Uma Dificuldade Resolvida Versus 10 a Resolver

Prof. Azenilto G. Brito

Eis um debate interessante em certo Fórum sobre a questão das leis de restrições alimentares em que um opositor de nossas posições, a quem chamaremos Mr. F., apresenta sofismas que contestamos com verdades irrefutáveis. A “dificuldade” que ele nos apresenta é resolvida e “retribuída”  com 10 dificuldades para ele resolver (e não o fez de modo minimamente aceitável).

Parece que depois de tentar várias alegações e argumentos em defesa da visão de “liberou geral” quanto às regras alimentares que Deus determinou a Seu povo e os verem falhando um após outro (as palavras de Jesus em Marcos 7:1-23; a visão do lençol de Pedro em Atos 10; as decisões do Concílio de Jerusalém de Atos 15; o “cerimonialismo” das regras de restrições alimentares), Mr. F. arranjou uma derradeira trincheira onde gastar seus últimos cartuchos no combate às verdades bíblicas do que Deus determinou no melhor interesse de Seus Filhos em termos de alimentação saudável.

Consideremos, então, a “dificuldade” que ele nos apresenta nesse seu raciocínio sofístico para vermos se ele nos dá solução às 10 que lhe apresentaremos em "retribuição":

* A “dificuldade” que Mr. F. nos apresenta na questão das regras alimentares para os cristãos poderia ser assim expressa: Paulo em 1 Timóteo 4:-5 fala que não há mais abstinência de alimentos para os cristãos, pois “tudo quanto Deus criou é bom”, para ser recebido “com ações de graças”.

Solução da “dificuldade”:

Primeiramente, deve-se ter em mente que não se estabelece toda uma teologia com base num texto isolado, descontextualizado, sem levar em conta o real tema sendo discutido.

A discussão em 1 Timóteo 4:1-5 não trata de alimentos limpos/imundos, e “a abstinência de alimentos” não se refere às carnes proibidas por Deus a Seu povo, que teriam sido liberadas aos cristãos. Nada indica isso, e sim que havia indivíduos identificados como gnósticos de tendências ascéticas, que estabeleciam proibições sem lógica, o que incluía o casamento e alimentos aprovados por Deus.

Tais alimentos são os que Deus aprovava, não os que Deus desaprovava. Como não ficou provado, a) que Deus passou a aprovar alimentos que antes proibia; b) que as proibições desses indivíduos referiam-se especificamente a tais alimentos outrora proibidos e supostamente não mais, a causa de Mr. F. falha inteiramente por falta de evidências que preencheriam os requisitos a) e b) acima.

Apenas partir de pressupostos não comprovados para defender uma causa é um exercício em edificar sobre falso alicerce—construção da casa sobre a areia da hipótese e especulação insensata.

Portanto, não foi demonstrado jamais quando exatamente as carnes outrora proibidas passaram a ser adotadas pelos cristãos, fora das “hipóteses” do texto sob análise. Todos os argumentos utilizados antes nessa intenção foram demonstrados falhos.

Mas, enfim, vejamos as 10 dificuldades que temos para ele diante de seu insistente recurso a 1 Timóteo 4:1-5 como última trincheira de defesa do “liberou geral” quanto às regras divinas de alimentação:

1a. dificuldade: Não foi provado que os tais a que Paulo se refere eram especificamente contrários às carnes antes proibidas, depois supostamente liberadas para os cristãos. O texto simplesmente não diz quais seriam tais alimentos sob que impunham abstinência.

2a. dificuldade: Esses gnósticos de tendências ascéticas, não sendo judeus mas gentios sob influência da filosofia grega, não tinham os escrúpulos dos judeus quanto às carnes que Deus definira como imundas. Assim, não teriam preocupação em proibir carnes imundas segundo as regras biblicas, que nunca seguiram.

3a. dificuldade: Se o “tudo” nesse caso é para ser entendido como absoluto, também deveria assim ser em 1 Coríntios 10:23, quando Paulo diz que “todas as coisas me são lícitas. . .” Incluiria isso adultério, roubo, mentira, vingança, cobiça, necromancia? Não se justifica que o uso de “tudo” e “todas as coisas” difira num caso e outro, já que parte da mesma palavra grega, pan?

4a. dificuldade: Além do “tudo que Deus criou é bom” e “nada é recusável” não poderem ter abrangência absoluta, como visto no caso de 1 Coríntios 10:23, também há que se abrir uma exceção à carne sufocada e ao sangue, já que o Concílio de Jerusalém proibiu tais coisas aos cristãos gentios (Atos 15:20, 29). Ora, tais carnes sufocadas e sangue são criados por Deus!

5a. dificuldade: Se o “tudo o que Deus criou” se aplica aos animais imundos, também se aplicaria a vegetais como a maconha, o khat, a coca e o fumo, o que significaria carta branca para os cristãos utilizá-los livremente, com oração de gratidão a Deus por tê-los criado e permitido o seu uso. Afinal, o texto também diz que “nada é recusável”.

6a. dificuldade: A referência à proibição ao casamento, em associação com alimentos que Deus criou para serem recebidos, já mostra que Paulo está especificando um grupo daquela época e qualquer aplicação para tempos posteriores é desnatural e claramente forçada.

7a. dificuldade: A questão alimentar tem que ver com o dia-a-dia das pessoas, e se houvesse quaisquer novas regras importantes para a comunidade cristã quanto a hábitos alimentares (como a liberação de carne de porco, de rato, urubus, cobras e lagartos) isso se refletiria nessas discussões. Contudo, não ocorre a mínima pista de qualquer discussão sobre liberação das proibições divinas das carnes imundas, mesmo quando se discutiram coisas relativas ao comer e beber.

8a. dificuldade: Se os que ensinam que o cristão deve abster-se de certos alimentos estão ensinando doutrinas de demônios, então Deus ensinou tais doutrinas, pois foi Ele quem criou as regras de abstenção de alimentos, mesmo que se considere que tais proibições cessaram na cruz. Ou seja, mesmo os adeptos do “liberou geral” das regras alimentares estariam atribuindo a Deus algo assim absurdo pelo tempo em que tais regras prevaleceram. E mesmo na “dispensação cristã”, os apóstolos estabeleceram a proibição tríplice de Atos 15:20, 29, determinando abstenção de alimentos. Estariam agindo nesse caso em nome do demônio?

9a. dificuldade: Paulo deixa em aberto em Romanos 14 quem queira valer-se de regras de abstenção ou não. Ele diz: “quem come não despreze quem não come; e o que come não julgue o que come; porque Deus o acolheu” (Romanos 14:3). No vs. 6 Ele diz que “quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus”.

Isso destrói esse chocante julgamento de que os que apresentam abstenção de alimentos estão ensinando “doutrinas de demônios”. Simplesmente não é o que Paulo ensina. Entendemos que a discussão do capítulo diz respeito às carnes sacrificadas a ídolos, pois é a clara questão de contenção entre os cristãos daquele tempo.

É regra em Teologia que um texto difícil se entende por outros mais fáceis, e temos informação suficiente na Bíblia para saber que Paulo discutia a questão de carnes sacrificadas a ídolos, como visto em 1 Coríntios caps. 8 e 10.

10a. dificuldade: Como justificar cristãos alimentando-se de macacos, esquilos e ratos transmissores de doenças (AIDS, cólera, peste bubônica), supostamente liberados para Deus para todos, com o fim das proibições alimentares, e isso sendo feito para a “glória de Deus” (1 Coríntios 10:31)?

Aguardemos para ver que soluções Mr. F. teria para cada uma das dificuldades acima alistadas. 

 

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