Seminário  do Dia do Senhor-I

“Minha Pesquisa Sobre o Dia do Senhor”

Dr. Samuele Bacchiocchi
Transcrição de fita de áudio:
Por Prof. Azenilto G Brito
Introdução
[Dr. Carl Coffmann, Chefe do Depto. de Religião da Universidade Andrews]

        Bem-vindos a este seminário especial sobre O Dia do Senhor que tem ajudado cristãos em muitas partes do mundo a encontrar maior paz e descanso para suas vidas mediante um maior entendimento e experiência dos benefícios do santo dia do Senhor.
        Nosso orador, Dr. Samuele Bacchiocchi, mais bem conhecido como Irmão Sam, é uma destacada autoridade no tema da história e teologia do dia do Senhor, tendo escrito dois best-sellers sobre este assunto.
Sua formação é singular. Ele nasceu e se criou em Roma, Itália. Seguiu sua educação superior na Inglaterra, depois nos Estados Unidos, e finalmente em sua Itália nativa. Obteve um doutorado em história eclesiástica na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma onde foi o primeiro não-católico a ali graduar-se. Ele obteve as medalhas de prata e ouro, doadas pelo papa Paulo VI por sua distinção acadêmica. Presentemente é professor de História Eclesiástica e Teologia na Universidade Andrews, de Berrien Springs, Michigan, EUA [Obs.: a fita foi gravada antes de o Dr. Bacchiocchi ter-se aposentado].
        O Dr. Bacchiocchi também é membro da Sociedade de Literatura Bíblica e tem contribuído com inúmeros artigos para várias publicações e periódicos religiosos. Durante os últimos anos, o Dr. Bacchiocchi tem conduzido Seminários do Dia do Senhor por toda América do Norte e no exterior. Mediante seus livros e conferências ele tem ajudado milhares de pessoas a encontrarem um descanso e renovação interiores pela celebração do dia do Senhor. É nossa fervorosa esperança que este seminário traga enriquecimento espiritual a sua vida.
        Nesta primeira de suas quatro apresentações o Dr. Bacchiocchi vai relatar seu próprio emocionante testemunho do que o sábado tem significado em sua própria vida, e como o transformou?  Oremos para que mediante este seminário Deus nos ajude a melhor compreender este tema, como Ele.
Oração: “Nosso Pai celestial, tens abençoado muitos milhares ao ouvir este testemunho pessoal dos lábios do Dr. Bacchiocchi. Abençoa-nos como tens abençoado outros agora ao ouvirmos esta emocionante história de verdade, de como afetou sua vida e como pode também afetar as nossas, em nome de Jesus, amém”.

        [Apresentação musical por Kerry McCombs, estudante da Universidade Andrews, cantando “Andei Por Onde Andou Jesus”, acompanhado ao piano pela esposa Tammy].

        Muito obrigado Kerry e Tammy [pianista] por esta maravilhosa mensagem em cântico, um cântico que mui adequadamente nos introduz ao estudo do santo dia de Deus, o dia em que o Salvador nos convida para uma mais íntima caminhada com Ele.
        Bem-vindos, amigos, a este especial Seminário do Dia do Senhor—um seminário que tem o objetivo de fazer-nos entender duas verdades bíblicas vitais—1a., qual é o santo dia de Deus; e 2a., o que deve significar para nossa vida cristã hoje.
        Pelos últimos 15 anos tem sido o meu privilégio pesquisar, escrever e fazer conferências sobre aspectos vitais do dia do Senhor em muitas partes do mundo, e este ministério tem-me tornado bem consciente do fato de que, se há um tempo em que carecemos da libertação e renovação do dia do Senhor, este tempo é hoje, não é verdade?  Vivemos hoje numa sociedade materialista e secularizada em que a tirania das coisas tem escravizado tantas vidas. Assim, mais do que nunca precisamos da experiência libertadora do sábado, o dia que Deus nos deu para nos ajudar a erguer-nos acima do mundo das coisas para entrarmos na paz de Deus para a qual fomos criados.
        Vivemos hoje numa sociedade trepidante, sem descanso, em que muitas pessoas estão em falta de repouso e paz interior, e verão mediante este Seminário do Dia do Senhor e veremos como o santo dia de Deus tem o objetivo de experimentar descanso, paz e renovação interiores em nossas vidas.
Infelizmente, amigos, muita gente hoje não está se beneficiando do dia do Senhor. De fato, o dia do Senhor tem-se tornado um feriado [no original, contraste entre holy day—dia santo—com holiday—feriado], não é mesmo?
        Entre os muitos que deixam de obter as bênçãos do dia do Senhor há dois grupos—a um eu chamaria, os materialistas. São aqueles que consideram o “dia do Senhor” como um dia de descanso, mas para eles mesmos, em vez de sê-lo para o Senhor. Estes esperam pelo dia do Senhor, não para buscarem a presença e paz divinas em suas vidas, mas para o prazer e ganho pessoal.
        Conta-se a história de um pastor que visitava um membro materialista que estava afastado da igreja por várias semanas. O pastor perguntou-lhe: “Amigo, o que o mantém afastado da igreja?”, ao que o membro deu uma resposta muita cândida e honesta: “Pastor, vou ser-lhe honesto. Eu prefiro estar na minha cama no sábado de manhã pensando na igreja, a estar na igreja pensando na minha cama. Pelo menos”, prosseguiu ele, “minha mente está no lugar certo”.
        Sim, para o materialista o lugar certo para estar no dia do Senhor não é no santuário de Deus desfrutando a comunhão e a renovação na adoração, mas num santuário de feitura humana, preferindo estar sobre a cama, o parque, o cinema, o jogo de futebol, o salão de dança, e assim por diante. A experiência, contudo, nos diz que esses santuários de feitura humana podem, no melhor das hipóteses, oferecer alívio temporário, mas deixam um vazio espiritual interior que é a causa básica de tanta tensão e ausência de repouso hoje.
        Há também um segundo grupo de pessoas que perdem a bênção do dia do Senhor aos quais chamaríamos legalistas. Os legalistas são os que vêem a observância do sábado como um requisito legal, um mandamento, uma obrigação, algo que precisa ser observado a fim de se salvar. Conseqüentemente, o legalista conta as horas do sábado assim como os astronautas contam os segundos que precedem o lançamento da nave espacial, 10-9-8-7-6-5-4-3-2-1-0, pôr do sol! Vamos liberar toda a repressão e frustração do sábado.
        Bem, o propósito deste seminário é ajudar-nos a não nos tornarmos materialistas, nem legalistas, mas no que chamaríamos cristãos amoráveis, cristãos que encontram na celebração do dia de sábado uma experiência de gozo, deleite, renovação, cristãos que acham o sábado um tempo para estarem mais próximos de Deus e uns dos outros, e experimentar renovação física, espiritual e moral.
        Para alcançar este objetivo planejei quatro apresentações, e espero que todos assistam a elas, pois perceberão que cada conferência se baseia na anterior e a amplia.
        Nesta minha apresentação, gostaria de compartilhar a história da maneira providencial em que o Senhor me conduziu a uma universidade do Vaticano em minha busca por entendimento mais profundo do significado e experiência do dia santo de Deus. A razão para compartilhar essa experiência com vocês é que todos podem obter grande inspiração em ouvir como o Senhor conduziu a experiência de um irmão na fé, não é verdade? Se há uma razão para lermos a Bíblia é ver como o Senhor conduziu a vida de homens e mulheres do passado.
Nas próximas três apresentações desejo compartilhar com vocês alguns aspectos bem vitais do dia do Senhor—históricos, teológicos e práticos—que têm o objetivo de ajudar-nos a todos a descobrir o santo dia de Deus. Tão verdadeiramente uma experiência de deleite e celebração e renovação pessoal.
        É minha fervorosa esperança e oração que o tempo que passaremos juntos nos leve a descobrir como o Salvador, mediante o seu santo sábado, pode trazer mais paz e repouso a cada um de nós.
Nasci a um tiro de pedra dos muros do Vaticano e sob as sombras do Vaticano passei os primeiros 20 anos de minha vida.
        Meu pai era um crente católico muito devoto. Ele todo domingo comungava e se confessava, recitava o rosário toda noite. Tinha uma vida religiosa católica muito “piedosa”, como costumamos dizer, até a idade de 20 anos. Nessa ocasião ele encontrou pela 1a. vez um cristão evangélico da fé valdense. Devem ter ouvido sobre os valdenses. É uma igreja evangélica muito antiga na Itália, e esse cavalheiro deu a meu pai um exemplar da Bíblia para ler. Agora, meu pai tinha ouvido falar da Bíblia, mas nunca tivera acesso a uma exemplar dela, e sendo um católico tão devoto, ele se revelava ansioso por começar a estudar a Palavra de Deus. Meu pai me contou que uma de suas primeiras surpresas ao começar a estudar a Bíblia foi ler nas páginas iniciais da Bíblia, no relato da criação, a história de como Deus estabeleceu o sábado do 7o. dia como um memorial de Sua realização criativa.
Sendo um observador do domingo muito dedicado, meu pai não pôde deixar de indagar—por que devo observar o domingo quando Deus estabeleceu o sábado do 7o. dia como memorial de Suas realizações criativas?
        E meu pai me contou que ao prosseguir sua leitura da Bíblia, lendo o Velho Testamento, ele ficou muito impressionado em notar o tremendo papel que a observância e às vezes não-observância do sábado desempenhara nos altos e baixos da peregrinação espiritual do povo de Deus nos tempos veterotestamentários. E quando chegou ao Novo Testamento, meu pai teve outra surpresa. De fato, ele me contou que ficou grandemente surpreso com a tremenda ênfase que é dada ao ensino do sábado, ao ministério sabático de Jesus. Por quê? Obviamente porque o que Jesus disse e fez no sábado era muito importante para aqueles cristãos do Novo Testamento. Ele desejava saber a fim de modelar a sua observância do sábado segundo o exemplo e ensinos do Salvador.
        Bem, o que ocorreu? Após vários meses de estudo metódico e escrupuloso, papai chegou à conclusão de que o princípio da observância do sábado do 7o. dia não é só válido, mas valioso para nossa vida cristã e crescimento cristão.
        Assim, o que meu pai fez foi começar a procurar uma igreja observadora do sábado do sétimo dia. Na cidade de Roma temos centenas de igrejas, talvez 500 a 600 igrejas católicas e algumas dúzias de igrejas evangélicas. Ele começou a perguntar a padres e pessoas ligadas à Igreja Católica, “sabe se há alguma igreja observadora do sábado?”, e a resposta era constante e coerente: “Tal igreja não existe, porque o princípio do observância do sábado foi abandonado há muito tempo”.
        Essa infrutífera pesquisa não desencorajou meu pai porque, conquanto fosse um homem simples, com somente cinco anos de educação formal, ele é um homem de tremendas convicções. Se ele crê que algo é certo e precisa ser feito, mesmo que o resto do mundo pense de modo diferente, ele o acata e faz.
Sabem o que papai fez? Bem, ele não pôde localizar uma igreja observadora do sábado na cidade de Roma, então decidiu-se pelo que julgava ser a única coisa a fazer, ou seja, observar o sábado do 7o. dia somente, em sua própria casa! Sim, meu pai, minha mãe (eu era ainda um pequeno bebê na época) começaram a observar o sábado do 7o. dia em sua própria casa, imaginando que eram os únicos observadores do sábado sobre a face da terra! Isso parece incrível, não é mesmo? Mas é a verdade.
        Essa experiência se estendeu por aproximadamente um ano, até que meu pai foi convidado a assistir a um estudo bíblico conduzido na casa de alguns amigos por um pastor adventista. Essa foi a primeira vez que meus pais foram introduzidos à Igreja Adventista do Sétimo Dia que, naquele tempo, consistia de somente seis membros que se reuniam em casas particulares. Isso explica porque meus pais não tinham sido capazes de localizar uma Igreja Adventista em Roma. Hoje a história é diferente—temos quatro belas igrejas com mais de 700 membros.
        Honrar o Salvador em Seu santo sábado era verdadeiramente uma experiência problemática, não só para meus pais, mas também para mim ao crescer na Itália, numa época em que a semana de trabalho e escolar incluía o sábado. Ainda hoje na Itália o sábado é um dia letivo. Podem imaginar como isso me criava problemas consideráveis.
        Lembro-me, por exemplo, como meus colegas de classe me apelidavam il judeo [o judeu] porque eu me ausentava da escola aos sábados e recusava jogar futebol com eles. Esse é um esporte  muito popular na Itália e eu me recusava a jogar futebol com eles aos sábados à tarde. Assim, me chamavam il judeo. Lembro-me como o professor de religião dizia aos estudantes que eu era “um protestante herético” de modo que se mantivessem longe de mim, como se eu fosse um tipo de leproso. Eu também me lembro como o diretor da escola toda semana esperava receber uma justificativa médica por minhas ausências sabáticas, e recordo-me vividamente de como o médico da família cooperava redigindo um atestado médico, declarando algo como que psicologicamente eu era inapto para freqüentar escola aos sábados. Isso significa que minha mente funcionava bem durante a semana, mas de algum modo ela “enguiçava” aos sábados. . .
        Também me recordo vividamente dos esforços concentrados de alguns de meus parentes, muitos deles devotos católicos, como ainda hoje o são, para me atraírem de volta ao rebanho católico. Eu passei seis verões hospedado na casa de uns tios na Riviera Adriática, um lindo lugar. Mas eu ali estava, não desfrutando férias, mas vendendo Bíblias e o livrinho Caminho a Cristo para obter meu estipêndio escolar que me permitisse retornar ao colégio. Naquelas ocasiões eu estava longe de casa, dos membros da igreja, da congregação local, e meus parentes pensaram: “Ah, está é uma oportunidade de ouro para trazer Sam de volta para o rebanho católico”. Eu me recordo de como eles se valeram da ocasião para tentar persuadir-me a abandonar “a fé supersticiosa de meus pais”. Quando notaram que seus melhores esforços não estavam atingindo seus objetivos desejados, sabem o que fizeram? Chamaram o padre da paróquia local, um homem jovem e muito bondoso. Seu nome era Don Gabriele, e tinha seus 25 anos de idade. Ele esperava que eu terminasse de jantar, e daí me convidava para uma caminhada com ele.
        Sabem o que ele fazia? Costumava colocar os braços sobre os meus ombros como um pai e enquanto caminhávamos ele conversava comigo e me apelava a abandonar a “fé supersticiosa de meus pais”, particularmente a observância do sábado do sétimo dia que, segundo ele, era um anacronismo, algo fora de moda, não mais relevante para nossa vida cristã e sociedade hoje.
        Meus amigos, em resultado desses confrontos, que tive de deparar cedo na vida, confrontos de colegas de classe, professores, parentes, sacerdotes, eu comecei a sonhar enquanto ainda um adolescente. Comecei a sonhar que algum dia, pela graça de Deus, se me fosse dada oportunidade, eu disse, “quero estudar mais sobre esse tema vital, qual seja—o santo dia de Deus e o que deve significar para nossa vida cristã hoje”.
No verão de 1977, quando eu me achava dentro da Pontifícia Universidade Gregoriana, vendo minha dissertação doutoral Do Sábado Para o Domingo rodando nas impressoras do Vaticano, com o Imprimatur oficial da Igreja Católica, o que significa aprovação, que foi concedida por três autoridades católicas, esta experiência, caros amigos, me tornava bem consciente de que o meu sonho de jovem se concretizava.
        Mas havia se materializado além de meus mais elevados sonhos, por quê? Basicamente porque como um adolescente eu jamais poderia imaginar que seria admitido pela prestigiosa Pontifícia Universidade Gregoriana, ou seja, a mais importante universidade do Vaticano. Por quê? Porque naqueles dias seria impossível que um não-católico fosse admitido numa universidade católica. Só desde o Concílio Vaticano-II, nos últimos 20 anos, é que se fez tal provisão para os “irmãos separados”. Isso é bem melhor. Costumávamos ser chamados “heréticos”, agora somos “irmãos separados”, o que parece designação bem melhor!
        E foi somente nos últimos anos que isso se tornou possível. Assim, eu jamais poderia pensar que um dia teria permissão de entrar, estudar, pesquisar para publicar dois livros sobre a história e teologia do sábado—Do Sábado Para o Domingo—contando a história da mudança do dia santo de Deus, e Divine Rest For Human Restlesness [Descanso divino para a inquietação humana] que explica o significado e mensagem do sábado para hoje. Sim, eu jamais poderia pensar que o próprio  papa seria tão generoso em conceder-me uma medalha de prata e outra de ouro. Pensei em trazê-las pois alguns de vocês iriam apreciar ver como seria a “prata santa” e o “ouro santo”. . . Agora, esta é a medalha de prata por alcançar a distinção magna cum laude por meu trabalho escolar, e esta é a medalha de ouro, que recebi pela distinção summa cum laude em meu trabalho acadêmico e de pesquisa nesse assunto tão vital a respeito do santo dia de Deus.
        Alguém me disse que esta medalha de ouro vale uns milhares de dólares somente em ouro. Alguns aqui desejarão senti-la. É uma bela peça de ouro, mas para mim o valor da medalha não é o seu valor monetário, mas o fato de que esta medalha foi concedida em reconhecimento da pesquisa feita sobre o princípio bíblico que o mundo cristão infelizmente esqueceu hoje.
        Sim, como adolescente jamais poderia ter imaginado que eu vivenciaria isto, mas talvez a maior satisfação, que jamais poderia ter imaginado, foi para mim a alegria de poder ter compartilhado minha fé com líderes católicos, eruditos de diferentes persuasões, compartilhar minha fé através da página impressa e da palavra falada.
        Eu gostaria de poder ler para vocês centenas e centenas de cartas que recebi nesses últimos anos de muitos eruditos de diferentes persuasões. Talvez possa ler algumas poucas como “amostra”. Aqui, por exemplo, tenho esta carta do bispo católico Julius Manci que me agradece, “muito obrigado pelo livro”, e diz, ele: “estou lendo com real interesse”, e no último parágrafo ele faz esta maravilhosa confissão: “Eu sinceramente desejo conhecer a verdade. Se uma pessoa é sincera mas está errada ela ainda está errada”. Não é maravilhoso?
Há hoje líderes cristãos, eruditos, que são sinceros e suficientemente assim para reconhecer que estão sinceramente errados, e estão em busca de um maior entendimento e experiência da verdade bíblica, tal como esta do dia do sábado.
        Permitam-me compartilhar outra carta de um famoso orador e escritor neste país, Norman Vincent Peale. Nesta carta ele me agradece pelo livro Divine Rest e diz: “O livro tem uma forte e vital mensagem para as pessoas hoje às quais o sábado pode ter um efeito curativo e uma influência elevadora”. Daí, ele prossegue: “O livro é uma bênção, já que se refere ao salutar e fortalecedor efeito do sábado cristão em nossa geração tensa e nervosa”. Diz mais ele que o autor ofereceu “uma tremenda contribuição para nossa época com este providencial estudo”
        Para mim tem sido encorajador receber tal endosso, não só na forma de cartas, mas também endosso em revistas evangélicas, por exemplo, Christianity Today [Cristianismo Hoje], que é reconhecida como uma das publicações evangélicas mais lidas hoje. Em sua recente análise crítica de meu livro, diz, entre outras coisas—“Este é um tratamento definitivo de um dever cristão, o mandamento mais negligenciado pela cristandade”.
        Acho isto muito animador, caros amigos cristãos, e sinto grande incentivo em ver que publicações destacadas, pensadores cristãos de proeminência estão reconhecendo hoje que o mandamento do sábado é o mais negligenciado e, contudo, como Norman Vincent Peale tão eloqüentemente declara, “é o mandamento que pode soerguer e curar nossa sociedade cheia de tensão e sem descanso”.
        Para mim tem sido animador não só receber esses endossos escritos de cartas e revistas, mas receber convites pessoais para compartilhar a mensagem do sábado para hoje de instituições acadêmicas e igrejas de destaque. Recentemente retornei de uma viagem à África do Sul onde fui convidado a fazer conferências sobre a teologia e história do sábado em 12 das principais universidades daquele país. E recebi convites semelhantes neste país de seminários menonitas, da Aliança do Dia do Senhor dos EUA, da Universidade Duke, da Igreja Mundial de Deus, Igreja de Deus do 7o. dia, Sociedade de Literatura Bíblica, etc.
        De fato, se eu tivesse tempo adoraria compartilhar com vocês as respostas muito positivas, estimulantes, de líderes católicos, eruditos que estão dispostos a reconhecer, reconsiderar, reexaminar a validade do princípio da observância do sábado do 7o. dia para sua vida hoje.
        Mas talvez seja melhor eu manter minha promessa de compartilhar com vocês alguns dos pontos altos da experiência que vivenciei enquanto pesquisando sobre o dia do Senhor no Vaticano.
Alguns de vocês podem estar se perguntando, “Por que o irmão Sam—podem me chamar assim, irmão Sam, pois meu último nome é tão complicado que não quero que se atrapalhem com a língua ao tentarem pronunciá-lo—“por que o irmão Sam resolveu ir estudar na Universidade do Vaticano? Afinal de contas, esta não seria a primeira escolha de um adventista do 7o. dia”! Bem, eu posso citar duas razões principais: 1o. – Julguei que freqüentar aquela universidade me daria uma excelente oportunidade de familiarizar-me com a história e prática da igreja que havia cumprido um importante papel, eu até diria, um papel profético, na história do cristianismo. Em 2o. lugar, pensei que se pudesse ser admitido ali como estudante, esta seria uma maravilhosa oportunidade de ter acesso aos valiosos documentos da biblioteca do Vaticano para levar avante minha pesquisa desse assunto tão vital do dia santo de Deus.
        Assim, estas duas razões levaram-me a enviar, na primavera de 1968, minha petição de matrícula na Pontifícia Universidade Gregoriana, que é a universidade fundada por Inácio de Loyola, o próprio fundador do movimento jesuíta. Ele fundou a Universidade em 1541, pensem só nisso!
        Eu fui o primeiro não-católico a fazer essa solicitação para estudar ali, e sendo o primeiro, isso representou um problema para eles. Não sabiam bem o que fazer comigo. Foram necessários vários meses para processarem minha solicitação e entrevistar-me, e interrogar-me. Eles desejavam assegurar-se de que eu iria lá por motivos sinceros e honestos, não para ser um espião ou conspirador, entendem? Quando lhes dei todas as garantias que buscavam, finalmente me concederam uma dispensa especial. Trata-se de uma isenção de assinar a profissão de fé católica, e também isenção de freqüentar os exercícios religiosos.
        Talvez estejam se perguntando como foi minha experiência estudando ali entre 5.000 sacerdotes e monges, pertencendo a diferentes ordens religiosas. Como se me apresentava aquilo como um adventista do sétimo dia?
Eu honestamente devo dizer que me sentia a princípio muito pouco à vontade, deslocado, particularmente porque meus colegas de classe trajavam suas vestes monásticas ou sacerdotais, mas eu ali estava como um leigo, com roupas ordinárias. Isso às vezes fazia com que me dirigissem a pergunta—“A que ordem religiosa pertence?”, ao que eu, brincando, respondia: “Eu pertenço à ordem adventista”.
        Eles ficavam admirados, “ordem adventista? Que ordem é essa?” Esta poderia ser uma das muitas ordens que eles têm em sua igreja. Isso dava ocasião muitas vezes a tais perguntas.
        Dois monges, por exemplo, um da Venezuela, Prof. Dumont, outro do México, Samuel Rodriguez, aproximaram-se de mim durante um intervalo e me indagaram—“Sam, por que não nos fala algo sobre a liturgia de sua ordem? [Ou seja, o tipo de culto]. Como é estruturada?”
        “Oh”, eu disse, “a melhor maneira para que lhes explique seria levá-los para a igreja no próximo sábado. Por favor, dêem-me o endereço da casa religiosa onde residem e será meu privilégio apanhá-los e levá-los a nossa igreja no próximo sábado de modo que possam ver em primeira mão como é a liturgia adventista”.
Assim, no sábado seguinte me sentia muito orgulhoso em ter nos bancos da igreja dois monges sentados próximos de nossa família e fiz com que participassem de nossa Escola Sabatina, e até lhes dirigi perguntas, mesmo tendo-me esquecido de fornecer-lhes a lição da Escola Sabatina para estudarem o tema da semana. Mas fiz-lhes perguntas do mesmo modo, e eles deram respostas de forma muito inteligente, o que me deu oportunidade de cumprimentá-los e lhes dizer que se continuassem fazendo tão bom progresso teriam boa chance de se tornarem professores da Escola Sabatina algum dia! Ao final da programação perguntei aos dois monges: “O que acham da liturgia adventista?”, e nunca me esquecerei das palavras do Pe. Dumont quando, apontando à nossa Escola Sabatina, disse: “Oh, como eu gostaria de podermos introduzir em nossa Igreja Católica esse método de estudo sistemático da Bíblia como o que têm aqui em sua igreja”.
        De fato, para mim foi muito gratificante poder ver como meus professores e colegas de classe, lá no Vaticano, viam a Igreja Adventista do Sétimo Dia como um exemplo a imitar, particularmente na celebração do sábado. Eles ficaram muito impressionados ao saber que em nossa comunhão adventista nós celebramos o sábado, não como a “hora da missa”, mas em suas 24 horas como adoração, descanso, comunhão e serviço. Isso lhes foi surpreendente porque na Itália, neste ponto e por toda a maior parte da Europa Ocidental, hoje mais de 90% dos cristãos não se preocupam de sequer ir à igreja, quanto mais celebrar tempo santo ao Senhor. E isso me conduz a expor o motivo de minha pesquisa, o porquê de ter escolhido esse exato tema da história do dia santo de Deus para minha dissertação doutoral. Eu posso pensar em duas razões principais: No. 1– diria que é o papel muito importante que o sábado desempenhou no princípio de minha vida. Como lhes disse, a guarda do sábado era-me causa de constante confronto, mas também uma fonte de grande conforto. Assim, o importante papel que o sábado desempenhou nos meus tempos de adolescente e jovem instilaram-me a aprender mais dessa divina instituição.
        A segunda razão é por ter descoberto no Vaticano uma dissertação recém publicada. Eu estava há uma semana no Vaticano quando vi exibido no corredor da Gregoriana, entre as últimas publicações da universidade, uma recém-publicada dissertação por C. S. Mosna, intitulada em italiano, Storia della domenica [história do domingo, do princípio até o Século V]. Fui até a livraria e adquiri essa dissertação, e pelos próximos meses utilizei cada momento livre para digerir e analisar essa obra monumental de 400 páginas, e devo confessar que fiquei muito surpreso pela nova explicação dada nessa dissertação para a mudança do dia santificado de Deus, do sábado para o domingo no cristianismo antigo. Bem, qual é a nova explicação?
        Basicamente, em suma, a nova explicação proposta pelo Prof. Mosna é de que a mudança do sábado para o domingo ocorreu por autoria de Cristo, dos apóstolos, os quais, dizia ele, escolheram o primeiro dia da semana a fim de honrar, celebrar a Ressurreição de Jesus Cristo por meio da celebração da ceia do Senhor. Essa explicação muito me surpreendeu por, pelo menos, duas razões:
1o. – Porque essa não é a explicação tradicional, histórica da Igreja Católica. Os que leram o Velho Catecismo Católico publicado antes do Concílio Vaticano II devem lembrar-se que a pergunta era geralmente—“Por que observamos o domingo em lugar do sábado?”, e a resposta tradicionalmente dada era—“Observamos o domingo em lugar do sábado porque a Igreja Católica, em virtude da sua autoridade, transferiu a solenidade do sábado para o domingo”.
        Nestas palavras do passado, com cândida franqueza a Igreja Católica admitia que a mudança do santo dia de Deus ocorrera em virtude de sua autoridade. Diríamos, “a igreja o fez”. Esta era a sua explicação histórica. Hoje, contudo, em vista do Vaticano II, que atribui maior reconhecimento à autoridade da Bíblia, encontramos nova explicação. Não é mais a igreja que o fez, mas Cristo e os apóstolos foram responsáveis por mudar o dia de descanso e adoração do sábado para o domingo.
        Quando me fiz consciente dessa tendência, indaguei-me—seria possível que Deus me trouxe aqui, para este lugar, em tal tempo como este, para empreender pesquisa, conduzida com rigor e metodologia científicas, uma pesquisa que vai ajudar a esclarecer a questão do tempo, lugar, as causas, as conseqüências da mudança do santo dia de Deus? Quanto mais eu pensava e orava a respeito disso, mais profunda se tornava a convicção em meu coração de que eu de fato devia conversar com meu conselheiro, meu professor, solicitando-lhe permissão para trabalhar nesse assunto, tão controverso. E me lembro muito vividamente do dia em que me achava em seu escritório para redigir minha petição, ou solicitação, para investigar a gênese histórica da observância do domingo no cristianismo primitivo. E qual foi sua reação? Foi, como de se esperar—ele puxou esta dissertação da prateleira de sua biblioteca, colocou-a sob o meu nariz, e disse: “Acabamos de publicar uma grande pesquisa sobre esse assunto, e não é praxe da Universidade permitir que alguém trabalhe numa área que já foi amplamente coberta”.
        Como colportor de literatura cristã eu aprendi uma lição importante—nunca aceite um não por resposta. E essa lição me foi muito oportuna naquela ocasião. Eu confirmei e corroborei o que o meu professor disse ao afirmar-lhe que ele estava certo, que o trabalho de Mosna era muito bom, e não só o trabalho de Mosna mas de muitos outros pesquisadores sobre o tema. Eu tenho minha pasta cheia delas”, e fui puxando uma atrás da outra, e lhe apresentei o que trazia mostrando que havia empreendido um trabalho completo, e lido todas essas recentes dissertações. “Mas”, prossegui, “professor, minha convicção nestas alturas é de que a última palavra não foi dita. De fato, parece-me que muitos dos textos e documentos que foram analisados nessas obras, eu ousaria dizer, foram tratados de um modo unilateral e subjetivo. E se o senhor me der a oportunidade de reexaminar todos esses documentos, creio que haverá uma boa chance de chegarmos mais próximos da verdade. Pode me ajudar?!”
        Quando ele notou minha convicção, meu desejo, o professor me disse: “Vá até o escritório acadêmico, apanhe um formulário de petição, declare o seu objetivo e vou recomendar sua proposta para aprovação”. E foi o que ele fez.
        Permitam-me valer-me desta oportunidade para agradecer ao bom Senhor por tornar possível que eu trabalhasse aos pés de tão nobre erudito, um homem da mais elevada estatura intelectual, um homem que se dispôs a encorajar a busca da verdade antes que proteger e preservar um ponto de vista prevalecente. Ele sabia que eu era um adventista do sétimo dia. Ele foi quem me entrevistou no dia de minha admissão. Sabia do risco que estava correndo  por permitir-me trabalhar nesse assunto controvertido. Mas sua disposição em correr esse risco por mim deve ser considerado como um triunfo sobre o preconceito, e também como uma óbvia evidência da providencial direção de Deus nessa experiência toda.
        Nessas alturas seria interessante saber quais eram os objetivos, em conclusão, de minha pesquisa. Nesta primeira apresentação vou apenas declará-lo um tanto telegraficamente. Nas próximas três apresentações seremos capazes de esclarecê-las e ampliá-las.
        Meu primeiro objetivo era assegurar a atitude de Jesus Cristo e Seus apóstolos para com o sábado. Queria descobrir como Jesus e os apóstolos se relacionaram com o significado e prática da observância do sábado, e os muitos meses que empreendi quanto a todos os evangelhos no cristianismo primitivo tornaram-me indisputavelmente claro que o Salvador, por Sua forma provocativa de observância sabática, não teve a intenção, como muitos hoje querem nos fazer crer, de anular, ab-rogar o sábado, mas esclarecê-lo, torná-lo mais significativo a nossas vidas hoje. De fato, vamos estudar em nossa segunda apresentação como o Salvador identificou o Seu ministério redentor com o significado messiânico do sábado. Vamos ver, por exemplo, como o Salvador iniciou o seu ministério, intensificou esse ministério, encerrou este ministério no sábado, trouxe restauração física e espiritual para pessoas em necessidade no sábado, de modo que deve ser lembrado como o memorial, não só do amor criativo, mas também redentor.
        Meu segundo objetivo era assegurar o tempo, o lugar, as conseqüências da mudança no santo dia de Deus. E para declarar brevemente, a conclusão de minha investigação que eu elaboro na quarta e última apresentação, é que essas mudanças ocorreram, não pela autoridade de Cristo, não pela autoridade dos apóstolos, não por ser considerado uma homenagem à Ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana, mas o processo todo começou pelo menos um século inteiro após a morte de Jesus, a 2.000 milhas de distância de Jerusalém, na Igreja de Roma, em resultado de um conjunto de fatores políticos, religiosos, sociais, pagãos que iremos estar considerando juntos na última apresentação.
        E o significado dessa mudança, queridos amigos, é que quando o dia foi mudado do sábado para o domingo, não foi apenas uma mudança de nomes, não foi apenas uma mudança de números, de 7o. dia, para 1o. dia, mas uma mudança de autoridade, uma mudança de experiência. Eu diria que foi uma mudança de um dia que Deus nos concedeu para ajudar-nos a expressar compromisso a Ele, e preocupação para com outros seres humanos. Um dia que foi introduzido, como estudaremos, para mostrar separação e desprezo para com os judeus e, de certa forma, redução do compromisso para com Deus.
        Sim, foi uma mudança de um dia que Deus nos concedeu para ajudar-nos a expor a presença e intimidade, a realidade de Sua paz e presença em nossas vidas, num dia que se tornou ocasião de muitas pessoas buscarem prazer e ganho.
        Sim, para dizer às claras—foi uma mudança de um dia santo para um feriado. E a triste realidade é que esta mudança histórica grandemente afetou a qualidade da vida dos cristãos, de milhões de pessoas ao longo dos séculos que foram privadas da renovação moral e espiritual que o sábado tem o propósito de propiciar.
Talvez estejam interessados em saber como minha pesquisa foi recebida na Universidade do Vaticano. Talvez a melhor maneira para que eu responda a esta pergunta será compartilhar com vocês o momento dramático de minha experiência, o dia da defesa da tese, 14 de junho de 1974.
        Era uma 6a. feira à tarde, 4:30, e eu tinha dito ao meu professor—“Desejo ter tudo terminado até 7:30, uma hora antes do pôr do sol”. Ele me disse: “Não há problema. Devemos ser capazes de concluir todo o processo de exame oral em 3 horas”.
        A defesa da tese ocorreu num belo salão, a “Aula Magna”, um grande salão com tapete vermelho, mobiliário antigo, longas mesas de exame, e atrás da mesa estavam 5 eruditos jesuítas, todos eles com cabeças reluzentes como a minha, e isso acrescentava algum brilho à ocasião [Obs.: Ele está se referindo bem-humoradamente à calvície dele e dos seus examinadores].
        Foi-me concedida uma hora para apresentar uma síntese de minha pesquisa, e nessa hora eu declarei muito enfaticamente o que havia descoberto ali mesmo, nos arquivos do Vaticano, e então fiz um fervoroso apelo ao final para que se redescobrisse, aceitasse a bênção, a renovação da celebração do sábado a fim de revitalizar a qualidade da vida cristã, particularmente num lugar como a Itália, onde 97% das pessoas não vão à igreja . Somente 3% dos católicos freqüentam a igreja. Os demais apenas vão à igreja três vezes na vida—quando são batizados, se casam ou são sepultados, e a última vez nem vão por si próprios, alguém os carrega até ali!
Como foi essa apresentação recebida? Eu gostaria que pudessem estar lá e ouvir meu professor, primeiro de tudo, aquele que havia orientado minha pesquisa durante dois anos. Ele expressou a esperança de que de fato ela pudesse estimular o interesse de muitos líderes cristãos em reexaminar a relevância do sábado para nossa vida hoje.
        Então chegou a vez do segundo professor me interrogar. Ele me dirigiu um intenso interrogatório sobre a exegese de muitos textos. Posso lhes assegurar que tivemos uma discussão bem animada, e após minha demorada resposta a sua última pergunta, ele olhou para o relógio, e sabem o que disse? Ele fez uma impressionante declaração. Ele disse: “São 7:30, e após tudo quanto o irmão Sam fez e disse, só há uma coisa que nos resta fazer”.
        Pensei comigo, “Pronto, agora vou ser excomungado!” Mas não era o que ele tinha em mente. Sabem o que ele disse?: “Só nos resta fazer uma coisa—é desejar ao irmão Sam um bom, santo dia de sábado de repouso!”
Permitam-me assegurar-lhes que receber os votos de um sábado santo dos lábios de um erudito jesuíta que examinou extensamente minha obra foi uma recompensa enorme, maior mesmo do que a medalha de ouro que recebi mais tarde, doada pelo próprio Papa Paulo VI.
        Bem, tendo defendido com êxito minha dissertação, pude receber um diploma, que é um documento muito singular porque é o único do tipo. Vou pedir a minha esposa para segurá-lo por um instante para que lhes possa narrar a história do diploma. De certo modo creio que minha esposa tem o direito de segurar este diploma porque ela pode legitimamente reivindicar metade dele, sabem por quê? Se não fosse o seu incentivo, moral e espiritual, eu jamais poderia ter alcançado isso.
        O que torna esse diploma tão especial? O que é especial é que este é o segundo diploma. Eu recusei o primeiro diploma do Vaticano porque na declaração de abertura o primeiro diploma dizia que eu havia assinado a profissão de fé católica, o que não era verdade. Eu disse ao deão que não poderia aceitar aquele documento, mas ele insistia em que eu o aceitasse porque, disse-me ele, “o diploma é o mesmo para todo mundo. Nós apenas acrescentamos os nomes. Ademais”, prosseguiu ele, “a maioria dos americanos não entende o latim, e o diploma é escrito em latim. Então, por que preocupar-se com isso?”
        Eu, porém, disse: “Temo que não possa comprometer-me”. Assim, finalmente ele reconheceu a validade de minhas objeções e, sabem o que fez? Ele deu ao escriba do Vaticano a incumbência de preparar o texto em caligrafia manual decorativa deste belo diploma, dado em nome e sob a autoridade do Papa Paulo VI e assinado por destacadas autoridades católicas. E quando fui receber o diploma, ele me disse: “Este é o mais belo diploma que o Vaticano já produziu”. Eu disse, “louvado seja Deus”!
        Achei tão bonito que mesmo em me conceder o diploma, o Vaticano dispôs-se a reconhecer o aspecto distintivo de minha fé.
Muitíssimo obrigado. . .
        Tendo recebido o diploma, também pude receber uma regalia muito incomum. Vou pedir a minha esposa para trazer-me aqui para que possam ver a regalia acadêmica que recebi no Vaticano. Esta é uma veste muito singular e não sei se poderia vesti-la só por um momento para ver como fica, okay? Obrigado. Pode me ajudar? . . .
        Alguém disse que “é assim que um bispo adventista se pareceria”. [Risos do auditório] É verdade? Quero lhes dizer que não me sinto muito confortável com esta veste, mas sem dúvida é uma bela veste, e tem aqui a estampa da Gregoriana, bordada em ouro, tanto na frente como atrás, como podem ver. Eu a tento trajar o mais raramente possível. Esta é de fato a regalia acadêmica que recebi da Pontifícia Universidade Gregoriana.
Obrigado.
        Encerrando meu testemunho, gostaria de valer-me desta oportunidade para agradecer ao bom Senhor, primeiro de tudo, pela maneira providencial em que conduziu meus pais a descobrirem o significado e a bênção da celebração do sábado. Em segundo lugar, quero agradecer a Deus pelo modo providencial pelo qual me conduziu à universidade vaticana em minha busca por um entendimento mais profundo do sentido e bênção do dia de sábado.
        Desejo fazer-lhes uma franca confissão. Quero lhes dizer que o tempo que passei nas bibliotecas do Vaticano, examinando os documentos dos judeus e cristãos primitivos, ajudaram-me a encarar o sábado, não como um dia de frustração, uma obrigação, mas um dia de celebração, como um divino convite de vir à parte para experimentar mais livre e mais completamente no dia de sábado a consciência da paz e presença de Deus em nossa vida. Verdadeiramente, posso lhes dizer que esta pesquisa não só me enriqueceu intelectualmente, mas ajudou-me a experimentar espiritualmente e de modo mais pleno as bênçãos e benefícios da observância do sábado.
        E, caro irmãos e amigos, permitam-me dizer para encerrar, que esta experiência, esta pesquisa que tive o privilégio de empreender no Vaticano, convenceram-me plenamente que se jamais houve um tempo em que carecemos da libertação, renovação, realinhamento, refrigério e reabastecimento do sábado, este tempo é hoje.
Como lhes disse no princípio, “vivemos hoje numa sociedade materialista e secularizada em que a tirania das coisas tem escravizado tantas vidas.  Vivemos numa sociedade em que o ouro se tornou mais importante do que Deus, assim, mais do que nunca na igreja precisamos da experiência libertadora do sábado, o dia que Deus nos concedeu para nos ajudar a soerguer-nos acima do mundo das coisas, a entrar na paz de Deus para a qual fomos criados.
        Vivemos hoje numa sociedade trepidante, sem descanso, em que muitas pessoas estão em busca de paz interior, descanso, tranqüilidade, mediante pílulas, indo à Ilha da Fantasia, fabulosos lugares distantes, mas a experiência nos diz que verdadeiro descanso e paz se acham, não mediante pílulas nem lugares, mas por uma pessoa, a pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele diz, naquela bela passagem de Mateus 11:28: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, que Eu vos darei descanso”.
        Oremos, em conclusão, que Cristo ajude cada um de nós, mediante a celebração do seu Santo dia, a experimentarmos descanso e paz mais plenos em nossa vida. Oremos para que o sábado se torne para cada um de nós, o dia em que permitimos ao Salvador a trazer uma medida maior de sua divina paz e descanso em nossa vida.
        Oremos: “Amorável Pai celestial, agradecemos-te hoje pelo dom do santo dia de sábado, o dia em que nos convidas a virmos à parte de nossas preocupações diárias para que possamos mais livre e completamente experimentar a realidade e consciência de Tua paz e presença em nossa própria vida. Ensina-nos, oramos ó Deus, a como tornar a celebração de Teu santo sábado verdadeiramente um dia de celebração e renovação, um dia no qual aprendemos a aproximar-nos de Ti e de estarmos mais próximos de nossos semelhantes. Um dia em que experimentamos renovação física, moral e espiritual. Esta é a nossa oração, em nome de Jesus, amém”.


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