10 Perguntas a João Flavio Martinez


Prof. Azenilto G. Brito

 O Pr. Flávio Martinez, diretor do CACP, conclui um questionário de 10 perguntas aos adventistas sobre a questão sábado/domingo com este pequeno e, possivelmente, bem intencionado apelo: “Aí está, amigo adventista, espero que medite nisto com um coração sincero em oração. Portanto, se souber que esteve errado até agora estará disposto a mudar? Pense nisso!”

Demos resposta total e integral ao seu questionário, como verão abaixo.  O seu questionário tem por base uma premissa básica falsa--a de que o sábado NÃO seria importante. É tão importante que as mais representativas confissões de fé da cristandade protestante assim o consideram, como temos tantas vezes demonstrado.

Mas que tal revertermos a situação e apresentarmos a ele também um questionário de 10 perguntas esperando que ele  “com coração sincero, em oração” perceba que esteve errado e, assim, disponha-se a mudar? Que ele pense nisso!

Eis nossas 10 perguntas em grande parte baseadas no seu próprio questionário:

1 - Se os princípios expressos pelos preceitos “não furtarás”, “não farás para ti imagem de escultura” ou “honra o teu pai e a tua mãe” são importantes, por que não há um mandamento sequer para guardá-los desde Adão até Moisés?

2 - Se o sábado NÃO é importante, por que Deus o incluiu entre os mandamentos da lei moral que pronunciou solenemente aos ouvidos do povo no Sinai e “nada acrescentou” (Deu. 5:22), e o incluiu entre os demais mandamentos morais, escrevendo-o com o Seu próprio dedo nas tábuas de pedra, em vez de simplesmente ditá-lo para Moisés registrá-lo em livro, como as demais regras?

3 - Se o sábado NÃO é importante, então por que Deus o designou como sinal especial entre Ele e o Seu povo (Êxo. 31:13; Ezeq. 20:12, 20)?

4 - Por que Deus estabeleceu o sinal especial do sábado entre Ele e os filhos de Israel, e não entre Ele e os amalequitas, egípcios, amorreus, filisteus, heteus, babilônios ou assírios?

5 - Se o sábado NÃO é importante, por que Deus determinou-o aos “filhos dos estrangeiros” para servir como base da adoção por eles do concerto com o povo de Israel (Isa. 56:6, 7)?

6 - Se o domingo tornou-se importante, ocupando o lugar do sábado, então por que nos relatos da Ressurreição nunca é tratado com qualquer designação especial, senão “o primeiro dia da semana”, segundo a contagem judaica (mia twn sabbattwn-o primeiro relativo ao sábado)?

7 - Por que no concílio de Jerusalém que determinou o que NÃO devia preocupar a comunidade cristã em termos de princípios oriundos do judaísmo que causavam dúvidas na época (Atos 15:20) NADA é dito CONTRA o sábado, caso os cristãos NÃO devessem mais observá-lo?

8 - Por que na epístola os Hebreus, nos capítulos 7 a 10, dedicados a discutir o cerimonial judaico (sacrifícios, ofertas, sacerdócio), nada consta sobre o sábado ser simbólico, cerimonial, antes o mandamento recebe tratamento especial nos capítulos 3 e 4, nada constando em tais capítulos de que tivesse cessado para os cristãos?

 9 - Se o domingo não tem origem no paganismo romano, por que em tantos idiomas ele recebe o nome de “dia do sol”? [Obs.: o fato de os romanos dedicarem o sábado a Saturno NADA TEM A VER com a guarda do sábado pelo povo de Deus, que o fazia há milênios antes de os romanos sequer surgiram no cenário da história, “segundo o mandamento”].

10 - Se em Apoc. 1:10 a referência de João ao “dia do Senhor” aplica-se ao domingo, por que ao escrever o seu evangelho, numa distância de tempo de, no máximo 5 anos, ele trata o dia da Ressurreição como “primeiro dia da semana” e nada diz que houvesse qualquer celebração ligada ao dia relacionado com o evento?

As perguntas que João Flávio Martinez nos dirigiu com as devidas respostas:

1. Se o sábado é tão importante, porque [sic] então não há um mandamento sequer para guardá-lo desde Adão até Moisés?

* Este é o chamado “argumento do silêncio” que não prova coisa nenhuma, pois se a Bíblia não fala do mandamento do sábado nesse período, também não trata do “não furtarás”, “não farás imagens de esculturas”, “não dirás o nome do Senhor teu Deus em vão”. E daí? Acaso os servos de Deus nessa época desrespeitavam qualquer desses princípios?

2. Se o sábado não era somente para o judeu, então porque [sic] Deus diz que era um sinal entre Deus e Israel somente? (leia Ezequiel 20:12,20).

* Esta é tão fácil de resolver. Por que era um sinal entre Deus e Israel, e não entre Deus e os egípcios, ou amalequitas, ou filisteus, ou amorreus? Nem precisa pensar muito para saber a resposta. E temos Isa. 56: 6 e 7 que esses contestadores anti-sabatistas, se pudessem, arracavam da Bíblia pois contraria inteiramente essa teoria de o sábado ser só para judeus. Ali os “estrangeiros” são convocados a se unirem ao concerto divino com Israel exatamente acatando o princípio do sábado! E que o sábado NÃO É só para judeus Jesus tornou muito claro ao dizer que “o sábado foi feito por causa do homem” (Mar. 2:27). Que esse “homem” não é só o judeu fica claro em Mat. 19:5, 6 onde Cristo trata do casamento original, do Éden, aplicando o princípio ao homem anthropós, ou seja, universal. E acaso casamento é coisa só para os judeus?

3. Se o sábado existia desde o Éden, então porque [sic] Deus diz que ele foi dado no deserto?

* O texto do mandamento não diz isso, mas sim que se deve descansar no sétimo dia “porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo quanto neles há, e ao sétimo dia descansou”. Além do mais Ele abençoou e SANTIFICOU o dia, o que significa, SEPARAR para uso consagrado a Deus. Como Deus já é absolutamente santo, para quem teria separado o sábado, senão para o homem, o que Cristo confirmou em Marcos 2:27, ao declarar que “o sábado foi feito por causa do homem”?

4. Se o sábado tem força de lei para a igreja, então porque [sic] nunca vimos a igreja primitiva se reunir no sábado, mas sempre no 1º dia da semana? ( leia Atos 20:7 e I Corintios 16:2).

* Nenhuma destas passagem declara nada que a igreja se reunia regularmente aos domingos, pois em Atos 20:7 o que temos é uma reunião de despedida de Paulo num “sábado à noite”, como esclarece a Bíblia na Linguagem de Hoje em português e outras versões internacionais. Ele ao amanhecer passou o dia viajando, em lugar de ficar para a “Escola Dominical”! E em 1 Cor. 16:2 o texto claramente diz que as coletas, que eram excepcionais (para os pobres de Jerusalém) deviam ser juntadas “em casa” por cada um, segundo o original grego.

E há um fator importante: tanto o episódio de Atos quanto de 1 Coríntios foram escritos décadas após o início da Igreja Cristã, e o dia é tratado simplesmente como “primeiro dia da semana”, que no grego é mía twn sabbatwn, ou seja--o primeiro com relação ao sábado. Isso indica que não davam nenhum título especial ao dia, e ainda mantinham a contagem judaica, não a romana.

5. Se o sábado se revesti [sic] de tamanha importância, então porque Jesus não realizou sua maior obra nele -- a ressurreição.

* Uma coisa nada tem a ver com a outra. As origens pagãs do domingo são indiscutíveis e reconhecidas até por eruditos protestantes. A Ressurreição não alterou os termos da lei divina, porque isso não é informado em parte alguma das Escrituras. Aliás, na passagem do Velho para o Novo Concerto não é indicado: a) que Deus haja deixado de fora o 4o. mandamento ao escrever as “Minhas leis” nos corações e mentes dos Seus filhos que aceitam os termos desse Novo Concerto; b) que Deus haja conservado do 4o. mandamento, porém alterando o dia de observância do sábado para o domingo; c) que Deus haja conservado o 4o. mandamento, porém deixando-o como um princípio vago, flutante, podendo ou não ser levado a sério, tendo um dia mais "user friendly" para basicamente ir-se à Igreja, teoricamente podendo até ser qualquer outro dia, segundo as conveniência de cada um (ou de seu empregador).

Mas basta ler o claro texto de Hebreus 8:6-10 em comparação com Jeremias 31:31-33 para ver que as MESMAS leis do Antigo concerto permanecem como “Minhas leis” no Novo Concerto.

Claro que a parte prefigurativa, cerimonial, cessou quando o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo. E se ainda pairassem dúvidas quanto a isso, a própria epístola de Hebreus esclarece o sentido do cerimonialjudaico nos capítulos 7 a 10. Os judeus cristãos que seriam os leitores primários da epístola sabiam perfeitamente quais seriam essas “minhas leis”referidas.

6. Se o sábado era assim de tamanha importância, então porque [sic] os evangelistas registram sempre as aparições no 1º dia da semana e não no sétimo? (leia Mateus 28:1; Marcos 16:1; Lucas 24:1 e João 20:1).

* Como já divulgamos um texto, que aliás até solicitamos ao Presb. Paulo Cristiano para buscar contestá-lo como “retribuição” às perguntas que ele nos dirigiu e que respondi plenamente, intitulado “10 Principais Razões Que Desautorizam a Observância Dominical”, além do respondido na pergunta anterior, não é necessário acrescentar mais nada. A Ressurreição no 1o. dia nada tem a ver com alteração nos termos da lei divina. Mesmo porque em João 21 Jesus também aparece quando os discípulos estavam “pescando”, o que seriam incrível que decidissem assim, sem mais nem menos, tornar o “dia santificado pelas aparições de Cristo” de observância mais liberal do que o antigo sábado. . . Onde está registrado isso?

7. Porque [sic] após a morte dos apóstolos a igreja continuou se reunindo aos domingo e não no sábado?

* Onde estão as provas disso? As passagens citadas e já analisadas acima NÃO COMPROVAM ISSO. Sem falar nos fatos históricos e bíblicos. Por exemplo, por que no concílio de Jerusalém, as resoluções quanto às coisas de que os recém conversos deviam abster-se NÃO CONSTA nada sobre o sábado? É porque não havia dúvidas sobre isso. Todos o guardavam sem problema, sendo que os primeiros crentes eram judeus e “zelosos da lei” (Atos 21:10). Se a questão do sábado causasse debates acirrados, como a circuncisão, isso se refletiria nas decisões do concílio (Atos 15:20, 29). E, no entanto, nada se diz de que os cristãos deviam ABSTER-SE do sábado entre as demais coisas recomendadas que não lhes devia preocupar.

8. Porque [sic] nesta época a história registra que o sábado era guardado somente por seitas do judeu-cristianismo?

* Pelo contrário, a história registra que os cristãos que fugiram de Jerusalém, e que se fixaram em Pela, ao norte da cidade destruída pelas tropas romanas, continuaram observando o sábado até o 4o. século, quando viveu o historiador palestino Epifânio. As provas são inteiramente em favor da continuidade do sábado, como o próprio evangelista Lucas dá testemunho, ao mencionar 30 anos após o episódio que as santas mulheres que acompanhavam a Cristo realizaram os trabalhos de preparativos para embalsamar o seu corpo, mas “no sábado repousaram SEGUNDO o mandamento” (Luc. 23:56). A perspectiva a ser considerada deve ser a de Lucas, não a das mulheres, e para ele, três décadas depois, o dia a ser observado segundo o mandamento era o sábado, não o domingo, que, aliás, inexiste na Bíblia.

9. Porque [sic] Homens de Deus como Lutero, Calvino, Wesley, Moody, Finey e tantos outros, citados por Ellen White, guardaram o domingo e não o sábado?

* Porque não tinham toda a luz, tanto que os próprios evangélicos admitem que eles foram até certo ponto na redescoberta das verdades bíblicas. Tanto que eles também não falavam em línguas estranhas (que tantos consideram um avanço em relação às descobertas da Reforma Protestante), muitos ainda batizam crianças ou por aspersão, o que outros consideram um errôneo apego a tradições e falhas de reformar verdades importantes, e assim por diante. Mas quando os batistas do sétimo dia surgiram no século XVII na Inglaterra, restaurando o sábado do sétimo dia, essa importante verdade que a Reforma Protestante não havia levantado foi por fim exposta perante o mundo. Daí em diante a obrigação de todos os genuínos cristãos seria continuar aprofundando-se na investigação bíblica para ver outras verdades a serem reformadas, como a da questão dos mortos que, lamentavelmente, ainda é negligenciada pela maioria dos protestantes, apegados ainda às tradições dualistas do catolicismo.

10. Se o sábado fosse parte de uma lei moral poderia uma lei cerimonial quebranta-lo [sic], como era o caso da circuncisão? (leia João 7:22,23)

* Jesus não empreendeu nenhuma campanha anti-sabática, como dão a entender alguns instrutores da Bíblia que com isso demonstram que não conseguem entender a natureza de Seus debates com a liderança judaica. Seria o caso de perguntar: qual era o teor dos debates de Cristo com aquela liderança religiosa? Seria quanto a SE deviam guardar o sábado, QUANDO guardar o sábado, ou COMO guardar o sábado? Se souber responder a esta pergunta, já teremos meio caminho andado.

O objetivo dos debates de Cristo não era diminuir em nada a importância do sábado, pois se Cristo em qualquer medida contrariasse o princípio, teria que ser considerado “o menor no Reino dos céus”, pois estaria ensinando algo contra um dos mandamentos da lei divina, o que se chocaria com Suas próprias palavras em Mateus 5:19.

Então, basta ter um pouco de percepção para entender o objetivo do que Cristo realmente discute-não é condenando a prática do sábado, e sim condenando as suas distorções quanto à  mesma. E eles também corrompiam o sentido do 5o. mandamento (ver Marcos 7:9ss) e do princípio do dizimar (Mat. 23:23). Cristo chamou-lhes a atenção quanto a isso, não para dizer que tais princípios eram errados, e sim que eles o praticavam de modo corrompido.

[> Comentário final de João Flávio Martinez <]:

> > > Ai [sic] está amigo adventista, espero que medite nisto com um coração sincero em oração. Portanto, se souber que esteve errado até agora estará disposto a mudar? Pense nisso! < < <

O mesmo posso dizer quanto às respostas dadas e retribuo o questionário com perguntas também que gostaria que respondesse após orar sinceramente a Deus. E também mudar, como está ocorrendo em todo o mundo com tantos cristãos sinceros, desejosos de cumprirem tão somente “a vontade do Pai que está nos céus”. Afinal de contas, o próprio Cristo disse que no dia final, nem todo que o chama de Senhor entrará no Reino dos céus, e ele dirá a muitos professos cristãos--“apartai-vos de Mim, vós os violadores da lei” (Mat. 7:23, segundo o original grego para o termo antinomian-o mesmo que aparece em 1 João 3:4 com o sentido de “transgressão da lei”.


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