CINCO PERGUNTAS

A que nenhum protestante consegue responder (mas qualquer católico consegue):

1 - Por favor, diga-me uma razão para aceitar a Bíblia que um muçulmano não poderia usar para considerar o Corão inspirado por Deus.

R - Os católicos aceitamos a Bíblia como Palavra de Deus porque a Igreja que Cristo fundou e confiou a São Pedro (Mt 16,18), e que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,15), diz que a Bíblia é Palavra de Deus. Como dizia Santo Agostinho, “creio nos Evangelhos porque a Santa Madre Igreja me diz para crer neles”.

         Eu prefiro crer nos evangelhos porque Jesus Cristo e Seus apóstolos disseram ser a verdade revelada de Deus (Mat. 22:29; João 5:39; 17:17; Rom. 10:17; 2 Tim. 2:15; 3:16-17; 4:2), não porque um líder eclesiástico de tempo posterior ao dos apóstolos demonstra sua submissão a uma instituição que foi profetizada como caindo em apostasia logo após o tempo do próprio apóstolo Paulo, que, ademais, disse certa vez que “o mistério da iniqüidade” já estava em operação nos seus dias (ver Atos 20:29 e 30; 2 Tess. 2:7). No fim do primeiro século, João se queixava dos desvios doutrinários e influências negativas que ele já observava no seio de várias das igrejas de seu tempo (ver suas cartas às 7 igrejas da Ásia em Apocalipse, caps. 2 e 3).
        Os apóstolos elogiaram os bereanos por irem conferir na Bíblia as coisas que ouviam dos apóstolos (Atos 17:11) e Paulo recomenda: “não ultrapasseis o que está escrito”, condenando as tradições e filosofias humanas que tivessem essa característica (1 Cor. 4:6; Col. 2:8).
        Cristo não confiou a igreja a Pedro, pois se se leva em conta o princípio de que as epístolas interpretam os evangelhos não há confirmação na história cristã de que Pedro tenha assumido qualquer função de liderança à frente da igreja. Não foi ele quem dirigiu o primeiro concílio, mas Tiago (ver Atos 15). Se Pedro e os demais discípulos tivessem entendido as palavras de Cristo em Mateus 16:18 como estabelecendo a supremacia de Pedro, por que logo adiante disputavam quanto a quem dentre eles seria o maior? Quando muito, iriam disputar a posição nº. 2, pois a nº. 1 já estaria assegurada a Pedro, que jamais reivindicou ser líder dos demais. Quando ele se valeu da figura da “pedra”, atribuiu-a a Cristo, não a si próprio (Atos 4: 10 e 11; 1 Pedro 2: 6-10).

2 - Por favor, diga-me porquê [sic] você aceita apenas uma parte da Bíblia (afinal, a lista de livros que compõem o Novo e o Antigo Testamento foi determinada ao mesmo tempo - aliás, junto com o título de Mãe de Deus para Nossa Senhora - e você aceita apenas parte do Antigo Testamento), e com que autoridade você o faz.

R - Os católicos aceitamos a Bíblia em sua íntegra porque a lista de livros que a compõem foi definida pela Igreja em 397 d.C., sob a autoridade do Sucessor de Pedro Papa São Dâmaso I.

       Chega a ser um exemplo de “apropriação indébita” essa de os católicos pretenderem que foi sua igreja que estabeleceu o Cânon escriturístico, esquecendo-se que na época mencionada não tinha havido ainda o grande cisma de 1054, com a divisão da igreja do Oriente e Ocidente. Os concílios que ocorreram no território que passou a ser dominado pelos ortodoxos não podem ser mencionados como da Igreja Católica, pois se houve eruditos que estudaram os vários escritos para estabelecer tal cânon, muitos deles se identificariam depois como ortodoxos, indo contra a “igreja romana”.
       Também aos judeus foram confiados “os oráculos de Deus”, como é dito em Romanos 3, vs. 2, e eles não aceitam os livros apócrifos cheios de histórias absurdas, doutrinas contraditórias e até um anjo mentiroso.

3 - Por favor, diga-me porque a Bíblia teria precisado de quase 1600 anos para ser entendida corretamente, se ela é teoricamente algo que qualquer um pode ler e entender.

R - Os católicos sabemos que a Bíblia não é algo que qualquer um pode ler e entender sem ajuda (2Pd 3,16, At 8,31), e sabemos que Cristo confiou a São Pedro, o primeiro Papa, a tarefa de tomar conta de Seu rebanho, a Igreja (Jo 21,15-17). Nós seguimos o que os Sucessores de Pedro nos transmitem.

       Jesus jamais mandou alguém buscar a verdade através exclusivamente da igreja, mas prometeu a crentes individuais o Espírito Santo para guiar em toda a verdade: João 16:13. Pregando numa sinagoga, Jesus falou que o conhecimento da doutrina correta não dependia de ir obter as informações numa instituição eclesiástica, mas de buscar fazer individualmente a vontade de Deus: João 7:17.

4 - Por favor, explique como alguém pode saber se entendeu a Bíblia corretamente, se ele só pode confiar na Bíblia, e em mais nada; afinal existem cerca de 30.000 seitas protestantes no mundo, cada uma entendendo a Bíblia de maneira diferente e todas achando que estão certas.

R - Os católicos sabemos que é a Igreja que Cristo fundou e confiou a São Pedro (Mt 16,18), e que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,15), quem tem a missão de ensinar (Mt 28,19), e que as Escrituras não devem sofrer interpretação particular (2Pd 2,20), pois quem o faz comete erros que o conduzem à perdição (2 Pd 3,16). Assim, sabemos que a explicação feita pela Igreja está certa, e está errada qualquer interpretação diferente desta.

         Já vimos que a teoria de que Cristo confiou a igreja a Pedro é inteiramente destituída de fundamento.* Quanto ao que Paulo disse a Timóteo sobre a igreja ser o fundamento da verdade, no contexto da mesma passagem ele diz que escreveria a seu jovem discípulo para que soubesse como se conduzir na igreja. O mesmo Paulo, escrevendo ao mesmo Timóteo, elogiou-o por conhecer as Escrituras desde a meninice e exalta as Escrituras como a única fonte segura de doutrina e salvação (2 Timóteo 3:14-17).

5 - Por favor, prove usando apenas a Bíblia que ela é o que você considera que ela seja (ou seja, a única fonte de Verdade Revelada, composta pelos livros que você aceita, todos eles e só eles). Claro que todo mundo sabe que a Bíblia é Palavra de Deus, boa para o ensino, etc. e tal, mas por favor, tente provar que ela é a única fonte de Palavra de Deus, composta pelos livros que você aceita, todos eles e só eles.

R - Ao contrário dos protestantes, que acreditam na heresia chamada “Sola Scriptura”, segundo a qual apenas a Bíblia é Palavra de Deus, os católicos sabemos que além da Bíblia, que não tem toda a Palavra de Deus e não está completa, (Jo 20,30-31; Jo 21,25; 2Ts 2,14), há ainda a Tradição Oral, também revelada por Deus, que deve ser seguida (2 Ts 2,15; 2Ts 3,6; 2Tm 1,13; 1 Cor 11,2; Gl 1,14, 1Tm 6,20; 2Tm 1,14; 2Tm 2,2, etc.). O próprio São Paulo, em At 20,35, cita palavras de Cristo que não estão em nenhum dos Evangelhos , dizendo aos bispos de Éfeso que eles devem lembrar-se delas. Sabemos ainda que os livros que compõem a Sagrada Escritura são os que a Igreja determinou em 397 d.C., mais de mil anos antes dos primeiros protestantes arrancarem sete livros de suas bíblias em 1517 d.C.

        Já se disse que um texto fora do seu contexto não passa de um pretexto. É incrível como alguém possa ler uma seqüência de textos, isolados de seus contextos, para transmitir noções tão inteiramente contrárias a tudo quanto Jesus e Seus apóstolos recomendaram. As passagens que falam de como nem tudo o que Jesus FEZ está registrado (João 20:30, 31) de modo algum faz referência a ensinos importantes, essenciais aos cristãos que não hajam sido registrados por escrito. As obras de Cristo é que foram tão excepcionais que, numa linguagem figurada, hiperbólica, o autor evangélico diz que o mundo não poderia conter livros suficientes que registrassem todas as coisas maravilhosas que Jesus realizou. É significativo que em nenhum momento ele fala sobre coisas que Jesus ensinou!
       Paulo e os demais apóstolos podiam aconselhar os irmãos a seguir o que eles dissessem ou lhes tenham escrito, pois estavam ainda vivos e seu testemunho era real. Após a morte deles, tudo o mais que alguém pudesse dizer ter sido ouvido deles seria mera especulação. Tome-se por exemplo a igreja da Galácia: tinha sido evangelizada e fundada pessoalmente pelo apóstolo (Atos 18:23), o que  não impediu que os crentes ali logo perdessem a fé genuína para as idéias dos judaizantes, obrigando Paulo a, por escrito, trazê-los de volta à verdadeira fé: “Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gál. 4:11).  E ele confirma: “É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco” (Gál. 4:18).
       Estando ausente, Paulo termina sua pregação por meio de um documento escrito: “Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão” (Gál. 6:11). Se isso aconteceu num curto período de tempo, ainda em vida do apóstolo que evangelizou os gálatas pessoalmente, mas em sua ausência se perderam, o que não dizer de séculos de ignorância quando a Igreja de Roma inclusive proibia a leitura da Bíblia por seus seguidores?
       A maior prova da falha da tradição oral está na cronologia dos dogmas, com doutrinas humanas criadas em época bem posterior à morte dos apóstolos. Sendo que não se encontra nenhum documento anterior prescrevendo tais doutrinas na Igreja Primitiva, como o Purgatório, Assunção de Maria, Concepção Imaculada de Maria, Oração pelos mortos, observância do domingo, imortalidade da alma, etc., aceitar a tradição oral, que nunca foi registrada na Igreja do primeiro século, é combater o próprio ensino e recomendação de Paulo. Ele escrevia cartas e mandava que fossem lidas em todas as igrejas, intercambiando com outras às quais já havia escrito: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também” (Col. 4:16). “Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos” (1 Tess. 5:27).
      Outro fato importante: este argumento católico se baseia na carta a Timóteo, certo? Vejamos tal carta em sua totalidade: 1) Em todas as orientações que foram dadas sobre comunicação oral, os apóstolos ordenavam sobre pronomes pessoais: “palavras que de MIM tendes ouvido”; 2) Paulo nunca mandou alguém obedecer a quem não fosse apóstolo e queria que fosse ensinado o que saiu dele mediante testemunhas: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tim. 2:2);  3) Paulo recomenda a perfeição do obreiro de Deus pela Palavra escrita e não incluiu a tradição em pé de igualdade: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Tim.  3:16, 17) .
       Mais um detalhe: para ser apóstolo, deveria haver dois requisitos básicos: “Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite. Tome outro o seu bispado. É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição” (Atos 1:20-22).
       Nenhum outro homem, além dos doze, merecia tal título. Paulo foi chamado Apóstolo dos Gentios dado o seu chamado. Ele nem se considerava como um dos doze e depois dele nenhum outro homem mereceu este título, por não preencher os requisitos básicos do apostolado. Portanto, a autoridade apostólica morre com o último apóstolo, João, restando seus ensinamentos escritos, o que aliás foi o mais importante critério para determinação do Cânon do Novo Testamento pela igreja primitiva.
       E, uma reflexão final: Por mais de 1000 anos os “católicos do ocidente” e os “católicos do oriente” compartilharam “antigas tradições do cristianismo”, no entanto há inúmeras diferenças de doutrinas e práticas entre católicos e ortodoxos**, o que demonstra que a tradição não é plataforma segura sobre que basear a fé.
      Ao insistir em que a tradição é até mais importante do que a Bíblia a Igreja Católica demonstra não ter referenciais seguros. A tradição é um conjunto de historietas de santos, costumes de origem incerta, lendas populares que tomaram forma religiosa, adaptações de práticas pagãs (como o pinheiro de Natal, a própria data do Natal e do domingo de Páscoa, costumes populares acatados pela Igreja por mera conveniência), as imagens de escultura, a exaltação de Maria, a adoção do domingo em lugar do sábado bíblico, que não têm respaldo nas Escrituras.
      Não há registro no Novo Testamento, por exemplo, de que a igreja passou a reverenciar Estêvão, o primeiro mártir cristão (Atos 7:54ss), transformando-o em “Santo Estêvão”, sendo daí criada uma imagem dele, cultuada, prestigiada, orações a ele feitas, etc.  O apóstolo Paulo diz que não se devia “ultrapassar o que está escrito” (Col. 4:6) e todas essas crenças e práticas católicas que não têm respaldo escriturístico são uma violação dessa ordenança paulina, inspirada por Deus.

        Autor: Carlos Ramalhete - Livre cópia e difusão do texto em sua íntegra com menção do autor. Para salvar em seu disco rígido este folheto diagramado em formato PDF como folder de uma só folha para impressão e distribuição.

Respostas em azul, do Prof. Azenilto G. Brito, do “Ministério Sola Scriptura”. Livre cópia e difusão de todo o conteúdo destas páginas, sem precisar mencionar o nome do autor das respostas em azul.
 

Adendo

        Sendo a teoria da primazia petrina a premissa básica sobre que se sustentam as teses do catolicismo, julgamos apropriado acrescentar dois artigos esclarecedores: o primeiro define de modo claro a questão de Pedro ser considerado a “pedra” por Jesus Cristo; o segundo, uma discussão sobre a tradição, enumera as múltiplas diferenças entre a Igreja Ortodoxa com relação ao catolicismo, apesar de mais de mil anos de tradição comum.

*Pedro é de fato a “rocha”, mas teria sido o primeiro papa?

        Teoria Petrina. Nenhuma tentativa pode ser feita neste espaço para expor todas as falácias da teoria petrina e da sucessão apostólica. Para efeito de brevidade limitarei meus comentários ao texto básico de Mateus 16:18 empregado para provar a teoria petrina. Cristo diz a Pedro: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
        A questão é, quem é a “rocha” sobre a qual Cristo edificou Sua igreja? Obviamente para os católicos, a “rocha” é Pedro como pedra fundamental sobre a qual Cristo edificou a Sua igreja. Eles corretamente assinalam que o jogo de palavras-”Tu és Petros e sobre esta Petra”-revela haver inegável conexão entre entre os dois termos. Assim, Pedro é a Petra sobre a qual Cristo edificou Sua Igreja. Os protestantes obviamente rejeitam essa interpretação, argumentando, ou que a “rocha” seria o próprio Jesus ou a confissão de Pedro quanto a Cristo. Pelo último ponto de vista, o texto rezaria: “Tu és Pedro e sobre mim como rocha eu edificarei a Minha Igreja”. Pela última: “Tu és Pedro e sobre a rocha de Cristo que tu confessaste edificarei Minha Igreja”.
        O problema com ambas essas interpretações populares é que não fazem justiça ao jogo de palavras. No grego há uma inegável ligação entre “Petros” e “Petra.” A questão não é se “Petra- a rocha” refere-se a Pedro, mas em que sentido Pedro é “Petra-a rocha”. Em minha opinião, Pedro é “Petra-a rocha”, não no sentido católico de ser a pedra fundamental sobre a qual Cristo edificou Sua igreja, mas no sentido de que Pedro é o fundamento inicial da igreja, edificada sobre o fundamento dos apóstolos, com Cristo como pedra de esquina.
Esta interpetação assenta-se sobre duas considerações principais. Em primeiro lugar, o Novo Testamento retrata a igreja como um edifício, sendo “edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Efés. 2:20; cf. 1 Ped. 2:4-8; 1 Cor. 3:11). A imagem da igreja como edifício sugere que a igreja não se firma sobre a rocha fundamental de Pedro, mas começa com Pedro como primeira pedra. Ele foi a primeira pessoa a confessar e aceitar a Jesus de Nazaré, como o Cristo, ou seja, o Messias, “o Filho do Deus vivo” (Mat. 16:16). Sendo o primeiro converso a aceitar publicamente a Cristo, Pedro tornou-se num certo sentido “o primeiro membro oficial” da igreja, ou a primeira pedra fundamental do edifício espiritual que é e igreja.
        Um segundo ponto importante, ignorado pela Igreja Católica, é que o Novo Testamento considera a igreja, não como uma organização hierárquica visível dirigida pelo papa com seus bispos, mas como uma comunidade invisível de crentes que são unidos pela mesma fé em Cristo. Na Bíblia “a igreja” não é uma organização religiosa, mas o “povo de Deus”. Tanto o hebraico qahal quanto o grego ekklesia, traduzidas por “igreja”, referem-se, na verdade, à “congregação” de crentes, que foram chamados do mundo (Deut 7:6; Osé. 1:1; 1 Ped. 2:9) a fim de ser uma luz no mundo (Deut. 28:10; 1 Ped. 2:9).
        Isso significa que quando Jesus falou sobre edificar Sua igreja, Ele não tinha em mente o estabelecimento de uma organização religiosa hierárquica, mas a edificação de uma comunidade de crentes que pela fé O aceitariam e O confessariam perante o mundo. Neste contexto, Pedro, por ser a primeira pessoa a confessar e aceitar a Jesus como o “Cristo”, que significa “Messias”, tornou-se a primeira pedra viva do edifício espiritual que consiste de uma comunidade de crentes. A idéia de Pedro ser o fundamento da igreja como organização hierárquica identificada com a Igreja Católica é alheia ao texto e aos ensinos do Novo Testamento.
 

Existe de fato uma linha sucessória ininterrupta entre Pedro e João Paulo II?

        Sucessão Apostólica. Um golpe fatal sobre a reivindicação petrina da Igreja Católica é a falta de qualquer apoio neotestamentário para o primado de Pedro na igreja apostólica. Se, de acordo com a alegação católica, Cristo designou Pedro como Seu vigário para governar a igreja, então se esperaria que Pedro agisse como líder da igreja apostólica. Mas dificilmente seria este o caso.
        Por exemplo, não há indicação de que Pedro jamais tenha servido como presidente da igreja de Jerusalém. A estrutura organizacional da igreja de Jerusalém pode ser caracterizada como um colegiado com uma presidência. Mas não há indicação de que Pedro jamais serviu como o presidente em exercício daquela igreja. No Concílio de Jerusalém, foi Tiago, e não Pedro, quem presidiu nas deliberações (Atos 15:13).
        Ademais, a autoridade final da igreja de Jerusalém restava não sobre Pedro, mas sobre os apóstolos, mais tarde substituídos por “presbíteros”. Por exemplo, foram “os apóstolos” que enviaram Pedro a Samaria (Atos 8:14) para supervisionar as novas comunidades cristãs. Foram os “apóstolos” que enviaram Barnabé a Antioquia (Atos 11:22). Foram os “apóstolos e presbíteros” que enviaram a Judas e Silas para Antioquia (Atos 15:22-27). Foi “Tiago e os presbíteros” que recomendaram que Pedro se submetesse a um rito de purificação no Templo (Atos 21:18, 23-24).
        Tivesse Pedro sido designado por Cristo para servir como Cabeça da Igreja, ele teria desempenhado um papel significativo nas decisões acima mencionadas. Não há indicação de que Paulo considerasse a Pedro como líder da igreja. Narrando um incidente de quando Pedro foi para Antioquia Paulo declara: “resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível” (Gál. 2:11). A ação de Paulo dificilmente sugeriria que Pedro fosse reconhecido e respeitado como a infalível cabeça da igreja.
        Ademais, Paulo se refere aos “pilares” da Igreja apostólica como sendo “Tiago, Cefas, e João” (Gál. 2:9). O fato de que “Tiago”, o irmão do Senhor, é mencionado primeiro indica ser ele, antes que Pedro, quem servia como líder da igreja. Caso os apóstolos entendessem que Pedro houvesse sido designado por Cristo  para servir como cabeça da igreja, ter-lhe-iam confiado a liderança da igreja. Mas o fato é que Pedro nunca é visto no Novo Testamento como o único líder da igreja apostólica.
        A noção de que Cristo investiu a Pedro de autoridade para governar a igreja e que tal autoridade tem sido transmitida numa ininterrupta sucessão até seu último sucessor é invenção católica destituída de qualquer suporte bíblico. Isso primeiro apareceu nos escritos de Irineu, bispo de Lyon (175-195 A.D.), que usa o argumento da sucessão apostólica para refutar agnósticos heréticos alegando que os ensinos agnósticos eram heréticos por serem rejeitados pelas igrejas que podem traçar o seu pedigree (Contra as Heresias, livro 3).
        O argumento da sucessão apostólica serviu a um propósito útil na igreja primitiva quando a formação do Novo Testamento estava ainda em progresso. Os líderes da igreja precisavam de uma autoridade objetiva para refutar os heréticos, e encontraram-no em igrejas como Antioquia, Éfeso e Alexandria, que podiam traçar suas origens aos apóstolos. Essas igrejas podiam servir como a pedra de toque da ortodoxia.
        Mas estender o conceito da sucessão apostólica a todo o curso da história cristã é infundado, por causa da interrupção e apostasia que essas igrejas haviam experimentado. A invasão muçulmana dos séculos sétimo e oitavo eliminaram completamente a maior parte das antigas igrejas orientais.
        O mesmo se aplica ao bispo de Roma. Qualquer pessoa familiarizada com a história do papado sabe quão difícil é até mesmo para a Igreja Católica provar a sucessão ininterrupta desde Pedro até o papa atual. Houve ocasiões em que o papado esteva nas mãos de vários papas corruptos, que lutavam entre si pelo trono papal. Por exemplo, em 1045 o Papa Benedito IX foi expulso de Roma pelo povo devido a ser indigno e Silvestre II foi colocado no trono papal. Mais tarde, Benedito IX retornou e vendeu o trono papal a um homem que se tornou Gregório VI.
        Durante esse curso de eventos, Benedito recusou renunciar a suas reivindicações papais, de modo que passou a haver três papas alegando ser o papa legítimo. Para resolver o problema o imperador alemão Henrique II convocou um sínodo em Sutri em A. D. 1046, que depôs todos os três papas e elegeu Clemente II no lugar.
Fica-se a indagar, qual dos três papas depostos se enquadraria na sucessão apostólica? Como pode a Igreja Católica ainda legitimamente defender a noção de uma sucessão ininterrupta desde Pedro até o papa atual, quando alguns de seus papas foram depostos por sua corrupção?! É evidente que existem alguns elos interrompidos na corrente da sucessão apostólica.  - Dados do Dr. Samuele Bacchiocchi
O texto a seguir foi adaptado do SDA Bible Commentary, Vol. 5:
        Pedro, a quem as palavras foram dirigidas, enfaticamente nega que por tais ensinos, a “rocha” a que Jesus se referia era ele (Atos 4:8-12; 1 Pedro 2:4-8). Mateus registra o fato de que Jesus novamente empregou a mesma figura de linguagem, sob circunstâncias que claramente sugerem que o termo deve ser entendido como aplicável a Ele (Mat. 21:43; cf. Lucas 20:17, 18).
        Desde tempos bem remotos a figura da rocha era empregada pelo povo hebreu como um termo específico para Deus (Deut. 32:4; Sal. 18:2, etc.). o profeta Isaías fala de Cristo como a “grande rocha numa terra cansada” 32:2), e como uma “preciosa pedra de esquina, um seguro fundamento” (28:16). Paulo afirma que Cristo era a ‘Rocha’ que estava com o Seu povo em tempos antigos (ver 1 Cor. 10:4;  cf. Deut. 32:4; 2 Sam. 22:32; Sal. 18:31).
        Jesus Cristo é a “rocha de nossa salvação” (Sal. 95:1; cf. Deut. 32: 4, 16, 18). Ele somente é o fundamento da igreja, pois “nenhum outro fundamento poderia ser posto, além de Jesus Cristo” (1 Cor. 3:11), “nem há salvação em nenhum outro” (Atos 4:12).
        Intimamente associados com Jesus Cristo que é “a principal pedra de esquina” no fundamento da igreja estão os “apóstolos e profetas” (Efés. 2:20). No mesmo sentido que Cristo é a Rocha, “uma pedra viva, desprezada pelos homens mas escolhida por Deus”, todos quantos crêem Nele, “como pedras vivas, são edificadas como um edifício espiritual” (1 Pedro 2:4, 5), “no qual todo edifício bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efés. 2:21). Contudo, Jesus é e sempre será a única “Rocha” sobre a qual toda a estrutura se apóia, pois sem Ele não haveria igreja nenhuma. Fé Nele como o Filho de Deus torna-nos possível também tornar-nos filhos de Deus (ver João 1:12; 1 João 3:1, 2).
        A percepção de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, como Pedro enfaticamente afirmou como registrado em Mateus 16:16, é a chave para a porta da salvação. Mas é incidental, não fundamental, que Pedro fosse o primeiro a reconhecer e declarar sua fé, que, na ocasião em que o fez, falava como portavoz de todos os discípulos.
        Agostinho (cerca de 400 AD), o maior dos teólogos cristãos dos primeiros séculos, deixa a seus leitores decidirem se Cristo aqui designou-Se a Si mesmo ou a Pedro como “a rocha” (Retractaciones i. 21. 1). Crisóstomo, o pregador “língua de ouro”, outro Pai dos primeiros séculos, declara que Jesus prometeu lançar o fundamento da igreja sobre a confissão de Pedro [não sobre Pedro], mas noutra parte chama a Cristo mesmo nosso verdadeiro fundamento (Comentário Sobre Gálatas, cap. 1:1-3; Homílias Sobre 1 Timóteo, nº  xviii, cap. 6:21). Eusébio, o historiador da igreja primitiva, cita Clemente de Alexandria como declarando que Pedro e Tiago e João não lutavam por supremacia na igreja de Jerusalém, mas escolheram a Tiado o Justo como líder (História Eclesiástica, ii. 1). Outros Pais da igreja primitiva, tais como Hilário de Arles, ensinavam a mesma coisa.
Foi quando se buscava suporte escriturístico em favor das reivindicações do bispo de Roma para o primado da igreja que as palavras de Cristo nessa ocasião foram tomadas de seu contexto original e interpretadas para significar que Pedro era essa “rocha”. Leão I foi o primeiro pontífice romano a reivindicar (cerca de 445 AD) que sua autoridade derivava de Cristo mediante Pedro. Dele, Kenneth Scott Latourette, destacado historiador eclesiástico, declara: “Ele insistia em que por decreto de Cristo, Pedro era a rocha, o fundamento, o porteiro do reino celestial, estabelecido para ligar e desligar, cujos julgamentos conservavam sua validade no céu, e que mediante o Papa, como seus sucessores, Pedro continuava a realizar a atribuição que lhe havia sido confiada” (A History of Christianity [1953], pág. 186).
        É verdeiramente estranho que se isso realmente fosse o que Cristo quis dizer, nem Pedro nem qualquer dos demais discípulos, nem outros cristãos por quatro séculos desde então, descobriram o fato!
        Também é fato extraordinário que nenhum bispo romano haja descoberto esse sentido nas palavras de Cristo até que um bispo no século V achou algum apoio bíblico para a primazia papal. O sentido atribuído às palavras de Cristo, transformadas em atribuição aos chamados sucessores de Pedro, os bispos de Roma, está em total desacordo com todos os ensinos que Cristo transmitiu a Seus seguidores (ver cap. 23:8, 10).
        Talvez a melhor evidência de que Cristo não designou a Pedro como “rocha” sobre a qual edificar Sua igreja seja o fato de que nenhum dos que ouviram a Cristo nessa ocasião-nem mesmo Pedro-assim perceberam tais palavras, seja durante o tempo de Cristo sobre a terra ou depois. Tivesse Cristo tornado Pedro o principal entre os discípulos eles não iriam daí em diante empenhar-se em disputas sobre quem dentre eles deveria ser considerado “o maior” (Lucas 22:24; Marcos 9:33-35).
        O nome Pedro deriva do grego petros, uma “pedra”, geralmente um pequeno seixo. A palavra “rocha” no grego é petra, a grande massa pétrea, um pico montanhoso ou lage maciça de pedra. Uma petra é uma rocha fixa, não removível, enquanto petros é uma pequena pedra. Em que extensão Jesus pode ter tido tal distinção em mente é difícil de determinar, mas pode-se deduzir que, ainda que estivesse falando em aramaico, onde o termo é kepha’ e tal distinção talvez inexista como no grego, não se pode excluir a possibilidade de que Cristo empregasse um sinônimo do termo aramaico com o mesmo sentido básico do que representa a terminologia em grego com suas distinções. Parece provável que Cristo desejou fazer tal distinção, do contrário Mateus, inspirado pelo Espírito Santo ao escrever em grego, não a teria feito.
        Obviamente uma petros, pequena pedra, criaria um fundamento impossível para qualquer edifício, e Jesus aqui afirma que nada menos do que uma petra, ou “rocha”, seria suficiente. Este fato é tornado ainda mais seguro pelas palavras de Cristo em Mat. 7:24: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”.
        Qualquer edifício construído sobre Pedro, petros, um ser humano errante e falho, como o registro do evangelho torna claro (ver Mateu. 16:23) teria um fundamento pouco melhor do que a areia.
        O sentido das palavras de Cristo sobre “as portas do inferno” não prevalecerem sobre Sua igreja está no contexto quando Ele fala que iria ser morto mas ressuscitaria ao terceiro dia. Cristo triunfou gloriosamente sobre o poder de Satanás e por esse triunfo trouxe a garantia de que a Sua igreja sobre a terra também triunfaria (Mateus 16:21).

        Como recapitulação do acima exposto, eis uma seqüência de perguntas que os católicos são incapazes de responder:

* Se Pedro foi designado como primeiro líder da igreja por que Jesus declarou enfaticamente: "A ninguém sobre a terra chameis de pai [papa]; porque só um é o vosso Pai, aquele que está no Céu. Nem sereis chamados de guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo" (Mateus 23:9 e 10)? O contexto indica que a referência é a autoridade final quanto a questões espirituais. Homem nenhum pode assumir este papel.

* Se Pedro e os demais discípulos tivessem entendido as palavras de Cristo em Mateus 16:18 como estabelecendo a sua supremacia e posição de liderança à frente da igreja, por que logo adiante os discípulos disputavam quanto a quem dentre eles seria o maior? Quando muito, iriam disputar a posição nº. 2, pois a nº. 1 já estaria assegurada a Pedro, que jamais reivindicou ser líder dos demais.

* Se Pedro fosse o líder da igreja, por que não está claro que foi quem apresentou a decisão final no Concílio de Jerusalém, e sim Tiago? Ele apenas fez um discurso introdutório, mas quem falou em nome do corpo de apóstolos foi Tiago. Leia-se atentamente Atos 15, especialmente versos 12 em diante.

* Se Pedro fosse o líder da igreja, como poderia ser enviado para Samaria com João, em lugar de estar ele à frente enviando missionários? Ver Atos 8:14.

* Se Pedro fosse o líder da igreja, a "pedra" de seu fundamento, por que atribuiu a Cristo esse papel de ser a pedra fundamental, e nada disse sobre seu próprio papel à frente da igreja? 1 Pedro 2:6-8. Paulo confirma isso em 1 Coríntios 10:4, dizendo que Cristo é a pedra fundamental.

* Se Pedro fosse o primeiro papa, como pôde Paulo repreendê-lo severamente porque agia de forma repreensível? Ora, onde já se viu alguém repreender o papa, sendo-lhe subalterno?  Ver em Gálatas 2:11 a 14.

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que Paulo fala da igreja como edifício firmado sobre os apóstolos e profetas, sem discriminar que Pedro era mais importante? Ver Efésios 2:20. Cristo neste texto é apresentado como a pedra angular.

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que não discriminou Paulo a Pedro como o principal, fazendo referência a Pedro, juntamente com Tiago e João, como colunas da igreja, citando a Tiago em primeiro lugar? Ver Gálatas 2:9.

* Se Pedro foi o primeiro papa, por que a autoridade final da igreja de Jerusalém restava não sobre Pedro, mas sobre os apóstolos, mais tarde substituídos por “presbíteros”? Por exemplo, além de terem sido “os apóstolos” que enviaram Pedro a Samaria (Atos 8:14) para supervisionar as novas comunidades cristãs, eles também que enviaram Barnabé a Antioquia (Atos 11:22), Judas e Silas para Antioquia (Atos 15:22-27).

* Se Pedro foi o primeiro papa, por que foram “Tiago e os presbíteros” que recomendaram que  Pedro se submetesse a um rito de purificação no Templo (Atos 21:18, 23-24)?

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que Paulo em sua epístola aos gálatas torna claro que não considerava Jerusalém um centro administrativo divinamente apontado para toda atividade congregacional e após a conversão nem se dirigiu a Jerusalém, a procura de Pedro e da liderança da igreja ali, mas a Damasco? Paulo recebeu as divinas instruções através de um damasceno chamado Ananias. Em Gálatas 1: 16, 17 ele diz claramente que não recorreu após sua conversão a fontes humanas de autoridade.

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que só três anos depois é que Paulo viajou para Jerusalém e declara que apenas viu a Pedro e Tiago, nenhum outro apóstolo, em sua estada ali de quinze dias? Mais tarde, fez de Antioquia a sua base de operações, e embora essa cidade fosse próxima de Jerusalém, não via razão para dirigir-se até lá.

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que os relatos das viagens missionárias  de Paulo (Atos 13, 15, 20, etc.-especialmente 15:36) não indicam que as empreendia por recomendação de alguma “mesa administrativa”, com um roteiro e orçamento aprovados por um líder eclesiástico? De fato, ele subiu a Jerusalém só após quatorze anos acompanhado de Barnabé e Tito, e mesmo assim devido a uma “revelação” do Senhor (ver Gál. 2: 1, 2).

* Se Pedro fosse o primeiro papa, por que os únicos manuscritos bíblicos depois da queda de Jerusalém, os do apóstolo João, escritos décadas após a desolação de Jerusalém, nada mencionam quanto a um corpo administrativo centralizado sobre os cristãos de seus dias com um papa como dirigente máximo? No Apocalipse, as visões de João retratam a Cristo enviando mensagens a sete igrejas da Ásia Menor (Apoc. 1 a 3). Em nenhuma dessas mensagens existe qualquer sugestão ou indicação de que tais congregações estivessem sob uma direção externa, a não ser do próprio Cristo.

* Se Pedro foi o primeiro papa, por que nos escritos disponíveis de autores cristãos do segundo e terceiro séculos nada é indicado quanto à existência de uma administração centralizada para supervisionar as numerosas congregações cristãs, sob o comando de Pedro? A história do período revela, ao contrário, algo bem diferente disso-que a autoridade religiosa centralizada foi produto de um desenvolvimento pós-apostólico e pós-bíblico.
 

**A fonte de verdade e salvação: Sola Scriptura ou  Bíblia e Tradição?

Azenilto G. Brito

R - Os católicos aceitamos a Bíblia como Palavra de Deus porque a Igreja que Cristo fundou e confiou a São Pedro (Mt 16,18), e que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,15), diz que a Bíblia é Palavra de Deus. Como dizia Santo Agostinho, “creio nos Evangelhos porque a Santa Madre Igreja me diz para crer neles”.

        A argumentação de que a Bíblia não tem a verdade completa é muito conveniente a quem deseje justificar idéias que não só não constam das Escrituras, mas são condenadas por elas. Assim, há os que empregam tal argumento para justificar noções tais como a da reencarnação e comunicação com os mortos.  Por outro lado, os católicos têm seus motivos para exaltarem a tradição eclesiástica acima das Escrituras, repetindo sempre o slogan de que “A Bíblia é filha da Igreja, e não a Igreja da Bíblia”.
        Quando Deus ordenou a Moisés tirar o povo de Israel do cativeiro egípcio, apresentou-Se ao hebreu como o “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” (Êxo. 3:6,15,16)! Assim, Ele não disse para Moisés consultar a tradição dos anciãos de Israel sobre as divinas promessas de fazer da descendência de Abraão uma grande nação. Mencionou-a diretamente àquele que haveria de ser o grande líder para libertar o Seu povo, levando-o à Terra Prometida. Antes disso, Ele Se apresentara diretamente a Abraão, depois a Jacó e a Isaque, com eles comunicando-se diretamente. Assim, os descendentes de Abraão sabiam da especial promessa divina a ele não pela Tradição Oral mantida por Abraão, mas repetindo a promessa a cada um desses patriarcas (ver Gênesis, capítulos 17: 1-8;  26:24, 25 e 35:9-15).
        Muita coisa aconteceu na jornada do povo desde sua saída do Egito até os limites da Canaã prometida. Certamente muitas histórias os pais e avós teriam para contar a filhos e netos, deveras uma rica tradição. Contudo, Deus ordenou a Moisés: “Escreve isto para memória num livro” (Êxo. 17:14). Deus não deixou tudo aquilo por conta da Tradição Oral.
Como lembra um autor protestante e o próprio Prof. Ramalhete refere:

        Recorde-se à dificuldade imensa que envolvia a arte de escrever antes da descoberta da imprensa por Gutenberg em meados do século XV. Naqueles remotíssimos tempos o instrumento apto para ensinar e legislar era a palavra oral.
        Este veículo do pensamento teve sua ampla aplicação no setor da religião. Compulsando-se a História das religiões mais antigas, verifica-se que elas dependiam de um patrimônio doutrinário transmitido de geração a geração por via meramente oral. Em certos sistemas religiosos os fiéis se negaram sempre a escrever alguns dos seus preceitos mais caros. É de se observar, por exemplo, a fórmula freqüentíssima: “Eu ouvi. . .” adotada na primitiva religião chinesa, da qual procedem o taoísmo e o confucionismo.
        Chama a atenção para o nosso caso ainda mais a circunstância assaz agravante de estar o povo de Israel acampado no deserto, com dificuldades humanamente instransponíveis para executar a arte da escrita.
        A História das religiões dos homens revela o apreço à Tradição Oral por ser esta mais fácil em amoldar-se aos seus caprichos circunstanciais. São notáveis os inúmeros pontos de contato do catolicismo com essas religiões, inclusive o seu apego a esse veiculo de transmissão doutrinária e depósito dos seus ensinos.
        Em condições dignas de nota, surgiu a Escritura Santa! Anteriormente Deus se revelara a pessoas individuais. A Adão e Eva. A Noé. A Abraão. A Jacó. Falava-lhes! Interferiu em acontecimentos! Mas, quando se revelou ao Seu Povo já separado dos egípcios, à coletividade, mandou escrever.
        A marcha triunfante e cheia de percalços continuou. Acampou-se o povo ao sopé do Monte de Sinai em circunstâncias solidíssimas. “Todo o Monte do Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente” (Êx. 19:18). E “Deus falou. . .”  Êx. 20:1). Proferiu o Seu Decálogo. Apresentou as Suas Leis acerca dos servos, dos homicidas, da propriedade, da imoralidade, da idolatria, dos que amaldiçoam os pais ou ferem qualquer pessoa, do testemunho falso e das injustiças, do descanso e das três festas. Não se limitou Moisés relatá-las ao seu povo (Ex. 24:3), mas, “escreveu todas as palavras do Senhor” (Êx. 24:4).
“. . . Erigiu um altar ao pé do monte (Êx. 24:4) . . . e tornou o livro da aliança, e o deu ao povo, e eles disseram: tudo o que falou o Senhor, faremos, e obedeceremos” (Êx. 24:7).
Note-se: Moisés ouviu. Em seguida relatou ao povo. E depois ESCREVEU. E, então, leu ao povo o que havia escrito no livro da aliança. Por quê? É porque o Senhor não queria TRADIÇÃO ORAL alguma! A Tradição é traição à Fideldade”.

 Metodologia Divina de Preservação da Verdade

        O chefe da família na era patriarcal era o sacerdote do lar, encarregado de transmitir a “santa tradição” que assim passaria de geração a geração: “Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração, tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te . . . e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deut. 6: 6-9).
        É digno de nota que a ordem referia-se às “palavras que hoje te ordeno”, o que procedia da transmissão direta da lei de Deus ao Seu povo, nada de tradição popular ou “depósito de verdades” de alguma instituição religiosa. Tal instrução procede do período posterior à entrega solene da lei no Sinai, todavia deixa implícita a metodologia divina para a conservação de Sua palavra desde o princípio. Era uma “tradição oral”, mas é interessante notar que envolvia também alguma escrita. . .
        Se há outras verdades necessárias à nossa salvação fora da Bíblia, onde vamos encontrá-las? Nesse caso tanto faz a tradição budista, muçulmana, hinduísta, animista pois valerá tudo! Qual fica sendo a autoridade final para determinar tais “verdades extrabíblicas”? Os católicos dirão: logicamente é a igreja fundada por Cristo sobre Pedro, a rocha (Mateus 16:18). Contudo, esta interpretação sobre Pedro como fundamento da igreja não leva em conta o contexto todo do que a Bíblia ensina, sobretudo o texto integral do Novo Testamento, e escora-se muito mais na sua própria tradição. Então, temos um círculo vicioso: emprega-se a tradição para comprovar a validade da própria tradição acima das Escrituras!*
        Outro paradoxo, contudo, é que autoridades católicas defendam amiúde a validade de sua tradição recorrendo nada menos do que à próprias Escrituras! Destarte, a Bíblia é utilizada para provar que a tradição é superior a ela própria na definição da fé e práticas cristãs.

Origem de Todas as Verdades e Virtudes

        Existem verdades e princípios de elevada ética em todas as tradições religiosas, tanto modernas quanto antigas. Isso se dá porque “toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tiago 1:17). Tudo que é virtuoso, ético, amorável deriva do Criador de todas as coisas, e embora os que ignorem ou desprezem a fonte de luz e verdade das Santas Escrituras possam conservar princípios elevados que correspondam à mensagem de Deus é porque ainda com estes restam noções das verdades eternas que se ligam a Deus e a Seu plano da salvação, conquanto maculadas com erros, desvios, pecados, idolatria.
        Há verdades solenes, princípios elevados, luz e inspiração nos textos de muçulmanos, hindus, taoístas, budistas, mas Jesus nunca Se referiu a qualquer desses textos que antecediam Sua vinda à terra como fontes de luz paralelas à Sua Pessoa ou mensagem (o Corão muçulmano foi posterior a Cristo). Paulo diz, em Romanos capítulo 2, vs. 14 e 15, que os que não conhecem o evangelho têm uma “lei da consciência” interior pela qual serão julgados. Contudo, Cristo disse de maneira indiscutível a Seus ouvintes e seguidores: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim”.
        Mas o que a Bíblia diz a respeito de si própria? Autoriza ou incentiva ela a busca por outras fontes de verdade? Jesus disse aos chefes religiosos judaicos: “Examinais as Escrituras porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim” (João 5:39).
       Quando de Sua tentação no deserto, Cristo referiu-Se repetidamente ao “está escrito” ao defender-se dos sofismas satânicos, nada mencionando da tradição judaica que era bem ampla e muito acatada pelos judeus de Seu tempo (ver Mateus, capítulo 4). Aliás, Ele os condenou certa feita justamente por seu apego a essa tradição extrabíblica: “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens” (Marcos 7:8). E ao tratar especificamente de uma doutrina, de que alguns deles descriam, Ele os condenou dizendo: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).
        Havia na tradição judaica muitas referências à vinda do Messias. Quando, porém, Jesus quis demonstrar aos discípulos quem era Ele, recorreu às Escrituras dos judeus, não a essa tradição: “A seguir Jesus lhes disse: São estas as palavras que Eu vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de Mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lucas 24:44).

Elogios e Recomendações

          Os apóstolos elogiaram os bereanos por seu apego ao estudo da Bíblia: “Estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (Atos 17:11). Logo, as objeções católicas contra o princípio do “livre exame” das Escrituras encontram neste texto de clareza meridiana um sério problema. Em lugar de condenar a “ousadia” dos bereanos por irem conferir na Bíblia o que ouviam da pregação dos apóstolos, entre os quais o “gigante” Paulo, eles foram apontados como exemplo a ser seguido.
         Paulo elogiou Timóteo por seu conhecimento bíblico desde a meninice e o exorta a manter-se firme nessas verdades, nada referindo-se a tradições extrabíblicas: “Permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. (2 Timóteo 3:14-16).
        Mais adiante Paulo orienta ao jovem evangelista: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, acercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, . . . e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4: 2-4).  Neste contexto fica claro que a “sã doutrina” referida se acha nas Escrituras.
        Jesus promete que o Espírito Santo nos auxiliaria em nosso estudo da Bíblia: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se Eu falo por Mim mesmo” (João 7:17). “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir” (João 16:13). Finalmente Ele disse na Sua oração sacerdotal em favor dos Seus discípulos e de Todos quantos viessem a aceitá-Lo como Salvador: “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (João 17:17).

A Tradição de Que Paulo Trata Não É Extrabíblica

        Em Gálatas 1: 13 e 14 Paulo fala que perseguia os cristãos seguindo a tradição de seus pais pela qual tinha grande zelo. Em Colossenses 2:8 ele recomenda cuidar-se contra os que ensinavam “sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens”. E quando o apóstolo dos gentios refere-se à tradição cristã, ele de modo algum está falando de algo derivado do pensamento popular mas do que ele mesmo ensinou: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”. De modo algum sugere apoio a ensinamentos alheios ou diversos das Escrituras.
        Certos autores católicos citam esta passagem para dar a entender que além do texto escrito, haveria tradições relevantes não registradas nas páginas sagradas. Contudo, a própria passagem ressalta aos leitores  primários do apóstolo a  importância de se aterem ao que lhes fora ensinado, “seja por palavra, seja por epístola nossa”. Que o “seja por palavra” não difere do que foi dado “por epístola” é a conclusão mais lógica a se tirar.
        Ou será que algum tema fundamental, básico para a fé e prática cristãs, ficaria sem registro? Iria Paulo ser tão omisso em suas 13 ou 14 epístolas, deixando de fora  de seu repertório de ensinos teológicos, práticos e admoestações individuais ou coletivas algum tema de fato vital para a comunidade cristã? O que ele expressou “por palavra” certamente não destoaria do que fez “por epístola”.
        Aliás, em 1 Coríntios 15, o famoso capítulo onde Paulo discorre sobre a ressurreição dos mortos desfazendo certas concepções tradicionais, ele em sua introdução oferece uma preciosa e reveladora síntese do teor da mensagem cristã, a cuja proclamação se dedicava tão ardentemente: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Cor. 15:4).
        De forma simples, objetiva e prática temos o currículo de ensinos básicos do cristianismo. Destarte, aquilo que Paulo “recebeu” foi também o que transmitiu a seu discípulo Timóteo e às congregações espalhadas pela Ásia Menor às quais se dirigia em suas 13 ou 14 epístolas. Em 1 Cor. 4:6 ele adverte: “Estas cousas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: Não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro”. Na mesma epístola ele mais adiante declara: “De fato eu vos louvo porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes as tradições assim como vo-las entreguei” (1 Cor. 11:2). Claramente ele não está se referindo a algum depósito de noções, idéias, relatos de criaturas santas ou ordinárias mantidos pelo magistério eclesiástico e circulado a boca pequena pela comunidade cristã. Ele não se refere a material à parte dos textos escritos, contendo verdades importantes, essenciais à fé cristã.

A Palavra Evangelizada

        Deve-se reiterar que a tradição referida por Paulo é aquilo que “recebeu” e buscava fielmente transmitir, “as     tradições . . . como vo-las entreguei”. Isto se harmoniza perfeitamente com sua instrução a Timóteo: “E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos, e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé” (1 Timóteo 6:20, 21).
        Pedro refere-se à palavra do Senhor que “permanece eternamente”: “Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada” (1 Pedro 1:25). Interessante, se Pedro tivesse sido o primeiro papa, não é de estranhar que não faça qualquer referência ao suposto “depósito de verdades” da igreja nas suas tradições? Pelo contrário, ele exalta as Escrituras como fonte de verdade e iluminação, como tendo sido dadas por Deus através de “homens santos . . . movidos pelo Espírito Santo” (ver 2 Pedro 1:19;  2:1, 3:1, 2).

A Tradição Popular e a Síntese Eclesiástica

        Na análise da historiadora Martha dos Reis, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao tratar da devoção a Nossa Senhora Aparecida, oficialmente considerada Padroeira do Brasil, ela lembra que “desde o início, quando a imagem de Aparecida foi encontrada, em 1717, houve conflitos entre a fé popular e o catolicismo oficial. Aos poucos, porém, houve a síntese entre as duas coisas: o povo incorporou parte dos ritos oficiais e a Igreja aceitou parte das manifestações populares, como soltar rojões em honra à santa, tocar a imagem, divulgar milagres não reconhecidos oficialmente”. Na sua tese de doutorado, O Culto à Senhora Aparecida-Síntese entre o Catolicismo Oficial e o Popular no Brasil, Martha assegura que “o sagrado e o profano se uniram” (como citado pelo cronista católico Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo).
        O comentário dessa pesquisadora revela algo que deve ter-se repetido vez após vez ao longo da história eclesiástica em vista de tantas crenças e práticas do catolicismo que não encontram respaldo nas Escrituras. Sem falar nas tradições regionais que as próprias autoridades eclesiásticas toleram, sem darem aprovação oficial. É o caso do culto ao Padre Cícero, no nordeste brasileiro ou das tradicionais festas dos “Santos Reis” de Minas Gerais e Goiás.
        Assim, a Igreja Católica admite práticas e crenças por motivo de conveniência e/ou pressão popular. Na Bíblia, contudo, encontramos um exemplo nada nobre de um líder religioso que cedeu às pressões do povo em acatar as suas formas de culto: Arão ordenou a confecção do bezerro de ouro para o povo cultuar como a um deus, cedendo à pressão deste, dada a demora de Moisés que estava sobre o monte Sinai recebendo as leis do Senhor (Êxo. cap. 32). As conseqüências dessa sua decisão, que revela fraqueza de caráter e falta de fibra moral como líder religioso naquelas circunstâncias, foi a condenação, morte e tristeza sobre o acampamento daquela nação que há pouco havia solenemente declarado: “Tudo o que falou o Senhor, faremos” (Êxo. 24:3).
Por fim, é interessante notar que os ortodoxos mantiveram uma tradição milenar com os religiosos alinhados à liderança eclesiástica sediada em Roma e, entretanto, conservam diferenças profundas e significativas com estes últimos. Entre as diferenças que dividem ortodoxos e católicos podem-se citar:

· A Igreja Ortodoxa só admite sete Concílios, enquanto a Romana adota vinte.
· A Igreja Ortodoxa discorda da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho; unicamente do Pai é que admite.
· A Sagrada Escritura e a Santa Tradição representam o mesmo valor como fonte de Revelação, segundo a Igreja Ortodoxa. A Romana, no entanto, considera a Tradição mais importante que a Sagrada Escritura.
· A consagração do pão e do vinho, durante a missa, no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, efetua-se pelo Prefácio, Palavra do Senhor e Epíclese, e não pelas expressões proferidas por Cristo na Última Ceia, como ensina a Igreja Romana.
· Em nenhuma circunstância, a Igreja Ortodoxa admite a infalibilidade do Bispo de Roma. Considera a infalibilidade uma prerrogativa de toda a Igreja e não de uma só pessoa.
· A Igreja Ortodoxa entende que as decisões de um Concílio Ecumênico são superiores às decisões do Papa de Roma ou de quaisquer hierarcas eclesiásticos.
· A Igreja Ortodoxa não concorda com a supremacia universal do direito do Bispo de Roma sobre toda a Igreja Cristã, pois considera todos os bispos iguais. Somente reconhece uma primazia de honra ou uma supremacia de fato (primus inter pares).
· A Virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida em estado de pecado original. A Igreja Romana, por definição do papa Pio IX, no ano de 1854, proclamou como “dogma” de fé a Imaculada Concepção.
· A Igreja Ortodoxa repele a agregação do “Filioque”, aprovado pela Igreja de Roma, no Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
· A Igreja Ortodoxa nega a existência do limbo e do purgatório.
· A Igreja Ortodoxa não admite a existência de um Juízo Particular para apreciar o destino das almas, imediatamente, logo após a morte, senão um só Juízo Universal.
· O Sacramento da Santa Unção pode ser ministrado várias vezes aos fiéis em caso de enfermidade corporal ou espiritual, e não somente nos momentos de agonia ou perigo de morte, como é praticado na Igreja Romana.
· Na Igreja Ortodoxa, o ministro comum do Sacramento do Crisma é o Padre; na Igreja Romana, o Bispo, extraordinariamente, o Padre.
· A Igreja Ortodoxa não admite a existência de indulgências.
· No Sacramento do Matrimônio, o Ministro é o Padre e não os contraentes.
· Em casos excepcionais, ou por graves razões, a Igreja Ortodoxa acolhe a solução do divórcio.
· São distintas as concepções teológicas sobre religião, Igreja, Encarnação, Graça, imagens, escatologia, Sacramentos, culto dos Santos, infalibilidade, Estado religioso. . .

Diferenças especiais: Ademais, subsistem algumas diferenças disciplinares ou litúrgicas que não transferem dogma à doutrina. Tais seriam, por exemplo:

· Na Igreja Ortodoxa, só se permitem ícones [imagens] nos templos.
· Os sacerdotes ortodoxos podem optar livremente entre o celibato e o matrimônio.
· O batismo é por imersão.
· No Sacrifício Eucarístico, na Igreja Ortodoxa, usa-se pão com levedura; na Romana, sem levedura.
· Os calendários ortodoxo e romano são diferentes, especialmente, quanto à Páscoa da Ressurreição.
· A comunhão dos fiéis é efetuada com as espécies, pão e vinho; na Romana, somente com pão.
· Na Igreja Ortodoxa, não existem as devoções ao Sagrado Coração de Jesus, Corpus Christi, Via Crucis, Rosário, Cristo-Rei, Imaculado Coração de Maria e outras comemorações análogas.
· O processo da canonização de um santo é diferente na Igreja Ortodoxa; nele, a maior parte do povo atua no reconhecimento de seu estado de santidade.
· Existem somente três ordens menores na Igreja Ortodoxa: leitor, acólito e sub-diácono; na Romana, quatro: ostiário, leitor, exorcista e acólito.
· O Santo Mirão e a Comunhão na Igreja Ortodoxa se efetuam imediatamente após o Batismo.
· Na fórmula da absolvição dos pecados no Sacramento da Confissão, o sacerdote ortodoxo absolve não em seu próprio nome, mas em nome de Deus-”Deus te absolve de teus pecados”; na Romana, o sacerdote absolve em seu próprio nome, como representante de Deus-”Ego absolvo a peccatis tuis. . .”.
· A Ortodoxia não admite o poder temporal da Igreja; na Romana, é um dogma de fé tal doutrina.
· Os Dez Mandamentos: A Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa conservou os dez mandamentos da Lei de Deus em sua forma original, sem a menor alteração. O mesmo não sucedeu com o texto adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana, no qual os dez mandamentos foram arbitrariamente alterados, ficando totalmente eliminado o segundo mandamento e o último dividido em duas partes, formando dois mandamentos distintos. Esta alteração da Verdade constitui um dos maiores erros teológicos desde que a Igreja Romana cindiu a união da Santa Igreja Ortodoxa no século XI. Esta modificação nos dez mandamentos, introduzidos pelos papas romanos, foi motivada pelo Renascimento das artes. Os célebres escultores daquela época tiveram, assim, amplo setor de atividades artísticas, originando obras de grande valor e estimação. Não obstante, as esculturas representando Deus, a Santíssima Virgem Maria, os santos e os anjos, estavam em completo desacordo com o segundo mandamento de Deus. Havia, pois, duas alternativas, ou impedir a criação de estátuas ou suprimir o segundo mandamento. Os papas escolheram esta última solução, caindo em grave erro.
[Obs.: o texto acima procede de um documento da Igreja Ortodoxa].

        Quando se sabe que o rompimento dos cristãos do Oriente com os do Ocidente ocorreu mais por questões políticas do que doutrinárias, no Cisma de 1054 AD, fica patente que a base de tradição comum entre os religiosos de ambos os lados demonstra quão inseguro é tal fundamento, dando margem a tantas diferenças fundamentais e significativas ao longo dos séculos. Mil anos de tradição comum e quantas práticas e ensinos divergentes!
        Destarte, não será bem melhor e mais seguro ater-nos ao “está escrito” das Santas Escrituras, pois, recomenda o profeta Isaías, “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (8:20)?
__________

* Para uma discussão mais pormenorizada da “Teoria Petrina” (sobre Mateus 16:18) solicite o artigo 34c de nosso “Católogo” de temas: “Três Doutrinas Católicas em Debate”, pelo Dr. Samuele Bacchiocchi. Nosso endereço eletrônico:  azenilto@yahoo.com.br

Adendo:

Um Debate Proveitoso Com Um Católico Adepto da Tradição

        Nesse debate, além de nossos próprios pontos de vista e resultado de investigação dos itens levantados,  colhemos contribuições de irmãos na fé, da comunidade evangélica de diferentes igrejas. O que consta abaixo, pois, representa um consenso dessas várias contribuições.

Respondendo ao Desafio de Um Católico Sobre a Superioridade da Tradição Sobre a Bíblia

        No questionário que o amigo católico Yvan nos submeteu as partes da mensagem anterior que Yvan respondeu inicialmente estão em verde escuro. Sua resposta a nossos questionamentos estão em letras negras. A tréplica a seu feedback está em letras azuis.
        Após essa troca de mensagens, ele apenas limitou-se a despachar-nos uma enxurrada de textos de diferentes autores católicos defendendo suas posições tradicionais ou fazendo análises históricas evidentemente unilaterais, segundo a perspectiva do catolicismo. Ou seja, preferiu mudar de assunto. . .

 1) Onde Jesus ordenou que a fé‚ cristã somente poderia se basear na Bíblia?

Onde ordenou que se baseasse em fontes extrabíblicas como mais importantes do que Sua Palavra?

      R - Ora Azenilto, isso é claro como água! Você desconhece a Sagrada Escritura? Por que vocês só se referem aos trechos que lhes interessa? Cansei de citar em minhas mensagens anteriores diversos trechos onde S. Paulo e outros recomendam para que guardem e observem as tradições que lhes haviam sido ensinadas. Isso não basta?

        Ocorre que você utiliza o chamado “argumento do silêncio” que é a maneira mais fraca de defesa ou combater de uma tese. Então, se não dito ESPECIFICAMENTE que deviam basear a fé cristã na Bíblia, isso me dá licença para lembrar-lhe que ocorre também silêncio quanto a basear-se em fontes outras.
Assim, estamos empatados: nem diz que é só na Bíblia, nem diz que é tendo a tradição acima da Bíblia (ou a ela igual)!
        Mas vamos desempatar: Se Jesus disse, “santifica-os na verdade, a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17) fica o ônus da prova para quem ensina que a tradição é considerada Palavra de Deus por Jesus ou qualquer autor bíblico, pois a referência à “palavra de Deus” na Bíblia é sempre ao texto inspirado escrito por “homens santos, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21), nunca às noções do “povão” acatadas pela igreja, por conveniência.

        A sua resposta (com outra pergunta) é dúbia porque a Palavra de Deus não está apenas escrita e você sabe muito bem disso. A Tradição oral, transmitida por Jesus e pelos Apóstolos é a Palavra de Deus propriamente dita. Isso é óbvio!

        O registro da Palavra de Deus transmitida pelos apóstolos e Jesus é o que existe de mais relevante. Eles não iriam de modo algum deixar de fora coisas tão importantes para a fé e prática cristãs, como o papel excepcional de Maria, a transubstanciação, a opção do destino final dos perdidos como sendo também o purgatório, etc., etc.
Sobre a hiperdulia a Maria, é interessante o breve diálogo de uma mulher com Jesus ao esta exclamar toda entusiasmada: “Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram! Ele, porém, respondeu: Antes bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Luc. 11:27, 28).
        Caso Jesus intencionasse que Sua mãe fosse exaltada ao nível que os católicos pretendem, sobretudo chegando ao nível de pô-la na posição de CO-RENDENTORA(!) Ele jamais diria estas palavras. Pelo contrário, iria Se aproveitar da ocasião para apresentá-la ao mundo como a mais virtuosa, santa, elevada e bem-aventurada de todas as mulheres!
        O mesmo se aplica ao que Paulo diz em Gálatas 4:4. Nem faz referência a Maria, apenas diz que o Cristo seria “nascido de mulher”. Por que essa “indiferença”, em face do papel tão excepcional de Maria que os católicos lhe atribuem?

 2) Onde Jesus ordena a seus Apóstolos a escreverem a Bíblia?
        Onde disse para não escreverem nada? Se “homens santos falaram movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro
1:21) isso significa que o Espírito os levou a fazer isso, escrever os textos sagrados. Portanto,  por meio do Espírito eles tiveram essa ordem, na forma de serem “movidos”.

        Onde Jesus ordena seus seguidores a publicarem catecismos ou outros livros e hinários, manufaturar rosários, construir torres nas igrejas, com sinos, com vitrais, com confessionários, levantar cruzes de madeira, ferro, pedra . . .?

 3) Onde, no Novo Testamento, os Apóstolos falam às gerações futuras que a fé‚ cristã deve se basear na Bíblia?

         Onde dizem que deve basear-se em fontes extrabíblicas de maior valor e autoridade do que a Bíblia? Ou onde dizem que os autores da Bíblia não tinham tanta importância assim?

 R - É clássico, quando não se tem respostas, formular novas perguntas com o intuito de inibir o interlocutor. Você está fazendo exatamente isso. Não tem respostas convincentes. Não tem argumentos concretos e, portanto, responde perguntando. É lamentável!

          A questão não é responder com perguntas por não ter resposta, como você alega. Se assim é você está ofendendo nada menos do que Jesus Cristo, pois a Bíblia registra várias ocasiões em que Ele foi indagado diretamente de alguma coisa, e respondeu dirigindo ao interlocutor OUTRA PERGUNTA. Veja: João 18:33, 34; Mateus 22:14-22; Lucas 10:25-28; 12:13, 14; 13:1, 2; 18:18, 19; 20:1-5; João 13: 37, 38. Obviamente Jesus queria levar essas pessoas a raciocinarem por si mesmas e assim por si mesmas chegarem a respostas óbvias a suas próprias perguntas.

 4) Os protestantes afirmam que Jesus condenou categoricamente toda tradição oral (Mat 15:3.6; Mar 7:8-13). Se isto é verdade, por que Ele ordena a tradição oral aos seus ouvintes dizendo que eles devem obedecer os escribas e os fariseus quando estes estiverem sentados na cátedra de Moisés (Mat 23:2)?

         Jesus esclarece que deviam segui-los e obedecê-los quando falassem as coisas corretas, não suas práticas hipócritas. Quando os condenou por sua hipocrisia Jesus disse que negligenciavam o mandamento de Deus seguindo a tradição dos homens. Então, se eles diziam para cumprir os mandamentos de Deus (registro escrito) e não os praticavam por seguirem a tradição oral, não deviam acompanhá-los nisso.

      R - Jesus não disse isso! E se assim o fosse, quem estabeleceria “quais” seriam essas “coisas corretas”? Me poupe!

          Jesus disse exatamente isso. Basta ler atentamente o texto de Maeus 23:1-3. Compare com Lucas 13:14, exatamente sobre o problema do sábado. Eles estavam certos em recomendarem o madamento ao povo, porém estavam errados em adicionarem ao mandamento regras absurdas e negarem aos enfermos até o direito de serem curados por Jesus, que se defendeu da acusação deles de que quebrantava o sábado dizendo ser "lícito fazer o bem aos sábados" (Mateus 12:12).

5) Os protestantes afirmam que São Paulo categoricamente condenou toda tradição oral (Col 2:8). Se isto é verdade, por que ele diz aos tessalonicenses para que “fiquem firmes na fé e guardem as tradições que ensinamos, oralmente ou por escrito” (2 Tes 2:15) e elogia os coríntios por estes “manterem firmes nas tradições” (1 Cor 11:2)?

         As tradições que Paulo ensinou estão registradas nas suas 13 ou 14 epístolas. Ele nada ensinou que contrariasse o que deixou registrado para conhecimento da Igreja e seu progresso espiritual. E disse que não se devia ultrapassar (ir além) do que “está escrito” (1 Cor. 4:6).

 R - Você está sendo parcial e sabe disso!

       Seja mais específico e diga-me onde estou sendo parcial. Na verdade, Paulo foi muito parcial ao dizer para não se ultrapassar, ir além, do que está escrito (1 Cor. 4:6; Gál 1:8, 9), seja por ele ou pelos demais apóstolos de Cristo, homens santos que escreveram segundo “movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

 6) Se os autores do Novo Testamento acreditavam na Sola Scriptura, por que às vezes eles dão à tradição oral autoridade como Palavra de Deus (Mat 2:23; 23:2; 1 Cor 10:4; 1 Ped 3:19; Jud 1, 9, 14, 15)?

          Porque foram homens santos que escreveram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:21). Nesse caso, eles estão apondo inspiradamente sua autoridade a fatos históricos de Israel que não constavam de nenhum livro, mas passam a ter validade como Escritura, segundo o que Pedro diz.

          R - A Sola Scriptura é o maior absurdo que se poderia ter inventado. É tão insana essa doutrina, que chega a ser ridícula. Como você pode dizer algo como isso, acima? Você simplesmente reconhece que a tradição oral se sobrepõe à escrita (o que é muito natural e lícito) e no restante de suas respostas se contradiz o tempo todo. Sinceramente! Estou decepcionado com suas respostas, esperava algo mais embasado. Mas. . . como sabemos, não há argumento que justifique a Sola Scriptura.

          Meu caro, não é com retórica desse tipo que você chegará à verdade. Foi Jesus ridículo ao derrotar Satanás citando somente a Bíblia e NUNCA nada da tradição dos homens? Ver Mateus 4, Lucas 4.

 7) Onde, na Bíblia, a Palavra de Deus está restrita somente àquilo que está por escrito?

          O Espírito Santo guiaria em toda verdade, e a “verdade” absoluta é a Palavra de Deus (João 17:17). Se há verdades fora do que está escrito, não podem contrariar o registro inspirado. Se contrariarem, então não é a verdade divina, mas as “tradições dos homens” que Jesus condenou nos fariseus.

          R - Compreenda, meu amigo, que a Palavra de Deus inclui também a escrita. A Palavra de Deus nos foi transmitida por Jesus (oralmente). Jesus nada deixou por escrito! Será por quê?

          Jesus não precisava deixar nada escrito pois já havia as Escrituras que Ele citava amplamente (nunca falou de tradições dos judeus de modo positivo-Ver Marcos 7: 7 e 8). Quando expondo aos dois discípulos na estrada de Emaús que Ele era o esperado Messias que morrera em cumprimento a profecias, deu-lhes um “estudo bíblico” completo (ver Lucas 24:27) sem mencionar a tradição, e havia muitas tradições messiânicas . . . Mas também sabia que a Sua Palavra seria proclamada pelos meios que fossem convenientes, pois Sua ordem foi: “Ide, pregai o evangelho a toda criatura . . . até os confins da terra”.

 8) Como nós sabemos quem escreveu os livros que chamamos de Mateus, Marcos, Lucas, Atos, Hebreus e 1-2-3 João? Sob que autoridade, ou princípio, poderíamos aceitar como Escritura livros que sabemos que não foram escritos por um dos Doze Apóstolos?

          Se os concílios cristãos reuniram o cânon, fizeram muito bem. Competentes eruditos analisaram os vários textos e decidiram pelos que tinham as características de inspiração. A Igreja apostatou gradualmente. Nunca foi perfeita, e o fato de que concílios de uma igreja defeituosa fez também coisas certas ao escolher os livros certos é porque Jesus disse que estaria com Sua igreja “até o confins dos séculos”, mesmo sendo essa igreja defeituosa.

          R - Mais uma vez você está sendo parcialíssimo. Dois pesos e duas medidas? Então os Concílios que estabeleceram os cânones eram legítimos? Então tá...!!!

          Primeiro, não eram concílios da Igreja Católica, pois ainda não havia ocorrido o Cisma de 1054. Os católicos quando se referem a esses concílios como se fossem de sua igreja é que estão sendo parciais, omissos e reconstruindo a história segundo sua conveniência (o que é típico de certas seitas. . .).
          Agora, se esses eruditos tiveram aprovação dos conciliares para o estabelecimento do cânon neotestamentário (pois o do Velho Testamento já estava estabelecido há muito pelos judeus que conservavam “os oráculos de Deus”, Rom. 3:2) NESTE PONTO agiram legitimamente. Isso não endossa TODAS as suas decisões. Como eu disse, também os essênios, que eram heréticos, conservaram o texto bíblico, pois Deus vigia a Sua Palavra e vale-se das instrumentalidades possíveis, perfeitas ou não (aliás, ninguém é perfeito. . .)

 9) Onde na Bíblia encontramos uma lista inspirada e infalível dos livros que devem pertencer à Bíblia?

      O Espírito Santo guiaria os eruditos quanto a isso pois Deus estaria velando pela Sua Palavra.

      R - Muito, muito vago...!!!

        Quer coisa mais vaga do que dizer, “nem tudo que Jesus ou os apóstolos fizeram está registrado na Bíblia”? O que de real valor e importância para a salvação e funcionamento da igreja não está registrado na Bíblia? Seriam Jesus e Seus apóstolos tão omissos, negligentes com detalhes fundamentais da verdade, indiferentes ao bem-estar da comunidade de crentes para deixar sem registro o que REALMENTE importa aos cristãos?

10) Como sabemos, usando somente a Bíblia, que os livros do Novo Testamento são inspirados, mesmo quando eles não afirmam ser inspirados?

      Pedro diz que são inspiradas aquelas mensagens transmitidas por “homens santos, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21). As epístolas de Paulo, Pedro, João, Tiago foram de apóstolos de Cristo ou pessoas diretamente chamadas por Deus para darem testemunho da verdade. E são coerentes entre si.

11) Como sabemos, só pela Bíblia, que as cartas de São Paulo, escritas para congregações e indivíduos do primeiro século, deveriam continuar sendo lidas por nós, 2000 anos depois, como Escritura?

      Porque elas contêm instruções que eram válidas para aquele tempo e são válidas para os cristãos de todos os tempos, respeitadas as questões culturais da época.

12) Onde a Bíblia afirma ser a única autoridade para o cristão em matérias de fé e moral?

      Onde diz que se deve buscar outra autoridade?

      R - Uma vez mais. . . evasivas! Respostas com outras perguntas. . .

      Veja o exemplo de Jesus de responder a interlocutores como novas perguntas, na resposta à pergunta 01.

13) A maioria dos livros do Novo Testamento foram escritos para abordar problemas bem específicos da Igreja primitiva, e nenhum deles é uma apresentação sistemática da teologia e fé cristã. Sobre qual base bíblica os protestantes acham que tudo o que os apóstolos ensinaram se encontra nos escritos do Novo Testamento?

      Ora, Paulo em seus escritos é um perfeito sistematizador da fé cristã. Se no Novo Testamento não consta TUDO, sem dúvida o essencial ali está. E Paulo disse para não irmos “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6). E ao se apegarem à tradição, até valorizando-a mais do que a Bíblia, os católicos transgridem essa recomendação apostólica. Ai, ai, ai. . .

      R - Azenilto, você não aparenta ser uma pessoa ignorante. E, assim sendo, é impossível que não compreenda que as duas coisas devem andar lado a lado:
      Sagrada Escritura e Sagrada Tradição, sem o que é impossível se fazer uma leitura imparcial da Palavra. A Tradição oral, que guiou a Igreja nos primeiros séculos é tão necessária quanto a Tradição escrita. No mais, observe os textos:

      “Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21,25).
      “Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa” (2 Tess 2,15).
      “Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes” (2 Tm 3,6).
      “Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros” (2 Tm. 1-2).
      “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Deus fez o sacerdote “ministro do espírito e não da letra” (2 Cor 3, 6).

      Ora, está claríssimo que essa tradição a que Paulo se refere (suas citações com as palavras que sublinhei acima) são os ensinos que deixou registrados em suas 13 ou 14 epístolas, contendo o essencial, o mais importante, o realmente fundamental para a igreja cristã. Em 1 Cor. 15:1-4 ele sintetiza o teor de sua mensagem: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.
      Veja aí nessa síntese o que realmente importa ao cristão saber e cumprir: a ênfase em Cristo, somente Cristo, como salvador. Se Maria fosse “co-redentora” acha que isso não seria tema da maior relevância, a ser lembrado por Paulo nessa síntese de sua pregação? E o evangelho que ele anunciou, e a palavra tal como a pregou estão em essência registrados nas suas 13 ou 14 epístolas. Essa é a nossa “tradição” válida. Fora isso, temos as influências pagãs de uma igreja que haveria de apostatar, segundo ele também profetizou em Atos 20:29, 30. E isso começou bem cedo, pois “o mistério da iniqüidade já opera” (2 Tess. 2:7). Fora isso, é transgredir a instrução paulina de não irmos “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6) para anunciar um condenável “novo evangelho” (Gál. 1:8 e 9).
      Muito cuidado, meu caro Yvan, com esses “novos evangelhos” calcados numa tradição de origem suspeitíssima.*

14) Se os livros do Novo Testamento são “auto-autenticados” pelo ministério do Espírito Santo para cada indivíduo, então por que havia confusão na Igreja primitiva sobre quais livros eram inspirados, tendo sido alguns livros rejeitados pela maioria?

      O conhecimento das coisas de Deus é um progresso, como a luz da aurora que  brilha mais e mais até ser dia perfeito (Prov. 4:18). Havia confusão sobre outras coisas, mas sendo que Deus estava vigilante e o Espírito dirigiria na caminhada rumo à verdade, a confusão se desfez no devido tempo.

      R - E o homem novamente estabeleceu a confusão para reinar através das igrejas e seitas surgidas pela Reforma. . .

      Você mesmo admitiu haver divergências de opinião sobre doutrinas na Igreja Católica e exageros na prática do culto às imagens. E que me diz da prática simoníaca de vendas das indulgências? Quer confusão maior? Lutero teve o mérito de iniciar um processo de restauração das verdades bíblicas e colocar a Bíblia na mão do povo. Foi o início da restauração e não da confusão que prevalecia, em cumprimento da profecia de Paulo em Atos 20:29, 30.

15) Se o significado da Bíblia é tão claro, tão fácil de ser interpretado, e se o Espírito Santo conduz cada cristão a interpretá-la corretamente, então por que existem mais de 28.000 denominações protestantes e milhões de indivíduos protestantes, todos interpretando a Bíblia diferentemente?

      Nomes de denominações religiosas que no fundo têm inúmeros pontos em comum não significam que sejam mutuamente exclusivas. Não importam estruturas eclesiásticas, o que importa é Cristo como o centro da vida e da fé, torná-lo o Senhor e Salvador de nossas vidas individuais e coletivas. A verdadeira Igreja de Deus é o conjunto dos fiéis membros do corpo de Cristo independentemente de estruturas eclesiásticas. Isso inclui católicos e protestantes, quiçá também espíritas, etc.

     R - Estou perplexo!!!! Denominações religiosas que no fundo têm “inúmeros” pontos em comum???? Azenilto, as diversas denominações protestantes só têm em comum o intuito de confundir cada vez mais a mente dos desavisados que ingressam em suas fileiras.

      Já expliquei que nomenclatura de estruturas denominacionais não é o mais importante. Essas muitas denominações e organizações não se excluem mutuamente, como você quer dar a entender. Assim como dentro da Igreja Católica há os liberais, conservadores, carismáticos, os que aceitam a infalibilidade papal e os que não acatam isso, os que defendem o casamento para os sacerdotes, os que fazem até juramento de morrer, se preciso, para defender a “causa de Maria” (que terrível armadilha e prova de “lavagem cerebral” em que espero você não tenha caído), mas no fundo estão unidos nos principais pontos de fé e prática religiosa, essas muitas entidades se centralizam em Cristo, o Seu evangelho redentor, a inspiração das Escrituras como ÚNICA fonte de fé e prática e outras questões básicas.
       Ocorrem os desvios, as seitas que negam a divindade de Cristo, etc., mas o mesmo se dá no catolicismo, inclusive com sacerdotes que acatam práticas espíritas, o famoso Padre Quevedo aí no Brasil, por exemplo, e assim por diante.
      Veja na Bíblia o exemplo dos bereanos que foram elogiados, e não ridicularizados como você faz, por seu LIVRE EXAME, por conferirem o que a Bíblia realmente diz, mesmo recebendo a mensagem do evangelho dos apóstolos de Cristo: Atos 17:10-12. Agora, esta passagem deve incomodar um bocado os católicos que pensam como você. . .

16) Quem tem autoridade para arbitrar cristãos diferentes que afirmam ser liderados pelo Espírito Santo em interpretações mutuamente contraditórias da Bíblia?

      A Palavra de Deus. Quem estiver indo além do que “está escrito” (1 Cor. 4:6) estará errando. Mas há erros secundários e erros primários. Negar a salvação em Cristo é erro terrível pois exclui a pessoa dessa salvação. Querer apôr outro salvador, ou “co-rendentora” ao lado daquele que é o único nome pelo qual podemos ser salvos (Atos 4:12) é claramente ir “além do que está escrito” e uma atitude que chega a ser blasfema.

      R - Mais uma vez você está delirando! Blasfêmia é se auto-intitular “iluminado”pelo Espírito Santo e pregar coisas tão absurdas como ter que doar o que tem no bolso ou o relógio que está no pulso para poder ter direito a uma “bênção”que, evidentemente, é distribuída pelo “pastor”. Ora, vamos deixar de hipocrisia! A grande maioria das seitas ( não propriamente as denominações históricas ) é um meio de vida para meia dúzia de “pastores” mal intencionados. Podemos citar a Universal, como exemplo. Dentre tantas e tantas “igrejas” diferentes será que existem tantos e tantos “espíritos santos” “iluminando” a cada uma delas? E você vem me dizer que a Palavra de Deus é que poderá arbitrar? Que Palavra se todas reclamam para si o direito de interpretá-la?

      Se você quer generalizar e tomar a parte pelo todo, atribuindo a TODOS os evangélicos esses desvios lamentáveis da "banda podre" do cristianismo evangélico, lembre-se que temos também umas coisas sérias sobre práticas de representantes da Igreja Católica. Que me diz dos escândalos sexuais envolvendo sacerdotes e bispos nos EUA e outras nações que têm surgido ultimamente ? Lembra-se do episódio do “Banco Ambrosiano” quando o secretário particular do Papa, Paul Marcinkus, nem podia deixar o território do Vaticano senão seria preso? Assim, é melhor parar por aí. . .

      17) E, já que cada protestante pode admitir que sua interpretação é falível, como pode um protestante em boa consciência chamar algo de heresia ou obrigar um outro cristão a acreditar em algo particular?

      O que ultrapassa o que está escrito, por exemplo, o que contraria a lei de Deus pronunciada solenemente no Sinai com exclusão de mandamentos ou acréscimo de novos (ex.: “guardar domingos e festas”) determina quem está cumprindo a vontade de Deus ou quem está dizendo “Senhor, Senhor, em teu nome não fizemos tantas coisas?” para ouvir naquele dia-“apartai-vos de mim, vós que transgredis a lei” (ou praticais a iniqüidade, que e a mesma coisa). Mateus 7:21-23.

     R - Em outras palavras você está dizendo que a Igreja Adventista é a que detém a verdade? Francamente...!

      A Igreja Adventista não é a única que defende a validade e integridade da lei de Deus. Ela não detém a verdade completa pois não está isenta de erros de interpretação e mesmo de alguma doutrina. Mas de todos os ensinos religiosos que conheço (e bem conheço o catolicismo, espiritismo, protestantismo histórico e carismático) as igrejas que observam o sábado do sétimo dia são mais coerentes em dois pontos principais: que a justificação unicamente pela fé leva o indivíduo a uma santificação na qual a lei de Deus não falsificada é escrita nos corações dos que aceitarem os termos do Novo Concerto (ou novo testamento) [ver Hebreus 8:6-10 e 10:16, cf. Jer. 31:31-33]. Também a questão de como o homem passou de uma condição de imortalidade condicional para a de mortalidade incondicional é exposta pelos adventistas e algumas outras poucas denominações observadoras do sábado de modo muito superior e claro, e precisa ser divulgada mais e mais para levantar esse debate no meio evangélico.
      Eruditos de várias denominações já estão adotando esse entendimento bíblico (inclusive do meio católico) que é uma ferramenta magnífica para destruir as bases de todas as heresias que se firmam nesse conceito dualista originário da filosofia grega. Com tal correto entendimento cai por terra o espiritismo kardecista, espiritismo de umbanda, candomblé, etc., mormonismo, Nova Era, teorias católicas-chave como purgatório, intercessão pelos mortos, inferno de fogo eterno (no sentido de espaço de tempo), e vários outros enganos que partem da primeira mentira proferida sobre esta terra: “É certo que não morrereis” (Gên. 3:4).

18) Os protestantes geralmente afirmam que todos concordam “nas coisas importantes”. Quem é capaz de decidir com autoridade o que é importante na fé cristã e o que não é?

      Importante é tudo aquilo que diz respeito ao tema da salvação e da lei divina a ser escrita nos corações dos que aceitarem os termos do Novo Concerto entre Deus e Seus filhos (Hebreus 8:6-10). Há coisas de menor importância que não excluem alguém de ser considerado um irmão na fé. Mas em 1 Coríntios 15:1-4 Paulo revela o que era a essência se sua pregação e nada há ali que justifique os ensinos católicos que vão “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6) com base na tradição popular, não no “assim diz o Senhor” da Palavra de Deus.

      R - Essas “coisas” menos importantes, certamente, seriam os dogmas?

      Tem certeza de que tais dogmas encontram o respaldo do “assim diz o Senhor” e do “está escrito”, ou são originários das tradições dos homens, contrariando o mandamento de Deus (Marcos 7:7,8) e indo além do que está escrito (1 Cor. 4:6)? Se os católicos agissem como os bereanos, tirariam muita coisa a limpo e renunciariam a muitos de tais ensinos, como milhões têm feito por todo o mundo, inclusive ex-padres e ex-freiras, sinceros buscadores da verdade, cansados das tradições dos homens em lugar da Palavra do Deus Altíssimo.

19) Como pôde a Igreja primitiva evangelizar, sobreviver e prosperar durante os primeiros 350 anos, sem saber ao certo quais livros pertenciam ao cânon da Escritura?

      Eles tinham as epístolas apostólicas, o conhecimento básico das questões da fé, as Escrituras do Velho Testamento usadas pelos judeus e a plenitude do poder do Espírito Santo.

      R - Não, eles não tinham as epístolas apostólicas. Esse conhecimento básico das questões da fé ele tinham por tradição oral e a plenitude do poder do Espírito não chegou até eles através de algo escrito.

      As epístolas paulinas deviam circular entre as várias igrejas, como Pedro indica em 2 Pedro 3:16 (ver também Col. 4:16; 2 Tess. 5:27). Na introdução das epístolas de Pedro, João, Judas, Tiago é mostrado que foram escritas para todos, ou grupos de judeus cristãos. Jesus Cristo disse, orando ao Pai: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17) e antes havia prometido, “quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (vs. 16:13).
      Ao condenar os fariseus e saduceus por seu apego às tradições junto com a Bíblia, Cristo disse: “Errais por não conhecerdes as Escrituras!”. Logo, é um erro, não agir como os bereanos, já mencionados, elogiados conferirem os fatos bíblicos diante do ensino dos apóstolos (Atos 17:11).

20) Quem na Igreja tem a autoridade para determinar quais livros devem pertencer ao cânon do Novo Testamento e fazer esta decisão obrigatória para todos os cristãos?

      Se concílios da igreja o fizeram, mesmo antes do primeiro grande Cisma de 1054 (com a divisão de católicos e ortodoxos) fizeram bem, foram dirigidos nisso por Deus. Ele vela pela Sua palavra. Agora, era uma igreja já contaminada por erros lamentáveis segundo Paulo profetizara em Atos 20:29 e 30.

      R - Engraçado! Os Concílios existentes antes do Cisma de 1054 também estabeleceram outros tantos dogmas. Aí, nesse caso, estavam errados...Estou tentando entender a sua lógica...Tá difícil!

      Já expliquei isso. Outros tantos dogmas podem ser válidos ou não. Serão válidos quando têm o respaldo do “assim diz o Senhor” das Escrituras e inválidos quando forem “além do que está escrito”.

      21) Se ninguém tem esta autoridade, então eu posso remover ou adicionar livros ao cânon bíblico conforme a minha própria autoridade?

      O Espírito Santo conduziu o estabelecimento do cânon bíblico determinado pela Igreja antes do primeiro grande Cisma. Então, os católicos não podem gabar-se de terem sido os determinadores do cânon, pois injustamente excluem a ala dos que se fizeram “ortodoxos”.

      R - Não é essa a questão! Não fuja da pergunta como o fez até aqui.

      Será que fugi mesmo?

      22) Por que os estudiosos protestantes reconhecem que os concílios primitivos da Igreja em Hipona e Cartago foram a primeira instância onde o cânon do Novo Testamento foi oficialmente sancionado, mas ignoram o fato de que os mesmos concílios sancionaram o cânon do Antigo Testamento usado até hoje pela Igreja Católica e abandonado pelos protestantes durante a Reforma?

      Como eu disse, Deus velou pela preservação de Sua Palavra, como a miraculosa conservação desses escritos pelos Essênios (os famosos “Rolos do Mar Morto”) comprova. Os essênios eram fanáticos, heréticos e inimigos dos cristãos, mas foram a instrumentalidade divina para preservar os “oráculos de Deus” de que os judeus eram portadores (Rom. 3:2).

      R - Acho que estou compreendendo sua mecânica de pensamento. Naquilo que você acha que está certo, houve intervenção correta de Deus. Naquilo que você acha que está errado, houve erro! Entendi, muito justa sua observação. . .

      Paulo disse para não irmos “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6) e rejeitarmos qualquer “outro evangelho” (Gál. 1:8, 9). A norma é a Palavra de Deus, não as tradições dos homens.

23) Por que os Protestantes seguem as decisões dos judeus, tomadas em período pós-apostólico, sobre o cânon do Antigo Testamento, desprezando a decisão da Igreja fundada por Jesus Cristo?

      Porque a eles foram confiados “os oráculos de Deus” (Romanos 3:2). Eles, como os essênios, já eram rejeitados como povo especial de Deus, mas eram os guardadores desse “depósito da fé” genuíno, a Palavra de Deus. Jamais reconheceram os livros apócrifos que contradizem as Escrituras que lhes foram confiadas como seus preservadores. Deus vigia sobre a Sua Palavra e Jesus disse: “A Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Essa verdade seria mantida a todo custo, fosse por essênios, judeus inimigos de Cristo, cristãos já meio apostatados do 2o. e 3o. séculos. . .

      R - Mais uma vez a parcialidade evidente. . .

      Não sei o que entende por “parcialidade”.

(24) Como os bispos de Hipona e Cartago foram capazes de determinar o cânon correto da Escritura, ainda que acreditassem em todas as doutrinas católicas como a sucessão apostólica dos bispos, o sacrifício da missa, a presença real de Cristo na Eucaristia, a regeneração pelo batismo etc.?

      Seria a mesma resposta dada acima, sob o no. 23.

      R - E a mesma observação. . . Parcialidade!

25) Se a Cristandade é uma “religião do Livro”, como ela floresceu durante os primeiros 1500 anos de História da Igreja, quando a imensa maioria do povo era analfabeto?

      Floresceu? Ela existiu aos “trancos e barrancos” com toda a apostasia dos acréscimos da tradição (cumprindo a profecia de Paulo em Atos 20:29, 30. 2 Tess. 2:7) até que Wiclef, Lutero, Calvino e outros começaram a eliminar o joio da tradição do trigo da verdade.

      R - Floresceu sim, do contrário não teria chegado até nossos dias. E quanto aos reformadores que você citou, temos trechos lindíssimos deles, com relação à Virgem Maria. Se quiser posso lhe remeter. Parece que eles mantiveram alguma coisa do “joio” citado por você.

      Eu nada tenho contra os trechos lindíssimos sobre Maria. Ela é uma indiscutível heroína bíblica, instrumentalidade de Deus para a encarnação do Verbo. O problema é o exagero, o “ir além do que está escrito” quanto a Maria, como esse “novo evangelho” de querer transformá-la em co-redentora. Esses mesmos reformadores CERTAMENTE iriam condenar com toda veemência qualquer iniciativa nesse sentido. Claro que eles começaram um processo. Lutero se referia a isso falando da “ecclesia reformata, semper reformanda”. Evidentemente não restauraram tudo, e ainda hoje temos essa tarefa de restaurar a verdade plena. Há ainda “joio” em muitas igrejas, numas mais, noutras menos.  Aliás, em TODAS, pois nenhuma é perfeita.

26) Como poderia o Apóstolo Tomé estabelecer uma Igreja na Índia, que sobrevive até hoje e que voltou a estar em comunhão com a Igreja Católica, sem deixar-lhes uma única palavra da Escritura do Novo Testamento?

      Essa informação é muito vaga. Na Etiópia, onde os cristãos por 1.000 anos mantiveram-se isolados da Igreja européia, a comunidade local até hoje conserva princípios que os demais abandonaram. Tal informação procede de uma reportagem de uma revista secular, a National Geographic Magazine. O referido artigo cita inicialmente o historiador Edward Gibbon, que escreveu O Declínio e Queda do Império Romano, segundo o qual “os etíopes dormiram quase mil anos, alheios ao mundo pelo qual foram esquecidos”. Mais adiante prossegue a reportagem: “Duzentos anos se passaram para o cristianismo tomar pé em Aksum, mas hoje mais da metade de todos os etíopes são cristãos, cerca de 30 milhões de pessoas. Sua fé, por ter sobrevivido aqui por mil anos, é uma singular fusão de ensinos do Velho e Novo Testamento. Grande devoção é revelada pela Virgem Maria, por exemplo, contudo, até hoje os costumes dos ortodoxos etíopes fazem eco à lei judaica, requerendo que as igrejas circuncidem suas crianças do sexo masculino no oitavo dia, descansem no sábado, e se abstenham de carne de porco”.-“Keepers of the Faith-The Living Legacy of Aksum” [Mantenedores da Fé-O Legado Vivo de Aksum], por Candice S. Millard, Op. Cit., julho de 2001, pp. 115 e 122.

      R - Quem foi vago, de cima baixo, foi você. Aliás, não poderia ter sido diferente porque não há sustentação teológica para a Sola Scriptura.

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