A Igreja Enfrenta Suas Duras Realidades
(Mas Pobreza Não é Uma Delas. . .)

       Segundo dados estatísticos do Catholic Almanac [Almanaque Católico] para 2002, o número atual de católicos romanos nos EUA é de aproximadamente 63.700.000, formando a maior denominação religiosa individual no país e o terceiro maior contingente católico sobre a Terra. Em primeiro lugar vem o Brasil, com uma membresia de 141.200.000, seguido pelo México, com 125.800.000. Outras nações de grandes contingentes católicos, na ordem, seriam: Filipinas, Itália, França, Polônia, Espanha e Colômbia. A população católica mundial é de 1.033.129.000 membros.
        Os católicos já constituem 22,8 por cento da população nacional estadunidense, tendo experimentado um pequeno aumento em relação ao ano anterior. O estado de Rhode Island chega a ter população católica majoritária, à base de 63,1 por cento.
        Noticiários e comentários com base no que tem aparecido na imprensa mais livre e descomprometida dos EUA podem dar uma idéia mais realista de duros fatos que o catolicismo contemporâneo defronta na grande nação americana e que podem refletir algo do que se passa nessa instituição pelo mundo afora.

        A revista Time, em edição de 3 de junho, informa que nos EUA os ganhos financeiros da Igreja Católica somariam anualmente 7,5 bilhões de dólares. E prossegue: “Ainda mais impressionante são suas vastas propriedades que incluem tudo, desde catedrais e escolas, a retiros de frente para o mar, mansões grandiosas, campos de golf e estações de rádio e TV. Mas”, prossegue a revista, “o real segredo do vigor financeiro da Igreja é que cada uma das 178 dioceses católicas nos EUA organiza suas atividades separadamente; quase todas empregam uma estrutura legal altamente complexa e descentralizada que até aqui tem sido eficaz em escudar seus passivos de reivindicações legais acarretadas contra sacerdotes”. Mais adiante a reportagem explica que a Igreja não é obrigada a prestar contas de seus bens e ganhos globais. Dando um exemplo de como a Igreja, após os escândalos sexuais destes meses recentes, tem tomado providências adicionais para proteger seu patrimônio, o artigo do Time prossegue:
        “Segundo advogados de 38 querelantes de Rhode Island, a diocese de Providence opera mais de 220 corporações subsidiárias, incluindo a Mansão Aldrich, um extenso complexo junto à Baía Narragansett”, onde chegou a ser rodado um filme. “As filmagens levaram seis semanas numa propriedade que cobra U$ 3.000,00 para lá se realizar um chá de panelas”. Apesar disso, “oficiais da diocese alegam não poder arcar com compensações a vítimas de abuso sexual—e não ser legalmente sujeita a fazê-lo. O seu argumento: a corporação dos bispos controla propriedades, não sacerdotes”.

Protegendo-se Contra os Reivindicadores de Compensação

        Os articulistas demonstram como “a estrutura legal da Igreja atua como um anteparo para quaisquer ataques sobre o centro. E, em última instância, a sede é o Vaticano—um estado soberano que se acha eficazmente imune a ações legais privadas nos EUA (o Vaticano por sua vez é publicamente contrário a que se paguem compensações por abuso sexual)”.
        Num caso em Miami em que um professor de escola católica molestou um estudante, a arquidiocese alegou que não controlava a instituição. Contudo, o advogado Ron Weil demonstrou que a diocese controlava não só o currículo e designação dos professores, mas também a agenda para o salão de conferências. “Isto equivale a um recruta ser preso e o general declarar, ‘ele não trabalha para mim’, argumenta Weil. “Eles todos vestem o mesmo uniforme”, completa ele.
        Mas a própria amplitude dos casos que a cada semana apresenta mais vítimas vem deixando os oficiais da igreja nervosos, diz a reportagem. Somente em Boston, 450 reivindicações de compensação por abuso sexual foram levantados ultimamente. “Advogados de queixosos na Califórnia e Novo México dizem que receberam dúzias de novas alegações em semanas recentes”. [Op. Cit., artigo “Can a Church Go Broke?”, págs. 50-52].
Se os oficiais da Igreja parecem nervosos, muitas das vítimas também não se revelam mais calmos diante das barreiras criadas para concessão de compensações por abusos sexuais. Um deles, Dontee Stokes, de 26 anos, deu três tiros no sacerdote católico Rev. Maurice Blackwell, de 56 anos, em Baltimore, Md., a quem acusa de tê-lo molestado em 1993. O sacerdote conseguiu recuperar-se, mas Stokes foi preso por tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e agressão.
        Por outro lado, 16 sacerdotes acusados de abuso sexual já teriam se suicidado  desde 1986, segundo informa um jornal the Cleveland, Ohio, enquanto Rachel Zoll, da The Associated Press, informa que pelos menos 177 sacerdotes renunciaram a seu posto desde a eclosão dos escândalos. O número total de sacerdotes nos EUA seria atualmente de cerca de 46.000.

Imprensa e Povo Americano Não Perdoam

        Bill O’Reilly, veterano jornalista da TV Fox, americana, num artigo intitulado “Pope would do better to face abuse issues” [Seria melhor que o papa encarasse a questão dos abusos] admite a certa altura: “É bem amplamente conhecido dentro da Igreja que o Papa João Paulo II está tão doente que se acha quase inteiramente fora do processo decisório. Em vez disso, há alguns poucos poderosos ‘pequenos papas’ que rodeiam o pontífice e emitem ordens em seu nome.
        “E a ordem para os bispos americanos reduzem-se ao seguinte: bloqueiem. . . . O arcebispo Julian Herranz recentemente criticou a mídia americana num discurso e insistia em que os bispos não devem ser obrigados a entregar a promotores registros de sacerdotes abusadores”, diz ele, mencionando outra autoridade da Igreja que alegava num artigo que um sacerdote abusador de crianças não devia ter o seu “bom nome” arruinado se estiver seguindo um “tratamento”.
        O articulista acrescenta que “americanos de pensamento lúcido devem reagir em horror a essas opiniões, porque o Vaticano está basicamente dizendo que as autoridades civis e os pais não têm direito de saber sobre um sacerdote que abusou de um filho seu no passado. Isso é indefensável e, possivelmente, até criminoso se ação for tomada a respeito”.
        Quando o presidente americano George Bush esteve recentemente com o papa noticiou-se que  ele deu um diplomático “carão” no chefe do catolicismo mundial por manter-se eqüidistante do problema. O presidente confessou-se “preocupado” com a situação, e não é para menos.
        Nos Estados Unidos, diz-se jocosamente que a seqüência na hierarquia de importância na sociedade seria: em 1o. lugar, absoluto, a criança; em 2o. lugar, a mulher; em 3o. lugar o “pet” (animal de estimação, como o cachorro, o gato, o periquito. . .), vindo o homem em 4o. lugar, e mesmo assim perdendo cada vez mais terreno para o computador, que nem sequer é um ser vivo. . .
        Reilly declara ainda que “sem dúvida a Igreja Católica na América [ou seja, EUA] está em meio à pior crise que já enfrentou. Segundo uma recente enquete da CBS, somente 25 por cento dos americanos têm uma opinião favorável do papa”. E o jornalista é enfático e direto: “A culpa é do próprio papa. Conquanto esteja agora enfermo, ele tem sistematicamente dado poder, ao longo dos anos, a homens autocráticos e insensíveis. Esses são homens frios, não príncipes da Igreja segundo a imagem do Cristo. João Paulo II não tolera dissensão nem reforma. Ele colocou a ‘imagem’ da Igreja acima de tudo o mais--inclusive o bem-estar de crianças. Bem, agora essa imagem está em pedaços”.
        E Reilly não poupa palavras duras para os homens do Vaticano: “A arrogante, desafiadora claque de Roma está determinada a defender sua posição repreensível, não importa quanto dano seja causado”. E conclui implacável: “As ‘portas do inferno’ de fato cercaram a Igreja Católica. Oremos para que não levem a melhor”. (Publicada em The Birmingham News de 28-05-02)
        Outro editorialista, David Broder, detentor do Prêmio Pulitzer de jornalismo e correspondente nacional do The Washington Post, comenta os “lapsos de memória” do Cardeal Bernard Law, de Boston, que sob juramento declarou não se lembrar de um documento assinado por ele próprio, solicitando “urgente” investigação no caso do padre pedófilo John Geoghan, e alega que designou dito sacerdote para novo posto, a despeito de ter sido advertido de seus problemas, porque algum médico ou pessoal “profissionalmente competente” teria aprovado tal medida. “Mas o maldito fato é que ele não podia identificar esse homem misterioso ou apresentar um documento dando prova disso”, comenta o jornalista demonstrando contrariedade. E quando o bispo da paróquia à qual Geoghan foi designado protestou por escrito ao Cardeal Law, ele de novo não recordava disso. “Num clássico comentário de quem ‘empurra o pepino adiante’, Law alegou: ‘Minha suposição é que os que me deram assistência em lidar com essas questões fizeram o que foi apropriado . . .’“ E conclui o jornalista do Washington Post: “Vocês podem ver por que as pessoas aqui estão cuspindo de raiva”. [Citado de The Birmingham News, 15-05-02].

Homossexualismo no Clero: Problema Pouco Comentado,
Mas Real

        Por seu turno, John Leo, cuja coluna “On Society” aparece regularmente no semanário U.S. News and World Report, apõe um veemente titulo a um editorial recentemente publicado pelo diário The Birmingham News, que circula na área da principal cidade do Alabama: “A Igreja Deve Apertar os Sacerdotes a Cumprirem os Votos”.
        Leo aborda com franqueza, e contando episódios de relacionamento pessoal com um amigo sacerdote, o delicado problema do homossexualismo no clero católico. Conta ele:
        “Anos atrás, um velho amigo, agora falecido, foi ordenado sacerdote e uniu-se a uma nova comunidade no Meio-Oeste. Meu amigo era homossexual, e vagarosamente ocorreu-me, numa visita a ele ali, que os demais sacerdotes na casa pareciam ser gays também. Tal como o bispo local, segundo se comentava a boca pequena entre os clérigos. Desejaria declarar que senti-me dominado por um intenso desejo de descobrir o que estava se passando, mas tal não se deu. A gente tirava essas coisas da mente naqueles dias. Exemplos de indagações que eu poderia ter dirigido a meu amigo mas não o fiz: Sacerdotes ‘normais’ sentem-se bem-vindos nesta casa, caso contrário, este lugar não se transformaria numa instituição gay? O que significaria isso? E quais são as chances de que homossexuais residentes, de igual mentalidade e alta energia, vão permanecer celibatários? Se eles fossem sexualmente ativos, não os tornaria isso hipócritas, comprometendo-se publicamente com uma regra que estariam todos ignorando?”
        E prossegue o texto com subtítulo “No Controle”: “Boas perguntas, finalmente sendo feitas através da Igreja Católica. Ao serem agora traçadas as linhas de combate, um lado declara que sacerdotes gays sexualmente ativos são uma diminuta percentagem do clero, talvez apenas 10 por cento. O outro lado declara que a igreja tem um problema grave de longo prazo com uma poderosa ‘mafia da lavanda’ de sacerdotes e bispos gays que controlam muitos seminários e solapam a integridade da Igreja por incentivarem o que a mesma proíbe. Intencionalmente ou não, ocorre o argumento, essa cultura gay desestimula recrutas ‘normais’ ao sacerdócio e gradualmente torna o clero mais pesadamente homossexual”.
        Mais adiante, o colunista comenta um fato preocupante: “O bispo Wilton Gregory, atual presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, recentemente declarou: ‘É uma batalha contínua assegurar que o sacerdócio católico não seja dominado por homens homossexuais’“. E o jornalista indaga: “A apreensão sobre o domínio gay da Igreja é agora uma preocupação de alto-nível? A comunidade de católicos leigos não tinha sido informada disso”. (Artigo: “Church must push priests to keep vows”, The Birmingham News, 30 de maio de 2002, pág. 11a).
        E informa ainda Leo: “Mas isso não é um fato exatamente novo. O último cardeal de Boston, Humbertos Medeira [Sic—N.T..: o nome correto é Humberto Medeiros] advertira o Vaticano em 1979 que um brusco aumento no número de seminaristas gays significaria um declínio em seminaristas ‘normais’. Disse ele: ‘Onde um grande número de homossexuais estão presente num seminário, outros homossexuais são rapidamente atraídos”. Os candidatos “normais”, disse ele, “tendem a ser repelidos”.
        A amplitude do problema é difícil de ser medida. Segundo o psicoterapeuta e ex-sacerdote A. W. Richard Sipe, que escreveu três livros sobre sexualidade de sacerdotes, uma terça parte do clero católico seria composta de homossexuais e segundo estudos que realizou, a proporção de sacerdotes abusadores como de seis por cento, um dado estatístico que a Igreja põe em disputa, alegando ser esta proporção muito menor.
        Este é um campo de estudo para sociólogos que constitui chocante paradoxo para a Igreja, que oficialmente condena o homossexualismo. Time, noutra de suas recentes edições (20 de maio de 2002) traz um artigo sobre o título “Dentro da Intimidade da Igreja”, com o subtítulo, “Sacerdotes gays falam sobre suas vidas secretas, seu amor pela igreja e temor de serem feitos bodes expiatórios nos escândalos sexuais”.
        No artigo, de três páginas, a autora Amanda Ripley comenta: “Agora que as transgressões de abuso clerical e acobertamento oficial foram expostos, o segundo maior segredo da igreja esta saindo do esconderijo: uma instituição que denuncia a homossexualidade é mantida em operação por uma força de trabalho desproporcionalmente gay. Essa ironia não é nova entre a maioria dos sacerdotes. Por décadas clérigos gays vêm realizando retiros anuais, têm-se reunido em grupos de apoio locais e se mantido em contato  mediante um boletim de circulação subterrânea. Estimativas de percentual de sacerdotes gays variam de 15% para mais de 50%. Conquanto o número correto seja impossível de estabelecer, parece seguro dizer que é mais elevado do que na população masculina em geral”.
        Um sacerdote homossexual, McNichols, chega a ver uma relação direta e positiva entre sua condição e o sacerdócio, relata a articulista: “Deus me deu esta vocação quando eu era um garotinho, antes de saber que eu era gay. Isso não parecia importar a Deus”. O fato de crescer gay somente o tornou um melhor sacerdote, alega ele, e oferece a seguinte razão para tal noção: “A condição de rejeitado social dos gays pode propiciar-lhes uma inclinação natural para ouvir. Eles podem ser reconciliadores; podem entender o sofrimento de ambos os sexos. Eles são sacerdotes naturais”.
        A articulista menciona as palavras de um sacerdote de Nova Jersey recordando seus dias de seminário em Chicago: “Era um lugar bem louco e livre. Se você fosse para qualquer dos bares gays, por certo encontraria algum padre ou seminarista lá”. Mas, há também seminários onde prevalece uma atmosfera de estudo sério, como o St. Patrick, onde somente amigos íntimos conhecem a orientação sexual um do outro.
        “Todavia”, prossegue o artigo, “o maior desafio—para sacerdotes gays e ‘normais’—surge na vida após o seminário. Viver numa reitoria, diz o Rev. Kim Morris, pode ser uma experiência desesperadamente solitária.
        ‘Você compartilha alguns dos momentos mais importantes na vida dos paroquianos—nascimento, casamento, morte—e ao fim do dia, fecha a porte, e está sozinho’. Morris, de 51 anos, passou seis anos como pastor-associado da Igreja Nossa Senhora de Lurdes, em Queens Village, Nova York. Em 1995 ele achou-se enamorado por outro  homem e pediu licença para viver com seu companheiro. Ele continua a atuar sacramentalmente, celebrando missa para um grupo de católicos romanos gays de Nova York, presidindo funerais para ex-paroquianos e ouvindo confissões. “Sim, estou quebrando a promessa por não ser celibatário”, diz ele. “Mas a promessa tornou-se sem sentido para mim. Enquanto minha comunidade demandar meus serviços, eu estarei lá”.
 

Notícias recentes sobre escândalos sexuais envolvendo clérigos católicos

        Sydney, Austrália. – Um arcebispo católico romano declarou domingo que ofereceu 28.000 dólares para comprar o silêncio de uma família a respeito de acusação de abuso de suas crianças por um sacerdote local. No programa de TV “60 Minutes” foi informado que o Arcebispo de Sydney, George Pell, fez dita oferta a uma família de que duas garotas sofreram abusos por seis anos por um sacerdote local, começando em 1987. A garota mais nova tinha apenas 5 anos de idade na época em que os abusos começaram, declarou a família. Os pais das garotas que apareceram na câmeras e foram identificados somente como Elizabeth e Garry não aceitaram a oferta.
 

Fechado Website Fundado por Sacerdote Com Lutadores em Vestes Sumárias

        Philadelphia, Penn.– Um Web site fundado por um sacerdote que apresentava imagens de jovens lutadores em roupas sumárias foi voluntariamente fechado após perguntas serem levantadas a respeito de seu conteúdo e propósito. O site da Associação Profissional de Lutadores Juniores oferecia fotos e vídeos de lutadores à venda, no intuito de arrecadar dinheiro para obras caritativas. O site exibia adolescentes e jovens com apelidos tais como “Johnny Despedaçador de Corações” em poses de luta. O Rev. Glenn Michael Davidowich, pastor da Igreja Católica Bizantina São Miguel Arcanjo, em Monte Clare, fundou a associação de lutadores em 1999.

[Extraídos de The Birmingham News, 3 e 4 de junho de 2002]


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