhar, nem fazer compras ou pagar contas, nem arrancar ervas daninhas ou aparar arbustos, nem limpar ou arrumar a casa, nem mesmo falar ou pensar sobre o trabalho e as atividades do escritório".
      Chase descreve os benefícios da observância do sábado dizendo: "Tanto minha vida pessoal, quanto minha vida profissional e minha vida familiar melhoraram. Eu planejo continuar celebrando o sábado".
      Os exemplos precedentes de pessoas de diferentes ramos de atividade que estão redescobrindo o sábado como um divino remédio para nossas vidas carregadas de tensão e estresse demonstram que o sábado constitui "uma pedra de tropeço" para muitos virem a Cristo. O fato é que hoje mais do que nunca antes as pessoas necessitam do descanso e renovação que o sábado tem por fito propiciar. Afinal, o próprio Criador de todas as coisas declarou-Se “Senhor do sábado”, e afirmou que “o sábado foi feito por causa do homem”.
 
 

Professor Azenilto G. Brito
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